Olá!
Apenas passando para avisar que a história está se desenvolvendo bem e eu estou bem perto de terminar de escrever os capítulos. Então só vou precisar dar uma boa revisada. Essa parte é muito necessária; eu faço tudo sozinha e às vezes me pego digitando em meio ao sono... Enfim, essa história realmente terá dez capítulos, como eu disse antes.
E mais uma explicação: toda a linha do enredo, sobre casamentos entre pessoas de um mesmo clã (ou primos, como está sendo abordado) e seus efeitos em crianças dessas uniões, é algo da minha imaginação, sem nenhuma ligação com a realidade, é claro.
Além disso... explosão de Shisui nesse e nos próximos capítulos, bem do jeito que gostamos (e Sakura também, hahaha).
Naruto não me pertence.
Boa leitura!
Obscuridão
Capítulo 4: Anjo Sem Asas
"Nós podemos voltar outra hora, se quiser," Tenten sugeriu, olhos castanhos estreitando-se na direção em que Mai estava, do outro lado do mercado de rua. De onde estavam conseguiam ver apenas o perfil; levemente inclinada para a frente, observando algo em uma tenda. Mesmo assim, Sakura teve a estranha sensação de que ela já sabia da presença delas ali.
Elas não se conheciam; pelo menos Tenten declarou que nunca havia cruzado com tal pessoa antes, quando Ino a descreveu, assim que descobriram que Mai era a noiva de Shisui. O que fazia sentido. Sakura já tinha interação suficiente com a prima de Sasuke para saber que ela parecia ser do tipo superficial, alguém que enxergava o conjunto completo de nome e status. Tenten odiava esse tipo de besteira e pessoas assim.
E com razão.
Sakura balançou a cabeça seriamente. "Não. Não posso deixar de viver por causa disso."
Tenten assentiu acentuadamente, algo que parecia ser orgulho brilhando em seus olhos. O mercado estava parcialmente vazio a essa hora, com os últimos raios de sol do fim da tarde brilhando fracamente no topo das barracas. Sakura fechou mais a frente de seu casaco quando uma brisa particularmente fria passou por elas antes de voltar sua atenção para as uvas que estava escolhendo.
"Lee andou perguntando por você," Tenten murmurou ao seu lado, uma mão a meio caminho de um pêssego. Seus lábios franziram enquanto considerava a fruta, apertando de leve, até desistir e escolher outra. "Disse que você anda meio desaparecida ultimamente. Eu imagino que seja por causa de sua missão com o filho do daimio."
Sakura franziu a testa em pensamento. "Sim. Isso tem tomado o pouco tempo livre que eu ainda tinha." Então ela sorriu suavemente, lembrando do que Tenten declarou primeiro. "Faz algum tempo que não o vejo."
Então seu sorriso desapareceu quando considerou algo que ainda não havia pensado. "Você acha que ele ouviu sobre…"
O franzir de sobrancelhas confuso da outra kunoichi dizia que ela também não tinha pensado nessas linhas. Tenten guardou mais um pêssego, entregando a bolsa para o vendedor inspecionar tudo. Olhos castanhos a fitaram. "Talvez… mas você conhece Lee; ele normalmente não acredita em fofocas," ela respondeu, colocando uma mão no ombro de Sakura ao perceber sua expressão preocupada. Tenten continuou em uma voz mais suave, "E ele seria a última pessoa a pensar em te julgar."
Sakura piscou, suas feições suavizando-se enquanto pensava em Lee, deixando outro sorriso transparecer. Era realmente verdade. Lee sempre foi muito gentil e bondoso com ela. Seria muito mais fácil ele pedir para defender sua honra que julgá-la por qualquer coisa que já tenha feito. Era apenas quem ele era.
Realmente deveria procurá-lo algum dia.
Estava quase escuro quando elas pagaram e, carregando novas sacolas, seguiram para a próxima barraca. Já estavam terminando de escolher mangas quando uma voz–a mesma da pessoa que esteve ignorando e esperando que fosse ignorada de volta–soou bem próxima, fazendo seus músculos tensionarem com reconhecimento.
