Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e aqueles que publicaram os livros dela. Damien e toda a história por trás de Harry pertencem a Kurinoone. Estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone. Não as destaquei, mas se quiserem que eu o faça, eu farei.
Chapter Three – Being Saved
(Sendo Salva)
"Ginny! Ginny!" A garota cujo nome estava sendo chamado vinha descendo a escadaria que conduzia ao Hall de Entrada. Era a manhã de sábado e ela estava a caminho do café da manhã. Depois disso, a garota iria fazer suas lições de casa, que não eram tantas quanto havia esperado. Á noite aconteceria primeiro treino de quadribol e ela tinha de comparecer, visto que era a apanhadora do time de sua casa.
"Ginny, espera!" gritou Katie Bell.
Ginny se virou e esperou pela nova capitã de seu time de quadribol. Juntas, elas caminharam até o Salão Principal.
"Oi Katie, você dormiu bem?"
"Não, na verdade não. Kelly Adamson me procurou ontem antes de eu ir para a cama. Os pais dela estão se separando, e ela vai ter que se mudar para o exterior. Acabamos de perder nosso terceiro artilheiro. Agora, somos somente eu e Damien. Quero dizer, o primeiro jogo é daqui a três semanas, e nosso time não está completo. Nunca iremos ganhar da Sonserina!
"Katie, você precisa se acalmar primeiro. Nós não temos nenhum jogador reserva que possa assumir a posição, não é?"
"Não! É por isso que não estou calma. É meu único ano como capitã do time, e eu queria muito de poder finalmente derrotar a Sonserina e vencer a copa de quadribol."
"Claro, claro. Todos nós queremos isso. Tudo bem... treinar hoje seria totalmente sem sentido. Ao invés de treinar, você deveria deixar um anúncio sobre os testes no quadro de avisos."
Katie ouviu Ginny com atenção e assentiu algumas vezes.
"É, você tem razão. Não podemos mais esperar. Quem sabe algum grande rei do quadribol está por aí, esperando para se juntar à nossa equipe."
Ginny riu.
"Ah… talvez haja alguém."
"A equipe deve estar lá essa noite... afinal, precisamos de alguém que se encaixe. Você pode falar sobre os testes para os grifinórios do seu ano? E para todos que você encontrar? Quero ter certeza de que todos saibam sobre os testes."
"Sim, eu farei isso."
"Obrigada, Ginny. Você é a salvadora da pátria. Acho que vou deixar um aviso antes mesmo do café da manhã, assim todos vão vê-lo quando retornarem à sala comunal. "
"Boa ideia, Katie."
"Tchau, Ginny!"
"Até mais tarde!"
Katie sorriu uma última vez antes de se virar e correr de volta para a torre.
'Quanta coisa para um dia já planejado...' Ginny pensou enquanto se dirigia ao Salão Principal. As mesas já estavam cheias de alunos, por isso levou certo tempo para que ela encontrasse o pessoal de seu ano. Tinha de fazer o que prometera a Katie, afinal de contas.
Vários garotos de seu ano estavam sentados em torno de Lavender Brown. Ginny revirou os olhos. Como se eles tivessem alguma chance com ela. No momento que Ginny se aproximou, Colin se afastou, abrindo espaço para ela, de modo que a ruiva se sentou em frente a Lavender. Ótimo.
Ginny tinha aversão a garotas como "Lav-Lav." Mas talvez ela não fosse a pessoa mais certa para dizer aquilo, visto que ela era o total oposto da outra. Enquanto Lavender gostava de olhar os garotos jogarem quadribol, Ginny queria vencê-los, mostrar a eles que as garotas também eram boas, ou até melhores. Lavender sempre usava maquiagem. Ginny raramente usava. Lavender necessitava de horas no banheiro, Ginny era quase tão rápida quanto seus irmãos. Mas isso não importava tanto para ela. O fato de Lavender ter namorado Ron por um tempo e Ginny ter tido que confortar Hermione por conta disso não ajudava muito.
"Oi, gente," falou Ginny.
Colin a cumprimentou de volta, o restante comia distraidamente, enquanto olhavam para a outra garota.
"Gostaria de falar com vocês sobre quadribol." A maior parte dos olhares voltaram-se para ela. A ruiva não pôde deixar de lançar um sorriso triunfante para Lavender. A menina lhe lançou um olhar desagradável em resposta.
"Perdemos um de nossos artilheiros. Katie vai fazer testes essa noite. Ela me pediu para perguntar se algum de vocês está interessado."
