Disclaimer: infelizmente Twilight ou Life and Death não me pertencem, mas usar qualquer personagem que tia Steph criou da forma mais divertida possível sim, então, aquilo de sempre: respeita aí!

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CAPÍTULO 6

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Quando o carro parou no restaurante Forks, Edythe quase gritou de emoção. Ela não tinha ideia de que a festa seria ali, ela pensou que seria em algum bar ou restaurante da cidade. Mas agora, quando eles pararam na lanchonete com uma enorme faixa de "Parabéns para você" na entrada, parecia perfeito.

− Por favor, diga-me que existem hambúrgueres, fritas e milk-shakes alcoólicos lá dentro?! − Edythe perguntou emocionada.

− Talvez... − Beau piscou em resposta.

Todos os três entraram na lanchonete e uma salva de palmas irrompeu. A multidão assobiou e gritou com em homenagem ao aniversariante.

− Está bem, está bem! Acalme-se gente, acalme-se, tem para todo mundo! − Charlie disse acenando com as mãos enquanto os convidados sorriam para ele. Beau puxou o braço do pai e sussurrou algo em seu ouvido, algo que Edythe não conseguiu ouvir, Charlie apenas assentiu e caminhou em direção a seus amigos.

− Você está bem? − Edythe perguntou a Beau colocando a mão nas omoplatas dele.

− Sim, eu só preciso pegar uma bebida para meu pai, então eu quero encontrar minha irmã. – explicou com um sorriso inseguro, beirando a ansiedade. − Sinta-se à vontade para se servir com bebidas e comidas. Volto em um segundo.

Edythe o encarou confusa. Ela já havia testemunhado muitos humores de Beau, mas aquela insegurança repleta de ansiedade era enervante. Ele entendeu errado o olhar cauteloso dela.

− Você vai ficar bem por alguns minutos? − ele perguntou a ela hesitante.

Edythe sorriu tentando desanuviar o clima.

− Eu vou ficar bem. Vou pegar uma bebida e tentar me enturmar. − ela respondeu olhando para o balcão do dinner, onde um bar improvisado havia sido criado.

Beau sorriu claramente aliado.

− Eu volto em breve. − ele disse enquanto se afastava, a mão de Edythe, que ainda estava tocando Beau, caiu de volta para o lado dela. Ela olhou em volta para as pessoas ao seu redor. Não havia um rosto familiar, exceto, é claro, pelo homem atrás do bar. Ele era o mesmo homem que lhes serviu o café da manhã mais cedo naquele dia. Beau mencionou seu nome como Harry, o dono da lanchonete. Ele parecia amigável e ela se aproximou dele.

− Olá senhor. − Edythe disse a ele.

− Você é Edythe?! A garota do Beau?! – perguntou o homem.

− Sim. Suponho que sou. – ela riu nervosa.

− O que eu posso pegar para você, adorável senhorita?! − o homem sorriu com um sorriso cheio de dentes. − Eu tenho alguns coquetéis especiais apenas para esta noite. Algumas frutas delicadas e rosadas perfeito para você. − afirmou com uma piscadela. Sorri animada.

− Isso parece delicioso. Vou ter um desses. − ela respondeu e olhou de volta para a multidão do outro lado da lanchonete. Ela observou Beau colocar uma bebida na mão de seu pai, uma garrafa de cerveja, mas o rótulo parecia muito diferente das outras garrafas de cerveja na sala, ela estreitou os olhos para enxergar melhor, mas pouco adiantou.

− Charlie tem suas próprias bebidas para a noite. Tudo sem álcool. – Harry explicou.

− Oh, isso faz sentido. − Edythe ponderou. Ele tem câncer, claro que ele não está bebendo.

− Não é por causa do câncer. É por causa da história dele. − Harry explicou, percebendo que Edythe estava supondo ser algo mais recente.

− A história dele? − Edythe perguntou olhando para o homem confusa.

− Charlie é alcoólatra. Isso ficou bem ruim há alguns anos atrás, causou uma grande brecha entre ele e sua família. Beau queria que esta noite fosse livre de álcool, mas a Charlie recusou, ele não queria que a cidade sofresse apenas por causa de seu passado. Por isso que Beau tem cooler de cerveja sem álcool na cozinha. – ele explicou.

− Oh, eu não sabia disso. − disse Edythe, olhando para as mãos.

Harry fez a bebida e entregou a Edythe, ela sorriu para ele e caminhou até uma cabine desocupada em direção à parte de trás da lanchonete e sentou-se, pegando seu telefone que tinha uma mensagem de Jeremy:

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JS: Como tá indo?!

EC: Bem... Little Falls é uma ótima cidade. Eu acho que você adoraria aqui.

JS: Existem caras bonitos?!

