Jay subia as escadas em direção à Inteligência um pouco mais distraído do que gostaria de admitir. Na noite anterior ficou esperando pela ligação de Hailey com as informações de seu voo para que pudesse busca-la no aeroporto, mas ela não respondeu. Ele pensou que ela havia dormido cedo. Mas agora, doze horas depois, ele estava ligeiramente preocupado.
Obviamente o pensamento mais assustador, mas que não seria novidade, rodeava sua cabeça: Ela havia desistido de voltar para Chicago e não sabia como contar para ele? Afinal, parecia muito comum que suas parceiras o trocasse por Nova Iorque.
Suspirou ao pegar o celular no bolso da calça e constatar, pela quadragésima vez, que suas mensagens ainda não haviam sido entregues para ela.
— Ei Jay! – ele foi desperto de seus pensamentos obscuros por Kim, que o alcançou nas escadas.
— Ei! – ele a olhou, guardando o celular novamente e contendo um suspiro – Tem falado com a Hailey?
— Primeiramente, bom dia – ela conteve um revirar de olhos, com um sorrisinho torcido nos lábios. Ele estava tão apaixonado que nem se dava conta disso. Desde que ela havia ido para Nova Iorque não tinha um segundo sequer que ele não mencionasse a detetive.
— Bom dia! – o detetive conteve uma careta.
— E não, falei com ela já tem uns dois dias! O que houve?
— Hum, nada, eu apenas não tenho notícias dela desde ontem – ele se aproximou de sua mesa, tirando o casaco e o pendurando na cadeira – Ela ficou de me dizer o horário que seu voo pousava em Chicago e até agora não apareceu – murmurou, sentando na borda da mesa de Hailey e cruzando os braços enquanto encarava a policial.
— Tira essa carranca do rosto, Jay! – Kim o advertiu – Ela não vai ficar em Nova Iorque.
— Mas eu não falei nada – Jay ergueu os braços, tentando se defender. Era tão óbvio assim que Erin o havia traumatizado quando o assunto era Nova Iorque?
— Nem precisa, a sua cara fala por sua boca... – deu de ombros, tomando um gole do café que havia trago.
E ele não se atreveu a negar, afinal desde a noite que Hailey chegou em seu apartamento para dizer que estava indo para Nova Iorque algo estava inquieto em seu coração. Ele não conseguia evitar os pensamentos negativos, era mais forte com ele. Talvez quando se tratava desse assunto nem mesmo as sessões de terapia havia ajudado. A conversa dos dois foi interrompida por Adam e Kevin que entravam ali eufóricos.
— Vocês estão sabendo? – Adam olhou para os dois, enquanto Kevin se aproximou para ligar a televisão.
— Não, o que houve? – Jay respondeu, franzindo o cenho.
— Você tem notícias da Hailey? – Kevin o olhou por cima do ombro enquanto sincronizava o canal de notícias e aumentava o volume.
— Não, não falei com ela. O que está acontecendo? – a voz do detetive estava mais alterada do que deveria.
— Um avião vindo de Nova Iorque caiu... – Adam engoliu em seco enquanto ficava ao lado de Kim – Você sabe qual voo que ela estava?
Os batidos cardíacos aceleraram de uma forma rápida e instantânea.
Desastre aéreo.
Hailey não atendia o telefone.
Aquilo só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto.
A primeira reação de Jay foi pegar o telefone novamente, discou o número de discagem rápida, mas como das outras três vezes que já havia ligado na manhã de hoje a ligação ia direto para a caixa postal.
— Não, eu não sei – ele respondeu exasperado, tentando mais uma vez ligar para Hailey, sabendo que era inútil – Não consigo falar com ela desde ontem à noite, ela ia me mandar o horário e em qual voo estava vindo, mas eu não sei – Jay se virou para ficar de frente para a televisão e apoiou as mãos na mesa da parceira, ouvindo o noticiário e sentindo o desespero tomar conta de seu corpo. Ele sabia como funcionava os acidentes aéreos, as chances de encontrarem os corpos e de identifica-los eram sempre minúsculas.
