Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e aqueles que publicaram os livros dela. Damien e toda a história por trás de Harry pertencem a Kurinoone. Estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone. Não as destaquei, mas se quiserem que eu o faça, eu farei.

Chapter One – Meeting Harry Potter

(Conhecendo Harry Potter)

Quando Ginny finalmente sentou para tomar seu café da manhã, Potter estava na outra extremidade da mesa. Não que ela estivesse procurando por ele. A ruiva não conseguia entender como havia achado que ele fosse seu herói misterioso. Ele estava no lado oposto, no lado das trevas, lutando contra sua família, havia matado pessoas e tinha um sorriso encantador... não, não mesmo. Não era tanto assim. Ela sacudiu a cabeça. Afastando esses pensamentos. Ele não era importante.

"Você viu os olhos dele? São deslumbrantes!" Parvati e Lavender sentaram-se próximas a ela e a primeira coisa que fizeram foi dar risadinhas.

Ginny detestava aquele som, era tão feminino. Tendo seis irmãos mais velhos, na maior parte do tempo ela não era realmente feminina. Ela já havia brigado com eles no meio da lama e tinha aprendido a mentir com eles. Não gostava de usar saias ou vestidos. Na maior parte do tempo, usava apenas as calças de seus irmãos. Ela só usava seu sorriso mais feminino quando estava com sua mãe, para fazê-la acreditar que era inocente, quando na verdade não era. Quando mais nova, ela usava esse truque com seu pai também, mas na maior parte das vezes para ganhar algo que ela queria. Isso deixou de acontecer quando ela percebeu que eles não tinham muito dinheiro e que seu pai ficava mais envergonhado do que qualquer outra coisa quando ela lhe pedia alguma coisa.

Distraída, Ginny comeu um pedaço de sua torrada. Em seguida, viu que a Professora McGonagall estava distribuindo os horários. Assim que pegou o seu, Ginny saiu do Salão Principal para buscar os livros que ela iria precisar naquele dia.

Sua primeira aula era Transfiguração. Ginny estava encima da hora, visto que a porta fechou bem atrás dela. Olhando em seu relógio, a garota viu que tinha demorado em seu caminho para a sala. Rapidamente, ela sentou-se no fundo da sala de aula, e tirou da mochila as coisas que iria precisar. McGonagall começou com um curto, mas rigoroso discurso sobre os N.O.M.s, que Ginny e seus colegas iriam enfrentar no final daquele período. A ruiva não prestou muita atenção, pois Hermione já havia se dado ao trabalho de preparar Ginny antes mesmo de o ano letivo começar, e de vez em quando a Professora explicava coisas que Ginny já sabia. Parecia que Hermione havia decorado aquele discurso, palavra por palavra, apenas para repeti-lo para Ginny, e provavelmente para Ron também.

"Vocês não vão conseguir um N.O.M.," disse a Professora McGonagall severamente, "sem dedicação, prática e estudo. Desde que se dediquem, não vejo razão para que todos não obtenham um N.O.M. em Transfiguração. Então, hoje vamos começar com feitiços para fazer as coisas desaparecer. Eles são mais fáceis do que os feitiços para conjurar, que vocês não irão aprender até os N.I.E.M.s, mas ainda estão entre os feitiços mais difíceis que vocês vão aprender para os N.O.M.s."

Colin Creevey distribuiu caracóis para que todos praticassem. Apenas uma aluna conseguiu, ela era da Corvinal e recebeu três pontos por obter êxito. Os outros tiveram de praticar o feitiço como dever de casa, e, como a Professora McGonagall lhes comunicou enquanto recolhia os caracóis, ela iria testá-los no início da próxima aula.

Ginny estava prestes a sair da sala de aula quando McGonagall passou por ela e lhe disse para aguardar. Assim que todos tinham saído, ela foi a encontro da Professora.

"Você queria falar comigo, Professora McGonagall?"