EC: Jer!

JS: Não importa, seu gaydar é horrível. Enfim, eu só queria ter certeza de que você não foi assassinado. Você já viu todas as coisas ruins que aconteceram nessa cidade?! Eu acho que é amaldiçoada!

EC: Jeremy, você acredita em tudo que lê! Quanto mais absurdo mais você acredita!

JS: Vou te enviar os artigos, são assustadores! Meu Uber chegou, porque estou de folga e vou para balada! Me liga amanhã?!

EC: Sim eu te ligo Jer! Divirta-se e te amo.

JS: Você também gata! Também te amo!

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Assim que Edythe colocou o telefone de volta no bolso e tomou um gole de sua bebida gloriosa, um rosto familiar apareceu sentando-se no lugar em frente a ela.

− Ei, Edythe. − era o Jules, e ela também tinha uma bebida na mão. Um azul elétrico atordoante, que realçava ao castanho avermelhado da sua pele. − Como você está?! Não me diga que Beau a abandonou?!

− Eu estou bem. Ele está apenas cuidando do pai, e disse algo sobre encontrar sua irmã. – Edythe explicou.

− Bella está aqui?! Beau e o Edward conseguiram convencê-la?! − Jules olhou em volta procurando a mulher.

Edythe encolheu os ombros, sem saber ao certo.

− Então, Edythe, o que está achando de Little Falls?! Atendendo as suas expectativas?! −perguntou divertida, como se aquilo fosse uma piada própria.

− É legal. – deu de ombros. – Meio idílica, como sempre imaginei que fosse uma cidade pequena. − Edythe comentou.

− Assim como filmes e séries?! − Jules riu. − Pode ficar bem chato às vezes, é por isso que você precisa conhecer as pessoas certas para torná-lo divertido. Felizmente, Beau me conhece, o que garante diversão para você! – Edythe forçou um sorriso, ligeiramente incomodada com Jules.

A garota pareceu notar o desconforto da outra, por isso ela olhou em volta, encontrando com facilidade Beau à distância e disparou um aceno para ele. Edythe sentiu uma sensação engraçada em seu estômago quando o rosto dele se iluminou ao vê-la, e a pergunta que estava em seu cérebro desde que ela conheceu essa linda mulher um dia antes.

− Eu tenho que perguntar: você e Beau?! Vocês... estão próximos?! − Edythe perguntou insegura.

− Ele é meu melhor amigo. − respondeu Jules. − Somos amigos há uns 12 anos, nós fomos para o ensino médio juntos. Fui transferida para Little Falls High aos 16 anos, e Beau foi designado para me mostrar, assim nos tornamos amigos imediatamente. – explicou.

Edythe sorriu insegura.

− Como ele era na adolescência?!

− Ele era como ele é agora. Calmo e doce. Não machucaria uma alma a menos que você o machuque primeiro. Eu o conheci depois que ele passou por sua grande transformação, foi o que as meninas da escola me disseram. – ela deu de ombros. − Disseram que ele era um garoto esquelético, magrelo e desengonçado e então, em um verão, ele se transformou em seu homem bonito e forte. As meninas me odiavam porque éramos amigos. Todos olharam para ele e queriam o que estava por baixo da camisa dele, e ele era tolo demais para ver isso. – ela sorriu com uma lembrança saudosa.

"Ele é um homem gentil e carinhoso, mas por dentro esconde alguns demônios. Todos nós fazemos." – ela completou com uma sombra dançando em seus olhos.

Edythe sentiu o peito apertar novamente. Beau não contou muito sobre sua infância, depois de ouvir algumas coisas do Charlie mais cedo e agora Jules, ela percebeu que talvez não o conhecesse tão bem quanto pensava, mas ela estava desesperada para saber mais sobre ele.

− Você e ele já... sabe... − Edythe finalmente fez a pergunta imediatamente. – Dormiram juntos?! − a ruiva prendeu seu lábio inferior com os dentes, insegura com a possível resposta de Jules.

Jules tomou um longo gole de sua bebida e depois a colocou na mesa.

Lentamente ela assentiu e Edythe sentiu seu coração afundar.

− Não há necessidade de ficar com ciúmes nem nada. − Jules expressou, percebendo o olhar da outra. − Beau foi o primeiro e único cara com quem já estive, eu estava curiosa sobre a minha sexualidade, e ele era um adolescente excitado. – ela rolou os olhos como se tivesse se divertindo com algo. − Perdemos a nossa virgindade juntos, não havia nada por trás disso só uma curiosidade e aconteceu apenas uma vez, então decidimos que era tudo. Pelo menos eu decidi, desde então nunca mais estive com um cara.

