Meu coração parou, acelerou, bateu asas... tudo ao mesmo tempo.
Um beijo tão simples, um toque de lábios tão delicado mais ainda sim tão intenso. Eu estava envergonhada demais para fazer qualquer coisa além de me concentrar em não estragar tudo. Depois de muito tempo, ou pouco, não sei ao certo, nos separamos.
Era tão errado, mas tão certo. Era tudo ao mesmo tempo. Acho que todas as lições de todas as matérias juntas na minha cabeça não podiam se igualar a um décimo da confusão mental que eu estava vivenciando.
- Gina... – disse Malfoy, tão baixo que mal pude ouvir.
- Sim? – meu coração queria pular pela boca, mas eu estava conseguindo mantê-lo no lugar a muito custo.
- Você está cortando a circulação da minha mão. – disse Malfoy rindo.
Soltei a mão dele rapidamente, como se tivesse recebido um choque elétrico. Mas era isso... era um choque elétrico que havia passado por todo meu corpo. E só poderia ter sido um choque elétrico, e um bem grande, que havia cortado qualquer linha de raciocínio do meu cérebro. Mantive-me quieta para não parecer um ogro tentando proferir palavras incompreensíveis e fiquei lá, olhando para meus pés, torcendo meus dedos que estavam quase congelando.
Não sei exatamente quanto tempo ficamos lá. Tenho certeza de que Malfoy me olhou de esguelha uma vez ou duas para ter certeza de que eu estava bem.
- Nosso silêncio sempre foi ótimo, mas você está começando a me assustar. – disse Malfoy rindo.
Pela primeira vez desde que nos separamos eu olhei em seus olhos. Seus olhos azuis e gélidos mas que, pela primeira vez, com absoluta certeza, me olhavam com um carinho maior que tudo, maior do que eu jamais sentira. Eu sorri.
- Você poderá se gabar para sempre por ter sido o único que já conseguiu me deixar sem palavras. – disse rindo, colocando meu cabelo para trás da orelha numa tentativa frustrada de domá-lo em meio ao vento.
Ele passou o braço por cima dos meus ombros e acariciou minha bochecha com o seu nariz. Eu suspirei fundo com meus olhos fechados, rezando para eu não cair da cama e descobrir que tudo aquilo era um sonho. Voltei meus olhos para Malfoy e sorrindo disse:
- Eu vou ao baile com você.
- Mas eu já tinha convidado Pansy Parkinson! – ele disse brincando.
Nos beijamos mais uma vez.
E como aquele beijo era perfeito. Carinhoso, macio, suave. Como seus lábios eram perfeitos!
- Hora de ir dormir, - disse a ele. – mas antes posso lhe pedir uma coisa?
- Claro. – Malfoy respondeu.
- Podemos manter isso entre nós dois? Pelo menos por enquanto? – perguntei.
- Por que? Vê algum problema em que os outros saibam que estamos juntos agora?
Juntos, aaaah que palavra doce.
- De forma alguma. Na verdade eu só não queria que invejosos ficassem longe de nós por um tempo. Não quero ninguém me cobrando explicações... fora que será muito mais divertido ver a cara de espanto dos recalcados quando eles nos virem dançando no baile. – disse dando ombros.
- Dançando? Isso é uma promessa? – ele perguntou.
- Talvez, se eu estiver nos meus dias bons. – respondi rindo.
- De acordo. Sem enxeridos até lá. Fora que depois do baile vem as férias de final de ano e serão duas semanas inteiras para as pessoas digerirem os acontecimentos da festa.
- Vai voltar para casa no Natal?
- Talvez. Ainda não tenho certeza. Você?
- Se eu não voltar por pura e espontânea vontade meus irmãos me arrastam por pura e espontânea pressão. Mas não vamos decidir isso ainda. Ainda temos duas semanas até o Natal e eu acabei de descobrir que arranjei mais um problema.
- Qual? – Malfoy perguntou de testa franzida.
- Vou ter que ver o que vou te dar de Natal. – respondi como se fosse uma tarefa árdua a se cumprir.
- Me dê um saco de minhocas de gelatinas e estamos feitos. – ele disse se levantando e esticando a mão para mim. – Agora vamos, está congelando aqui fora.
- A ideia de vir aqui foi sua! – disse me defendendo enquanto alcançava sua mão.
- A melhor ideia que eu poderia ter tido. – ele disse entrelaçando os dedos nos meus.
Andamos de mãos dadas até conseguirmos ver os portões do castelo novamente. Quando começamos a ver alunos nas intermediações, nos largamos e passamos a andar um pouco mais distantes um do outro. Como era difícil ficar longe dele, sem tocá-lo ou sentir seu perfume.
Ao parar nas escadas que davam acesso ao salão da Grifinória, Draco sorriu.
- Como queria poder te dar um beijo antes de dormir. – ele disse enfiando as mãos no bolso no que me pareceu um ato desesperado de conter suas mãos para não me tocar.
- Vamos ter que dar um jeito nisso... pensar em como vamos nos encontrar. – de repente um rapaz da Lufa-Lufa passou perto de nós e me vi obrigada a abaixar meu tom de voz. – Não podemos ficar nos encontrando só onde não tiver ninguém, nessa escola isso é bem difícil.
- Vamos dar um jeito. - ele deu seu característico sorriso de canto e eu mordi meu lábio para não sucumbir ao meu desejo de tocar os dele.
- Boa noite, Malfoy. – eu disse suspirando fundo.
- Boa noite, Weasley.
