Filho da mãe.

Tudo que eu menos precisava naquele instante era que ele viesse me trazer aquele tipo de mensagem confusa e sem nexo. Suspirei. Eu não sabia se eu corria atrás dele e demandava uma explicação, se eu chutava meu malão e amaldiçoava aquele loiro cretino ou se simplesmente bufava de raiva e ficava por lá.

A terceira opção parecia a melhor em questão de níveis de maluquice, então por lá fiquei, de olhos fechados tentando recuperar minha paciência.

Eu lia e relia o bilhete tentando achar alguma mensagem que eu não tinha entendido, um enigma talvez, mas nada. Era de fato um simples pedaço de pergaminho com uma escrita em uma caligrafia fina e bem desenhada.

- Infeliz. Até a letra dele tinha de ser bonita.

- O que é isso? – perguntou Hermione curiosa se aproximando e colocando sua mala ao lado da minha. Harry e Rony vinham logo atrás, puxando suas malas com muito mais facilidade. Santo quadribol.

- Um pedaço de pergaminho que eu vi jogado no chão. – disse disfarçando e enfiando-o no bolso de minha calça jeans. – Peguei para jogar no lixo... esse povo é muito sem noção de ficar jogando essas coisas por aí.

- Prontos? – disse Rony verificando o horário. – Está quase na hora.

- Estou com dor de cabeça... – reclamou Harry. Era óbvio que estava com ressaca.

- Que surpresa, não? – disse admirada. – Vamos acelerando o passo então... quero encontrar uma cabine vazia.

Susana nos achou enquanto estávamos na fila esperando por uma carruagem para nos levar até o trem. Eu vagava em meus pensamentos, imaginando que deveria haver um número muito maior de pessoas que agora podiam ver os testrálios, assim como Harry os vira anos atrás. Eu mesma era uma delas.

- Esses cavalos são mais bonitos do que eu imaginava. – disse analisando melhor um deles.

- São meio fantasmagóricos, – disse Susana ao meu lado. – mas bonitos.

Em silêncio, não querendo que ninguém mais desconfiasse de nada, simplesmente estendi o pergaminho para Susana sem olhar para ela. Ela o pegou de minhas mãos e leu, também em silêncio. Sua expressão mudou na hora – sua sobrancelha subiu em sinal de dúvida e com a melhor expressão de ponto de interrogação do mundo, ela se virou para mim. Eu dei ombros e fiz um sinal que explicaria depois.

Subimos em silêncio na carruagem. Harry parecia enjoado, Hermione e Rony conversavam entre si e eu contorcia minha blusa entre meus dedos. O que eu deveria fazer?

Entramos no trem e procuramos uma cabine vazia. Eu segurei minha respiração ao passar pela cabine 153, analisei-a bem, mas em nada ela parecia diferente, simplesmente uma cabine normal visivelmente reservada por uma mala da mão.

Continuei meu caminho e entrei na cabine que Harry e os demais haviam escolhido. Joguei minha bolsa no compartimento acima de minha cabeça e esperei a agitação no corredor passar. Uma vez com o trem fechado e pronto para partir, comecei a raciocinar furtivamente. 153 não era nenhum número misterioso, nenhuma mensagem criptografada, nada muito elaborado, era o número de uma cabine ocupada. Eu podia ir até lá e acabar com o mistério, mas vindo de um Malfoy, mesmo depois de tudo, ainda não era de se esperar alguma coisa boa. Gato escaldado tem medo de água fria.

Susana me deu um puxão na blusa indicando que iria para o corredor. Eu a segui. Fechamos a porta da cabine, andamos um pouco até estarmos levemente distantes e encostamo-nos em uma parede.

- Deixe-me adivinhar. – disse Susana analisando o pergaminho mais uma vez.

- Quem mais seria... – disse bufando.

- E o que você vai fazer?

- Estava esperando que você me desse algum tipo de solução.

- Você está perguntando para uma menina que passou 2 anos gostando de Neville e nunca mexeu um dedo sobre conselhos amorosos?

Eu agachei e novamente o desespero me assolou.

- O que diabos eu estou fazendo? Onde eu estou me enfiando?

- Olha , Gina – disse Susana agachando ao meu lado – eu não sou exatamente uma conselheira amorosa muito boa e eu tenho certeza que eu vou ser clichê e piegas quando disser isso pra você, mas a verdade é que ninguém mais pode tomar essa decisão por você. Se você quer ir lá e tirar essa história a limpo, vá. Senão quem vai ficar se remoendo depois vai ser você.

Eu adorava Susana. Sempre sabia dizer algo apropriado nas minhas crises.

- Nada vai ser o mesmo se eu fizer isso...

- Nada é o mesmo, Gina. Já faz um tempo isso... desde quando você descobriu esse seu sentimento.

Eu levantei. Estiquei minhas pernas e ajeitei minha blusa.

- Bom, pior que ta não dá pra ficar, né? – eu disse dando ombros. – A burrada eu já fiz... agora vamos ver no que dá.

- Seu otimismo me comove, Gina. De verdade. – disse Susana.

Ela me estendeu o pergaminho e eu, como se já não tivesse decorado o aspecto daquele mero pedaço de papel, olhei-o novamente.

- Boa sorte pra mim.

E, me recolhendo ao meu desespero interno e a chuva de emoções, eu me dirigi para a maldita cabine 153.

Parei em frente à porta, mordi meu lábio de nervoso e analisei-a.

Pelo amor de Merlin, como uma PORTA conseguia me deixar nervosa?

- Pare de vagar ai na frente. – disse uma voz arrastada do lado de dentro. Uma mão branca com dedos longos abriu uma brecha da porta e então, um rosto conhecido apareceu por ela. – Entre.

- Mas...

- Entre. – ele disse revirando os olhos azuis. – Ou quer conversar pela fresta de uma porta?

Eu sabia que eu devia ter visto que a situação era uma loucura.

Onde diabos eu estava me metendo, afinal?


Geeentee! :D

Vocês nem sabem como vocês me deixam felizes com essas reviews maravilhosas *-*

Desculpe os erros e as correções que eu faço no meio do caminho, é que eu escrevo durante o trabalho, então as vezes a coisa sai meio corrida! HAHAHA

Continuarei escrevendo assim que a minha querida amiga Imaginação der o ar da graça novamente!

Mais uma vez, obrigada pelo apoio! Vocês são uns amores! 3

beijooos ;**