Edythe sentiu como se pudesse respirar novamente, Jules estendeu a mão e pegou a mão dela, em um gesto de conforto.

− Acredite em mim, Edythe, não há razão para ter ciúmes de nada. Aquele cara está louco por você! − quando Jules terminou de falar, Beau apareceu exibindo seu sorriso atrevido, que tirava o fôlego da ruiva.

− Como você está?! − ele perguntou.

− Bem... estávamos falando sobre você. − respondeu Jules por Edythe, com um sorriso de gato Cheshire.

− Nada de ruim, espero, apesar que você nunca pode confiar em algo que essa mulher diz, certo?! − Beau disse quando Jules bateu no peito.

Edythe soltou uma risada.

− Eu queria que você conhecesse minha irmã. − disse Beau acenando para uma morena pequena e um cara que tinha os cabelos de uma cor muito similar que os dela. − Edythe, esta é minha irmã Bella e seu marido Edward.

− Oi. − a garota acenou para Edythe, com um sorriso animado.

− Oi, é um prazer conhecê-la. − Edythe ofereceu quando deixou o banco para que Bella e Edward sentassem. Beau sentou-se ao lado de Edythe.

− Você é realmente linda. − Bella ofereceu e Edythe corou.

− Humm, obrigada. − ela respondeu enquanto Beau descansava o braço no banco, tocando suavemente o ombro de Edythe.

− Essa é a garota com quem você ficou preso no elevador?! – perguntou Edward com um sorriso no canto dos seus lábios. Seus olhos verdes brilhavam em diversão. Bella bateu no braço do marido, para impedi-lo de claramente provocar o cunhado.

− Isto é ela. Sinto muito, ter perdido o nosso jantar aquele dia. Senti falta de vocês! − Beau respondeu pensando nas semanas anteriores. Parecia que eram meses, não semanas.

Bella deu um aceno, como se não fosse nada.

− Eu aposto que ele estava uma bagunça. − Bella riu olhando para o irmão, conhecendo seu medo de pequenos espaços.

− Oh! Ele estava! − respondeu Edythe e foi recebida por um olhar de Beau. − O quê?! É verdade! Ele não usou o elevador por um tempo até eu empurrá-lo para um! – ela explicou, arrancando risada da irmã e do cunhado do editor.

− Está bem, está bem... – murmurou impaciente. − Vamos continuar, ok?! − Beau implorou enquanto os três riam. – Edward, cara, você tinha que me ajudar! – ele implorou pesaroso para o cunhado.

− Beau, irmão, impossível não se divertir com esse seu pânico, por mais terrível que ele seja. – disse, tentando manter-se sério, mas falhando miseravelmente.

Beau rolou os olhos impaciente.

− Você conheceu Zeus? − a irmã de Beau perguntou. Edythe assentiu com um sorriso.

− Sim! E eu amo aquele gato! − Edythe respondeu e se inclinou para mais perto de onde Bella estava do outro lado do estande. − Eu vou roubá-lo.

− Ei! − Beau protestou. − Eu ouvi isso! É isso, eu nunca vou deixar você acariciar meu companheiro fofo novamente.

Os olhos de Edythe se arregalaram e todos caíram na gargalhada mais uma vez.

− Espero que seu companheiro não seja fofo, Beau. – Edward interrompeu o riso.

Bella tinha um grande sorriso no rosto enquanto enxugava as lágrimas pelo canto dos olhos. Ela olhou para Beau.

− É bom rir de novo. – disse Bella com sinceridade.

− Foram alguns dias pesados. − Edward passou o braço em volta de Bella e a abraçou.

− Como está o papai hoje?! − ela perguntou incerta, mordiscando seu lábio inferior.

− Ele está bem, você deveria ir falar com ele. – ele sorriu compassivo para a irmã. − Ele está sentindo sua falta, ele quer conversar, e você deveria falar, não só por você, mas também pelo bebê. − Beau disse suavemente.

Bella se virou e olhou para o pai, que estava rindo com alguns amigos na parte de trás da lanchonete.

− Você quer que eu vá junto, amor?! − Edward perguntou. Bella apenas assentiu e o casal saiu da cabine.

Beau espiou para fora da cabine e viu sua irmã dar um tapinha no ombro de seu pai. Charlie virou-se e, sem nem dizer nada, envolveu a filha nos braços, a coisa toda trouxe um sorriso ao rosto de Beau. Feliz, ele voltou-se para Edythe.

− Você está bem?! Me desculpe, eu estive um pouco ocupado, apenas... – ele começou incerto.

− Harry me contou sobre o problema com bebida do seu pai. − Edythe interrompeu.

− O que ele te falou? − Beau perguntou preocupado se o velho tinha falado demais.