— Avisou o Voight? – Kim murmurou para Adam, mordendo o lábio para conter o aperto no coração.
— Ainda não, acha que devo fazer isso agora? – ele disse no mesmo tom que ela, olhando o detetive que praguejava ao tentar ligar mais uma vez para a loira.
— Talvez seja – ela deu de ombros ao indicar Jay que deu um soco na mesa e saiu em direção à copa – Kev, acho melhor desligar isso.
— É, eu também acho – o policial concordou desligando a televisão e se aproximando do casal – O que vamos fazer?
— Não faço a menor ideia, vou ligar para o Voight – Adam puxou o celular do bolso da calça, discando o número do chefe e se afastando dos dois.
— Devemos ir falar com o Jay? – Kevin questionou, olhando por cima do ombro e vendo o detetive andando de um lado para o outro enquanto falava com alguém no telefone, bem irritado.
— Eu acho que não – Kim suspirou, passando as mãos no rosto – Vamos ver se a Platt tem alguma notícia, ela sempre sabe de tudo, talvez Hailey tenha dado informações úteis para ela!
Kevin assentiu com a cabeça, colocou as mãos no bolso da jaqueta e desceu com Kim até a recepção do distrito. Se tinha alguém que poderia saber de algo esse alguém era Trudy Platt.
Na copa, depois de receber uma ligação de Voight, Jay conversava com Will, tentando obter informações médicas e se alguma vítima já havia dado entrada no hospital. O acidente havia acontecido próximo à Chicago então se encontrassem vítimas com vida poderiam ser levadas ao Chicago Med.
— Will... Por favor, apenas... Me ligue, ok? – Jay disse ao telefone, com a mão no rosto e fechou os olhos – Eu preciso de informações.
— Jay, se acalme! – Will pediu do outro lado da linha enquanto caminhava em direção a emergência – Confia em mim, se eu tiver notícias você será o primeiro a saber.
— Já falei com o Voight também, ele ia solicitar a lista de passageiros para a companhia aérea – murmurou, engolindo em seco.
— Ok, vamos mantendo contato, ok? Fica calmo – o ruivo balançou a cabeça quando ouviu Maggie lhe chamar – Preciso ir, nos falamos em breve.
— Ok, obrigado!
Jay encerrou a ligação, apoiando as mãos na bancada e sentindo seu corpo tremer.
Lembrou de alguns meses atrás, quando estava neste mesmo lugar com Hailey ao seu lado. Naquela época a tensão tomava conta de seus corpos pois o destino da Inteligência era incerto se Brian Kelton realmente se tornasse prefeito da cidade. Enquanto pensava sobre isso, ele se dava conta de que esteve tão perto de contar à ela sobre seus sentimentos. De como a risada dela havia se tornado a sua risada favorita do mundo inteiro, de como o sorriso dela lhe acalmava e de como ele confiava à ela a sua vida.
Jay tinha consciência de como havia sido áspero quando Hailey tornou sua parceira, e de como ele estava ressentindo por ter que lidar com outra pessoa que não fosse Erin, e principalmente ter que lidar com o fato de que a sua ex parceira e ex companheira fora embora sem ao menos se despedir e sem atender suas ligações.
Se naquela época ele fosse questionado por Hank Voight se gostaria de trabalhar com um parceiro novo, obviamente a sua resposta seria sim e de preferência um homem.
Se hoje ele fosse questionado por Hank Voight se gostaria de trabalhar com um parceiro novo, obviamente a sua resposta seria não, nunca, jamais.
Hailey havia ganhado sua confiança pouco a pouco. Ela o desafiava, o instigava a ser uma pessoa e um policial melhor. Ainda se lembrava de como ela havia deixado claro que se ele não fosse para a terapia ela estaria pedindo um parceiro novo. Aquilo de fato o irritou, mas no fundo sabia que precisava daquele empurrãozinho vindo dela.
