Tempestade chegou à sala onde Théoden estava reunido com Aragorn. Havia percorrido os corredores lentamente, observando a fisionomia dos passantes, temendo que Gimli e Legolas houvessem revelado o ocorrido na muralha. Ela parou no umbral.
- Mandou me chamar, meu senhor? - disse, atraindo a atenção do Rei para si.
Théoden ergueu os olhos.
- Sim, pode entrar.
A voz do Rei parecia tensa, assim como a expressão de Aragorn.
Tempestade manteve-se de pé, a uma distância razoável da mesa onde eles conversavam. A mulher tentava adivinhar o motivo de estar ali, quando ouviu o questionamento dirigido a ela:
- Que bom que se recuperou, mulher! - disse Gimli ao entrar ao lado de Legolas. Tempestade engoliu seco o cumprimento. Estava mais preocupada com o fato de eles também terem sido chamados.
- Perdão pelo atraso, majestade – disse Legolas. - Gimli quase não termina seu dejejum.
- Não me culpe, elfo. Hoje pode ser meu último dia de vida e se vou encarar a morte, há de ser com plenitude de minhas forças! - o anão brincou, enquanto ia em direção a Aragorn.
Em vez de se dirigir à mesa onde Théoden e Aragorn conversavam, como Gimli fez ao entrar, Legolas se posicionou na lateral da sala, junto a uma janela, dividindo a atenção de Tempestade.
Gimli lançou o olhar sobre os mapas rabiscados na mesa do rei.
- E então, meus senhores? Já podem me dizer onde meu machado poderá se divertir?
Théoden fitou-o com olhar severo.
- Não estamos com disposição para brincadeiras hoje, mestre anão.
Gimli ficou aborrecido, mas calou-se.
Contudo foi da entrada da sala que a censura veio de forma contundente.
- Somente um anão poderia considerar diversão uma batalha que, mesmo nos trazendo a vitória, será marcada pela dor e pelo desespero – Haldir disse com olhar penetrante.
A troca de olhares com o anão durou apenas alguns segundos. Aragorn repousou a mão sobre o ombro de Gimli para evitar um conflito desnecessário.
- Aproxime-se, capitão Haldir – Théoden solicitou.
- Se for possível, majestade, prefiro ficar onde estou.
O rei apenas assentiu.
Aragorn franziu o cenho, mas nada disse.
Legolas e Gimli nada transpareceram.
Tempestade estranhou a atitude de Haldir. O elfo quedou-se postado junto a porta, como se deliberadamente pretendesse impedir a saída de alguém. Ela sentiu-se cercada.
- E então? - indagou o anão, esfregando as mãos. Que tal começarmos.
Tempestade tentava controlar a tensão. Todos pareciam saber o motivo pelo qual estavam ali, exceto ela.
- Aproxime-se, Tempestade – solicitou o rei. - Soube que teve uma indisposição.
- Sim, mas já estou melhor – Ela olhava de um rosto para outro tentando encontrar pistas sobre quem sabia o quê naquele jogo perigoso.
- Faz ideia do motivo pelo qual a chamei aqui? – Prosseguiu o rei.
- Não, meu senhor – disse mais insegura do que gostaria de transparecer, diante do sorriso quase imperceptível que vira nos lábios de Legolas quando da indagação do rei.
- Tem certeza de que está bem, Tempestade? – Aragorn comentou. – Você parece... distraída.
- Pelo menos tão bem quanto o veneno permite.
A resposta foi suficiente para o herdeiro de Isildur, porém Legolas não deixaria passar sequer uma oportunidade de fazer com que a aranha escorregasse de sua teia.
- É uma pena que para certos males não haja um antídoto – Legolas alfinetou.
Ela não reagiu à provocação, fato que chamou a atenção do senhor de Rohan.
- Há alguma coisa errada, minha jovem? - O rei percebeu que havia algo fora do lugar. Tempestade parecia acuada, sem que houvesse um motivo aparente.
