Mais um capítulo! Eu gostaria de agradecer pelos amáveis comentários e dizer que eu leio e releio todos! Eu não sei como responder, nem sei se tem opção para responder por aqui. Se tiver, por favor, me avisem.
Esclarecendo algumas questões, eu AMO comentários, então sintam-se livres para me dizer o que vocês estão achando da história, dos personagens, o que acham que vai acontecer, e vou responder o que eu puder por essas notas, sem revelar informações importantes, hahaha. E também, para quem gosta de procurar por pistas, (a propósito, abismo de cinzas–eu absolutamente amei o seu comentário) no capítulo anterior tinha algumas; pequenas coisas que nem mesmo a Sakura desconfiou.
Shisui… terá uma parte na visão dele, mas bem pequena e mais para o final da história. Ao contrário de Percepção, que teve partes na perspectiva de Shisui, em Obscuridão eu quis manter algo mais misterioso, coisas que iríamos calcular e descobrir junto com a Sakura. Então desculpa para quem estava esperando por algo assim, mas ainda sim a parte dele vai revelar coisas importantes que não vimos ainda.
E mais uma coisa! Obrigada, mina.mia.b, pelo comentário. Eu sei como é complicado ler histórias com o tradutor, pois eu mesma estava lendo uma em espanhol, e eu aprecio que esteja fazendo esse esforço! Espero não desapontar.
Boa leitura!
Naruto não me pertence.
Obscuridão
Capítulo 6: Fique Bem Logo
Quando finalmente conseguiu focar em seus arredores, Sakura percebeu que não estavam mais no banheiro. A luz que deixou acesa em sua cozinha brilhou no canto de seus olhos e imediatamente Sakura sentiu náusea fazendo tudo girar. Era uma sensação bem incômoda e achava que levaria um bom tempo até finalmente acostumar-se.
Não que ainda tivesse que acostumar-se com a técnica, levando em conta que não deveria mais estar junto dele para isso acontecer–algo que claramente estava muito errado nessa situação.
Braços fortes ainda estavam ao seu redor, segurando-a firmemente e possessivamente contra outro corpo. Mesmo momentos depois, quando não sentia-se mais enjoada, ele não a soltou. A tensão no ar era palpável e o silêncio estendido só fazia tudo piorar. Por mais que tentasse pensar sobre toda a duração do evento, não conseguia dizer qual era o motivo para tudo isso.
No momento em que teve esse pensamento, uma clara imagem de Kaito secando suas lágrimas e suavemente dizendo palavras tranquilizadoras apareceu em sua mente, fazendo-a encolher-se internamente. É claro que sua incrível má sorte ultimamente não a deixaria livrar-se dessa. Era claro, considerando todo esse comportamento, que Shisui havia visto aquela cena.
O beijo.
Não podia relaxar nem mesmo por um mero momento.
Sakura colocou uma mão no peito dele, afastando-o um pouco para poder olhá-lo nos olhos. "O que você pensa que está fazendo?"
Shisui estava sério, como em todas as vezes que o viu depois daquela noite. Dessa vez, no entanto, o olhar em seus olhos era estranho; era como se não a conhecesse. "Te trazendo para casa, como aquele cara deveria ter feito."
Sua voz ganhou um tom de sarcasmo ao referir-se a Kaito, como se a situação toda fosse ridícula, quando na verdade foi ele quem agiu fora do normal–considerando beijo e tudo mais. Ele poderia estar zangado com o que viu, ela podia respeitar isso, mas não era motivo para agir como se a possuísse. Sakura sentiu seus olhos se estreitarem perigosamente. Quem Shisui pensava que era para tentar controlar sua vida assim?
"Eu não preciso de Kaito e certamente não preciso de você para isso. Posso tomar conta de mim mesma," ela disse impacientemente, sentindo raiva crescer dentro de si. Estava cansada de ser jogada de lado, como uma criança indefesa, e ter suas escolhas sendo feitas pelas pessoas ao seu redor.
Principalmente Shisui.
Ele sorriu em escárnio, finalmente deixando seus braços a soltarem. Lambendo os lábios, ele procurou por seus olhos antes de responder seriamente, sua voz ganhando um tom duro que nunca havia usado com ela antes, "Não era o que parecia para mim. Eu vi o modo como ele te olhava. E eu vi aquele beijo medíocre. Aquele cara queria você e, talvez, se eu não tivesse chegado a tempo, ele teria conseguido. Ele também estava procurando por você."
