Eu hiperventilava de uma tal forma que não sabia como meu pulmão não tinha explodido ainda.

- Pelo amor de Merlin, Gina, você vai explodir.

Eu sentei na cama, com o maior cuidado do mundo para não amassar o vestido, pensando em mil formas daquele momento que estava prestes a acontecer dar errado.

- Susana, as pessoas vão me matar. Minha família, a Grifinória, as mulheres recalcadas da Sonserina. Isso vai ser um festival de horrores! Pior que qualquer casamento barraquento de família.

Susana me abanava loucamente com um livro de quadribol que ela havia encontrado pelo quarto, mas o vai e vem daquelas páginas estavam me deixando tonta.

- Pare com isso antes que eu vomite – disse dando um tapa no maldito livro, fazendo com que ele voasse para longe.

Susana deixou o livro para lá e se agachou na minha frente, colocando em prática o instinto mãe que ela tinha e tanto utilizava comigo em meus surtos psicóticos.

- Pare de pensar demais. Sério, seu cérebro vai fritar.

Eu começava a respirar um pouco mais normalmente e suplicava com o olhar para que Susana continuasse a fazer sua magia com as palavras.

- Talvez eu devesse ter prestado mais atenção naquela poção calmante, você está da cor do seu vestido!

- Talvez nós duas devêssemos ter prestado mais atenção nessa poção. – disse colocando a mão no peito que parecia a ponto de explodir. – Susana, e se eu estragar tudo?

- Mais do que você já poderia ter estragado? – ela disse rindo – Gina, agora a cagada já está feita. Jogue o que os outros pensarão ou deixarão de pensar para o alto e aproveite. Você estará com a pessoa com a qual você vem sonhando há tanto tempo! É só nele que você deve pensar.

E era só nele que eu pensava. Dia e noite.

Me acalmando cada vez mais, consegui calçar meus sapatos e me olhar uma última vez no espelho antes de sair com Susana pelo salão comunal da Grifinória.

A cada passo a ansiedade só aumentava – assim como as perguntas. Não passava um conhecido sequer sem me perguntar quem iria ser meu par, quem merecia tamanha produção.

Eu me sentia bem naquele vestido. Me sentia bonita. Segura era outra história – os joelhos tremiam a cada passo.

Havíamos marcado de nos encontrar no fim da escadaria, pouco antes da entrada do Grande Salão. Meu coração palpitava, mas assim que cheguei próximo do topo da escada, ele pareceu parar subitamente.

Antes que eu fizesse a curva para descer às escadas, eu parei. Tentei acalmar meus nervos e me preparar para o que estava para acontecer. Era agora ou nunca. Tomando coragem, fechei os olhos e virei de costas – ainda não estava pronta para a adrenalina. Agarrei a mão de Susana e pedi para que ela fosse meus olhos uma última vez:

- Ele está lindo, não está? – perguntei para ela, sorrindo.

Silêncio.

- Susana?

- Gina...

- O que foi? – perguntei abrindo os olhos para visualizar uma Susana com olhar de espanto.

- Ele...ele não está aqui.