Após haver mergulhado na correnteza, Tempestade retornou à superfície. Seus olhos buscando desesperadamente pelo elfo. A simples possibilidade de que não pudesse mais voltar a tê-lo com vida em seus braços lhe dava forças para lutar contra a violência das águas.

Muito tempo se passou até vislumbrar a armadura noldor, já um pouco distante. Tempestade nadou o mais rápido que pôde, tentando alcançar o guardião. Contudo, o trabalho da mulher não era nada fácil. A correnteza o afastava para cada vez mais longe da fortaleza. Quando finalmente conseguiu se aproximar dele, não se via ou ouvia mais qualquer resquício da batalha que estava sendo travada em Helm. Apesar do peso da armadura, ela conseguiu levar Haldir até a margem.

O guardião estava desacordado, porém, ao constatar que ainda respirava, a mortal soltou um suspiro, aliviada. Tempestade liberou o elfo da armadura, a fim de verificar a gravidade de seus ferimentos. Aparentemente, o golpe na cabeça não causara maiores danos, mas a ferida que a mulher viu no abdômen de Haldir a afligiu.

Agradeceu ao Único pela abençoada correnteza que os levara para longe da batalha, e procurou ao redor por alguma erva que pudesse ser de alguma serventia para Haldir. Em pouco tempo seus olhos encontraram o que buscava e amassando-as da melhor forma possível, untou o ferimento do guardião que gemeu em resposta.

'Se sente dor, ainda está vivo', pensou ao recordar o que diziam os humanos em Mordor diante dos sofrimentos. 'E se está vivo, ainda pode lutar.'

Todavia, após tratar da ferida, os lábios de Haldir lhe chamaram atenção. Tremiam. O rosto estava pálido, quase azulado.

'Mordor! Como pude negligenciar isso?', pensou ao dar-se conta do frio que o elfo deveria estar sentindo. Sem saber exatamente o que fazer, andou de um lado para o outro até que uma ideia lhe veio à mente. Parecia haver apenas uma coisa a ser feita, mas a mulher balançou a cabeça em negativa.

'Não consigo fazer isso!', pensou enquanto dava as costas ao galadhrim. Os fantasmas de Mordor ainda a assombravam.

Contudo, um novo gemido do elfo a fez respirar fundo. Haldir precisava de calor ou sucumbiria.

-É isso ou a morte - disse para si mesma.

A mulher deixou de lado as lembranças e concentrou-se no agora: retirou o que sobrara da camisa que estava sob a armadura e, ainda relutante, deitou-se ao lado dele.

Um novo gemido de Haldir foi o bastante para fazê-la decidir-se de vez a envolver o corpo dele da melhor forma possível sem, contudo, magoar a ferida em seu abdômen.

Percebeu que, em troca, o calor do corpo do guardião também a ajudou a espantar o frio.

Os dois foram arrastados por tanto tempo e para tão longe, que Tempestade há muito deixara para trás qualquer vestígio de batalha. Entretanto, enquanto rogava ao Único pela vida de um de seus primogênitos, os pensamentos da mulher se voltaram para aqueles que lhe eram caros: Aragorn, Éowyn, Théoden... até mesmo Legolas e por mais que não gostasse de admitir, Gimli. E aos poucos o corpo de Tempestade começou a cobrar por todo o esforço que realizara; até finalmente deixar-se levar pelo cansaço e adormecer junto a Haldir.


O raiar do dia já se aproximava quando os Uruk-hais haviam conseguido tomar quase toda a fortaleza apesar das vidas que se davam e dos esforços dos soldados de Rohan. O rei Théoden já perdia as esperanças quando Aragorn o conclamou a cavalgar ao lado dele e a enfrentar seus inimigos. Não pela glória, mas por seu povo. E juntos atravessaram o mar de criaturas das trevas que tomavam cada espaço da fortaleza, até chegarem ao passadiço.