… e então ela atingiu o seu limite.
Posicionando suas palmas no peito dele, Sakura prontamente o empurrou com toda a força que tinha, sem usar chakra, para longe de si. Ele cambaleou um pouco antes de conseguir equilibrar-se novamente. Ela aproveitou o momento de surpresa para aproximar-se mais uma vez e segurá-lo pela gola da camisa, trazendo o rosto dele para mais perto do seu.
"Para a sua informação," Sakura declarou entre dentes, furiosamente, "Kaito faz parte da minha missão. Ele precisa da minha ajuda–como sendo assistente da Hokage e nada mais–para encontrar uma noiva adequada, algo que eu tenho certeza que você deve saber quais são os requisitos para isso; ou seja, não inclui alguém como eu."
Shisui arregalou os olhos um pouco antes de engolir em seco, sua atenção totalmente concentrada nela. Sakura ergueu o queixo e continuou em um tom de voz frio, "Não que o que eu faço seja da sua conta; não quando você andou mentindo para mim."
Olhos negros se estreitaram, um lampejo do que parecia ser arrependimento passando por eles. Nenhum dos dois pareciam dispostos a quebrar o silêncio, deixando apenas as palavras dela pairando entre eles. Sakura conseguia sentir a raiva deixando seu corpo lentamente com os minutos que se passavam, o que em troca trouxe uma percepção maior de como estavam.
O que não era algo bom porque conseguia sentir o perfume puramente masculino dele, um perfume que não sabia que sentia falta. Podia sentir a respiração dele em seus lábios e na pele exposta de seu pescoço, como seus dedos tocavam a pele de onde estavam segurando a gola da camisa. Exatamente como na outra noite.
Como se pudesse sentir isso também, Shisui colocou suas mãos ao redor das dela, tirando-as gentilmente de sua camisa e abaixando-as. Então ele trouxe as suas de volta para o rosto da kunoichi, uma em cada lado, fazendo-a olhar para ele. Tão suavemente que Sakura sentia que poderia chorar.
Olhos negros estavam suaves e calmos. Mesmo assim, nenhuma palavra foi dita.
"Você não tem o direito." Sakura quebrou o silêncio, sua voz trêmula e frustrada, apenas um sussurro. Quando sentiu seus olhos começarem a arder, ela respirou fundo, prometendo a si mesma que não choraria. Estava cansada de chorar. Não na frente dele. "Você não tem o direito de decidir qualquer coisa na minha vida. Não depois de tudo o que aconteceu, de tudo o que você me fez passar. Não depois dessa noite."
Podia ouvir sua voz cortar no final. Seu coração doía. Tudo ainda estava muito recente até para conseguir falar sobre. Achava que havia feito progresso, mas a verdade era que apenas olhar para ele, estar no mesmo espaço que ele, ainda era demais. Tinha como exemplo tudo o que sentiu ao vê-lo com Mai. Shisui não tinha o direito de agir daquela maneira… e Sakura não tinha o direito de sentir-se magoada. Ele não era mais nada dela, não importava o que havia pensado naquele dia no hospital.
Mas mesmo assim doía. E se odiava por isso.
A mandíbula dele saltou contra a pele enquanto seus olhos endureciam e, baseada em experiências anteriores, ela pensou que mudariam para sharingan a qualquer momento. As mãos dele ainda estavam suaves em seu rosto, no entanto; gentilmente traçando linhas em suas bochechas.
Por fim, Shisui fechou os olhos e exalou. Sakura sentiu sua respiração presa na garganta.
"Você tem razão," ele disse, voltando a olhá-la. Sua expressão parecia triste por um momento, até ele esconder por trás de sua fachada impassível, sem nada a revelar. As mãos dele soltaram seu rosto após uma certa hesitação. "Eu não tenho o direito. E eu não mereço você."
Quando finalmente estava completamente sozinha, a noite passou como um borrão. O sono não chegou até às duas da manhã, que foi quando conseguiu parar sua inquietação e os vários pensamentos que preocupavam sua mente. Mesmo assim, quando os primeiros raios de sol atingiram seu rosto, ela acordou sentindo-se drenada. A reunião foi um fiasco e não deveria ter acontecido de maneira alguma para ela.
