Não digas:
"Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, ou modo de falar
honesto e brando.
Amo-a porque
se sente minh'alma em
comunhão constantemente
com a sua".
Porque pode mudar isso tudo,
em si mesmo,
ao perpassar do tempo,
ou para ti unicamente.
Nem me ames
pelo pranto
que a bondade
de tuas mãos enxuga,
pois se em mim secar,
por teu conforto
esta vontade de chorar,
teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do Amor,
E assim me hás de querer
por toda a eternidade.
Tempestade observava de pé o rio que corria num ritmo compassado, quase hipnótico. Tentava em vão ocupar-se com outros pensamentos, contudo, não conseguia deixar de pensar em Haldir.
- Se o Único se dispusesse a me conceder o maior de meus desejos, sabe qual seria, minha senhora?
A voz do elfo não a surpreendeu. Tempestade não precisou olhar para trás para saber de onde vinha. Sabia que a observava recostado em uma árvore a uma certa distância. Já se habituara à sua companhia. Desconhecia apenas o motivo. Talvez ainda não confiasse inteiramente nela.
- Eu realmente não faço a menor ideia, meu senhor – respondeu sem tirar os olhos da correnteza.
- Eu pediria a ele que me fizesse compreender a alma feminina. Para mim não há mistério maior...
- O que precisamente gostaria de compreender?
- Muitas coisas, uma em especial.
- E o que seria? – Tempestade não se reconhecia. Talvez estivesse se sentindo tão sozinha que não recusaria a oportunidade de conversar com alguém, até porque, apesar de tudo, o irmão de Haldir era um dos poucos com os quais ela se permitia conversar.
- Por que as mulheres insistem em complicar o que é simples?
- O que quer dizer com isso? – Indagou Tempestade intrigada.
Rúmil sabia que sua resposta geraria mais dúvidas do que esclarecimentos. Na verdade, estava procurando ganhar tempo antes de abordar o assunto que realmente pretendia. Queria pelo menos tentar baixar um pouco a guarda da mulher. Tempestade era diferente. Diferente demais. Diferente das mulheres de seu povo. Inacessível em vários aspectos.
- Está realmente certa do que sente, minha senhora?
- Do que sinto em relação a quê? - perguntou após um breve suspiro, intuindo que sua aparente tranquilidade estava sendo ameaçada.
- Creio que em relação a quem, se aplicaria melhor a situação a qual me refiro.
- Como quiser, meu senhor – consentiu, permitindo-se um ar irônico. – O que sinto em relação a quem?
O elfo silenciou por alguns instantes, esperando que a mulher compreendesse por si mesma.
Tempestade fechou os olhos. O silêncio de Rúmil mais eloquente do que suas palavras. Era uma virtude rara aquela. Saber a hora de falar e a hora de calar. O irmão de Haldir sabia fazer ambas as coisas.
- O que sinto em relação a ... Haldir – disse abrindo os olhos e voltando-se a fim de encarar pela primeira vez seu interlocutor.
O elfo, percebendo a hesitação da mulher, aguardou alguns instantes antes de confirmar.
- A senhora ama ou não ama meu irmão?
- Claro que amo! – a adan não poderia dar outra resposta diante do desafio proposto.
- Acha que ele a ama?
A mulher relutou por um momento.
- Amava na última vez que o vi.
Rúmil observou o que ela disse nas entrelinhas.
- Então não há motivo para fugir.
- Por que acha que quero fugir? Ele disse algo?
Rúmil percebeu que adentrara em terreno perigoso
- Disse-me bem menos do que a senhora está dizendo agora.
- Elfos e seus enigmas! - ela enervou-se.
Rúmil riu, achando pela primeira vez que alguma graça naquele temperamento mortal.
- Então deixe-me responder ao enigma. Ele não me disse nada, a não ser que se desentenderam. E me pediu para velar seus passos.
- Velar meus passos?
- Ele temia que se fosse. Pediu que eu não o permitisse caso tentasse ir embora.