"Você deve ter notado que o Sr. Harry Potter se tornou um aluno de Hogwarts, Senhorita Weasley. Fui informada de que a Senhorita Granger, seu irmão e você estão cientes de seu... passado. O diretor gostaria que soubesse que é estritamente proibido informar às outras pessoas deste fato. As consequências deste ato serão a expulsão da escola. Estou certa de que seus pais devem ter-lhe avisado, mas não há nada demais em lembrar-lhe novamente. Apreciaria se você contasse a seu irmão e amigos também, mas irei falar com eles, de qualquer maneira, então não é necessário."

"Eu entendo, Professora McGonagall."

"Muito bem. Você está liberada."

Ginny obedeceu, é claro. Ela estava um pouco atrasada para a aula de Poções, mas a Professora Potter apenas assentiu quando ela lhe contou que a diretora de sua casa precisou falar com ela. O resto do dia se passou sem nenhuma ocorrência especial, mas Ginny ficou feliz quando finalmente se dirigiu ao jantar. A ruiva tinha um monte de dever de casa para fazer, então, estava prevendo uma longa noite escrevendo dissertações e praticando magia. O mínimo que ela podia fazer era comer antes de começar. Quando Ginny encontrou Hermione, Ron e Damien no hall de entrada, imaginou que sua refeição poderia durar um pouco mais do que ela havia planejado, mas estava com vontade de passar alguns minutos a mais com seus amigos. Ela não tinha ideia de como esses poucos minutos iriam durar.

Damy pareceu localizar alguma coisa, porque ele parou e se virou para eles.

"O que vocês acham de nos juntarmos a Harry ali?"

Ron fez uma careta, mas Hermione assentiu ligeiramente.

"Mas Hermione… por quê?"

"Parece justo, afinal de contas, ele é irmão de Damy." Damien sorriu alegremente para ele e até Ron cedeu. Ginny concordou também.

Os quatro sentaram-se ao redor de Potter, que brincava com sua comida, e nem ao menos olhou para eles. Damien, no entanto, preferiu ignorar o comportamento do irmão e começou a conversar com ele.

"Ei Harry, como foram as aulas? Chatas, como de costume, hein?"

O Príncipe das Trevas nem ao menos tinha aberto a boca para responder quando Damien prosseguiu com a apresentação de seus amigos.

"Ah, a propósito, esses são meus amigos, Ron e Hermione, você já os conheceu..." Harry forçou um sorriso em direção a um apreensivo Ron, "...e essa é Ginny." Damien terminou, com um olhar orgulhoso em sua face.

Ginny olhou desconcertada para Damy, mas ele não percebeu. Ela virou a cabeça, e encontrou o olhar fixo de Potter. Seus olhos encontraram os dela. Na presença dele, a garota tinha que pensar na Professora McGonagall, na conversa que tiveram após uma de suas aulas e no diretor, que havia permitido que o Príncipe das Trevas fosse à escola como qualquer outro aluno. Não era justo após todas as coisas cruéis que ele devia ter feito. A ruiva baixou seu olhar, e começou a abastecer seu prato com comida. Ela iria apenas ignorá-lo.

"Quando você vai completar seu tour, então?" perguntou ele finalmente a Damien.

Ginny não sabia por que Damy estava tão interessado em passar tempo com ele, mas tinha algo a ver com família, irmãos e sangue. Damien sempre quis ter um irmão e durante anos tinha sido Ron.

"Hum, quando você quiser."

"Agora," disse Potter.

"Agora? Você não quer comer primeiro?" Damien perguntou olhando desejosamente para seu prato cheio de comida.

"Não, não estou com fome. Pensando bem, esquece. Eu vou sozinho." O Príncipe das Trevas começou a se levantar quando Damien também ficou de pé.

"Não, Harry. Eu vou com você."

"Damien, você não vai terminar sua refeição primeiro?" Ron perguntou discretamente. Ginny revirou os olhos. É claro que Ron tinha que fazer aquela pergunta.

"Não, obrigado, Ron. Eu não estou realmente com fome."

Os dois garotos deixaram o Salão. Surpreendentemente, foi Ron que comeu apenas alguns bocados de frango antes de empurrar seu prato de lado.

