E, como eu já estava habituada a ver, James pegou o pomo. A grifinória ganhou o primeiro jogo da temporada, o último ano não poderia ter começado melhor.

Eu jamais admitiria, mas como eu amava esse momento, quando James sorria para a multidão com o braço erguido, segurando o pomo entre seus dedos, ele gritava em resposta aos aplausos e comemorações do mar de estudantes que o assistia e torcia por ele, agia como se o mundo fosse todo dele e, naquele momento, tenho certeza que era.

Eu jamais admitiria como eu o admirava como capitão do time, como mesmo amando toda a atenção que recebia, ele nunca esquecia dos colegas, reconhecia que apesar de ser ele quem encerrava o jogo, era tudo um trabalho em equipe. Nunca o vi sendo grosso ou fazendo pouco caso de nenhum de seus jogadores, comemorava cada ponto marcado, cada balaço acertado e cada goles defendida, ele amava seu time e isso era nítido. E que time, o único time entre os quatro como mais mulheres que homens em campo, e isso nada tinha a ver com seu jeito cafajeste de ser, ele foi justo na seleção, sempre foi honesto em suas escolhas, e todos sabiam disso, e talvez por esse motivo, uma quantidade grandemaior de meninas se sentiuiram confortávell para fazer o teste quando ele virou o capitão no ano passado, elas sabiam que James não as julgaria por serem mulheres.

Marlene, minha melhor amiga, fazia parte do seu time e, talvez eu seja tendenciosa ao dizer isso, mas ela era a melhor artilheira que eu já vi naquela escola. Ela e James eram doidos um pelo outro, brigavam toda semana sobre qual eraé o melhor time de quadribol profissional da atualidade, (ela era fã das Harpias e ele dos Chudley Cannons), mas ambos concordavam que a grifinória nunca esteve melhor. O próprio James, sabendo do quanto Lene ama o esporte, a convenceu a fazer o teste, e virou seu segundo maior fã (a primeira sempre seria eu) quando percebeu que ela era realmente um grande talento escondido.

Eu passei muito tempo acreditando que o importante mesmo era o que estava em sala de aula, mas James me fez perceber a importância dessas atividades secundárias. Não existia uma única pessoa triste quando estávamos naquelas arquibancadas, não existia uma única pessoa triste em nossa sala comunal após o jogo, nem mesmo quando perdíamos, porque sim, James Potter também perdia e ele aprendeu a lidar bem com isso. Sempre havia música, sempre havia cerveja amanteigada e whisky de fogo, sempre havia discurso, sempre havia nosso momento de união no nosso mundinho vermelho e dourado, nos dava ânimo para seguir em frente apesar do cansaço. E eu amava a percepção de que foi ele quem me fez ver tudo isso, foi observando ele ao longo dos anos, torcendo por ele, querendo vê-lo vencer, querendo ouvir o discurso, seja ele qual for, para sempre vê-lo encerrar da mesma maneira, com um grande sorriso no rosto, uma mão passando pelos cabelos e a outra segurando um copo, para logo em seguida a música recomeçar e ele pular de cima da mesa para o chão, dando início à nossa festa.

Além de capitão do time, James se tornou monitor-chefe este ano, coisa que acredito que nem mesmo ele compreendeu. Não lembro de já ter visto outra pessoa nessas duas posições juntas antes, só ele, o que me faz crer que Dumbledore não anda muito bem, ou que James tem um potencial absurdo. Na verdade, as duas coisas. Realmente, é difícil acreditar que exista algo que James não seja capaz de fazer, mas Dumbledore não foi muito justo em colocar tantas responsabilidades em cima de seus ombros, afinal, apesar de incrível, é apenas um garoto de 17 anos tentando se formar. Por isso, eu assumi voluntariamente algumas de suas tarefas na monitoria para que ele tivesse mais tempo para se dedicar ao time e aos NIEMs, coisa que ele relutou no início, mas acabou aceitando.

Apesar de tudo, fazíamos uma ótima dupla.

Naquela noite, a festa acontecia como todas as outras, eu dançava com Marlene como se o mundo fosse acabar, e bebíamos cerveja amanteigada entre um shot e outro de whisky de fogo, eu usava uma camiseta do time escrito MCKINNON nas costas, e meu cabelo já estava preso para evitar o contato com o suor, quando James se aproximou:

- Olha se não são minhas duas grifinórias preferidas no mundo! – disse enquanto colocava um braço em torno dos meus ombros e o outro em torno de Marlene.

- A que devemos a honra da sua companhia, Capitão? – eu perguntei enquanto colocava minha mão sobre seu punho em um tentativa totalmente involuntária de impedir que ele se afastasse de mim.

- E tem que ter um motivo? Eu não posso só querer aproveitar essa ótima festa ao lado dessas duas mulheres maravilhosas? – ele fez um falso tom de indignação.

- Definitivamente tem que ter um motivo, sim, você não ignoraria todas as suas "fãs" para ficar com essas duas descabeladas – Lene respondeu rindo.

- Descabeladas? Eu achei que essa fosse a nova tendência – James respondeu enquanto deitava levemente seu rosto no ombro dela e ria junto.

- Vamos, James, diga o que você quer – eu disse sorrindo enquanto passava meu braço livre pelas suas costas.

