Capítulo 3 – Página em Branco
I am unwritten, can't read my mind, I'm undefined
(Eu estou em branco, não pode ler minha mente, eu sou indefinida)
I'm just beginning, the pen's in my hand
(Estou apenas começando, a caneta está em minha mão)
Ending unplanned
(Com final não planejado)
Rin ouviu seu celular despertar e abriu os olhos sonolenta; mas tinha um sorriso no rosto. Era sábado. Finalmente! Finalmente ela veria Sesshoumaru novamente. A semana nunca demorara tanto a passar em sua opinião.
Desde que o youkai a convidara para sair, ela não conseguia esconder sua ansiedade. Algo que fora notado por suas colegas de faculdade, que não paravam de lhe fazer perguntas sobre o youkai que fora buscá-la. Rin já nem se preocupava mais com o fato de ter sido traída por sua amiga e seu namorado. Tudo em que conseguia pensar era rever Sesshoumaru, embora não pudesse definir exatamente o que sentia com relação a ele.
Sesshoumaru era bonito, sério, profissional... Ele não parecia ser alguém que perderia tempo com uma pessoa como ela. E, ainda assim, havia algo nele que ela não conseguia explicar. Algo que estava escondido e que ela queria descobrir.
Bom, ela não ia ficar pensando nisso a manhã inteira. Não iria levá-la a lugar algum. Sesshoumaru parecia ser o tipo de pessoa que mesmo que tivessem uma convivência de anos, não seria fácil de decifrar. Ela teria que deixar a situação a cargo do destino e esperar que um dia pudesse obter uma resposta. Por enquanto apenas iria tomar seu café da manhã e se organizar para que quando ele vier buscá-la às duas da tarde, já esteja pronta. Mal podia esperar para revê-lo.
Starring at the blank page before you
(Encarando a página em branco a sua frente)
Open up the dirty window
(Abra a janela suja)
Let the sun iluminate the words that you could not find
(Deixe o sol iluminar as palavras que você não pôde achar)
- No que está pensando, Sesshoumaru? – Indagou seu pai enquanto tomavam o café da manhã na enorme sala de jantar.
- Agora é proibido pensar sem que o senhor saiba o conteúdo desses pensamentos? – Perguntou Sesshoumaru ironicamente bebendo um gole de café.
- Não seja ingrato, filho. – Respondeu Inutaisho com um sorriso de canto. – Lembre-se que fui benevolente apesar de sua saída intempestiva na quarta-feira. – Sesshoumaru o encarou com desdém.
- Benevolente? Eu não preciso de sua benevolência. – Disse o youkai levantando-se da mesa e levando sua xícara de café e o jornal. – Preciso que você tenha a decência de gerir sua própria empresa. – Ele viu que seu pai abria a boca novamente e o interrompeu. – Com licença. Hoje é meu dia de folga e não planejo perder meu tempo ouvindo suas baboseiras. – E assim ele deu às costas ao pai e se dirigiu a piscina nos fundos da casa. Sentou numa das mesas à beira da piscina e tentou continuar seus pensamentos de onde parara antes da interrupção de seu pai.
Ainda não podia acreditar que convidara aquela garota para sair com ele. Rin era apenas uma humana e ele sabia que nunca se envolveria com uma humana... Mas por que não conseguia tirá-la da cabeça? Mesmo naquele momento, após a conversa com seu pai, bastava pensar na jovem para se acalmar e, ao mesmo tempo, ficar ansioso para vê-la. O que aquela menina estava fazendo com ele?
Reaching for something in the distance
(Tentando alcançar algo a distância)
So close you can almost taste it
(Tão próximo que você quase pode provar)
Release your inhibitions
(Liberte suas inibições)
A campainha tocou e Rin teve que se controlar para não descer as escadas correndo. Ela usava calça jeans, uma blusa roxa e uma jaqueta de couro preta, com all stars da mesma cor para combinar. Também resolvera passar um pouco de rímel para destacar seus olhos. E os cabelos estavam presos numa trança, que ela jogara por cima do ombro. Esperava que Sesshoumaru gostasse. Ao abrir a porta, corou ao encarar os olhos âmbar a sua frente. Ele estava lindo. Os cabelos, como sempre, estavam soltos, excetuando-se um coque que retinha os fios mais curtos. Ele também usava calças jeans, com tênis brancos. Sua camisa social também era branca e trajava um sobretudo preto por cima.
- Oi, Sesshoumaru. – Ela disse recuperando a fala e dando um sorriso envergonhado. Sesshoumaru, que também estava distraído pelos olhos dela, despertou de seu devaneio.