"Acham mesmo que devemos deixar Damy sozinho com ele?"

Hermione levantou os olhos do livro que ela acabara de pegar de sua mochila. Ela olhou rapidamente para as portas e suspirou.

"Talvez não..."

Ron assentou e se levantou.

"Você também vem, Gin?"

"Não me chame assim… E eu vi o que fez!"

"Você não viu nada."

"Você revirou os olhos!"

"Não revirei não!"

"Revirou sim!"

"Não, eu…"

"Eu vou sozinha, então." Hermione se levantou e foi embora, deixando os dois irmãos briguentos para trás. Não demorou a eles correrem atrás dela.

"Para onde vocês acham que eles foram?" Ron parecia não saber para onde ir.

"Devíamos olhar lá fora primeiro. Se eles não estiverem lá, nós poderíamos tentar a biblioteca."

"De jeito nenhum, Hermione! Você só quer uma desculpa para ir lá, de novo. É o primeiro dia de aula e você ainda tem o período para ler livros e estudar."

"Não vai fazer mal algum…"

"Gente, vamos logo ou nunca vamos encontrá-los."

Para enfatizar suas palavras, a ruiva passou por eles e empurrou a porta principal, abrindo-a. Damien estava nos degraus olhando para algo mais à frente. Ela ficou próxima ao garoto e olhou na direção que ele estava olhando. O primeiro pensamento dela foi o de que dois idiotas tinham se encontrado quando viu Harry Potter cochichando com Draco Malfoy. Damien virou em direção aos amigos.

"O que vocês estão fazendo aqui?" perguntou ele.

"Não estávamos com tanta fome assim." Ginny viu Ron olhar em volta. Ele devia estar procurando por Potter.

Damien bufou.

"Isso é novidade vindo de você," brincou ele.

O sorriso de Ron desapareceu quando ele finalmente viu Harry conversando com Malfoy.

"O que diabos ele está fazendo, conversando com Malfoy?" Ron perguntou com uma expressão raivosa em sua face.

"Não sei," respondeu Damien, parecendo desconfortável com a situação.

Ginny se virou novamente, ela o viu se afastar de Malfoy e caminhar na direção deles. Viu quando Malfoy caminhou rapidamente para a entrada lateral da escola e correu para dentro. Quando Potter se aproximou, Damien o perguntou:

"O que você estava fazendo, falando com Malfoy? Você não é amigo dele, é?"

O Príncipe das Trevas olhou severamente para Damien, enquanto se aproximava dos outros adolescentes.

"E se eu for? Se você pode ser amigo de gente como ela, então não vejo porque não posso ser amigo de Malfoy." Ele gesticulou com a cabeça em direção a Hermione enquanto falava com Damien.

Os quatro adolescentes agiram como se tivessem sido queimados pelas palavras dele. Ron pareceu perder qualquer traço de paciência que tinha, quando gritou com Potter.

"O que quer dizer com isso? Hermione vale dez vezes mais que você e Malfoy juntos! Você é tão ridículo, você não tem direito de falar conosco como se fossemos inferior a você!" Ron estava com o rosto vermelho e tinha instintivamente dado um passo em direção ao outro garoto.

"Mas vocês são inferiores, especialmente com relação a mim."

Ginny foi pega de súbito. Aquele garoto era mais grosso do que ela pensara. Seu temperamento subiu. Ele não quis realmente dizer aquilo, não é? Mas a quem ela estava enganando? É Claro que ele quis dizer o que disse. Ron estava prestes a responder às palavras dele quando, de repente, Hermione colocou uma mão em seu braço, fazendo-o parar.

"Ronald, não. Não vale a pena. Ele não vale a pena," adicionou ela olhando com raiva para Potter. É claro que Hermione estava certa, ela sempre estava certa.

No entanto, o Príncipe das Trevas de repente abandonou sua expressão de indiferença quando as palavras de Hermione o alcançaram.