- Eu apenas trouxe uns mimos para minha dupla preferida – ele respondeu colocando as mãos nos bolsos – um sapo de chocolate para a ruiva mais incrível que eu conheço e que fez mais um relatório da monitoria pra mim e um sapo de chocolate para minha artilheira para ela não ficar com ciúmes – ele nos deu os doces enquanto sorria.

- James, por acaso você sabe o que a palavra "favor", significa? – sorri de volta – não precisa me pagar com doces toda vez.

- Não precisa, mas eu quero.

Nos abraçando uma última vez, ele saiu sorrindo em direção a uma garota do sexto ano que o encarava sem sequer disfarçar.

James Potter me enlouquecia, em todo e qualquer sentido que essa frase possa ter.

Me sentia cada vez mais insana toda vez que ele me abraçava ou me beijava no rosto, quando sorria unicamente para mim, quando chegava sem nenhum motivo com algum doce diferente, quando pegava nos meus braços, meus ombros, minhas costas, ou simplesmente quando estávamos sozinhos fazendo as rondas, estar em sua companhia fazia meu mundo parar e meu coração bater mais forte. Tudo nele era demais pra mim, seu jeito, sua amizade, que nunca foi fácil, mas que mesmo sem querer dar o braço a torcer, eu sabia que valia a pena, se não valesse, não estaríamos aqui hoje depois de tudo.

Nossa amizade foi baseada desde sempre em um dia de paz e três de guerra, brigamos muito ao longo dos anos, nos desrespeitamos até, falamos coisas horríveis um para o outro e agimos de maneira que nem eu, nem ele, nos orgulhamos, mas mesmo com todos os desentendimentos, sempre estivemos lá um para o outro, para ajudar sempre que preciso, e isso era simplesmente incrível. Como eu disse, sua amizade valia a pena, ele valia a pena.

- Lilyyyyyyy, mais um pouquinho e você vai babar olhando o garoto, vamos disfarçar aí, amiga – Lene disse já abrindo seu sapo de chocolate.

- Não estou tão perto de babar quanto ela – disse enquanto também abria meu sapo de chocolate e indicava James e a garota com a cabeça.

- Ah, acho que é Ellie, James me disse que é quase assustador o quanto ela vive atrás dele – ela riu e em seguida fechou um pouco a expressão – tirei a Rowena de novo, já perdi as contas de quantas dessa já tenho. Tirou o que, Lily?

- Elladora – eu disse enquanto olhava o meu card com desinteresse – ele não parece muito incomodado com ela agora – disse voltando a olhar James sorrir para Ellie.

- Claro que não, né, Lily, olha pra ela, nem eu estaria incomodada se ela estivesse atrás de mimme perseguindo, mas nada de ficar encarando aqueles dois – ela me puxou de modo que virássemos de costas para eles – você conhece o James, sabe que ele gosta de atenção.

A verdade é que eu já aceitara que gostava dele, não apenas gostar, a queda que eu tinha por ele beirava a um abismo, e eu sinto que já não disfarçava isso muito bem, mas, sinceramente, eu não me importava muito com isso. Eu não sentia raiva dele por sempre vê-lo distribuindo aquele sorriso para outras garotas, ciúmes é claro que eu sentia, mas raiva? Eu não me sentia no direito de ficar irritada com isso, ele era livre, sempre fora, eu o conheci assim, inclusive várias e várias vezes foi a mim que ele direcionou algum flerte completamente fora de hora, em ocasiões inapropriadas, ou completamente do nada, não seria justo eu o tratar diferente porque com o passar do tempo passei a sentir algo que ele não tinha a obrigação de retribuir, e eu não achava que retribuía, eu via o flerte como uma espécie de passa tempo para ele.

Tentei não ficar pensando que ao rodar os olhos rapidamente pelo salão comunal, algumas horas depois, não vi James, tentei não procurar Ellie pela sala, tentei não procurar Remus, Sirius ou Peter, não queria dar chance para imaginar qualquer coisa, nem para sentir o alivio caso eu apenas não tivesse prestado atenção e James estivesse em qualquer canto por aqui com seus amigos, não era da minha conta o que ele podia estar fazendo ou não naquele momento, foquei apenas em Marlene e Alice, que havia se juntado a nós, até o fim da festa, e subi para o dormitório sem olhar para trás.

Como de costume, acordei cedo no domingo mesmo não me considerando uma pessoa matinal, meu mal humor durou apenas até eu entrar embaixo do chuveiro e me lembrar que o motivo de eu já estar em pé era, em grande parte, ele. Nós corríamos no campo de quadribol todo domingo de manhã. Todo domingo. Começou com uma atividade só dele, mas virou uma atividade nossa quando, no ano passado, ele me ouviu conversando com Marlene sobre querer iniciar alguma atividade física para tentar diminuir o estresse, ele me convidou para acompanha-lo em suas corridas e desde então nunca mais parei.

Quando desci as escadas, ele já estava me esperando e sorriu quando me viu, segurando uma caneca que eu sabia que continha chá preto com leite, meu preferido.. Eu já não achava que minha cama estava tão aconchegante assim, estar com ele era muito melhor. Saímos do salão do comunal enquanto eu prendia meu cabelo de qualquer jeitotomava meu chá e ele passava os dedos pelo seu cabelo.

- Quase duvidei que você apareceria hoje – ele comentou – parece que você e Marley beberam bastante whisky ontem na festa.

Não queria, mas fiquei aliviada.

- Por acaso você estava nos vigiando, Potter?