- Por quê ele temia isso?
- Creio é a senhora quem tem essa resposta, não eu.
Tempestade baixou os olhos.
- Ele tinha motivos para temer sua partida?
- Talvez – ela respondeu com voz cansada, desarmando-se pela primeira vez. - Eu temia não ser digna dele, ainda não estou certa de ser… não sei… preferiria deixá-lo a torná-lo infeliz.
Rumil observou a mulher, tentando descobrir o que mais havia por trás daquelas palavras. Tudo o que ele queria era o bem de Haldir.
- E esses motivos ainda existem?
Tempestade fitou o elfo.
- Não sei.
- Se ainda existirem, está certa de que conseguiria deixá-lo?
Ela sentiu sua respiração acelerar-se. Ele a estava incentivando a ir embora?
- Onde pretende chegar com essa conversa?
Rúmil sorriu.
- Admita. Jamais conseguiria deixá-lo – desafiou, cruzando os braços.
Ela bufou. Estava ficando sem paciência com aquela conversa sem propósito.
- Não. Eu jamais conseguiria deixá-lo – disse, rendendo-se. – Jamais conseguiria viver sem ele.
Com essa resposta, Rúmil se deu por satisfeito.
- Então não deveria perder mais tempo.
- Como assim?
- Ele voltou. Vim avisá-la. Está em audiência com o Conselho.
Antes que o elfo pudesse concluir sua resposta, os pés de Tempestade já a conduziam para o talan deixando para trás um Rúmil sorridente.
'Por sua felicidade, irmão, por sua felicidade', refletia o imortal, que já não considerava assim tão improvável que Haldir pudesse ser feliz com aquela adan.
Tempestade andava de um lado para o outro como uma fera enjaulada. Como poderia haver tanta coisa assim para falar com o Conselho? Vez por outra mirava a porta na esperança de que finalmente Haldir adentrasse por ela. A noite já se aproximava. Já se haviam passado várias horas e nada daquele elfo aparecer. Será que Rúmil lhe pregara uma peça? Se fosse isso...
- Parece-me que tem andado bastante ocupada ultimamente, minha senhora...
O coração da mulher parecia querer saltar do peito. Dirigiu lentamente o olhar para a entrada do Talan. Haldir lá estava recostado à porta com um olhar divertido e um quase sorriso no rosto. Será que as semanas que passaram distantes um do outro conseguiram pelo menos mitigar as ofensas que havia feito a ele? Sem conseguir formular uma única frase em resposta à pergunta que lhe fora feita, a mulher simplesmente repetiu uma das palavras que pararam em sua mente...
- Ocupada?
- Sim, ocupada – prosseguiu Haldir sem dar sequer um passo. – Antes mesmo de me perguntarem como estava a situação em nossas fronteiras, me contaram sobre seu feito: dois wargs? Gostaria de haver estado lá para vê-la em ação.
- Ainda há muitos orcs por aí. Quem sabe uma próxima vez – respondeu a mulher, ainda desconcertada diante da presença tão desejada, mas também tão incerta de Haldir.
- Não se depender de mim – disse o guerreiro, sorrindo visivelmente agora. – Pretendo honrar minha reputação de Galadhrim e não permitir que essas criaturas tornem a chegar perto de nossas fronteiras...
Tempestade sentiu-se aquecida por dentro ao perceber o carinho por trás do comentário quase arrogante. E como ela apreciava aquela arrogância de Haldir...
Entretanto, a mulher também percebera algo triste em seus olhos. E Tempestade sabia qual era o motivo de tal tristeza. Era ela. Era sua incapacidade de abrir-se novamente para o amor, mesmo diante de tudo que Haldir era e fazia por ela.
A Adan fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo, buscando por toda coragem de guerreira que poderia haver dentro de si a fim de transformá-la em coragem de mulher. Sua luta agora seria outra. O campo de batalha estava dentro dela e não mais fora. Deveria vencer Mordor e sua escuridão de uma vez por todas.
