Disclaimer: infelizmente Twilight ou Life and Death não me pertencem, mas usar qualquer personagem que tia Steph criou da forma mais divertida possível sim, então, aquilo de sempre: respeita aí!
.
.
CAPÍTULO 2
.
Com o som do despertador, Edythe acordou do sono meio grogue. Fazia cinco dias desde que ela deixou seu apartamento pela última vez. Cinco dias desde que Victor disse a ela, que ele não apenas estava vendo alguém novo, mas como ele estava prestes a ser pai. Toda vez que ela pensava naquelas palavras: "ela está grávida", vindo do homem que ela amava, cortava seu coração, era como se ela tivesse sendo esfaqueada sem piedade.
Fazia dois meses desde que eles se separaram, e ela pensou que o pior dia foi quando ele disse que eles haviam terminado, mas não. Como ela estava errada. Agora era oficial, eles nunca voltariam a ficar juntos.
Quando Victor disse a ela cinco dias atrás que ele queria conversar, Edythe tinha grandes esperanças. Ela o imaginou ele pedindo para voltar com ela, que ela era a mulher da sua vida, e seu maior dilema, naquela hipótese imagética era de como ela reagiria ao pedido. Será que ela correria nos braços dele e o arrastaria para o quarto?! Ou ela o faria suar um pouco?! Que pergunta idiota! Sem sombra de dúvidas ela faria o primeiro. Mas, então, quando ele disse que estava vendo alguém, toda a dor que ela havia conseguido aplacar, com muito sofrimento, voltou com força total.
− Ugh! − Edythe gemeu enquanto levantava a cabeça do travesseiro.
Era segunda-feira, e ela não trabalhava desde quarta-feira. Mentindo para o chefe sobre uma virose que ela pegou que a fez vomitar a noite toda, mas a verdade era que ela estava com o coração partido.
Victor, inclusive, ligou para ela quando ela não apareceu no trabalho, e quando ela não atendeu, ele apareceu na porta dela implorando para que o deixasse entrar, mas ela continuou onde estava: deitada no sofá, encarando a porta ofensiva com grossas lágrimas nos olhos. Ela inclusive pode ouvir ele dizendo suavemente e com pesar: "Eu sinto muito."
Entretanto, por mais real que toda a situação era, ela ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Victor era tudo para ela. Quantas vezes eles conversaram sobre ter seus próprios filhos, a resposta dele era sempre a mesma: "Não até os nossos trinta anos." Claramente, outra mentira.
Ela o odiava.
Mas ela ainda o amava.
Mas o pior de tudo, ela não podia mais ignorá-lo, ela tinha que voltar ao trabalho.
Seu fim de semana foi composto por muito vinho e muito sorvete. Jeremy, como um bom amigo, veio lhe prestar solidariedade, e garantindo que ela não bebesse até a morte, mas ela estava tão desiludida que na sexta à noite, ela bebeu tanto que ele teve que colocá-la na cama. Cobrindo-a com um cobertor e certificando-se de que ela estava bem.
No sábado, ela achou que seria uma boa ideia assistir O Diário de Bridget Jones enquanto comia comida chinesa, mas quando o final feliz apareceu, ela jogou a comida na TV. Ela sempre imaginou o Sr. Darcy como Victor. O homem perfeito. Mas, na verdade, ele era mais como Daniel Cleaver: um idiota traiçoeiro sem qualquer tipo de capacidade de amar.
.
Foi preciso o máximo de esforço possível para entrar no edifício do jornal, ou seguir dentro do elevador até o 25º andar. Ela, inutilmente, se perguntou se todo mundo sabia. Será que Victor contou a todos?! Ela iria receber muitos olhares de simpatia?! Iria ouvir sussurros e fofocas toda vez que passava?! Ela não sabia. Tudo o que sabia era que todos os olhos estavam nela quando ela entrou no escritório e caminhou em direção a sua mesa.
Ela gemeu quando se sentou diante de uma pilha de documentos em sua mesa, e viu as centenas de e-mails não lidos que a aguardavam.
− Bem-vinda de volta, senhorita Cullen. − Taylor, sua colega de trabalho, disse ao se virar na cadeira. − Você está se sentindo melhor?
Edythe apenas assentiu e se virou para a mesa. Ela apenas começara a responder seus e-mails quando ouviu a voz familiar.
− Edythe? − ela se virou e viu Victor, com um olhar de culpa em seus olhos. – Como... er... como você está se sentindo?!
Edythe revirou os olhos. Ela não podia mais continuar com essa mentira ridícula por causa dele, por isso optou em ignorá-lo, mas como um indivíduo que sempre teve tudo que queria, principalmente dela, Victor não gostou da sua atitude, aproximando-se de onde ela estava e colocando uma mão em seu ombro. O toque pareceu queimar a sua pele, mas não de uma maneira agradável. Ela levantou a cabeça, com um olhar mortal
− Não me toque! Você não tem o direito de me tocar! − ela levantou a voz, naquele momento ela pouco se importava com quem ouviu os dois.
− Eu sinto muito. − ele deu um passo para trás e levantou as mãos em sinal de rendição. − Eu só queria conversar.
− Eu não quero falar com você. − ela rebateu grosseiramente.
− Por favor, podemos apenas... – ele insistiu. Ela suspirou.
− Vi a foto do anúncio de Joss no Instagram. – disse com falsa empatia. − É muito fofo, sabe?! Eu quase tive que vomitar de tão extravagante que era.
− Eu... eu não sabia que ela faria isso tão cedo. Ela me prometeu que esperaria. − Victor gaguejou.
Edythe lembrou-se da imagem da bela loira segurando uma foto do ultrassom nas mãos. Victor parado atrás dela enquanto eles se encaravam nos olhos. Olhos apaixonados. Ver isso na sexta-feira foi o principal motivo de seu estado de embriaguez. As palavras 'traidor' e 'idiota' foram gritadas a plenos pulmões antes que Jeremy pudesse acalmá-la.
− Eu pensei que você esperaria também, mas isso foi quando eu pensei que você era um cara decente. − ela disse voltando para a tela do computador.
− Sinto muito, Edythe. De verdade. – ele disse com pesar. − Você não tem ideia do quanto isso tem sido difícil para mim. − Edythe sentiu o fogo em seus olhos novamente.
− Você está brincando comigo, certo?! − ela gritou, imediatamente todos ao seu redor se viraram para assistir. − Você está fazendo o papel de vítima?!
− Não... eu. − ele começou.