− Ele não falou muito. – deu de ombros. − Só que ele teve um problema com álcool e você tem um estoque de cerveja sem álcool na cozinha.

− Eu não queria que você o julgasse, por isso não te contei. − Beau explicou.

− Eu nunca o julgaria. – interveio calmamente Edythe. − Eu entendo porque você não me contou, mas você não precisa esconder as coisas de mim, sei que toda essa situação é um pouco estranha e não somos oficialmente um casal, mas eu estou aqui por você. Como uma amiga. − Edythe deu um sorriso para Beau, querendo que ele se sentisse feliz e à vontade.

− Amigo, hein?! Eu acho que é isso que somos, eu só não tinha certeza do que acontecerá quando essa coisa entre nós acabar. – ele desviou seus olhos azuis envergonhado, mas apenas por um segundo, pois logo ele estava encarando os olhos dourados de Edythe. − Imaginei que você terminaria voltando com Victor e contando a ele tudo sobre isso. Sobre mim. – ele deu de ombros. − E eu não queria que alguém como ele soubesse sobre o meu passado, não me sinto à vontade contando tudo. − Beau olhou para as mãos e brincou com os dedos.

− Eu nunca… − Edythe ofegou ressentida. − Primeiro, eu não vou voltar com Victor. Claro, eu fiz isso para deixá-lo com ciúmes, mas descobri nas últimas semanas que ele não era o namorado perfeito como eu pensava. E, mesmo que amanhã ele me pedisse para voltar para ele, eu ainda não faria isso. E segundo, eu nunca contaria a ninguém no trabalho sobre você e sua família. − Edythe se mexeu um pouco na cadeira, tentando controlar seu humor por ele ter pensando tão pouco dela. − Você honestamente acredita que eu faria algo assim?! Contaria sobre sua vida?! – perguntou, sentindo um nó na garganta.

− Eu não sei. Eu... eu... − ele podia ver a mágoa nos olhos dela e ele queria se chutar por não confiar nela. Ele encontrou os olhos dela e sentiu pena. Seu coração estava pesado.

− Beau! − alguém do outro lado da lanchonete gritou seu nome.

− Merda. − Beau franziu a testa.

− Beau, vamos lá. É hora de discursos. − a voz gritou mais alto.

− Desculpe, podemos conversar mais tarde?! Por favor?! − ele disse enquanto se levantava. − É hora de discursos. – completou com um rolar de olhos. Edythe tentou sorrir, Beau aceitou, por mais que o mesmo não alcançasse seus olhos.

Edythe seguiu Beau enquanto eles teciam um caminho na multidão, ela se sentou ao lado de Jules e deu um sorriso forçado quando Beau saiu do lado dela. Ela pensou que ele iria ficar ao lado de Bella, mas quando ele se levantou em um banquinho, ela ficou um pouco chocada quando ele começou a falar.

− Pai, feliz aniversário. − ele começou e levantou o copo. − Agora todos vocês sabem que não sou um orador muito bom, Bella que é melhor nisso. – ele lançou uma piscadela para a irmã, que rolou os olhos, mas corando vermelho vivo. Óbvio que ela também não era muito de falar em público. − Eu sou o garoto solitário e quieto no canto, mas vou fazer uma exceção para você, pai.

− Obrigado, filho. − Charlie gritou com uma risada.

Beau olhou para as mãos por um segundo e depois para a multidão. Seus olhos vasculham para encontrar seu pai e depois para Edythe.

− Acho que não preciso contar que meu pai e eu não tivemos o melhor relacionamento no passado, houve alguns anos confusos na adolescência, mas nunca esquecerei como você mudou as coisas. Você sempre foi um homem tão orgulhoso, e o dia em que você veio a mim e pediu perdão me fez mudar a maneira como eu olhava para você. Você é um homem forte e um pai incrível, todos cometemos erros e estou tão orgulhoso que você corrigiu seus erros. – ele sorriu para o pai, que tinha os olhos marejados, assim como Bella e o próprio Beau. − A única razão pela qual sou o homem que sou hoje é por sua causa. Estou feliz em ser seu filho, e se eu me tornar metade do homem que você é, eu sei que estou bem. Então, vamos brindar meu pai. Feliz Aniversário. − ele se deteve e respirou fundo.

"Vou ter saudades de você. Eu te amo." – completou com a voz embargada de emoção.

− Eu também te amo, filho. − Charlie gritou enquanto todos tomavam um gole de sua bebida.

Beau desceu do banquinho e foi envolvido nos braços de seu pai instantaneamente.

− Eu te amo. − ele sussurrou visivelmente emocionado.

− Eu também te amo, Beau. Eu também vou sentir sua falta. − Charlie sussurrou enquanto abraçava o filho. Edythe observava à distância e Beau levantou o dedo escondido para afastar a lágrima no canto do olho, esperando que o pai dele não visse.