O sol nascia quando o herdeiro de Isildur recordou as palavras de Gandalf: 'Ao raiar do quinto dia, olhe para o leste.' E foi o que ele fez, sendo recompensado com a visão do mago branco ao lado de Éomer que comandava os Rohirrim no topo da colina.

Os cavaleiros de Rohan, protegidos pela luz do sol nascente, dizimaram os Uruk-hais livrando a Terra dos Cavaleiros da fúria de Isengard e Mordor. Os últimos servos de Saruman ficaram por conta da floresta. Todavia as aclamações de alegria pela vitória logo foram substituídas pelo pesar diante da contabilização das inúmeras perdas.

- Serão honrados no devido tempo. Isso eu juro! - declarou o senhor de Rohan.

- Ainda há muito por fazer – completou o peregrino cinzento.

- Os sobreviventes devem ser reconduzidos a Edoras. Temos um país a reconstruir. Os feridos ficam até ser recuperarem.

- Há vários elfos dentre eles – interveio Aragorn –, mas se restabelecerão rapidamente. Não precisarão ficar muito tempo.

- Que fiquem o tempo que precisarem – respondeu o rei. – Devemos muito a eles. E quanto aos seus mortos?

- Os que restaram de pé – disse Legolas – cuidarão de levá-los para serem honrados segundo os costumes élficos.

- E quanto ao capitão Haldir? - indagou Théoden, buscando avistar o guardião. – Onde ele está?

- Não encontramos seu corpo – respondeu o príncipe da floresta.

- Também não conseguimos encontrar Tempestade – declarou Éowyn.

- Haldir foi ferido gravemente. Estava ainda sobre a muralha. Seu corpo foi jogado no rio por um Uruk-hai. Tempestade mergulhou em seguida...

Nenhum esclarecimento seria mais necessário. O silêncio imperou por alguns minutos. De todos, Legolas parecia ser o mais consternado. Custava muito ao jovem príncipe encarar a morte de alguém que lhe era tão caro. 'Estava certo, afinal', refletia consigo mesmo diante da constatação de que seu amigo encontraria a morte de qualquer jeito. 'Pelo menos tivera a alegria de breves instantes de vida ao lado da mulher que escolhera, instantes estes que, aos olhos de Haldir, deveriam signficar mais do que uma eternidade de solidão.'


Algumas horas havendo passado, o dia amanhecia na floresta. Os primeiros raios de sol logo iluminaram o rosto adormecido do guardião de Lórien, colocando diante dele a visão de um céu azul muito claro envolvo em uma moldura verde formada pela copa das árvores. Aos poucos o capitão tomou consciência de seus sentidos. Estava deitado no chão. Sentia a areia, as folhas e o cheiro da mata que lhe eram tão caros. 'Estarei de volta a Lórien?' perguntou-se. 'Não pode ser', continuava, enquanto sua memória ia retornando 'A batalha... o toque de recuar... a espada do Uruk-hai!' Levou a mão esquerda ao ferimento. Ainda doía. 'Deveria estar morto!' Ergueu um pouco a cabeça fitando ondas negras que se espalhavam em seu peito. Aspirou o cheiro. 'Tempestade?', murmurou, 'É você?' A mulher ergueu a cabeça. Seu sono era leve. Os sussurros de Haldir foram suficientes para despertá-la.

- Você está vivo! – exclamou a mulher, pondo-se de joelhos ao lado do elfo.

- É o que parece... - disse o guardião, tentando se levantar antes de uma dor aguda impedi-lo.

- Louco! O que está fazendo? Precisa descansar!

- O que aconteceu?

- Depois de ser ferido você foi jogado no rio. Elessar e eu corremos para ajudá-lo, mas chegamos tarde. Então...

- Então o quê? - indagou o elfo impaciente.

- Eu pulei...

Haldir sentiu dentro de seu peito uma imensa ternura por aquela mulher. Mais uma vez as palavras pareciam não bastar para exprimir o que queria dizer. Pensou em abraçá-la, mas não conseguia sequer levantar-se.