De forma lenta a detetive foi entrando em sua vida e se tornando uma das pessoas mais preciosas e uma das que ele não queria e não podia perder. E agora que um avião havia caído e não tinha notícias dela, ele se culpava por tê-la deixado ir para Nova Iorque sem ao menos estar ciente do quanto ele a amava e do quanto a queria por perto e não apenas como sua parceira de trabalho.
Ele a amava de formas inimagináveis, que nunca antes havia pensado que poderia amar alguém, e doía ter que se controlar perto dela. Afinal ambos sabiam que era difícil lidar com um relacionamento amoroso e ser profissionais, ambos tinham experiência sobre isso. Ele com Erin e ela com Adam. Mesmo assim, ele queria tanto isso. Queria tanto poder acordar ao lado dela todos os dias, poder sentir o cheiro dela e poder chama-la de sua. Sua namorada. Sua parceira. Sua vida.
Jay não se deu conta quando grunhiu irritado e jogou a primeira caneca que viu ao seu lado na pia, quebrando-a em pedacinhos. Ele não sabia, mas há um tempo Hailey fizera a mesma coisa quando ele estava desaparecido.
— Hum, você está me imitando Detetive Halstead?
A voz de Hailey ecoou na copa no mesmo instante em que ele quebrava a caneca, ela acompanhou a cena de perto e teve a sensação de ter um dejà vu.
— O-o q-que? – Jay se virou lentamente, vendo a detetive parada na porta com um sorriso nos lábios – Hailey? Meu Deus!
A primeira coisa que ele fez foi correr até ela e envolver o corpo minúsculo da loira com seus braços fortes. Hailey deu um gritinho surpresa ao senti-lo tão próximo, mas não reclamou e nem fez nenhum comentário debochado. Ela permitiu-se ser abraçada por ele, principalmente porque havia encontrado Trudy, Kim e Kevin na recepção e o trio gritou aliviado e contou a ela o que havia acontecido e de como eles estavam com medo de que algo desastroso havia se passado com ela.
Ela abraçou os três, até mesmo Trudy, e subiu para encontrar Jay que, de acordo com as palavras de Kevin, estava com o modo surto ativado.
Jay a ergueu do chão, sentindo o coração acelerar e as mãos suarem por estarem abraçados dessa forma. O contato físico entre eles eram muito restrito, principalmente porque ambos sentiam o corpo arrepiar se ficassem próximos demais, então evitavam coisas íntimas. O único abraço que haviam trocado havia sido na van, que Jay rodeou o corpo dela tentando protege-los dos tiros. E isso havia sido há tanto tempo e numa situação tão difícil que ela não pôde apreciar a sensação. Dessa vez era diferente, era mais íntimo, repleto de saudades, medos, e felicidade por vê-la viva e bem.
— Você me assustou! – Jay murmurou de olhos fechados, a colocando no chão mas não se afastando dela.
— Desculpa, a minha intenção na verdade era te fazer uma surpresa! – Hailey murmurou, com as mãos espalmadas nas costas dele e com o rosto em seu peito. Ela também não se atrevia a abrir os olhos, não queria voltar para a realidade agora que havia experimentado estar nos braços dele pela primeira vez.
— Você não respondeu minhas mensagens, seu celular estava desligado... Deus, Hailey! – ele suspirou, apertando os braços ao redor dela – Não faça mais isso. Nunca mais!
— Me desculpe, peguei o voo depois que te respondi pela última vez, mas tivemos um atraso na escala. A minha intenção era te buscar no seu apartamento para virmos trabalhar juntos, o plano não era um avião cair – ela murmurou e Jay conseguiu sorrir pela primeira vez nesta manhã e abriu os olhos para constatar que ela fazia uma careta fofa enquanto falava.
— Você queria me surpreender com uma carona logo cedo?
— Claro! – ela se afastou para olhar nos olhos dele e prendeu a respiração ao ver que o rosto dele estava mais próximo do que era comum entre eles. Ela podia sentir o cheiro de menta vindo de seus lábios, e notou também que ele não fazia a barba há algum tempo. Hailey se arriscava a dizer que seria o mesmo tempo em que ela esteve fora.