− Eu acho que é a minha vez. − disse Charlie enquanto se afastava do abraço de seu filho.

Beau ficou de pé e viu o pai subir em uma mesa. Uma vez que ele estava em pé, Beau voltou para a multidão. Ele ficou ao lado de Edythe e viu o pai falar.

− Faz um tempo desde que eu fiz um discurso. Nem me lembro da última vez. − Charlie começou. − Primeiro, quero agradecer a todos por terem vindo aqui hoje à noite, eu não sou muito de teatro, então, eu aprecio todos vocês por estarem aqui. Especialmente meu filho e sua namorada de Nova York. E minha filha Bella e seu marido Edward. Obrigado por estarem aqui! Eu não poderia fazer nada disso sem vocês. − Bella e Beau sorriram enquanto Charlie continuava.

"Como todos vocês sabem, recebi más notícias esta semana e este provavelmente será meu último aniversário, eu deveria estar triste, mas eu não sou. Eu fiz muito na minha vida, eu já vi muito... Tenho tanto orgulho das coisas que construí e outros não muito, mas sempre fui sincero, e vou sentir muita falta. Vou sentir falta das pessoas desta cidade. Vou sentir sua falta, Harry e os melhores hambúrgueres do país." − ele ergueu o copo para o homem, que riu de volta. − "Vou sentir falta de conhecer meus netos, e de participar de casamentos." − Charlie começou de novo.

Beau abaixou a cabeça e encarou seus pés. Um misto de culpa e tristeza inundavam seus olhos. Sem pensar, Edythe pegou a mão dele e ligou os dedos dela.

− Estou tão orgulhoso dos meus dois filhos. E como presente de aniversário, eu pergunto... Não, melhor, eu imploro que todos nesta cidade cuidem dos meus dois bebês, mesmo que eles não sejam mais bebês. Eu preciso que você os mantenha em seus corações, vocês são as únicas duas coisas que fiz de bom nos meus anos e os próximos meses serão difíceis para mim, mas não quero que essa seja uma ocasião triste, eu quero apenas boas lembranças. Então... tudo o que peço é sem lágrimas hoje à noite. Lágrimas podem vir depois, o tanto que for necessária! – disse por fim com um sorriso amplo.

− Ao Charlie! − a multidão brindou novamente. A mão de Edythe apertou com mais força a de Beau enquanto ela se focava no rosto dele.

− Beau? − ela disse suavemente.

− Eu estou bem. − Beau forçou um sorriso e engoliu as lágrimas. Ele afastou a mão dela e foi até a irmã, que tinha lágrimas escorrendo pelo rosto. − Vai ficar tudo bem. − sussurrou enquanto beijava a bochecha de Bella.

Bella apenas chorou e Charlie veio e envolveu seus dois filhos nos braços.

− Sem lágrimas, está tudo bem. – disse ele com os olhos marejados de lágrimas.

− Ok. − os dois disseram enquanto abraçavam o pai com força. Eles estavam desesperados para não deixar esta noite ser uma ocasião triste, para que ela fosse uma lembrança feliz.

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Já passava da meia-noite quando chegaram em casa. Charlie foi direto para a cama assim que entraram pela porta. Beau seguindo Edythe para o antigo quarto dele. Quando Edythe viu Beau começando a mover alguns cobertores para o chão, ela balançou a cabeça.

− Beau, você não pode dormir no chão hoje à noite.

− Está bem. Na verdade, não é tão ruim assim. − Beau respondeu.

− Não, não está tudo bem. Você pode dormir na cama. – Edythe interveio com firmeza.

Beau balançou a cabeça.

− Eu não vou deixar você dormir no chão. – Beau defendeu-se como um nobre cavalheiro.

− Não, bobo. Nós podemos compartilhar a cama. Nós dois somos adultos e é uma cama grande. Vamos. − ela acenou para ele, Beau não estava com vontade de discutir.

− Ok, tudo bem. − respondeu Beau e caminhou até a cama. Ele se sentou no pé da cama e Edythe podia ver que ele não estava de bom humor. Ele ficou sombrio a noite toda depois dos discursos, ela se sentou ao lado dele e cutucou seu ombro.

− Tudo vai dar certo. − ela disse suavemente. − Eu sei que é péssimo e, não sei o que dizer para fazer você se sentir melhor. Mas estou aqui para você, se você quiser que eu esteja.

Beau apenas balançou a cabeça.

− Quando eu era adolescente, eu o odiava. Eu gostaria que ele me deixasse em paz tantas vezes. Eu gritei para ele que o odiava e desejei que ele estivesse morto. Quão horrível é isso?! – perguntou Beau retoricamente, claramente assombrado pelos fantasmas do passado.

