Tenho algumas palavras para dizer a vocês, queridos companheiros de viagem que me acompanharam durante esse tempo. É interessante como, de forma não planejada, esses dias estão sendo marcados por um final e um novo começo em minha vida. Final, porque este texto que lhes apresento agora é o ultimo capítulo de Laços de Sangue. Começo, porque amanhã meu terceiro filho está completando um mês de vida e estou vivendo a delícia de ter em meus braços uma pequena vida que se inicia.

Tempestade foi gerada em meu coração em 2006, ao mesmo tempo em que minha primeira filha foi gerada em meu ventre e começou a ser postada em 2009, ano de nascimento de meu segundo filho. Trata-se também de uma filha da qual, agora, devo me separar. Não haverá mais a convivência diária, os reviews, os diálogos comigo mesma e com minha beta a fim de costurar bem as palavras. Ela ficará ali, quietinha, até que algum leitor se proponha a deixar algum comentário ou até que, como é próprio de seu espírito inquieto, corra em busca de mais alguma aventura.

Mais uma vez agradeço àqueles que se dispuseram a estar comigo durante esses anos (confesso que nunca imaginei que demoraria tanto!). E como agradecer ao apoio de recebi do Tolkiengroup? Muito obrigada a todos vocês! Nem ouso citar nomes, pois certamente cometeria a injustiça de esquecer alguém. Deixo aqui apenas meu carinho e gratidão à Myriara que com toda bondade do mundo revisou meus textos. E à Sadie que também o fez nos últimos capítulos de forma decisiva nesta história.

Enfim, é hora de partir. Não posse dizer que meu rosto esteja banhado de lágrimas, mas, certamente, minha alma está. Nunca pensei que seria tão difícil...

E agora, o último capítulo que não poderia ter outro título que não este: VIDA! É o que desejo a todos vocês com as bênçãos de Deus e proteção de Maria.

Com carinho...

Lourdiana.

32 – VIDA

- Então resolveu partir, Minha Senhora?

- Sim, Haldir. Meu tempo nesta terra já se cumpriu – respondeu Galadriel.

- Sinto se for atrevimento meu, Minha Senhora, porém me parece um pouco...triste.

- Toda partida possui sua parcela de tristeza, meu caro galadhrim. Não posso dizer que não sentirei falta destas árvores, todavia, é meu coração quem me conduz às terras imortais.

Haldir baixou os olhos. Seria também este o momento de sua partida, caso não tivesse fincado raízes tão profundas na Terra Média. Algo dentro dele também ansiara por isso um dia. A pergunta era: ainda ansiava? Ou seria apenas uma nostalgia por ver tantos a quem queria bem partirem para não mais tornar a vê-los?

- Não perca a serenidade, Haldir – a voz da senhora da luz trouxe o elfo de volta – até hoje tem seguido seu coração. Vá para onde ele o conduzir e encontrará tudo o que sua alma busca.

- Meu coração me conduz a Gondor, todavia os sentimentos às vezes podem ser traiçoeiros, minha senhora.

- Não quando buscamos a felicidade dos outros em vez na nossa. Querer o bem dos outros é o caminho mais seguro para a plena realização de si mesmo, seja eldar ou edain.

- Sempre ansiei por algo mais que a eternidade, minha senhora. Encontrei o que buscava nos braços de minha Tempestade. Contudo, sinto que ainda me falta algo.

- Ainda há um lugar para você nas terras imortais, Haldir, se assim o desejar.

- Não, minha senhora, por nada poderia deixar Anna. É por ela que vivo agora...Não sei por que me sinto assim...

- É apenas a eterna insatisfação dos mortais, meu caro Haldir...

- É mais que isso...

Galadriel estreitou os olhos. Podia ver uma mágoa no coração do guerreiro. Uma mágoa em relação a alguém a quem amava e exatamente por isso sentia-se ainda mais envergonhado.