"Desculpa, Ginny… Eu nem ao menos consigo me equilibrar numa vassoura." Os outros também vieram com desculpas. Ela suspirou. Aquele seria um longo dia.
"Você não estava interessada em ser artilheira?" perguntou Colin, após certo tempo.
"Perdão?"
"Antes de você se tornar apanhadora, você queria ser artilheira, não era?"
"Sim, queria."
"Por que você não joga como artilheira?"
"Mas eu sou apanhadora."
"Sim, eu sei. Eu não sou tão bom em quadribol e a maior parte do tempo eu não entendo nada, mas não seria mais fácil encontrar um apanhador, visto que ele ou ela não precisará interagir com o time tanto quanto um artilheiro precisa fazê-lo?"
"Entendi o que quer dizer... Vou pensar nisso, obrigada, Colin."
"Em troca, você vai permitir que eu tire algumas fotos durante os testes e treinos, hã?"
"É claro que não!"
Após mostrar uma expressão de desapontamento, o garoto voltou a comer. Ginny pegou um pedaço de torrada antes de sair do Salão.
A conversa com Colin deixou Ginny imersa em pensamentos, e se tinha algo que lhe ajudava a tomar decisões, era voar. Assim, ela voltou à sala comunal para pegar sua vassoura e foi voar, ao invés de fazer sua lição de casa.
Antes de sair voando, ela vasculhou e achou duas bolas. Colocou no bolso a menor. Assim que estava no ar, ela acelerou até as balizas e jogou a bola maior, que atravessou uma delas. Com um sorriso contente, ela acelerou e pegou a bola de novo.
Após alguns arremessos, ela voltou para o chão e tirou a bola menor. Era um pouco maior do que o pomo e não tinha asas, então, não podia voar. Ginny olhou para ela por um tempo. Isso a fazia ter vontade de voar? Sim. Ficava contente ao pegar a bola? Sim. Satisfazia-se ao pegar a pequena bola dourada? Sim. Isso a fazia mais feliz do que jogar como artilheira? Não. Ela sorriu de sua maneira singela de lidar com a situação.
A ruiva correu pelos corredores até a sala comunal, com sua vassoura em uma das mãos, e nem mesmo Filch ou Madame No-r-ra, naquele momento, conseguiriam detê-la.
Quando ela finalmente encontrou Katie, estava sem fôlego e precisou de alguns minutos para se recuperar.
"O que foi, Ginny?"
"Posso jogar como artilheira ao invés de apanhadora?"
"Mas você é uma excelente apanhadora!"
"Obrigada, Katie. Isso significa muito para mim, mas eu adoraria ser artilheira, mais do que ser apanhadora."
"Tem certeza?"
"Olhe por esse lado: o trio de artilheiro estaria completo e nós conhecemos uns aos outros. Seria mais fácil para Damy, eu e você trabalharmos juntos, ao invés de alguém que não conhecemos. Nós nos entendemos, não é?"
"Sim, é claro."
"E um apanhador não precisa se integrar ao time tanto quanto um artilheiro. Ah, por favor, Katie. Você já me viu jogando como artilheira antes. Não sou tão ruim assim."
"O.k., vou mudar o aviso na sala comunal."
"Muito obrigada, Katie. Eu não irei te decepcionar, prometo!"
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Ginny ficou com Katie, observando os alunos voarem. Eles eram terríveis. Muito ruins. Katie suspirou.
"Você tem certeza que não quer ser apanhadora, Ginny? Não teremos nenhuma chance com eles."
"Ainda não vimos nem um quarto deles, Katie. Alguém vai ter um pouquinho mais de talento."
"Gostaria de ser tão positiva quanto você."
"Vamos lá, não vai ser tão ruim... Ah, oi, Damy."
"Oi, Ginny. Oi, Katie. Desculpa o atraso."
"Tudo bem. Mas onde você estava?" Katie perguntou.
"Tive que convencer Harry a fazer o teste."
Ginny virou-se para olhar para o irmão de Damy, e o viu sentando em um banco. Ron o fuzilou com o olhar, mas ele nem pareceu notar.
"Ele é bom?" Ginny virou-se para ver a resposta de Damy à pergunta de Katie, mas o garoto apenas riu discretamente.
"Vocês vão ver."
