Restavam apenas algumas horas para a chegada dos exércitos de Isengard, exasperando a ansiedade própria daqueles que lutam em desvantagem extrema. Entretanto, com a presença de Aragorn, os soldados sentiam-se fortalecidos. Para Tempestade era um sinal claro de que Sauron não se enganara. Com ele vivo, as chances de triunfo das forças do escuro diminuíam.

Após se recuperar da conversa com o imortal que, por alguns instantes, a distraíra da realidade, ela pôs-se em busca de Aragorn. Não poderia mais perdê-lo de vista. Os batedores de Rohan informaram que os Uruk-hais chegariam ao anoitecer. Em sua busca nos intermináveis corredores e recintos da fortaleza, Tempestade finalmente o encontrou inspecionando um trecho da muralha. Aproximou-se lentamente, contudo os sentidos do guardião do norte eram muito bem treinados e seu rosto se voltou para aquela que o observava:

- Algum problema, Tempestade?

- Não, meu senhor. Eu o vi se dirigindo até aqui sozinho e achei por bem lhe dizer que não considero seguro que o senhor se exponha tanto. O exército inimigo está se aproximando e por certo já enviou batedores a fim de testarem as fraquezas destes muros. Uma flecha poderia atingi-lo.

- Agradeço sua preocupação, mas no momento há muitas vidas em risco para que eu me preocupe apenas com a minha. Como você mesma disse, pode haver fraquezas nestas muralhas e é por elas que estou procurando para que não sejamos surpreendidos.

- Como queira, meu senhor. Eu poderia pelo menos ficar em sua companhia?

Aragorn assentiu.

...

Após encerrarem a conversa, Haldir e Legolas partiram em busca dos exércitos élficos. Sabendo que as forças de Isengard não mais tardariam, os imortais deveriam procurar os lugares mais propícios de onde poderiam lançar uma chuva de flechas sobre os inimigos. Até que Gimli os encontrou:

- Onde você estava, Legolas? – o anão parecia furioso. – O combinado foi que nos encontraríamos na muralha com Aragorn!

- Eu sei, Gimli, me desculpe. Precisei resolver algo urgente com Haldir.

- Urgente? O que pode haver de mais urgente no momento do que uma guerra iminente?

- Tempestade. Nós a estávamos seguindo.

- Ah! Sim. Faz sentido. E onde ela está? - indagou o anão, baixando o tom de voz.

- Bem… - disse Legolas. – Parece que nós a perdemos.

- O quê? Mas… elfos inúteis!

Haldir e Legolas se entreolharam.

- Talvez seja melhor irmos procurar Aragorn – Legolas propôs.

O anão assentiu.

- Vamos então – Gimli concordou. - Nos acompanha, capitão? Ou vai organizar seus homens?

- Vou com vocês. Preciso acertar os últimos detalhes da defesa com Aragorn.

Eles começaram a caminhar.

- Ainda há algo a ser dito, capitão? Não fazem mais nada além de planejar há três dias!

-Aragorn é cauteloso, mestre anão – retorquiu Haldir.

- Sempre foi esforçado – disse Legolas. - O conhecimento dele e a liderança que exerce podem fazer com que a batalha penda a nosso favor.

- Nisso preciso concordar com vocês – confirmou o filho de Glóin. – Até Tempestade parece admirá-lo. Mesmo aquela cria de Sauron sabe do que Aragorn é capaz.

- Aragorn é uma pedra no caminho de Sauron – Legolas concordou. - Ele estaria disposto a tudo para tirá-lo do seu caminho.

- Não sei como ainda não enviou um exército com a única finalidade de eliminá-lo – comentou o anão.

Haldir parou e fitou os dois companheiros.

- O que você disse, anão?

Gimli não compreendeu a urgência do elfo que o inquiria.

- Não quis dizer que enviaria um exército de verdade, capitão, foi apenas uma maneira de falar. Sauron gostaria muito de se livrar dele.