Depois de sua breve conversa com Shisui na noite passada, Sakura não conseguia livrar-se do sentimento de culpa que a acompanhava. A situação toda apenas serviu para deixá-la com um gosto ruim na boca, como se estivesse prestes a vomitar a qualquer momento.
Bem, agora você não tem ninguém para culpar além de você mesma.
Teria que lidar com isso, por maior que fosse a vontade de apenas trancar-se em casa e perder a chave.
Balançando a cabeça, Sakura entrou no prédio designado para abrigar a caravana do daimio, acenando para a atendente familiar na recepção, e rapidamente subindo as escadas. O quarto de Kaito estava sendo guardado, como de costume, mas os guardas não se importaram em vê-la ali; apenas inclinaram a cabeça em cumprimento enquanto concediam acesso à porta, como sempre.
Ela bateu uma vez suavemente antes de abrir e deixar-se entrar. Depois do que aconteceu na outra noite, Sakura supôs que não seria nisso que ele veria problema.
Momentos depois, Kaito saiu do banheiro, uma toalha enrolada ao redor da cintura e uma menor secando os curtos fios castanhos. Não parecia nem um pouco envergonhado ao vê-la ali, Sakura notou.
A princípio, o filho do daimio a considerou com um franzir de sobrancelhas. Quando ela achou que exigiria uma explicação, um sorriso brilhante apareceu em suas feições, se não um pouco astuto; como um gato planejando seu próximo movimento de ataque. Ele piscou sonolento e disse, "Bom dia, Sakura-san. Não esperava vê-la tão cedo assim."
Sakura se forçou a não fazer uma careta dolorosa com a maneira como o honorífico foi pronunciado. Em vez disso, ela colocou sua bolsa na mesa próxima a porta e, tentando ignorar o estado inapropriado em que ele estava, arranjou um assento em uma das cadeiras ao redor. "Nós precisamos conversar."
Seu tom de voz e expressão sérios fizeram com que Kaito perdesse o ar brincalhão e a observasse criticamente. Ele se aproximou da cama e sentou, passando uma mão nos cabelos úmidos e desgrenhados. "Sobre o quê? Está tudo bem? Você desapareceu ontem."
Sakura suspirou. Não tinha uma maneira mais fácil de fazer isso.
"O que aconteceu ontem," ela começou, olhando-o nos olhos, esperando transmitir toda a seriedade da situação e quão arrependida estava. Ele nem ao menos piscou. "Na verdade foi um grande erro da minha parte."
Seu rosto, geralmente gentil e jovial, formou um cenho, como se estivesse perdido em pensamento. Sakura continuou antes que ele pudesse interrompê-la e fazer com que sua coragem se esvaísse. "Eu não deveria ter feito aquilo. De fato, eu só o fiz pensando em alguém que me machucou. Vejo agora que foi egoísta e impensável, algo que eu nunca teria feito se estivesse com a cabeça no lugar, e eu sinto muito."
Sem contar que foi uma falta de respeito beijá-lo sem permissão quando ele apenas tentava ajudar. Dito isso, ele mesmo não parecia tão preocupado com isso.
"Então você está dizendo," Kaito replicou devagar, braços apoiados nos joelhos e olhos azuis estreitando-se, "que só me beijou porque Shisui-san estava por perto e poderia ver."
Não era uma pergunta, mas ela assentiu em confirmação da mesma forma. Vagamente Sakura se perguntou como ele sabia sobre ela e Shisui, mas isso não vinha ao caso agora. A declaração soava muito pior quando ele dizia, assim como aconteceu com Shisui.
Na verdade, nem Sakura sabia dizer se era realmente por isso. Ela estava confusa e Kaito a consolava. No momento ela não tinha certeza se estava ao menos pensando em Shisui além da óbvia dor que ele a fez sentir.
Ela pensou que seria mais fácil seguir com essa linha de pensamento que tentar explicar o que estava sentindo naquele momento.
De qualquer jeito, soava um pouco melhor que dizer: "eu nem sei por que te beijei."
"Se ele não estivesse lá, você não teria me beijado?"
Sakura mordeu o lábio. Apesar de surgir de uma falsa linha de raciocínio, uma em que só o beijou para deixar Shisui com ciúmes, esse era o ponto que precisava ser esclarecido. "Não, eu não teria. Eu não gosto de você dessa maneira."
