Maluca, eu?!

by Flavinha Greeneye


Nos capítulos anteriores: Nossa Lily maluquinha e nosso adorável Tiago foram a Hogsmeade confessaram seus sentimentos mas depois se acovardaram e passaram a evitar um ao outro. Quando Lílian percebeu que ele estava evitando ela também, ficou furiosa e decidida a resolver a situação. Numa conversa com Sirius, ele disse que o Tiago estava inseguro de estragar tudo depois de tanto tempo gostando dela, quando as coisas estavam finalmente indo pra frente. Nossa ruiva então entrou no modo Missão Impossível e pediu ajuda dos amigos para um plano mirabolante pra conseguir enfim ficar a sós com o Maroto, e no capítulo anterior, nós os deixamos a sós na Estufa 4 de Herbologia.


Capítulo 38: Ofensas desnecessárias

Agora que eu tinha ele onde queria, por tempo indeterminado, e a sós, eu podia, finalmente, finalmente, FINALMENTE

...ficar nervosa.

- Oi. - falei, apertando mais o sobretudo marrom no meu corpo, como se ele pudesse saber que debaixo dele eu estava usando uma lingerie branca recém-comprada que erguia meus peitos, afinava minha cintura, realçava minha bunda e tampava o suficiente pra deixar um pouco pra imaginação.

- Lily. - ele respondeu, meio rouco, fazendo arrepios subirem meus braços. Caralho, será que vai ser sempre assim? Tudo que esse cara faz é sexy pra mim. - Eu… hmm… o que você está-

Foi aí que eu decidi que eu estava nervosa demais pra conseguir ter essa conversa, e percebi que eu estava tão focada em trazer o Tiago pra um momento íntimo que eu não tinha pensado no que fazer uma vez que conseguisse.

Mas eu sabia muito bem como quebrar essa tensão.

Ou então eu simplesmente estava enrolando, pode ser também, a gente me conhece, eu tenho uma fortíssima veia procrastinatória, não podemos negar, fatos não mentem, meu histórico tá aí nas suas páginas pra todo mundo ver...

De qualquer modo, seja qual for a razão, eu atravessei o espaço entre nós em três passos largos, joguei meus braços no pescoço dele e colei nossas bocas antes que ele terminasse sua frase.

Tiago não me decepcionou, e largou sua varinha, ainda acesa, no chão, para colocar as mãos nas minhas costas e cintura imediatamente. Eu logo abri a boca um pouco e ele aprofundou o beijo, a mão na parte inferior das minhas costas me puxando pra mais perto dele enquanto eu arranhava a nuca dele e passava meus dedos por aquele cabelo maravilhoso.

Em poucos instantes, ele tinha andado pra trás comigo colada nele até encostar numa mesa. Eu estava encaixada entre suas pernas, não mais nas pontas dos pés agora que ele estava meio sentado, e uma das minhas mãos corria as unhas pelo seu peitoral e seu braço – eu tenho quase certeza de que a Quadribol Weekly tem uma sessão de cartas e eu preciso escrever uma de apreciação pelo esporte em breve, sinceramente – enquanto sua boca alternava beijos e chupões no meu pescoço, descendo para o meu colo.

Meu sobretudo tinha se afrouxado e no momento em que sua boca achou um ponto especialmente prazeroso na minha clavícula, Tiago de repente parou. Confusa, abri meus olhos para ver que ele estava tendo sua primeira visão do alto dos meus peitos dentro da lingerie, a renda branca aparecendo com o sobretudo folgado se abrindo.

- Evans, você quer me matar. - ele falou de um jeito que não sei se foi uma declaração sofrida ou uma pergunta, mas o que quer que fosse, eu não tive tempo de resposta antes de, com uma nova energia, Tiago me virar, trocando nossas posições. Eu estava sentindo um fogo na barriga que não sabia nem qualificar e com a mão, joguei tudo que estava na mesa pra fora ao mesmo tempo em que ele me deitava na superfície dela e voltava a me beijar deliciosamente.