- Eu sei. E se... ele já tiver enviado?

Gimli tentava decifrar as palavras do elfo.

- Crê que esse exército seja direcionado a Aragorn?

- Não. E se ele já houver enviado… alguém?

- Refere-se ao homem que Tempestade matou, Haldir? - Legolas indagou.

- Não exatamente...

- O que está querendo dizer, capitão?

- Precisamos encontrar Tempestade!

Gimli piscou.

- O senhor não estava falando sobre Aragorn?

Legolas fitou Haldir.

- Onde ele estiver, Tempestade estará – o filho de Thranduil deduziu. - O homem morto por ela… poderia estar falando a verdade…

- Sim, Legolas – Haldir concordou com voz rouca.

- Como pudemos ser tão cegos?

Gimli cruzou os braços. Orgulhoso de finalmente estarem dando ouvidos a razão.

- Tempestade se indispôs com todos nós em algum momento, exceto... Aragorn.

- Estava sempre pronta a atender suas solicitações... – admitiu Haldir.

- Apenas para ganhar a confiança dele e... se aproximar… - Legolas completou.

- Até que enfim se deram conta de que aquela aranha traiçoeira...

Nenhum dos imortais esperou Gimli concluir sua fala e o anão também não se deu a esse trabalho.

...

Tempestade observava atentamente a Aragorn, assim como tudo mais ao redor. As muralhas não poderiam ser escaladas. Contudo, no ponto onde estavam, a construção de Rohan se unia à pedra maciça e o que poderia vir de lá seria inesperado se a mulher não conhecesse o pensamento dos servos do senhor do escuro.

'Falta pouco para a chegada dos Uruk-hais', refletia a jovem guerreira, 'Será que aqueles orcs imbecis ainda irão tentar algo?' Seus pensamentos foram interrompidos ao perceber uma estranha movimentação por trás das rochas. 'Eu sabia! Criaturas desprezíveis... Estão tentando me suplantar mais uma vez, mas não vão conseguir!' dizia consigo mesma, enquanto retirava cuidadosamente o punhal preso à sua cintura. Enquanto girava o braço para trás a fim de fornecer ao punhal o impulso necessário, estreitava os olhos tentando perceber a hora exata em que a arma deveria ser lançada. Quando seus instintos lhe disseram que o momento havia chegado, a matadora de wargs lançou o punhal, contudo uma flecha se antecipou aos seus movimentos, vindo alojar-se na mão da guerreira e fazendo com que o objeto lançado pela mulher desviasse seu rumo e atingisse um ponto qualquer aos pés de Aragorn, chamando a atenção dele.

Tempestade caiu de joelhos, segurando o pulso da mão atingida. E qual não foi sua surpresa ao perceber que a flecha, que a princípio acreditara pertencer aos orcs, era na verdade, um artefato élfico. Olhos mortais então se voltaram em direção à porta onde Legolas, ainda com arco em punho, a olhava acusadoramente. Ao lado dele, Haldir também sustentava seu arco, apontando para a ex-escrava de Mordor.

- Não se mexa, se, pelo menos por enquanto, quiser continuar viva, imunda! – A voz do Galadhrim soava cruel e assassina, revelando um lado do guardião até então desconhecido por ela. Devia ser esse o Haldir tão temido pelos orcs, afinal.

Gimli, ao contrário dos elfos, não ficara observando a cena de longe, e sim, introduzira-se nela, caminhando em direção à mulher, agarrando-a pelos cabelos e fazendo com que se ajoelhasse:

- Por fim a desmascaramos, prostituta – disse o filho de Glóin, segurando a mão dela e arrancando a flecha.

Tempestade soltou um grito gutural, tentando camuflar a dor. Quando conseguiu abrir os olhos, encontrou o rosto do herdeiro de Isildur. Aragorn, incrédulo, olhou para o chão e apanhou o punhal a seus pés.