- Acho que "vigiar" é um termo muito forte – ele riu – eu estava com Remus próximo ao canto do salão, dava pra ver vocês.

- Não deu certo com Ellie? – tentei falar o mais normalmente possível.

- É Ella, na verdade – ele deu uma risada nervosa – digamos que Sirius foi mais rápido.

- Não esperava nada menos de Sirius Black – eu amava Sirius.

Corremos em volta do campo por cerca de uma hora, era engraçado perceber que enquanto eu estava exausta, suada, saia praticamente me arrastando até as arquibancadas, James parecia pronto para mais uma hora de corrida. Era nesse momento geralmente que a Charlotte aparecia. Charlotte era uma garota extremamente adorável do segundo ano, James estava a treinando para que ela pudesse fazer os testes para apanhadora no ano seguinte, quando ele estivesse formado e a posição estivesse vaga. Ele tinha absoluta certeza de que a vaga já era dela, e depois de assistir a tantos treinos, eu também tinha. Eu amava ver os dois, talvez por isso passei a achar inclusive que eles eram parecidos, Charlotte também tinha os cabelos escuros e lisos, o olhar travesso, e uma disposição de dar inveja, as vezes me sentia até envergonhada de ver uma garota de 12 anos fazer tantos abdominais como se fosse algo extremamente básico, voava com extrema leveza, era pequena e rápida. Ela ainda iria ganhar muitos jogos para a Grifinória.

- Ela é incrível – James comentou quando já estávamos à mesa do almoço com nossos amigos – fico triste que não vou estar aqui pra ver quando ela for do time.

- Charlotte? – perguntou Sirius – eu já teria dado minha vaga pra ela se fosse você, Prongs.

- Às vezes eu acho que devia mesmo fazer isso – ele respondeu – quem sabe assim eu consigo dar conta de tudo o que tenho que fazer.

James tentou forçar um sorriso, mas parecia preocupado.

- Ei, por mais que eu também ache que Charlotte tem futuro, é o seu momento agora, Jay. Você sabe que eu e a Lily não vamos deixar você reprovar em nada, não sabe? – Marlene verbalizou o que eu estava pensando.

- E não é como se você sempre tivesse sido muito aplicado – completou Remus – sempre deu certo e agora não vai ser diferente.

Naquele domingo, a ronda era nossa. Eu odiava fazer ronda aos domingos, mas tentava ver sempre o lado bom, eu estava com ele, pelo menos.

- Sabe, quase acreditei quando você disse que pensava em largar o quadribol, considerei chamar a Madame Promfrey pra checar se estava tudo bem – comentei enquanto olhava um armário de vassouras de maneira automática.

De alguma maneira, James parecia saber quando encontraríamos alguém fora da cama, então confesso que eu já não prestava muita atenção nas rondas. .

- Eu pensei bastante sobre isso. Na verdade, acho que ainda penso.

Me virei pra ele indignada enquanto voltávamos a andar.

- James Potter, como vamos poder te ver na próxima Copa Mundial de Quadribol se você parar de treinar?

- Você tem um bom ponto, mas eu não estou mais focado em ser um jogador de quadribol, quero entrar na Academia de Aurores quando acabar a escola.

Por algum motivo, não me surpreendi.

- Por mais que eu quisesse me aproveitar da sua fama para conseguir os melhores ingressos para a Copa, é uma ideia incrível, James – sorri – e você, com certeza, vai se dar muito bem.

- E você, já decidiu o que quer fazer depois de Hogwarts?

- Ainda não, continuo trocando de ideia a cada semana – ri nervosa – já se passaram quase 7 anos e eu continuo achando tudo isso fantástico e continuo querendo fazer absolutamente tudo.

- Que você é incrível e conseguiria fazer absolutamente qualquer coisa, nós já sabemos, mas o que você quer agora? Se o momento da decisão fosse exatamente agora, o que você escolheria?

James sempre me perguntava isso. Sempre perguntava sobre o agora.

Eu nunca, nunca mesmo, fui boa em escolher, não importava se estávamos falando sobre um sabor de bolo, uma questão da prova ou uma peça de roupa, era sempre difícil escolher. Mas James, ao contrário de Marlene ("é um suco, Lily, peçade qualquer um"), nunca perdeu a paciência com isso, às vezes ele ria ("como você não consegue escolher entre torta de limão ou chocolateabóbora, vamos ter que pedir as duas" – realmente pedimos as duas), mas nunca, nunca perdia a paciência.

Percebendo que eu me distraí, ele completou – não vale dizer Ministra da Magia, isso vai demorar um pouco.

- Hoje eu seria uma enfermeira – sorri – já pensava em fazer isso no mundo trouxa, e acho legal que possa fazer isso por aqui também.

- Sempre achei que você tem cara de alguém que trabalharia no St. Mungus – ele sorriu de volta – deve ser uma loucura trabalhar num hospital trouxa, como eles conseguem curar as pessoas sem uma varinha?

- Te garanto que é bem mais emocionante do que o que vocês estão acostumados.

- Muita coisa no mundo trouxa deve ser mais emocionante.

- Eu diria que simPotter, por favor, mas aqui a gente tem magia, é . É óbvio que vocês não achariam tão legal assim se vissem como é a nossa vida longe daqui.