- Por que fez isso? Poderia ter morrido!

Tempestade não sabia o que responder. Não conseguia transformar em palavras esse novo sentimento que brotara em seu coração. Não fora acostumada a carinhos ou declarações. Tais sentimentos só fizeram parte de sua vida na infância e adolescência. Sendo assim, deu vazão a única forma de demonstrar carinho que conhecia. E esta lhe foi ensinada por Haldir. Abraçou o elfo cuidadosamente, colocando mais uma vez a cabeça em seu peito.

O guardião passou a mão pelos cabelos negros, sorrindo diante da inocência demonstrada. 'Tão forte e tão madura diante dos sofrimentos e ainda tão criança diante do amor...'.

Logo, porém, a lembrança da batalha o fez ter forças para se levantar.

- Ajude-me, Tempestade, precisamos voltar...

- Não tenha tanta pressa assim – respondeu colocando-se de joelhos. – Estamos muito longe e, ainda que estivéssemos perto, ferido como está, não poderia fazer muita coisa.

- Mas não podemos ficar aqui, precisamos descobrir como tudo terminou!

- Não pode – respondeu a mulher. – É arriscado!

- Ficar aqui também é. Faz ideia de onde estamos?

- Não. Mas se acompanharmos o rio, certamente retornaremos a Helm.

- É o que devemos fazer. Provavelmente ainda estamos na Terra dos Cavaleiros e as hordas de Sarumam andam livremente por Rohan. Se houver alguma segurança, esta se encontra na fortaleza e não aqui. – Concluiu, deixando claro que apenas uma vitória por parte dos homens em Helm poderia dar a ambos alguma esperança.

Tempestade teve que reconhecer que Haldir estava certo. Com o maior cuidado que lhe era possível, ajudou o guardião a se levantar e a colocar a camisa. Iniciaram, por fim a longa marcha de volta. Ainda que com sangue mortal correndo por suas veias, o elfo demonstrou uma extraordinária capacidade de recuperação ao resistir à jornada de volta.

Tempestade não sabia dizer por quanto tempo eles foram arrastados, mas deve ter sido muito, pois o retorno durou quase o dia inteiro, até que eles chegaram ao limiar da floresta e de longe contemplaram as gigantescas fogueiras do lado de fora da fortaleza.

- Corpos estão sendo queimados – constatou o Haldir.

- Precisamos descobrir de quem são... – disse Tempestade sem muita esperança.

- Vamos.

- Nem pense nisso, elfo! Você fica aqui. Eu já volto.

- Por quem me toma, mulher!

- Por um ser teimoso e inconsequente. Ferido como está, o que faria se encontrasse um bando de Uruk-hais?

- E quanto a você? Nem armada está!

- Pelo menos posso correr.

- Não há argumento no céu ou na terra, Tempestade, que me convença a ficar aqui. Escolha: ou me ajuda a ir até lá com você, ou vai sozinha e eu a seguirei, ainda que para isso precise rastejar.

- Uff! – disse a mulher contrariada. – Que teimosia irritante. Desfrutou mais do que o necessário da companhia daquele anão.

Haldir sorriu por sua vitória.

A medida que se aproximavam das fogueiras, o guardião buscava aguçar seus olhos. Sem aviso algum, parou diante do que percebeu.

- Não pode ser... – murmurou o elfo.

- O que não pode ser, Haldir? – indagou a mulher com o coração receoso da resposta.

- São Uruk-hais. São corpos de Uruk-hais!

- O quê?

- Creio que a resposta está vindo ao nosso encontro, minha cara – disse o guardião, apontando uma figura a cavalo que se aproximava.

- Mithrandhir! – exclamou o elfo na tentativa de uma reverência.

- Não se esforce tanto, Haldir de Lórien! – respondeu o sábio Maiar, antes de voltar os olhos para a figura feminina ao lado do guardião. Já estava a par da história e, após ministrar os primeiros cuidados para com os feridos mais graves, partira justamente em busca de alguma pista.