Edythe levantou-se e fez uma careta, não se preocupando com o público.
− Não se atreva a me pedir desculpas. Você não deu a mínima para mim quando partiu meu coração na sexta-feira e no sábado estava empurrando seu pau em outra mulher. Você é um mentiroso e traidor. Você é um ser humano horrível. − ela gritou.
− Por favor. − Victor implorou enquanto olhava ao redor do escritório, notando que todo mundo olhando. Edythe não se importou, ela já não se importava com mais nada, principalmente se tivesse Victor na equação. − Podemos apenas ser civilizados?
− Não! O tempo de ser civilizado já passou, você não merece bondade, respeito. Nada! Você me traiu! − ela gritou.
− Eu nunca te traí. − ele disse de volta.
− Mentira! Você pode não ter transado com ela quando estávamos juntos, mas você me traiu. A traição em pensamento, por mais que seja invisível ainda é uma traição e você fez isso. Você não foi honesto comigo, quando fantasiava com outra. Então não me venha com essa merda, porque não quero ouvir! Apenas me deixe em paz. − Edythe tinha lágrimas nos olhos quando ela estreitou os olhos nele.
Seu lado emocional na maioria das vezes tomava conta, fazendo seu peito subir e descer como se ela tivesse acabado de correr uma distância com toda a velocidade. Os olhos de todos estavam neles, concentrados para ver quando ela recomeçaria a gritar, quando viram eu ela não falaria mais nada, os sussurros começaram, quase ensurdecedores.
− Cullen? − uma voz gritou do outro lado do escritório, era a chefe dela, Jessamine, olhando para ela com os olhos em fendas. − Meu escritório! Agora!
Edythe fez uma última careta para Victor, antes de limpar seus olhos e seguir em direção ao escritório da chefe. Ao chegar na sala belamente decorada, ela fechou a porta e sentou-se muito ereta na cadeira em frente a Jessamine.
− Essa foi uma cena e tanto. − disse a chefe. − Você está bem?!
− Estou bem. − Edythe mentiu.
− Olha, eu ouvi o que aconteceu. E Victor me avisou sobre os eventos na sexta-feira. Sinto muito por isso. – disse com sinceridade. − Mas preciso saber se isso será um problema, não posso ter minha equipe gritando na redação. – ponderou Jessamine, com o rosto suave e carinhoso, realmente sentida com a situação de Edythe.
− Eu sinto muito. – Edythe, tornou a enxugar os olhos.
− Edythe, eu gosto de você. Você é um dos meus melhores jornalistas e eu não quero te perder, mas se for muito difícil trabalhar com seu ex... Bem... eu vou entender...
− Eu posso trabalhar com ele! – respondeu rapidamente, encarando os belos olhos acinzentados de Jessamine. − Sinto muito pelo que aconteceu, isso não vai acontecer novamente. Eu prometo! – ela sorriu meio chorosa, mas cheia de coragem. − Ele trabalha no departamento de esportes, enquanto eu estou no noticiário, contanto que ele me deixe em paz, tudo vai se resolver, eu darei conta disso.
Jessamine olhou para Edythe por um instante e sorriu.
− Tudo bem..., mas se tivermos outro evento como hoje...
− Isso não vai acontecer. Eu sinto muito. − Ela prometeu, mas ela sabia que também era a verdade, tudo que ela precisava era despejar a sua raiva por Victor, agora que isso já tinha sido feito, ela poderia tentar seguir em frente, desde que Victor a deixasse sozinha, ela iria conseguir.
.
Seguir em frente foi muito mais difícil do que Edythe pensou. As notícias sobre a paternidade de Victor se espalharam pelo escritório como um incêndio, e na quarta-feira todo mundo sabia. Enquanto alguns o parabenizavam dando tapinhas nas suas costas, os mesmos olhavam para Edythe com piedade, pela primeira vez em sua vida ela ansiou que houvesse novas fofocas para que ela pudesse parar de ouvir sussurros sempre que entrasse em uma sala.
− Ei, Edythe. − ela estava sentada em sua mesa na noite de quarta-feira, quando Beau se aproximou dela.
− Oi. − ela disse nem mesmo olhando quando ele se sentou na beirada de sua mesa.
− Se você me perguntar como eu estou, eu vou gritar. − avisou com uma língua afiada.
Ele riu.
− Eu não ia perguntar isso. Mas se você precisar que eu te ame, eu posso fazer isso. − ele respondeu quando Edythe sorriu.
− O que você quer? − ela perguntou, notando que ele não a estava tratando como se ela fosse feita de vidro.
− Este artigo para amanhã sobre o mais recente escândalo de Trump, preciso que você reescreva. − Beau disse com seu sorriso brilhante.
− O quê?! Por quê?! É perfeito! − ela exclamou em voz alta. Era quase o horário do final do expediente e ela estava ansiosa sair o mais rápido possível deste escritório e se esparramar em seu sofá.
− É de esquerda demais. Jessamine não gosta disso, você sabe?! Ela quer que sejamos imparciais. − ele respondeu, Edythe olhou para ele e suspirou. − Olha, eu adorei! Sério! Xingar o Trump por ser um idiota é a coisa que mais gosto de fazer, mas você precisa mudar isso.
− Tudo bem. − Edythe concordou, revirando os olhos.
− E se você pudesse fazê-lo dentro de uma hora, seria perfeito. − ele adicionou.
− Por que tão rápido?! Você tem um encontro hoje à noite?! − ela perguntou.
Beau olhou para ela.
− Por que você acha isso? − Edythe soltou uma risadinha, a primeira, em uma semana.
− Porque eu preciso que você seja a fofoca novamente. Estou ficando cansado de ser a notícia número um por aqui.
− Desculpe por desapontá-lo. − ele deu um sorriso.
− Então não tem um encontro hoje à noite?! Sei lá?! Talvez com a filha do presidente do grupo?! Isso poderia me afastar das fofoqueiras do entretenimento.
− O presidente tem uma filha gostosa?! − Beau inclinou a cabeça intrigado.
− Então você está interessado?! − Edythe soltou uma risada, e o sorriso de Beau cresceu.
− Não. − ele balançou a cabeça em negação. − Você não ouviu?! Eu mudei. Agora sou um cara certinho. De respeito.
− Pfttt! − desdenhou Edythe. – Eu não ouvi isso e eu duvido que você tenha mudado.
− Realmente? Por quê da dúvida?! − ele perguntou gostando do som de sua voz sorridente novamente.
