Maluca, eu?!
by Flavinha Greeneye
Nos capítulos anteriores: Nossa maluca e nosso maroto se declararam e assustados pelos próprios sentimentos e inseguranças, passaram a se evitar. Lily ficou puta com isso e fez um plano pra ficarem a sós e conversarem. Depois de uma bela sessão de amasso, conseguiram enfim a conversa sobre em que pé estão. No capítulo anterior, nós os deixamos a sós na Estufa 4 de Herbologia depois dessa conversa retomando a sessão de amasso.
Capítulo 39: Guatemala, me aguarde… eventualmente… talvez...
Queridíssimo diário, eu sinto como se o céu estivesse mais azul, os flamingos estão mais rosas, o cheiro de perfume no ar me deixa mais leve…
Claro que na verdade está de noite, com um céu escuro que em breve vai clarear, sinto cheiro de dormitório e de cerveja amanteigada vindo de mim mesma, e eu nunca na vida vi um flamingo.
Mas chega de conversa fiada. Vamos ao que interessa.
Obviamente o que interessa a todos nós aqui presentes é: as mãos de Tiago na minha bunda enquanto a gente se pegava fortemente na estufa, depois da nossa conversa, que afinal, pra quem tava a dez dias evitando a todo custo, foi muito simples, rápida e eficiente. E nosso prêmio pela maturidade era esse momento perfeito.
Como eu dizia, as mãos do Tiago estavam na minha bunda, meu sobretudo a muito jogado no chão. Tínhamos de novo trocado de posição, agora ele estava sentado, e eu tinha um joelho apoiado de cada lado dele. Minhas próprias mãos corriam pelo cabelo dele, pelas costas de-li-ci-o-sas daquele homem, pelos ombros e peitos, a camiseta dele tambem a muito descartada, mas confesso que não faço ideia de onde eu joguei ela.
Nesse momento, minha boca estava na orelha dele, enquanto eu mordiscava e arfava a cada beijo que ele deixava no meu pescoço, fazendo com que meu corpo tentasse sempre se colar mais ao dele, e fazendo nossas virilhas se esfregarem de um jeito enlouquecedor.
Quando eu gemi o nome dele, fazendo com que Tiago me desse uma mordida gostosa no pescoço que certamente deixaria uma marca, que por sua vez me fez arranhar as costas dele, que então fez ele apertar minha cintura… bem, eu pensei: é isso, estou no paraíso. Só na vida pós morte é possível sentir esse acúmulo de tesão e vontade insaciável de nunca parar, e continuar nessa cadeia de reações até um dia, sei la, a gente explodir.
Mas infelizmente não era a vida pós morte. Porque nada deveria nos atrapalhar nesse momento, muito menos um barulho ensurdecedor de vidro quebrando não muito longe da gente. Nos separamos a tempo de ver o que tinha acontecido.
Uma goles tinha acertado o teto da estufa, que sendo uma estufa, era inteira feita de vidro. O pedaço atingido se estilhaçou, mas sendo vidro encantado, não chegou a cair por um metro em direção ao chão antes de, como se estivesse em uma cena rebobinada, os estilhaços subirem de volta e se encaixarem perfeitamente de volta no seu lugar.
A goles, no entanto, estava a dois metros de distância da gente, inocentemente nos encarando de volta. Como se não tivesse acabado de interromper nosso extase e quase fazer parar meu coração.
- Lily?! - Sirius perguntou surpreso, nos vendo sair da estufa, a goles em minhas mãos, e ambos, infelizmente, vestidos outra vez. Em resposta, eu lancei a goles com força na direção dele, aproveitando minha raiva por termos sido interrompidos como alavanca. Tiago, sem dúvidas entendendo meu arroubo de violência, riu e colocou um dos braços no meu ombro, me trazendo mais pra perto dele. Não pude deixar de sorrir de leve pra ele, antes de novamente virar furiosa para Sirius, que tinha reflexos de jogador de quadribol e desviara da goles:
- Seu imbecil!