"Olha só quem está por aqui. Haruno."
Mai apareceu ao lado delas, de frente para a mesma barraca em que estavam, segurando uma pequena sacola. Sua vestimenta era muito similar a de outras garotas do clã Uchiha que já tinha visto antes, com o semblante orgulhosamente destacado na parte de trás do suéter azul marinho que usava. Calça escura e justa e sandálias shinobi complementavam sua aparência. Cabelos negros balançavam suavemente ao redor de seu pescoço, hoje livres de hitae-ate.
As roupas de Mai eram simples, mas mesmo assim, Sakura estreitou a camiseta branca básica que usava por baixo do casaco inconscientemente, em uma tentativa de parecer um pouco melhor. Ela sentiu Tenten mexer-se ao seu lado e voltou a atenção ao que estava acontecendo.
Ela falou com você.
"Uchiha," Sakura respondeu, voz neutra e suave, antes de voltar sua atenção para as frutas, prontamente ignorando os olhos estreitos de Mai quando, aparentemente, falhou em morder a isca.
"Eu acho que ainda não fomos apresentadas," Tenten falou educadamente, como se pudesse sentir a ligeira tensão no ar, dando um passo à frente de Sakura e estendendo uma mão em cumprimento. "Sou Tenten."
Mai não mudou sua expressão hostil quando poupou um olhar de soslaio para Tenten. "Eu não perguntei."
Aquilo fez Sakura estreitar os olhos e virar de volta para a cena. Quem aquela garota pensava que era? Como se já não bastasse ter ido até seu trabalho, usando uma desculpa para apenas demandar informações de sua vida pessoal e, quando não as conseguiu, ameaçá-la para longe de Shisui. Agora ainda tinha a coragem de confrontar a ela e sua amiga em um local público, quando estavam muito bem ignorando-a a favor da civilidade?
Antes que Tenten pudesse ter a chance de responder qualquer coisa, Sakura se colocou entre elas, olhos brilhando e um sorriso sarcástico nos lábios.
"E eu aqui pensando que, devido ao clã ao qual pertence, você poderia ser menos ogra."
Mai gargalhou e o som deu em seus nervos. Colocando uma mão no quadril, Mai sorriu com malícia. "Ogra como você e sua força bruta?"
Aquilo a fez acordar e liberar toda a irritação que havia suprimido desde seus primeiros encontros. A maneira como a olhava, arrogante e em zombaria. A maneira como falava e a insultava ("É claro que você não acreditava que Shisui ficaria com alguém como você, não é?"); a maneira como tratou sua amiga, cheia de hostilidade e escárnio, como se fosse nada. Estava realmente cansada de ser humilhada por motivo nenhum.
"Talvez eu pudesse te mostrar um pouco da minha força bruta." E antes que pudesse realmente pensar no que estava fazendo, o selo em sua testa brilhou enquanto concentrava chakra no punho direito, fazendo-o emitir a usual luz azul que encobria sua mão.
No fundo de sua mente conseguia ouvir um engasgar espantado e a voz distante de Tenten, alertando não ser uma boa ideia. O vendedor estava atento, olhando para elas, apreensivo, assim como alguns compradores ao redor. Mas nada disso importava. Mai a olhou com olhos levemente arregalados por um instante, antes de movê-los para o selo em sua testa em surpresa. Então ela zombou e se posicionou em uma posição de ataque, deixando a bolsa que segurava anteriormente cair no chão.
"Manda ver." E assim que terminou de pronunciar essas palavras, seus olhos mudaram para o vermelho do sharingan, os cata-ventos que formavam o kekkei-genkai girando dentro deles.
Sakura a olhou diretamente nos olhos, toda a raiva que sentia nublando sua autopreservação. O ar ao redor pesou com o acúmulo de chakra sendo concentrado naquele local e as pessoas ali testemunhando começaram a sussurrar entre si, mas antes que algo mais pudesse acontecer, uma outra voz, fria como aço, interrompeu qualquer interação que poderiam ter.