- Você só fala isso porque está acostumada com as duas partes, eu tenho certeza que ia adorar ver mais como é o mundo trouxa, não é a mesma coisa ouvir falar e de fato estar lá. – ele virou pra mim e parou de andar – você podia me mostrar mais da sua vida quando formos para casa no natal.

- Seria incrível te mostrar um patinho de borracha – falei irônicarevirei os olhos.

- Sim! – ele praticamente gritou – eu quero muito ver como funciona um patinho de borracha!

- James, você é inacreditável – eu ri, recomeçando a andar – metade dessa escola daria tudo para que eu sumisse porque minha família é trouxasimplesmente porque moro no mundo trouxa, enquanto você quer testar ter dias não-mágicos.

- É porque metade dessa escola é extremamente estúpida a ponto de não perceber que, em grande parte por ser nascida trouxa, você é a pessoa mais incrível nesse castelo.

Virei o rosto para que ele não visse o quanto fiquei envergonhada e não consegui responder.

- Você sabe que não é só gentileza – ele continuou – e sim, eu realmente quero ver um patinho de borracha, quero que você me apresente seu mundo, quero ver os aparelhos que funcionam com eletrocidade.

- Eletricidade – eu corrigi rindo – acho que você ia mesmo amar ver um jogo de futebol na televisão, talvez isso dê certo.

- É claro que vai dar certo, nós nem brigamos ainda esse ano, nós vamos sobreviver – ele me abraçou pelos ombros.

- Não se faça de desentendido, James Potter – eu abracei sua cintura – eu briguei com você duas ou três vezes quando estava ensinando azarações aos mais novos.

- Exatamente, Lily Evans, você brigou comigo, eu não respondi, logo, nós não brigamos.

E assim, abraçados, retornamos à torre da grifinória.

Na semana seguinte, minha coruja voltou da minha casa com meu antigoum patinho de borracha que mamãe enviou para James.

- EU NÃO ACREDITO! – ele gritou como se eu estivesse lhe entregando um ingresso para osdos Chudley Cannons, atraindo a atenção de toda a sala comunal – EU NÃO ACREDITO NISSO, LILY! O QUE ELE FAZ?

- Ele não faz nada, James, só boia – respondi achando extremamente adorável suas grandes expectativas sobre um produto tão sem graça.

- É INCRÍVEL, É MEU PRIMEIRO PRESENTE TROUXA! – seu abraço me tirou do chão.

- Vou fingir que realmente não dei revistas trouxas a você e Sirius ano passado – ouvi Remus comentando com um sorrisinho de lado, enquanto Peter e Sirius davam um tapa em seus ombros, e acho que ouvi Peter dizer "deixa ele".

- É o meu presente trouxa mais incrível, eu amei, obrigado Lilypad – ele me colocou no chão e me olhou com um sorriso enorme.

Incapaz de fazer alguma coisa senão retribuir, eu sorri de volta.

Até uns dois anos atrás, era muito comum ver James andando por aí com um pomo de ouro. Hoje nós o víamos com o patinho de borracha, apelidado de Miller em homenagem ao "melhor apanhador que já existiuda atualidade", segundo o próprio James.

Apesar da proximidade com o fim do ano, era uma tarde atipicamente quente, estava com Lene, Alice e Frank sentada nos jardins, aproveitávamos o Sol enquanto podíamos. Os Marotos foram mais além e, de maneira completamente despreocupada, começaram a jogar água uns nos outros até pararem os quatro dentro do Lago Negro. Os quatro e Miller, o pato, que agora boiava próximo a eles.

- Se ele está desse jeito com um brinquedo de bebê, imagina quando ele for a um cinema – Marlene comentou divertida – por favor, Lily, inclua isso nos seus planos e me leve junto.

- Será que ele estava mesmo falando sério? – perguntei.

- Você acha que ele não estava falando sério? – Marlene arqueou uma sobrancelha.

- Não sei, na verdade. Foi uma conversa estranha.

- Olha, Remus deve conhecer bastante, já que a mãe dele é trouxa, Peter não tenho certeza, mas James e Sirius sempre pareceram bem interessados nas aulas de Estudo dos Trouxas, então eu acho que ele realmente estava falando sério quando disse que queria conhecer mais – disse Alice – até porque você é tipo "metade trouxa" e, bem, sabemos, não é? É James.

- Você sabe que já passamos dessa fase, Alice – respondi, tentando muito não parecer envergonhada.

- E aqui temos um forte motivo pelo qual Lily não foi para a Corvinal – Frank disse e os três riram.

- Às vezes eu duvido que você realmente esteja do meu lado, Frank – empurrei seu ombro de leve.

- Você sabe que ele tem razão, Lily. Você tem todo o direito de não querer nada, mas não dá pra fingir que não sabe que ele gosta de você – Marlene se arrastou para mais perto de mim e me abraçou pelos ombros – a gente sabe que você ficou bem retraída depois do Snape e que toda essa história de guerra tem abalado sua autoestima, mas tente pensar bem se você está fazendo isso porque acha mesmo que é o melhor pra você ou está apenas se sabotando, está bem?

Olhei de novo para os meninos no lago enquanto Lene me apertava em seus braços e beijava minha bochecha.

- Eu só não consigo entender. Ele tem tudo, pode ter tudo, não entendo porque ficar na minha cola querendo ver um micro-ondas enquanto carrega um pato de borracha.

- Nunca mais fale de você e de onde você veio como se fosse pouca coisa – Marlene me olhou muito séria – nunca mais, está me entendendo?