− Todos dizemos coisas que não queremos dizer quando estamos com raiva. Ele ainda te ama. Aposto que ele nem pensa nisso. – interveio Edythe suavemente.

− Não sei o que vou fazer. Eu ligo para ele quase todos os dias. Não sei o que vou fazer sem ele! − Beau deixou uma única lágrima cair em sua bochecha.

− Oh, Beau! − Edythe o envolveu em seus braços e o abraçou. − Sinto muito que você tenha que passar por isso. Você não merece nada dessa dor. Eu sinto muito.

Eles se abraçaram por um longo tempo. A cabeça dele estava no ombro dela, os dedos de Edythe acariciaram seus cabelos enquanto ele chorava. Eventualmente, ele se afastou e ela o ajudou a enxugar as lágrimas das bochechas.

− Sinto muito, isso não fazia parte do acordo, − disse Beau, balançando a cabeça.

− E daí?! − Edythe deu de ombros e colocou as mãos nos dois lados do rosto dele. Seus polegares roçando suas bochechas. − Você é um homem bom e um filho incrível. Não se esqueça disso.

Eles se entreolharam por um longo momento. Seus olhos se encarando com intensidade, os dedos de Edythe em seus cabelos eram tão agradáveis que ele não queria que ela nunca a deixasse ir. Os olhos deles voaram para os lábios um do outro e depois voltaram para os olhos. A cabeça de Edythe avançou um pouco e depois Beau se afastou. Balançando a cabeça quando ele pulou da cama.

− Eu estou tão cansado... vou me preparar para dormir. − ele disse correndo em direção à porta. − Você quer usar o banheiro primeiro?

− Não. Não. Vai você. − Edythe respondeu pesadamente.

− Tudo bem. − disse Beau rapidamente quando saiu da sala. Quando ele se trancou no banheiro, Edythe levantou-se e passou a mão pelo rosto, balançando a cabeça, tentando superar o que aconteceu ou o que quase aconteceu. Era falso, certo?! Foi só isso. Ela se recusou a admitir mais alguma coisa. Ela soltou uma risadinha indignada com seu próprio pensamento.

− Edythe, você é louca! − ela sussurrou para si mesma.

Edythe usou o banheiro depois de Beau. E uma vez que ela voltou para o quarto, ele já estava dormindo pesadamente. Ela fechou a porta silenciosamente, apagou a luz e deslizou na cama ao lado dele. Fazendo um esforço para não o tocar. Ela se afastou dele no final da cama, tentando o seu melhor para desacelerar seu coração pulando, eventualmente, ela adormeceu.

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Quando Edythe acordou na manhã seguinte, a posição que estava dormindo havia mudado. Já não estava de costas para Beau, agora ela estava pressionada nas costas dele, p braço dela envolveu seu peito nu, os dedos dela descansando no estômago dele e as pernas emaranhadas com as dele.

− Merda! − Edythe disse em um sussurro quando seus olhos se abriram. Ela ficou imóvel, apenas a cabeça se movendo para olhar para a posição em que haviam se mudado. Nenhuma lembrança de como aconteceu. Como ela se virou e pegou Beau dormindo.

Ela se moveu um pouco. Puxando a mão para trás com cuidado, fazendo o possível para não o acordar. Os dedos dela roçando a cintura dele. Ele estava sem camisa, usava apenas uma bermuda. Como ela não percebeu que ele estava sem camisa quando ela deslizou debaixo das cobertas com ele?! Agora o corpo dela passara a maior parte da noite abraçado contra o dele.

− Por favor, não acorde. − ela sussurrou enquanto puxava a mão completamente. Ela moveu as pernas também, desembaraçando-as das dele. A sensação do cabelo em suas pernas contrasta com as sedas e macias dela.

Uma vez ela estava livre, Edythe rolou de costas. Sua respiração ficou dura quando ela olhou de volta para Beau. Os músculos das costas dele eram perfeitos. Ela nunca o viu assim antes. Tão quieto e em paz. Apenas o som suave de suas respirações adormecidas saindo de seu corpo, fazendo os cabelos do braço dela se arrepiarem.

− Porra! − Edythe sussurrou.

Algo havia mudado. Os sentimentos dela mudaram. Já não era Beau Swan, editor assistente em ação, alguém que ela amaldiçoou nos dias em que ele estava criticando seu trabalho. Agora ela estava olhando para ele e tinha um aperto no peito. Edythe passou a mão pelos cabelos, tudo era tão confuso. Ontem à noite eles quase se beijaram, se ele não recuasse, ela teria pressionado seus lábios nos dele e, ela tinha a sensação de que teria adorado.

Ela não deveria se sentir assim.