Harry Potter era bom. Ele era fantástico. Ou como Katie colocara: ele era o rei do quadribol de quem elas tinham falado naquela manhã. Mas o orgulho de Damy, a felicidade de Katie e a carranca de Ron não conseguiam afastar o que Ginny sentiu ao observá-lo acelerar em direção ao pomo. Seu estômago revirou. O voo dele parecia profissional... e familiar. Mas não podia ser. Elenão podia ser seu herói.
Ele aterrissou com o pomo em uma mão e a vassoura de Damy na outra. Seu cabelo estava ainda mais bagunçado que normalmente, e tinha algo em seus olhos que chamou a atenção de Ginny.
Seus pensamentos foram interrompidos por Lavender Brown, que estava ao lado dele assim que os pés do garoto tocaram o chão.
Katie gemeu ao lado de Ginny.
"Essa garota de novo, não. Ela foi terrível quando estava perseguindo Ron."
Ginny teria rido se não estivesse tão concentrada nos dois à sua frente. Eles estavam muito distantes para serem ouvidos, mas a garota disse algo enquanto olhava para ele daquela forma estúpida.
Ron rosnou ao lado dela, mas, na verdade, se ele já havia sentido algo por Lavender, já tinha superado há muito tempo. Ele nem sequer olhava para ela.
Mas Harry reagiu da melhor forma que Ginny já vira um garoto reagir a Lavender. Ele disse algo enquanto a empurrava para o lado, como se não valesse nem a pena olhar para ela. Lavender pareceu chocada antes de se virar e ir embora.
Ao seu lado, Katie riu e sem seguida deu um passo à frente e apertou a mão de Harry.
"Parabéns por fazer parte da equipe, Harry."
Harry esboçou um pequeno sorriso e Damy parecia animado. Ginny não pôde deixar de sorrir também. Seu olhar encontrou o dele, e ele piscou para ela.
Ron resmungando ao seu lado fez com que ela voltasse à realidade.
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Ginny se dirigiu ao vestiário feminino da Grifinória e puxou a porta, mas ainda estava trancada. Olhando para vestiário masculino, sua teoria de que Katie estava atrasada se confirmou. Só faltava ela, mas a paciência de Ginny não foi testada por muito tempo, visto que a capitã apareceu um minuto depois. Ela abriu a porta para os garotos antes de destrancar a outra também.
"Merlin, os N.I.E.M.s. certamente vão me matar, e eu pensando que os N.O.M.s. eram terríveis," Katie disse, segurando suas vestes de quadribol.
"O que aconteceu?"
"Snape nos deu tanto dever de casa, temos que praticar inúmeros feitiços, escrever dissertações enormes e vencer um combate no Clube dos Duelos."
"Argh, isso parece terrível. Agora eu estou até feliz por ter feito... Ah, caramba! Minha lição de Defesa Contra as Artes das Trevas. Eu esqueci totalmente dela."
"O que você tem que fazer?"
"Boa pergunta! Próxima pergunta?"
"Você não faz ideia?"
"Não… Vou perguntar a Luna mais tarde... bem mais tarde."
Katie riu.
"Posso te entender perfeitamente. Snape é um panaca."
"Sim, ele é, mas devemos nos apressar, de qualquer forma. Não queremos que os meninos terminem antes de nós, certo?"
"Isso me lembra de Angie e Alice..."
"É… elas sempre queriam trocar de roupa mais rápido que Fred e George." Para Ginny parecia que isso acontecera ontem. Elas tentavam ser rápidas, mas sempre se perdiam em conversas.
"Mas fracassavam completamente." Elas riram juntas.
"Você notou como tudo parece tão calmo sem os gêmeos?"
"Claro, mas não era tão ruim assim. Eu tinha oito anos quando eles vieram para Hogwarts a primeira vez. Senti uma falta terrível deles. E agora, três anos em Hogwarts sem eles..." Ela balançou a cabeça com tristeza. Mesmo quando eles tentavam fazer graça com ela, eles eram seus irmãos e, mesmo assim, a maior parte do tempo eles pregavam peças em Ron. Ela poderia dar boas risadas com eles agora.
Katie quebrou o silêncio.
"Venha, vamos ver como estão os outros. Nós temos que começar o treino."
Ginny assentiu e as duas garotas deixaram o vestiário, dirigindo-se ao vestiário masculino.
"Damy, você e eu temos que conversar sozinhos sobre as jogadas. Quero dizer, sem Ron. Assim, veremos como um goleiro reage a elas. Vou mandar Richie e Jimmy testarem suas habilidades em Harry hoje, dessa forma, eles serão desafiados e podemos nos concentrar apenas em nossas jogadas."
"Boa ideia."