- Você faz parte de dois mundos, Lily – Alice me abraçou também – não entendo como alguém pode não achar isso incrível.

- E você sabe que a parte mais legal das nossas férias é passar um tempo na sua casa – completou Frank – eu ainda não superei a vontade de ter um micro-ondas.

Apesar do caos que estávamos vivendo, eu não poderia me considerar mais sortuda.

Naquela noite, eu estava sozinha, deitada no campo de quadribol quando ele chegou. De alguma maneira, James parecia sempre saber onde me encontrar.

- Um pouco tarde para estar fora do castelo, não acha, senhorita? – ele se sentou ao meu lado.

- Esse distintivo tinha que servir para alguma coisa, certo? – sorri ao ouvir sua risada.

- Você tem toda razão. Mas, então, o que faz aqui no meu território?

- Faz tempo que não temos uma noite com tempo bom e céu aberto, quis aproveitar um pouco mais – respondi ainda olhando o céu – e você? O que faz aqui?

- Estava te procurando – ele disse como se fosse óbvio – tenho algo pra você.

Eu me sentei quando ele estendeu a mão para mim e me entregou uma pequena bolinha dourada. Um pomo de ouro. Olhei pra ele sem entender.

- Você me deu algo da sua infância, eu queria te dar algo também. Esse foi meu primeiro pomo de ouro, joguei muito quadribol com meu pai antes de Hogwarts.

Olhei novamente para o pomo em minha mão, ele já não brilhava tanto quanto os que víamos nos jogos, tinha alguns arranhões e, se isso era possível, ele parecia cansado, abriu as asas, mas não tentou voar.

Sorri para ele e o abracei.

- É incrível, James. Muito obrigada.

- De nada, Lilypad.

Quando nos soltamos, ele continuou próximo a mim, seus olhos tentando focar nos meus, mas eu voltei a olhar o pomo em minhas mãos, pensando no quanto aquilo devia significar para ele.

- Eu gosto de como seus olhos ficam no escuro – ele colocou uma das mãos na minha bochecha e me fez levantar o rosto.

Fiquei pensando em uma resposta, mas não entendi o que ele quis dizer.

- Sabe, com as pupilas dilatadas, ainda dá pra ver que eles são muito claros.

O que eu queria responder era que meus olhos eram extremamente sem graça perto dos olhos dele, os castanhos mais lindos e cheios de expressão que eu conhecia. Mas ao invés disso, eu respondi:

- Obrigada, James.

Ele desceu a mão do meu rosto e começou a fazer carinho no meu braço.

- Sabe, Lily, eu estava conversando com a Lene antes de vir te encontrar e queria te dizer que eu realmente falo sério quando digo que você é incrível exatamente do jeito que você é e que eu quero mesmo conhecer o lugar de onde você vem. Eu quero conhecer tudo sobre você.

- James, eu... – comecei a falar, mas ele me interrompeu.

- Olha pra mim, Lilypad, por favor – ele disse enquanto fazia eu o olhar nos olhos de novo – eu não ligo para o que as pessoas pensam, eu não ligo que elas digam alguma coisa, eu não sou como eles, eu não vejo como alguém pode olhar pra você e não se apaixonar da forma como eu me apaixonei. E eu sei que faz tempo que não falamos sobre isso, mas eu quero mesmo ficar com você, Lily, não importa o que espera a gente lá fora, eu quero estar ao seu lado, e eu nunca te disse isso antes porque eu achei que fosse óbvio que seu sangue não faz diferença nenhuma pra mim, eu já escolhi o meu lado, o nosso lado.

Mesmo com tantas coisas que eu queria dizer a ele, eu travei. Travei, simplesmente travei, fiquei olhando para ele sem saber o que responder, sem saber o que fazer, sem saber o que sentir.

Eu realmente queria incluir ele na bagunça que era minha família, com todo o inferno que eu e Petúnia causamos? Eu realmente queria que ele se tornasse um alvo ainda maior na guerra por minha causa? Eu realmente queria prendê-lo a todos os meus medos, confusões e inseguranças?

Não, eu não queria. Eu nunca quis.

- James – eu comecei, tirando suas mãos de meu rosto – eu gosto de você, mesmo, de verdade, mas eu não acho que isso seja uma boa ideia.

Me levantei querendo sair dali o mais rápido possível, mas ele se levantou também e passou na minha frente.

- Eu sei que não deve ser confortável pra você saber que sua melhor amiga estava falando de inseguranças suas pra mim, inclusive ela vai me matar quando souber que eu disse que conversei com ela, mas eu percebi que estou desesperado, estamos no último ano, eu não faço a menor ideia de como vai ser lá fora e eu não quero correr o risco de nunca mais te ver, eu sequer consigo pensar nessa possibilidade.

- Você sabe que risco é o que você vai ter se realmente decidir ficar perto de mim – ri sem humor – e, de verdade, James, eu não vejo como isso pode dar certo, eu sequer estou com cabeça pra isso, nos poupar disso é o melhor que a gente faz.

- Eu não quero ser poupado de nada que acompanhe você. – ele segurou minhas mãos – Eu só preciso de uma chance, Lily, só uma. Eu aceito qualquer condição, qualquer coisa, mas me deixa pelo menos tentar uma vez, por favor.

- Eu não posso deixar você fazer isso, James, só vai te machucar, não vale a pena.