"Mai."
Dessa vez Sakura piscou, o controle que tinha sobre seu chakra esvaindo-se quando reconhecimento fez seu rosto empalidecer.
Shisui estava parado ao lado de sua suposta noiva, expressão puramente séria enquanto uma mão segurava o braço dela. Seus olhos se encontraram e Sakura sentiu uma pontada de ciúme misturado com tristeza. Ele parecia com raiva e impaciente, a pele ao redor de seus olhos estava escura, como se não tivesse dormido desde a última vez que se falaram, mais de uma semana atrás.
Vendo-o assim, depois de alguns dias sem contato algum, fez seu coração apertar. Mesmo assim, Sakura sentiu um ínfimo sentimento de satisfação ao perceber que Shisui sentia pelo menos um pouco do que ela estava passando.
A voz de Mai a tirou de seus pensamentos e um movimento a fez quebrar o contato visual.
"Shisui-kun," ela declarou em surpresa, tentando soltar-se do aperto. "Ela começou isso!"
Ao ouvir a acusação, Sakura estreitou os olhos, intenta em avançar nos dois, quando Tenten a impediu, segurando-a pelo ombro.
"Eles não valem a pena," Tenten murmurou baixo, apenas para seus ouvidos. "Além disso, nós estamos rodeados por civis." Sakura olhou em volta, encontrando rostos assustados e confusos olhando-a de volta. Seu dever era ajudá-los e não assustá-los. "Isso pode facilmente sair fora de mão. Pensa bem," Tenten continuou, tentando persuadi-la. "Você é melhor que isso."
E estava começando a dar certo. Seus músculos relaxaram e a pressão que fazia para se soltar desapareceu. O que estava pensando em fazer? Tsunade teria seu pescoço se descobrisse que algo assim poderia ter acontecido e que ela foi a responsável por começar.
"Você está certa," ela respondeu em tom de voz normal e desviou o olhar para o lado, sentindo dois pares de olhos em si, um sharingan e outro escuro da cor de ônix. E não sabe o quanto. "Não valem."
Depois de certa hesitação, Shisui soltou o braço de Mai, mas não fez movimento algum para afastar-se. "Vamos."
O tom de voz dele não admitia argumentos e Mai bufou e, com um último olhar irritado na direção de Sakura, marchou para longe do mercado.
Shisui continuou no mesmo lugar, olhando de soslaio para a figura afastando-se. Então ele se abaixou, pegou a sacola que Mai havia esquecido e, com um assentir de cabeça para Tenten, seguiu na direção da outra Uchiha.
Sakura apenas observou através de olhos esmeralda cerrados.
No dia seguinte, Sakura fazia um pouco de seu trabalho usual no hospital. Era algo que ela estava grata a Tsunade por não ter tirado dela–mesmo que fosse de forma temporária. Sua mentora sabia como esse trabalho era importante para ela.
Mesmo que estivesse trabalhando com a parte escrita hoje; o que nunca era algo para animar-se se fosse além dos prontuários diários.
De onde estava sentada, em sua mesa, ela olhou pela janela, observando toda a movimentação começar a dissipar naquela área de Konoha, como era normal pelo horário. Sakura descansou seu queixo em sua mão, suspirando. Olhando de fora era apenas uma simples aldeia oculta. Por dentro, no entanto, um pouco mais cruel que isso. Rumores já haviam se espalhado por todo o lugar e Sakura já havia começado a notar olhares estranhos e julgadores em sua direção. Só ficou pior depois da cena com Mai no mercado e a repentina aparição de Shisui.
Depois de descobrir o que se passava, tudo o que mais queria dessa história toda era não chamar atenção ruim para si. Uma discussão e tudo foi pelos ares.