− É o mesmo que dizer que o leopardo não muda suas pintas. − ela brincou. Seu sorriso era largo e então ela desviou o olhar e ele caiu, Beau virou-se para ver o que estava vendo, notando o desgraçado ruivo caminhando na direção deles. Edythe engoliu em seco quando ele se aproximou.
Os olhos de Victor olharam Beau de cima a baixo.
− Posso ter um minuto com Edythe? − ele perguntou grosseiramente.
Beau olhou para Edythe e ela balançou a cabeça, não querendo falar com o ex. A mão dela agarrou o braço de Beau, quase implorando para tirá-la daquela situação.
− Não. − ela disse suavemente.
− Ela não quer falar com você. − Beau comentou de volta. − Isso é relacionado ao trabalho?
− Não. Não é. − Victor rosnou.
− Então talvez você possa falar com ela depois das cinco.
− Não me diga o que posso ou não, Swan! − Victor não estava feliz.
Beau se levantou. Em pé, ele era tão alto quanto Victor, talvez um pouco mais alto. Victor que adorava estufar o peito para intimidar outros homens, porém Beau não estava disposto a ser intimidado.
− Volte para o seu cubículo, Collins. Não cause mais uma cena. Seja humano e não a humilhe mais do que você já fez. − Beau disse olhando para Edythe enquanto desviava o olhar. Victor ignorou Beau e olhou para Edythe.
− Edythe, eu estava pensando se poderíamos conversar depois do trabalho. Podíamos ir no happy hour do New Moon, eles têm os seus coquetéis favoritos. − Edythe balançou a cabeça para ele.
− Eu parei de beber. − respondeu Edythe sem emoção.
− Sério?! − ele levantou uma sobrancelha surpreso.
− Ela está trabalhando até tarde hoje à noite. Desculpa. − Beau interveio.
Victor olhou para Edythe e ela assentiu.
− É verdade. Ele está sendo um tirano total. Não posso ir a lugar algum. – explicou, quase aliviada pela intervenção de Beau.
− Bem. Conversamos outro dia?! − Ele pediu.
Edythe encolheu os ombros como se não se importasse, fazendo Victor ceder e finalmente se afastando. Ele se virou para olhar por trás, no mesmo instante que Beau se aproximou dela com um sorriso no rosto. Victor trincou os dentes e apertou os punhos.
− Obrigada. − ela sussurrou para Beau.
− Não me agradeça. A culpa é sua por escrever um artigo horrível. − ele respondeu, a mão dele apertou o ombro dela e piscou antes de sair. Edythe lhe deu um meio sorriso, agradecendo Beau por estar ali para salvá-la de um momento constrangedor com Victor.
.
− É sexta à noite, não quero estar aqui, tanto quanto você! − Beau colocou as mãos nos quadris, numa postura cansada.
Sua camisa estava dobrada até os cotovelos e seus cabelos negros uma bagunça caótica, provavelmente dele ter corrido os dedos várias vezes por estes. Uma barba de dois dias despontava no seu rosto de maneira sedutora, mas Edythe não percebeu isso, ela estava irritada com ele por estar lhe segurando depois do horário de trabalho numa sexta-feira.
− Então por que você está me forçando a ficar para trás?! Esses artigos estão perfeitos! − Edythe gritou por sua resposta.
Em vez de sair com Jeremy, desfrutar de um bom coquetel ou um copo de vinho em comemoração à semana que sobreviveu sem matar o seu ex traidor. Edythe estava presa em uma sala de reuniões com Beau.
Victor, insistentemente, tentou todos os dias conversar com ela, felizmente Edythe o ignorou, sempre inventando uma desculpa para que ela não pudesse sair no horário. Ele insistia em dizer que queria conversar, mas para ela, eles não tinham mais nada para conversar. Depois que Beau a salvou dele na quarta-feira, ele também a salvou algumas horas antes.
No início ela pensou que era uma mentira, a história de ficar até tarde para reescrever alguns artigos, mas quando ela colocou o casaco para sair, ele riu:
− Onde você pensa que está indo? − ele perguntou, imediatamente o sorriso dela desapareceu, e com um suspiro pesado enviou uma mensagem a Jeremy dizendo que não poderia encontra-lo aquela noite.
− O que está errado agora?! − Edythe perguntou enquanto lia por trás do ombro de seu laptop.
− Você tem que cortar isso. − ele disse apontando para o parágrafo superior.
− O quê?! Por quê?! − ela perguntou defensivamente.
− Porque é uma merda! − ele respondeu.
Edythe estava prestes a ter um colapso nervoso.
− Você é impossível! − ela levantou. − Você escreve! Eu não tenho capacidade mental para lidar com você agora.
− Não, é a sua história, então é você que termina. A impressão é em meia hora. Pare de ser uma rainha do drama e termine. − Beau levantou a voz.
− Por que eu sou o único aqui?! − Edythe perguntou.
− Porque você é a desgraça da minha existência! – replicou.
− Eu sou uma boa redatora! − ela bateu o pé como uma criança mimada.
− Sério?! Poderia ter me enganado. − Beau respondeu e Edythe fez uma careta.
− Eu te odeio., sabia?! Estou sentindo falta de quando você era legal comigo. Agora você está sendo um idiota. – protestou com um biquinho. Beau se conteve para não revirar os olhos.
− Eu nunca fui legal com você. Só porque seu namorado te deixou, não significa que eu tenha que aceitar sua escrita de merda. − Beau gritou de volta. Ele viu Edythe se encolher e percebeu que talvez tivesse ido longe demais. − Edythe, me desculpe.
Edythe sentou-se na cadeira e digitou com ferocidade.
Beau sentou-se em frente a ela e se sentiu um pouco mal, nos dois últimos meses ele pode ver a constante mágoa em seus olhos, e talvez sua sentença tenha sido um pouco insensível, principalmente com toda a merda que o ex havia feito a ele. Ela por sua vez, ficava feliz de como ele era a única pessoa no prédio que a tratava normalmente, e não é como uma boneca frágil, apesar da insensibilidade da frase dele, ela podia ver o quão verdadeiro ele estava sendo com ela.
Quinze minutos se passaram, e, depois de digitar rapidamente, Edythe levou o laptop até Beau para ele lesse. Ela o observou enquanto ele assentia, finalmente, trazendo um sorriso aos lábios.
− Está perfeito? − ela perguntou.
− Bom o suficiente. − ele respondeu com um sorriso. − Vou enviá-lo para a impressão.