- Você não me machuca, nunca – ele levou minhas mãos até seus lábios – e eu acho que vale o risco.

Fechei meus olhos com força tentando pensar racionalmente, eu não queria magoa-lo, mas era justamente isso que eu estava fazendo agora. Ele sempre foi tão teimoso.

Respirei fundo uma última vez antes de abrir os olhos e responder o mais firme que consegui:

- Eu já te disse que você é um ótimo amigo, James, mas eu já falei que não quero nada com você, nada.

Eu quis chorar quando vi sua expressão de desespero e, de novo, ele segurou meu rosto.

- Me deixa tentar, Lilypad, por favor, por um dia que seja.

Eu sinto que se abrisse a boca para responder, eu ia chorar, então apenas balancei minha cabeça negativamente, enquanto a respiração dele acelerava ainda mais.

Comecei a andar em direção a saída do campo o mais rápido que consegui, ouvi ele chamando meu nome três vezes, mas não me virei para olhar e ele não veio atrás de mim.

Chegando ao salão comunal, fui direto ao dormitório. Lene e Alice já estavam sentadas uma de frente para a outra na cama, as duas sorrindo, provavelmente Alice estava falando de Frank. Sentei com elas tentando demonstrar naturalidade e sorri.

- O que é isso? – Alice puxou minha mão – um pomo?

- Ah, sim, James me deu – abri a mão para que elas vissem – ele disse que foi o primeiro pomo de ouro dele.

Elas olharam o pomo abrir as asas como se o fosse o dia mais feliz da vida delas.

- E aí? – Marlene pareceu ansiosa.

- O que, Lene?

- Ele foi te procurar, te deu um presente... – ela fez um gesto com a mão para que eu prosseguisse.

- Ele foi me procurar, me deu um presente e eu voltei – sorri sem graça quando ela ficou séria.

- Não sei como esperava algo diferente – Alice riu da expressão de Lene.

- Isso é um pomo de ouro na mão de Lily? – Mary gritou da porta.

- O primeiro pomo de ouro de James Potter – Marlene gritou de volta enquanto Mary se aproximava – um presente simbólico à luz das estrelas e sabe o que nossa querida ruiva fez? Vários nada.

- Isso deveria me surpreender? – Mary riu.

- Sério, Lily, depois não adianta ficar incomodada com a Ellie secando o James.

- É Ella – respondi virando o rosto, querendo mais que tudo mudar de assunto.

- Que seja, você prometeu pensar melhor sobre isso.

- Você pediu, mas eu não prometi nada.

Sinto que Marlene me bateria naquele momento.

- Lily, é sério, eu estou tentando te ajudar.

- É sério que vamos continuar falando disso? – Mary perguntou enquanto procurava algo no seu malão – ela não quer, gente, deixa ela.

Sinto que Marlene também bateria na Mary.

- Então, Lily, eu estou tentando te ajudar.

- Tentando me ajudar falando de coisas pessoais minhas pra ele, suponho.

- Não mude de assunto, Lily, estamos falando de você – Lene respondeu enquanto Alice resmungava "Potter tinha que fazer fofoca".

- Não tenho nada pra falar sobre isso, vai saber se você conta pra ele também, não é mesmo? – fui em direção a minha cama.

- Ah, qual é – ela virou na minha direção – você está sendo injusta.

Eu sabia que estava sendo injusta.

- Eu? Injusta? Você saiu falando da minha vida por aí e eu sou injusta?

- Eu dei alguns conselhos para o cara que você gosta, você fala como se eu tivesse te difamado pra metade do castelo.

- Foi quase isso – quase gritei.

- Não seja ridícula, Evans.

Eu sabia que estava sendo ridícula.

- Deixe você de ser ridícula, você não tem nada a ver com a minha vida.

- Lily! – Alice me repreendeu.

Marlene não respondeu, apenas me encarou por breves segundos e saiu do quarto. Mary olhou rapidamente de mim para Alice antes de sair também. Por fim, Alice baixou o rosto antes de pegar o pomo em sua cama e deixar em minha mesa de cabeceira, ela saiu logo em seguida me deixando sozinha.

Eu queria esperar até a manhã seguinte para pedir desculpas para Lene, mas me senti tão mal que não consegui dormir e a acordei no meio da noite.

- Eu fui injusta e ridícula, me perdoa – eu a abracei deitando ao seu lado assim que ela abriu os olhos – não devia ter sido grossa, me perdoa mesmo.

- Vai me contar agora o que aconteceu? – ela se virou para mim enquanto me abraçava de volta.

Contei tudo detalhadamente, como ela sempre pedia.

- Engraçado você tentar proteger o James quando ele quer ser auror justamente pra proteger você.

- Ele não quer ser auror por minha causa, Lene, eu acho que mato ele se for por isso.

- Não deve ser só por você, mas com certeza você é um dos motivos. Você também é um dos motivos pra eu querer ser auror.

- Eu te amo, Lene.

- Eu também te amo, Lily. E sabe quem mais te ama? – ela sorriu.

- Por favor, não diga James Potter – eu sorri e ela sorriu ainda mais.

- Claro que James Potter, né, Lilypad.

- Por favor, você sabe que eu odeio que ele me chame de Lilypad – eu ri.

- Odeia tanto que nunca falou nada – ela riu comigo – mas então, Lilypad, é super compreensível querer proteger o James da Petúnia, sua irmã é horrível, mas pense um pouco mais, sério, só você não admite que ele é doido por você.