- Olá. – Apesar de ter voltado a si, o youkai ainda não conseguia tirar seus olhos dos dela. O rímel, definitivamente, destacava seus olhos de uma maneira sedutora. A jovem saiu da casa, fechou a porta e depois voltou a encará-lo.
- Aonde vamos? – Perguntou animada. Podia sentir seu coração acelerado. Esperara tanto tempo para revê-lo e agora não conseguia controlar suas emoções.
- Pensei que poderíamos ir a outro ponto turístico a céu aberto, mas como o tempo não está muito bom, creio que teremos que mudar de planos. – Os dois começaram a andar em direção ao carro. – O que sugere?
- Podemos ir ao cinema. – Rin disse num dar de ombros. – Tem alguns filmes que quero muito ver. O que acha? – Sesshoumaru abriu a porta do carro para ela e os dois novamente trocaram olhares.
- É uma boa ideia. Desde que você não escolha um desses filmes super românticos. – A jovem ri e, para Sesshoumaru, que nunca havia ouvido seu riso, aquele som era encantador. Certamente era bem melhor do que vê-la chorando por dois idiotas.
- Ok. Eu prometo. – Ela confirmou antes de entrar no carro e o youkai fechar a porta. Sesshoumaru suspirou. Estava perdido. Não deveria sentir toda aquela atração por uma humana.
Feel the rain on your skin, no one else can feel it for you
(Sinta a chuva na sua pele, ninguém pode senti-la por você)
Only you can let it in
(Somente você pode deixar entrar)
No one else, no one else can speak the words on your lips
(Ninguém mais, ninguém mais pode dizer as palavras em seus lábios)
Chegaram ao shopping e compraram os ingressos, mas ainda tinham algum tempo livre antes do filme começar, portanto Rin fez com que Sesshoumaru passeasse pelo shopping com ela. Por sorte não estava muito cheio, ou o youkai poderia se recusar. Ele não parecia ser do tipo que lidava bem com multidões.
- Olha esse urso. – A jovem falou puxando Sesshoumaru pelo braço para que olhassem uma vitrine onde estava exposto o maior urso de pelúcia que ele já vira. Tinha quase o tamanho de Rin. – Ele é lindo! – Ela falou animada. – Parece ser incrivelmente fofo.
- Podemos comprá-lo se você quiser. – Disse Sesshoumaru repentinamente, surpreendendo-a.
- Não, Sesshoumaru. – Rin respondeu rindo. – Não sou uma criança. – Ela achara o urso lindo, mas não ao ponto de concordar que ele gastasse uma quantia absurda para que ela pudesse tê-lo. Embora quisesse muito abraçar o urso para comprovar o quanto ele era fofo.
- Certamente está parecendo uma. – Ele replicou com um sorriso de canto, fazendo-a corar.
- Bom... Algumas pessoas já me disseram que fico muito empolgada com bobagens. – A jovem falou constrangida. – Mas não consigo deixar de ser assim. – Concluiu num dar de ombros.
- Eu nunca disse que você deveria mudar. – As palavras dele trouxeram um sorriso aos seus lábios. De alguma maneira era bom saber que Sesshoumaru a aceitava do jeito que era.
- Que bom. – Havia algo nela que despertava o lado mais descontraído dele. Um lado que ele não conhecia muito bem... Um lado que ele nem sequer sabia que existia. E isso era assustador, mas, ao mesmo tempo, era atraente.
Rin segurou o braço dele novamente e voltaram a caminhar. Quando ele passara a ansiar os poucos toques que trocavam?
Drench yourself in words unspoken
(Se molhe nas palavras não ditas)
Live your life with arms wide open
(Viva sua vida de braços abertos)
Today is where your book begins
(Hoje é o dia em que seu livro começa)
The rest is still unwritten
(O resto ainda não foi escrito)
- Eu amei esse filme! – Disse a jovem, com os olhos brilhando, depois que saíram do cinema. – Meu Deus! Você viu aquela parte em que ela combateu os soldados sozinha? – Sesshoumaru tentava conter o sorriso que queria aparecer em seu rosto, diante de toda aquela animação. De fato o filme fora muito melhor do que ele esperava. – Agora eu também quero ser a mulher maravilha. – Rin concluiu encarando-o com seriedade e, dessa vez, o youkai não deu apenas um sorriso, deu uma gargalhada. Totalmente involuntária e inesperada. Uma gargalhada do tipo que causa dor na barriga e a jovem só conseguia olhar para ele com os olhos e a boca abertos. – Isso foi uma risada? – Ela indagou, por fim, rindo também. – Não acredito que fiz você rir.