- O que pretendia com isso, Tempestade? – A voz de pedra e gelo fez Tempestade hesitar em responder.

Gimli interveio:

- Responda, criatura traiçoeira!

Apesar da dor, ela não se permitiu gemer. Não daria mostras de fraqueza.

- Acredite se quiser, meu senhor, mas acabei de salvar sua vida – disse desafiadoramente.

- Como se atreve a continuar mentindo com tamanha desfaçatez? – Gimli quase não se continha de tanta revolta!

- Diga a verdade, Tempestade, e lhe concederemos uma morte rápida! – disse Legolas, aproximando-se já com uma nova flecha apontada para e estrangeira.

- Eu tentei alertá-lo, meu senhor Aragorn – disse a mulher sem levar em consideração as palavras do elfo –, de que era perigoso ficar aqui. Por isso pedi permissão para permanecer junto ao senhor.

- Continue...

- Havia orcs por trás daquelas rochas. Provavelmente pretendiam fazer-lhe algum mal! Mirei em um deles e o teria acertado se a flecha de seu amigo não houvesse me atingido primeiro – respondeu olhando para o filho de Thranduil.

- Como pode ser tão cínica, assassina! – inquiriu o anão.

- Haldir, veja se há alguma coisa lá, por favor – solicitou Aragorn.

- Não acredita realmente que os servos do senhor do escuro continuam lá aguardando serem descobertos, acredita?

- Não, minha cara, acredito que a serva do escuro que havia para ser descoberta, já o foi – respondeu o guardião do norte, deixando Tempestade certa de que não seria fácil convencê-lo.

Haldir, atendendo a solicitação de Aragorn, caminhou em direção ao ponto indicado e averiguou até onde seus olhos élficos eram capazes.

- Não há nada aqui, Aragorn.

- E nem poderia haver, não é mesmo, Tempestade? – indagou o herdeiro de Isildur.

Ela nada respondeu. O que poderia dizer?

Haldir recriminava a si próprio por ter sido capaz de acreditar que naquela mortal havia algum bem. Pior ainda, que teria arriscado sua imortalidade por aquela criatura vil.

- Não vai mesmo confessar, mulher? – Continuou Aragorn. - Não vai nos dizer a verdade?

- A verdade… - Tempestade murmurou para si mesma antes de fitá-lo.

- Fui enviada aqui para matá-lo, meu senhor .

Aragorn mirou o punhal em suas mãos.

- Isso eu já havia percebido…

Tempestade buscou ar. Respirar estava ficando difícil.

- Porém não era o que pretendia fazer.

Gimli bufou. Legolas estreitou os olhos.

- Seu cinismo não tem limites? – indagou o herdeiro de Isildur, olhando para o punhal.

- Se não está disposto a acreditar em minhas respostas, meu senhor, por que continua a me fazer perguntas?

Ao dizer isso sentiu seu corpo ser curvado para frente. Sabia que se dependesse do anão, já teria sido estrangulada.

- Como se atreve a falar assim com futuro rei de Gondor, cria de Mordor maldita? – Foram as palavras de Gimli.

- Calma, meu amigo – Aragorn se dirigira ao filho de Glóin antes de prosseguir com a estrangeira –, vamos dar a ela mais uma chance de se explicar. Tempestade, se não pretendia me matar, o que pretendia fazer?

A mulher fechou os olhos.

- Fui mandada aqui para matá-lo, meu senhor. Supunha eu, depois de tantos anos vivendo à sombra do senhor do escuro, que não existisse mais nada no mundo dos homens pelo que valesse a pena lutar. Quando fui acolhida em Rohan eu…

- Chega! – interrompeu Legolas – não profane a dignidade desse povo com suas palavras mentirosas, mulher!

Tempestade olhou para Aragorn e viu no rosto dele a mesma incredulidade de antes. Legolas prosseguiu:

- E quanto aquele homem que você matou? E quanto aos orcs que encontrou na floresta? E quanto ao pergaminho que recebeu na muralha.

