Capitulo 8

Astromélia


-Os chamei aqui hoje porque quero compartilhar com vocês os resultados dos exames... e minhas preocupações.

O grupo de detetive sentou nas cadeiras ao redor da mesa de reuniões da sala. Na parede atrás da cabeceira, um telão embutido na pared começou a mostrar alguns exames enquanto o Dr. Kim Tae Pyung explicava-os.

Ao final da explanação, eles ouviram um respirar profundo dele.

-A má notícia é que não há como retirar os chips cirurgicamente, sem danos ao córtex cerebral de vocês.

-O que isso quer dizer? – perguntou um confuso Kim Jong Min.

Mas Yoo Jae Suk fez sinal para que ele ficasse quieto.

-A boa notícia é que deu para perceber quais são os chips instalados a mais tempo e quais são mais recentes. Talvez isso tenha alguma influência sobre a sucetividade de vocês a algum comando enviado através dele.

O grupo se entreolhou preocupado.

-Mas... – Jae Suk tomou a frente – Isso quer dizer que todos somos suscetíveis, em algum nível, não é?

-Sim, podemos afirmar isso... – ele olhou Jong Min de rabo de olho - Pelo menos os que fizeram o exame. Mas, os que tiveram os chips instalados mais recentemente podem ter uma chance maior de resistir a algum comando.

Kim Se Jeong estremeceu na cadeira.

-Não consigo nem imaginar ser obrigada a fazer algo que não queria.

-Mas, para isso precisão descobrir a palavra de ordem que comanda o chip de vocês. – continuou o doutor – Uma das minhas suposições é que o chip que o amigo de vocês roubou tinha a lista dessas palavras de ordem.

Min Young suspirou preocupada.

-Precisamos encontra-lo. Essa informação não pode cair em mãos erradas.

-Não mesmo. E foi por isso que ele a roubou. - disse o doutor – Pelo menos é nisso que estamos apostando.

-Estamos, quem, doutor? – perguntou Se Hum, em tom desconfiado – Por que diabos vocês está nos ajudando, afinal... Ou trabalhando com aquela hacker e aquele assassino?

Tae Pyung suspirou antes de sentar-se na quina da mesa.

-Você nunca parou para se perguntar o que foi que você esqueceu? – perguntou diretamente ao mais jovem e, com a negativa muda que ele deu, voltou a pergunta aos demais – Algum de vocês já se fez essa pergunta?

A negativa foi generalizada.

-Não passa pela cabeça de vocês que, - deu de ombros – talvez, quem sabe, vocês esqueceram fatos ou pessoas importantes?

Um silencio estarrecedor pesou entre eles.

Tae Pyung continuou.

-E que essas pessoas, talvez, não tenham esquecido de vocês...

-Está dizendo que podemos ter amigos ou mesmo familiares que não lembramos? – o líder riu – Isso é impossível, doutor, nada me faria esquecer alguém importante.

Os demais concordaram com entusiasmo.

-Eu acho que vocês está desviando da pergunta. – chiou Se Hum – Qual a sua motivação em tudo isso?

-Meu pai era um dos médicos envolvidos com essa pesquisa. – ele disse, finalmente – É pela memória dele que estou tentando ajudar os afetados pelo projeto D.

-Medico? Seu pai? – Min Young o olhou curiosa – Não é o mesmo pai do Dr. Park Hae Hin, da ilha Somuui, é?

O doutor fez que sim com pesar.

-Sim, infelizmente eu sou irmão daquele doente.

-Do vampiro? – Jong Mi tinha um tom meio medroso na voz.

-Ele não é um vampiro. – respondeu o irmão impaciente – Ele tem porfiria, mas sempre gostou de usar isso para assustar os outros. Meu irmão é um psicopata.

-Ele está desaparecido. – comentou Se Jeong.

-E é melhor assim. – o médico ressaltou, ficando mais uma vez de pé – Estou trabalhando com a Pyo Ye Jin na possibilidade de desativar os chips mais recentes, por meio de alguma descarga elétrica. Eles não estão tão embutidos no organismo, talvez seja possível fazer isso sem nenhum dano, ou com um risco mínimo... mas ainda não temos certeza.