Tenten estava certa; mas evitar uma briga foi o suficiente. Claro que não esperava que essa situação ficasse em segredo, mas também não esperava que fosse ser de conhecimento público tão rápido. Ela sentia que mal teve tempo de digerir. Estava apenas deixando de sentir tanta pena de si mesma por causa da injustiça disso tudo, estava finalmente começando a acostumar-se sem Shisui...
Pensar nisso só ajudava a deixá-la mais ansiosa que já estava. Definitivamente não era bom.
Saindo de seu devaneio, olhos verdes voltaram para os documentos em sua mesa, tentando focar neles em vez das ideias tolas que costumava ter ultimamente. O que realmente precisava era esquecer tudo isso de vez e seguir em frente.
O sol já estava se pondo momentos depois, jogando sombras ao seu redor, quando uma janela em seu escritório se abriu e uma silhueta escura entrou fluidamente.
Sakura olhou para cima e estreitou os olhos, incitando-os a se acostumarem a escuridão. Então, mesmo com aquela máscara no lugar, reconhecimento a fez apertar a mandíbula, seus ombros tensionando; reconheceria aqueles cabelos negros ondulados em qualquer lugar.
O que ele fazia em sua sala depois de tê-la ignorado completamente naquele dia, no mercado, era o que verdadeiramente queria saber.
"Taichou. O que significa isso?" No entanto, Sakura se contentou com essa questão, em vez de dizer o que realmente queria saber. Sua voz soou dura, mas profissional, e estava satisfeita por isso. Ela empurrou a cadeira e levantou, apoiando as palmas das mãos na mesa para inclinar-se enquanto Shisui se aproximava em silêncio.
"Tsunade-sama pediu para entregar isso." O tom de voz dele era frio, e aparentemente indiferente, enquanto deixava um pesado pergaminho rolar em cima da mesa. Sakura olhou o objeto com a testa franzida, imaginando o que poderia ter de importante ali que fez Tsunade mandar logo ele como garoto de entrega.
Sakura pegou o objeto em suas mãos e o examinou, mas antes que pudesse abrir, ela olhou em sua frente uma segunda vez, lembrando-se da presente companhia ainda parada em sua sala.
Ela virou as costas para ele. "Você sabe o caminho para a saída."
Seu tom, apesar de suave, não deixava brechas para argumentos. Ou pelo menos pensava que não. Mas então, um momento se passou e tudo ainda estava muito silencioso, o ar ainda estagnado. Shisui era bom, mas não tão bom. Quando virou, sentiu todo o ar deixar seus pulmões de uma só vez.
Ele ainda estava na sala; pior ainda, estava exatamente a sua frente, a poucos centímetros de distância. Quase como se pretendesse abraçá-la ou beijá-la, exceto que não poderia beijá-la por causa da máscara que usava. Sakura franziu o cenho e voltou para trás da mesa, tentando aumentar a distância entre eles e controlar seu pulso que de repente havia escalado.
"O que você pensa que está fazendo?" Parecia dizer muito isso ultimamente.
Como se ouvisse seus pensamentos anteriores, Shisui tirou o objeto do rosto, revelando feições sérias demais a ponto de parecerem fora de lugar. "Acho que precisamos conversar."
Não pôde deixar de notar que a voz dele soava rouca, como se não estivesse falando muito. Uma pequena e culpada voz em sua cabeça a sugeriu que isso podia ser por sua causa, mas ela escolheu ignorar antes que começasse a sentir-se mal por isso. Não era mais do que ele merecia, depois de tudo.
"Eu não concordo." Sakura levantou o queixo em petulância, tom de voz solene. Depois de todo o tempo que tiveram para conversar, agora ele queria? Logo agora que estava começando a tomar coragem para lamber suas feridas?
Isso não podia acontecer. Se ela o ignorasse, se ignorasse todos esses problemas que aconteceram, então talvez conseguiria esquecer esses sentimentos, fazê-los desaparecer, e quem sabe um dia agir como se nunca tivessem acontecido. Porque o que ela faria se não isso? Shisui estaria casado e Sakura presa em um passado que mal havia começado a existir.
