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Capítulo XXVIII – A ilusão da vida. - Fim da 2ª temporada-

Em meio a multidão que protestava na encosta de um morro, impedidos por subir por uma barricada policial, entre ambulâncias, carros de reportagem e veículos de curiosos, havia uma moto Harley Davidson preta e prateada, modelo Softail Deluxe 2014*, que apesar de seu design arrojado passava despercebida em meio a grande movimentação.

Sobre ela, seu condutor ainda estava sentado, usava roupas de couro e calças pesadas, além de ainda trajar seu capacete negro fechado, onde alguns fios azuis escuros e outros brancos caíam por suas costas até seu quadril.

- Então essa cosmo energia? – Questionava, sua voz saindo embaçada devido ao visor fechado.

- Sim, está muito fraco, mas sem dúvidas trata-se de Poseidon.

Respondeu outra pessoa, de pé, usando um moletom cinza que cobria e ocultava seu rosto, embora algumas madeixas azuladas ainda eram vistas, e simples jeans azuis.

- Precisamos avisar o Grande Mestre então. Estávamos certos em desconfiar da movimentação dos Solo - Seguiu o motoqueiro, recolocando suas luvas de couro que estavam no painel.

- Eu ficarei aqui, caso aconteça mais alguma coisa.

- Tudo bem, mas tome cuidado, mesmo que oculte sua energia, se eles te verem vão te reconhecer. E eu duvido que os Marinas tenham muita estima por ti depois de tudo.

- É uma forma muito sutil de dizer que eles me querem bem morto e enterrado – Colocou com sarcasmo.- Não que eles não tenham razão ao fazer isso, mas prefiro continuar vivo, se for possível.

- Se você evitar ser notado sobre qualquer custo por Poseidon, deve ficar bem. Então não faça nada imprudente – Seu tom era sério, porém ao mesmo tempo preocupado.

- Eu ficarei bem, você se preocupa demais – Respondeu com agastamento. –Justamente por eu ser apenas uma sombra, não subestime minhas habilidades de infiltração.

O outro suspirou, levantando seu visor, revelando assim seus intensos olhos azuis e o início de algumas rugas nas laterais destes, que começavam a denunciar sua idade.

- Você não é uma sombra Kanon, você é meu irmão. – Declarou em tom firme.

- Isso já não me incomoda há muito tempo Saga, você sabe disso. – Comentou em tom tranquilo o nomeado – Contanto que não me subestimem por isso. – Advertiu ao final.

Saga bufou, voltando a fechar o visor.

- Faça como bem entender então, mas se eu sentir que algo deu errado, você querendo ou não. Eu voltarei. – Deu ignição na moto. – Me economizaria tempo se você me avisasse.

- Falando em economia de tempo, por que você não deixa a Harley comigo e vai correndo até o santuário? Com certeza chegaria mais rápido. – Declarou cruzando os braços.

- Só alguns poucos minutos, o santuário fica muito próximo daqui. – Deu de ombros – Minha chegada desse modo poderia causar espanto e medo aos aprendizes e guerreiros mais jovens, além de ser um uso desnecessário de energia.

- A idade está te deixando velho e acomodado – Resmungou Kanon.

- Preciso te lembrar que temos a mesma idade? – Colocou Saga com um tom de graça.

- Pelo menos eu ainda não tenho cabelos brancos – Respondeu com orgulho, retirando seu capuz e revelando seus cabelos perfeitamente azuis, que, no entanto, só iam até seus ombros, ao contrário de seu irmão Gêmeo.

- Aproveite enquanto pode irmãzinho, afinal, dividimos a mesma genética - E antes de receber qualquer resposta, deu partida na moto, subindo pela calçada para evitar a multidão e perdendo-se de vista.

-Há, idiota – Reclamou, tornando a colocar seu capuz, voltando a se concentrar no que acontecia na mansão.

-.-.-

- Camus – June estendeu a mão e o cumprimentou – O mestre de Hyoga?

- Sim. Recordo-me de haver te visto há vinte anos, mas na época não fomos devidamente apresentados.

- Mademoiselle! Aqui está...- Começou a dizer Soleil com um papel em mãos, até ver quem acompanhava a jovem - ...Pai!?

O francês lançou um olhar severo para o mais novo, voltando-se completamente para ele.

- Soleil, o que fez para causar as lágrimas dessa Mademoiselle?

Antes que o jovem pudesse assumir toda a culpa, que estava claro por sua expressão que iria fazer, a ex amazona adiantou-se.

- Foi minha culpa! O santuário me traz lembranças muito difíceis...Soleil estava apenas tentando me ajudar. - Justificou sorrindo.

- Ainda assim eu toquei em temas delicados, peço perdão pela minha falta de tato Mademoiselle - Fez uma reverência elaborada em sinal de desculpa.

Camus, por sua vez, manteve-se impassível apesar da ação exagerada. Ocorreu a June que talvez o mensageiro fosse assim tão formal devido à sua criação, se a aparência severa de seu pai fosse alguma pista.

- Está tudo bem - Disse balançando o lenço que recebeu ao erguer as mãos em sinal de rendição. - Eu já estou bem. Não precisam se preocupar!

A expressão do francês seguiu exatamente a mesma, fazendo June se preocupar se ele tinha acreditado em suas palavras ou não.

- Seja mais atencioso da próxima vez - Declarou com severidade, ao que Soleil apenas confirmou com a cabeça.

Repentinamente a atitude ríspida de Hyoga começou a fazer sentido, agora que conhecia seu mestre.

Então o ex cavaleiro de aquário voltou-se outra vez a antiga amazona.

- Vocês já foram a biblioteca? - Perguntou suavemente, embora sua expressão ainda fosse nula.

- Haaã...Não... - A atitude do outro a desconcertava, era altiva, séria e formal, além de pouco expressiva, o tipo de pessoa que ela hesitava ao falar, com receio de cometer qualquer gafe. - Ainda não.

- Acabamos nos demorando demais no coliseu por causa do Senhor Aldebaran - Explicou o mensageiro.

- Entendo. Aldebaran pode ser excessivamente sociável algumas vezes - Analisou. - Neste caso, eu os acompanho, já está próximo do horário de abrir de qualquer modo.

- Ah, obrigada...

A dita biblioteca ficava na própria vila de Rodorio, perto de seu centro, próxima ao santuário. Não deveriam ter sido sequer cinco minutos de caminhada, mas June sentiu-se absolutamente incomoda, como poucas vezes em sua vida. Nenhum dos dois trocaram qualquer palavra um com o outro, como pessoas normais com intimidade fariam ao caminharem juntas. Camus seguia simplesmente indiferente, já Soleil parecia apreciar muito o silêncio, o que a fez recordar que ele era uma pessoa naturalmente calada e apreciadora fervorosa da quietação.

Um suspiro de alívio quase escapou de seus lábios quando pararam frente a uma enorme construção grega, que pegava facilmente um quarteirão inteiro, possuía colunas em sua faixada como os Partenon, mas o resto da estrutura era mais simplista, finalizada em concreto e gesso branco ao invés de mármore, com relevos que contavam de forma clássica alguns mitos antigos.

Como vinham pela lateral, conseguiu reconhecer dois afrescos; Um que narrava o nascimento de Athena pela cabeça de Zeus, já trajando sua armadura pronta para a guerra, e o segundo contava sobre a competição entre Poseidon e Athena sobre quem seria o protetor da cidade que depois ficaria conhecida como Atenas. Reconheceu a figura de Cécrops, rei que julgou a competição, e a enorme oliveira criada pela deusa que garantiu sua vitória.