O cenho pareceu aprofundar-se e uma onda de silêncio atingiu o cômodo, um momento extremamente embaraçoso. Ela não tinha mais nada para dizer e apenas esperou que Kaito quebrasse o silêncio.
Enquanto observava, o rosto dele suavizou em uma expressão quase triste, o que pegou Sakura de surpresa, fazendo-a sentar-se um pouco mais ereta.
"Não me entenda mal, Sakura-san. Enquanto eu também não gosto de você dessa maneira, eu a considero uma amiga, então eu acabo me preocupando. Por que você ainda insiste depois de tudo o que ele te fez passar?"
Eu não esperava por isso.
Olhos verdes arregalaram em surpresa, agora sem tentar ignorar o que Kaito deixou transparecer. Como ele sabia, com tanta certeza, que Shisui a fez passar por algo ruim? Sakura estava certa de que não havia sequer mencionado Shisui a ele e podia garantir que seu ex-namorado não se aproximaria de Kaito por vontade própria. Também poderia dizer o mesmo de suas amigas. Então como?
Ela guardou essa questão para depois e limpou a garganta nervosamente. Isso também não vinha ao caso agora. "Infelizmente eu não posso escolher como eu me sinto. Seria bem mais fácil se fosse desse jeito."
Não esperava que logo ele, o filho despreocupado do daimio, entendesse assuntos relacionados a sentimentos. Kaito era, sim, uma ótima pessoa, como Sakura chegou a descobrir; mas, ainda assim, era um cara problema. Do estilo de como Shisui costumava ser.
Talvez eu tenha um tipo, ela fez uma careta, talvez seja minha culpa.
"De qualquer jeito," Sakura continuou, ignorando esses pensamentos e ganhando novamente a atenção de Kaito. "Eu estou realmente arrependida de ter me comportado daquela maneira e eu espero que você possa me perdoar."
"Está tudo bem, Sakura-san. Eu fui um idiota com muitas. Acho que estava na hora de receber o troco." O seu sorriso atrevido era a confirmação que ela precisava para saber que não havia nenhum sentimento ruim entre eles. Até porque ainda era a guia dele. Seria muito inapropriado para a missão se não acertassem tudo.
Outra coisa para manter em mente, ela repreendeu a si mesma.
"E," Sakura continuou antes que pudesse esquecer, "gostaria de me desculpar por ter sumido daquela maneira. Eu apenas… precisava ficar sozinha por um tempo."
"Ei, está tudo bem." O sorriso dele alcançou os olhos dessa vez, brilhante e totalmente contente. Então seu rosto se desmanchou em uma falsa expressão insultada. "Sabe, eu não sou completamente incapaz como você parece pensar."
Sakura sorriu gentilmente para a provocação e levantou, pegando a alça de sua bolsa junto. Já estava na hora de ir para o trabalho. "Obrigada, Kaito-san. Eu realmente preciso ir agora. Te vejo em breve?"
Antes que pudesse alcançar a porta, no entanto, uma mão em seu braço a impediu. Olhos verdes se voltaram para encontrar azuis suaves.
"Shisui-san era um homem de sorte de ter tido uma pessoa tão bondosa como namorada. Eu não consigo acreditar que ele tenha cedido tão fácil."
Apesar de ir além disso, suas palavras soaram tão honestas que Sakura sentiu seu coração apertar com uma angústia que era uma velha amiga a esse ponto. Ela pegou a mão em seu braço e apertou, esperando que passasse sua gratidão, pois ela não tinha palavras para respondê-lo. Com um pequeno sorriso, ela deixou o apartamento, pensando que realmente havia encontrado um bom amigo em Kaito.
Seu dia passou quase sem intercorrências depois disso, o que a deixou aliviada. Além do chūnin que a visitou com um pedido de Tsunade para encontrá-la ao final de seu turno, Sakura havia feito planos para almoçar com suas amigas. Acabou que teve um paciente de última hora, um aluno da academia que deu entrada inconsciente, e o atendimento levou quase todo o seu horário de almoço.
Tenten apareceu em sua sala durante esse tempo e elas acabaram fazendo um lanche na cafeteria do hospital. Em momento algum ocorreu a Sakura perguntar sobre Ino e Hinata.
Mais tarde naquele dia, aproximadamente às oito da noite, Sakura bateu na porta da sala da Godaime, entrando ao ouvir o consentimento.