"Não valho a pena! Então agora eu vou ter que aprender o meu valor através de uma maldita sangue-ruim como você!" sibilou ele para ela.

O efeito foi instantâneo. Ron agarrou sua varinha e apontou para Potter, enquanto Ginny fechou os olhos por um segundo para se acalmar. Foi o suficiente para Ron perder a linha. Com Você-Sabe-Quem e suas opiniões, ela deveria ter esperado que ele falasse dessa forma e utilizasse aquela palavra.

De repente, Damien gritou.

"RON, NÃO! Ele não tem uma varinha. Ron, não…!" Mas Ron estava muito furioso para escutá-lo e lançou um feitiço no idiota-que-insultou-Hermione.

"INCARTO!" Ron gritou e uma luz amarela saiu da ponta de sua varinha.

O outro garoto se tornou um borrão, e a próxima coisa que Ginny viu foi ele de pé, em frente a Ron, enquanto esse uivava de dor. Um estalido forte encheu o ar, fazendo Damien, Ginny e Hermione gritarem horrorizados. Ron soltou um grito angustiado. Potter agarrou o colarinho das vestes do garoto e o puxou, de modo que o rosto ensanguentado de Ron ficou a centímetros do seu.

"Nunca mais pense em me atacar, Weasley! Eu posso quebrar seu pescoço facilmente," sibilou ele perigosamente para Ron, antes de soltá-lo.

Ginny correu em direção ao seu irmão imediatamente, e viu que Hermione fizera o mesmo. Juntas, ajudaram o adolescente machucado a subir as escadas em direção à porta principal. Ginny não conseguiu deixar de olhar para o outro garoto, que continuava lá de pé, divertindo-se com a cena. Rapidamente, ela desviou o olhar, incerta quanto ao que fazer.

Eles correram escada acima, até a Ala Hospitalar. Damien os alcançou após um longo corredor. Eles viraram algumas vezes antes de chegarem à enfermaria. Ginny abriu a porta para os outros entraram.

"Madame Pomfrey, você está aqui?" Damien chamou, enquanto Hermione guiava Ron para uma das camas. Ginny entrou depois e ficou próxima a eles enquanto a enfermeira aparecia por detrás de uma cortina.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas assim que viu Ron, e enfermeira virou-se e correu em direção a um dos armários. Voltou com uma poção e com sua varinha em mãos. Rapidamente, fez alguns testes com a varinha antes e olhou para o garoto.

"Seu nariz está quebrado, Sr. Weasley. Você se importa em dizer quem fez isso com você?"

Ron olhou para o chão, enquanto Hermione respondia por ele.

"Ninguém." Madame Pomfrey virou-se para ela. "Ron colidiu com uma parede. Foi muito desconcertante para ele... e em parte foi culpa minha! Nós brigamos e ele não estava olhando e apenas esbarrou com a parede!"

A enfermeira não parecia convencida, mas não disse nada mais enquanto consertava o nariz do menino com sua varinha. Assim que ela terminou, entregou a ele a poção que trouxera.

"É um anti-inflamatório. Por favor, espere alguns minutos antes de sair para que a poção possa fazer efeito."

Ron assentiu antes de beber o liquido de aparência horrível. Madame Pomfrey recolheu o frasco vazio e dirigiu-se ao seu escritório. Provavelmente para colocá-lo com outros frascos que tinham de ser limpos e enchidos novamente.

"Eu colidi com uma parede? Não dava para parecer mais estúpido?"

"Sinto muito se você não gostou, mas alguém tinha que dizer alguma coisa!"

"Sim, mas uma parede...?"

"Ron, vamos lá, Hermione podia ter dito algo sobre Harry..."

"Ela deveria, Damy! Ele quebrou o meu nariz! O que ele merece é punição de McGonagall, dos seus pais E do Professor Dumbledore."

"Ron, ele não estava com uma varinha. Qual você acha que seria o seu castigo?" Ginny tentou fazê-lo entender.

Ron abriu a boca, pronto para se defender, quando a porta abriu novamente e a enfermeira voltou.