Aragorn franziu o cenho e fitou o elfo.

- Nós a estamos seguindo há um bom tempo, Aragorn. Estávamos apenas esperando o momento certo.

- E como sempre seus instintos não falharam, Legolas – Aragorn disse, agradecido.

- E então, Tempestade? - Aragorn prosseguiu. - Orcs na floresta, pergaminhos misteriosos… o que tem a dizer?

A mulher engoliu seco. Eles sabiam demais. Seria difícil contornar a situação.

- Aquele homem foi mandado pelos orcs para cumprir a tarefa que eu estava demorando a realizar. Na floresta, tudo que fiz foi tentar conseguir mais tempo para que não impetrassem novo ardil por outros meios, como o fizeram há pouco.

- Foi com essa história ridícula que você enredou a sobrinha do rei, mulher desprezível! – Legolas não se esforçava em ocultar sua revolta.

A mulher baixou a cabeça e fitou o chão. Havia cada vez menos esperança para ela.

- Diga-me, Tempestade – a voz do herdeiro de Isildur era de uma calma calculada – o que Sauron prometeu a você em troca de minha morte?

Tempestade suspirou. Aragorn não era ingênuo. Conhecia os temores e fraquezas da raça humana.

- Minha vida, meu senhor – respondeu a mulher – , minha vida pela sua.

- Verdade? Explique-se!

- Sauron tem seus meios de remediar o veneno dos wargs.

Olhares foram trocados...

- Contudo – prosseguiu a guerreira – tudo tem um preço. A cura me traria apenas uma existência miserável na qual libertar-me do domínio do senhor do escuro seria praticamente impossível. O que, na realidade, não seria tão diferente assim da vida que eu tinha até então.

- E você quer nos convencer de que foi tomada por um rompante de bondade e decidiu sacrificar sua vida por um homem que não conhecia até alguns dias atrás? – perguntou o anão.

- Não importa o que eu diga ou faça… jamais acreditarão em mim…

- Não sem provas maiores do que esta – Aragorn mostrou-lhe o punhal. - Essas provas existem, Tempestade?

Talvez o que deixara com Éowyn pudesse servir de prova. Ou poderia servir apenas para incriminá-la ainda mais. Ela refletiu por alguns segundos se valeria a pena continuar se defendendo. Seu corpo estava exausto. Não havia mais como prosseguir. Provavelmente não resistiria aquela noite. Ela ergueu os olhos e tudo o que eles puderam perceber foi o vazio do abismo que a habitava naquele instante.

- O senhor está a salvo. É só o que importa - murmurou.

Aragorn quis estremecer. Parecia haver alguma verdade naqueles olhos.

- Não se deixe enredar novamente por ela, Aragorn – Legolas alertou.

O herdeiro de Isildur piscou.

- Será que aquele homem que você matou era realmente um assassino? - Aragorn inquiriu-a. - Já que você usurpou-lhe o direito de defesa, nunca o saberemos. Contudo, este não lhe será negado. Por agora não temos mais tempo para suas maquinações. A fim de que você não ameace a mais ninguém, vamos trancá-la até o final da batalha e depois decidiremos o que fazer com você.

A mulher riu baixo, mas não tão baixo que os guerreiros não pudessem escutar.

- Do que está rindo, prostituta? – Haldir não se conteve diante do cinismo daquela criatura vil.

- O que pensam poder fazer comigo? - indagou, erguendo os olhos e fitando seus algozes. - Acham que poderiam dar punição pior do que aquelas que sofri em Mordor? Pensam que tenho medo da morte? Sentirei seu beijo em meus lábios em poucas horas, seja pelo veneno que corre em minhas veias, seja pela espada dos Uruk-hais.

- Então que seja – concluiu Aragorn, – Legolas, Gimli, levem-na daqui.