− Espera! − Edythe curvou-se sobre Beau enquanto ele minimizava o documento e foi recebido pelo fundo da área de trabalho dela: uma foto de dela com Victor, com ele a abraçando por trás e depositando um beijo em sua bochecha.
Edythe sentiu o rosto corar como se tivesse sido pega. Beau tossiu, sentindo-se constrangido.
− Eu pretendo mudar isso. − ela disse com rapidez.
− Não é da minha conta. − ele respondeu, devolvendo-lhe o laptop.
− Vá em frente, diga algo sarcástico. Eu sei que você quer. − Edythe disse com uma risada.
Beau balançou a cabeça.
− Não é da minha conta. – repetiu, caminhando em direção à porta quando parou. − Mas Edythe, ele não vai voltar. Ele está vai ter bebê com outra pessoa, eu entendo que você ainda está apaixonado por ele, mas ele te machucou. Por que você gostaria de ser lembrado dos bons tempos em que provavelmente eram falsos?!
Ele se afastou e Edythe sentiu como se tivesse levado um soco.
− Falso?! Não era falso! − ela disse, seguindo-o de volta para sua mesa. Ele levantou uma sobrancelha em puro sarcasmo e surpresa:
− Você tem certeza?!
− Não sei quando as coisas mudaram comigo e com ele, mas costumávamos estar apaixonados. Não era falso. Eu o amava, e eu sei que ele me amou. Ele fez, em algum momento. − Edythe disse enquanto colocava o laptop debaixo do braço.
− Tudo o que você disser, Edythe. Como eu disse: não é da minha conta. − ele disse de novo. E começou a colocar seus pertences na bolsa. Já passava das dez, Beau estava tão desesperado para sair daqui quanto ela.
Os dois chegaram ao elevador ao mesmo tempo. Beau estendeu a mão para apertar o botão para baixo, e eles esperaram por um silêncio constrangedor por um minuto até o elevador chegar até eles, e então eles entraram.
− Você está errado. − Edythe disse suavemente enquanto o elevador descia.
Beau balançou a cabeça.
− Você honestamente acha que ele vai rastejar de volta para você?! − ele perguntou.
− Eu não sei. − ela respondeu com sinceridade.
− Você o quer de volta depois do que ele fez?! − ele fez uma pergunta mais séria e ela ficou intrigada com a resposta.
− Eu... Eu não sei! Não?! Sim?! Talvez?! Eu não sei! Eu só quero que ele sinta tanta dor quanto eu sinto agora. − ela respondeu olhando através do espelho do elevador para Beau.
De repente, as luzes começaram a piscar e os dois olharam para cima no momento em que o elevador parou.
− O que é que foi isso? − Beau perguntou. Ele se moveu para apertar todos os botões no painel do elevador, mas nada estava acontecendo.
− Estamos presos?! − Edythe perguntou com o cenho franzido.
− Não, não podemos ser! − disse Beau em pânico. Ele pegou o celular, sem sinal. – Seu telefone tem sinal? − Edythe balançou a cabeça. – Porra! − Beau levantou a voz.
− Uau, acalme-se. − Edythe disse com uma risada. – Logo ele volta a funcionar. Por que você está em pânico?
Beau ficou olhando o painel por um longo tempo, balançando a cabeça.
− Tenho planos esta noite. Não posso me atrasar. – respondeu com os olhos vidrados o painel.
− Você tem planos? Foi por isso que você me manteve aqui a noite toda para passar o tempo até o seu encontro? − ela acusou. − Quem tem um encontro depois das 10, afinal?!
− Não importa. Nós precisamos sair! Eu... eu odeio lugares pequenos. – a sua respiração ficou agitada.
− Você está bem? − ela perguntou preocupada.
− Não… Eu... Eu não gosto disto. − ele disse.
− Beau, apenas respire fundo. − ela deu um passo em sua direção, colocando a mão nos ombros dele. − Apenas relaxe.
Edythe foi até o canto do elevador e apertou o botão de ajuda, ela esperou alguns segundos até que uma voz encheu o elevador.
− O que está acontecendo? − a voz disse.
− Estamos presos! − Beau gritou desesperado. Edythe olhou para ele, com as sobrancelhas arqueadas.
− Relaxa. − ela repetiu, pressionando o botão do interfone para falar com o segurança do prédio. – O elevador parou. Acho que estamos entre o 8º e o 9º andar.
− Eu vou ligar para o corpo de bombeiros. − a voz do homem tornou a encher o elevador. − Apenas fique bem.
− Claro, claro. Apenas fique bem. − Beau disse sarcasticamente, mas em pânico.
Edythe soltou uma risadinha.
− Você está rindo de mim?! − ele perguntou irritado.
− Eu nunca diria que você é como uma rainha do drama. − ela riu mais alto.
− Cala a boca! As pessoas morrem em elevadores. Você sabe disso, certo?
− Nós ficaremos bem. Respire fundo, princesa. − Edythe brincou com ele, respirando fundo ela mesma enquanto sentava-se no chão e tirava seus sapatos.
Beau também se sentou, descartando sua bolsa mensageiro ao seu lado, e a encarou como ela fazia com ele. Tudo o que eles podiam fazer era esperar alguém tirá-los daquela caixa metálica.
Depois de meia hora, sentados naquele chão sujo do elevador, com Beau respirando pesadamente, Edythe deixou seus nervos a dominar:
− Sério, o que há de errado com você? − ela perguntou.
Beau ergueu os olhos das mãos que tremiam e estreitou os olhos para ela – fazia um tempo que ele evitou seus olhos âmbar.
− Eu não gosto nem um pouco de espaços pequenos. − ele disse com os dentes trincados.
− Por quê? Você por acaso ficou preso em um armário quando criança, ou o quê?! − ela brincou.
− Na verdade, sim. – deu de ombros. − Mais ou menos isso. − ele respondeu sinceramente, parando o sorriso de Edythe.
− Como?! Por quê?! − ela perguntou cheia de curiosidade, enquanto ele negava com a cabeça e voltava o olhar para as mãos sobre suas pernas estendidas.
− Não é nada. − ele respondeu nervosamente.
− O que você quer dizer?! − ela perguntou querendo saber, seu eu jornalístico sempre cheio de necessidade de destrinchar uma boa história.
− É uma história longa e estúpida. − ele disse com um encolher de ombros.
Edythe rolou seus olhos, enquanto sorria e fez um gesto que abrangia todo o pequeno espaço em que estavam.
− Nem eu, nem você vai a lugar nenhum por um tempo, Swan. Então me conte! – disse com impaciência.
