Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e aqueles que publicaram os livros dela. Damien e toda a história por trás de Harry pertencem a Kurinoone. Estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone. Não as destaquei, mas se quiserem que eu o faça, eu farei.

Chapter Two – Different Idiots

(Idiotas Diferentes)

A próxima aula do dia era Defesa conta as Artes das Trevas e a maioria de seus colegas de classe já estavam esperando em frente à sala de aula. Parecia que Snape excedera seu tempo, o que era estranho, porque ele nunca fazia isso. Ele sempre queria que os alunos saíssem da sala o mais rápido possível. a maoioriontasla no em frnette , percebeu os dois garotos conversandoorma e utilizasse aquela palavra.

A porta abriu e os alunos saíram. Snape tinha dado aula a uma turma de Grifinórios de Sonserinos. Ginny viu seu irmão, que parecia furioso. Ao lado dele estava Hermione, que tinha lágrimas nos olhos. Ginny lhes lançou um olhar de questionamento, mas Ron balançou a cabeça e gesticulou para que ela perguntasse mais tarde. Um dos últimos alunos a sair da sala foi o Príncipe das Trevas. Seu semblante era diferente de todos os outros alunos. Ele estava sorrindo e parecia estranhamente satisfeito.

A porta se fechou atrás da última pessoa, e a turma de Ginny ainda estava de pé, do lado de fora. Eles olharam uns para os outros, mas ninguém sabia o que fazer. O olhar de Ginny correu da porta para o adolescente de cabelos negros, que estava prestes a virar a esquina. Ela finalmente tomou sua decisão e correu atrás do garoto.

"Potter, espere!" Mas ele não parou, ele nem ao menos diminuiu o passo, mas o espaço entre eles diminuiu mesmo assim. Quando ela finalmente o alcançou, ele parou e olhou para ela.

"Você não me ouviu, Potter?"

O belo rosto do garoto se contorceu numa careta.

"Não me chame assim!"

"Assim como? Potter? É o seu nome!"

"Não é não."

"E como eu devo chamá-lo, então?"

"Harry?"

Ginny olhou boquiaberta para ele.

"Isso seria errado! Depois do que você fez ontem... Eu queria falar com você sobre aquilo mesmo assim. Você não pode simplesmente me ameaçar daquela forma."

"É claro que posso."

"Sim, talvez você possa, mas eu não dar ouvidos a você."

Ele arqueou uma de suas sobrancelhas.

"Então, você veio atrás de mim para me dizer que não vai me escutar?" Ele riu suavemente.

"Não, claro que não!"

Ele levantou uma sobrancelha.

"O que quer, então?"

"Eu quero te dizer que vou contar a alguém sobre sua conversa com Malfoy."

O garoto a encarou.

"Weasley, você sabe que isso é estúpido, certo?"

'Ótimo, agora ele pensa que eu sou estúpida...' Espera! De onde tinha vindo aquele pensamento?

"Não é burrice! Eu sou uma grifinória, e nós somos corajosos, então eu não tenho medo de você."

"Certo," falou ele devagar. "Primeiro você me diz que não viu nada e quer bancar a inocente, depois você confessa que nos viu e agora você vem dizer que quer contar o que ouviu a alguém. Isso foi praticamente uma confissão de que você ouviu alguma coisa. Mas não, você não vai e simplesmente conta a alguém, você vem até aqui, para me dizer que vai contar a alguém. Após essa façanha, Weasley, você não vai contar a ninguém, porque se você realmente quisesse fazer isso, já teria feito. Ou isso foi uma ameaça? Porque se foi, faltou alguma coisa. Tipo: uma voz sombria, mais aproximação..."

Caramba, aquilo soou estúpido mesmo, mas agora ela não podia mais fugir e se esconder para sempre.

"Você não vai me dizer o que fazer, e eu não tenho medo de você!" Ela corou sob o olhar dele.

"Mas deveria ter, Weasley." A voz de Harry tornou-se mais sombria, e ele se aproximou. A ruiva gostou daquela voz.

"Ah… bom… vejo você depois." Para não repetir o que acontecera da última vez, a garota se virou e correu de volta em direção aos seus colegas de classe, deixando para trás um Harry um tanto quanto atônito.