- Os edain, apesar que não possuírem o dom da imortalidade... – o elfo virou o rosto sem concluir.

- Haldir...

- Ainda assim, eles podem...

- ...

- Eu não posso. Tempestade...

- Eu sei.

O elfo voltou o rosto para a rainha.

- Quando ela lhe contou isso, minha senhora?

Um sorriso foi a única resposta que o galadrim obteve. Haldir compreendeu.

...

De volta a Minas Thirith, o elfo não tardou em se apresentar ao seu senhor. E apesar do que muitos poderiam pensar, era motivo de honra servir a um nobre mortal, principalmente quando se tratava do valoroso rei Elessar.

- Como foi a conversa com a Senhora da Floresta Dourada, meu caro Haldir?

- Triste, meu senhor Aragorn. Ela partirá em breve.

- Por favor, meu amigo, trate-me apenas por Aragorn ou Elessar. Já lhe pedi tantas vezes...

- Não é apropriado, rei Elessar.

- Então pelo menos quando estivermos sozinhos ou entre amigos.

- Se é tão importante assim...

- Não imagina o quanto.

- Então que seja... Elessar.

Aragorn sorriu. Haldir sorriu também.

- Seu sorriso é triste, meu amigo.

- Sinto que parte de mim irá embora juntamente com a senhora Galadriel. Muito do que fui, do que sonhei, um dia.

- Está... arrependido?

- Não.

- Então, meu caro, tenha paciência e o tempo levará embora sua tristeza, enquanto isso...

- Papai! Papai!

- O que é isso? – perguntou Aragorn aos filhos antes que estes o levassem ao chão. – O reino está sendo invadido?

Haldir deixou a sala do trono com o coração pesaroso. O que não passou despercebido por Arwen que já corria em busca dos meninos de dois e quatro anos que lhe escaparam em busca do pai.

- O que houve, Haldir?

- Galadriel partirá em breve.

- Não é esse o motivo de sua tristeza.

- Conhece-me como ninguém, minha rainha.

- Conversaremos mais tarde.

Haldir baixou a cabeça suavemente aquiescendo ao desejo de Arwen.

- Só uma pergunta, minha senhora. Onde está Tempestade?

- Oh, Haldir. Ela pensou que se demoraria mais em Lórien e foi passar alguns dias em Itilien, ao lado de Éowyn. Faramir se encontra em uma missão a pedido de meu marido.

O elfo fez uma reverência e saiu contrariado.

'Sempre em Itilien.' Refletia Haldir enquanto rumava para casa. 'Desde que nos mudamos para cá, passa mais tempo lá do que na sua amada Cidade Branca!' Haldir tinha vontade de esmurrar as paredes das casas pelas quais passava. E a poderosa presença do elfo se fazia notar entre os habitantes que se afastavam respeitosamente ante a passagem do Conselheiro Real.

'Talvez não sentisse tanta falta da cidade afinal e sim...' O elfo balançou a cabeça tentando expulsar os maus pensamentos. Era absurdo. Tempestade era teimosa, sim. Era temperamental e imprevisível, porém o amava. Ele sentia isso em cada detalhe de suas vidas. Nos pequenos gestos. Nas mínimas palavras. Nos carinhos. Sim, apesar de cinco anos já haverem passados, a rotina não conseguiu arrefecer aquele amor forjado em meio às mais duras provações. Anna fazia de tudo para vê-lo sorrir. Disse que aprenderia a ser gentil como Éowyn e graciosa como Arwen. O elfo sorriu ao lembrar-se da cena. Sua impetuosa guerreira se propondo a agir como uma dama da corte!

Apesar de que nas últimas semanas estava mais voluntariosa do que nunca. Impaciente. Qualquer coisa a irritava.

Haldir chegou em casa ansioso por um banho e um pouco de descanso. Depois trataria de mandar um mensageiro a Itilien avisando que retornara.