- Eu achei que vocês iam se encontrar na cozinha! - ele falou, me ignorando, antes de reparar com mais atenção na proximidade entre Tiago e eu e começar a abrir um sorriso:
- Evans, algo me diz que você não me contou nem metade do seu plano verdadeiro, e isso me ofende profundamente, mas estou vendo que funcionou.
- Óbvio que ela não contou, e por isso que funcionou. - disse uma voz atrás de Sirius. Remus se aproximava de nós com as mãos no bolso e um sorrisinho discreto. Juliet vinha junto, com uma sobrancelha erguida:
- O que funcionou foi a lingerie que ela tá vestindo debaixo desse casaco, meus amores.
Os três marotos imediatamente arregalaram os olhos e pareceram constrangidos por uma variedade de razões. Juliet e eu reviramos os olhos e minha amiga pegou a goles abandonada no chão e jogando-a pra mim, enquanto eu andava até ela, deixando os três para trás. Se a nossa sessão de amasso tinha sido dolorosamente interrompida, não ia doer aproveitar um campeonato de quadribol clandestino com meus amigos e meu namorado, afinal, não é mesmo?
Juliet e eu estávamos no campo de quadribol já fazia alguns minutos quando os outros Marotos chegaram. Acho que Tiago aproveitou para atualizar os amigos dos acontecimentos, enquanto eu fazia o mesmo com Juliet e Alice quando chegamos no campo, chamando elas pra ir comigo no vestiário. No ar, dois times de quatro pessoas estavam disputando novamente assim que eu entreguei a goles. Não havia ninguém nas arquibancadas, quem estava assistindo e os times que não estavam em jogo estavam reunidas no gramado, dentro do campo, perto da parte central, com cervejas e algumas garrafas de vinho trouxa.
- Lily, estou tão feliz por você! - Alice exclamou, batendo palminhas. Juliet sorria orgulhosa e o meu próprio sorriso parecia que ia partir meu rosto pela metade.
- Eu tambem! - falei, vestindo a camiseta gigante que eu tinha tirado de um dos armários por cima da lingerie. - A gente demorou mas finalmente sinto que as coisas vão começar a se encaixar. Chega de drama, de falta de conversas, de confusões desnecessárias.
Eu sei, eu sei, pode rir.
Saindo do vestiário, de novo com casaco, fui direto na direção do meu namorado, que já estava sorrindo ao me ver e imediatamente me abraçou e beijou, logo se abaixando pra falar:
- Evans, ainda não acredito que não estou sonhando.
Eu sorri, parecendo um picolé de abacate esquecido nas Ilhas de Galápagos de tão derretida que fiquei, mas antes que eu pudesse responder, ouvimos gritos e assobios ao nosso redor.
Vários conhecidos e amigos nossos, de várias Casas, estavam presentes no campeonato, e apesar de eu não ter percebido que a gente não foi discreto, também não achei que alguém estaria olhando. No entanto, várias pessoas que estavam assistindo a partida ou esperando pra jogar erguiam seus copos e suas garrafas em um brinde, outros assoviavam, e os jogadores que estavam voando uivavam e davam as típicas voltas de celebração, mas ao redor do nosso pequeno grupo, ao invés do campo todo. Tiago riu mas logo olhou pra mim, parecendo preocupado com a minha reação. Eu sorri e perguntei:
- Quer fazer as honras?
Seu sorriso abriu ainda mais antes de ele se virar pra todos e gritar:
- Senhoras e senhores, minha namorada, Lily Evans!
Enquanto os gritos aumentavam e ele inclinava meu corpo para baixo, em um beijo delicioso, dramático e romântico, eu fingi não ver algumas pessoas passando dinheiro para outras ao nosso redor.
Eu não podia esquecer de ver com Juliet nossos ganhos nas apostas de quando Tiago e eu ficaríamos juntos.
O resto da noite foi delicioso. Tiago teve um treco quando eu tirei o casaco pra jogar, primeiro achando que eu ficaria semi nua, depois vendo que eu estava com uma jersey da Grifinória que ia quase até meus joelhos, com o nome "Capitão Potter" em dourado nas costas. Depois eu quase tive uma parada cardíaca quando ele se passou por mim e declarou baixinho, naquela porra de voz sexy que faz com que eu perca o fôelgo e fique burra por uns instantes:
- Evans, você nessa camisa me faz ter pensamentos impuros sobre te encostar na parede e fazer você gritar meu nome.