Beau soltou um longo suspiro e olhou para ela.
− Quando eu era adolescente, no Halloween, alguns caras da minha escola acharam engraçado me trancar em um caixão durante a noite. − explicou.
Os olhos de Edythe se arregalaram.
− O quê?! − ela exclamou alto em choque.
− Sim... – concordou com azedume. − Não é tipo a minha memória favorita do ensino médio. − ele soltou outro suspiro longo.
− Quantos anos você tinha?! E por que fizeram isso?! Que brincadeira mais estúpida! – pontuou com fervor. Beau concordou com um movimento de cabeça.
− Eu tinha... humm... 15 anos. – começou incerto. − Eu era todo magricela e malicento, não tinha muitos amigos. A única arma que tive contra os bullies era meu sarcasmo, o que os atletas valentões não gostavam nem um pouco, principalmente porque nunca entendiam o que eu dizia. – deu de ombros. – De qualquer forma esses idiotas passavam a maior parte do tempo no campo de futebol, em vez de na sala de aula. E por ser o esquisito da escola, esses atletas adoravam me provocar, afinal eu era um alvo fácil, principalmente porque não era o gostosão que sou hoje. − ele riu. – Viu?! Esse sarcasmo único!
− Então o que aconteceu?! Eles te pegaram e jogaram em um caixão durante a noite para uma brincadeira de muito mal gosto?! − ela perguntou se sentindo desconfortável com a história dele.
− Basicamente. – ele concordou com um gesto de descrença. − A escola foi toda decorada com esses adereços baratos de Halloween, e alguém do grêmio estudantil, achou que era interessante colocar um caixão de madeira antigo para completar o clima macabro... como se Little Falls High precisasse de mais alguma coisa para ser macabra... De qualquer maneira, eles me jogaram nesse maldito caixão, e colocaram alguns objetos pesados em cima, para que eu não pudesse sair. Sei que fiquei ali a noite toda. − Beau engoliu em seco e moveu as pernas para cima e apoiou os braços nos joelhos.
− Ninguém veio te procurar?! Seus pais ou... sei lá?! Alguém da escola?! − ela perguntou e ele balançou a cabeça.
− Essa é outra longa história que não estou muito interessada em contar nesse momento. − ele disse rapidamente querendo se livrar disso. Edythe assentiu, não querendo pressionar no assunto família, que parecia ser um pouco delicado a Beau.
− O que aconteceu?! Você ficou lá a noite toda?! Você dormiu ou o quê?! – perguntou, daquele seu jeito jornalístico de ser.
− No começo eu entrei em pânico, estava escuro e aquele caixão cheirava a mofo e sei lá... algo morto. Tentei por um tempo sair, mas enfim percebi que era uma batalha perdida, ninguém procuraria alguém numa quinta-feira na sala do jornal, então eu parei de tentar esmurrar aquela merda. Eventualmente me acalmei e acabei adormecendo. Fui acordado pelo som de risada na manhã seguinte, quando eles finalmente me deixaram sair. – riu sem humor. − Não sem alguns socos no meu rosto e chutes nas costelas. Eu sempre soube que minha boca me causaria problemas um dia.
− Lamento que isso tenha acontecido com você. – ela disse com pesar. − Mas olhe para você agora! É um inteligente editor-assistente de um dos melhores jornais de Nova York. Você é bonito e, pelo que vejo e ouvi dizer, você tem muita atenção feminina, você não é mais um garoto magricela que sofria bullying. − ela sorriu, olhando para o corpo em forma dele.
Beau sorriu enviesado, mas apesar de tentar ser sedutor, ele ainda estava meio sobrecarregado pelas lembranças da adolescência e principalmente pelo pavor de estar preso no elevador.
− Depois que isso aconteceu, eu entrei na academia. Peguei pesado nos exercícios e criei alguma musculatura, porque eu jurei que isso nunca mais aconteceria comigo novamente. Passei o verão daquele ano, trabalhando em um canteiro de obras de um amigo do meu pai, quando eu apareci na escola no ano seguinte, os valentões tiveram que pensar duas vezes antes de se meter comigo. Pela primeira vez na minha vida, eu tinha garotas suspirando por mim. Foi muito bom roubar as namoradas dos valentões, mesmo que eu não tivesse ideia do que fazer com elas. − ele soltou uma risada alta. – Felizmente isso mudou, porque agora eu sei o que estou fazendo. − ele piscou e Edythe revirou os olhos.
− Você é tão convencido! Eu jamais teria imaginado que algo assim aconteceu com você. − ela confessou. Edythe odiava julgar as pessoas, sem conhece-las, mas a verdade é que ela julgou e muito Beau Swan.
Com as palavras dele o sorriso dele desapareceu.
− Esse é um dos motivos de não ter me dado bem com Victor ou Logan quando os conheci. Eles me fizeram sentir como aquele garoto magricela de 15 anos que sofria bullying dia sim, outro também, sem contar que, mesmo com 28 anos a minha boca ainda me causa problemas, Logan me odeia desde que a namorada dele flertou comigo naquela festa de Natal.
− Sinto muito que Victor fez você se sentir assim. Ele pode ser um idiota às vezes. − Edythe acrescentou.
− O que é isso?! Edythe Cullen dizendo algo de ruim sobre o perfeito Victor Collins? − ele brincou com um sorriso.
− Ele não é perfeito. – ela bufou em descrença. − Longe disso.
− Sinto muito pelo que disse há alguns meses sobre você e ele, Edythe. Você sempre foi muito mais do que apenas a namorada do Victor, você é você!
− Obrigada por isso, Beau, mas o que você disse era a verdade. Ele era o meu mundo inteiro, então quando terminamos, não soube lidar com tudo, era como se meu mundo tivesse desmoronado.
Beau a encarou com atenção.
− Mas você está bem agora, certo?! – perguntou timidamente.
− É... estou chegando lá, em algum momento eu ficarei bem. − ela deu um sorriso trêmulo.
Os dois se encararam por um longo tempo, até que ouviram um estrondo alto.
− O que é que foi isso? − Beau se levantou rapidamente, seguido por Edythe.
− Tem alguém aí?! − eles ouviram uma voz gritar por detrás das portas do elevador.
− Sim! Estamos presos. − Edythe gritou.
− Nós vamos tirar você daí. O elevador está preso entre os andares, vamos abrir as portas. Afaste-se, por favor. – a voz demandou.
