Capitulo 1
Anêmona
Ela acordou assustada após não conseguir respirar enquanto dormia. Isso já vinha acontecendo a alguns meses, desde aquele dia frio de dezembro.
O sonho em que ela era envenenada após receber flores e morria enquanto não conseguia respirar era recorrente. Poucas coisas se alteravam. O ambiente, os companheiros que a acompanhavam no momento, a flor que recebia. Até que tudo mudava quando a flor em sua mão virava uma anêmona e o turbilhão de sentimentos voltava a se repetir em seu peito, a deixando, consequentemente, sem ar.
E a única coisa que parecia certa em seu raciocínio caótico era que havia sido envenenada.
Despertava num salto, percebendo que a falta de ar em seus pulmões era real e não apenas parte do pesadelo.
O celular tocou em meio a sua percepção de que já estava desperta. Olhou a tela, era cedo ainda. Atendeu.
-Oppa Jae Suk...
-Min Young, está tudo bem? Sua voz está estranha.
Ela estava sobressaltada, esse era o motivo.
Deu um longo respirar e respondeu.
-Sim, está sim. O que houve?
-Ah, recebemos um chamado urgente.
Ela chegou ao escritório da equipe algum tempo depois. Quase todos já estavam presentes. Com exceção de Ahn Jae Wook e Oh Se Hun.
Park Min Young ncarou as três cadeiras vazias com certa melancolia. A sétima cadeira era a que mais tempo estava vaga, desde que Lee Kwang Soo sumira, a mais de um ano... É bem verdade que ela estivera ocupada por um curto período, mas ninguém ali gostava de lembrar disso.
Oh Se Hun apareceu antes de Yoo Jae Suk começar a reunião. A expressão sombria e olhar cansado continuava lá, desde o ocorrido. Não era pra menos, ele havia ficado muito próximo do traidor. De todos eles, era fácil afirmar que ele fora o que mais sofrera quando Lee Seung Gi revelara ser o assassino que eles tanto procuravam.
E Kim Se Jeong era mais preocupada com isso.
Sempre que ele aparecia, com as olheiras de quem passara a noite atrás de pistas do paradeiro do assassino das flores, a caçula da equipe suspirava tristemente. E, como de costume também, Min Young, que sentava do seu lado, lhe apertava a mão por baixo da mesa, lhe dando um apoio silencioso.
Desistindo de esperar por Ahn Jae Wook, Yoo Jae Suk apresentou o caso. Um assalto a clínica de cirurgia plástica de um médico renomado. Um crime bastante comum e que dificilmente necessitava da contratação de detetives particulares para ser resolvido.
Min Young tentou se ater aos detalhes da explanação, mas a verdade é que sempre que tinha aqueles pesadelos ela apresentava dificuldades para se concentrar em algo depois.
Mas, sua atenção voltou com tudo quando o líder da equipe mostrara as cenas da câmera de segurança, que trazia o principal motivo para que eles pegassem o caso.
Mesmo com a baixa qualidade e certa distância, era possível identificar o rosto conhecido.
-Lee Kwang Soo! – exclamou Kim Jong Min.
-Exatamente... – respondeu Yoo Jea Suk
-Mas... Mas como... Por que ele?
-Não sabemos. – o líder voltou a responder as perguntas de uma boquiaberta Se Jeong – Esse vídeo foi enviado de forma anônima para cá. Quem enviou, por que enviou são só mais algumas das perguntas que precisamos responder nesse quebra-cabeça. O fato é que nosso antigo companheiro reapareceu e temos que encontra-lo se quisermos saber o que realmente aconteceu.
Em concordância silenciosa o grupo seguiu para a cena do crime.
Fizeram o de praxe.
Levantamento do que havia sido levado ou danificado. Conversaram com os funcionários e com o cirurgião doutor Kim Tae Pyung, um homem alto, bonito e extremamente graduado e inteligente para sua idade não tão avançada assim.
Park Min Young até ficaria interessada se já não tivesse prometido a si mesma não se envolver com ninguém que estivesse envolvido em um caso.
Ao final da análise eles não tinham muita coisa para prosseguir. Não havia motivo aparente para que Lee Kwang Soo houvesse invadido o lugar.