A mandíbula dele saltou contra a pele. Todo o corpo estava rígido e parecia tenso. Uma mão foi até os cabelos ligeiramente longos, bagunçando-os mais que arrumando, antes dele responder, "Você precisa me ouvir."
"Não," Sakura respondeu prontamente e com vigor, dando a volta na mesa e andando para longe dele, do outro lado da sala. "Quando eu realmente precisei ouvir, você me manteve ignorante. Agora eu não preciso fazer nada." Ela parou ao lado da janela que ele havia entrado e gesticulou com uma mão. "Você precisa ir. Não temos mais nada para falar."
A mão que segurava a máscara se fechou em um punho ao redor dela e seu rosto se tornou sombrio com fúria. Shisui inclinou a cabeça para baixo, olhando-a entre os cílios. "Você não pode simplesmente me tirar da sua vida e agir como se nada tivesse acontecido, Sakura. Ou você espera que eu aceite e nunca mais fale sobre isso novamente?"
Sakura engoliu, sentindo sua garganta seca arder. Shisui não parecia que iria sair tão cedo, pelo contrário; continuava insistindo. Ela fechou os olhos e considerou. Talvez pudesse satisfazê-lo. Sabia que ele a procuraria e eles teriam que conversar sobre isso, mas achava que essa fase já tivesse passado, afinal, eles conversaram, e não havia terminado em bons termos.
Talvez, se ouvisse, ele iria embora mais rápido; mesmo que isso não fizesse nenhuma diferença em sua decisão. Não era como se ela tivesse outra opção de qualquer jeito, vendo que Shisui ainda estava parado no mesmo lugar.
Sakura exalou e fixou olhos cansados no homem em frente à sua mesa. Ele estava exatamente do mesmo jeito; exceto pelos olhos, que não pareciam tão duros. "Certo. Vá em frente e seja breve." Ela cruzou os braços em frente ao peito. "Eu ainda tenho documentos para terminar."
A expressão no rosto de Shisui era quase imperceptível e só alguém que fosse próximo a ele saberia dizer. Mas Sakura viu. Surpresa. Surpresa e descrença. Então ele se controlou e deu um passo à frente, levantando os ombros e inclinando o queixo em direção a ela. Sakura esperou.
"Começou por volta de um ano atrás."
Imediatamente o pulso em sua têmpora começou a latejar com a necessidade de protestar. Um ano. Um ano. Todo esse tempo Shisui já sabia sobre tudo isso e mesmo assim... Engolindo em seco, Sakura soltou os braços e apoiou um deles em uma das estantes de livros na sala, forçando-se a respirar fundo e contar até dez mentalmente. Ela ouviria–mesmo não parecendo que iria melhorar–e então teria toda razão em manter sua decisão inicial.
Ele parecia mais tenso agora, provavelmente por sua expressão. "Os anciãos começaram a pensar sobre um casamento. Obviamente, como sendo o mais velho dos que ainda não são comprometidos, eu seria um dos primeiros a ir, mas," Shisui se interrompeu, olhando-a como se fosse um animal selvagem prestes a atacá-lo, "por favor, me deixe terminar antes de decidir sobre qualquer coisa."
Quando Sakura não respondeu, Shisui fez uma pausa, respirou lentamente e se encostou na mesa, onde apoiou a máscara e cruzou os braços. Olhos negros estavam direcionados para o chão enquanto continuava.
"Admito que de início eu não levei a sério. Eu ouço rumores de que eles procuravam por uma noiva adequada," para isso, Sakura estreitou os olhos, "há algum tempo, mas nunca deu em nada. Então eu esqueci sobre isso. Continuei com as missões. Conheci você."
Ele a olhou brevemente, seus olhos muito mais suaves agora, as sombras na sala deixando-os com um aspecto mais profundo, como se não tivessem fim.
Com a respiração presa na garganta em nervosismo, Sakura apertou seus dedos ao redor da prateleira que segurava, sentindo seu pulso acelerar. Era ridículo. Não havia nenhum motivo aparente para sentir-se assim e mesmo assim não conseguia evitar seus dedos de tremerem.