- Dessa vez, eu prometo que vou pensar.

- Idiota – ela disse enquanto me abraçava com mais força.

Me aconcheguei a ela e dormi lá mesmo.

Na manhã seguinte, achei que as coisas estariam estranhas entre mim e James, mas ele estava agindo como se nada tivesse acontecido.

Tínhamos um período livre à tarde e eu havia me comprometido a ajuda-lo com o dever de poções. Passados 12 minutos, James deitou a cabeça na mesa e disse que não aguentava mais.

- James, vamos, nem parece que Fleamont Potter é seu pai.

- Sem pressão, Lily, estou morrendo – ele respondeu sem tirar a testa da mesa.

- Só faltam 30 cm, se você conseguir terminar ele hoje, tem mais tempo no fim de semana, e esse sábado tem Hogsmeade, lembra?

Ele levantou a cabeça devagar e puxou o pergaminho de volta.

- Se eu terminar esses 30 cm hoje, você podia deixar eu pagar uma cerveja amanteigada pra você no sábado.

- Se você terminar, não terá feito mais que a sua obrigação – respondi séria.

- Certo, mãe – ele fez uma careta e eu ri.

- Estou brincando, James! Você paga a cerveja e eu a torta.

- Ansioso para ver você passar 20 minutos escolhendo entre limão e chocolate e a gente ter que pedir as duas de novo – ele sorriu.

- Tenho certeza que Marlene também, ela foi a que mais comeu aquele dia.

No sábado estava muito frio, mas não o suficiente para nos fazer desistir de ir a Hogsmeade.

Geralmente, nos encontrávamos em algum momento da tarde no Três Vassouras, eu, Lene e os Marotos, naquela vez não foi diferente. Nós rimos, bebemos muita cerveja e no lugar da torta de limão ou chocolate, pedimos uma torta de abóbora.

James realmente pagou minhas cervejas, mas não deixou que eu pagasse a torta, então eu fiz o que qualquer pessoa madura faria, fui até a Dedos de Mel e comprei um punhado de varinhas de alcaçuz, eu sabia que ele adorava, e quando chegou a hora de voltar ao castelo, enchi seus bolsos com os doces.

Chegando ao Salão Comunal, fomos direto pegar nossos jogos, tinha certeza que passaríamos a noite quase toda acordados, mas eu fui a primeira a deitar no colo de Marlene e dormir, mal me lembro de ter subido para o dormitório.

Foi triste levantar tão cedo na manhã seguinte para correr, quase desisti, nem ver James ao pé na escada com minha xícara de chá me animou, estava frio demais.

- Como você pode parecer tão feliz a essa hora? – perguntei cheia de mau-humor.

- Por que eu estou feliz, temos um dia inteiro sem aula.

- Está muito frio – respondi fechando mais a cara.

Ao passarmos pelo buraco no retrato, puxei meus cabelos completamente desgrenhados, amarrados de qualquer jeito, por cima de meu pescoço na tentativa de cobri-lo.

- É melhor que cansamos menos – ele sorriu para mim.

- Verdade, não posso cansar se estiver morta.

- Vamos, se anime – ele me abraçou de lado e esfregou meu braço – se você achar que não dá, a gente para.

O mais interessante sobre exercícios físicos é que você nunca se arrepende de ter ido. Quando estávamos terminando a primeira volta no campo, eu já não queria mais voltar para a minha cama. Inclusive, não voltei nem quando Charlotte apareceu, fiquei e assisti ao treino como todas as vezes.

James jogou seu agasalho do time ao meu lado na arquibancada e eu vesti enquanto Charlotte me encarava com um sorrisinho travesso no rosto. James não pareceu se importar.

Voltamos os três juntos para o castelo, James e Charlotte discutiam a nova contratação da seleção inglesa e eu só pensava em tomar mais uma xícara bem quente de chá e concordava com tudo que eles diziam, fazendo o máximo para fingir que estava interessada.

Chegamos à torre e eu não devolvi o agasalho.

As rondas nunca foram tão divertidas antes de James. Certa noite, deveríamos estar atentos a qualquer movimentação estranha no castelo e abrindo todas as portas em busca de alunos fora da cama, mas ao invés disso, estávamos dançando valsa no corredor. Ou, pelo menos, algo semelhante a uma valsa. James cantarolava uma música qualquer enquanto dávamos passos desordenados em círculos, indo e voltando pelo corredor, com certeza estávamos dançando terrivelmente mal, mas isso só fez tudo ficar mais divertido.

Tentei me concentrar em não pisar tanto em seus pés para distrair da sensação de ter sua mão na minha e seu sorriso tão próximo a mim, sorriso esse que só aumentava cada vez que eu ria. Ele me rodopiou uma última vez antes de inclinar minhas costas para trás, eu estiquei um dos meus braços e olhei bem para frente no corredor, como se estivesse fazendo pose para o público. Devíamos estar ridículos.

- Vamos, James, precisamos pelo menos fingir que estamos fazendo alguma coisa – puxei sua mão para descermos a escada.

Dois corredores depois, escutei um barulho, parecia algo batendo, vinha de uma sala próxima. Me aproximei, mas antes que eu pudesse encostar na maçaneta, James me jogou no ombro.

- Aí não, Lily – e saiu andando comigo.