Elfo e anão apressaram-se em atender à solicitação do amigo. Tempestade levantou-se com dificuldade. Gimli não fazia o menor esforço em facilitar as coisas para ela.

- Apresse-se, rameira, que sua cela a aguarda! – disse o anão, empurrando sua prisioneira. Tempestade quase perdera o equilíbrio, não fora haver apoiado o ombro nos umbrais da porta, o que lhe permitiu fitar Haldir. Gimli fez menção de levá-la, contudo a mão erguida de Haldir pedia que aguardasse um instante.

- Sabe, minha senhora – dizia o guardião da floresta enquanto se aproximava –, assim como o senhor Aragorn, também acreditei ainda haver algum bem dentro de você – parou a centímetros da mulher. - Todavia, tudo o que vejo agora é um farrapo humano que quase não consigo reconhecer como uma mulher. Parece-se mais com os orcs do que com os de sua própria gente.

- Se mesmo os elfos, ao serem atormentados pelos poderes negros, tornaram-se orcs, como eu poderia escapar a esse destino após tantos anos de tormentos?

As palavras da mortal teriam deixado Haldir profundamente ofendido, não fosse a extrema miséria que o guardião enxergou no tom com o qual foram pronunciadas. A mulher possuía, era certo, uma grande parcela de culpa, contudo, diante da tortura e da morte, muitos nobres corações de deixam dobrar. Todavia a mágoa no coração do guardião foi maior que sua piedade. Além do que, ela teria um julgamento justo, de acordo com a sentença do futuro rei Elessar, caso vencessem a batalha que se aproximava. Até lá, não havia motivo para demonstrar mais compaixão.

- Sempre há uma escolha, minha cara, e você fez a sua: sobreviver. Não foi o que me disse? Sempre faz o que é necessário para continuar viva.

- Nunca escondi de ninguém o que era. Matava para viver e me foi dito uma vez que ninguém me condenaria por isso, contudo, vejo agora, que mesmo as palavras de um imortal são volúveis e facilmente levadas pelo vento. Um elfo não pode nem nunca poderá compreender o verdadeiro valor da vida, dado que o fardo da morte lhe é facultado.

Haldir virou-se sem deixar transparecer o efeito das palavras da mortal em seu coração fazendo um sinal com a mão para que o anão prosseguisse.

- Por via das dúvidas, Aragorn, acho por bem não deixá-lo mais sozinho – disse o príncipe da floresta. – Não sabemos o que mais os servos do senhor do escuro podem estar planejando!

- Não penso que seja para tanto, Legolas.

- Eu concordo com ele, Aragorn – interveio Haldir –, ficarei com você até que eles retornem.

Após a saída dos três, o herdeiro de Isildur se voltou ao capitão dos exércitos imortais.

- É, meu caro Haldir, me parece que a tempestade se voltou contra nós.

- Por sorte conseguimos dispersá-la – completou o imortal com os olhos fixos na porta.

- Contudo, ainda restam nuvens – prosseguiu o guardião do norte.

- Como assim, Aragorn?

- Eu realmente queria acreditar na inocência dela, Haldir. Há algo naquela mulher que... me confunde.

- Também eu, meu senhor, pensei sentir um certo bem naquela criatura, contudo fatos são fatos. Ela é o que é e não podemos mudar isso por mais que sejamos solidários com sua situação. Mordor a transformou naquilo que ela é hoje. Arruinou sua vida da mesma forma que arruinou a vida de tantos. Diante da discordância entre suas palavras e seus atos, penso que jamais poderemos ter plena certeza da verdade.

- É isso que me tira o sono: julgar sem poder ver o quadro todo.

- Todavia, creio que nesse caso não há como estarmos enganados, meu caro. Tudo está contra ela.

- Longe da ira de Mordor, talvez essa mulher pudesse ter sido uma boa pessoa.

- Talvez...

E foi com essa palavra e mente que homem e elfo se retiraram da muralha.