"Tsunade-sama," Sakura cumprimentou, enquanto fechava a pesada porta atrás de si. Ela deu um sorriso rápido a Shizune, que retornou da mesma forma, de onde segurava Tonton perto da janela. "A senhora queria me ver?"
"Sim, sim." Tsunade esticou uma mão e deu dois tapas do outro lado da mesa, onde tinha uma cadeira vaga. "Sente-se."
Sakura fez o que foi ordenado e olhou nos olhos cor de mel de Tsunade em curiosidade. Tsunade apenas entrelaçou os dedos em frente ao rosto. "Eu resolvi que vou apresentar o nosso projeto aos clãs na próxima reunião e eu queria que você soubesse o mais breve possível."
Previsivelmente, sua ansiedade repentina quase a fez lançar várias perguntas ao mesmo tempo. Ela respirou profundamente para acalmar-se. "Então vocês conseguiram terminar?" Ela olhou de Tsunade para Shizune. "Vocês encontraram pessoas afetadas o suficiente?"
Tsunade suspirou e algo em seu peito apertou ainda mais, sua resignação de semanas anteriores retornando com toda a força. "Nós realmente encontramos mais crianças afetadas, sim."
Sakura franziu o cenho. Então qual era o problema…?
Tsunade olhou para Shizune e assentiu. Sua senpai sorriu tristemente para ela. "Bem, o que acontece é que nós não podemos forçá-los a nada. Toda essa pesquisa tinha o objetivo de juntar a quantidade de provas necessárias para mostrar o quão não benéfico o casamento entre pessoas de um mesmo clã poderia ser e esperançosamente persuadi-los a mudar isso."
"Sim, é claro, nós já havíamos discutido isso," Sakura replicou, ainda não entendendo o propósito. Ela sabia desde o princípio que haveria essa possibilidade.
"Então," Shizune continuou, "ontem eu estive conversando com anciãos e líderes de clãs que ainda favorecem essa prática." Sua respiração engatou. "O que acontece é que a maioria deles, os anciãos do clã Uchiha principalmente, se mostraram completamente contra essa mudança de tradição. Eles ainda pensam que a linhagem deveria permanecer 'pura', mesmo com a probabilidade de crianças nascendo com deficiências em suas redes de chakra e até mesmo no funcionamento do kekkei-genkai."
Quando Shizune terminou, Sakura olhou para baixo, exalando longamente. Indignação a fez estreitar os olhos para a mesa. "Isso é horrível!"
"Nós sabemos," Tsunade disse depois de um suspiro cansado, olhando para Shizune seriamente antes de voltar a ela. "Eu achei melhor que você soubesse para evitar surpresas na hora. Você estará presente na reunião." Tsunade ergueu uma mão para impedi-la quando Sakura abriu a boca para protestar. "Eu suponho que quanto mais opiniões a favor, melhor, mesmo que você e Shizune sejam minhas alunas e mais propensas a concordar comigo. Mas é isso; Uchiha pode acabar tendo que ir em frente com o casamento."
Sakura abaixou a cabeça para esconder a súbita tristeza em seu olhar. A voz de Tsunade era suave, mas as palavras cortaram mais profundamente que qualquer kunai que Tenten pudesse afiar, deixando-a crua. Ela engoliu a vontade de chorar porque já estava cansada disso. Sakura sabia que as chances disso acontecer eram grandes, por isso sofreu tanto quando soube. Isso não era nada novo, mas ainda sim, ouvir quase uma confirmação, doía.
Ela levantou de repente; Tsunade e Shizune se assustaram e a olharam em preocupação. Estava cansada disso também.
Shizune falou primeiro, sua voz baixa, "Sakura, você–"
"Nós vamos fazer isso," Sakura a interrompeu, sentindo raiva com o pensamento de como anciãos e conselhos de clãs poderiam ser tão descuidados e cruéis com sua própria família. "Se não por mim, pelas futuras crianças," ela disse incisivamente, observando Shizune e Tsunade mais uma vez trocar olhares estranhos. "Elas não merecem passar por algo assim por causa de um capricho."
Tsunade sorriu fortemente e Shizune assentiu uma vez, Tonton grunhindo em seu colo como se também concordasse.
"Faremos isso, então," Tsunade confirmou.