Ela franziu o cenho e isso fez com que Shisui continuasse, sua voz um pouco mais forçosa. "Eu conheci você e fiquei intrigado, como disse antes. Eu a segui porque queria conhecê-la melhor, queria passar mais tempo com você. E então me apaixonei."
Toda essa história ela já conhecia; mesmo assim não impediu seu coração de pular algumas batidas. Ouvindo-o dizer essas coisas era o seu ponto fraco. Havia sido da primeira vez, das vezes seguintes, em declarações aleatórias, e estava sendo agora.
Era muito triste que a história não acabava aí.
Shisui apenas a olhava. Quando um momento passou e ficou claro que ela não diria nada, ele fechou os olhos e suspirou.
"Eu fiquei sabendo da decisão deles duas semanas depois de ficarmos juntos."
Isso chamou sua atenção e Sakura levantou a cabeça tão rápido em direção a ele que sentiu um estalo.
Duas semanas. Então, na maior parte do tempo em que estavam juntos, ele realmente já sabia. Saber disso não ajudava em nada com a situação, pelo contrário; sentia que havia apenas piorado…
Mesmo assim ela forçou-se a raciocinar. Os anciãos deveriam ser culpados por isso. Shisui estava realmente apenas seguindo ordens.
Por outro lado, isso não explicava o fato de ter escondido toda a história dela–assim como ser "segredo de clã" não explicava.
Sakura franziu a testa sem perceber, distraída por seus pensamentos. Shisui devia ter percebido isso porque ele levantou da mesa e se aproximou aos poucos até que estivesse em frente a ela. Só então Sakura percebeu e o olhou nos olhos.
Shisui esticou uma de suas mãos, tocando o ombro dela levemente. Sakura segurou a respiração, mas não reagiu de forma negativa a isso, então ele fez o mesmo com a outra mão, fazendo com que acariciassem os braços dela. O pequeno gesto fez arrepios correrem por todo o seu corpo.
"Tudo isso foi um erro," Shisui sussurrou, fazendo um caminho de cima para baixo em seus braços. Sakura sentiu-se hipnotizada no lugar pelos olhos dele; tanto que nem tentou disfarçar outro pequeno arrepio que atravessou seu corpo.
Por todo esse tempo, estava tão cega pela raiva e o sentimento de traição que não havia percebido o quanto sentia falta dele.
Você já está apaixonada.
Como odiava Ino por estar certa.
"Nós podemos voltar a ser o que éramos," Shisui continuou, aproximando-se mais e mais, suas mãos subindo lentamente pelos seus ombros, pescoço, até chegarem em seu rosto, uma de cada lado. Tão suave. "Nós podemos encontrar um jeito de contornar isso."
Nós.
Lágrimas chegavam aos seus olhos, mas Sakura estava cansada de não deixá-las cair. Estava cansada de carregar toda essa situação nas costas, de fingir que estava tudo bem, de fazer-se de desentendida para que não recebesse olhares de piedade ou escárnio.
Shisui umedeceu os lábios, tomando um último passo a frente, olhos negros esperançosos presos nos seus. Não havia escapatória daqueles olhos. "Eu senti sua falta durante todos esses dias."
E se não tivesse que fazer mais nada disso? Se pudesse apenas deixar tudo ir… ele estava bem em sua frente, afinal. Com ela. Do jeito que sempre pareceu estar. Era exatamente o que importava.
Shisui pertencia a ela. De algum jeito, Sakura sempre soube disso.
Então, quando ele se aproximou, parecendo ter a intenção de tocar a testa na dela, Sakura tirou proveito do momento e selou seus lábios juntos. Suave, simples, mal tocando.
O ato o pegou de surpresa, mas isso não durou muito. Ela viu suas pupilas dilatarem antes dele olhar para seus lábios. Seu coração parecia querer saltar do peito quando ele se inclinou e a beijou da maneira mais firme que Sakura já havia sentido.
