Capitulo 2

Prímula


-Um beijo? – talvez ela tivesse ouvido errado. Mas ele concordou levemente com a cabeça – Um beijo... Meu?

O sorriso galante brincava em seus lábios como se ele soubesse o quanto a proposta absurda lhe era tentadora. E ela estava se detestando por perceber isso.

-Isso está fora de questão. – resmungou – Eu não vou beijar você.

Se ela achou que ia fazer aquele sorriso sumir com a primeira rejeição, errou feio.

-Você quer me beijar desde que nós nos conhecemos... – ele disse de forma arrastada, alargando ainda mais o sorriso.

-Não! – ela revidou sem pestanejar – Não queria antes e muito menos agora que sei que você é um assassino.

Lee fez um beicinho fingindo mágoa, mas seus olhos continuavam risonhos. Ele estava se divertindo as custas dela.

-Você mata as pessoas envenenadas. Isso é a forma mais baixa de matar alguém, sabia? - ele fez que sim, sem parecer perceber que aquilo deveria ser um insulto – Quem me garante que não é isso que quer fazer comigo?

-Para te matar envenenada com um beijo eu teria que me auto envenenar. – fez cara de desdém – Você é mais esperta que isso, Min Young.

Sim, ela era bem mais esperta que isso. Se a intenção dele fosse matá-la, já teria o feito sem precisar aparecer, ou chama-la ali.

A conclusão obvia era a de que ele queria lhe dar a tal informação. A história do beijo era só para implicar com ela, como ele adorara fazer desde que se conheceram.

O detetive Lee Seung Gi era uma das poucas pessoas que sabiam tira-la do sério com perguntas e brincadeiras bobas que lhe insultavam a inteligência. Já sua versão assassino conseguia fazer isso só com um olhar debochado.

-Se eu quisesse te matar não ia usar minha própria boca. Usaria a de um daqueles caras que ficaram interessados em você no último encontro às cegas que você foi.

Bufou contrariada. Ele estava deixando claro que a seguia de perto, mais uma vez.

-Me dê a pista logo, Lee Seung Gi. Você quer nos entregar essa informação. Foi por isso que me chamou aqui.

-O que eu quero é um beijo seu. - ela piscou para ele alguma vezes, meio paralisada com o comentário - A informação é apenas a melhor forma de consegui-lo.

Isso não podia ser verdade.

Balançou a cabeça em negativa, assim que se recuperou do susto. E então, com um pouco mais de segurança, cruzou os braços e fez que não.

-Tudo bem, tudo bem... Eu queria ajudar, mas se você não quer minha ajuda... – deu de ombros e virou as costas para ela.

-Espere.

Seung Gi voltou a encara-la novamente, com as mãos cruzadas atrás das costas e a cara de quem sabia que era exatamente assim que ela reagiria. Ela odiava ser tão previsível.

-Sim?

Ela lhe deu um selinho rápido.

Ele levantou uma das sobrancelhas em resposta ao gesto.

-Pronto. Qual é a pista?

-Isso não passou nem perto de um beijo, Min Young.

-Eu não vou lhe dar um beijo de língua! – ela chiou em resposta.

-Bom, a pista vai ser proporcional qualidade do beijo e isso que você... – ela o calou ao colar a boca na dele mais uma vez. Mas agora, se demorou mais no contato, deixando que ele sentisse a macieis dos seus lábios.

Não pretendia fazer movimento algum, pois não queria que ele percebesse que ela estava gostando do contato, mas não conseguiu manter os olhos abertos quando Seung Gi fez um leve movimento, como que acariciando seus lábios com os dele.

Ela rompeu o toque rapidamente, antes que perdesse o fio de controle que ainda lhe restava.

Por sorte, ele pareceu ter gostado do momento.

-O tal cirurgião não lhes contou toda a verdade. Já faz algum tempo que seu amigo Lee Kwang Soo se consulta com ele. – sussurrou, ainda com o rosto próximo ao dela.

-Mas por que ele mentiria sobre isso?

Ele deu de ombros.

-A detetive aqui é você. Eu sou um reles assassino, lembra. – sorriu endiabrado – Mas posso tentar descobrir, só que vai ter que se esforçar um pouco mais. – fez uma cara de desdém – Esse beijo foi meio chinfrim, você sabe...

Ela o empurrou para longe.

-Não precisa. Nós assumimos daqui.

-Melhor ir agora, não é muito seguro para a Se Jeong ficar sozinha no carro nessas redondezas. – Min Young o encarou surpresa por ele saber que a amiga viera também – Está tudo bem com ela. Mas da próxima vez, siga as minhas instruções, ok. Eu disse para você vir sozinha.

-Não haverá próxima vez. – ela sentenciou, antes de virar as costas e ir embora.