Tempestade fitou o mago branco, enrugando a testa enquanto vasculhava suas lembranças. O rosto era parecido, contudo a alvura das vestes e do cabelo não correspondiam às suas recordações, todavia ao ouvir aquela voz inconfundível, as dúvidas da mulher caíram por terra.

- Icanus? - ela se dirigiu a ele da forma como aprendera com sua mãe. Era assim que os haradhrim o chamavam.

Gandalf não a reconhecera, contudo sabia quem era após ser-lhe contada a história da filha do último guardião da Árvore Branca. Diante da expressão de interrogação do elfo, explicou.

- O peregrino cinzento ajudou minha família mais de uma vez, Haldir.

- Contudo creio que é você quem precisa de ajuda agora, meu caro – disse o Maiar, enquanto descia do cavalo – deixe-me ver isso...

- Não está tão ruim quanto...Ah! – gritou o servo de Galadriel quando o mago branco tocou levemente o ferimento.

- Pois me parece muito ruim, orgulhoso Haldir. Suba logo em meu cavalo. Não é prudente que dê sequer mais um passo.

- E quanto a vocês?

- Iremos a pé.

- De forma alguma!

- Então dou-lhe uma escolha – disse Gandalf com olhar divertido. – Suba de livre e espontânea vontade ou o porei sobre este animal usando de algum feitiço – concluiu sorrindo.

Inconformado, o capitão dos elfos montou o cavalo branco que seguiu em direção à fortaleza escoltado pelo mago e pela mulher. Cada um deles mergulhado em seus pensamentos. Palavras não eram trocadas, pois a medida que se aproximavam, ficava mais e mais evidente o saldo daquela batalha sangrenta. A vitória havia sido conquista, mas a um custo difícil de se mensurar.

Os três atravessaram o passadiço apenas para encontrarem o silêncio e o lamento pelas incontáveis perdas.

Contra a vontade de Gandalf, Haldir desceu do cavalo e buscou com o olhar seus irmãos imortais. Avistou alguns. Levou a mão ao peito fechando os olhos. Lembrou-se de como aqueles jovens elfos vieram até ele dizendo que queriam lutar para que o bem prevalecesse sobre o mal. Como marcharam ao seu lado, orgulhosos de poderem lutar mais uma vez ao lado do segundos filhos...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo herdeiro de Isildur:

- Haldir! Não pode imaginar minha satisfação em vê-lo! – disse, colocando as mãos nos ombros do guardião.

- Tenho certeza de que não é maior do que a minha, meu amigo – disse, retribuindo o gesto com uma das mãos enquanto a outra estava sobre o machucado.

- Vamos entrar. A senhora de Rohan está organizando o cuidado com os feridos e creio que você deve ficar entre eles, pelo menos por enquanto – afirmou Aragorn, antevendo que o elfo colocaria algum obstáculo em repousar um pouco.

- Infelizmente devo concordar – aquiesceu o guardião, iniciando sua caminhada com a ajuda do filho de Arathorn.

- Em breve me juntarei à sobrinha o rei – completou Gandalf. – Creio que esse velho aqui ainda tem algo a oferecer nestes assuntos...

O comentário bem-humorado do Maiar serviu para amenizar a tristeza que pesava nos corações.

Após alguns passos, Tempestade avistou algo que lhe chamou atenção.

- Eu alcanço vocês depois – disse, enquanto pegava uma espada qualquer do chão e se dirigia a um soldado de pé a uma certa distância dali.

- Aonde vai, Tempestade – indagou Haldir.

- Cumprir uma promessa.

A resposta os deixou intrigados, porém não houve tempo hábil para maiores reflexões. Theoden aproximou-se, roubando-lhes a atenção.

- Capitão Haldir! – a voz do rei de Rohan estava cheia de alegria pelo retorno do valoroso guerreiro. – Que bom que está novamente entre nós.

- Obrigado, majestade.