- Ela deve estar cansada, meu senhor. Penso que seria melhor prosseguirmos – Aragorn interveio. Ele podia sentir a tensão no ar, porém sabia que pressionar Tempestade não era a melhor maneira de lidar com ela. Se havia algo de errado, aquele não era o momento de descobrir.
Théoden alternou o olhar entre ele e a mulher e resolveu acatar a sugestão de Aragorn.
- Que seja, então. Quer saber por que a chamei aqui, minha jovem?
- Sim, meu senhor.
Théoden fixou o olhar na mulher.
- Há alguns dias meus batedores me informam que o exército de Isengard está acampado muito próximo daqui. E nem eu nem nenhum dos meus conselheiros consegue compreender o motivo pelo qual ele ainda não nos atacou.
- Eles têm soldados suficientes para isso. Aparentemente, nada os impede – completou Aragorn.
- Isso mesmo – prosseguiu o rei. – Contudo eles não o fizeram. Por quê? Será que você poderia nos dizer?
Ela deu um passo atrás. Como eles poderiam saber que ela era responsável pela demora do ataque? Esqueceu-se de quem estava postado junto a porta, olhou instintivamente para trás como se quisesse sair dali. O olhar enigmático de Haldir a transpassava. Não havia como saber se Legolas e Gimli haviam dito algo a ele.
- O que houve, Tempestade? – indagou Aragorn.
Ela piscou e recobrou a sanidade, voltando a fitar seus interlocutores.
- Se não fosse um despropósito sem sentindo, eu arriscaria dizer que a senhora está pensando em fugir desta sala – Legolas disparou.
- Não, meu senhor – ela retorquiu. - Eu apenas não compreendo por que os senhores acham que eu possa ter a resposta para essas perguntas.
- Eu explico – prosseguiu o senhor de Rohan. – É sabido que você viveu muito tempo na Terra Negra com os servos do senhor do escuro. Deve ter ouvido e visto muito sobre o modo como eles agem. Pensei que talvez pudesse nos ajudar a compreender a estratégia de Sauron.
Tempestade não sabia se poderia ou não acreditar no que lhe diziam. Aparentemente Legolas e Gimli não haviam revelado nada. Contudo aquele jogo de olhares e palavras era muito perigoso.
- Entendo, meu senhor, mas espero que o senhor compreenda que eu era apenas uma escrava...
- Porém, como disse o rei, a senhora deve ter visto e ouvido muitas coisas – Legolas interveio.
Ela cerrou os dentes, diante daquele inquérito maldito. 'Para Mordor com o que vi e ouvi", ela pensou.
- Sim, meu senhor – prosseguiu Tempestade. – É claro que vi e ouvi muitas coisas. Estou apenas tentando evitar que minhas palavras recebam mais crédito do que deveriam.
- Então apenas responda minha pergunta – disse o rei. - Garanto a você que saberei julgar o que disser – a relutância da mulher começar a deixar Théoden impaciente.
Tempestade mirou o chão, buscando as palavras que poderiam tirá-la daquela situação impossível. Ainda que fosse preciso inventar alguma coisa, qualquer coisa...
- O senhor do escuro gosta de tormentos mesquinhos – a mente dela iluminou-se. - Diverte-se colocando seus inimigos, e às vezes até seus servos, uns contra os outros. Vi muitas vezes grupos de orcs se enfrentando e se matando por motivos fúteis e nada era feito para impedir, pois os orcs se multiplicam muito facilmente.
- Prossiga – disse Théoden interessado.
- Só posso imaginar que nesse exato momento, Sauron está apostando no medo que deve estar tomando conta dos corações de seus soldados, a fome e a sede assolando o povo e causando todo tipo de sofrimento e desavenças. Então o senhor do escuro prefere deixar que o exército de Rohan seja enfraquecido pela ansiedade e pela discórdia que sempre surge quando os ânimos estão muito exaltados.
Os olhos do senhor de Rohan e do herdeiro de Isildur se cruzaram.
- Ela pode estar certa, meu senhor – disse Aragorn.
- É uma possibilidade – Théoden admitiu. - Saruman é astuto. Isso quer dizer que não há como prever quando o ataque virá. Podem estar querendo nos matar de fome.