"Vocês estão liberados. Todos vocês."

Ela deu um olhar significativo para detrás da uma cortina, da qual ela viera no início, mas nenhum deles percebeu, visto estarem muito chocados por quase terem sido pegos. Foi dessa forma que Blaise Zabini passou despercebido e relatou o que ouviu a Draco Malfoy.

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Na noite seguinte, Ginny não dormiu muito bem. Enquanto conseguiu se concentrar, ela fez seu dever de casa, mas logo a garota quase adormeceu encima de seu livro e as linhas já lhe pareciam borradas. Ela não dormiu muito e acordou cedo para terminar seu dever de casa, e assim ter tempo para outras redações que teria de escrever naquele dia. A ruiva foi a primeira de seu grupo a ir tomar café da manhã, pois não vira Hermione, Ron ou Damy em lugar algum. Potter também não estava lá.

A primeira deles a chegar foi Hermione. Ela apenas a cumprimentou com um rápido "olá!" antes de desaparecer por trás de um de seus livros. Ron e Damien chegaram juntos e não muito depois disso o Príncipe das Trevas apareceu. O garoto olhou para eles e em seguida desviou o olhar com um sorriso de desdém.

"Eu volto já, galera." Ron e Ginny observaram Damien se levantar e sentar-se com seu irmão. Eles conversaram por alguns minutos, mas Ron e Ginny não conseguiram escutar nada do que diziam, pois os dois estavam sentados na outra extremidade da mesa.

A expressão de Damien mudou de sério para chocado, em seguida para calmo. Após terminar, Damy se levantou e sentou-se com eles novamente, deixando para trás um Harry que parecia um tanto chocado.

"O que você disse a ele, companheiro?" Ron perguntou abruptamente.

"Eu apenas disse que ele não podia ameaçar e tratar vocês, meus amigos, daquela forma." Damy respondeu enquanto se servia de algumas panquecas.

"O que ele fez?" Ginny perguntou, enquanto cutucava Hermione.

Ela tirou os olhos de seu livro.

"Ah... Nem vi que vocês dois já estavam aqui."

Ron revirou os olhos, antes de colocá-la a par do que ocorrera.

"E como ele reagiu quando você disse isso a ele?"

"De cara, ele riu… mas ele ficou chocado quando eu disse que não tenho medo dele." O orgulho estava evidente no rosto do menino.

"Você disse o que a ele?" Ron arfou.

"Eu sou um Grifinório! É lógico que não tenho medo dele."

"Sim, eu sei… claro que você não tem medo dele. Eu também não tenho medo dele."

Ginny bufou em seu cálice de suco de abóbora.

"O que foi?"

"Ah, nada, Ronnie... nada."

"Não me chame de Ronnie!" Ron olhou furioso para Ginny.

"Acabem com isso, está bem? Nós temos aulas em... ah, temos que ir."

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Aquele fora o dia mais longo que Ginny tivera nos últimos meses. É claro que as férias não contavam, e aquele era apenas o segundo dia após o fim delas, mas ela já queria dormir até tarde novamente. Após o café da manhã, ela foi para suas aulas, e os professores tinham começado com feitiços ainda mais difíceis, levando Ginny à exaustão. Após um rápido jantar, ela apenas queria ir para a cama, mas decidiu não fazê-lo.

Após o incidente com o Príncipe das Trevas e após ter imaginado ser ele seu herói, ela não voltara à biblioteca para procurar seu verdadeiro herói. A garota estava lentamente perdendo as esperanças de encontrá-lo, mas cada vez que isso acontecia, ela se sentia motivada novamente. Ele merecia que ela o encontrasse e o agradecesse. Também havia o fato de que Ginny não conseguia parar de pensar nele. Com um pequeno sorriso nos lábios e seus pensamentos acerca do seu herói misterioso, ela quase colidiu com James Potter ao entrar na biblioteca.

"Desculpa, Sr. Potter."