Ao abrir a porta, o primogênito foi surpreendido por uma presença mais do que inesperada. A figura feminina olhava pela janela.

- Seja bem vindo, meu esposo – disse Tempestade sem se voltar.

Haldir aproximou-se sem dizer nada. Pôs as mãos nos ombros de Anna e sussurrou em seu ouvido.

- Senti sua falta.

Anna sorriu, virando apenas o rosto e ficando com a face a poucos centímetros da face de Haldir.

- Seu sorriso ilumina minha vida, minha cara.

- Meu sorriso é obra sua, meu senhor.

Dessa vez foi Haldir quem sorriu, contudo um traço de melancolia anuviou a expressão dos lábios do elfo. E tempestade percebeu.

- Algo o incomoda, meu esposo – afirmou a mulher.

- Impressão sua – o guardião apressou-se em dizer enquanto a abraçava e tentava desviar sua atenção. Tempestade não merecia saber de sua frustração, afinal, sabia que ela também sofria com sua esterilidade. Sempre que visitavam Éowyn ou iam ao Palácio, viam as crianças que jamais poderiam ter. No início, o amor de ambos fora suficiente, todavia é da natureza do amor querer se doar e se multiplicar.

- Éowyn está grávida – disse sentindo o coração de Haldir disparar.

- Pensei que ficaria mais tempo com ela – disse o guardião tentando não parecer afetado pela notícia.

- Não houve necessidade.

- ...

- O pequeno Théoden está satisfeito por ganhar um irmão.

Haldir suspirou. Era estranho que Tempestade estivesse se prolongando neste assunto. Era doloroso tanto para ela como para ele.

- Preciso de um banho – disse o elfo numa tentativa de encerra a conversa – me acompanha? – sussurrou aos ouvidos da esposa.

- Não estou muito disposta para isso hoje – disse a mulher.

- Não tem estado disposta para muitas coisas ultimamente, minha cara – disse Haldir contrariado antes de deixar de envolver Tempestade em seus braços e começar a sair da sala.

- Éowyn disse que é normal – disse Anna sem alterar o tom de voz como se falasse do tempo.

Haldir parou.

- As tonturas, os enjôos, o cansaço. Tudo isso faz parte.

A respiração do elfo se acelerava. Queria sorrir, porém temia estar compreendendo mal.

- E depois virão dores na coluna, inchaços...

As pernas do primogênito tremiam. Haldir olhou para elas. Não se lembrava da última vez que algo o fizera tremer assim.

- E quando finalmente chegar a hora – continou a mulher caminhando em direção ao elfo – ela não poderá me ajudar, pois parece que fomos abençoadas na mesma época... – dizia enquanto colocava a mão no ombro do marido.

Haldir não suportou mais e virou-se para encontrar a luz que vinha dos olhos de sua mulher. Queria dizer-lhe mil palavras de amor. Dizer como estava feliz e realizado. Que nunca se arrependera do que fizera. Que apesar da falta de filhos a amaria por toda vida. Contudo a única coisa que conseguiu dizer ao segurar a esposa pela cintura foi:

- Como?

O sorriso da mulher se alargou.

- A senhora da luz me disse que isso poderia acontecer um dia, embora não tivesse me dado a certeza. – respondeu colocando as mãos nos ombros do guardião – Parece que os elfos continuam a me devolver o que Sauron me tirou – conseguiu concluir antes de ser silenciada pelo beijo de Haldir.

...

- Saiam de cima de Gimli, criaturinhas traiçoeiras! – a mãe estava zangada e as crianças bem sabiam que isso não era um bom sinal

- Não foi nada, Tempestade, são crianças, estão apen...aaaaaaiiiiiii!

- Apenas tentando arrancar sua barba! – o pai já vinha em socorro do visitante.

Os gêmeos eram realmente idênticos, principalmente no que se referia à alegria que sentiam quando da chegada do anão. A menina, não menos que o menino, divertia-se com os falsos acessos de ira do filho de Glóin.