- Sirius está ali, não está? – perguntei querendo rir.

- Está, e eu prometi que não iria atrapalhar ele hoje.

- Você promete isso toda vez, não podemos ficar livrando ele sempre – ele começou a descer outro lance de escadas, ainda comigo em seu ombro – e onde você está me levando, Potter?

- Vamos tomar um chocolate quente – ele respondeu, ignorando completamente meu comentário sobre Sirius.

A cozinha estava bem mais agradável que os corredores gelados, tomamos nosso chocolate quente e praticamente jantamos de novo de tanto que comemos, ficamos lá conversando sem nem pensar que não deveríamos estar ali e que acordaríamos muito cedo no dia seguinte.

Na volta para a torre, quase fomos pegos por Filch no terceiro andar, já tinha passado do horário até para nós que éramos monitores, corremos tanto que eu achei o caminho todo que ia vomitar por estar muito cheia, mas assim que entramos no salão comunal começamos a rir.

Esse era o tipo de coisa que eu jamais faria antes de James, o que me fazia agradecer muito por ter ele ali comigo, era sempre divertido demais.

Eu não queria me separar dele, queria ficar ali com ele a noite inteira, mas ele foi o primeiro a me dar boa noite e se encaminhar até as escadas do dormitório.

Quase não dormi pensando nele.

O último jogo de quadribol antes do recesso de Natal estava se aproximando, o que significava que a grifinória toda estava tensa naqueles dias. Eu assistia a todos os treinos, em partes para dar apoio moral, principalmente para Lene, e em partes porque eu realmente comecei a gostar, nem levava mais algum livro comigo pois sabia que eu não leria, me concentrava completamente no campo.

Eu sabia que não havia motivo para nervosismo, nosso time estava bom demais, certeza que iríamos ganhar, mas o estresse era contagiante, fiquei extremamente aliviada quando o dia do jogo chegou.

- Cabelo bem preso, varinha no bolso, vassoura na mão – disse enquanto olhava Marlene de cima a baixo na entrada do campo – tudo certo, pronta pra ganhar?

- Pronta, capitã – ela respondeu, prestando continência.

- Ganhe este jogo – me virei para Thomas, um dos batedores, que passou por nós naquele momento – ei, Thomas, não deixe NADA chegar perto dela, está me entendendo?

- Pode deixar, capitã.

Abracei Marlene uma última vez antes de ir para as arquibancadas, pronta para gritar até não aguentar mais.

Como eu previra, ganhamos com uma boa vantagem de pontos e nenhum balaço acertou a Lene.

Toda festa após o jogo era sempre a mesma coisa, os meus cabelos presos, a camiseta escrito MCKINNON, whisky de fogo e cerveja amanteigada, encarar James descaradamente enquanto ele conversava com outra pessoa, Marlene me advertindo.

- Paraaaaaaa de secar o rapaz desse jeito.

- É involuntário, me desculpa – fiz careta, mas não parei de olha-lo.

- Sério, Lily, isso está ficando ridículo, o cara já cansou de se declarar pra você, e você me prometeu que ia pensar melhor e... – ela se interrompeu por um instante e saiu correndo em direção às escadas – me espera aí!

Quando ela desceu, estava segurando o agasalho que peguei de James.

- Marlene, guarde isto!

- Não – ela o colocou em torno de meus ombros e me encarou – o que você quer agora, Lily?

- Quero que você leve isso de volta para eu não ter que devolver – estendi de volta para ela.

- Resposta errada, vamos, vista.

Vesti a blusa a contragosto e cruzei os braços.

- O que você quer agora, Lily?

- Quero encher a cara.

- Não! Você quer agarrar o James! – ela me posicionou na direção dele – vá lá e agarre ele.

- Eu não posso, Lene, que saco! – dessa vez, eu que queria bater nela.

- Você pode, sim!

- Por Merlin, a vida está um caos, a minha vida está um caos, isso tudo vai dar errado!

- Não tem nada para dar certo ou errado, Lily, eu só sei que você quer beijar o James agora, você vai beijar ele e é só, não tem amanhã, só tem hoje, aqui e agora, esquece amanhã.

Olhei para ele de novo, em uma rodinha com os amigos e duas garotas do quinto ano.

- Certo, passe o whisky – me virei para Marlene.

Ela sorriu e encheu dois shots de whisky de fogo, viramos juntas e então comecei a andar na direção de James. Quando estava chegando perto dele, olhei para a mesa no centro do salão, a mesa onde ele fazia os discursos, olhei para James de novo e olhei para mesa.

Subi na mesa.

- Ei, James! – todo mundo se virou para mim e eu repeti a pergunta que ele me fez várias vezes ao longo dos anos – beijo pra comemorar a vitória?

Ele ficou em silêncio apenas por alguns instantes, mas para mim pareceu que foi a noite inteira.

- Nem em seus sonhos, Evans – ele repetiu o que era minha resposta.

Não tive tempo de processar a resposta, ele subiu na mesa e me beijou. Naquele momento, eu não acreditei que estava fugindo disso, mais nada se passava pela minha cabeça, sequer pensei no amanhã.

Mas houve amanhã, houve o amanhã depois desse, e muitos outros depois, e as coisas realmente deram erradas diversas vezes (principalmente quando o apresentei à Petúnia), mas eu percebi que com ele até quando as coisas davam erradas, eram certas.

Afinal, era James e eu, sempre seria James e eu.