- Isso eu já não creio – retorquiu Aragorn. - Ou não teriam providenciado um exército tão grande. Querem nos enfraquecer para em seguida nos esmagar.
- Uma crueldade caprichosa – completou Théoden. - Contudo não permitirei que ele use meu povo em seus jogos mesquinhos. Se Saruman pensa que vamos nos devorar como animais, está muito enganado.
- Você foi útil, Tempestade – o rei se dirigiu à matadora de wargs.
Ela assentiu.
- Posso me retirar agora?
Théoden estendeu a mão, indicando a saída.
- Como quiser.
Ela começou a caminhar em direção à porta. Haldir não se moveu, seguindo-a com os olhos.
Quando a mulher se retirou, Haldir mirou Legolas e saiu. O filho de Thranduil percebeu que o Galadhrim ainda não se havia dado por satisfeito.
...
Enquanto caminhava pelo corredor, a matadora de wargs percebeu uma presença ao seu lado.
- Vejo que conseguiu mais uma vitória, minha senhora. Creio que ganhou o favor dos grandes de Rohan essa manhã - a voz penetrante de Haldir lhe chegou aos ouvidos.
- Isso definitivamente não me interessa, meu Senhor Haldir – disse Tempestade, sem diminuir o ritmo de seus passos. – Apenas respondi à pergunta que me foi feita.
Haldir silenciou por um momento, ainda caminhando ao lado dela.
Tempestade não sabia o que esperar dele. Legolas havia ou não dito algo sobre o que ocorrera na muralha?
O elfo permaneceu calado por alguns instantes analisando a mulher que caminhava a seu lado. O perfil duro, a mão segurando a espada à sua cintura. Parecia sempre pronta a atacar.
- Suponho que subestima sua capacidade. A visão que teve dos acontecimentos foi clara e precisa.
- O que pretende com esse discurso, capitão? Deve ter coisas mais importantes a fazer do que gastar seu precioso tempo com uma escrava...
'Odeio a forma como se faz de vítima, mulher' pensou o guardião.
- Por que sempre tenta se afastar daqueles que não são seus inimigos, Tempestade?.
Ela parou e tentou mudar de direção. Haldir postou-se na frente dela.
- Por que foge? O que esconde?
Tempestade ergueu os olhos.
'Maldição', ela pensou. 'Por que não me diz de vez o que sabe, elfo maldito?'
Ele a olhou de cima a baixo. Era óbvio que Legolas estava certo. Se ela estava se esquivando daquele jeito, não havia como não ser culpada. Haldir, todavia, esforçou-se em manter as aparências. Precisava manter a confiança dela.
- Não escondo nada que lhe diga respeito – ela disse entre os dentes. - Mas o senhor está realmente me incomodando com essa conversa sem propósito.
O elfo baixou os olhos por um instante. Chegou a quase se odiar pelo papel ao qual estava se submetendo, mas sabia que não poderia deixar aquela mulher escorregar entre seus dedos.
- Eu a ofendi de alguma forma? - ele indagou, surpreendendo-a.
Ela abriu a boca, porém as palavras não encontraram o caminho.
- Está magoada comigo? É isso? – disse o elfo com olhar penetrante, quase roubando-lhe a respiração.
Ela não conseguia responder. Confusa que estava entre o que sentia e o que pensava. A razão lhe dizia que havia algo estranho. Que não seria prudente deixar-se envolver. Contudo...
Percebendo que a mortal baixara um pouco a guarda, Haldir ergueu a mão e com o dedo indicador tocou o queixo dela, fazendo-a estremecer e sussurrou:
- Está brava comigo?
Tempestade sentiu suas pernas falharem.
- Não seja ridículo, meu senhor – finalmente conseguiu dizer afastando-se um pouco e fitando o chão. - Eu apenas…
Ela não conseguiu completar a resposta. No instante seguinte, o elfo comentou:
- Eu sei – disse esboçando um sorriso.
Ela o encarou.