Ela gemeu alto quanto viu que a porta estava fechada, mas seus colegas não estavam lá dessa vez. Respirando fundo, a ruiva bateu na porta e entrou.

"Senhorita Weasley, especial demais para se juntar a nós, não é? Quinze pontos da Grifinória." Ela se dirigiu ao fundo da sala e sentou-se, mas a tortura tinha apenas começado.

A aula que se seguiu foi a pior que ela tivera com Snape. Ele foi ainda mais terrível do que o normal, e ela não imaginara que isso fosse possível. Seja o que for que acontecera na aula anterior, ela prometeu-se que iria descobrir para nunca fazer o mesmo... jamais.

A oportunidade lhe apareceu quando ela se sentou à mesa da Grifinória para almoçar após quase ter fugido de uma garota da Lufa-Lufa que queria saber o que ela tinha conversando com "o novo Grifinório bonitão."

Hermione e Ron chegaram pouco depois. Tomaram seus assentos habituais e enquanto Ron começou a encher seu prato de comida, Hermione se serviu de um pouco de água.

"O que exatamente aconteceu na aula de vocês? Nunca vi Snape com tamanho mau humor!"

Hermione se inclinou.

"Foi… Harry."

Ron mastigou um pouco de sua carne, arrancando um olhar de satisfação de Hermione, antes que ela começasse a contar a história.

"Foi brilhante! Você devia ter visto a cara de Snape. Não que agora eu goste dele, mas o que ele fez... uau... quer dizer, ele foi muito estúpido, na verdade, os dois foram, mas... bem, de qualquer forma. Começou assim: Snape nos ensinou a azaração de confundir e apenas alguns conseguiram conjurá-la. No fim da aula, ele perguntou se alguém tinha alguma dúvida, você sabe como ele faz isso, não é? E Potter perguntou por que ele estava ensinando azarações tão inúteis. Você devia ter visto a cara dele! Foi impagável." Ron riu ao se lembrar da cena.

"Ele ficou pasmo, é claro," continuou Hermione. "Todo mundo ficou. Ele não devia ter dito aquilo, afinal, Professor Snape é um professor. Não se pode simplesmente insultá-lo. Ele merece respeito."

Ron bufou.

"Respeito é a última coisa que Snape merece. Ele já te insultou um monte de vezes, Hermione. Alguém já devia ter feito isso antes."

Ginny deu uma tapinha na mão de sua melhor amiga.

"Ron está certo, você sabe disso, Hermione."

A outra garota lançou-lhes um sorriso fraco.

"Não é como se um de nós pudesse fazer algo assim. Ele iria tirar inúmeros pontos de nossa casa e pegaríamos detenção até terminar a escola... ou até depois disso!"

Eles riram juntos.

"Imagina isso: 'Oi mãe, estou voltando do Curso de Formação Médica, mas preciso encontrar Snape para cumprir uma detenção. Você sabe, ele iria me matar se eu não fosse.'"

"O que ele fez, então?" Ginny perguntou depois de se acalmar.

"Snape não fez nada, isso foi o pior de tudo! Ele queria dar uma detenção a ele, mas Potter disse que não iria cumprir a detenção. Snape apenas virou e gritou conosco. Ele nos mandou fazer tanto dever de casa que eu acho que estou prestes a morrer."

"Não foi tão ruim assim, Ronald," disse Hermione, fazendo uma careta para ele.

"Você está brincando? Eu vou passar dias, até mesmo semanas, fazendo isso! A temporada de quadribol está para começar e eu não posso perdê-la! Katie me esfolaria vivo."

"Sempre esse esporte idiota, não é? Há coisas mais importantes."

xxx

Suspirando, Ginny jogou a pena sobre a mesa e olhou para sua dissertação. Após horas trabalhando, o seu dever de casa de Feitiços estava perfeito, mas ela ganhara uma terrível dor de cabeça. Olhando no relógio e viu que não lhe restava muito tempo para andar pelo castelo, mas se ela se apressasse um pouco, seria suficiente para ir à ala hospitalar pedir uma poção à enfermeira.

A ruiva decidiu apressar o passo. Ela precisava muito dar mais uma olhada em seu dever de Poções, mas devido à dor de cabeça, a garota nem ao menos conseguia se concentrar na leitura.