Ino olhava distraidamente para a entrada do hospital, esperando Sakura quase ansiosamente para almoçar. O sol do meio dia, apesar de um pouco mais forte agora, ainda não se comparava ao do verão em Konoha; seus raios atingiam a pele, mas acompanhados de uma brisa mais fria que volta e meia passava entre as árvores, fazendo folhas secas soltarem de seus galhos e flutuar ao redor antes de pousarem lentamente no chão.
Para Ino, outono sempre parecia transmitir uma energia melancólica. Combinava com o humor atual.
Tenten suspirou longamente ao lado de Ino. "Não consigo entender por que Sakura faria algo assim, mesmo que tenha visto Shisui-san..." ela comentou, parando e balançando a cabeça. Ela estava preocupada e não era para menos. A confirmação dessa preocupação vinha com a kunai em sua mão, que ela girava e jogava para cima, pegando logo em seguida, há poucos momentos de atingir sua palma. No caso de Tenten, um hábito comum de nervosismo.
Ino assentiu, concordando. Não havia entendido o motivo de Sakura beijar o filho do daimio a princípio, mas então, quando a kunoichi quase saiu correndo do lugar, Ino cortou o olhar para o lugar onde havia avistado Shisui pela última vez. Sem erro, lá estava ele: com Uchiha Mai enrolada em torno de seu pescoço e muito perto para ser considerado apropriado em uma reunião de clãs. Ninguém mais, além de Shisui, parecia ter notado o que havia acontecido entre sua amiga e Kaito.
Depois disso o comportamento de Sakura já não parecia mais tão estranho.
Ino observou o olhar perplexo e magoado de Shisui até ele teletransportar-se para fora dali, deixando Mai surpresa e um pouco irritada para trás.
"Quero dizer, Sakura deve estar muito confusa depois de tudo isso. Não tem sido dias fáceis para ela." A voz suave de Tenten soou novamente a sua esquerda, tirando-a de seus pensamentos.
"Sim. Coitada," Hinata murmurou a sua direita. Depois disso, elas ficaram em silêncio por um tempo.
Se pudessem fazer algo por ela… Ino olhou para a entrada do hospital, rodeada pelas altas árvores do pátio, e trouxe uma mão aos lábios, mordendo uma unha ansiosamente. Essa situação era tão injusta! Logo quando estavam se dando tão bem… Antes, quando ainda brigavam por Sasuke nos tempos de academia, Ino costumava pensar amargamente que nenhum Uchiha poderia possivelmente combinar com Sakura; ela era muito brilhante, gentil e ingenuamente esperançosa para se dar bem com Uchihas taciturnos e arrogantes. Isso até ela conhecer Shisui… e se existia um Uchiha perfeito para Sakura, era ele.
Devia ter alguma forma de intervir nesse casamento. Com esse pensamento, ela sentiu um chakra distantemente familiar próximo a elas e Ino olhou para o lado, além de Tenten, para encontrar o centro de todos esses problemas.
Mai caminhava apressadamente em direção às portas do hospital. Ela não parecia ter avistado o grupo de kunoichis esperando no pátio. Apesar de parecer urgente, as roupas simples e civis e o estado alinhado em que Mai se encontrava diziam outra coisa. Ino sentiu uma ideia começar a formar-se em sua mente.
Olhos azuis olharam para as portas deslizantes do hospital novamente–ainda nada de Sakura. Ino se virou para as outras duas kunoichis. "Eu acho que sei como podemos ajudar Sakura." Com olhares de questionamento como resposta, Ino continuou em seu tom de voz mais sério possível, "Mas vocês vão precisar confiar em mim e fazer o que eu disser agora. Não temos tempo a perder."
Tenten seguiu a direção que o olhar de Ino estava anteriormente–sua mente trabalhando rapidamente quando percebeu exatamente quem segurava a atenção da kunoichi loira–e prontamente estreitou os olhos em desconfiança. "Ino, tem certeza que deveríamos nos envolver com aquela mulher? Já não basta tudo o que tem acontecido, parte por causa dela?"
"É por isso que precisamos confrontá-la," Ino respondeu em um sussurro apressado enquanto observava Mai aproximar-se mais e mais, seu tom de voz convincente de que estava certa. "Se vamos lidar com isso para ajudar Sakura, precisamos começar pela fonte dos problemas."
Elas se entreolharam, concordando em silêncio que não era a melhor das ideias, entretanto não tinham muita escolha. Por esse motivo, não demoraram para decidir, entendendo também a urgência da situação. Tenten assentiu. "O que podemos fazer?"