- Onde Tempestade está indo? - indagou o rei ao ver a mulher se afastando.

- Eu não sei. Disse que iria cumprir uma promessa...

O senhor de Rohan aguçou a vista a fim de entender para onde a jovem estava indo com aquela espada.

- Não! – gritou Théoden, antes de correr para tentar impedi-la.

- Tempestade, pare! – ordenou o rei enquanto segurava o braço da matadora de wargs.

- Solte-me – disse a mulher com a morte nos olhos ao apontar a espada para o senhor de Rohan. – E nunca mais toque em mim!

A seriedade da cena fez com que Haldir, mesmo ferido, se aproximasse auxiliado por Gandalf e Aragorn.

- Que seja! – cedeu o rei. – Contudo não permitirei que cometa este desatino! Olhe a sua volta! Não bastam essas mortes? Para que derramar mais sangue?

Tempestade nada respondeu. Deu as costas ao rei e aproximou-se do soldado.

- Pelo que vejo, você teve o azar de não ter sido morto pelos servos das sombras.

Éthain voltou-se sem acreditar no que via ou ouvia.

- E como vê, estou pronta para cumprir o que prometi. Já que escapou da fúria dos Urukhais, não escapará da minha! – finalizou com uma crueldade na voz que fez com que Haldir duvidasse de se aquela seria realmente sua Tempestade.

O Rohirim estava contra a parede e cercado de corpos. O desespero tomou conta de seu coração e, esquecendo-se de todo o orgulho, implorou:

- Rogo que me perdoe o mal que lhe fiz, minha senhora! Tenha piedade!

- Piedade? Eu não lhe supliquei nada, então não me suplique também!

- Eu estava fora de mim! A guerra traz a tona o que há de pior nos homens!

- Principalmente quando não há nada de bom neles!

Éthain se calou. Estava claro que nenhuma palavra demoveria aquela mulher de seu objetivo. Tempestade deu mais um passo em direção ao homem, porém encontrou apenas o senhor da Terra dos Cavaleiros:

- Se quiser ferir um de meus soldados, Tempestade, precisará me ferir primeiro.

- Ele merece morrer pelo que me fez!

- Talvez – aquiesceu o rei. – Contudo não é você quem deve proferir esta sentença, Tempestade. Não cabe a você julgar.

- Não cabe a mim julgar? Faz ideia do que é ser... – a voz da mulher falhou por um instante – ser humilhada daquela forma? Eu tenho todo o direito de julgá-lo!

Os olhos de Haldir e Aragorn se iluminaram. Finalmente compreenderam do que se tratava e o herdeiro de Isildur teve que segurar o braço do elfo para que este também não se deixasse levar pela ira. Galdalf, entretanto, continuou alheio ao motivo da ira da mulher, embora uma desconfiança rondasse sua mente.

- Ouça-me, filha da Árvore Branca – disse calmamente o Maiar. – Sei que o mal que este homem lhe causou não foi pequeno, pois vejo em seus olhos que não é pequena sua dor – prosseguiu, conseguindo atrair para si a atenção da mulher. – Contudo, sei que esse gesto de vingança não traria nenhum orgulho a seu pai.

- Para sobreviver, Icanus, tive que fazer muitas coisas das quais ele não se orgulharia – disse com voz grave.

- Todavia sua vida não depende da morte desse homem, criança.

- Urr! – gruniu como um orc, voltando-se para sua presa e encontrando a presença do rei entre ela e o rohirrim. Deu a volta para se retirar, permitindo que todos respirassem aliviados e baixassem a guarda . Após alguns passos, virou-se inesperadamente e atirou a espada que foi alojar-se na parede a poucos centímetros do rosto do soldado.

Ao passar por Haldir e Aragorn, ouviu o herdeiro de Isildur afirmar:

- Você fez a coisa certa, Tempestade.

- Do que está falando, meu rei? – disse, olhando por sobre os ombros e encontrando o rosto do rohirrim. – Eu errei o golpe.