− Ok. − Edythe e Beau gritaram juntos, encostando suas costas do lado oposto a porta do elevador. Eles se encararam por um segundo quando ouviram o ruído do metal e as portas foram lentamente abertas. A única parte iluminada era a de cima, onde os dois bombeiros os olhavam.
− Você está bem?! − um dos bombeiros perguntou diretamente para Edythe, ignorando completamente Beau, que ainda encarava atordoado o trecho de concreto em que o elevador estava parado.
− Sim. − respondeu Edythe.
− Vou precisar de vocês dois por aqui, tudo bem?! – orientou, chamando pela primeira vez a atenção de Beau.
− O quê?! Não! Se o elevador se mover, seremos cortados em dois! − Beau gritou em pânico.
− Ele não vai se mexer. – um dos bombeiros responderam.
Beau olhou Edythe e depois para a porta, ainda incerto.
− Você primeiro. − ele sugeriu, com um sorriso amarelo.
− Eu?! − ela perguntou, sentindo um pouco de medo.
− Damas primeiro. – sorriu galanteador.
Edythe fez uma careta.
− Você é um bebê chorão! − ela provocou, colocando seus sapatos de volta e jogando sua bolsa para os bombeiros. Finalmente ela se virou para Beau.
− O quê?! − ele perguntou confuso com o olhar expectante dela.
− Eu vou precisar de uma ajuda aqui.
− O quê?! − ele disse de novo.
− É alto! Eu não consigo alcançar. − ela disse olhando para cima.
− Tudo bem. − ele revirou os olhos e colocou o corpo atrás do dela. Envolvendo os braços em volta da cintura dela, ele se inclinou e a puxou para cima. Os bombeiros estendendo as mãos para puxá-la para cima.
− Não olhe por debaixo do meu vestido! − Edythe gritou.
− Eu não estou olhando. − ele rebateu de volta irritado com a acusação.
Beau soltou e Edythe foi puxada pelos dois bombeiros. Já no andar, ela tirou o pó do vestido e olhou para Beau com um sorriso.
− Sua vez. – disse um dos bombeiros.
Beau deu um passo atrás. Os nervos o dominando. Edythe rolou seus olhos com impaciência.
− Pare de ser um bebê chorão, Swan! − ela disse outra vez.
− Eu não sou! − ele protestou, mas jogou sua bolsa, que Edythe pegou, e com um impulso ágil ele passou pela passagem que os bombeiros abriram do elevador. Deitado no chão duro de linóleo do andar, ele olhou para Edythe que sorria divertida.
− Você é um pirralho! – provocou. Beau sorriu.
− Eu posso ver embaixo do seu vestido daqui. – brincou com um sorriso torto.
− Você é um idiota. − ela disse chutando a perna dele de brincadeira. Ele riu e se moveu rapidamente para ficar de pé.
− Você está bem, querida? − um dos bombeiros perguntou a ela.
− Estou bem. − ela respondeu, com as bochechas avermelhadas pelo galanteio do bombeiro. Beau franziu o cenho e levantou os braços com indignação.
− E quanto a mim?! – questionou irritado. − Você não vai perguntar como eu estou?!
− Você não é uma mulher bonita, certo?! Você vai sobreviver. − e homem mais jovem dos bombeiros piscou para Edythe.
− Sim, Beau, você vai sobreviver! − Ela disse alegremente. Ele bufou e rolou os olhos.
Enquanto Beau caminhava em direção à escada, ao perceber que Edythe não estava acompanhando, ele a aguardou vir, mas olhando sobre o seu ombro, viu um sorriso arrogante nos lábios do bombeiro. Edythe estava apenas sendo educada, agradecendo profusamente, entretanto quando o jovem bombeiro lhe entregou um pedaço de papel, ela ficou vermelha.
− Edythe?! Você está vindo?! − Beau perguntou, tentando tirá-la do seu constrangimento.
− Sim. − ela respondeu, agradecendo mais uma vez aos dois bombeiros e caminhando em direção a Beau. Ele abriu a porta para ela e os dois entraram na escada.
− O que foi aquilo?! − ele perguntou divertido.
− Nada. − ela respondeu rápido demais com as bochechas avermelhadas, notando a reação dela, tão incomum Beau sorriu enviesado e parou de andar, impedindo que Edythe continuasse a caminhar.
Ela mordiscou seu lábio inferior, diante do olhar inquisitivo dele. Sabendo que não podia evitar a curiosidade que transbordava dele, que a deixava ainda mais incomodada, ela murmurou:
− Ele me deu o número dele. − Beau levanta as sobrancelhas e um sorriso safado brilhou em seu rosto.
− Uau! Olhe para você, conquistadora de corações! – ele provocou.
− Eu não vou usá-lo! – exclamou, encarando o pequeno papel. − É muito cedo. − completou, rasgando o número.
− Você nem vai ficar com isso para sei lá... depois? Depois que você se curar desse luto por causa do ruivo?!
Edythe balançou a cabeça em negação e contornou Beau, passando por ele descendo as escadas. Percebendo a reação de Edythe, Beau teve uma ideia.
− Essa seria uma maneira interessante de deixar Victor com ciúmes. − ele disse para si mesmo e rapidamente correu atrás dela, ao chegarem ao saguão, Beau correu atrás dela, que já estava na porta para sair do edifício.
− Edythe! Espere! – ele gritou.
− O que foi agora?! − ela bufou se virando para encará-lo.
− Venha beber uma comigo?! − ele perguntou.
− Como um encontro?! – ela perguntou retoricamente. − Não, obrigado. Eu tenho planos. – respondeu exasperada.
− Não é como um encontro. – ele replicou sorrindo. – É mais como em uma bebida com alguém com quem você teve uma experiência de quase morte. Vamos lá! Eu preciso de uma cerveja. – pediu com um biquinho.
− Eu não sei. – ela respondeu incerta.
− Que planos você tem?! Chorar em seu travesseiro por causa do seu ex idiota que não merece uma lágrima sua?! − ele disse cutucando o braço dela. – Vamos lá! Eu vou pagar! É meu jeito de me desculpar por ser um idiota hoje à noite, e depois dessa semana infernal nós dois precisamos relaxar.
Edythe não estava interessada, pensar em um a um bar, compartilhar um momento amigável com Beau Swan... não era o plano que ela tinha para sua sexta-feira à noite, que seria muito melhor gasta com ela derramando todas suas frustrações numa garrafa de vinho e uma pizza bem gordurosa.