"Não foi nada, Ginny. Você está cheia de lições de casa para fazer, hein? Eu me lembro do ano dos meus N.O.M.s. Foi terrível... mas piorou... provavelmente essa não é a melhor coisa a dizer. Foi realmente fantástico... você vai ver."

Ginny sorriu ao vê-lo tentar consertar a situação.

"Tudo bem. Eu já escutei todas as histórias possíveis. Fred e George também não estavam entusiasmados com relação a isso... Ron foi até pior, e ele conseguiu mais N.O.M.s. do que os gêmeos... mas, eu realmente tenho que ir."

"Sim… claro. Tenho um ótimo dia."

"Obrigada. Tchau." Ela acenou antes de desaparecer por trás de uma das estantes de livros.

Depois de passar tanto tempo com os anuários, a ruiva sabia exatamente onde eles estavam e normalmente não demorava muito para encontrá-los. Certamente alguém de fato não desejava que ela desse uma olhada neles, pois antes que ela ao menos chegasse perto o bastante, percebeu os dois garotos conversando baixinho um com o outro, enquanto examinavam os títulos dos livros: ninguém menos que Harry Potter e Draco Malfoy.

Ginny gemeu silenciosamente por sua estupidez. Era óbvio que o Príncipe das Trevas devia estar ali. Afinal, ela quase esbarrara no pai do menino. Encostou-se à prateleira de livros atrás dela, na expectativa de apenas aguardar até que eles terminassem a conversa, e, então, ela pudesse pegar os livros sem que eles notassem sua presença. Por um momento, ela fechou os olhos, porém abriu-os novamente quando as palavras deles a alcançaram.

"Eu decidi quando cheguei a Hogwarts. Tudo que preciso fazer é jogar por um tempo. Tenho que jogar sem me arriscar, fazê-los pensar que eu não tenho escolha, a não ser seguir suas ordens. Assim que abaixarem a guarda, poderei me divertir. Vou separá-los e destruí-los. Claro que até lá meu pai já terá conseguido enfraquecer os escudos e então poderei voltar pra ele."

"Você acha que pode controlar seu temperamento, afinal, você pode ser pego se repetir o feito da noite passada?" Após uma pausa, Draco concluiu: "Zabini estava na ala hospitalar quando Weasley foi levado para lá. Zabini ouviu toda a conversa dos idiotas."

"Foi bem merecido. Todo o maldito dia eu estava sendo assediado e eu tinha que extravasar a minha raiva, então perdi o controle. Mas ser o Príncipe das Trevas tem suas vantagens. Posso causar alguns estragos sem lidar com as consequências. Só não posso tirar nenhuma vida, assim Dumbledore ficará feliz!"

O coração de Ginny bateu alto. O que aquele idiota achava que podia fazer? Ela tentou se acalmar. Dumbledore iria pegá-lo e ele seria punido. Dumbledore sabia de tudo. Sempre.

"Draco, relaxa, você conhece as minhas regras, mas Dumbledore não. Isso vai ser muito divertido. Apenas deixe meu pai saber que eu estou bem e peça a ele para controlar seu temperamento. Isso já está sendo difícil sem as dores de cabeça."

"Eu não irei mandá-lo fazer nada, ele irá querer minha cabeça se eu mandar-lhe fazer alguma coisa!"

Ginny se recostou ainda mais na prateleira quando ouviu Potter gargalhar e viu Malfoy ir embora. Ela até parou de respirar para escutar os passos do outro garoto. Após alguns segundos, que pareceram uma eternidade, os passos se aproximaram. Ginny olhou para a esquerda, mas viu apenas um longo corredor de prateleiras. "Melhor do que nada," ela pensou, e correu pelas prateleiras até alcançar um lugar demasiado longe para ter ouvido a conversa deles. A garota parou e ficou imóvel quando uma mão agarrou seu ombro e a virou. Seus olhos encontraram um par de olhos esmeralda.

Potter abriu a boca para dizer alguma coisa, mas o som de passos se aproximando fez ele parar. O garoto levantou o olhar e solto-a imediatamente.

"Harry? Ginny? O que estão fazendo aqui?"