- Saiam de cima de mim! – ele gritou levantando-se e pondo um fim à brincadeira.

- Está na hora do treino com arco – disse Haldir – vamos!

As crianças pularam nos braços do pai que quase já não podia com o pequeno casal que já completara cinco anos.

- Treino com arco... – murmurou Tempestade – deveria ensiná-los a usarem a espada.

- Arco e flecha são úteis para manter o inimigo distante – argumentou o elfo.

- E a espada põe fim aos que estão perto – retorquiu a mulher.

- Tudo a seu tempo, minha amada, em breve poderá ensiná-los também.

- Assim espero.

Longe de ser uma discussão, o diálogo era mais uma brincadeira do casal a qual os filhos observavam com prazer. Gimli também já se habituara ao estilo inusitado que aqueles dois encontraram de formar uma família.

- A menina também usará uma espada? – indagou o anão, apenas para se arrepender depois do olhar lançado à ele por Tempestade que não resistiu em provocá-lo.

- Tem medo que algum dia ela o desarme, Gimli?

O anão corou. Por várias vezes teve que responder às perguntas que os pequenos lhe faziam de quando ele e a mãe se enfrentaram. E estas, por sua vez, adoravam ouvir a versão da mãe.

- Voltaremos em uma hora – disse Haldir antes de se retirar.

- Estaremos esperando, creio que Gimli ficará para o jantar – Anna comentou com uma amabilidade que aprendera a ter depois do nascimento dos filhos e que vez por outra surpreendia até a ela mesma.

- Como poderia resistir a um convite tão encantador? – comentou o anão antes de uma sonora gargalhada.

Tempestade fixou os olhos nele. Gimli percebeu algo diferente naquele olhar. Ela aproximou-se examinando a testa do anão antes de comentar:

- Este machucado está bem feio.

O filho de Glóin nada disse. Observou apenas, enquanto Anna buscava um pano limpo e um jarro com água. Acompanhava os movimentos da mulher sem acreditar que faria o que tudo aparentava. Não foi à toa que, por um reflexo, se esquivou quando Tempestade tentou limpar seu ferimento.

- O que houve? – indagou a mulher – está com medo de que doa ou acha que vou machucá-lo?

- Está sob algum feitiço, Tempestade, para que se disponha assim a tratar de um machucado meu?

- O que há de tão extraordinário assim em uma mulher cuidar de um amigo ferido para que se justifique a necessidade de um feitiço? – retorquiu enquanto começava a limpar o corte – além do que, foram meus filhos que lhe fizeram isso.

- A alegria que eles me trazem compensa os riscos de tê-los por perto.

O comentário bem-vindo trouxe às faces do anão e da mulher um sorriso que demonstrava que ambos eram mais cúmplices do que poderia supor a maioria das pessoas.

- Espere que cresçam um pouco mais e creio que o farão mudar de idéia. Estão mais fortes e vivazes a cada dia que passa.

- Têm de quem herdar estas e muitas outras características, Tempestade – disse o anão atraindo para si o olhar da mulher. E nesse olhar, Gimli pode perceber que realmente havia algo mais por trás daquele serviço que Anna lhe prestava.

O filho de Glóin segurou levemente o pulso que o cuidava, abaixando-o.

- Creio que já está suficientemente limpo, Tempestade. Agora você já pode me dizer o que vai pela sua mente.

A mulher suspirou, levantou-se e caminhou até a mesa, colocando sobre esta a água e o pano levemente sujo do sangue do anão. Sabia que não seria fácil, mas realmente havia algo a ser dito. Voltou-se na direção de seu interlocutor.

- Eu nunca o agradeci – disse mirando o chão, antes de conseguir erguer os olhos e encontrar a dúvida que se instalou no rosto do anão.

- Do que está falando, Tempestade? – indagou depois de algum tempo.