Mesmo assim, dividiram algumas pesquisas e se despediram, marcando novo encontro no escritório, no dia seguinte.
E então seu celular vibrou, alertando a chegada de uma nova mensagem. A leu já sentada no carro, com Kim Se Jeong acomodada no banco do carona. A mais nova percebeu na hora a mudança drástica nas suas expressões.
-O que houve, eonni?
-Alguém que não quer se identificar disse que tem uma pista sobre o assalto a clínica. – as feições da outra se iluminaram – Mas a tal fonte afirma que é para eu ir sozinha.
-Mas você não vai, não é?
Como fora solicitado, ela subiu as escadas, que davam para o bar indicado na mensagem, sozinha.
O local estava fechado e vazio. Apenas dois funcionários, ainda sem uniforme, arrumavam o ambiente para mais tarde. Ao que parecia, a garçonete passava pano nas mesas, enquanto o barman limpava alguns copos e utensílios.
Se aproximou do balcão, onde o barman continuava de costas para ela, entretido com seus afazeres.
-Com licença. – ela chamou em tom baixo – Sabe me dizer se mais alguém já chegou? É que marcaram um encontro comigo e...
O homem se virou com um sorriso e ela tomou um susto. Não havia o reconhecido por conta do boné que usava.
Se xingou mentalmente.
-Tenho certeza que ninguém seria maluco de deixar uma mulher linda como você esperando. – disse Lee Seung Gi, com aquele sorriso enigmático que costumava derreter o cérebro de quem o recebia.
Mas não ela!
Pelo menos, não mais.
Fechou a cara.
-Eu devia ter imaginado que era você.
Ele apoiou os braços no balcão, e inclinou o tronco para frente, ficando mais próximo a ela.
-Você sabia que era eu.
Ela balançou a cabeça indicando incerteza.
-Havia alguns indícios. As reticencias desnecessárias, por exemplo. – comentou – Mas não havia um motivo para que você resolvesse aparecer agora.
-Não? – ele perguntou enigmático, começando a fazer um drinque – O que quer beber?
-Preparado por você? Nada.
Ele riu.
-Nossa conversa não vai durar tempo suficiente para alguém chegar... – comentou, a fazendo parar de tentar digitar discretamente algo para Yoo Jae Suk.
-Você disse que tinha uma pista sobre o caso da clínica de cirurgia.
-Sim, eu tenho. – ele continuava entretido em misturar a bebida.
-E como sabe que estamos nesse caso? Você anda nos espionando esse tempo todo?
O tom era acusatório.
-Espionando vocês? – ele colocou o copo com o drink pronto na frente dela – É claro que não. O que eu iria querer espionando aquele bando de incompetentes que você chama de equipe? - aproximou mais uma vez o rosto em direção a ela e disse em tom conspiratório - Eu espiono você...
Ela engoliu o galanteio a seco. E então o assassino das flores apontou para o copo que colocara a sua frente, mais uma vez.
Park Min Young olhou de um para o outro com desdém, dizendo mais uma vez, só que agora sem abrir a boca, que não beberia nada oferecido por ele.
Lee Seung Gi girou os olhos, pegou o copo e tomou um bom gole, numa forma de provar que não havia batizado a bebida com nada. Voltou a colocar na sua frente e ela voltou a ignorar o oferecimento.
-Se está me espionando a tanto tempo, por que o interesse nesse caso?
Ele deu de ombros.
-Nesse eu tenho como ajudar.
-Não queremos sua ajuda. – ela disse se levantando.
-Você quer ou não quer encontrar o colega de vocês?
Ela parou o movimento e voltou-se para ele novamente.
Se encararam por um curto período enquanto Park Min Young calculava o custo da tal pista.
-Imagino que a informação tenha um preço.
-Ah, que bom que perguntou. – ele contornou o balcão, parando a sua frente – Não fique preocupada, tenho certeza que é algo que está em seu alcance.
Por algum motivo o olhar acalorado que ele lhe deu ao falar aquilo fez com que um frio se instaurasse na sua barriga.
-E o que seria?
-Um beijo.
Continua...