Olhou para Haldir. Um resto de seu sorriso ainda em sua face. Moveu-se em sua direção. O elfo ficou tenso. Abandonou o apoio da porta assumindo uma postura ereta.
O Galadhrim tivera muito tempo para pensar durante as muitas noites de vigília na fronteira e entre as tentativas de penetração dos orcs. Não deixara de considerar a atitude de Tempestade fora dos padrões do razoável, porém, nunca sentira tanta falta de alguém como sentira daquela adan de sangue quente. Não poderia viver sem ela. Assim sendo, teria que encontrar uma maneira de conviver com sua esposa custasse o que custasse. Afinal, aquela matadora de wargs tinha muitos motivos para ser como era.
Imaginara mil maneiras diferentes de iniciar uma conversa diante das mil formas e lugares em que poderia encontrá-la. Entretanto, jamais imaginara que ao retornar, sua guerreira estaria nas graças de seu povo e de seus senhores da forma como estava. Era orgulho que Haldir sentia dela naquele momento. Os olhares que para ele se dirigiam eram de respeito e admiração. E esses também lhe pertenciam já que, como lhe fora dito, uma mulher como aquela não se entregaria a qualquer homem, ou elfo...
Então, quando a encontrou no Talan, não houve como não comentar a respeito de seu feito. Contudo, agora ela se aproximava dele com uma expressão indecifrável no rosto. Uma resolução tomada. Algo que escapava a compreensão do elfo. A medida que a distância entre ambos diminuía, Haldir se via obrigado a baixar a cabeça a fim de não perder o contato visual com os olhos da adan. O elfo não estava certo do que parecia ver nos olhos de sua esposa...
A mulher estava muito próxima dele agora. A boca entreaberta como se desejasse dizer-lhe algo. Ou não...
- Está com fome, meu senhor? – foi a inesperada pergunta feita pela mortal.
- Não...- respondeu Haldir, virando o rosto decepcionado. – Durante a reunião com o Conselho fomos bem servidos.
- Não? Tem certeza? – retorquiu a mulher, pousando suavemente uma mão sobre o peito do guardião.
Haldir ficou tenso novamente. Aquela não parecia ser a mesma Tempestade que deixara para trás há várias semanas. Estava diferente. Mais segura, talvez?
- Não está se referindo ao alimento destinado a fortalecer o corpo, está? - O elfo a analisava com os olhos buscando por respostas.
- Está vendo alguma comida servida?
Haldir mirou rapidamente a mesa vazia e voltou a fitar sua esposa. A respiração do galadhrim se alterou.
- Estou – disse com voz rouca. - Só não sei se me é lícito desejá-la.
Tempestade baixou os olhos.
- Não deixe que meus desatinos ponham em dúvida a licitude de seu amor. Se é que tais atos já não feriram mortalmente esse amor, fazendo com sua alma se enfastiasse de mim.
Diante do comentário, o elfo olhou complacente para sua esposa, permitindo que sua mão tocasse a face morena apenas para sentir o calor que dela emanava.
- Jamais sentiria fastio… a distância serviu apenas aumentar meu apetite por você…
Tempestade viu novamente os olhos de Haldir escuros de desejo e seu coração se alegrou. Algo dentro dela ainda temia pelo que poderia ocorrer, no entanto, a ausência de Haldir e a possibilidade de viver sem seu amor deram a ela uma força capaz de subjugar seus medos.
- Preciso de você – ela sussurrou. - Preciso que os mande embora…
Haldir preocupou-se.
- De quem está falando?
- Meus fantasmas. Aqueles que roubam todo o sabor, que tornam a vida insossa e sem gosto. E que me fazem incapaz de… - ela não conseguiu terminar.
Ele a segurou pelos ombros.
- … incapaz de aceitar o meu amor – sussurrou.