− Por favor?! Nós quase morremos. – ele pediu com aquele olhar de cachorro pidão, que o deixava fofo de uma maneira infantil. Ela revirou os olhos, sorrindo torto.
− Você é a maior rainha do drama que eu já conheci! – exclamou rindo. – E isso não é um elogio.
− Isso é um sim?! – ele perguntou com um sorriso crescendo em seu rosto.
− Tudo bem, eu vou, mas não quero ir em um lugar cheio daqueles idiotas arrogantes da Wall Street. – ele sorriu enviesado.
− Eu conheço o lugar perfeito!
.
Edythe estava sentada em um bar tranquilo, um homem em um pequeno palco cantou suavemente com um violão, ela balançou lentamente enquanto ouvia, Beau logo apareceu entregando a bebida para ela.
− Você gosta de gin, certo?! Eu peguei uma Pink lemonade com gin tônica, que é perfeito para você, princesa. − Beau tomou um gole de cerveja.
− Obrigada. − ela revirou os olhos novamente, odiando o apelido que ele acabou de dar a ela. − Então, por que você me arrastou aqui?!
− Eu te disse! Eu preciso relaxar e não queria beber sozinho.
− O que aconteceu com o seu encontro? – ela perguntou especulativa.
− Eu não tinha um encontro. – ele riu. − Eu deveria me encontrar com minha irmã e o seu marido antes que ela pegasse o trem para casa. Mas por causa do incidente do elevador, eles já embarcaram.
− Irmã?! Você tem uma irmã?! Casada?! − ela perguntou cantarolando com o gosto da bebida, doce e deliciosa.
− Ela é mais velha do que eu. Ela tem 31 anos, e mora com o marido em Utica, perto da minha cidade natal. − Beau explicou.
− Little Falls, certo?!
− Sim. Como você sabe disso?! − ele pareceu intrigado.
− Você me contou uma noite, quer dizer, uma das muitas noites nos últimos meses que você exigiu que eu ficasse até tarde.
− Oh! Desculpa.
− Eu perdoo você, e você estava certo, não é como se tivesse algum plano para hoje ou para qualquer outro dia. Talvez eu deva arranjar um gato. − Edythe brincou.
− Gatos são ótimos! Eles são uma companhia incrível.
− Espera... Você tem um gato?! − Edythe perguntou com um sorriso. Ela estava aprendendo algo novo sobre ele o tempo todo.
− E...? Só porque sou solteiro e homem, não posso ter um gato fofo?! – ele perguntou defensivamente.
Edythe balançou a cabeça.
− Estou surpreso por você se importar com algo que não seja você. – ela se divertiu.
− Hahaha. − ele falou sarcasticamente e tomou um grande gole de cerveja.
− De qualquer maneira, por que você precisava tanto relaxar?! O que está te deixando tão estressado?! − Edythe perguntou.
Beau suspirou e desviou o olhar.
− Apenas trabalho.
Edythe se inclinou para frente.
− Você tem que me dar mais do que isso. − ela riu.
− Eu não sei se posso confiar em você. – disse com aquele sorriso provocador.
− Estou ofendido! – ela exclamou divertida. − Claro, você pode confiar em mim. − ela colocou a mão no coração, como se fizesse um juramento.
− Promete que não vai contar a Victor?! – provocou, fechando os olhos em fendas.
Edythe franziu a testa.
− Por que eu contaria alguma coisa a ele?! Eu precisei que você me ajudasse a evitá-lo, lembra disso?!
− Tudo bem... você é de confiança. − ele disse respirando fundo.
− Paul está saindo do jornal no próximo mês, e seu trabalho como editor chefe está aberto.
− E você se inscreveu para a vaga?! Faz sentido, afinal você praticamente faz o trabalho dele de qualquer maneira. − Edythe encolheu os ombros.
− Eu sei disso, mas quando entreguei meu pedido a Jessamine, ela me fez uma careta. Disse que, se eu falasse sério, precisaria melhorar minha reputação. − ele franziu a testa.
− O que isso significa?! − Edythe torceu o nariz, sem entender.
− Você trabalha comigo tempo suficiente para saber que eu não sou o cara mais fácil de trabalhar. Eu fiz alguns inimigos, sem contar que eu me recusei a beijar algumas bundas, e se o momento decisivo for de falar com pessoas como Logan... Não há qualquer chance de alguém como eu conseguir.
− Logan te odeia. − Edythe disse com um suspiro. – E você não pode culpá-lo, pelo que eu sei você beijou a namorada dele.
− Ela me beijou. − ele levantou a voz corrigindo a jornalista. − Há uma diferença.
− Claro, claro. − Edythe revirou os olhos e recostou-se na cadeira.
− Ela me beijou! Sério! Eu estava lá, cuidando da minha vida e ela flertou comigo e, depois quando eu a ignorei lá estava ela me beijando. Eu não tinha ideia de quem ela era até Logan dar um soco no meu nariz. − ele defendeu suas ações da festa de Natal um ano antes.
− Está bem, está bem. Eu não sei se acredito nesta história, mas continue tirando isso, por que você não seria um bom candidato?! – ela perguntou curiosa.
− Jessamine me disse que cometi alguns erros com a minha atitude arrogante e que as pessoas não me levam a sério. Completou dizendo que sou um bom escritor e editor, mas os chefões não confiam em mim. Ela disse se eu quisesse ganhar a confiança deles, eu preciso provar que não sou o mulherengo arrogante que dizem pelos corredores da empresa, sabe?! Mudar minha imagem, ser mais proativo...
− E o que isso significa?! − ela estava ainda mais confusa, parecia desculpas muito vagas para alguém que claramente se esforçava muito no trabalho.
− Significa levar meu trabalho a sério, como tenho feito, como fizemos esta noite. Eu preciso apenas do melhor dos artigos publicados, se eu aprovar um artigo meia boca, isso só vai me atrapalhar. – ele disse com sinceridade.
− Oh! Não me ofendi com o "artigo meia boca". – ela replicou, fazendo aspas no ar.
− Você é uma boa jornalista, Edythe, sempre faz um trabalho impecável!
− Porque você sempre me diz onde devo melhorar. Você é um bom editor, Beau, o melhor em todo o escritório. É óbvio que você vai conseguir o emprego. – ela disse cheia de confiança.
− Eles também estão entrevistando pessoas de fora, não é só eu. E para ser sincera, Royal não gosta muito de mim, ele acha que sou um mulherengo idiota.
− Bom... − Edythe sorriu.