"Ok," Ino começou, inclinando a cabeça na direção de Mai. "Tenten, vá para dentro do hospital e tenha certeza de que Sakura não saia de lá até terminarmos aqui e mandarmos um sinal."
Tenten assentiu com uma expressão determinada e não perdeu tempo em apressar-se para as portas duplas do hospital. Quando Tenten já estava fora de vista, Ino pegou a mão de Hinata na sua e seguiu em direção ao alvo delas. "Você vai me ajudar com ela."
Com o assentir hesitante de Hinata, Ino parou em frente a Mai, que franziu o cenho e cruzou os braços em frente a si enquanto diminuía o passo, mal contendo a hostilidade em seu rosto e sua voz. Ela não parecia surpresa. "Yamanaka, Hyuuga. A que eu deveria ser grata pela atenção?"
Hinata se mexeu ansiosamente ao seu lado. "O-olá, Uchiha-san," ela respondeu educadamente, tentando acalmar os humores visivelmente tensos com seu tom de voz suave.
Ino, por outro lado, estreitou os olhos e ignorou o cumprimento sarcástico, indo direto ao ponto. "Você sabe o que nós queremos, Uchiha. Assim como sabemos que veio até aqui atrás de Sakura."
Se Mai estava surpresa, ela novamente não demonstrou. Ela sorriu, sem humor, suas sobrancelhas erguendo-se em zombaria. "Por mais que eu goste de antagonizar você, Yamanaka, dessa vez não faço a mínima ideia de qual seja o seu interesse."
"Sakura e Shisui. Esse é o meu interesse. E você está seriamente no caminho," Ino disse duramente, ignorando o aperto nervoso da mão de Hinata na sua e dando um passo à frente.
Com pessoas como Uchiha Mai o mais inteligente era ser direto. Ela não apreciava enrolação, como a maioria dos Uchihas, e você poderia até perder a sua chance. Ino podia sentir Hinata olhando-a com olhos arregalados e certamente com uma expressão de pânico. Mai, por outro lado, mal moveu um músculo, mantendo aquele conhecido semblante inexpressivo do clã Uchiha, mas Ino sabia que havia acertado uma ferida. Uma ferida muito bem escondida, mas que estava ali.
"Não existe mais "Sakura e Shisui", minha querida. Você não ouviu? Achei que fosse uma garota atualizada, Ino-chan." Mai sorriu; um sorriso que mais parecia um rosnar de um predador para a sua presa.
Ino estreitou os olhos. Mai era viciosa, mas Ino sabia que estava no caminho certo. Só precisava empurrar um pouco mais. "Você sabe que sim. Você sabe que não vai conseguir separá-los assim tão fácil," ela respondeu baixo. "Eles procuram um pelo outro em qualquer lugar. Qualquer um com olhos pode ver. Desse jeito, só está conseguindo fazê-los sofrer."
Sua voz ganhou um tom suave no final.
Ino manteve seu rosto inexpressivo, tentando transmitir a seriedade da situação. Quem sabe assim poderia fazer alguma coisa funcionar na cabeça daquela mulher.
"E machucando a si mesma no processo," Hinata contribuiu. Se Mai não tivesse percebido que estavam falando sério antes, agora não tinha como não.
Quando a carranca em seu rosto apenas se aprofundou e nada foi dito, Ino perdeu um pouco de sua paciência. E era aí que morava o problema.
Ino apertou os punhos. "Será que se machuca mesmo?" Seu rabo de cavalo caiu por cima de um ombro enquanto ela inclinava a cabeça para fitar Mai criticamente e cruzar os braços em frente ao peito com a intenção de esconder a maneira como seus dedos tremiam. "Você não está fazendo isso por nada, está? Você gosta mesmo de Shisui?"
"Cuidado com o que diz, Yamanaka." Ino piscou e soube que sua última e mais dura tentativa foi um erro quando a próxima coisa que viu foi Mai bem em sua frente, inclinando o rosto para mais perto do seu. Uma tática de intimidação que tristemente funcionou. Ela era rápida!
Mas não podiam desistir agora.
"Você não gosta dele, não. Não como Sakura, disso eu tenho certeza. Você só se importa com prestígio."
Quando ela pensou que Mai fosse retaliar, ela apenas sorriu largamente, provando seu ponto sem dizer uma palavra.