Os corredores estavam quase desertos. Ela só encontrou um ou dois alunos, que estavam voltando para suas salas comunais.

Após bater levemente na porta, a garota entrou e congelou em choque. Harry Potter estava sentado em uma das camas. Isso não era nada fora do comum, afinal, ela já o vira sentado antes. O que era atípico era a maneira como a risada dele ecoou pela ala hospitalar vazia, e como ele recostou-se quando Madame Pomfrey tentou bagunçar ainda mais seu cabelo.

A enfermeira reparou em Ginny primeiro.

"Senhorita Weasley? Em que posso ajudá-la?"

"Ah… eu…" Ela se virou e seus olhos encontraram os dele. Ela sentiu seu rosto esquentar. Madame Pomfrey sorriu enquanto a conduzia até a cama na qual ele estava sentado e empurrou-a para baixo, ao lado dele.

"Respire, minha querida… o que posso fazer por você?"

Seus ombros se tocaram, mas ao menos ela não precisava olhar para ele agora.

"Dor de cabeça… quer dizer, eu estou com uma dor de cabeça. Pode me dar uma poção para aliviar a dor?"

"Claro, claro." A enfermeira foi até um dos armários e pareceu procurar a poção. "Eu sinto muito, mas não tenho nenhuma aqui. Vou olhar no meu escritório ou chamar a Professora Potter. Pode demorar um pouco."

"Não é necessário, Madame Pomfrey. Eu vou embora. Não está doendo tanto assim." Ginny se levantou da cama.

"Não, sente-se, eu vou dar uma olhada. Não vai demorar tanto. Não se preocupe, eu encontrarei alguma coisa." Ela sorriu para ambos, e Ginny teve a impressão de ter visto a mulher dar uma piscadela também, antes de desaparecer por trás da porta de seu escritório.

Potter se mexeu um pouco, e agora suas pernas também estavam se tocando. Ela olhou para os joelhos dele, tentando desesperadamente pensar em algo para fazer ou dizer.

Foi ele quem quebrou o silêncio.

"Dor de cabeça?"

"Sim, acho que passei muito tempo lendo... Estava fazendo minha lição de casa." Ela estava bastante feliz por não poder ver o rosto dele. Estar próxima dele já era o suficiente.

"De qual matéria?"

Ela olhou para cima.

"Perdão?"

"Seu dever de casa..."

"Ah… hum… Feitiços. Eu gosto muito dessa matéria." Ela olhou ao redor da ala hospitalar, buscando olhar para alguma coisa que não fosse ele. "É minha matéria predileta."

"Acho bacana. É Flitwick quem ensina, não é?"

"É ele sim. Ele é o diretor da Corvinal, mas ele é imparcial com todo mundo. Eu gosto disso. Ele não é como Snape, aquele Comensal da Morte imundo, que só dá boas notas para os sonserinos."

Ela sentiu os olhos dele sobre ela e levantou o olhar para encontrar com o do garoto. Então, percebeu o que tinha dito.

"Ah... quero dizer... ele não... Comensais da Morte não são imundos... tudo bem, talvez eles sejam, mas, quero dizer... eu acho... é que... argh!" Ginny fechou os olhos, imaginando todas as coisas que ele poderia gritar com ela por ter dito aquilo.

Mas nada do que ela imaginara foi dito, ao invés disso, ele começou com um riso abafado, que se tornou numa verdadeira gargalhada. Ginny olhou para o garoto. Do que ele estava rindo? Ela acabara de insultar ele e seus... seguidores.

Ele percebeu a expressão dela e parou abruptamente.

"Não se preocupe. Eu odeio quase todos eles também."

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, a porta do escritório se abriu e Madame Pomfrey saiu por ela, parecendo satisfeita.

"Eu encontrei uma." Ela mostrou um pequeno frasco.

"Ah… obrigada, Madame Pomfrey." Ginny se levantou e pegou o frasco.

"Acho melhor você levá-lo consigo, pois você já devia estar em sua sala comunal há alguns minutos. Se você encontrar algum professor, diga a ele ou ela que está vindo daqui. Eu direi que foi culpa minha."

O adolescente de cabelos negros levantou da mesa também e sorriu para a enfermeira.

"Até logo, Poppy."

"Boa noite para vocês dois. E não fiquem perambulando por ai! Se eles encontrarem vocês tarde da noite, eu não vou dizer que estavam aqui!"