-E quais são os mais recentes? – perguntou Min Young.

Sem muita surpresa, ele voltou-se para os mais novos. Kim Se Jeong e Oh Se Hum se entreolharam.

-Os implantes deles foram colocados um ano depois que o seu, por exemplo. – disse para Yoo Jae Suk – O seu é da mesma época que o da Park Min Young. E os de vocês dois são quase três anos mais novos que o do Lee Seung Gi.

Todos no grupo se espantaram, menos Min Young.

-Sim, ele também tem o chip. – confirmou o médico, diante das caras surpresas – Parte do que aconteceu foi culpa do chip...

-Está nos dizendo que aquele cretino foi manipulado para assassinar aquelas pessoas e nos enganar? – perguntou Se Hum, sem nenhuma intenção de acreditar naquilo, porém – Ah, corta essa.

-Isso é para você ter uma noção do problema que vocês tem embutido na sua nuca, rapaz. – disse Tae Pyung, com dureza na voz - Nós precisamos descobrir um jeito de desativa-los, ou vocês e toda a sociedade, estarão em perigo e...

O reunião foi interrompida pela chegada da polícia. A frente deles, o detetive Im Won Hee.

-Ainda bem que estão todos juntos. – ele disse entrando na sala.

-O que aconteceu?

-Ahn Jae Wook... acabamos de encontra-lo. – houve algumas exclamações de alegrias que foram paradas com um aceno de mão do policial – Ele está morto.


Era noite e o bar estava lotado de gente, um ambiente bem diferente da vez que ela aparecera, quando eles ainda não estavam abertos.

Ela o procurou por entre os rostos sem encontra-lo porem. Felizmente, a bartender era conhecida.

-Onde ele está? – perguntou a Pyo Ye Jin assim que conseguiu alcançar o balcão de bebidas.

A outra pretendia se fazer de desentendida, mas o olhar desesperado que Min Young lhe dava lhe amoleceu o coração.

Com um leve suspiro ela apontou para uma porta no fundo do bar.

A outra não esperou grandes explicações e seguiu para o local, abriu a porta e se deparou com uma escada, subiu-a até o próximo andar que tinha duas portas, Seung Gi saia de uma delas assim que ela apareceu no alto da escada.

-Min Young, o que faz aqui? – ele perguntou, preocupado, recebendo um abraço apertado em resposta.

Sem pensar muito ele a abraçou de volta e logo notou que a mulher em seus braços chorava.

-Eu não fiz isso. Me diz que eu não fiz isso, por favor... – ela falava baixinho, com o rosto enfiado nas suas vestes.

Ele a apertou contra seu peito enquanto tentava a acalmar. Quando os soluços diminuíram, perguntou.

-O que aconteceu?

-Oppa Jae Wookfoi encontrado morto. – levantou os olhos para ele – A arma do crime foi faca... – as lágrimas que estavam pensando em parar voltaram a cair pesadamente – Uma faca com as minhas digitais.

Ele sabia bem o sentimento que ela estava tendo. Se sentia assim toda a vez que voltava a si, depois de um assassinato bem realizado. Perdido, sem certeza de nada, tentando crer que ele não havia sido capaz de tamanha crueldade.

-Você se lembra do que aconteceu?

Ela fez que não. Esse era um ponto diferente para ele.

-Então, provavelmente não foi você. – disse.

A afirmação cumpriu seu intuito de faze-la parar de chorar.

Min Young voltou os olhos marejados para ele mais uma vez. E então ele se pois a lhe secar as lágrimas com os polegares.

-Eu sempre me lembrei de tudo que tinha feito. – dizia enquanto cumpria o ato.

Ela soluçou.

-Mas... e se funcionar diferente para mim.

-Nós vamos descobrir... até lá, por favor, não fique assim.

Voltou a abraça-la e ficaram assim por um bom tempo.

Até que, num suspiro, ela comentou.

-O Dr. Kim conversou com a gente hoje, sobre o resultado do exame... Teve duas coisas que ele falou que me chamou a atenção.