Ele a observou seguir para as escadas e só depois sorriu, levando o dedo aos lábios.

-É o que veremos.


Estava agitada demais, não daria para esperar o dia seguinte para informar a equipe sobre o ocorrido.

Assim que entrou no carro, pediu para que Kim Se Jeong ligasse para os demais, uma chamada de vídeo os ajudaria a serem mais rápidos.

Novamente, Ahn Jae Wook fora o único a não atender ao chamado. Aquilo era suspeito e quase preocupante. Mas havia algo um pouco mais urgente.

-Eu acabei de conseguir uma informação. – ela dizia aos homens da equipe e a Se Jeong, enquanto dirigia para longe dali - Lee Kwang Soo estava se consultado com o Dr. Kim Tae Pyung.

Houve uma pequena explosão de exclamações, até que Yoo Jae Suk formulou a pergunta

-Onde você conseguiu essa informação?

Ela suspirou profundamente e foi apenas nesse momento que percebeu o próprio nervosismo. A sensação de sufocamento dos pesadelos voltou, querendo trancar sua garganta.

Parou o carro em uma rua mais movimentada e já distante do lugar.

-Eonni... ? – Se Jeong segurou forte sua mão, da mesma forma que ela o fazia quando queria conforta-la. Os rapazes pareciam aflitos ao lhe perceber a reação tão incomum.

Ela puxou o ar fortemente para ter certeza que não estava sufocando.

Só então falou.

-Lee Seung Gi.

Nova enxurrada de exclamações.

Ela fez sinal com a mão para que se acalmassem e então, continuou com as explicações.

-Ele me enviou uma mensagem assim que saímos da clínica.

-E por que não nós chamou? – perguntou um exasperado Kim Jong Min.

-Não havia muito tempo, oppa. Além disso, a mensagem dizia para que eu fosse sozinha.

-Você não devia ter ido sozinha, Min Young. – reclamou Jae Suk - Foi muito perigoso.

-Se Jeong foi comigo, mas ficou no carro me esperando.

-Ele não chegou a assinar a mensagem. – comentou a amiga a apoiando – Não tínhamos certeza se era ele.

-Onde foi o encontro? – o tom sombrio com que Oh Se Hun pronunciou a frase fez com que todo o grupo o "olhasse" cabreiro.

-Não importa, eu duvido que ele ainda esteja por lá... – respondeu, tentando desconversar.

-Por acaso o endereço que ele te enviou foi de um bar? – ele continuou o interrogatório.

Houve um curto silencio onde ela (e os demais) calculavam se era sábio dar aquela informação a colega, ou não.

-Sim. – acabou concordando.

-Bulldog Pub. – ele afirmou, acertando em cheio o local – É um local que os seguidores dele gostam de frequentar. – comentou, explicando seu conhecimento – Sabia que ele tinha alguma coisa haver com aquele lugar, mas nunca o encontro. – resmungou.

-Ele sabe quem você é. – disse Se Jeoug irritada – É claro que não vai aparecer na sua frente.

-Acho que Lee Kwang Soo é nossa prioridade agora. – ponderou calmamente Min Young, mas Se Hun não pareceu aderir, embora não tivesse dito nada.

-Concordo com a Min Young. – disse Jae Suk e, depois de um "ashi" irritadiço, continuou a dar as ordens – Entre em contato com o detetive Im Won Hee, - disse especificamente para ela – passe para ele as informações sobre esse cara e deixe isso com a polícia. – ela assentiu – Vamos nos ater ao nosso caso agora. Precisamos descobrir por que Kang Soo sumiu e por que o Dr. Kim Tae Pyung omitiu o fato de que o conhece.

-Talvez devêssemos tentar inspecionar o consultório sem que ele saiba... – disse Se Hun.

Min Young concordou rapidamente com a cabeça. Duvidava que o cirurgião fosse dizer algo por livre e espontânea vontade, já que tivera essa chance mais cedo e não o fez.

Mas o grupo esperou pacientemente que o líder fizesse a ponderação e dividisse as tarefas.

-Muito bem. Mas precisamos criar uma distração. Min Young vai comigo interrogar o doutor novamente, os demais, tentem ver o que descobrem na clínica sem a presença dele.

Eles assentiram em resposta e a ligação por vídeo foi finalizada.

As amigas voltaram a se encarar, agora sozinhas.

-Você está bem, eonni? – perguntou a doce Se Jeoug.

Min Young fez que não. E, percebendo que precisava liberar o estresse que havia passado antes de continuar as investigações, deixou que as lágrimas começassem a cair.

A outra segurou fortemente a sua mão mais uma vez, mas, como aquilo não parecia ser o suficiente, puxou a cabeça da amiga para seu ombro e a deixou chorar sem interrupções.


Continua...