- Sabe? O que, em nome de Mordor você pensa que sabe?
- Você está passando por uma situação impossível. Essa ira é apenas a voz do veneno se fazendo ouvir. Perdão pela minha insistência.
Ela deu um passo como se quisesse sair dali, porém hesitou. Buscou o olhar de Haldir, tentando adivinhar o que era ou não verdade. A dúvida sobre tudo jamais a abandonava.
O elfo não saberia dizer o que viu naquele olhar castanho. Verdades e mentiras entremeadas, indissociáveis. Era isso que emanava dela. Desde o primeiro instante em que a vira. O falso e o verdadeiro em uma ciranda confusa, enauseante, tortuosa formando uma…
- Tempestade – ele sussurrou ao pensar alto.
- Sim? - ela disse intrigada com a expressão do rosto dele.
Haldir esqueceu-se por um momento dos atos e fatos, das histórias e versões e mergulhou na alma da mulher.
- Há algo de muito errado com você – ele afirmou.
Ela deu um passo atrás. A profundidade da voz dele e a precisão daquele olhar sobre ela a afetaram e sua respiração se alterou.
- E também, algo de muito certo… - ele deu um passo largo em direção a ela, cercando-a com sua presença. Deixando que sua intuição encontrasse a verdade que sua razão não conseguia discernir. - O que você esconde? - Ele sussurrou.
Ela sentiu sinceridade na pergunta dele. Seus pensamentos ficaram confusos e, por um instante, deixou de lado os jogos e permitiu-se respirar a essência da vida que emanava do elfo.
- O que o senhor procura?
Haldir ergueu a mão e aproximou-a da face mortal. Ela hesitou, porém acompanhou o movimento com os olhos. Ele esperou um segundo antes de arriscar, aguardando o momento certo. Prendeu o olhar dela no seu e prosseguiu até tocá-la. Tempestade estremeceu.
- Procuro esperança – ele sussurrou.
O elfo desejou mergulhar naquele torpor irracional e puxá-la para junto de si.
Os olhos dela quase brilharam.
- Esperança? - ela indagou.
Foi quando Haldir sentiu uma mão em seu ombro, tirando-o de sua hipnose.
Ele piscou e olhou para trás, contudo não viu ninguém.
Quando fitou Tempestade novamente, os fatos recentes caíram sobre seus ombros e o elfo recuperou a sanidade.
Ele baixou os olhos e, ao erguê-los, era senhor de si. Tempestade percebeu que o instante havia se quebrado. Porém ele continuou a respondê-la.
- Procuro esperança de que o inferno que nos cerca se vá e que o bem prevaleça. Em mim e em você.
A resposta de Haldir foi tão verdadeira quanto ele era capaz.
Tempestade o mirava sem conseguir compreender por que a luz nos olhos dele pareceu ter diminuído.
- A esperança é o vento traiçoeiro que move as embarcações dos ingênuos, Capitão – ela disse e se afastou, dando as costas a Haldir. - Se quiser que algo aconteça realmente, deve usar os remos ou…
- … ou?
- Ficará a mercê dos caprichos do mar…
Haldir ficou sério e cruzou os braços.
- Como as tempestades caprichosas que vitimam os marinheiros desavisados…
Ela virou-se novamente para ele.
- Eu não… - ela impôs o silêncio a si mesma ou perderia o controle.
Haldir quis sorrir, mas não o fez. Algo lutava dentro dele. Era tão bom estar com ela, conversar com ela, provocá-la, desvendá-la, forçá-la a revelar-se… ele piscou, evitando cair na teia dela novamente.
Tempestade estreitou os olhos, quase acreditando que ele… a queria de alguma forma… temendo se iludir… convencendo-se de que não havia nada para ela… para eles…
- Se eu a tivesse encontrado em uma situação menos conturbada… talvez houvesse tempo para mais conversas como essa… Agora, contudo, preciso ir. Peço sua licença, minha senhora. Há muito o que fazer e a batalha é iminente. – E fazendo uma leve reverência, se retirou.