Harry (quando ele se tornara Harry?) chegou à porta primeiro. Ele segurou-a aberta para ela passar, e com um último aceno, o garoto fechou a porta atrás de si.

"Então… Poppy, hein?" perguntou Ginny enquanto caminhava ao lado dele.

"Sim. Afinal de contas, é o primeiro nome dela."

Ginny assentiu.

"Por que você a chama assim?"

Ao invés de responder, ele apenas deu de ombros.

"Você estava falando sério?" perguntou ela após um silêncio desconfortável.

"Sobre o quê?"

"Que você odeia quase todos os Comensais da Morte."

Seu olhar demorou-se um pouco sobre ela, e Ginny teve a impressão de que ele também não estava disposto a responder àquela pergunta.

"Sim."

"Por quê? Eu… hum… se eu puder perguntar."

"Você já perguntou."

Ginny não disse nada, mas seus passos se alargaram. Se ele fizesse alguma coisa, ela alcançaria a sala comunal em menor tempo.

"Eu vi o que eles fazem."

Ela parou de repente.

"Mas…" Como ela expressaria seus pensamentos da maneira correta? Como ela diria isso sem insultá-lo? Sem deixá-lo zangado? "O que eles fazem?"

"Você não lê o jornal?"

Ginny franziu a testa.

"Hermione lê. Ela nos conta as coisas mais importantes."

"Hermione? A sangue…"

Ginny o encarou e o corrigiu:

"A bruxa nascida trouxa, sim." Ele arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada por ela tê-lo interrompido. "O Profeta diz que eles queimam vilarejos e assassinam trouxas." Disse Ginny, lembrando-se das fotos que vira. A ruiva se arrepiou um pouco. Eles eram maus.

"Eu deveria ter imaginado. O jornal não é realmente a melhor fonte. É surpreendente de qualquer forma. Eles normalmente aproveitam todas as oportunidades para fazer com que pareçamos terríveis."

"Então… eles não matam?" perguntou Ginny confusa.

"É lógico que matam."

"Então, do que você está falando? Matar é terrível."

"Ah, Ginny, a guerra vai acabar com sua a inocência tão rápido..."

A ruiva parou novamente para encará-lo. Ninguém (a não ser sua mãe, mas de fato – ela tinha que pensar assim) achava que ela era inocente. Seus irmãos tinham pensando assim por um tempo também, mas depois eles perceberam que ela manipulava todos eles. Ginny sempre conseguia fazer sua mãe acreditar que um dos seus irmãos era culpado. Eles haviam tentando inúmeras vezes convencer sua mãe do contrário, mas o sorriso bonzinho de Ginny era perfeito.

"Eu não sou."

"O quê? Inocente? É lógico que é. Pelo menos no que diz respeito à guerra."

Ela o observou silenciosamente. A expressão dele era a mais grave que ela já vira antes. Isso a fez lembrar um pouco de seu irmão mais velho, Bill, que ostentava essa mesma expressão quando completava uma missão da Ordem. Talvez hoje ela fosse descobrir o que eles realmente faziam, como a guerra funcionava. Harry não era como seus irmãos, que queriam protegê-la sempre que possível.

"Eles são mais piedosos quando matam seus inimigos logo após encontrá-los," declarou Harry.

"Mas…" Ginny franziu a testa. "Matar é brutal!"

"Claro que é, mas é de longe melhor do que o que os Comensais da Morte fazem com as pessoas que eles realmente odeiam." Ele olhou para ela, como que decidindo se deveria contar ou não. "Eles as torturam."

"Com uma Maldição Cruciatus?"

"Há formas piores que a dor física para se torturar alguém." O rosto dele ficou inexpressivo. "Quando capturam duas ou mais pessoas, eles gostam de forçá-las a matar umas às outras. O último a sobreviver apodrece numa das celas para prisioneiros, antes de ter a chance de implorar por sua morte." Ginny olhou espantada para ele. Só de imaginar aquela dor, já era demais. "Mas eles gostam de usar a Maldição Cruciatus também. Você deveria ter cuidado. Alguns deles gostam de estuprar mulheres."

O tom casual que ele usou fez Ginny encará-lo.