Suas costas tocaram a estante de livros atrás de si e as lágrimas caiam livremente agora, mas Sakura não se importava. A única coisa que importava era ele. Eles. Coexistindo sem nada nem ninguém ao redor, em vista e em mente.
Suas mãos tocaram o rosto dele para mantê-lo ali, mas Shisui tinha outras ideias. Ela sentiu a respiração dele em seu pescoço antes dele beijar exatamente onde seu pulso acelerava e subir para a mandíbula, traçando um caminho até sua orelha.
"Me perdoe, meu amor," ele sussurrou, baixo e profundo, e Sakura ouviu um gemido antes de perceber que havia deixado seus próprios lábios. Ela jurou para si mesma que nunca havia ouvido um som tão sensual como a voz dele, se os arrepios em seu pescoço já não fossem evidência o suficiente.
As mãos dele apertaram seus quadris e ela estava muito tentada a deixar um outro gemido escapar. Em vez disso demandou, enquanto segurava fios negros com firmeza, "Me beija."
Seus lábios foram dominados antes mesmo que pudesse terminar a ordem. Shisui a levantou contra a estante e ela passou as pernas ao redor da cintura dele, enquanto seus braços o seguravam pelo pescoço, tentando trazê-lo para mais perto, mas, ainda sim, não era o suficiente.
Talvez…
Antes que pudesse pensar melhor e desistir da ideia, uma mão sorrateira passou por baixo da armadura que fazia parte do uniforme da ANBU, e por dentro da camisa, encontrando pele quente e um abdômen definido, com músculos ondulando em resposta ao toque. Nunca havia feito isso antes, tocar diretamente na pele; era sempre por cima de roupas. No momento, não conseguia imaginar por que não.
Shisui rosnou profundamente e passou a beijá-la de forma mais intensa e bagunçada, enquanto as mãos ligeiramente calejadas dele massageavam seu torso por dentro do jaleco.
De repente, aquelas roupas atrapalhavam demais. Apenas uma fina barreira para o que mais interessava no momento. Ela queria mais. Mais dele. Todo ele. Porque estaria amaldiçoada se deixasse sua mente pensar–
"Não fique tão pálida, pequena Sakura. É claro que você não acreditava que Shisui ficaria com alguém como você, não é?"
Olhos verde esmeralda se abriram, espantados. Ela colocou uma mão entre eles, empurrando de leve o peito dele. Isso só o fez descer para o seu queixo e seguir com mordidas e mais beijos.
"Shi–" Sua voz era apenas um pouco mais que um gemido baixo, sem forças para fazer o que queria nesse momento. Algo que nem ela mesma sabia exatamente o que era.
"Hmm." Foi a única resposta que recebeu enquanto ele continuava com toda a sua atenção. Lábios descendo para sua garganta e mãos apertando suas pernas nuas e subindo, subindo, até chegarem–
"Oh, Shisui."
Shisui.
Shisui.
"Eu não sei se você ouviu, mas eu sou a noiva de Shisui."
Aquela voz. Continuava insistente em sua mente, puxando-a para ver algo. Algo que estava bem em sua frente. Se apenas pudesse enxergar através de sua mente nublada com todas as sensações que–
Shisui pressionou seus corpos juntos deliciosamente e ela gemeu mais uma vez, quase esquecendo–
"Nunca vou deixar o clã tirar você de mim."
Clã.
"É difícil dizer. Você sabe como a política de clãs tradicionais não costuma ser flexível. E chega a ser pior com o Uchiha…"
Uchiha...
Mai.
E então todas as lembranças a atingiram em cheio. Sua conversa com Tsunade, as palavras rudes e dolorosas de Mai, os conselhos de suas amigas…
Sua conversa com Shisui e como ele saiu furioso.
Não deveríamos estar fazendo isso.
"Shisui," ela chamou mais firme dessa vez, empurrando-o forçosamente para longe de si.