Isso não deveria acontecer.

Depois de alguns minutos para tentar esclarecer sua mente, Edythe saiu da cama lentamente. Ainda tentando não acordar Beau. Ainda era cedo e, ela precisava de um café e um banho para se sentir normal novamente. A noite anterior tinha sido uma das noites mais confusas de sua vida.

Ela aprendeu muito sobre Beau. Coisas que só a fizeram gostar mais dele. Ela sabia que não deveria sentir essas coisas. Foi apenas o resultado de onde eles estavam, quando eles voltassem para Nova York, as coisas voltariam ao normal. E em pouco mais de uma semana depois da festa, as coisas mudariam novamente.

A parte dele do acordo foi feito: Victor estava com ciúmes. Mas agora, ela não podia se importar menos com o ex. Ela ainda tinha que seguir com sua parte. Na festa do próximo fim de semana, ela tinha que mostrar seu rosto de melhor atriz e convencer os chefes de que Beau seria a melhor pessoa para a promoção. E então, uma vez que ele consegue o cargo, eles podem se separar.

Essa ideia fez o coração de Edythe afundar. Ela queria chorar com a ideia, ela não queria voltar para como as coisas eram antes. Mas esse era o acordo e só porque seus sentimentos haviam mudado, não significava que os Beau também haviam mudado.

Edythe atravessou a sala em direção a sua mala, pegando algumas roupas limpas e sua bolsa de higiene pessoal, ela saiu do quarto e foi para o chuveiro. Ela fez o possível para fechar a porta sem emitir nenhum som, ela não queria acordar Beau. Enquanto ela se movia em direção ao chuveiro, os olhos de Beau se abriram e ele rolou de costas.

− Droga! − ele disse passando a mão pelo rosto. Ele esteve acordado o tempo todo e, uma dureza entre suas pernas como resultado de ter as mãos e o corpo de Edythe em volta dele a noite toda.

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Eles voltaram para Nova York no final da tarde. Jules apareceu de manhã para levar Edythe por algumas horas, enquanto Beau passava um tempo sozinho com o pai e a irmã, ela não sabia do que eles conversavam, mas quando ela voltou de Jules, depois de leva-la para conhecer um pouco de Little Falls, Beau tinha lágrimas nos olhos novamente e um olhar sério no rosto que nunca saía. Mesmo quando ele se despediu do pai e sussurrou:

− Vou resolver isso. Vejo você em breve. – Charlie apenas assentiu em concordância.

Agora Beau estava pressionado contra a janela do trem, olhando para os vales verdes enquanto o trem os acelerava de volta para a selva de concreto.

− Beau. − Edythe colocou a mão no ombro dele. Ele ficou quieto durante toda a viagem de trem. Ela entendeu, mas ela queria ajudá-lo, só que ela simplesmente não sabia como. − O que você vai fazer agora?!

− Eu não sei. − ele finalmente respondeu ainda olhando pela janela.

− Estou aqui se você precisar de mim. − ela deu um sorriso amigável e colocou a mão no braço dele.

− Obrigado. − ele disse virando-se para olhá-la. − Obrigado por estar aqui neste fim de semana. Você fez tudo isso muito melhor e mais fácil.

− Você não precisa me agradecer. − ela respondeu. − Deixe-me saber se eu posso fazer alguma coisa.

− Obrigado. − ele disse novamente e voltou-se para a janela.

Edythe mordeu o lábio enquanto observava seu perfil lateral. A lembrança de como ela acordou passou por sua mente novamente, e uma sensação quente passou por todo o corpo. Edythe chamou sua atenção mais uma vez.

− Por que não vamos pegar pizza ou algo assim quando voltamos à cidade?! Talvez possamos pegar uma cerveja ou duas. – ofereceu com um sorriso.

− Eu não acho que serei a melhor companhia. − ele balançou sua cabeça. − Você provavelmente está cansado de mim de qualquer maneira.

− Não, claro que não. − respondeu Edythe, tentando esconder o quanto aquela acusação dele a magoava.

− Estou bem, Edythe. Você não precisa cuidar de mim, este fim de semana foi um ponto fora da curva, precisamos voltar ao que combinamos. Para o que concordamos. Isso faz mais sentido. – disse sem emoção.

Edythe sentiu como se tivesse acabado de levar um soco no estômago, porque ela não pensou neste fim de semana como trabalho. Ela gostou da companhia dele e, só queria estar perto dele, mesmo que isso confundisse mais seu cérebro. Mas ele estava certo. Então ela escondeu seus novos sentimentos e se afastou.

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Quando o trem parou na estação, Beau e Edythe separaram ir em direções opostas aos seus apartamentos.