Anna sorriu levemente antes de responder.

- Por muitas coisas. Creio que a lista é longa.

- Pois eu não sou capaz de imaginar um só item dessa sua lista – comentou cruzando os braços – poderia me esclarecer?

A mulher deu alguns passos em direção ao filho de Glóin e parou.

- Primeiro você me atingiu com seu machado dando início ao primeiro de nossos muitos desentendimentos – começou a dizer – não fora isso, eu teria passado por vocês naquele dia totalmente despercebida.

Gimli abriu a boca para comentar o fato, mas como não encontrou palavras, Anna prosseguiu sua narrativa.

- Depois não me deu um instante sequer de sossego obrigando-me a me expor cada vez mais atraindo para mim as atenções de todos, principalmente de um certo elfo.

Nesse momento, um sorriso também começou a brotar no rosto do anão.

- Foi graças à sua provocação na sala do trono que ele veio a mim para me convencer a ficar em Helm. Por causa de sua obstinação em descobrir quem eu era, a verdade que poderia ter morrido comigo, veio à tona. Nunca foi minha intenção revelar nada sobre mim. Queria apenas ludibriar os orcs para que deixassem Elessar em paz. Caso conseguisse, acolheria com alegria a sorte que me fora reservada.

Tempestade deu mais alguns passos em direção ao amigo.

- Entretanto, você, anão teimoso, fez com que Haldir me percebesse, me desvendasse e assim tive direito a uma segunda chance nesta terra, pois é assim que me sinto: uma renascida. E por fim, você abriu meus olhos para que eu acolhesse a luz que o amor de Haldir traria à minha vida.

Vencendo ainda mais a distância física que havia entre eles, a mulher se aproximou colocando uma das mãos no ombro do anão antes de continuar.

- Se tenho hoje esta casa, esta família, devo muito a você. Eu nunca lhe agradeci por isso.

O filho de Glóin fixou seu olhar no olhar da mulher à sua frente durante um bom tempo. Ambos buscando a coragem necessária para dar o próximo passo. Para vencer por fim o pouco que ainda separava seus corações.

Tempestade já tinha dito tudo. O anão compreendeu.

Gimli colocou a mão sobre a mão amiga que aquecia seu ombro.

- Desde que a conheci, nunca me conformei que fosse trevas e não luz, Tempestade. Tanta força a serviço da escuridão! Tanta determinação sendo vilmente usada pelo inimigo. Era esse o pensamento que me punia. Desejava a todo instante desmascará-la a fim de descobrir que havia, lá no fundo, uma chance de redenção para você, mas sempre esperava pelo pior, para sofrer menos caso não fosse possível. Por isso, quando a vi defendendo Aragorn diante daquelas criaturas, não hesitei em lutar a seu lado. Quando ele propôs que fôssemos resgatar você das mãos deles, eu o segui sem questionar.

A mulher fechou os olhos deixando que as lágrimas, até então contidas, banhassem seu rosto. Ouvira da boca de Éowyn sobre a disposição de Gimli em resgatá-la. Recordava-se do quanto havia ficado surpresa. Somente agora, tantos anos depois, descobria o porquê.

O anão respirou fundo. Não se deixaria levar pela emoção tão facilmente. Não antes de dizer tudo que agora seu coração o inspirava.

Apertou um pouco mais a mão que ainda estava sobre seu ombro e levou a outra ao pescoço da mulher, que não ousava abrir os olhos, colando gentilmente sua testa na dela.

- Aprendi à querê-la como a uma filha, minha jovem – disse, por fim antes de deixar ele também que as lágrimas viessem à tona.

Tempestade, que há muito tempo nutria pelo anão e por seus conselhos um respeito que em muito se assemelhava ao que nutrira um dia por seu pai, não mais resistiu, entregando-se, juntamente com Gimli, a um abraço libertador.

Sua família estava completa.