"Então... hum... eu devo me esconder quando me deparar com um deles?" Sua tentativa idiota de brincar fez com que ela se sentisse ainda mais nauseada.

"Você deve saber como lutar."

"Essa realmente não era a conversa que eu tinha em mente."

"Você perguntou."

"Eu sei… então você os odeia pelas coisas que eles fazem?"

"Até certo ponto. Eu não sou a pessoa mais certa para julgá-los."

Foi como se algo tivesse feito Ginny pensar novamente. Ela estava tendo uma conversa com o líder deles, não com um cara qualquer, que tinha visto alguma coisa. Ela engoliu em seco. O que ele tinha feito? Quantas pessoas tinham sofrido por causa dele? Quantas famílias foram destruídas por ordem dele? Por que ele os tinha matado? Quantas lágrimas tinham sido derramadas? Quantas pessoas tinham implorado a ele... ele! Um adolescente, por suas vidas?

Os olhos dele pareciam mais escuros quando ela os encarou. Era como se ele soubesse exatamente no que ela estivera pensando.

"Eu…" Ela olhou para o longo corredor que conduzia à sala comunal da Grifinória. Ela devia se afastar dele, falar com Hermione... ou talvez não.

"Vá primeiro. Vai parecer estranho se entrarmos juntos." Ela concordou rapidamente e foi embora sem se despedir. No entanto, não conseguiu evitar de olhar para trás quando finalmente alcançou o retrato da Mulher Gorda. Ele estava lá, encostado na parede, olhando pela janela enquanto brincava com seu anel de prata, que brilhava sob a luz do luar.

Após entrar, ela ignorou Ron, Hermione e Damien, que chamaram por seu nome. A ruiva foi direto para seu quarto, onde se deitou e ficou encarando o dossel da cama. Era vermelho, vermelho sangue. Ela não soube por quanto tempo ficou ali deitada, pensando em todas as pessoas que morreram, antes de adormecer. Naquela noite, sonhou com o ataque a Hogsmeade novamente, mas dessa vez ninguém apareceu, ninguém a ouviu, ninguém a salvou.

xxx

As três semanas que se seguiram passaram rapidamente para Ginny, e antes que ela percebesse, fazia um mês que retornara a Hogwarts. Naquelas semanas, a garota tivera alguns pesadelos, mas ela não contara a Hermione acerca da conversa que teve com Potter – sim, ele tinha se tornado Potter novamente – também não tinha falado com nenhum professor sobre o diálogo entre Potter e Malfoy, bem como não tinha falado com Potter novamente. Sempre que o avistava, ela se virava ou sentava o mais distante possível. Não era tão difícil evitá-lo, pois ele não parecia estar procurando por ela. O garoto voltara a ignorá-la, mas Damy contou-lhe que ele tinha começado a conversar com ele, que eles meio que batiam papo de verdade agora.

Naquele dia, ela não conseguiu manter distância entre ela e Potter, pois quando acabou seu jantar e olhou em volta à procura de Hermione, viu que ela estava sentada de frente a ele, junto com Ron e Damy. Eles estavam conversando baixinho, enquanto Potter beliscava sua sobremesa.

Mesmo assim, a ruiva caminhou na direção deles, pois precisava saber se Hermione iria com ela à biblioteca como tinham combinado. Depois que seus pesadelos haviam começado novamente, ela estava mais desesperada do que nunca para encontrar seu herói misterioso.

Quando ela os alcançou, todos, exceto Potter, olharam para cima. Assim que ela perguntou a Hermione, sua melhor amiga pareceu desconfortável.

"Desculpe-me Ginny, mas eu realmente tenho que terminar minha redação de Transfiguração, e eu tenho que fazer a lição de Runas Antigas. Prometo que vou com você durante a semana, tudo bem?

Hermione tinha prometido que iria ajudá-la. Antes que qualquer deles percebesse o que ela estava sentindo, Ginny forçou um sorriso.

"Tudo bem, Hermione, eu entendo.

"Não acho que você devia continuar a procurá-lo." Ron interferiu. "Você não vai encontrá-lo. Você nunca o viu, Ginny. É hora de desistir. Você só está perdendo tempo. Você podia jogar quadribol, ao invés disso!"