- Que lindo! - Exclamou encantada pelas afrescos, mesmo não sendo feitos em mármore.

- Sim, é meu lugar favorito daqui - Respondeu Soleil com um sorriso.

- E parece que ele fez de novo. - Comentou Camus chamando a atenção dos outros dois e indicando a enorme porta de carvalho que encontrava-se entre aberta.

- Eu não acredito nisso - Acrescentou o mensageiro inconformado, adiantando-se a frente, abrindo a passagem.

Um enorme suspiro de admiração escapou dos lábios da loira quando ela visualizou o local pela grande entrada. Havia um enorme corredor cheio de mesas retangulares na horizontal, do lado esquerdo e direito erguiam-se orgulhosas estantes altas dispostas paralelamente, com milhares, talvez milhões de livros.

Logo na entrada também estavam duas escadarias laterais que levavam a um mezanino que possuíam ainda mais estantes, que se perdiam de vista até o fim da construção, e ainda no segundo andar haviam mais escadas que levavam a um terceiro mezanino. Toda essa enorme estrutura a fazia sentir extremamente pequena.

- Eu sei, sempre tenho essa sensação quando contemplo esse lugar - June impressionou-se ao notar que Camus lhe dirigiu a palavra, uma mínima inclinação em seus lábios, embora ainda muito pequena para indicar um sorriso.

Soleil, por outro lado, foi diretamente à sétima mesa do corredor, aonde ao adentrar no local junto ao francês, pôde notar que havia alguém dormindo, com o rosto oculto entre seus braços, seu ronco ecoando pelo imenso lugar.

- Shoryu. - Impôs em tom gélido o mensageiro, parando ao lado do invasor. - Quantas vezes temos que te dizer que você não pode simplesmente invadir a biblioteca!

O homem de cabelos negros, longos e lisos até seus quadris, que ainda possuía um rabo de cavalo no topo de sua cabeça acordou, lentamente se esticando sem pressa, revelando seu rosto com traços asiáticos e roupas de treinamento.

- Ni hao - Disse sonolento, bocejando.

- Não me venha com "Olá", o que você está fazendo aqui?! - Questionou em tom severo.

-...Haaã dormindo - Lançou um olhar confuso ao outro - Não era óbvio...? Já que você me acordou...

Uma veia saltou na testa do jovem, mas antes que pudesse voltar a replicar, June começou a abraçar os próprios braços, sentindo como o clima havia se tornado cada vez mais frio de repente. Enquanto isso, Camus caminhou tranquilamente até a mesa, havia uma nobreza até mesmo na forma que ele andava, que transmitia altivez e ao mesmo tempo, uma presença ameaçadora.

O homem chamado Shoryu soltou um espirro quando o francês parou do seu outro lado, cruzando os braços.

- Forçou a porta novamente? - Questionou em seu tom frio e severo.

- Eu conserto depois. - Respondeu arrastado e completamente tranquilo apesar da situação - Mas seria mais fácil se vocês deixassem aberta da próxima vez.

O clima gelou ainda mais, e a executiva não pôde deixar de se perguntar se esse rapaz possuía qualquer senso de perigo, não era realmente necessário conhecer o aquariano para entender que ele estava a ponto de atacar o jovem por sua audácia.

- Eu posso me certificar que não haja uma próxima vez, te colocando num esquife de gelo - Decretou Camus, sua cosmo energia dando mais força às suas palavras.

O oriental piscou, como se estivesse processando as informações lentamente por causa do sono.

- ...Mas isso iria doer muito senhor Camus.

-Malédiction! Vous êtes un idiot?* - Reclamou Soleil exasperado.

O francês, por sua vez, seguiu encarando-o inabalável, contudo, sua cosmo energia, e consequentemente o frio, começaram a diminuir, como se o enfrentamento simplesmente não vale-se a pena.

- De qualquer forma, seu irmão já veio te buscar.

Virou-se em direção a porta, Shoryu inclinou a cabeça sem entender, virando-se para a entrada também. June, que ainda estava no local, repetiu o gesto, começando a sentir uma cosmo energia intensa aproximando-se.

- Ah sim, é ele - Finalmente concluiu o adormecido sorrindo depois de alguns segundos de meditação.- ...Não é? Se parece, eu acho.

- Você não reconhece o cosmo de seu próprio irmão?! - Exasperou-se Soleil.

- Se alguém começa com certezas acabará com dúvidas, mas se por acaso se conformar em começar com dúvidas, conseguirá acabar com certezas, mesmo faltando palavras* - Recitou simplesmente.

- Pelo menos você leu alguma coisa.

- Filósofos gregos são bons pra pegar no sono. - Explicou simplesmente.

- Como se você precisasse de ajuda - Resmungou o mensageiro.- E isso não é grego, é uma frase de Francis Bacon!

- Tem certeza?

- Com licença, senhor Camus, Soleil.- A presença que se aproximava subiu as escadarias que levavam a biblioteca, já entrando no campo de visão da ex amazona.

Era um homem alto, de olhar fundo e traços asiáticos, seus cabelos eram longos e negros presos num rabo de cavalo baixo, trajava o uniforme de treinamento branco e marrom do santuário, com a proteção lateral sobre o coração e sandálias de gladiador.

- Boa tarde Izo - Cumprimentou Camus que havia caminhando até a porta, deixando seu filho e Shoryu conversando, ou quase.

- Me perdoe, parece que meu irmão veio atrapalhar seus negócios novamente - Sua voz era grave e severa, até mais do que a do francês.

- Infelizmente, está se tornando uma rotina.

- Conversarei com ele sobre isso - Colocou categórico emanando suavemente seu cosmo, como para indicar que a conversa não usaria, necessariamente, de palavras.

Então seu olhar se voltou para June.

- A senhorita deve ser June, a convidada de deusa Athena, estou certo? - Questionou educado.

-Ah, sim, sou eu. - Esticou a mão para cumprimentá-lo, mas da mesma forma que Albafica, o guerreiro não fez qualquer sinal de retribuir o gesto.

- Lamento a descortesia senhorita, mas não se deve segurar uma espada por sua lâmina. – Explicou fazendo uma suave reverência – Ainda assim é um prazer conhecê-la, eu me chamo Izo.

-...Hã...O prazer é meu Izo.– Concordou sem entender, talvez ela tivesse vivido muito tempo com civis normais, por isso estranhava tanto os modos dos guerreiros de Athena.

- Ni hao irmão – Aproximou-se Shoryu ainda bocejando, com um Soleil irritado atrás.- Tudo bem?

- Como você consegue ser tão irresponsável Shoryu?! – O recém chegado questionou em tom acusatório – Deveria estar num campo de treinamento com os demais, ou pelo menos estudando algo, ao invés disso, invade a biblioteca para dormir!

- É que este é o lugar mais silencioso daqui – Deu de ombros – Não dá pra dormir no coliseu, Aioria quase me acertou com seu Relâmpago de Plasma na última vez que tentei, e no terceiro campo de treinamento Marin tentou me dar uma voadora, sem mencionar o Grande Chifre de Aldebaran quando tentei cochilar durante o treino dele essa manhã, eu pensei que não desviaria desse.

- Isso não foi o suficiente para você aprender nada?! – Exasperou-se Izo.

- É claro que sim! – Exclamou com sua voz lenta – É exatamente por isso que eu vim dormir aqui. Senhor Camus costuma ser mais paciente.

- Lavarei isso em conta da próxima vez – Declarou o aquariano em claro tom de ameaça.

- Isso se eu não cortar a cabeça dele antes – Resmungou Izo, porém, respirou fundo para recobrar a calma – Mas resolvemos isso mais tarde, eu vim te buscar porque o Grande Mestre pediu a presença dos doze cavaleiros de ouro em seu salão.

- Aconteceu alguma coisa? – Questionou o francês sério.

- Não tenho certeza, como ele pediu apenas os doze atuais cavaleiros, eu acredito que não seja nada grave, caso contrário, também convocaria nossos mestres. Imagino que seja algo sobre a cerimônia de sucessão de peixes. – Seu olhar se voltou a Shoryu – Eu tentei te avisar por telepatia, mas você estava dormindo.

- Acho que ouvi você tentando falar comigo, mas o sonho estava muito bom, então decidi ignorar. – Deu de ombros.

- Por que isso não me surpreende?!- Questionou entre dentes . – Eu não sei como você foi capaz de se tornar um dourado, irmão!

- Ah, isso é simples, eu sou muito rápido e domino o sétimo sentido. – Explicou com simpleza – Acho que eram esses os requisitos, não eram?

- Não, você tem que se portar como um cavaleiro também, isso envolve ser responsável, e principalmente, não invadir propriedades privadas para dormir!

-...Tem certeza? Eu não me lembro dessa parte – Questionou coçando a nuca. O cosmo de Izo começou a elevar-se ameaçador, enquanto seu dono entrecerrava os olhos ameaçadoramente.

- Nem pensem em brigar aqui! - Adiantou-se Soleil colocando-se no meio dos irmãos – Vão resolver suas diferenças em outro lugar.

- Claro, sinto muito Soleil, senhor Camus – Desculpou-se abaixando seu cosmo e voltando-se ao aquariano, cuja energia também havia se elevado em alerta, após isso ela cessou. - Não foi minha intenção desrespeitá-los.

- Se o Grande Mestre os está esperando, vocês devem se apressar, seus assuntos pessoais podem ser resolvidos depois -Declarou Camus com sua severidade característica.

- Sim, senhor! – Contestou como bom soldado – Vamos andando, Shoryu.

O nomeado apenas bocejou como resposta, caminhando a passo tranquilo para seguir seu irmão.

Quando estavam prestes a sair, Izo voltou-se uma vez mais a Camus.

-Senhor Camus, você saberia onde está o Senhor Milo? Tentamos avisá-lo, mas ele simplesmente desapareceu de novo.

O aquariano suspirou cansado, e June notou como um deixe de preocupação passou pelo rosto de Soleil.

- Creio que tenho uma ideia de onde ele possa estar. – Voltou-se ao seu filho de criação – Soleil, pode ficar aqui até eu voltar? Eu vou procurá-lo.

O jovem simplesmente confirmou com a cabeça, Izo fez um gesto semelhante para despedir-se dos dois, já Shoryu piscou surpreso para a ex amazona, como se só tivesse a visto agora.

- Ni hao Moça! – Deu um aceno com a mão direita. – Eu sou Shoryu, como você se chama?

- Não me diga que você só viu ela agora?! – Exasperou-se seu irmão o tomando pelo braço – Você é um caso perdido!

E saiu arrastando o outro sem dar oportunidade para a executiva de se apresentar.

Soleil e June observaram como os três se afastavam, os dois para o santuário e Camus para uma direção diferente da cidade, até que o mais novo confessou em tom frustrado.

-... A cada dia eu tenho mais certeza de que a maioria das pessoas do santuário são malucas.

A mais velha não pode deixar de sorrir.

- Acho que tenho que concordar com você.

-.-.-.-

- E então? Achou alguma coisa?

- Sim, depois que nos separamos, eu resolvi investigar os locais com fama de mal assombrados na parte oeste da cidade. Porém quando cheguei à primeira casa, não encontrei nenhum sinal daquela fumaça negra. Quando perguntei a alguns moradores próximos e eles me disseram que um budista indiano, alto de cabelos loiros, junto de uma criança ruiva vieram há algumas semanas e exorcizaram o local, os vizinhos disseram que até mesmo ouviram gritos e tudo mais durante o ritual.

- Isso é muito estranho...

- Eu sei! Aonde já se viu um indiano loiro?! Quem dirá um ruivo.

-...Não é isso que quero dizer Victor - Suspirou Peter massageando as têmporas, enquanto se encostava num poste na rua, melhor encaixando o celular em sua orelha. –O que eu quis dizer é que no budismo não existe essa ideia de "exorcismo", que envolva expulsar, ferir ou prender espíritos, isso é algo principalmente católico. No budismo é algo mais como meditação, cerimônias de purificação para o corpo, a mente e a alma, essas coisas envolvendo mantras.

- Bem, eu desconfiei mesmo que pudesse ser mentira quando mencionaram que o indiano era loiro...De qualquer forma, não é por isso que eu te liguei. A questão é, quando eu estava indo embora, me deparei com uma garotinha, acho que nem chegava a ser adolescente, mas eu não sei explicar... Havia algo muito estranho nela...Eu sei que é loucura, mas ela não parecia humana.

- Depois do que vimos naquele dia, eu não duvido de mais nada – Disse o mais velho olhando para o céu, vendo como pequenos flocos de neve caiam ao chão e amontoavam-se na calçada. – Ela te disse alguma coisa?

- Sim, disse que se chamava Hécate, havia uma bruxa com esse nome, ou algo assim, não?

- A deusa da bruxaria na mitologia grega, para sermos mais específicos, entre outras coisas. – Explicou Peter.

- Quem diria que aquelas aulas sobre a história grega ainda seriam úteis, não é?

- É a idade clássica, Victor – Colocou com impaciência – É claro que são conhecimentos úteis, aliás, que todos deveriam saber.

- Se você diz... De qualquer forma, acredite se quiser, ela me disse a mesma coisa que aquele excêntrico de cartola que nos ajudou a salvar nossa irmãzinha falou naquele dia. "Vão para o Castelo de Heinstein, na Alemanha, lá vocês – Deu ênfase na última palavra - Encontraram o que procuram."

- ... – O mais velho ficou em silêncio alguns instantes, seu coração pulando uma batida com essa informação. – Ela disse "vocês", mesmo que você estivesse sozinho...?

- Sim... E o que mais me surpreendeu é que ela disse exatamente sobre o mesmo lugar. Esse tal Castelo de Heinstein, aonde se realizará a festa da família Solo, que passava no noticiário enquanto estávamos naquele café.

- ... – Novamente silêncio, enquanto Peter começava a caminhar com dificuldades pela rua coberta de neve, sem olhar para onde ia - ...Esses dois devem ter alguma ligação, não é possível.

- Mas como ela saberia que eu estaria lá? Alguém está nos seguindo?! Era apenas uma criança...Irmão, isso tudo está extremamente suspeito e cada vez mais assustador.

- Mesmo que fosse apenas uma criança, você mesmo disse que ela não parecia humana.

- Sim...Aquele cara da cartola também não parecia...Peter...Estamos nos metendo em algo muito grande, você não vê? Eles podem ser membros de uma seita satânica ou algo assim, procurando sacrifícios humanos para seus rituais grotescos em nome de um deus estranho!

-... Você tem visto muita televisão Victor, isso sim. – Outro silêncio, um pouco mais curto dessa vez - ...Irmão, você está com medo?

-... – Foi a vez do mais novo demorar a responder, até soltar um longo suspiro - Eu não sei, sinceramente, cada vez mais eu me sinto dentro de um enorme filme de terror... Algo me diz, talvez um sexto sentido, que se formos para lá, algo grande irá acontecer, e seja o que for, não terá volta. – Outra pausa, como se estivesse escolhendo suas seguintes palavras - ...Não acha melhor desistirmos e voltarmos para casa?

- Completamente o contrário! – Alegou o mais velho com firmeza, um sorriso torto se formando em sua face – Eu sinto como se estivesse esperando por isso durante toda a minha vida!

Um longo suspiro triste se escutou do outro lado da linha.

- Eu receava que você dissesse isso...

- Eu já disse que você pode voltar se quiser.

- E eu já te respondi que isso está fora de cogitação meu irmão! Eu irei até o inferno com você se for preciso!

Uma expressão de preocupação passou pelo rosto de Peter, não lhe agradava a ideia de levar seu irmão nessa louca caça, mas ao mesmo tempo, sabia que ele sempre foi leal demais para deixá-lo fazer algo assim sozinho.

Ele sempre foi assim, desde criança, como se fosse o mais leal servo cuidando de seu senhor.

- Então, se queremos nos infiltrar nessa festa, é melhor nos encontrarmos no aeroporto, sequer sabemos se saem voos para a Alemanha daqui, e o evento será na semana que ve-AH- Porém foi interrompido quando sentiu bater em algo ou alguma coisa.

Com o impacto, porque andava com certa força para se locomover na neve, caiu para trás no chão branco, sua cabeça batendo em um arbusto. A pessoa que esbarrou em si, caiu para o outro lado, e dois celulares voaram para direções opostas.

- Scath? Scath minha filha, está tudo bem?

- Peter? O que houve?! Peter! Responda!

Sacudiu a cabeça, recuperando-se do tombo, ao tentar levantar-se sua toca ficou presa nos ramos do arbusto, revelando assim seus cabelos loiros e espetados, além de sobrancelhas grossas que se uniam em uma no meio. Ao se sentar, notou que havia trombado com uma mulher.

Mas não era uma mulher qualquer. O tempo pareceu parar por alguns instantes, sua respiração morreu em sua garganta e seu coração pulou algumas batidas. A jovem caída sobre suas próprias pernas, retirava a neve de seus longos cabelos negros que chegavam lisos à sua cintura, sua pele era incrivelmente pálida, competindo com os próprios flocos brancos, seus olhos negros pareciam ocultar o próprio universo, e seus lábios eram de um tom vermelho tão intenso que pensou ser impossível existir. Cada cor que compunha aquela mulher era perfeita, única, impecável.

Quem era ela? Por que parecia estranhamente...

Familiar.

Tão concentrado estava em seu rosto que sequer notou quais roupas ela usava, ou como era seu corpo, embora suspeitasse que fossem igualmente belos. Quando seus olhos se cruzaram, porém, ela só mostrou raiva em seu olhar.

- Você é retardado ou o quê?! – Questionou em tom demandante – Não é capaz de olhar por onde anda?!

Ela ainda por cima foi capaz de erguer seu pé e dar um chute de salto alto no ombro de Peter, descontado assim sua raiva. Antes que o loiro pudesse reagir também, ela soltou um palavrão baixo, levantou-se, pegou o celular e saiu correndo pela rua, dando sinal para um ônibus e entrando nele logo em seguida.

O mais velho piscou, como se a ausência dela o fizesse voltar a realidade. Franziu a sobrancelha e olhou para a traseira do ônibus de mal humor.

- Que mulher estúpida! – Exclamou irritado, levantando-se, tirando a neve de suas roupas, a touca do arbusto, a recolocando na cabeça, e por último pegando seu telefone na rua. – Olá, Victor, sou eu, não entre em pânico, eu apenas-

- QUEM É VOCÊ E O QUE FEZ COM A MINHA FILHA?!

O loiro tirou o telefone da orelha e olhou para a tela rachada do aparelho. Lá viu uma ligação em andamento, cujo contato possuía o nome "Mãe".

- I don't believe that! I'm dead from the neck up!*

-.-.-

- Eu não acredito que você me convenceu a vir. E agora olha o que aconteceu!

- Mas ainda tem chances da festa acontecer, não é? Você não pode fazer nada?!

- Mileta - Suspirou seu esposo cansado, sentando-se num assento de fileira na área de embarque do aeroporto, girando a cadeira de rodas dela para ficarem frente a frente. - Você me acordou hoje, nas primeiras horas da manhã, com nossas malas já arrumadas e querendo saber quando podia chamar o táxi para irmos ao aeroporto. Quando eu tentei colocar juízo na sua cabeça, você me entregou uma lista com cem motivos para virmos a Alemanha, que eu sinceramente não faço a menor ideia de quando você teve tempo de escrever. Antes mesmo que eu terminasse de ler, você chamou o táxi nas minhas costas! Eu mal tive tempo de comer o café da manhã e ele já estava buzinando lá embaixo. Conseguimos pegar o primeiro voo, apesar de tudo. E se não bastasse, nas duas horas de viagem você não parou de falar o quanto quer conhecer o lugar onde seus pais nasceram. Agora que estamos aqui, não é minha culpa que estejam atacando a mansão Solo.

- Mas...! - Tentou argumentar a jovem, seus olhos começando a marejar, apertando as calças com as mãos, na altura do joelho. -...E se você tentar ligar mais uma vez?! Já chegamos tão longe!

- Eu já tentei ligar umas trinta vezes, mas só está dando ocupado - Suspirou cansado, tirando os fios de cabelo de sua esposa que caiam sobre seu rosto e colocando atrás de suas orelhas - Ei, não precisa chorar! Não disse que vamos voltar imediatamente, eu ainda estou tentando falar com meu chefe para saber como ficará essa situação, mas Sorento deve ou estar recebendo muitas ligações da mídia...Ou...

- Acha que ele está na mansão? - Ela ergueu o rosto preocupada, só havia visto o homem que representava Astrapí Solo uma única vez, mas ele parecia ser uma boa pessoa. - Mas o que está acontecendo lá afinal? São mesmo apenas manifestantes?

- Eu não sei, essa situação é muito estranha, parece que alguma coisa está impedindo a polícia de invadir. Não acho que são invasores comuns...

- Com licença. Vocês são Lucius e Mileta Herrestjerner? - Ambos se viraram para ver uma figura no mínimo peculiar. Possuía cabelos loiros encaracolados até a altura de seus ombros, brilhantes olhos azuis e uma pele impecável. Usava roupas formais como os outros dois, mas ao invés de um terno simples e preto como Lucius, ou um vestido marrom tubo de Mileta, o ser usava um blazer cinza, uma camisa branca por baixo e uma saia negra de pregas que iam até seus joelhos, sapatos pessoais fechavam o conjunto. - Lamento a demora, eu sou Chris Champrouge.- Estendeu a mão em cumprimento, o qual Lucius aceitou, a igual que sua mulher.

-Sim...Somos nós - Hesitou o norueguês, confuso sobre o gênero do outro - Você tem alguma relação com os Solo?

- Sim, eu serei o guia de vocês até o castelo de Heisteim. E este. -Indicou um homem atrás de si, também loiro, cujo cabelo estava preso num coque de samurai. Usava um terno branco e calças da mesma cor, porém o que chamava mais a atenção eram seus intensos olhos dourados - Fausto Von Spiess, um jovem médico que está representando o hospital Asklepios Klinik Barmbek*, de Hamburgo, uma rede de hospitais privadas que é parceira da família Solo.

Fausto deu um passo a frente, estendendo sua mão.

- Es freut mich, Sie kennen zu lernen*

Licius retribuiu o movimento, sem entender uma única palavra que o outro dizia, contudo, ambos demoraram mais do que o normal para soltarem as mãos, sentindo ambos igualmente uma sensação de similaridade os recorrer, uma espécie de déjà-vu

Como se já se conhecessem de algum lugar.

- Er spricht kein Deutsch.* - A espécie de transe foi quebrada quando Mileta interveio na conversa, e o médico o soltou para vê-la - Do you speak English?*

Ele foi até ela e a cumprimentou também, porém sem a estranha sensação de antes.

- Almost anything* – Respondeu com um sotaque carregado.

- Não se preocupem, o idioma não será um problema – Mencionou Chris adiantando-se e oferecendo o que parecia ser um colar para os noruegueses – Por favor, usem isso enquanto estiverem conosco. – Ele se voltou a Fausto e aparentemente explicou o mesmo em alemão para ele.

Lucius observou o objeto estranhado, a corrente parecia ser de ouro, segurava um pingente de aproximadamente cinco centímetros. Era uma espécie de bastão de ponta superior circular e inferior afiada, envolvendo-se ao redor dela haviam duas serpentes, cujas caudas se encontravam no final, enquanto suas cabeças pareciam beijar o bastão quase em seu topo. Acima delas, de cada lado, saiam um par de asas.

-...Esse é aquele símbolo da medicina? – Perguntou Mileta curiosa e novamente animada com o giro da situação.

Porém a resposta não veio de seu marido.

- É verdade que se parece com o bordão de Esculápio, ou bastão de Asclépio, mas esse na verdade é o Caduceu, o emblema de Hermes, o deus mensageiro.

O norueguês, por sua vez, levantou seu rosto em choque. Havia entendido cada palavra que o médico tinha dito, mesmo que tivesse certeza que ele as havia pronunciado em alemão.

Seu olhar se voltou ao estranho homem, que no entanto, usava saia, que sorria amplamente para todos.

- Como eu disse – Ele reforçou, notando o choque de Lucius. – Idioma não será um problema.

-.-.-

Daidalos estava de pé preocupado em frente ao espelho negro, através dele podia ver que Poseidon estava mostrando sua verdadeira identidade, ao mesmo tempo em que Ikki discutia com a espectro Violate de Behemoth.

Por outro lado, Kairos estava enfrentando um Marina, que deveria ser um aliado. Tentou entrar em contato com ele para intervir no confronto, mas o mesmo apenas respondeu mentalmente que "Uma peça não deve ser interrompida até que se fechem as cortinas".

Esse homem definitivamente não era confiável.

Passou então a ver Shun, que estava aparentemente bem, cooperando com outro Marina.

- Shun, parece que Kairos teve algumas desavenças com outro dos Marina – Informou o Juiz ao espelho.

"Eu senti seu cosmo se elevando, a igual que o de Kasa, tinha mesmo o receio de que fosse por essa razão. Imagino que ele não te escutou tampouco, sua energia soa irritada." – Respondeu mentalmente ainda andando pelo corredor da mansão com Io "Estarei ocupado por hora, mas caso eles não se entendam e o confronto se estenda demais, eu terei que intervir e matar Kasa. Odiaria ter que fazê-lo, e Neroda não ficaria nem um pouco contente com isso, mas caso Kairos fique inconsciente devido a um confronto, a maioria das pessoas que encontramos feridas por aqui vão morrer, assim que seu tempo voltar a correr, mortes prematuras que não estavam previstas. Eu terei que escolher pelo bem maior. "

- Eu avisarei sobre qualquer desfecho da luta – Respondeu lealmente sem questionar os pensamentos de seu senhor.

"Certo, muito obrigado."

Respirou fundo, ainda tenso ao estar no salão do trono do submundo sem poder fazer nada para ajudar mais concretamente.

A imagem do espelho então mudou, para Verônica no aeroporto, guiando três pessoas.

- Verônica já está com Minos e Byaku – Analisou vendo o norueguês e o alemão. – Quanto a esta jovem – Seu olhar se voltou a Mileta que parecia realmente emocionada – Não temos muito tempo até o nascimento prematuro da criança, que Byaku tenha se tornado médico virá muito a calhar.

Não entrou em contato com o espectro, parecia estar levando bem a situação.

Outra cena foi refletida sobre a superfície negra.

Um homem de cabelos loiros, quase brancos, gritando nesse objeto que chamavam de celular, com alguém. E então um homem de touca também ao celular aparentemente tentando explicar algo a outra pessoa.

- Eu não consigo compreender como as pessoas conseguem se comunicar com estas coisas – Comentou frente a um espelho sombrio que também servia de comunicador. – De qualquer forma, Valentine e Radamanthys parecem finalmente ter aceitado ir para o castelo.

Um suspiro de alívio escapou de seus lábios.

- Isso nos deixa com apenas um juiz em aberto.

Seguindo seu desejo, a seguinte imagem revelou o santuário, mais precisamente as doze casas, onde Aiacos, como Suikyo, estava descendo a escadaria junto com Aldebaran, o anterior cavaleiro de touro.

- Mas não teremos como trazer Aiacos, por hora - Meditou - Ele será mais útil no santuário, por enquanto.

E a superfície mudou uma última vez, revelando uma imensa biblioteca, onde um jovem de cabelos brancos e olhos arroxeados mostrava o local para um bela mulher loira.

- June... Manterei minhas suspeitas comigo até que Shun esteja de volta – Falou mesmo ela sendo incapaz de escutar, então seu olhar voltou-se ao homem que a acompanhava – Até lá, deixamos ela aos seus cuidados, Lune de Balron.

Seu raciocínio foi cortado quando as grandes portas de carvalho, abaixo da escadaria que levava a trono, se abriram, revelando a figura de Orphée.

- Daidalos – Anunciou assim que entrou, inclinando a cabeça em respeito – Temos visitantes.

- Sim, deixe-os entrar – Respondeu simplesmente.

O músico deu um passo para o lado, abrindo espaço para dois homens trajando armaduras douradas.

- Eu estava esperando por vocês... – Anunciou em tom grave Daidalos – Cavaleiros de ouro.

-.-.-

Assim que terminou de falar com Daidalos, concentrou-se para sentir o cosmo de Kairos. O mesmo seguia se elevando e parecia verdadeiramente irritado, tentar convencê-lo de parar sua luta seria uma batalha inútil.

No instante seguinte, porém, Io parou frente à uma belíssima porta, choque em sua expressão enquanto olhava para o chão, Shun seguiu seu olhar e entendeu seu horror, uma poça de sangue escorria lentamente por baixo da madeira.

- Não se preocupe – Tranquilizou-o – Bian não está morto, eu saberia.

O chileno lançou um olhar assustado e confuso para si, mas depois compreendeu, passando à uma expressão sombria.

- Claro...Porém, também estou preocupada com o senhor Astrapí.

- Quando a isso não precisa se preocupar, agora vamos – Adiantou-se e abriu a porta.

- Eu estava mesmo me perguntando quando alguém mais apareceria...

O quarto estava escuro, todas as luzes estavam apagadas e as cortinas corridas, os poucos raios de sol que conseguiam entrar iluminavam fracamente o local. Era um cômodo amplo, com uma cama de dorsal em seu centro, algumas estantes de livros do lado direito e uma mesa de escritório do lado esquerdo. Sentado sobre a cadeira de rodinhas, pisando sobre equipamentos médicos no chão, estava um homem.

Ele era alto, cabelos azuis compridos até os ombros, pele branca como papel e intensos olhos vermelhos. Com suas mãos segurava o pescoço de um jovem aparentemente inconsciente, também de cabelos azuis compridos chegando a seus quadris, embora sua pele fosse mais bronzeada, além disso suas vestes brancas estavam sujas de sangue.

- Seu maldito! Quem é você?! O que você fez com o senhor Astrapí?!

O marina tentou dar um passo à frente ameaçador, apenas para pisar em alguma coisa, com horror abaixou a vista para se encontrar com Bian, seus cabelos castanhos longos espalhados por suas costas, manchados de sangue em vários lugares, sua armadura completamente despedaçada, seu rosto de lado no chão, cheio de cortes e hematomas que ocultavam a bela face que aquele homem possuía.

- Bian! – Exclamou assustado, ajoelhando-se ao lado de seu companheiro, olhando dele, para seu senhor que era agarrado pelo pescoço, sem saber o que fazer.

Shun, por outro lado, seguia impassível, ainda parado na porta.

- Como eu imaginei, depois de ver os Telquines – Disse Shun entrando a passo lento no local – Você é um dos Halianos*, filhos de Hália, irmã dos Telquines, e Poseidon. Ou seja, um semideus.

- Estou impressionado que saibas minha identidade! – Colocou com arrogância – Mas eu lamento dizer que não tenho certeza de quem és tu.

- Shun – Disse num movimento de ombros, como se retasse importância. Parando a alguns passos do semideus – Apenas Shun.

- Muito bem "apenas Shun" – Levantou-se, ainda segurando Astrapí pelo pescoço. – Parece que tu mataste meus queridos tios. O mesmo se refere a ti estúpido servo de meu pai. – Voltou-se a Io – Tu deverias ser leal a mim, eu e meus cinco irmãos somos os primeiros filhos de teu senhor.

- Cale a sua maldita boca! – Exclamou o guerreiro levantando-se – Eu sou leal apenas ao meu senhor Poseidon! Se vocês são mesmo filhos dele, e ainda tiveram a audácia de invadir esta mansão e atacar seu próprio pai, então vocês não passam de uns malditos bastardos!

- CUIDADO COM TUAS PALAVRAS AO DIRIGIR-SE A MIM HUMANO! – Exigiu, apertando com mais força o pescoço de Astrapí, que grunhiu de dor abrindo ligeiramente os olhos.

- Io... – Gemeu o grego.

- SENHOR SOLO! – Berrou, raiva expressa em seus olhos – LARGUE ELE AGORA SEU MALDITO!

- Eu jamais faria isso! Se entregar o cadáver de meu pai para Chronos, sem dúvida, ele me dará a vida eterna. – Apertou a garganta com ainda mais força – Esse desgraçado enterrou eu e meus irmãos embaixo da terra, fez-nos sofrer lentamente até que nossas almas foram para o Tártaro! Sequer tivemos um julgamento justo e Hades nos condenou à eternidade naquele inferno! – Ergueu a mão livre, e garras surgiram a partir de seus dedos – Acredite em mim – Arranhou o rosto do Solo, fazendo seu sangue escorrer pela maçã de sua face – Será absolutamente prazeroso esquartejar este corpo.

- Seu desgraçado! – Exclamou Io, apertando os punhos com força, receio em agir e acabar acertando o seu senhor.

- Então...Foi isso que Chronos te ofereceu? Vida eterna? – Shun de repente intrometeu-se, sorrindo apesar da situação, como se achasse alguma coisa em toda essa situação, divertida. – Que clichê, devo dizer.

"...Eu diria que é simplesmente clássico... " – contrapôs Hades "...E sempre funciona com gananciosos e idiotas..."

- Isso me deixa na dúvida – O senhor dos mortos se voltou ao Haliano – Aceitar tal acordo de Chronos, significa que você é um dos gananciosos ou um dos idiotas?

- Não me provoque maldito! Um movimento e eu quebro o pescoço desse homem. – Ameaçou, apertando seu agarre, fazendo Astrapí sufocar.

- O que você está fazendo Shun?! Não disse que era nosso aliado?!- Virou-se inconformado o Marina para o antigo cavaleiro – Desde quando te importa tão pouco uma vida?!

- Irônico que me diga isso Scylla – Shun fechou os olhos – Foi você mesmo que me falou que "A menos que aprenda a matar seus inimigos quando tiver a chance, irá morrer algum dia." Como você pediu, eu não me esqueci dessa lição. – Abriu seus olhos, uma expressão melancólica – Além disso, alguém que considero como um segundo mestre me disse, certa vez, que tudo nesse mundo um dia morre. A terra, o sol, a Via Láctea e até mesmo todo este universo não é exceção. Comparado a isto, a vida do homem é tão breve e fugidia quanto um piscar de olhos. Neste curto instante, os homens nascem, riem, choram, lutam, sofrem, festejam, lamentam, odeiam pessoas e amam outras. Tudo em nossa existência é transitório, para em seguida todos os mortais, um dia, caírem no sono eterno chamado morte. Por isso, de certa forma, é possível acreditar que a vida é basicamente uma ilusão, um longo sonho que temos quando estamos acordados. E eu tenho que dizer, de certa forma, que isso é verdade. Principalmente para o caso de Astrapí.

Levantou a mão direita e com um único estralo de dedos, um som similar ao vidro quebrando espalhou-se pelo quarto, automaticamente o brilho sumiu dos olhos de Astrapí, sua respiração parou, e sua reação morreu.

- O que tu fizeste?! – Questionou o semideus, enquanto Io observava horrorizado de Astrapí para Shun.

- Desfiz a ilusão. – Explicou com simplicidade – A ilusão que comecei no dia que Astrapí nasceu, um ser sem alma, devido ao infortúnio do submundo, mas incapaz de morrer graças à influência de Poseidon sobre sua família. Ele nasceu e cresceu, mas nunca foi realmente alguém real e vivo. Alguém capaz de raciocinar por si mesmo, por não desfrutar de uma consciência própria. Poseidon nunca esteve em seu corpo.

- Então essa porcaria aqui não passa de um corpo inútil?! – Exclamou o haliano irritado, jogando o Solo contra o chão.

Io, porém, o pegou antes que atingisse o piso frio, com cuidado o deitou e ajoelhou-se ao seu lado, analisando o corpo com calma e descrença.

- N-não pode ser...Uma ilusão?! Está...Está me dizendo que tudo que passamos ao lado dele...Isso não é possível! – Suas palavras começaram a se carregar de raiva e frustração – Como você quer que eu acredite que uma ilusão seja mantida por vinte anos?!

- Eu tive a ajuda de Morpheu – Revelou o imperador dos mortos, voltando a caminhar até o semideus, ficando frente a frente com ele. – Agora, imagino que Chronos ficará desapontado contigo se voltar de mãos vazias?

- ...E quem disse que voltarei de mãos vazias? – Num ágil movimento, o homem tomou sobre a mesa uma harpe, uma espécie de faca recurva, e a encaixou no pescoço de Shun, sem cortá-lo. – Eu não sei quem és tu, mas se foste capaz de manter uma ilusão por tanto tempo, não és alguém comum. Além disso, mencionaste que tiveste a ajuda de um dos oneiros.

- Mesmo que, de certo modo, seja verdade que Chronos pode te dar algo como a vida eterna parando o tempo de sua existência– Seguiu falando calmamente, ignorando a lâmina em seu pescoço – Isso não impede que eu tome de volta o que é meu por direito.

O ser sorriu com suficiência e arrogância.

- Ah sim? E o que seria isso? – Questionou aproximando o metal da garganta contrária, fazendo um pouco de sangue escorrer pela prata.

Shun sorriu, lateralmente.

- Sua alma, é claro. – Fechou os olhos ignorando completamente a ameaça do outro. – Além disso, uma correção, eu nunca disse que Astrapí era um corpo inútil.

- Estou cansado de ti, morra!- Envolveu seu cosmo na harpe e estava pronto para puxá-lo com força, quando um chute na parte contrária de seu joelho o fez perder o equilíbrio, enquanto a mão de Shun imobilizou o golpe da faca, segurando a mão do haliano.

- Justamente por serem arrogantes e insolentes, vocês seis impediram Aphrodite de aportar na ilha de Rodes – Para espanto do Marina, a voz vinha de Astrapí, cujos olhos recobraram o brilho, porém um brilho esmeralda, muito familiar. – Como castigo ela usou seu poder para fazer vocês violarem sua própria mãe, Hália, e massacrarem os nativos da ilha, no final isso culminou no suicídio dela, ironicamente, jogando-se no mar. Em cólera e luto, Poseidon castigou vocês. Tem certeza que é contra seu pai que deveriam buscar vingança?

- Shun? – Questionou o Marina, sem ser mais capaz de entender o que estava acontecendo, enquanto o corpo ao seu lado sentava-se, emanando a mesma presença do antigo cavaleiro – Maldito, como pode estar em dois corpos ao mesmo tempo?!

-Eu sou o senhor das almas, manipular a minha própria não é grande coisa.- Respondeu sem encará-lo.

Astrapí ergueu-se, enquanto Shun seguia segurando o punho armado.

- O corpo de Astrapí Solo tem a rara capacidade de ser capaz de suportar a alma de um deus, assim a divindade é capaz de usar todo o seu potencial, sem que o corpo morra. Estes são os chamados receptáculos divinos – Finalizou sua explicação, com uma expressão triste – Como eu era.

Shun, por sua vez, começou a torcer a mão que segurava a arma para o lado oposto, quebrando seus ossos, e quando o ser quase divino tentou defender-se com a outra, correntes a seguraram e a puxaram até levar os nervos ao limite. O de cabelos verdes aproximou seu rosto do Haliano, que teve a impressão de ver um brilho safira nos olhos, um desejo de antecipação, e a voz saiu num sussurro, num tom muito mais frio, grosso e ao mesmo tempo aveludado. Parte de si dizia que tudo aquilo era uma ilusão, a outra parte havia simplesmente paralisado.

Não podia ser possível.

-...A eternidade no Tártaro não é suficiente para almas tão sujas como a que tens. Tu e teus irmãos, receberão um tratamento especial quando voltarem para "casa"...

Uma expressão de completo horror tomou a face do semideus, enquanto tentava se soltar.

- H-h-hades?! – Tentou dizer num fio de voz, completamente em pânico, incapaz de saber se o que via era verdade ou não.

-.-.-.

Ione discutia com Ikki sobre o quão absurdo era aquela situação. Vindo do mar uma enorme tromba d'água subiu o penhasco, e começou a circular Neroda, como para protegê-lo, surpreendendo o Telquine sobrevivente. Com um único movimento do tridente, o animal foi preso por anéis que se formaram a partir da proteção.

- Afinal de contas o que está acontecendo aqui?! Quem são todos vocês?! – Exclamava entre irritada e impressionada a grega, ainda segurando a antiga Fênix pelo colarinho de seu terno.

- Eu já te disse, eu sou um servo do submundo, como você – Explicou impaciente – Esse que tomou a frente é a reencarnação de Poseidon, enquanto esse pirralho do nosso lado é servo dele.

- Como se eu fosse acreditar nessa baboseira de deuses! – Ela usava mais força, chegava a impressionar Ikki que a mulher fosse forte o suficiente até mesmo para erguê-lo alguns centímetros do chão, igualando suas alturas, uma vez que ela era pelo menos cinco centímetros mais alta, tudo isso apesar do cosmo opressor de Poseidon.

Era de fato uma mulher assustadora.

Havok, por sua vez, caminhou a passo indeciso até seu senhor.

- Neroda...? Então...Então...-Hesitou - Você é o corpo de nosso senhor Poseidon? Mas...O senhor Astrapí ...

- Astrapí, na verdade, é uma imagem criada a partir de um homem chamado Shun, de certa forma, ele seria o verdadeiro Astrapí Solo, sua personalidade, jeitos e reações na verdade copiavam os dele. – Resumia o adolescente, ainda de costas para seu marina – Fizemos isso para ganhar tempo, preservar Julian Solo e enganar Chronos. - O jovem apertou o punho que segurava o tridente com mais força. – Eu não estou possuindo Neroda, Havok. Eu decidi que já era hora de ter meu próprio corpo novamente, mesmo que fosse um humano, um capaz de suportar a alma de um deus.

O ser divino então virou-se para o mais novo, uma expressão triste no rosto, quase como se pedisse perdão silenciosamente com seus olhos.

- Eu sou e sempre fui Poseidon, mesmo que minhas memórias estejam voltando lentamente, eu já sabia há muito tempo...Mas eu queria experimentar, o que era ter uma infância, como viviam os humanos hoje em dia, como era ser um humano, e em meio a tudo isso, pela primeira vez eu tive pais de verdade, e pessoas que se mantinham comigo não apenas por medo, sempre cuidando de mim. – Um sorriso melancólico tomou seus lábios, fazendo-o parecer muito mais velho – Você foi o primeiro amigo que eu tive Havok em toda a minha longa vida, por isso não revelei antes minha verdadeira identidade, acabei me deixando levar por esses sentimentos humanos, não estava pronto para que tudo isso acabasse e voltasse a ser como era antes – Desviou o olhar, voltando a encarar o ser marinho que se debatia, ironicamente, preso com anéis feitos de água – É minha culpa que a mansão esteja nesse estado agora...Eu- Mas sua fala foi interrompida, quando uma lança, também feita de água, atravessou o peito do monstro, jorrando sangue que espirrou contra o rosto dos dois jovens, chamando a atenção dos adultos

- Ooooh que comovedor, e ao mesmo tempo, que sorte a minha! – Um homem alto, pele morena, cabelos azuis mar até seus ombros e sanguinários olhos vermelhos aproximou-se em passo decidido, pisando sobre o cadáver perfurado do Telquine, agora liberto de sua prisão – Então tu és o verdadeiro pai que estávamos caçando. – Lambeu os lábios com antecipação, quase com luxúria – Não sabe o quão feliz estou em te rever, papai – Colocou o último em tom absolutamente irônico e ameaçante.

-.-.-

Kasa deu um passo para trás, completamente em pânico.

A figura à sua frente não apenas havia sobrevivido a seu golpe Salamandra Satânica sem sofrer sequer um arranhão de sua rajada de energia, como também seu corpo repentinamente pendeu para a frente, do tronco para cima, como uma marionete em que algumas linhas tinham sido cortadas de repente.

Sorriu por um milésimo de segundo, imaginando que tal reação havia sido fruto de seu golpe, para no momento seguinte descobrir o quão enganado estava.

Por trás do espectro surgiu uma enorme sombra, que começou a crescer ainda mais, tomando facilmente todo o diâmetro do corredor.

Sua armadura negra era ainda maior que a do guerreiro do submundo, seu capacete era completamente fechado nas laterais, onde um único chifre subia de seu topo, enorme e pontiagudo. Da parte da frente, sobre seu rosto, caiam longos e lisos fios brancos que chegavam até seus ombros, tampando sua face, com exceção de uma parte de sua boca, onde era possível ver enormes e afiados dentes. Seus braços estavam juntos, quase como se cruzados, presos assim por várias faixas e selos em grego antigo.

- ...Agora tens medo, mortal?... – Uma voz absolutamente sombria e fria emanou a partir da criatura. Fazendo cada fibra do Marina estremecer - ...Esta é minha verdadeira forma! O deus do tempo selado nesse corpo mortal por seu próprio irmão – Levantou os braços indicando os papeis – Mas em essência eu ainda sou uma divindade! Tiveste a audácia de brincar com minhas memórias, as memórias do próprio tempo!...Acho que esta forma é a melhor maneira de te retribuir!

- M-m-me perdoe! – Caiu de joelhos, completamente em pânico, juntando as mãos em sinal de reza– E-eu n-não imaginava!

- Então Chronos tem um irmão – Ambos desviaram a vista para ver um homem alto, pele escura, cabelos azuis marinhos lisos até sua cintura e ardilosos olhos cor de sangue. Andava tranquilamente na direção de ambos, um olhar predador em seu rosto, ao mesmo tempo em que sua expressão mostrava desgosto para o que via, como se sentisse inveja de tamanho poder – Por qual razão o maldito deixou escapar uma informação dessas? Bem que eu avisei que aquele ser não era confiável.

-.-.-

Os últimos dois Telquines caíram no chão, com um grande estrondo,completamente congelados, frente às enormes portas de carvalho da grande mansão, próximas ao jardim.

- ...Obrigado Isaak... – Agradeceu simplesmente Sorento, de joelhos no chão, sobre uma poça de sangue – Aparentemente essas criaturas não são guiadas mais por seus cérebros, o que faz da minha Sinfonia Final da Morte, praticamente ineficaz.

Ao seu lado, um rapaz alto, de cabelos verdes até os ombros, olho direito do mesmo tom e esquerdo cortado por uma enorme cicatriz, respirava com dificuldade, mas ainda se mantinha de pé.

- Consegue levantar? – Questionou, no que Sorento apenas fez uma expressão de dor tentando realizar o ato, não conseguindo, para tanto, Isaak estendeu a mão para ajudá-lo – Se seus golpes não funcionam com essas coisas, eles então realmente não são humanos, não é?

- Não, não são...- Respondeu simplesmente, sendo sustentado pelo ombro do outro. Colocou a mão no seu pescoço e tirou um colar, escondido dentro de sua armadura. Era um pentagrama dentro de um círculo, onde de cada lado haviam ramos de romã em flor. Não havia nada escrito em seu centro – Graças a isso eu consigo ver a verdadeira forma deles. Eu diria...Que são Telquines, os seres que cuidaram de Poseidon quando ainda era jovem, e tios de seus primeiros sete filhos, todos semideuses, sendo seis homens e uma mulher.

- Como você conseguiu essa coisa? - Analisou o marina surpreso. – Além disso...Essa cosmo energia fraca que sentimos agora à pouco...Era nosso senhor Poseidon, não era? Como é possível que ele tenha despertado se o selo de Athena ainda continua lá?

- O selo foi desgastado pelo mesmo deus que me deu isso – Indicou o colar – Não está completamente desfeito, mas o suficientemente enfraquecido para nosso deus poder reencarnar, além de usar parte de seu poder.

- Então nossa impressão desde que ressuscitamos de que você estava nos escondendo alguma coisa era verdade – Bufou irritado Isaak, ajudando o companheiro a caminhar na direção de onde sentiam a cosmo energia – Espero que você tenha uma ótima razão para ter nos escondido o jogo por tanto tempo.

- ...Sim, eu tive – Comentou cansado o músico – E será um grande alívio finalmente tirar esse peso das costas.

- Então eu tirarei esse peso para ti, dilacerando seu cadáver em mil pedaços! – Gritou uma voz raivosa e cheia de ódio. Com muita dificuldade, Isaak de Kraken saltou para desviar do golpe, rajadas de água tão rápidas que pareciam lâminas.

No entanto, caíram de frente com outro inimigo, um homem de alta estatura, pele pálida, cabelos azuis escuros curtos e espetados, olhos desinteressados de um vermelho preguiçoso, este, porém, não fez nada para atacá-los, mantendo-se de braços cruzados.

Ao mesmo tempo, atrás de si pousou outro rapaz, cabelos igualmente marinhos, encaracolados até o meio de suas costas, pele negra, olhar sanguinário e repleto de raiva.

Ele sorriu, com uma felicidade psicótica e assustadora.

- Vós estais cercados, como pequenas ovelhas prontas para serem sacrificadas...

O outro apenas bocejou desinteressado.

- Que seja irmão, vamos logo com isso.

E ambos atacaram ao mesmo tempo.


* Modelo Softail Deluxe 2014- Essa moto não é algo à toa e jogado, mas a título de curiosidade, essa é uma moto muito procurada, devido ao seu conforto e "baixa velocidade" por pessoas que passaram dos 50 anos e buscam algo mais tranquilo e casual.

* Malédiction! Vous êtes un idiot - Maldição! Você é idiota?

*Frase de Francis Bacon, mas também é atribuído a Heródoto segundo alguns autores.

* I don't believe that! I'm dead from the neck up! - Eu não acredito nisso! Como sou estúpido! Essa segunda parte é uma expressão britânica para chamar a si mesmo ou outra pessoa de estúpida. A ironia da frase é que ele se distraiu justamente por ficar encantado com o rosto da mulher.

*Asklepios Klinik Barmbek - Um dos 10 melhores hospitais do mundo.

* Es freut mich, Sie kennen zu lernen - jeito muito formal de se apresentar a alguém em alemão, quase não utilizado hoje em dia, por sua formalidade excessiva. Significa algo como "Estou feliz/honrado em conhecê-lo."

* Er spricht kein Deutsch.- Ele não fala alemão.

*Do you speak English? - Você fala inglês?

*Almost anything - Quase nada.

*Halianos - Os filhos homens de Hália e Poseidon não possuem nomes, então para questão de referência, eles serão tratados de Halianos, embora o termo não existisse na Grécia antiga, era habitual alguns filhos serem chamados em conjunto pelo nome de um dos pais. Exemplo as próximas danaides que eram filhas de Dánao.

Finalmente foram reveladas as verdadeiras identidades de Soleil, Lucius, Peter e Victor! Que consequências isso pode trazer para o futuro? Quem é a mulher que Peter trocou celulares (literalmente)? E quais vocês acham que são os signos de Shoryu e Izo? Deixem suas opiniões! E até semana que vem =D