Ele piscou, sua expressão confusa. Seus cabelos estavam uma bagunça–de um jeito que só nele ficava bem. Lábios vermelhos e inchados levemente entreabertos em surpresa.
"O que–"
"Não podemos." Sakura passou uma mão em cabelos rosados, tentando arrumá-los, enquanto a outra puxava o jaleco de volta aos seus ombros, tentando esticar as roupas que usava por baixo. "Por mais que não pareça, isso é errado agora."
Shisui riu com descrença, ainda sem fôlego. "Errado?" Seus olhos estavam cheios de emoção–vulneráveis. "Eu fiz muitas coisas erradas ultimamente." Ele assentiu e apoiou as mãos na estante, em cada lado de seu corpo, prendendo-a no lugar. Seus olhos estavam penetrantes nos dela, intensos. "Nada nunca pareceu tão certo em toda a minha vida, Sakura."
"E Mai?" Ele enrijeceu no lugar. "Você pensou sobre ela? Por mais odiosa que ela possa ser, ninguém merece passar por algo assim," Sakura gesticulou entre eles, "uma traição."
Uma expressão incrédula apareceu em suas feições momentaneamente. "Eu nunca estive com ela como eu estive com você. Como um casal," Shisui respondeu friamente, a expressão no rosto dele agora dura como pedra.
Sakura balançou a cabeça e olhou para longe dele, mordendo o lábio. Enquanto saber disso era reconfortante, não ajudava na situação. "Ainda sim ela é sua noiva," ela sussurrou.
Olhos negros brilharam com a palavra, o mesmo brilho que apareceu quando ela mencionou esse fato na primeira conversa que tiveram. Fúria.
Sakura suspirou, interrompendo a resposta que certamente viria. "Não podemos continuar assim," ela gesticulou ao redor com uma mão, "escondidos em salas. Você não pode esperar isso de mim."
Shisui finalmente se afastou, uma expressão de mágoa passando por suas feições antes dele tentar encobrir. Era clara como o dia sem aquela máscara. Alguns dos dedos dele tremeram e Sakura sentiu seu coração apertar, quase desejando que não tivesse abordado o assunto.
"Então você não quer que fiquemos juntos." Parecia uma questão, mas ela não achou que deveria ser uma. A voz dele estava tensa, mesmo com ele tentando esconder.
Após alguns momentos em silêncio, Sakura respondeu em um sussurro, "Não desse jeito. Eu não suportaria ficar com você assim."
A mandíbula dele contraiu algumas vezes, saltando contra a pele. Suas mãos se fecharam em punhos e, depois de um silêncio ensurdecedor em sua sala parcialmente escura de fim de tarde, ele olhou para longe dela, para a janela. Sakura mordeu o lábio em ansiedade e esperou por uma resposta que sabia que não viria. Não havia mais nada que pudesse ser dito–não depois de ter esclarecido exatamente o que queria. A única coisa que restava a ser feita era Shisui respeitar sua decisão.
Sakura estava quase arrependendo-se do que havia feito e estava prestes a estender o braço para ele, mas Shisui pareceu voltar a si no mesmo momento, seus ombros relaxando com um suspiro cansado.
Ele a olhou como se não quisesse fazer o que precisava ser feito; como se esperasse que ela o impedisse. "Eu te deixarei então."
O capitão ANBU não esperou por uma resposta. Um momento estava bem a sua frente, no outro Sakura estava sozinha na sala novamente. Uma leve brisa entrou pela janela, mexendo com alguns fios rosados e dando ênfase a melancolia que sentia. Dessa vez estava definitivamente decidido. Sentia que havia terminado com ele mais uma vez.
Quando finalmente teve coragem de sair do lugar e organizar seus pensamentos, Sakura percebeu algo em sua sala que definitivamente não pertencia ali.
Seus dedos traçaram os contornos da máscara em sua mesa, uma expressão pensativa e um pouco preocupada tomando forma em seu rosto. Ela franziu o cenho, chegando a conclusão disso.
Ela veria Shisui novamente. E muito em breve.