Depois que Edythe voltou para sua casa, ela rolou a mala pelo apartamento e a jogou em um canto, antes de cair no colchão macio. Estar em casa era bom, era bom ter seu próprio tempo para fazer o que quisesse. Então, por que ela de repente se sentiu triste?!

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Beau desligou o telefone após uma longa conversa com sua irmã sobre os planos de seu pai para os próximos meses. Eles estavam no telefone por horas tentando definir um plano que seria fácil para o pai seguir.

Seu estômago roncou quando ele caiu no sofá. O gato ao lado dele miou com a súbita interrupção do sono.

− Foi mal cara. − ele disse para o gato e acariciou o pelo cinza suavemente. Zeus passou o fim de semana com o apartamento só para ele, apenas tendo o vizinho ao lado para entrar e alimentá-lo e esvaziar sua caixa de areia. − Está com fome? − Beau perguntou.

Zeus acabou de voltar para uma bola e adormeceu. Dando a ele uma resposta de 'não'.

− Bem, eu estou com muita fome. − disse Beau a si mesmo, ele procurou no bolso da calça jeans seu telefone e abriu o aplicativo Uber Eats para encontrar algo para satisfazê-lo durante a noite. Depois de uma longa decisão, ele finalmente decidiu por comida chinesa, ele estava prestes a pedir quando houve uma batida suave na porta.

Não tenho certeza de quem poderia ser. Beau deixou o telefone no sofá ao lado do gato e caminhou até a porta e a abriu. Seu coração disparou quando viu Edythe do outro lado sorrindo para ele.

− Edythe, o que você está fazendo aqui? − ele perguntou.

− Pensei que você estivesse cansada demais para jantar hoje à noite, então pensei em vir fazer algo para você. − Edythe ergueu uma sacola cheia de comida.

− Edythe, não sei se vou ser uma boa companhia. Eu estava indo comer e depois dormir. − ele respondeu a verdade.

− Eu sei, você disse isso antes. Mas eu só queria ter certeza de que você estava bem. Meu apartamento está frio e solitário. − ela respondeu com um sorriso tímido, mas o que ela queria dizer era: "senti sua falta e queria vê-lo". − Sou uma cozinheira muito boa, não gosto de me gabar, mas eu faço realmente um bom macarrão pesto com frango. − ela ofereceu um sorriso.

− Bem, como posso dizer não a comida caseira?! − Beau sorriu quando deu um passo atrás para recebê-la. − Entre.

Edythe caminhou em direção à pequena cozinha e colocou suas sacolas no balcão. Beau não estava muito atrás dela, ajudando-a a descarregar as compras.

− Eu estava prestes a pedir take out. − ele explicou.

− Ainda bem que estou aqui, para tornar sua vida um pouco mais saudável. Eu não queria falar nada, mas acho que você está ficando um pouco de barriga. − ela brincou cutucando seu estômago. Mas não havia gordura nele, apenas a dureza de seus músculos.

− Sério?! − ele arqueou uma sobrancelha. − É uma coisa boa que você esteja aqui, não é?!

− Isto é! − ela respondeu, sentindo suas bochechas corarem.

Beau deu um passo em direção ao sofá prestes a se sentar quando Edythe franziu a testa.

− O que você acha que está fazendo?! − perguntou com um olhar acusatório.

− Relaxar?! − ele respondeu.

− Não, eu não penso assim! Venha aqui! Eu não sou seu chef, o que significa que você vai me ajudar! – ela disse com um sorriso brilhante.

− O quê?! − ele respondeu.

− Você me ouviu! Vamos! Lave as mãos, vou te ensinar como fazer macarrão a partir do zero! − Beau gargalhou, mas fez o que ela pediu. − Minha avó me mostrou anos atrás como fazer isso, agora eu vou te ensinar. − Edythe sorriu.

− Sorte minha. − respondeu Beau e deu um passo ao lado dela na cozinha, sentindo-se feliz por ela estar aqui.

E, na verdade, ele não queria que ela fosse embora.

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N/A: Oi gente! Eu sei, faz um tempo que não apareço por aqui, mas optei por deixar todo mundo aproveitar o êxtase pós-Midnight Sun para enfim postar um novo capítulo disso aqui, que inclusive está acabando! Mas espero que todos estejam gostando! É tão legal escrever uma fanfic com um ship diferente, por mais que não estamos adaptados com Bedythe é tão gostoso sair do universo Beward! Enfim... obrigada a todos que estão lendo e comentando, vocês são incríveis e, se eu faço isso aqui depois de todos esses anos é só por causa de vocês! Obrigada por sempre me apoiarem! E não esqueçam de deixar um apoio nesse capítulo, ok?! É muito importante pra essa fanfiqueira aqui!

Amo vocês.

Beijos, Carol.