— Eu senti sua falta – ele murmurou, passando a língua nos lábios.
Ele queria tanto beijá-la naquele momento que podia sentir o gosto dela em sua boca.
— Eu senti sua falta também – ela sorriu, ansiando para que ele movesse a cabeça alguns centímetros e tomasse seus lábios com os dele.
Ela queria tanto beijá-lo, mas estava receosa em tomar o primeiro, afinal a última vez que tentou dizer algo ele preferiu atender a porcaria do telefone a broxando completamente.
Jay continuou encarando-a por alguns segundos, ele brincou com a mecha de cabelo dela que caía em seu rosto, colocando-a atrás de sua orelha. E quando ele finalmente tomou a iniciativa de beijá-la a voz de Burgess irrompeu na copa.
— Precisamos de vocês, Voight pegou um caso! – ela praguejou baixinho ao ver que eles se separaram de forma abrupta, completamente nervosos com a aparição repentina dela – Droga... Me desculpem! – Kim murmurou, olhando diretamente para Hailey que balançava a cabeça com um sorriso.
— Nos encontramos lá, já estamos indo!
Hailey deu uma olhada em Jay e se afastou, indo pegar as chaves do carro para que pudessem sair do distrito. Jay suspirou enquanto a seguia, aquele seria um longo dia.
...
E realmente o dia havia sido longo.
A filha de um juiz importante havia sido assassinada em sua casa na frente do filho de 5 anos, e com buscas incessantes a Inteligência solucionou o caso e prendeu o assassino: o marido da vítima.
Adam, Kim e Kevin se despediram de Jay e Hailey no vestiário depois do casal negar uma bebida no Molly's.
— Cansada? – Jay se aproximou enquanto ela fechava seu armário.
— Um pouco, foi um primeiro dia de volta bem cansativo! – ela sorriu, vestindo o casaco e o olhando.
— Cansada demais e quer ir para casa ou aceita dividir uma pizza no Bartoli's? – o sorriso nos lábios de Jay era impossível de resistir.
— Você vai pagar? – ela brincou, arqueando a sobrancelha.
— Bom, eu estou convidando, então presumo que sim! – ele rio baixinho, colocando as mãos no bolso do casaco e indicando com a cabeça para ela lhe seguir.
— Você realmente sentiu minha falta hein? Está disposto a pagar sem nem reclamar – Hailey também riu, seguindo-o em direção ao estacionamento.
— Ei! Até parece que eu sou murrinha desse jeito, você está me ofendendo – revirou os olhos.
— Estou sendo sincera – ela deu um soquinho no ombro dele.
— Não mesmo!
Hailey riu da careta que ele fazia, se despediram de Platt que estava entrando em seu carro e ambos receberam um olhar debochado da sargento. Nada passava despercebido por ela, era inacreditável.
No caminho para a pizzaria, ambos ficaram num silêncio confortável. Jay abriu as janelas da camionete e aumentou o volume da música, recebendo um sorriso de Hailey que fechou os olhos e curtiu o vento que entrava no veículo. Matando as saudades das duas coisas que ela sentira falta em Nova Iorque: o vento e ele.
Ao entrarem na pizzaria, Jay escolheu a mesa favorita dos dois e fez os pedidos.
— Você ainda vai querer o de sempre, não é? – ele a encarou depois que o garçom os deixou a sós.
— De toda forma você já pediu – ela o provocou, rindo e concordou com a cabeça – Sim, o de sempre, Jay.
— Você voltou engraçadinha de Nova Iorque – deu risada, cruzando as mãos em cima da mesa e a encarando.
— Eu sempre sou engraçadinha, você que não se lembra mais! – ela repetiu a posição dele, o encarando.
— Impossível! Eu me lembro de tudo que envolve você, Hailey! – a piscadinha que ele deu fez o coração de Hailey acelerar – Me conta, como foi em Nova Iorque?
— Foi uma boa experiência – deu de ombros, e agradeceu quando o garçom trouxe a coca-cola deles – Mas estou feliz por estar de volta, na verdade eu já estava contando os dias.