Ela percebeu que Potter levantou o olhar de seu prato. A garota sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Para ela, era muito importante encontrá-lo... por que eles não conseguiam entender isso? Sem mais uma palavra, ela fugiu do Salão Principal. Talvez fosse hora de desistir realmente, mas isso significava abandonar a esperança, e ela não podia fazer aquilo. Ginny chegou à biblioteca mais rápido que o normal, mas isso não a surpreendeu, afinal, ela correra o caminho todo. Ela enxugou as lágrimas antes de entrar.

Enquanto examinava fotografias mais velhas do que as que geralmente olhava, deixou seus pensamentos vagarem. Ela não sabia por que estava tão emotiva nas últimas semanas. Ela nunca fora tão fraca assim, ela nunca se permitiu ser assim. Isso também não era possível com todos os irmãos dela. Agir assim iria apenas dar substrato à teoria da necessidade de protegê-la.

O som de uma garota limpando a garganta a trouxe à realidade. Era Hermione.

"O que foi?" Ginny perguntou, voltando sua atenção para o anuário em sua frente.

"Sinto muito, Ginny." Hermione sentou-se em frente a ela.

Ginny deu-lhe um pequeno sorriso.

"Não foi nada."

"Ron é um idiota. Ele não consegue entender sua necessidade de encontrá-lo. Eu também não, nunca estive numa situação assim, mas eu quero muito te ajudar, Ginny."

"Está tudo bem, Hermione. De verdade. São apenas as aulas, e as tentativas de encontrá-lo, e as tarefas de casa, e tudo mais. Os treinos de quadribol que estão para começar também não estão ajudando."

"Talvez te alegre quando eu contar que tive outra briga com Ronald." Hermione parecia perturbada.

Ginny franziu a testa.

"Hermione, por que isso me alegraria?"

"Foi sobre você. Damy ficou do seu lado, não se preocupe. Ron vai acabar concordando."

"Hermione, pare de dar voltas e me diga o que aconteceu."

"Foi Ron… você tinha acabado de sair quando ele nos disse o que pensava sobre você e seu interesse por garotos. Sério, ele pensa que você tem onze anos."

"Gostaria de ter essa idade na imaginação dele. Parece mais que ele pensa que tenho quatro ou cinco anos. Sério... ele precisa de vida própria." Ginny suspirou, revirando os olhos de forma exagerada.

Hermione riu de leve.

"Sim, talvez isso o ajudasse."

"Hum… ou talvez ele apenas precise de você."

Hermione olhou surpresa para ela.

"Ei!"

"Ora, vamos. Todos sabem que rola algo entre vocês dois." Ginny sorriu maliciosamente para ela.

Hermione sorriu misteriosamente.

"Talvez…"

"Está vendo!"

"Sim, mas voltando à nossa conversa... Ron nos disse que iria proteger você de todos os garotos e seus... 'pensamentos obscenos.' Você devia ter visto a cara dele. Acho que ele está preocupado com você, mas, sério... já foi longe demais. Não tem mais graça."

"Ele disse o quê" perguntou Ginny indignada. "Ó Deus... não me admira que ninguém olhe para mim duas vezes."

"Ah, Ginny, isso não é verdade…!"

"É lógico que é. Aposto que ele falou com todos para mantê-los longe de mim. Não é como se eu saísse por aí falando sobre ele e seus hábitos embaraçosos, para que ninguém mais falasse com ele."

"Damy disse algo desse tipo para ele, Ginny. Ele realmente saiu em sua defesa. Mas foi aí que Ron ficou muito bravo, e nos falou sobre a família de vocês, alegando que proteger você significava proteger a família. Acho que ele faz isso porque acha que não faz nada que seja honrado para..." Ela abaixou sua voz mais ainda. "...a Ordem e para a guerra. Todos os seus irmãos estão lá, lutando pelo lado do bem. Acho que ele vê nisso uma oportunidade."

"Ah, Merlin. Não importa o que ele acha que está fazendo. Ela já foi longe demais!"

"Eu sei, Ginny, eu sei. Eu disse isso a ele, e nós discutimos, mas acho que ele vai cair em si."

"E vocês tiveram essa discussão acalorada no Salão Principal?"

"Não… quer dizer, sim, nós estávamos no Salão, mas nós não gritamos! E eu achei que você devia saber..."