Katie abriu a porta do vestiário e congelou.
"Katie, o que houve?"
Ginny olhou ao redor e encontrou o porquê da reação da outra garota. Harry estava ali de pé, sem camisa, no meio do vestiário, segurando suas vestes de quadribol. Ele olhou para elas, quando entraram. Ginny não pôde evitar de olhar para ele. Ele era muito bem feito... Seus pensamentos foram interrompidos pelo sorriso atrevido dele, mas mais ainda pelo fato de ele ter colocado suas vestes. Os olhos de Katie e Ginny se encontraram, e elas coraram.
Depois que Katie compartilhou sua ideia com os outros, eles concordaram e deixaram o vestiário. Ginny observou Harry sair do chão numa velocidade surpreendente. Richie e Jimmy o seguiram, e Ron fez seu caminho em direção às balizas.
Ginny se virou e foi em direção a Damy e Katie, que conversavam baixinho.
"Acho que devemos fazer dessa forma..." Katie descreveu uma jogada difícil para eles e após uma ou duas contribuições vindas de Damy e Ginny, eles liberaram a bola e começaram o treino.
Ginny e Damy tinham jogado juntos com frequência, então não foi difícil para eles entender onde um queria que o outro estivesse durante as jogadas. No entanto, iria levar um tempinho para que conseguissem jogar com Katie da mesma forma, mas para o primeiro treino eles tinham feito um bom trabalho. Tinham até mesmo conseguido fazer alguns arremessos pelos aros, que estavam sendo protegidos pelo "Rei Weasley."
Um balaço passou zunindo por Katie, que se virou imediatamente para encarar os dois batedores.
"Eu disse para vocês mantê-los longe de nós! SÓ HÁ UM DELES, PORTANTO NÃO DEVERIA SER TÃO DIFÍCIL FICAR DE OLHO NELE!"
Jimmy se desculpou, enquanto Richie mandou o balaço em outra direção, longe dos artilheiros.
Eles continuaram o treino até Katie se dar por satisfeita. Ela soou o apito e aterrissou. Damy e Ginny a seguiram. A ruiva ainda não estava nem perto do chão, quando um balaço veio voando em sua direção. Antes mesmo que ela pudesse reagir, ou ao menos vê-lo, o balaço atingiu sua vassoura e ela foi jogada para fora dela. Uma sensação de Déjà vu tomou conta de Ginny enquanto ela gritava. Não era apenas um dos seus sonhos idiotas. Era real. O vento zuniu em seus ouvidos e ela fechou os olhos enquanto as arquibancadas se aproximavam. Iria morrer.
Subitamente, mãos fortes seguraram sua cintura e ela foi puxada contra um peitoral firme. Enterrou sua cabeça no tórax de seu herói. Talvez fosse apenas um de seus sonhos e depois de tudo ela iria correr para a biblioteca à procura dele novamente. Ela abriu os olhos lentamente, na tentativa de que aquele sonho durasse um pouco mais. Seus olhos encontraram um par de olhos verdes brilhantes.
Seu coração parou. Harry estava olhando para ela exatamente da mesma maneira que fizera há cinco meses. Novamente, Ginny sentiu lágrimas brotarem em seus olhos. Não havia mais dúvida. Ela não estava sonhando e Harry era seu herói misterioso. Fora ele quem arriscara a própria vida, duas vezes agora, para salvá-la. Ela desviou seus olhos dele quando ambos pousaram no chão, onde ele a colocou com cuidado.
Ginny sentou, tremendo, enquanto Damy e Katie corriam em sua direção. Ron também aterrissou e a pegou no colo. Enquanto sua cabeça estava sendo pressionada contra o peito de Ron, ela ouviu James Potter, que viera vigiar Harry, gritando com Richie e Jimmy, que pediam desculpas continuamente.
Ela tentou se acalmar, e se soltou dos braços confortantes de Ron para procurar por Harry. Os outros perceberam por quem ela estava procurando, e viram que ele não estava mais lá.
"Onde está Harry?" perguntou o Sr. Potter.
"Eu não sei. Ele desapareceu." Damien olhou em direção aos vestiários, esperando avistar o irmão.
"Eu vou procurá-lo," disse Katie, enquanto corria em direção aos vestiários. Os dois batedores a seguiram.
"Foi… foi ele," gaguejou Ginny com uma voz quase sussurrante.
"Quem?" Ron perguntou, esfregando as mãos nos ombros de Ginny. Ela tremia dos pés à cabeça.