— Eu também estava contando os dias – bebericou um gole do refrigerante, fixando o olhar nela – Hoje cedo, quando você não atendeu o telefone... – pigarreou – Eu... Eu pensei que você tinha desistido de voltar e não sabia como me contar.
— Ah meu Deus, Jay! – ela quase engasgou com o refrigerante e colocou o copo de volta na mesa – Não! Claro que não! – negou com a cabeça rapidamente, um pouco chocada com a confissão dele – De onde você tirou essa ideia?
— Hum.. – fez uma careta, não querendo tocar no nome de Erin e estragar o momento.
— Ok, ok, não precisa dizer! Eu entendi! – ela o interrompeu – Mas não, eu não faria algo assim. Minha casa é aqui, em Chicago, é a Inteligência – é você, ela queria ter dito, mas não era o momento adequado para uma confissão desasas – Eu nem queria ter ido para lá em primeiro lugar, mas você sabe que o Voight meio que me obrigou – murmurou, dando de ombros.
— Sei disso, Hailey, mas foi meio que inevitável. Você mesma disse uma vez que vê tragédia em tudo, lembra? – ele também deu de ombros, lembrando de uma fala dela quando estavam no Molly's.
— Eu vejo, sim. Mas isso seria demais até para mim – ela suspirou.
— Estou feliz em te ter de volta!
— Também estou feliz e finalmente vou matar a vontade de comer uma pizza! – ela sorriu empolgada quando o garçom se aproximou da mesa deles.
— Hora de comer uma pizza de verdade, Upton! – ele sorriu da empolgação dela e deixou que o garçom a servisse primeiro.
Enquanto comiam, conversavam amenidades de como havia sido com seus novos parceiros. Jay havia ficado com Vanessa durante um tempo, e depois que ela foi solicitada por sua antiga unidade para se infiltrar em um novo ele ficou com Kim. Hailey suspirou dizendo que havia conversado com Vanessa antes que ela aceitasse o novo trabalho, inclusive havia sido a maior incentivadora. Era uma grande oportunidade para a policial e ela merecia isso.
Depois de satisfeitos, Jay pagou a conta como havia prometido, arrancando risadas debochadas de Hailey na frente da operadora de caixa que não conseguiu evitar rir com ela. Sempre que ambos vinham a briga era a mesma porque ele se recusava a dividir a conta com a loira, mas se ele viesse com os caras a divisão era obrigatória. Não vou pagar pizza para marmanjo, ele alegava e Hailey o chamava de mão de vaca por isso.
No caminho para o apartamento da detetive, não passou despercebido por ela que Jay pegou o percurso mais longo e na via que poderia andar a 60km/hr ele estava a 40km/hr.
Ele queria prolongar aquela noite o máximo que pudesse e não seria ela quem iria reclamar. Na verdade estava adorando passar aquele tempo com ele, Hailey havia sentido falta disso em Nova Iorque.
— Está entregue! – ele deu um meio sorriso, colocando a camionete em ponto morto e a olhando.
— Obrigada pela pizza, realizou um desejo de semanas – sorriu, tirando o cinto de segurança e ficando de lado no banco para o encará-lo melhor.
— Estou sempre às ordens suas, Upton!
Ela o encarou por alguns segundos, vendo a indecisão correr pelo rosto dele. Ele queria lhe falar algo, ela sentia isso, mas parecia receoso.
— Então... Boa noite, Jay! – ela se aproximou, deu um beijo suave no rosto dele e se afastou, levando a mão até a maçaneta para abrir a porta.
— Eu estou apaixonado por você!
As palavras saíram tão rápidas da boca de Jay que a fez arregalar os olhos e se ajeitar no banco para ouvi-lo.