Eu já beijei outros caras e já tive algumas sessões quentes de amasso na minha curta vida de adolescente hormonal. Mas o que eu estava sentindo com o Tiago… céus, era de outro mundo. Era o meu melhor amigo, a pessoa que mais me fazia rir, que sempre me fazia me sentir bem, a pessoa que, quando sorria, fazia meu mundo parar por um segundo e me fazia pensar que uma vida inteira fazendo ele sorrir daquele jeito pra mim não seria uma vida ruim.

E entender o porque de, além de claramente sermos os dois muito bons nessa história de pegação, todas aquelas sensações serem tão fortes, entender que tinha um tesão absurdamente louco queimando em mim, mas também tinha uma emoção muito forte quase explodindo meu coração, me fez perceber que a gente não podia continuar assim. Eu não queria que a gente sempre recorresse à parte física da relação pra fugir da parte emocional – por mais que a física fosse ridiculamente deliciosa.

Então eu coloquei a mão no peito - "Queridos editores da Quadribol Weekly, sinto que é minha obrigação moral declarar minha apreciação pelo esporte, especialmente pelos treinos de resistência física, pelas horas dedicadas aos exercícios superiores…" - ridiculamente delicioso daquele homem e o afastei um pouco.

Tiago parou de imediato - "Querida Sra Potter, eu preciso declarar minha apreciação pelos modos do seu filho, sei que não deve ter sido fácil cunhar valores morais num garoto tão cabeça dura mas seus esforços não foram em vão..." - e pareceu preocupado:

- Lily, merda, desculpa, eu não sei o que aconteceu comigo, eu não devia, merda, desculpa, eu te ataquei-

- Tiago. - eu interrompi, segurando seu rosto, que parecia angustiado, e fazendo ele se calar e olhar pra mim. - Você é muito bem vindo pra me atacar todos os dias desse jeito. Mas antes de a gente continuar, acho que a gente devia conversar.

Ele pareceu indeciso, como se houvesse um conflito interno, por alguns segundos. Eu soltei o rosto dele porque afinal, eu não sou obrigada a fazer todo o trabalho aqui. Se ele quisesse fugir pra sempre de mim e dos sentimentos entre a gente, eu não podia de fato obrigar ele a nada. Bom, eu sempre podia soltar a Juliet pra cima dele, claro, mas não faria isso. Essa responsabilidade era de nós dois, e eu acho que fiz o suficiente pra termos a chance de resolver tudo. Tipo, montando uma armadilha pra ele ser obrigado a ser beijado por mim e tal.

Mas não fiquei no limbo por muito tempo. Ele logo ergueu a mão, me erguendo pra posição sentada, mais confortável do que a meia-deitada-apoiada-num-braço que eu estava antes, e se sentou do meu lado.

- Eu sei. Desculpa ter te evitado por tanto tempo. Não foi certo, nem justo. Eu devia ter te procurado pra gente conversar.

- Sim. - falei num suspiro pesado. - Eu te procurei tanto, passei semanas atrás de você, acampando na frente do seu dormitório, tentando te achar nas refeições, sentando perto de você nas aulas, enviando cartas, chantageando seus amig-

- Evans. - ele me cortou, com um sorriso de lado e uma sobrancelha erguida, que me fizeram querer quase lamber a cara dele de tão delicioso e provocante. Será que o Sirius se sente assim? Será que ele já fez isso? Eu preciso saber, não posso esquecer de perguntar, cadê uma caneta pra eu anot-

- Eu sei bem que você também tava me evitando. Eu não sei o que ensinam nos filmes trouxas de espionagem que você assiste, mas ir para o café da manhã com roupa de camuflagem e dois riscos pretos no rosto não te deixam invisível. - ele terminou, interrompendo meus pensamentos.