-O que?

Ela se parou o corpo do dele para conversarem.

-A primeira foi a que seu chip foi implantado uns três anos antes do meu.

Ele acenou em concordância. Sabia disso.

-Mas, você começou a cometer os crimes bem depois disso. – ponderou – Fico me perguntando se tempo influencia em alguma coisa.

-Provavelmente sim, mas o Dr. Kim Tae Pyung não tem certeza em que, ainda. O fato de vocês estarem colaborando também vai ajudar bastante.

Ela acenou em positivo.

-E o segundo ponto?

A mulher parecia incerta ao falar disso.

-É sobre nossas memorias apagadas no processo. Ele nos perguntou se algumas vez pensamos a respeito dessas memorias serem de pessoas importantes para nós... – o encarou – E eu realmente nunca havia pensado nisso. Toda vez que a questão vinha a minha mente eu imaginava que tinha esquecido algum momento bobo como uma viagem, ou um prato favorito...

-Viagens e pratos favoritos normalmente estão ligadas a momentos com pessoas importantes para nós. – ele comentou, serio. Mas ela estava pensativa demais para lhe perceber a alteração.

-Você sabe o que esqueceu? – perguntou por perguntar, era um questionamento meio idiota enfim, como saber a resposta afinal.

Mas para sua total surpresa, ele fez que sim.

Ela franziu o cenho.

-Sabe? como? Você se lembrou? – ele fez que não.

E aquela falta de palavras estava começando a incomoda-la.

-O que aconteceu, então, como descobriu?

-Pyo Ye Jin... Ela recuperou algumas fotos antigas de um celular que eu tive. Depois disso só precisei investigar um pouco.

Ela o olhou desconfiada.

-Você e ela tiveram alguma coisa já? – ele riu da cara que ela fazia – Você vivem "se ajudando".

-Ela também está ajudando vocês. – ele respondeu, dando de ombros – Isso é ciúmes?

-Claro que não...

-Me parece ciúmes.

Min Young bufou antes de voltar a conversa original.

-Bom e o que você descobriu?

Seung Gi a encarou por longos segundos sem dizer nada porem.

-O que foi? – ela começou a ficar preocupada com aquilo.

Então, como fizera no parque, a pegou pelo pulso e começou a puxa-la na direção da porta da onde saíra anteriormente.

E mais uma vez ela não disse nada, nem lhe parou o movimento. Estava mais curiosa com o que quer que ele queria mostra-lhe.

Ele abriu a porta e então, voltou-se para ela. Os olhos transmitiam alguma ansiedade que ela não lembrava ter visto antes.

Com um passo para o lado ele deu-lhe passagem. Min Young entrou se deparando com parte de uma sala de estar. Como esperava, aquele era o apartamento em que ele provavelmente morava no momento.

Como um bom botânico, havia plantas decorando o ambiente, mas o que lhe chamou a atenção foram as fotos, em excesso, na sua opinião. E então, conforme os passos a deixavam mais perto das imagens, ela pode se reconhecer em algumas delas... ou melhor, em muitas... melhor dizendo, em todas.

Todas as fotos espalhadas pela sala eram dela, ou deles dois, em momentos que ela não lembrava terem acontecido.

Eles defronte a algum ponto turístico. Ela rindo de algo em um close mais próximo. Ele deitado em seu colo em uma gondola de Veneza... os dois comendo macarrão e refazendo a cena do cartaz da animação "A dama e o vagabundo". Aliás, refazer cenas de filmes românticos parecia uma diversão entre eles.

-Mas... eu... – voltava os olhos para ele e depois se atentava para uma nova foto - ... eu não lembro de nada disso.

-Eu também não. – ele havia parado propositalmente no meio da sala, parecendo esconder um painel que jazia na parede oposta – mas eu não me importaria em esquecer nada disso, se eu pudesse lembras desse aqui.

E, com dois passos para o lado, ele deixou a vista o painel onde os dois, vestidos de noivos, sorriam abraçados um ao outro.

-Nós...

-Sim... nós somos casados.


Continua...