− Isso não é tudo o que sou! Sei que eu andei dormindo com uma ou outra garota por aí, mas não sou esse idiota insensível que todos dizem. Além disso, não importa o que eu faço fora do escritório, mas Jessamine acha que sim, por isso que de agora em diante, eu sou um bom homem. Certinho que não é um pegador. − Beau deixou escapar um suspiro, sentindo-se um pouco sem fôlego.
− Um bom homem. − ela riu.
− Engraçadinha, acredite se quiser. Eu preciso de outra bebida. − Beau disse enquanto bebia o restante da sua cerveja. − Você quer mais um drink?!
Edythe olhou para a bebida meio tonta, ela deveria dizer não, mas pela primeira vez em mais de dois meses, ela estava se divertindo e assentiu.
− Claro.
.
− Mais um?! Vamos! Por favor?! − um Beau embriagado implorou.
− Dois é o meu limite usual, e eu tive três drinks! Preciso ir para casa. − Edythe disse pegando o casaco.
− Por quê?! – ele choramingou, com aquele olhar de cachorro pidão.
− Porque eu estou um pouco bêbado, e eu tenho um brunch com minha mãe amanhã. Se eu aparecer cheirando a bebida, ela está me dando um pequeno sermão!
− Credo! Você não é divertida. − Beau brincou.
− Sei quem eu sou, mas eu preciso parecer bem em frente a Dra. Carine Cullen, ainda não contei a ela sobre Victor. Ela ainda acha que estamos juntos. – disse com uma careta.
− Você não disse à sua mãe que seu namorado te largou e, um dia depois, engravidou outra garota?! Por que raios você não fez isso ainda?!
− Pare com isso! Estou com medo de contar a ela, sei que ela vai me culpar!
Beau pareceu chocado.
− Culpar você?! Por que ela iria culpar você?! – ele perguntou atordoado.
− Porque ela adora o Victor, na verdade eu acho mais do que ela me ama. – rebateu a contragosto.
− Isso não pode ser verdade. Ela é sua mãe! – ele exclamou como se fosse óbvio.
Edythe encolheu os ombros.
− Olha, eu amo minha mãe, pelo menos na maior parte dos dias. Mas ela não é como uma mãe comum, ela sempre ficou com os dois olhos em mim, sempre esperando que eu fosse a filha perfeita. Uma vez que ela descobre que eu não fiz o suficiente para manter Victor, ela vai me culpar. Eu apenas sei disso, e por mais que possa parecer ridículo é o jeito que ela funciona. Quando dizer que solteira, ela vai começar a me dar um sermão, dizendo que estou ficando velha e que serei uma solteirona e que vou morrer sozinha. – ela explicou com um suspiro pesado.
− Ela parece adorável. − Beau riu.
− Ela tem seus momentos, sorte a sua que não vai precisar lidar com ela. − Edythe deixou o banco que estava sentada, vestindo o seu casaco.
Beau sorriu, enquanto olhava intensamente o rosto em formato de coração de Edythe.
− E se você disser a ela que tem um novo namorado?! – ele perguntou, dando de ombros.
− Sim... claro... E quem seria esse namorado?! Não me venha com "contrate alguém", porque minha mãe é esperta, ela saberia me pegaria na mentira em um piscar de olhos.
− E quanto a mim?! Você acha que ela compraria essa mentira?! − ele questionou.
− Você?! Isso é brincadeira, certo?! − ela ficou atordoada.
− Estou falando sério! Você quer fazer sua mãe feliz e deixar Victor com ciúmes de uma só vez?! Poderíamos dizer que estamos namorando. – ele riu. − Victor odiaria isso, eu não ficaria surpreso se ele não voltar correndo para você. − Beau sugeriu.
− Você é louco! − Edythe exclamou rindo.
− Qual é?! Iria funcionar! Victor me odeia, e ele ainda se importa com você. Imagine o rosto dele se entrarmos no escritório de mãos dadas. Ele ficaria com muito ciúmes! – exclamou com aquele seu sorriso enviesado.
Ante ao cenário que Beau printou, um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Edythe.
− Você está gostando disso, não é?! − Beau sorriu.
− Não! Você é louco! Isso nunca vai funcionar, Victor sabe que somos apenas colegas de trabalho. – ela balançou a cabeça em negação.
− Por enquanto..., mas e se uma noite ficássemos até mais tarde e eu simplesmente não conseguisse me conter, eu só teria que te beijar e pronto! Nos apaixonamos.
− E o que você ganharia com isso?! – Edythe perguntou intrigada, cruzando seus braços.
− Primeiro: eu conseguia ver o rosto cheio de raiva do Victor, e isso por si só seria incrível! Mas principalmente, isso mostraria a Royal e Jessamine que estou falando sério, que eu mudei. Eles te amam, e se eles acham que estamos apaixonados, saberão que estou falando sério sobre o trabalho. Que eu quero me acalmar. − Beau não pôde deixar de sorrir com a ideia. − Um novo emprego e uma namorada falsa. É perfeito!
− Você está bêbado. − Edythe empurrou seu peito apontando que aquilo era uma loucura.
− Qual é Edythe?! Estou falando sério! Seria divertido.
Edythe se afasta dele e balança a cabeça descrente.
− Você está louco, Swan. – ela ri.
− Qual é Edythe?! Apenas pense sobre isso?! Por favor? − ele implorou.
Edythe apenas acenou para ele adeus, pegando um táxi – que felizmente estava parado em frente ao bar − para chegar em casa. Enquanto, Beau se afundou na cadeira novamente, com um sorriso confiante em seus lábios.
.
N/A: Oi gente! Esse capítulo ficou maior do que eu esperava, mas espero que vocês gostem dele. Fiquei super feliz com o retorno de vocês com essa empreitada Bedythe, sério, achei que seria um super flop, mas vocês, como sempre, me surpreenderam! Eu sei que os nomes, para quem é acostumado a ler Edward, Bella e companhia, Beau e Edythe parece confuso, então vou fazer uma pequena lista dos personagens e seus correspondentes:
Edythe = Edward | Beau = Bella | Victor = Victoria | Joss = James | Jeremy = Jessica |
Logan= Lauren | Jessamine = Jasper | Royal = Rosalie | Carine = Carlisle | Taylor = Tyler
Conforme for aparecendo mais personagens eu coloco aqui para vocês! Se vocês curtiram esse capítulo, deixa aquela review maravilhosa, ok?! É ela que me faz continuar com esses devaneios insanos!
Amo vocês!
Beijos, Carol.