— Hoje, enquanto estava na copa sem ter notícias suas eu me recordei de alguns meses atrás quando estávamos nós dois lá, sem saber qual seria nosso destino – ele desembuchou, falando um pouco rápido que ela não se atreveu a piscar com medo de perder alguma parte do desabafo (ou seria declaração?) dele – Sem saber se continuaríamos como parceiros, sem saber se ainda existiria a inteligência... E naquele dia eu já sabia que estava apaixonado por você! Eu sonho com você praticamente todos os dias, você tem noção disso? – ele deu uma risada incrédula, sabendo que soava como um bobo apaixonado, mas isso não importava. Não naquele momento – E hoje quando pensei que você poderia ter decidido ficar em Nova Iorque, e depois quando pensei que você poderia estar num desastre aéreo me dei conta de que poderia te perder para sempre e... Droga, Hailey, doeu como o inferno! – ele respirou fundo, dando uma pausa para reorganizar os pensamentos – Mas eu preciso te dizer isso, preciso que você saiba que sou louco por você, que você invade os meus pensamentos de uma forma que eu gostaria de poder controlar mas... Mas eu não posso! – ele sorriu de uma forma que aqueceu ainda mais o coração dela – Eu estou tão apaixonado por você e não faço ideia de como lidar com isso!
— Jay... – ela murmurou, sentindo os olhos se encherem de lágrimas – Eu estou tão apaixonada por você que as vezes sinto que meu coração vai explodir ou que vou enfartar a qualquer momento – ela sorriu, aproximando o rosto do dele – Eu ia te dizer isso naquele dia no hospital mas as coisas não saíram conforme o planejado. E parando para pensar na surpresa de hoje eu acho que preciso parar de planejar tudo porque quase nunca dá certo – riu baixinho.
— Diz agora! – ele murmurou, desafivelando o cinto de segurança e colando sua testa na dela – Aquele dia eu fui idiota o suficiente para interromper o momento indo atender aquela droga de telefone, prometo que isso não vai se repetir... Diz agora, Hailey... Por favor! – implorou, roçando o nariz no dela e sentindo a respiração dela quente em seu rosto.
— Estou apaixonada por você, Jay Halstead! – ela fechou os olhos – Quando você me olha eu sinto como se meu corpo pegasse fogo, quando você toca em mim eu sinto meu corpo tremer, quando você sorri para mim... Deus, eu sinto que meu mundo fica bem melhor com o seu sorriso e que eu poderia ficar preso nele para sempre – a voz dela era rouca e o único barulho dentro do carro eram as respirações ofegantes de ambos – Eu também estou tão apaixonada por você que não faço ideia de como lidar com isso.
— Hailey – gemeu baixinho, fechando os olhos, e sentindo que tudo estava diferente agora que ambos haviam se declarado – Nós devemos lidar com isso, e acabo de ter uma ideia de como.
— Então, por favor... Me diga, Jay, porque eu estou tão cansada de lutar contra isso!
Hailey suspirou baixinho e não demorou nem meio segundo para que os lábios de Jay capturassem os dela num beijo lento, quente e sedutor. A língua dele explorava a boca dela, enquanto as mãos seguravam em seu rosto. As mãos de Hailey desceram pelas costas dele, mantendo o corpo dele o mais próximo que poderia no banco da frente do carro.
E como haviam sonhado várias e várias vezes, a química entre eles era única. As bocas se encaixavam em perfeita sintonia e comprovaram a eles mesmos que nunca na vida poderiam estar separados.
Não agora que haviam experimentado o sabor um do outro.
Não depois de sentirem como suas línguas se tocavam de forma torturante e excitante.
Eles não admitiram um para o outro porque ainda era cedo demais, mas ambos sabiam que aquele "eu estou apaixonado por você" não seria resolvido com apenas algumas noites de sexo quente para aliviar a tensão sexual ou alguns beijos trocados. Eles estavam prontos para muito mais do que isso. Estavam a um pequeno passo de dizer eu te amo, só precisavam de um pouco mais de tempo para cederem.
Eu desistiria de todos os dias que me restaram nesta terra, porque sem você eu não sei o que eles valem. Eu daria tudo por você, se você me deixasse. Este coração não tem um lar sem você nele.
(Enough – Alex Roe)