- Mande-os embora – ela repetiu o pedido. - Faça de mim seu alimento. Ainda tem fome de mim, meu senhor?
Haldir sentiu a respiração se acelerar novamente.
- Estou faminto – respondeu o guardião, antes de envolver o pescoço da adan com uma das mãos e vencer a pouca distância que ainda separava sua boca da dela trazendo-a para junto de si.
A habilidosa manobra do elfo pegou Tempestade de surpresa, fazendo vir a tona emoções há muito esquecidas. Jamais imaginara ser capaz de sentir-se viva daquela maneira novamente. À adan parecia que a qualquer momento seu coração pularia para fora de seu peito, caso Haldir não a mantivesse junto a si. Um verdadeiro turbilhão de sensações perpassavam a mente da jovem. Seus medos e desejos em um confronto brutal. Entretanto, o calor dos lábios do elfo parecia derreter o gelo com o qual cercara seu coração. Uma a uma, as defesas dela cederam à impetuosidade do arrogante capitão de Lórien, enquanto os braços de Haldir a envolviam em um quase desespero, temendo que ela o afastasse.
O elfo estava determinado a não permitir que nada, nem mesmo e principalmente o temperamento de sua esposa, se colocasse entre eles novamente. Agora que lhe fora dada a chance, faria Tempestade compreender de uma vez por todas o quanto ela era querida e desejada. Daria um fim definitivo aos fantasmas de Mordor ainda que para isso tivesse que gastar naquela noite seu último sopro de vida mortal.
Haldir estava certo de que não havia dúvida alguma no coração da mulher a respeito de seus sentimentos por ela, contudo ele queria, mais do que isso, ele necessitava dizer a ela o que sentia. Não foi pequena a dificuldade que encontrou em separar seus lábios dos da adan. Sua própria boca parecia recusar-se a obedecer à sua mente.
Segurando com as duas mãos o rosto de Tempestade, o galadhrim finalmente conseguiu interromper o beijo, todavia, ao fazê-lo, não tardou em perceber a confusão nos olhos da amada. A boca da mulher se abriu iniciando uma indagação que foi sumariamente interrompida pelas palavras ofegantes de Haldir:
- Eu a amo, Tempestade. Amo como nunca esperei ou sonhei amar alguém. Não me pergunte como, não me pergunte por que, não me faça perguntas das quais nem eu mesmo tenho as respostas. Simplesmente aceite e me aceite em sua vida filha da Árvore Branca, adan teimosa e temperamental – o elfo não permitia que seus rostos se afastassem mais do que o suficiente para que as palavras fossem pronunciadas - Aceite que a amo com cada uma de suas qualidades e defeitos e saiba que nunca mais, ouça bem, nunca mais me permitirei sentir medo de que se vá – o imortal encerrou a fala beijando-a com ardor renovado, sentindo que era também ardorosamente correspondido.
Quando os pulmões de ambos reclamaram por um pouco de ar, as bocas se separaram. Ofegantes, miravam um ao outro. Um sorriso surgindo na face masculina enquanto os olhos percorriam o corpo da mulher.
Tempestade sentiu medo a princípio, todavia, este já não era capaz de conter a paixão pelo marido que agora a arrebatava. Sentia a face queimando. O sangue eldar percorrendo seu corpo e fazendo-a sentir a pulsação do coração do elfo. Ele interrompeu o beijo apenas para pegá-la no colo.
Haldir tinha o cheiro da Floresta Dourada. Um perfume que Tempestade aprendera a amar. A mulher fechou os olhos absorvendo a fragrância. O elfo não tirava os olhos do rosto da adan. A boca ainda úmida do beijo, sentindo em seus lábios o gosto da mortal. Quando perceberam, já experimentavam novamente o sabor um do outro.
Tempestade passou a mão pelo rosto de Haldir. A face dele queimando como a dela. Valar! De onde vinha aquele fogo?