"Apenas procurando pelo mesmo livro," ele mentiu facilmente.

O Sr. Potter pareceu acreditar nele.

"Vocês terão de fazer isso amanhã. A biblioteca fecha agora."

O Príncipe das Trevas assentiu, lançou-lhe um olhar de advertência uma última vez, e seguiu seu pai. Ginny soltou a respiração, ela nem percebera que estivera prendendo. Tinha sido por pouco.

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O dia depois o dia seguinte foi quando ela encontrou Harry novamente. A ruiva não o vira desde a conversa com Malfoy, e, para dizer a verdade, ela o estava evitando... um pouco. A biblioteca estava bastante lotada, então ela achou que era seguro, e também realmente necessitava fazer sua lição de casa. Hermione às vezes a auxiliava, mas a sextanista também tinha seus deveres de casa, e ela sempre queria que eles ficassem perfeitos. Lógico que Ginny não se queixava, pois não era tão preguiçosa quanto seu irmão Ron.

A ruiva foi direto para a estante, onde ela sabia que estava o livro procurava. Após uma olhada em seu relógio, ela examinou os livros, apressadamente. Não faltava muito tempo para a hora do jantar, e ela não queria perder a refeição. Ginny colidiu com alguém quando deu alguns passos para a esquerda. Depressa, ela levantou a cabeça.

"Eu sinto…" As palavras morreram em sua boca, quando ela viu em quem esbarrara. Ninguém menos que Harry Potter.

"Hum… err… Desculpa." Ela passou por ele, querendo se afastar do garoto. Ele, claramente, tinha outros planos, pois segurou seu braço.

"Não tão rápido, Weasley."

Ginny se virou e encontrou os olhos dele.

"O que é?"

"É sobre a conversa que você escutou."

"Eu não sei do que você está falando." Ela tentou recuar, mas ele não a soltou.

Ele a encarou.

"Não se faça de boba."

"Olha, eu apenas vi você com Malfoy, só isso. E agora, me solta!"

Ao invés de soltá-la, ele se aproximou dela. O espaço que separava seus rostos ficou ainda menor quando ele se inclinou.

"Você sabe muito bem do que estou falando. O que você escutou?"

"Nada."

Para parecer mais verdadeira, ela olhou diretamente em seus olhos esmeralda. Isso até ela sentir a respiração dele próxima a sua orelha. Sua respiração acelerou. Instantaneamente, ela fechou os olhos. Aquela era de fato a hora errada para corar. Após um momento de grande concentração, ela abriu os olhos novamente, e deu de cara com os lábios dele. Eles se curvaram num sorriso desdenhoso. Ginny recuou rapidamente e suas costas bateram na prateleira mais próxima. O garoto novamente fechou o espaço entre eles. Ela estava presa.

"Então… Ginny… agora que estamos aqui, seria um tanto indelicado não me dizer o que você ouviu."

"Eu juro que não ouvi nada!" Mais uma vez ela fechou os olhos.

Calmamente, ela contou até dez para recobrar o controle. A ruiva quase atingira seu objetivo, quando dedos suaves tocaram o seu queixo e a forçaram a olhar para cima. Seus olhos encontraram os dele novamente.

A voz alta de James Potter interrompeu o que ele estava prestes a dizer.

"Harry? Onde está você?"

"O que quer que tenha escutado, Weasley... você não vai falar uma palavra sequer sobre isso. Você se arrependeria." Ela assentiu rapidamente e ele a soltou. Com um olhar intenso, ele se foi.

Ginny inspirou e expirou lentamente, tentando deixar para trás uma sensação de entusiasmo. Ela não tinha gostado de ficar perto dele, tinha? Não, é claro que não tinha... mas ela tinha concordado com ele, e isso era ruim o suficiente. Grifinórios não tinham medo. Havia uma vozinha em sua cabeça dizendo que demonstrar medo na frente dele era bem melhor que gostar de sua presença, mas ela deixou a voz de lado. Ela não tinha gostado, ela não tinha ficado entusiasmada. Não mesmo.