Tempestade observa o elfo se afastando. Seu andar elegante, seu porte altivo, os cabelos caindo pelos ombros como uma cascata dourada. Algo rastejou em seu coração. Não fazia diferença, afinal, se ele sabia ou não. A batalha se aproximava, assim como o fim de sua missão. E depois, fosse como fosse, restaria a ela apenas duas opções: a morte ou uma existência miserável na qual traria a lembrança de algo que na verdade nunca acontecera. E a mulher ansiou pela primeira opção.
...
A uma certa distância dali, o imortal respirava fundo, tentando se recompor. A proximidade a que teve que se submeter o deixou abalado. Não fosse o misterioso toque que sentira em seu ombro e a firme confiança que tinha nas palavras do amigo, teria beijado aquela mulher e a teria envolvido em seus braços para nunca mais deixar que se fosse. Teria dito que poderia salvá-la da morte certa a que se julgava condena e que poderiam juntos apagar todas as manchas de solidão dele e de sofrimento dela. 'Valar! Será que estou sob algum feitiço?', refletia o guardião. 'Se Legolas viu o que viu, não há como essa mortal ser o que afirma ser. Contudo, não consigo ver nela o que suas ações demonstram'.
- Algum problema, Haldir? – o príncipe do reino da floresta revelou sua presença.
- Se eu dissesse que não, eu estaria mentindo e mesmo assim não conseguiria enganá-lo...
- Eu sei. Eu vi – afirmou o filho de Thranduil.
- Viu? O quê? – perguntou o guardião.
Legolas silenciou. Haldir percebeu.
- A mão em meu ombro? Foi você!
- Sinto muito se me intrometo em seus assuntos, meu amigo. Entretanto, quando o vi sair atrás daquela mulher, não pude me omitir e segui vocês.
- Perdoe-me se me repito, meu irmão, não estou duvidando de você, todavia preciso perguntar... Tem certeza absoluta do que viu na floresta? – Haldir ansiava por uma réstia de dúvida nas palavras ou no olhar do amigo, contudo...
- Sim, Haldir. Meu coração dói em ter que lhe dizer isso mais uma vez, meu irmão, mas não há como eu estar enganado. E depois do que vi agora há pouco, chego a lamentar estar certo – Legolas era sincero.
- Como assim?
- Tempestade sente algo muito forte por você e você por ela. Ainda que seja uma serva do senhor do escuro, ainda é capaz de sentir...
- Sentir o que, Legolas? – O guardião da floresta tentava se agarrar a qualquer possível chance que houvesse...
- Não me arrisco a dizer, Haldir. Só vi que é algo muito forte.
- Talvez haja, então uma chance para ela? – Um brilho surgiu nos olhos imortais do servo de Galadriel.
- Não, Haldir. Não acho que devamos alimentar uma esperança assim. Precisamos nos concentrar em descobrir o que ela veio fazer aqui. Ainda que exista algum bem naquela mulher, o mal ainda prevalece.
As palavras de Legolas eram dolorosamente sábias e o guardião curvou-se a elas. Por mais que aparentemente ainda existisse algo de humano em Tempestade, estava claro que ela viera a Rohan para causar a ruína de sua própria gente. Não seria razoável ter esperanças de salvá-la. Haldir puniu-se mentalmente por quase haver se deixado enredar novamente na teia daquela serva do escuro e tomou a resolução de voltar suas forças e seus pensamentos ao mistério que precisavam desvendar:
- Legolas – prosseguiu o servo de Galadriel, – você conseguiu chegar a alguma conclusão a respeito do enigma da promessa que ela veio cumprir aqui?
- Não. Nesta fortaleza não existe nenhuma arma ou poder que possa ameaçá-lo. Ao contrário, estamos em franca desvantagem.
- Neste caso, é melhor usarmos o pouco que temos da melhor forma possível – disse o capitão colocando a mão no ombro do amigo – e não é tão pouco assim, não é mesmo? – Haldir sorriu para Legolas, que percebera a referência às suas habilidades de arqueiro.
- De fato – o filho de Thranduil retribuiu o gesto – não é pouco.