- Veja bem, Potter. - me defendi, indignada. - Acontece que eu achei que ia tomar café da manhã nos jardins aquele dia, e pra esse cenário eu estava perfeitamente bem preparada, não é minha culpa se não olhei pra janela e não vi que tava chovendo granizo.

Tiago riu da minha indignação, mais uma vez mostrando seu desapreço pela vida, mas ele logo parou e me olhou com um carinho que fez meu coração errar uma batida.

- Eu senti sua falta. Nesses últimos dias, que a gente tava se evitando. Senti falta de conversar com você, de sentar com você, até de fazer dever junto.

Eu sorri de volta, muito feliz com a admissão, porque afinal eu também tinha sentido muita falta. Eu tenho, afinal, três páginas desse diário com uma lista de coisas que aconteceram que eu quis contar pra ele e não pude, e as reações de Sirius e de Juliet, apesar de ótimas, certamente não foram tão boas quanto as de Tiago serão quando eu contar que na quarta-feira eu fiquei entendiada e chamei Nick Sem Cabeça pra beber para que eu pudesse enfim perguntar pra ele se fantasmas trocam de roupa, e ao invés disso, descobri que fantasmas não ficam bêbados com jello shots e tive uns momentos muito constrangedores perguntando sobre roupas íntimas e banhos para um fantasma totalmente sóbrio.

- Eu entendo se você quiser voltar à nossa amizade como estava. Eu posso fazer isso, não vai ser fácil, ter um gosto do que seria ter você de um jeito mais… romântico, vai complicar, mas eu entendo se você tiver mudado de ideia e-

- Tiago. - eu interrompi, porque por mais adorável que esse idiota seja quando está se questionando, esse espiral pode ir muito longe. - Te trancar numa estufa escura isolada usando lingerie novinha em folha e branca porque um dia ouvi você comentando com Sirius sobre um fetiche assim parece algo que uma amiga faria? Porque se sim, bem, eu espero que você esteja disposto a rever essas linhas de amizade, eu aposto que vou ser uma ótima namorada porque eu sou ótima em basicamente tudo, principalmente camuflagem, mas tudo tem limite, sabe.

Tiago me encarou por uns instantes antes de perguntar, de novo com aquela voz rouca dos infernos que me fez esquentar tanto que eu queria tirar na hora aquele sobretudo. E sentar no colo dele, mas talvez isso não tenha relação com calor:

- Você… Você quer ser minha namorada?

Eu dei um suspiro gigante, como se eu fosse uma mulher que teve que inventar um plano de várias etapas envolvendo um campeonato clandestino de quadribol só pra fazer o cara por quem estou apaixonada me dar uma chance de conversar.

- Eu esperava um pedido mais romântico, sabe, depois de todo o trabalho que eu tive pra te trazer até aqui numa noite linda, e já comentei da minha lingerie nova?

Eu mal pude terminar antes de Tiago se levantar da mesa, se encaixar entre as minhas pernas, me abraçando e me dando mil beijos pelo rosto todo.

- Evans, eu sei que até agora eu não te dei indício nenhum de que eu te mereço, eu agi como um moleque que não sabe lidar com seus próprios sentimentos e inseguranças, e na real, talvez você tenha que aguentar esse moleque as vezes, mas juro que vou ser o melhor que eu puder ser porque você merece o melhor do mundo.

Eu ri, com um peso se erguendo do meu coração agora que a gente parecia estar finalmente na mesma página. Ou pelo menos falando a mesma língua, já que os sentimentos aparentemente estavam em sincronia.

- Eu acho que a gente se merece, Potter.


Nota da autora: Estou vivendo em carentena e isso é perceptível pelas cenas de amassos. Saudades dar uns beijos por aí.

Enfim, como prometido (e aposto que ninguem acreditou mesmo) mais um capítulo enquanto nos aproximamos do fim derradeiro! Próximo capítulo: segunda-feira, quentinho pra vocês!

Beijos!

Flavinha