- Não foi uma risada. – Respondeu Sesshoumaru tentando conter o riso. – Não foi mesmo.
- Isso é, definitivamente, uma risada. – Rin lhe deu um soquinho no ombro. – Você não deveria zombar dos meus sonhos.
- Não estou zombando. – Ele afirmou segurando o braço dela para que a jovem não batesse nele novamente. – É um sonho inusitado, mas se você quiser, posso comprar uma tiara igual a dela pra você, se isso for ajudar. – Rin voltou a rir.
- Não precisa, seu bobo. – Ela respondeu puxando seu braço, que deslizou pela mão dele com suavidade até que suas mãos estivessem se tocando e então se separassem. – Só acho a Mulher Maravilha incrível e queria... Queria ser como ela. – Rin baixou os olhos na direção de sua mão, que há poucos segundos tocava a dele. A jovem ainda podia sentir o calor de seu toque.
- Nem todos podem ser incríveis. – Sesshoumaru respondeu magoando-a um pouco. Ela sabia disso, mas ouvir essas palavras saindo dos lábios dele, naquele momento, era doloroso. – Mas também há muitas pessoas que não conseguem perceber o quanto são incríveis. – Ele concluiu e Rin o encarou surpresa, para em seguida sorrir com gratidão. O youkai não tinha como saber como suas palavras a afetavam, mas sabia que estava cada vez mais envolvido pela presença dela. Fazia muito tempo que ele não ria daquele jeito. Na frente de outra pessoa então, poderia dizer que havia anos que isso não acontecia. Certamente algum tipo de hormônio fora liberado com seu riso e o fizera dizer aquelas palavras impensadamente. Da mesma forma que um arrepio percorrera seu corpo ao tocá-la. Não podia ser nada além disso.
I break tradition, sometimes my tries, are outside the lines
(Eu quebro tradições, algumas vezes minhas tentativas,são fora dos padrões)
We've been conditioned to not make mistakes
(Nós fomos condicionados a não cometer erros)
But I can't live that way
(Mas eu não posso viver desse jeito)
Quando eles voltaram para o carro para irem embora, Rin levou um susto ao ver o urso que eles observaram na vitrine, no banco em que ela ia se sentar.
- Sesshy! – Exclamou Rin com um sorriso resplandecente, pegando o urso e abraçando-o, enterrando seu rosto nele. Sesshoumaru ficou parado, sentindo seu rosto ficar vermelho ao ouvir o apelido. – Ele é mesmo muito fofo! – A jovem parecia uma criança agarrada ao seu brinquedo favorito.
- Você gostou? – O youkai perguntou após alguns segundos, sentindo-se deslocado. Não tinha o costume de presentear ninguém. Ainda mais alguém como Rin.
- É claro que sim! – Ela falou colocando o urso novamente no carro. – Mas quando você...?
- Quando você estava na fila comprando os lanches e eu disse que ia ao banheiro. – Sesshoumaru respondeu num dar de ombros. Algumas lágrimas se formaram nos olhos dela.
- Não precisava. – Ela disse limpando-os, com medo de borrar a maquiagem.
- Não foi nada demais. – Ele insistiu. Rin ia abrir a boca para contestar novamente, mas Sesshoumaru a interrompeu. – Eu quis. – Completou desviando os olhos dos dela. A jovem, ainda sorridente, o abraçou, surpreendendo-o. Sesshoumaru não sabia dizer quando fora a última vez que o abraçaram daquele jeito. De qualquer jeito. A maneira com que ela se jogara sobre ele fora espontânea e calorosa, e lhe parecia tão natural tê-la em seus braços que ele correspondeu.
Sentir o corpo dela contra o seu lhe causava sensações inesperadas. Envolventes. Avassaladoras.
- Obrigada, Sesshy. – Rin sussurrou perto do ouvido dele, fazendo com que um arrepio percorresse seu corpo. Quando se afastaram, ele não deixou a jovem dizer mais nada, simplesmente a silenciou com um beijo. Rin fora pega de surpresa, mas nunca lhe passou pela cabeça recuar. O beijo dele era envolvente e fazia seu coração acelerar. Ela apenas fechou os olhos e se entregou a ele.
Aquela poderia não ser sua atitude mais ajuizada, pois o conhecia há pouquíssimo tempo, mas, certamente, era a que lhe parecia mais certa.
The rest is still unwritten
(O resto ainda não foi escrito)
[Unwritten – Natasha Bedingfield]
Início: 05/06/2017.
Témino: 13/06/2017.
Agradecimentos:
Lily Heronchild