No alvo.
Ino insistiu, aproximando-se e endireitando sua postura para que ficasse mais próxima da estatura de Mai. Olhos azuis se estreitaram, focados em olhos negros. "Você é a única que pode terminar esse noivado."
Mai gargalhou baixo e, por causa da proximidade, Ino podia sentir a respiração dela atingir seu rosto. "E por que eu faria isso? Não faz nenhum sentido, se o que você mesma insinuou for verdade. Vamos supor então." Seu sorriso ficou maior, insinuante. "Eu me importo com prestígio. Impedir esse casamento não teria nenhum benefício para mim." As duas kunoichis mais novas se entreolharam, percebendo o erro que haviam cometido. "Além disso, é um casamento arranjado pelo clã. Eu não tenho muito o que dizer sobre. Tenho certeza que as duas estão familiares com o conceito."
Mai se afastou, alinhando a roupa que usava sem muito interesse e saindo do caminho delas. "Se me derem licença, tenho coisas importantes para fazer agora."
Ela andou em direção ao hospital e Ino foi deixada para trás sem ideia alguma do que mais poderia fazer. Elas esqueceram de um importante fator e agora toda a situação só parecia ter ficado mais inatingível. Ela abaixou a cabeça e suspirou em derrota, pensando em Sakura e o seu estado nos últimos dias, desejando que pudesse ter feito mais e, ao mesmo tempo, arrependendo-se de ter encorajado os dois em primeiro lugar.
Movimento ao seu lado a fez levantar a cabeça e olhar para Hinata… que estava correndo em direção a Mai, longos fios escuros flutuando atrás dela. Ino franziu o cenho e a seguiu, mesmo sem entender o que estava acontecendo.
"Espera, Uchiha-san," Hinata chamou suavemente quando se aproximou, pegando Mai pelo braço antes que ela pudesse passar pelas portas.
O tom de Mai era mais impaciente que antes. "O que é agora?"
Ino não podia negar que se encolheu um pouco, mas ficou surpresa quando Hinata não se moveu. De fato, sua amiga normalmente tímida e de fala suave tinha uma expressão séria no rosto e um brilho de determinação no olhar.
Exatamente como Sakura.
"E se tiver alguma outra pessoa em vez de Shisui-san? Alguém ainda mais influente?"
Ela não está considerando…
Seus lábios se partiram em surpresa quando imediatamente percebeu de quem Hinata se referia.
Mai sorriu em interesse, pela primeira vez realmente considerando Hinata–com um certo brilho no olhar. Finalmente haviam conseguido sua verdadeira atenção.
Mesmo assim ela suspirou, impaciente; provavelmente por ter que explicar a mesma coisa mais de uma vez. "Mesmo se tiver, é um casamento arranjado." Ela ergueu as sobrancelhas incisivamente, apontando o óbvio novamente. "Eu não tenho uma palavra a dizer sobre isso."
Os ombros de Hinata caíram. É claro, logo quando conseguiram extrair uma faísca de interesse de Uchiha Mai, tinham se esquecido que o real problema era o clã. Estavam tão perto…
Ino piscou, lembrando de algo que a fez arregalar os olhos, algo que ouviu Shizune dizer para seu pai e seu avô. Poderia funcionar, combinado com o que Hinata planejava. Mas, definitivamente, precisariam de ajuda–e uma das grandes.
"Me diga," Mai disse com interesse, aproximando-se, as portas do hospital totalmente esquecidas. "Quem você tinha em mente?"
Mas antes que Hinata pudesse expor suas ideias, Ino as interrompeu, puxando cada uma delas pelo pulso e seguindo para longe da entrada do hospital, na direção em que podiam enxergar o monte com as estátuas dos Hokages.
Hinata protestou com um "Ino-chan!" surpreso, mas não resistiu, ao contrário de Mai, que tentava soltar seu pulso do aperto que só ficou mais apertado em resposta. Apesar de ser imaturo, Ino sentiu uma satisfação obscura quando Mai sibilou de dor. Ela virou seu rosto em direção às duas, ignorando as pessoas que as olhavam. "Nós vamos precisar conversar com Tsunade-sama se queremos ter alguma chance de continuar com esse plano."
É claro que eu não perderia a oportunidade de escrever Mai vs Ino. São como dois machos alfa brigando por território.