"Ele… Ron, foi Harry. Ele me salvou!" Ginny não conseguia fazer seus dentes pararem de tremer.
"Eu sei Ginny, nós vimos. Ele saiu como um raio atrás de você. Eu nunca vi ninguém voar tão rápido daquele jeito," disse Ron impressionado.
"Não Ron... eu... eu não estou falando sobre hoje. Foi Harry! O garoto que me salvou no telhado, em Hogsmeade, foi ele, Ron. Era Harry!" Ginny estava histérica.
Ron e Damien se entreolharam em choque. Não era possível.
"Gin, você provavelmente teve um Déjà vu. Quero dizer, você já esteve no mesmo tipo de situação, portanto é natural pensar que seja a mesma pessoa, está tudo bem, Ginny." Damien tentou confortá-la.
Ginny levantou de repente, a fúria expressa em sua face.
"Eu estou dizendo! Era ele! Eu disse a vocês que iria reconhecê-lo. Eu achei que era ele desde quando o conheci, mas depois de saber quem ele era realmente, pensei que não era possível. Mas agora, o jeito que ele me olhou, e o modo como me segurou. Eu não tenho mais dúvidas! Era ele! Harry foi o cara que me salvou."
O Sr. Potter disse algo sobre eles irem para o castelo e para seus aposentos, mas Ginny mal escutou o que ele ou qualquer um disse. Sua mente estava repetindo inúmeras vezes a cena de Hogsmeade e a que acabara de acontecer.
Apenas quando chegaram aos aposentos do auror, Ginny contou-lhes sua versão dos eventos.
"Você tem certeza de que o garoto estava usando uma máscara prateada?" James perguntou a ela.
Ginny assentiu.
"Sendo assim, provavelmente era Harry. Ele sempre usava uma máscara prateada quando saía." James contou aos adolescentes.
"Por quê?" perguntou Damien.
"Bem, eu acho que era porque Você-Sabe-Quem não queria que ninguém reconhecesse Harry, especialmente como meu filho."
"Isso é péssimo, Harry tinha que usar uma máscara toda vez que saía. Isso é cruel," disse Ron.
"Eu sei, mas isso está no passado agora. É bem interessante Harry ter salvado sua vida Ginny e pensando sobre isso, faz sentido," respondeu James.
"Como isso faz algum sentido?" perguntou Damien, olhando confuso para seu pai.
"Bem, Harry salvou os filhos de Madame Pomfrey dos Comensais da Morte, portanto eu acho que não é difícil acreditar que ele tenha salvado Ginny também."
Damien e Ron começaram, de uma só vez, a disparar perguntas sobre o que tinha acontecido e sobre como Harry tinha salvado os filhos de Madame Pomfrey. James sorriu por conta das expressões deles e respondeu que os detalhes não eram importantes, mas Ginny nem mesmo ouviu que ele dissera. Ela sabia que havia uma razão para que ele a chamasse de Poppy. Mas o fato de ele ter salvado os filhos da enfermeira, assim como a salvara, era o que mais importava. Ele não era tão mau. Não podia ser. Um pequeno sorriso, cheio de esperança, se abriu em sua face.
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Ginny encontrou Hermione na sala comunal em volta de seus dez livros usuais, todos eles abertos e espalhados ao redor da garota. Ela correu até Hermione para contá-la sobre o que acontecera entre ela e Harry no treino de quadribol. Dizer que Hermione ficou chocada era um eufemismo. Seu cabelo usualmente armado parecia se arrepiar mais ainda ao escutar a história. A princípio ela não acreditou, mas depois de escutar Damien e Ron repetirem a mesma história acerca dos filhos da enfermeira da escola, Hermione finalmente aceitou os fatos. Ela não pareceu muito feliz em saber que o "herói" era Harry. Ninguém podia culpá-la.
Os três adolescentes desceram para o jantar. Assim que entraram no salão, eles avistaram o garoto de cabelos rebeldes. Ginny se dirigiu a ele, tentando fazer com que seu coração parasse de bater tão rápido. Os outros sentaram na outra ponta da mesa, mas Ginny sentiu que eles a observavam. Ela sentou em frente a Harry, mas o garoto não tirou os olhos de seu prato. A ruiva respirou fundo, e o encarou.
"Harry?" Ele deixou a colher cair no prato e olhou para ela. "Por que você não disse nada?" Ginny quase sussurrou, incapaz de esconder em sua voz o que estava sentindo.
"Por que eu deveria ter feito isso?"
"Eu procurei tanto por você. