Naruto não me pertence, mas essa história e seus personagens originais, sim!
Boa Leitura!
Obscuridão
Capítulo 3: Buraco Negro
Sakura teve um descanso do trabalho no hospital três dias depois de Mai ter revelado ser a noiva de Shisui. Com o hospital fora do caminho, ela teria que finalmente lidar com sua vida particular. Não que estivesse animada com isso.
Como ter que explicar toda a situação para seus pais–e suas amigas, aparentemente.
As notícias se propagavam rápido. Ino foi a primeira a saber; tendo ouvido dois shinobis, que ela tinha a suspeita de serem da equipe ANBU de Shisui, falando sobre isso em um dos corredores da base de Interrogatório e Tortura. Felizmente, pelo que Ino informou quando estavam trabalhando juntas em um turno, eles não pareciam saber muito e não tinham certeza se era apenas um rumor ou não.
Depois disso, Sakura sabia que precisaria conversar com seus pais. Seria bem melhor se ouvissem dela primeiro. Kizashi, apesar de todas as piadas que fazia em relação a Sakura encontrar um namorado, adotou uma surpreendente atitude severa em relação a Shisui; nada tão drástico quanto Tsunade–nem chegava perto, na verdade, mas mesmo assim, ela nunca esperava isso de seu pai normalmente despreocupado e fácil de lidar. Não devia ser uma surpresa, entretanto; ele também não parecia favorecer Sasuke. Sim, desfavorecer era a palavra. Seu pai nunca diria que não gostava de alguém.
Mebuki, em um completo contraste do marido, adorou a ideia. Ela parecia tão encantada com Shisui quanto todas as outras mulheres, para o desespero de seu pai.
Apesar de tudo, eles conseguiam ser civilizados entre si. Shisui era perfeitamente educado e com boas maneiras quando queria, o que tirava todas as chances que seu pai tinha se pensasse em criticá-lo. Eles conversavam bastante entre si, no entanto, sobre política e história, e pelo menos nesses assuntos Kizashi conseguia tolerar Shisui.
Sakura ficou em um impasse em ambas as vezes em que pensou em abordar Shisui em uma conversa com seus pais. Ela pensou que seria pior comunicá-los que seu namoro, que mal havia começado, já estava no fim. No final de tudo, não precisava ter hesitado.
"Eles ainda continuam nisso?" Kizashi rosnou, fazendo uma careta em aversão ao pensamento de casamento arranjado. Não para Sakura; ele parecia bem irritado a favor dela. Ela não comentou que ele parecia bem chateado por Shisui também.
Mebuki apenas deu-lhe um abraço apertado, dizendo que ela poderia voltar para conversar se quisesse, e que claramente não acreditaria em nenhum rumor diferente do que Sakura havia revelado.
Depois de tudo explicado a seus pais, Sakura voltou para seu apartamento para encontrar Ino, Tenten e Hinata já esperando por ela. As três kunoichis concordaram que ela não deveria ficar em casa sozinha e que fariam companhia–totalmente esquecendo-se que já havia se passado quase uma semana desde sua conversa com Shizune e Tsunade e que Sakura esteve sozinha por todo esse tempo. Mas por mais que ainda quisesse ficar sozinha, uma pequena ajuda de suas amigas seria apreciada.
Elas procederam em explorar ao redor de seu apartamento, preparando alimentos nada saudáveis, arrumando camas improvisadas em seu quarto e juntando ferramentas de beleza para usar.
Momentos depois e Sakura já estava com suas unhas dos pés pintadas, cabelos rosados caindo ao redor dos ombros em ondas soltas–que ela não via o porquê desde que iria dormir em breve–e um prato de dangos pela metade em seu colo.
"Tenten!" Ino disse repentinamente, e muito animadamente, de sua posição em frente à penteadeira de Sakura, ao lado da única janela no quarto. "Quase esqueci de perguntar. Como está Kō?"
Sakura franziu o cenho em confusão, mas Hinata, que estava ao seu lado na cama, deu uma risada baixa, com uma mão tentando esconder o sorriso. Sakura olhou para Tenten em uma das camas improvisadas, no processo de selar uma kunai em seu imenso pergaminho. Seu semblante estava ruborizado e ela olhava Ino fixamente, de maneira tão irritada que Sakura tinha certeza que a kunoichi loira pagaria por não ter controle sobre o que falava.
Antes que Tenten pudesse, sem dúvida, dizer exatamente o que pensava sobre Ino, Sakura colocou o prato de dangos na mesinha de cabeceira ao seu lado, questionando quando o nome não soou familiar, "Quem é Kō?"
Hinata a olhou com as sobrancelhas erguidas, escondidas pela franja. "Ele é um dos meus primos, sabe o que costumava fazer parte da minha guarda?"
"Costumava?" Tenten bufou, quase rindo. "Ele ainda está lá, Hinata! Mesmo que você não veja."
Dessa vez foi Hinata que corou profundamente e começou a brincar com os dedos, coisa que estava cada dia mais difícil de se ver. Sakura caiu em pensamento, lembrando de um dia em que Hinata apareceu no hospital com um homem que parecia ser da mesma faixa etária de Shisui. Ela olhou para Hinata novamente. "Um com cabelos claros, na altura da nuca?" Hinata assentiu uma vez. Sakura então olhou curiosamente para Tenten, que parecia esquecer-se de que estava furiosa com Ino por um momento. "Por que Tenten saberia como Kō está?"
Ino gargalhou alto e Tenten corou mais uma vez, mas parecia acanhada em vez de irritada.
Para a surpresa de todas elas, foi Hinata quem respondeu em uma voz baixa, como se revelasse um segredo. "Eles são amigos próximos."
"Sim, amigos próximos," Ino disse depois de secar uma lágrima imaginária, dando ênfase na palavra amigos e fazendo aspas com os dedos. Tenten agora parecia perto de atirar uma de suas kunais em Ino.
"Desde quando?" Sakura perguntou, completamente confusa.
"Desde que ele me ajudou com alguns shinobis de Oto, na invasão à Konoha, em nosso exame chūnin," Tenten respondeu com naturalidade, dando de ombros.
Sakura ergueu uma sobrancelha especulativamente para Tenten, que suspirou impacientemente. "Nós somos apenas amigos, está bem? Nada mais." Ela olhou para Ino fixamente mais uma vez. "E ele está bem. Por que não estaria?"
Mas era estranho que só estava ouvido falar disso agora.
Quando o sorriso de Ino apenas cresceu, fazendo-a lembrar de um lobo rosnando, Sakura pensou que ela realmente havia ganhado o argumento.
Momentos depois, quando já havia escurecido lá fora, elas colocaram tudo o que não pertencia ao quarto de volta aos outros cômodos e começaram a preparar-se para dormir. Estavam conversando baixo sobre algo que Sakura não saberia dizer se perguntassem, pois estava distraída e certamente não ouvindo, quando uma certa frase a tirou de seus pensamentos rudemente.
"Eu deveria saber que cedo ou tarde alguém se apaixonaria," Ino sussurrou ao seu lado, mas ainda sim alto o bastante para as outras ouvirem. Sua voz passava uma nota séria, quase arrependida, o que não passou despercebida, vendo que o ar ao redor do quarto ficou tenso de repente.
Era hora daquela conversa.
Sakura franziu a testa, pensando sobre o que havia sido dito. Estava realmente apaixonada? Só de pensar em algo assim já sentia náuseas. "Eu não est–"
"E nem tente negar," Tenten a cortou nitidamente, fazendo-a olhar para ela com olhos ligeiramente arregalados enquanto Tenten balançava um dedo em frente a si. "Essa é quase a pior parte dessa situação."
Ino colocou uma mão em seu ombro. "É, Testa. Nós te conhecemos bem demais."
Como uma última esperança, Sakura olhou para a única pessoa ainda quieta em seu quarto, procurando por ajuda. Mas Hinata a olhou com uma expressão apologética, seus olhos claros suaves com uma compaixão desnecessária. "Elas têm razão, Sakura-chan."
Sua testa franziu em pensamento mais uma vez. A verdade é que não tinha parado para analisar a intensidade do que realmente sentia. Desde Sasuke, ela sempre teve receio de relacionar-se, de sentir algo mais forte por alguém e terminar sendo decepcionada novamente. No final das contas, tinha razão para isso.
Sakura suspirou, sentindo uma pontada na cabeça, deixando-a saber que uma enxaqueca começaria em breve. Estava ficando tão cansada de pensar e repensar, de deduzir no que havia errado, de lembrar dos rostos e palavras de todos os envolvidos… Mas no final de tudo, sabia muito bem o que suas amigas estavam tentando fazer. Elas queriam que ela desabafasse; que contasse exatamente como estava sentindo-se.
Como um lixo.
Essa seria uma versão reduzida.
Enquanto apreciava muito a preocupação, Sakura não achava que poderia simplesmente falar sobre isso de uma hora para outra. O que tinha para falar se nem ela mesma, na maior parte do tempo, sabia como se sentia? E como faria isso se só de pensar em discutir Shisui com alguém a deixava ansiosa e fisicamente doente? De fato, a única coisa que pensava e queria muito fazer, desde que descobriu tudo isso da boca de Tsunade, era dormir. Descobrir e lidar com toda a situação, e toda a decepção emocional que sentiu, havia deixado-a muito cansada; muito mais do que imaginava que estaria.
Então, o que realmente precisava nesse momento era descansar. Depois disso, talvez no dia seguinte, sim, tentaria colocar seus pensamentos e emoções em ordem e refletiria sobre como se sentia, para então poder abrir-se com alguém. Porque ela sabia o quanto falar sobre seus sentimentos era importante.
Mas por hora deixaria como estava.
Ela bocejou, observando rostos cheios de expectativa. "Eu realmente deveria ir dormir agora."
Elas se entreolharam, como se buscando a resposta entre si. Sakura pegou um travesseiro, abraçando-o contra o peito e deitando em outro, cansada demais para esperar pelo que seria decidido.
Ino, que estava exatamente ao seu lado, empurrou o cobertor até a altura de seu peito e sorriu. Hinata e Tenten estavam com a mesma expressão suave em suas feições. "Descanse. Mas não pense que isso acabou."
"Boa noite."
Ela não esperou a resposta. Suas pálpebras já haviam se fechado e estava adormecida no momento seguinte.
Horas depois, Sakura abriu os olhos lentamente quando fracos raios de sol atingiram seu rosto.
A próxima coisa que notou foi o aroma de café rodeando seu quarto. Imediatamente franziu o cenho. Não podia ser tão tarde. Já estavam de pé?
Ela se espreguiçou, esticando os braços acima da cabeça, e levantou, olhando ao redor de seu quarto, sonolenta. Conseguia enxergar a cabeleira loira de Ino em uma das camas improvisadas, com Tenten ainda dormindo profundamente logo ao lado. Sakura levantou da cama o mais silenciosamente possível, tentando não acordá-las.
Sua casa estava fria, mantendo a temperatura da madrugada dentro, mesmo com o sol aparecendo ao lado de fora. Ela rapidamente localizou seus chinelos e um casaco que havia usado na noite anterior, dirigindo-se a sua pequena cozinha.
Não foi uma surpresa quando encontrou Hinata calmamente preparando o café da manhã. Podia ver algumas frutas na mesa, junto com pães frescos que não se lembrava de ter em casa. Parecia ser um tipo de hábito dela; quando dormiam juntas, Hinata sempre acordava antes de todo mundo e deixava café da manhã pronto para elas. Era meigo e Sakura não conseguia pensar em reclamar.
"Bom dia," ela cumprimentou, deixando sua presença ser revelada.
Hinata olhou por cima do ombro, sorrindo suavemente. "Bom dia, Sakura-chan. Dormiu bem?"
"Sim. Estou bem." Sakura puxou uma das cadeiras e se sentou, já pegando uma xícara para despejar café dentro. Ela fechou mais o casaco ao redor de si e tomou um pouco, sentindo o líquido aquecer seu corpo por dentro. Da mesa da cozinha conseguia ver o relógio na estante de livros da sala marcar sete e meia. Estava cedo e não tinha compromissos hoje, então podia alimentar-se com calma.
Hinata ainda a olhava com uma expressão gentil, mas Sakura conseguia enxergar a preocupação em olhos pálidos. Se fosse apostar, diria que ela estava ansiosa para perguntar, mas hesitante quanto a ser uma boa ideia.
Sakura suspirou. "Ele não me disse nada. Eu fiquei sabendo por Shizune." Sua amiga a olhou com olhos arregalados, os lábios partindo-se, sem acreditar que Sakura estava mesmo falando sobre. Mesmo assim Hinata continuou em silêncio, esperando. "Tsunade-sama explicou tudo melhor, mas, resumidamente, eles planejaram tudo."
"O clã." A afirmação soou de uma voz diferente e as duas viraram para olhar o espaço entre a cozinha e a sala. Ino estava de pé, cabelos longos soltos e desgrenhados enquanto tentava arrumá-los. Tenten estava logo ao lado, em meio a um bocejo; seus cabelos, normalmente presos, estavam soltos ao redor do pescoço.
Sakura tomou mais do café, alcançando por um pedaço de pão, rosto franzindo. Mesmo mais habitado, o cômodo parecia mais silencioso; mal esperando por uma explicação.
"Sim. Aparentemente era algo que estava sendo planejado há algum tempo, mas só foi aprovado recentemente."
"Eles precisavam da aprovação de Tsunade-sama," Ino disse enquanto se aproximava da mesa após prender o cabelo, sobrancelhas franzidas. "E quanto tempo foi esse recentemente?"
Sakura deu de ombros, passando uma xícara para Tenten, que se sentava ao seu lado. "Não faço a mínima ideia." Seu humor escureceu. "Shisui não estava sendo particularmente esclarecedor quando conversamos, mas havia anciãos dos Uchiha na sala de Tsunade-sama semana passada. Estavam discutindo isso." Sakura manteve o fato de que Mai era a noiva de fora da conversa propositadamente. Elas provavelmente descobririam em breve.
Tenten se mexeu na cadeira, alinhando-se em direção a Sakura. Sobrancelhas franzidas diziam estar pensando. Então entendimento apareceu em suas feições. "E ele não te disse o porquê, mesmo quando você perguntou," Tenten concluiu, incrédula.
A cozinha ficou silenciosa novamente. Sakura não precisava, mas confirmou mesmo assim. Falar sobre isso, apesar de ser doloroso, com elas ficava um pouco mais suportável. Realmente só precisava digerir um pouco melhor a situação antes de conversar sobre com alguém.
Duas mãos seguraram seus ombros em um aperto de suporte. Sakura estava tão perdida em pensamentos que não havia visto Hinata mover-se. Uma outra mão segurou a sua–Tenten ao seu lado direito. Ino sorria suavemente de frente para elas. Formavam um semicírculo ao seu redor.
"Nós estamos aqui com você, Sakura-chan," Hinata disse e Sakura nunca sentiu-se tão segura.
"A caravana do daimio chega hoje," Tsunade declarou de repente, fazendo Sakura erguer a cabeça do livro que estava lendo atualmente, seus olhos um pouco embaçados de focar nas pequenas letras por muito tempo. As linhas em seu rosto se aprofundaram enquanto observava sua mentora.
"Eu sei que você não está com cabeça no momento," Tsunade continuou, olhando-a por cima dos óculos que usava para sua própria leitura de um pergaminho, "mas eu quero que venha recebê-los comigo. Shizune anda bem ocupada com a pesquisa."
"Não tem problema. Posso ir com você." Não tinha mais motivos para insistir que estava bem quando Tsunade a conhecia bem demais para saber que não era verdade. De qualquer forma, seria algo diferente para lidar hoje, além de sentar o dia inteiro em uma mesa, preenchendo e organizando documentos. "Então, qual é o motivo dessa visita?"
Tsunade exalou, removendo os óculos para esfregar seus olhos. "Quem realmente sabe. Shikaku pensa ser algo envolvendo o filho dele que, se os rumores forem verdade, é um pouco problemático. O fato é que pretendem passar alguns dias aqui. Acho que nós vamos descobrir ao longo do tempo."
"Hm." Sakura não estava interessada em assuntos políticos com pessoas que se consideravam a nobreza do País do Fogo. Em um pensamento contrário ao anterior, ela desejou que Shizune pudesse ir em seu lugar em vez disso. Não podia deixar de pensar sombriamente que já tinha sua cota de política para lidar.
Horas depois, nos imensos portões de entrada de Konoha, elas conseguiam enxergar o grupo aproximando-se no horizonte, com o sol do fim de uma manhã de outono refletindo neles. Quando Tsunade mencionou caravana do daimio, Sakura imaginou que o próprio estaria presente. Não foi até estar frente a frente com os visitantes que percebeu que esse não era o caso.
A frente, dois guardas em armaduras aparentemente bem pesadas abriam caminho. Como iriam entrar em alguma batalha, se fosse necessário, vestindo tais monstruosidades, era uma incógnita. Apenas serviam para o propósito estético, e desacelera-los, Sakura deduziu para si mesma. Logo atrás seguia um homem que aparentava estar passando da meia idade, bem vestido e de expressão calma. Apesar disso, ela teve a sensação de que ele não fazia parte da suposta realeza.
Ao final da caravana mais dois guardas vestidos da mesma maneira que os primeiros e um servo completavam o grupo. Próximo a eles, um jovem. Cabelos castanhos curtos e aparentemente sedosos voavam ao redor de um rosto límpido e inocente, com grandes e cativantes olhos azuis e uma mandíbula firme. Sua vestimenta parecia ser a mais cara entre todas e em suas mãos sem marcas anéis com pedras brilhantes adornavam seus dedos.
Provavelmente o filho.
"Hokage-sama," o homem mais velho do grupo disse, curvando-se em direção a Tsunade em respeito. Os outros, exceto o mais jovem que apenas abaixou a cabeça de forma curta, fizeram o mesmo. "É uma honra conhecê-la."
Tsunade manteve a expressão neutra em seu rosto, mas inclinou a cabeça em cumprimento, seu manto de Hokage voando atrás dela. Seus olhos desceram brevemente para o documento em suas mãos. "Igualmente. Eu presumo que você seja Ichiro-san, o responsável pelo grupo?"
O homem limpou a garganta e sorriu amigavelmente, linhas de expressão formando ao redor de seus olhos escuros. Ele puxou os ombros para trás e endireitou-se de maneira importante antes de dizer, "Sim, sou eu. Meu senhor mencionou que a senhora estaria a par. Eu sou o secretário do daimio e responsável por assuntos mais pessoais. Esse é Kaito, seu filho."
Kaito inclinou a cabeça, sorrindo brilhantemente para elas. Olhos verdes estreitaram em avaliação. "Minha senhora," ele se dirigiu a Tsunade, tom doce e supostamente gentil. Então, como se sentindo o peso do olhar, ele olhou diretamente para Sakura, uma sobrancelha escura erguendo-se. "E quem é a moça?"
"Haruno Sakura, minha assistente e pupila. Ela vai ajudá-los a encontrar as suas acomodações enquanto estiverem em minha aldeia."
"Oh. Olá, Sakura-san," ele disse com um sorriso e um certo brilho de interesse no olhar que, por algum motivo, a faziam lembrar de Shisui. Não que fosse surpreendente; as coisas mais insignificantes a faziam lembrar de Shisui ultimamente.
Sakura estendeu a mão para apertar a dele. "Kaito-sama," ela cumprimentou respeitosamente.
Kaito sorriu e apertou a mão dela levemente. Como havia pensado, nenhum calo ou cicatriz. "Não há necessidade de ser tão formal. Me chame apenas de Kaito."
A kunoichi inclinou a cabeça em confirmação, mas fez uma nota mental mesmo assim. Chamar pelo nome, postura relaxada e despreocupada e um rosto amigável–tão amigável que quase tinha uma inocência infantil. Por algum motivo, Sakura esperava algo completamente diferente.
Parecia bom demais para ser verdade…
Horas depois, ao meio do dia, Sakura já se encontrava no centro comercial de Konoha, com duas pequenas sacolas, pertencentes ao filho do daimio, em sua posse. O sol brilhava através de algumas tendas, seguindo algumas crianças que brincavam ao redor. Sua presente companhia seguia conversando animadamente no meio de alguns comerciantes. Pelo andar das coisas, e vendo a quantidade de mercadorias sendo oferecidas, talvez tivesse que interrompê-los em breve.
Depois do encontro com a caravana nos portões de Konoha, Tsunade ordenou alguns de seus guardas pessoais para os escoltarem ao prédio em que ficariam hospedados durante a estadia na aldeia, com Sakura indo junto. Não tinha surpresas nisso; Tsunade já havia avisado que Sakura ajudaria. Agora, quando Tsunade a impediu de sair da sala, dizendo que tinha mais uma tarefa especial para ela, Sakura não sabia o que pensar. Principalmente depois de ouvir que a tal "tarefa especial" seria acompanhar o filho do daimio em suas caminhadas por Konoha.
Inicialmente, sua função era de apenas apresentá-los às suas acomodações. Era definitivamente estranho que, depois de um bom tempo trancados juntos na sala de Tsunade, em uma aparente "reunião", ela teria de ser responsável por eles. Sakura pensou que, a esse ponto, não poderia ficar pior. Mas então ouviu de Tsunade que sua desconfiança era que o motivo dessa visita seria a procura de uma possível noiva para Kaito. Se isso realmente fosse verdade, caberia a Sakura a função de ajudá-lo, vendo que tinha uma certa influência (por ter sido aprendiz da Godaime) e conhecimento da maioria dos clãs.
Seu primeiro pensamento foi que certamente ele não viria procurar por qualquer mulher, ainda mais quando precisava da ajuda de uma das ex-estudantes da lendária sannin. E tudo isso por sua suposta influência. Sakura bufou alto com o pensamento de que tinha influência com clãs quando uma clara imagem de Shisui passou por sua mente; parecia uma piada.
Ele era filho do daimio; era óbvio que iria querer o melhor. Com a palavra melhor sendo usada nesse sentido, só conseguia pensar em Mai e sua horrível atitude alguns dias atrás, em sua sala no hospital.
Enquanto, por um lado, ficava enjoada por ter que ajudar com algo assim, ainda mais quando algo similar aconteceu com ela própria, por outro, ter que balancear suas obrigações no hospital com a tarefa de guia de Konoha poderia ser exatamente a distração a mais que precisava.
Sakura suspirou, já cansada só de pensar no que isso poderia dar, e olhou para a pequena comoção nas barracas novamente. Estava começando a ficar um pouco mais tumultuado agora, então ela entendeu isso como a sua deixa.
Aproximando-se rapidamente, ela tocou o ombro de sua companhia em meio a uma alta gargalhada, tirando a atenção dele por alguns segundos.
"Está prestes a ficar muito cheio aqui. Vamos voltar para o hotel," Sakura declarou, sorrindo lamentavelmente para os comerciantes ainda tentando empurrar seus produtos para Kaito.
Grandes olhos azuis a observaram confusos, como se não soubessem do que estava falando, até recordação fazer com que ele sorrisse suavemente.
"Vamos," Kaito respondeu levemente enquanto juntava todas as bolsas com pertences que havia adquirido. Ele assentiu e sorriu em agradecimento aos vendedores e a seguiu.
"Então," Kaito começou, apressando o passo para alcançá-la. Ela não parou, apenas inclinou a cabeça levemente para um lado. "Você estuda com sua Hokage, certo? Eu deduzo que seja impressionante."
Sakura arqueou uma sobrancelha, mas não comentou a pequena declaração no final. "Eu estudava. Não mais."
"Alguma coisa aconteceu?"
"Não. Eu apenas aprendi tudo que podia de Tsunade-sama."
"Oh," ele declarou, olhos azuis pareciam mostrar genuíno interesse. "Então você a alcançou em título?"
Sakura considerou isso. Era uma pergunta válida, talvez até um pouco perspicaz demais para uma pessoa com o fundo que ele possuía. Ela não sabia exatamente se Kaito seria tão familiar com o mundo shinobi para entender.
"Bem." Ela limpou a garganta, elaborando sua resposta cuidadosamente. "Eu diria que não." Quando ele pareceu bem confuso com a resposta, Sakura explicou, "Tsunade-sama me ensinou todas as técnicas que sabe, mas ela tem muitos anos de experiência na bagagem. Isso é algo que eu só posso imaginar ter algum dia."
Ele se manteve quieto pelo restante do tempo, contemplando. Sakura estava feliz pelo silêncio e paz. Esse dia acabou transformando-se em algo que ela não esperava, agitado e com algumas surpresas para digerir. Só queria deixá-lo no apartamento designado e ir direto para o seu.
No caminho de volta, Sakura começou a notar alguns olhares sendo lançados na direção deles, mas que certamente não eram para ela. A princípio ele não pareceu notar, então Sakura decidiu não trazer à tona. Mas então Kaito pareceu acordar para o mundo ao redor dele e começou a responder a essa atenção.
Eram garotas. Algumas novas, outras que aparentavam ter a mesma idade que ela. Todas pareciam ser civis. Ela supôs que ele não teria uma preferência entre ser kunoichi ou não. Kaito sorria graciosamente como resposta e até cumprimentava algumas com um aceno de cabeça, sempre muito carismático e charmoso.
Essa combinação parecia ser exatamente o que as meninas queriam ver, pois elas pareciam derreter-se toda vez que recebiam uma resposta. Sakura franziu o cenho em pensamento enquanto ele acenava para mais um grupo perto da floricultura Yamanaka. Isso não poderia ser bom. De fato, sua intuição dizia que só lhe traria dor de cabeça.
Sakura limpou a garganta para chamar a atenção dele, já ficando impaciente com a situação e o quão demorado o caminho relativamente curto do centro da aldeia até o apartamento designado a ele estava tornando-se. Kaito a olhou com as sobrancelhas erguidas. "Vamos nos apressar, tudo bem?"
"Ah!" Ele arregalou os olhos, aparentemente um pouco preocupado. "Certo. Você deve ter coisas importantes para fazer ainda. Tsunade-sama disse que você trabalha no hospital. Me desculpe por tomar tanto do seu tempo."
"Sim… eu meio que tenho algumas coisas para fazer."
Era uma mentira. A única coisa que faria era ir para casa e tentar pegar uma leitura ou algo assim, desde que Tsunade a havia liberado do trabalho na torre por ela precisar acompanhá-lo. Não tinha muito o que fazer desde aquele horrendo dia, se fosse ser sincera. Ele não precisava saber disso, de qualquer maneira.
Mas Kaito parecia arrependido o suficiente, no entanto. Pelo menos não era uma daquelas pessoas esnobes porque possuíam um título importante; pelo menos parecia ter respeito e não querer impor nada. E Sakura sempre podia apreciar alguém assim em sua vida.
Ele assentiu e apressou o passo, ainda respondendo a olhares e acenos pelo caminho. Sakura escolheu ignorar isso, principalmente por ele ter se mostrado ser um bom rapaz até o momento. Quando estavam quase chegando a rua do apartamento, Kaito se ofereceu para carregar as bolsas que Sakura segurava. Primeiro ela recusou, dizendo que não tinha problema em carregá-las. Mas quando ele continuou insistindo, a kunoichi cedeu com um leve sorriso de agradecimento, fingindo não ter visto a careta em suas suaves feições com o peso das bolsas.
A rua estava sem movimento e Kaito parecia um pouco desgrenhado e sem ar quando chegaram em frente ao prédio. Ele colocou as bolsas no chão e tentou arrumar suas roupas. O cabelo estava uma bagunça também, e suor escorria pela têmpora direita, mas Sakura preferiu não comentar. Ele já parecia chateado o suficiente.
E isso, por algum motivo, a fez sentir-se um pouco melhor sobre sua situação.
"Então," Sakura disse, agora um pouco mais feliz que antes. Olhos azuis se focaram nela com o tom animado. "Aqui é onde eu te deixo por hoje. Amanhã tenho plantão no hospital, então talvez eu não consiga te fazer companhia."
"Está tudo bem," ele respondeu com um ávido assentir, colocando as mãos nos bolsos e parecendo um pouco mais calmo, apesar de ter duas manchas vermelhas nas bochechas. "Tsunade-sama avisou que seria assim por alguns dias."
Claro que ela avisou. Era o mínimo a se fazer depois de tê-la colocado nisso. Sakura sorriu novamente. "Tudo certo, então. Te vejo em breve, Kaito-san."
Kaito a presenteou com um sorriso brilhante e agradecido, levantando uma mão em um aceno. "Obrigado e até breve, Sakura-san."
Só foi depois que saiu do banho que Sakura teve a sensação de que Kaito podia ser uma boa companhia e que essa "missão" poderia não ser tão ruim quanto imaginava.
Dois dias depois, e muito café para mantê-la funcionando em seu último plantão, Sakura estava mais uma vez junto da pequena caravana do daimio, na sala de Tsunade.
Eles supostamente deveriam ir em outro passeio ao redor de Konoha, dessa vez para conhecer os pontos turísticos. Kaito parecia tão animado que Sakura estava forçando-se a não rolar os olhos com o quanto ele a lembrava de Naruto nesse momento… toda vez precisava lembrar-se que ele era considerado praticamente a realeza do País do Fogo, o pai dele sendo o homem mais influente sem sombra de dúvidas…
Mas não podia mentir para si mesma que qualquer um mostrando uma ínfima faísca de felicidade ao seu redor não a deixava com um gosto amargo na boca.
Tsunade explicava sobre reuniões que eles deveriam atender porque, aparentemente, não estavam presentes em Konoha apenas para que Kaito pudesse conhecer mulheres. O pensamento quase a fez rir alto de tão ridículo. Sakura supôs que seria um problema para Ichiro-san, um homem passando da meia idade, com um ponto largo careca no topo da cabeça e cabelos grisalhos em meio a castanhos claros, fazer toda uma viagem até Konoha apenas para que o filho do daimio pudesse escolher uma noiva.
Sakura saiu de seus pensamentos quando Tsunade pediu para Kotetsu mandar entrar o próximo grupo esperando para falar com ela. Sakura se levantava, assim como os outros, quando uma voz extremamente familiar a fez parar no lugar.
"Sakura-chan!"
O grito de Naruto fez com que alguns olhassem para ela em questionamento e outros para ele mesmo. Sakura mal se virou em direção a porta quando os braços de Naruto a envolveram em um abraço apertado.
"Faz muito tempo que não te vejo, Sakura-chan!"
Sakura grunhiu e empurrou o peito dele. "Você me viu ontem, Naruto!"
Mas ele parecia apertá-la ainda mais.
"Já chega, Naruto." Kakashi apareceu ao lado deles, colocando uma mão no ombro de Naruto e empurrando–forçosamente. Seu olho visível se fechou, enrugando em um sorriso, mas sua voz tinha uma nota embaraçada, provavelmente com tanta gente assistindo. "Você está sufocando ela."
Naruto a soltou relutante, então olhou em volta, sorriu envergonhado com toda atenção, e se afastou para ficar de pé ao lado de Sasuke e Sai, ambos observando a cena com expressões vazias de emoções.
Kaito a olhou estranhamente ao seu lado, mas assentiu para Kakashi educadamente. "Nós vamos te esperar lá fora, Sakura-san."
Sakura sorriu. "Já estarei lá."
Então olhou para sua antiga equipe depois que o último integrante do grupo, um dos guardas, deixou a sala. Nenhum deles parecia querer dizer algo e Naruto esfregava a parte de trás da cabeça, ainda envergonhado pela cena que causou. Sakura não podia deixar de notar que Sai parecia confuso ao vê-la, por algum motivo desconhecido, e Sasuke a observava estranhamente, como se estivesse processando algo. Quanto ele já sabia? Provavelmente tudo, vendo que só ela não sabia de nada.
Sakura estreitou os olhos.
"Indo em uma missão?" ela perguntou friamente a Naruto.
"Sim," Naruto respondeu com um grande sorriso que contrastava horrivelmente com como Sakura se sentia no momento. Olhos azuis da cor do céu brilhando em antecipação. "Estávamos esperando para falar com Baa-chan."
"Ah," Sakura disse, uma pontada de inveja em seu peito. Ela se voltou para Kakashi ao seu lado, olhando-a com uma sobrancelha erguida. "Não posso sair de Konoha. Tenho minha própria missão aqui." Ela gesticulou com uma mão para a porta, onde Kaito e os outros haviam saído.
Kakashi assentiu. Depois disse, em uma voz baixa, quando os outros três começaram a conversar entre si (que era basicamente Naruto falando e os outros dois fingindo escutar), "Ter que deixar a aldeia com esses três faz com que ficar em uma missão diplomática não pareça tão ruim, não é mesmo?"
Sakura sorriu amargamente para seu antigo sensei, balançando a cabeça. "Não dessa vez. Eu daria qualquer coisa para sair em uma missão; mesmo com eles."
Kakashi a olhou como quem sabia de muita coisa que não estava sendo dita. Então assentiu e se virou para a mesa de Tsunade, que esperava quase sem paciência. "Ah… acredito que devemos ir, Sakura-chan," ele disse alto, para os outros ouvirem. "Nos vemos quando voltarmos."
Sakura sorriu e se despediu deles, saindo pela porta para encontrar Kaito esperando.
"Quem eram aqueles?" ele questionou curiosamente quando Sakura chegou ao lado dele e juntos andaram o caminho para fora da torre, os outros seguindo-os.
"Minha antiga equipe." Ao ver a expressão confusa nos olhos dele, ela explicou, "Nós somos designados a equipes de três mais um sensei quando nos formamos na academia. Uzumaki Naruto–o loiro que me abraçou–e Uchiha Sasuke–o moreno com cabelos espetados–foram meus companheiros de equipe. Hatake Kakashi era nosso sensei."
"Sharingan no Kakashi? O homem com o rosto coberto e cabelos cinza?"
Sakura assentiu. "Sim. O outro é Sai; ele era da Root," ela explicou, sombriamente.
O rosto jovem de Kaito parecia ainda mais franzido em confusão. "Root?"
Sakura suspirou e explicou em voz baixa para que só ele pudesse ouvir, "Uma subdivisão da ANBU. Já ouviu falar da ANBU?" Ele assentiu, inclinando a cabeça próximo a ela para ouvir melhor. "Mas era uma fundação extremamente secreta, fundada e comandada por um ancião chamado Shimura Danzō, em vez da Hokage como acontece com a ANBU. Depois que Danzō morreu, anos atrás, Tsunade-sama desfez a Root e distribuiu seus integrantes em equipes, assim como fazem na academia. Pouquíssimas pessoas tinham conhecimento da Root; os integrantes eram ordenados a realizar umas missões muito suspeitas."
Kaito assentiu devagar, absorvendo toda a informação. Sakura olhou em volta e os guiou ao leste da torre, onde sabia que uma parte do rio Nakano passava e havia um onsen por perto; um de seus favoritos e que gostava de visitar de tempos em tempos.
"Então," Kaito chamou sua atenção de volta a ele, seus olhos brilhando em curiosidade. "Como Sai acabou entrando em sua equipe?"
"Você já ouviu sobre Uzumaki Naruto, certo?"
"Sim…" ele respondeu devagar, cuidadoso para não dizer algo errado. "Ele é o menino–bem, homem agora, eu suponho–que carrega a raposa de nove caudas."
"Sim," Sakura respondeu, olhando fixamente à frente, suas sobrancelhas franzidas. "Tsunade-sama designou Sai e Yamato-taichou–outro membro de nossa equipe–quando Kakashi deixou Konoha com Sasuke para treiná-lo. Nós precisávamos de mais dois membros para ir em missões. Além disso Yamato foi de grande ajuda quando Naruto teve problemas em controlar a Kyuubi."
Os profundos olhos azuis de Kaito se arregalaram comicamente. "A raposa saía de controle?"
"Sim. Mas não mais," Sakura rapidamente explicou quando o rosto de Kaito empalideceu e ele parecia apavorado. "Naruto controla muito bem agora. Não há necessidade de se preocupar."
"Oh. Isso é bom, então." Mas mesmo assim ele engoliu em seco nervosamente.
Sakura decidiu não comentar a apreensão que sentia radiando de Kaito, em vez disso guiou o grupo pelo restante do caminho que faltava até o rio; uma rua parcialmente vazia de casas, em que mais árvores podiam ser vistas, até que seus pés tocaram grama. A frente conseguiam avistar o rio Nakano, essa nascente sendo rodeada pela floresta ao redor de Konoha; logo a direita de onde estavam, o onsen.
Folhas secas, junto com pedras de todos os tamanhos, rodeavam as margens. Raios de sol refletidos nas pequenas ondas da corrente e o som da água correndo fazia todo o lugar parecer mágico. Pássaros brincando e cantando ao redor das margens completavam a visão.
"Kaito-sama!" Ichiro chamou, já atravessando a porta do estabelecimento a vista. "Sakura-san! Venham!"
O sol atingiu seus olhos quando Sakura se virou e colocou uma mão no cotovelo mais próximo de Kaito para direcioná-lo até o onsen, junto aos outros, quando apenas ele parecia muito distraído pela paisagem que o rio fazia. Um movimento repentino em sua visão periférica a fez inclinar a cabeça para o lado, no entanto.
Andando em meio às árvores do outro lado do rio, para fora da floresta, Shisui e Itachi; aparências ruborizadas e roupas civis rasgadas em certas partes, ambos com seus tantōs presos às costas. Pareciam no fim de um treinamento. De onde estavam, Sakura não conseguia ver bem a expressão deles, mas pelo movimento dos braços, pareciam envolvidos em uma discussão séria. Eles não pareciam ter notado Sakura e Kaito parados do outro lado e continuaram andando na direção que dava para o distrito do clã Uchiha.
Sakura apenas observou Shisui, a cada segundo andando para mais longe dela, sentindo seu coração balançar dolorosamente. Antes que eles pudessem sumir na linha de árvores, Kaito bateu seu braço com o dela levemente.
"Quem são eles?" O tom de voz dele parecia curioso.
Ela suspirou. "Ninguém importante."
"São Uchihas, não?" Kaito insistiu. "São parecidos com aquele seu amigo–Sasuke, certo?"
"Sim. São Uchihas." Sakura olhou de soslaio na direção de Kaito; ele ainda olhava o caminho que Shisui e Itachi faziam de volta a parte mais movimentada de Konoha. Ela apertou um pouco o cotovelo que ainda segurava, chamando a atenção dele de volta a ela. Quando olhos azuis profundos se encontraram com os seus, Sakura o puxou um pouco pelo braço, em direção ao onsen, onde o restante do grupo já esperava.
A trama está andando... Quase nada de Shisui nesse capítulo, mas os próximos serão repletos dele. :)