"Hermione, é muito legal de sua parte ter me contado, e ter me defendido, mas toda a escola deve ter escutado vocês três...!"

"Não toda a escola." Disse Hermione calmamente.

"Toda a Grifinória?"

"Não, só algumas pessoas. Desculpa, mas Ron começou, e você sabe como eu fico..."

"Quem escutou vocês?" Ginny interrompeu.

"Ah… Acho que Dean escutou algo."

"Ah, ele não, por favor."

Hermione afagou a mão dela, desajeitadamente.

"Sinto muito, eu não o vi."

"Tudo bem, Hermione. Você não tem culpa de eu ter tido um 'relacionamento' com ele. Nem se pode chamar assim o que tivemos. Só ficamos juntos um ou dois dias. Ele é um estúpido, de qualquer forma."

"Ginny… você não tem provas de que isso realmente aconteceu."

"Mas eu tive e ainda tenho a sensação de que Ron e os gêmeos estão envolvidos nisso... é só que... que cara iria dizer a uma garota que gosta dela só para deixá-la no dia seguinte?"

"Acho que você só está irritada com ele."

"Sim… mas isso é passado, não é?"

"É sim."

"Mas muitas vezes o passado não gosta de ficar no passado." Uma voz sonhadora adicionou.

"Luna! O que está fazendo aqui?"

"Ah…" Ela piscou e olhou em volta. "Eu segui esta coisinha... Acho que preciso escrever para o papai mais tarde. Ele vai querer saber sobre isso."

"Sim, talvez ele até escreva algo sobre isso no O Pasquim, Luna. Isso seria excelente!" disse Ginny, sorrindo para sua amiga.

"Não, Ginny. Você não entende. Você tem que pesquisar antes de escrever sobre alguma coisa. É preciso saber os detalhes e a utilidade!" disse Luna com olhos arregalados.

"Claro, Luna. Ginny sabe disso." disse Hermione, com um largo sorriso.

"Então, a coisinha encontrou você?" perguntou a ruiva, antes que Hermione ao menos pensasse em dizer a Luna o que achava sobre isso.

"Ah, eu estava assistindo ao Glorioso Combate. Sabe, O Eleito contra o Loiraço. Mas tinham todas aquelas más influências lá, e então eu saí para tomar um pouco de ar fresco. É a melhor forma de enfrentá-las."

"Glorioso Combate…?" murmurou Ginny.

"Ah… o Clube de Duelos! Eu esqueci completamente disso. Nós discutimos sobre aquilo... você sabe... mas Damy e Ron foram para lá."

"Droga! Na verdade, eu queira ter ido. Eu nem sabia que era hoje... Devo ter me esquecido de olhar o quadro de avisos... quem duelou mesmo, Luna?"

"Hã? Você está se referindo ao Glorioso Combate? O Eleito e o Loiraço."

Ginny estava confusa.

"Eleito? Loiraço? O que diab..."

"Ginny!" repreendeu Hermione.

"Desculpa… de que casa eles são, Luna?"

"O leão contra a cobra... o leão ganhou."

"Bom para a Grifinória!" disse Ginny satisfeita.

"Loiraço… Sonserina… Draco Malfoy?" concluiu Hermione.

Quando Luna concordou com ela, Ginny começou a gargalhar.

"Oh, Merlin... Loiraço... boa, Luna!"

"Do que você está falando? As ondas negativas o chamam assim! É o nome verdade dele, afinal de contas."

"Certo, Luna, claro… mas quem era o outro?"

"O Eleito, eu já disse." Ginny olhou para Hermione, que deu de ombros.

"O Eleito, na Grifinória… foi Ron? O Eleito Idiota?"

"O nome de Ron não é o Eleito Idiota, Ginevra."

"Ele não iria ganhar de Malfoy, de qualquer forma..."

"Foi Harry? Harry Potter, Luna?" perguntou Hermione de repente.

"Sim, é assim que os humanos o chamam. Ah... A coisinha está aqui novamente. Tenho que ir," cantarolou ela, saindo da biblioteca.

"Harry Potter, O Eleito? Isso não faz sentido..."

"Ginny… Estamos falando da Luna Lovegood...!" falou Hermione, como se isso explicasse tudo.

"Então… voltando ao assunto, Hermione, o que eu devo fazer com o Ronnie?"