Como que por instinto, o elfo encontrou o caminho da cama, deitando-se junto a sua amada enquanto interrompia mais uma vez o beijo. Observou a mulher arfante em seus braços. Passou as pontas dos dedos pela face morena, pelos lábios, pelo queixo. Deixou que a mãos escorregasse até o pescoço, passando pelo colo até chegar à cintura. Aproximou mais uma vez os lábios do rosto da adan. Fechou os olhos. Aspirou seu perfume. Passou levemente os lábios pelo rosto tal como fizera com os dedos. Percorreu a face, os lábios, o colo. Quando a respiração de Tempestade atingiu o ritmo por ele desejado, o galadhrim abriu os olhos e sussurrou ao ouvido da mulher palavras que mais se assemelhavam a um encantamento.
- Sem fantasmas esta noite.
Tempestade abriu a boca como quem deseja dizer alguma coisa, mas o elfo, tocou-lhe os lábios com um dedo:
- shiiiii...
O toque úmido lembrando-lhe o gosto do beijo. Lábios em lábios. Entregaram-se um ao outro.
...
Haldir abriu os olhos e mal podia acreditar no que via. A mulher a seu lado sorria prodigamente. Um sorriso espontâneo, belo, cheio de vida.
- Tempestade? O que houve?
- Vai me dizer que não se lembra, meu marido? – o comentário a fez sorrir ainda mais. Haldir também sorriu.
- Não... quer dizer... sim, lembro. Refiro-me ao seu sorriso.
- Meu sorriso?
- Nunca a havia visto sorrir antes, minha cara.
- Você me ensinou, Haldir.
- ...
- Mostrou-me como sorrir novamente.
O elfo acariciou o rosto da mortal.
- Tem um belo sorriso, minha amada. Espero que de hoje em diante possa proporcionar-lhe muitas razões para sorrir.
- Sempre tem me dado motivos, meu esposo, e sei que continuará a dá-los. Lamento apenas não conseguir retribuir-lhe à altura.
- A maior dádiva que eu poderia receber, eu já tenho, Tempestade. O Único ma concedeu.
- Qual?
- Você mesma. Você é o maior presente que eu poderia ter recebido. Estar com você vale a imortalidade.
Diante dessas palavras, o sorriso da mulher desapareceu. Haldir não poderia esperar tal reação.
- O que você disse? – indagou a mulher com um leve tremor nos lábios.
Haldir quedou apreensivo. O que dissera de tão errado a ponto de perturbar Tempestade daquela maneira?
- Você disse... presente...?
- Sim... algo errado? – perguntou ficando na expectativa do que viria a seguir.
- Haldir de Lórien, faz idéia de quando foi a última vez que alguém se referiu a mim assim?
- Não...
A mulher buscou ar enquanto fechava os olhos.
- Minha família. Esforcei-me tanto para esquecê-la. Para esquecer meu nome, para esquecer tudo o que era. Ou não conseguiria sobreviver...
- Você já me falou sobre isso em Helm...
- Sim, mas naquela ocasião você me fez uma pergunta e eu não respondi... – a voz de Tempestade estava embargada.
O elfo estreitou os olhos, tentando desvendar o significado de tudo aquilo.
- Meu nome – disse finalmente. – Você queria saber como minha família me chamava.
Haldir prendeu a respiração. Não era nada comum que Tempestade falasse tanto assim sobre si mesma ou sobre o que sentia. A mulher continuou.
- Dádiva, presente...
- Seu nome é...
- Anna – disse a mulher em pouco mais do que um sussurro.
- Anna – repetiu Haldir. – É lindo.
Um breve silêncio precedeu a próxima fala de Haldir.
- Minha Anna. Meu presente – prosseguiu o elfo abraçando-a ternamente - Entretanto – disse sussurrando – você nunca deixará de ser a minha Tempestade.
Ela sorriu mais uma vez, aproveitando o conforto que o abraço do esposo lhe proporcionava. Quase todas as suas sombras haviam finalmente ficado para trás. Quase todas...