Nós jogamos por horas, bebemos cerveja com nossos amigos e trocamos dezenas de beijos quando apareciam oportunidades. O time de Tiago, composto pelos Marotos (que tinham insistido em jogar com três jogadores antes de aparecermos por algum senso absurdo de lealdade que não fazia sentido), obviamente ganhou. Meu time, com Alice e os Prewet (Juliet abriu mão da vaga dela depois de duas partidas porque tinha medo de beber e voar e eu tomei seu lugar) ficou em segundo. Enquanto as pessoas se dispersavam, Tiago e eu fomos guardar o material de quadribol, e no vestiário ele cumpriu sua promessa de me encostar na parede e me enlouquecer de tesão até eu começar a gritar seu nome. Em minha defesa, ele não estava tão melhor quando me vinguei jogando ele no banco, beijando aquele corpo maravilhoso inteiro enquanto eu me esfregava nele depois de um striptease improvisado.
Voltamos pro castelo na alta madrugada, andando de mãos dadas, devagar, enquanto eu fazia questão de contar as coisas que aconteceram nos dias que ficamos sem nos falar – eu tentava arduamente lembrar da lista anotada no meu diário e me perguntava se seria idiota pedir pra ele esperar enquanto eu buscava, quando ele tirou um pergaminho amassado no bolso com todos os bilhetinhos que ele quis me mandar nas aulas nesse período de tortura que a gente se impôs.
A hora de nos despedir foi difícil, estávamos nojentos, parecendo esses casais apaixonados. Avisei pra ele que se alguém soubesse desse meu lado meloso eu saberia que foi ele e ele pagaria por esse erro.
Francamente, como ficaria minha reputação nas ruas da Guatemala se soubesse que eu sou assim? Eu preciso defender meu plano de contigência Nunca se sabe quando vai ser a próxima conversa séria que teremos que ter e até que ponto eu estarei disposta a fugir do meu namorado dessa vez. Acho que quanto maior o compromisso, maiores as discussões idiotas que vamos conseguir encontrar pra ter, considerando todo nosso histórico, e portanto, mais elaborados meus planos de fuga vão ter que ser.
Nota mental: descobrir urgentemente que língua é falada na Guatemala, contratar um professor local e tirar fotos novas para o passaporte, só pra garantir.
Que foi?
Maluca, eu?!
Última Nota da Autora:
Gente, sei nem o que dizer. Essa fic começou numa época deliciosa da minha vida, acho que mais de dez anos atrás. O início dela é bobo, os acontecimentos são super dramáticos, as piadas são infantis, a narrativa é apressada e zero próxima da realidade. Os personages eram caricatos, bidimensionais e não muito reais tambem… Mas foda-se, né, eu me diverti muito e sei que diverti muita gente aqui tambem.
Perdi o hábito de escrever nesse meio tempo, infelizmente, porque me trazia um prazer enorme, e estou tentando voltar nem que seja aos poucos, nem que seja pra completar projetos (como esse) que me fizeram tão bem. Hoje em dia tenho outro projeto iniciado que não sei se será postado, mas que posso dizer que me orgulha de verdade: a narrativa não pula de um lado pro outro, os personagens tem crescimento e não são clichês, e sinceramente quase todas as cenas são basicamente pra deixar a gente querendo ser algum personagem e viver aquilo – fã service total.
Também me sinto muito adulta, madura e realizada de finalizar uma história, nem que tenha me levado X anos, nem quero fazer os cálculos haha
No mais, espero do fundo do meu coração que quem leu até aqui deixe um comentáriozinho pra me dar esse último gostinho de postar fics. E espero que todes que estão lendo estejam segures, se cuidando muito e bem na medida do possível em um Brasil pandêmico com um imbecil como presidente.
Um milhão de beijos e espero que a gente se veja em breve em outra fic por aqui!
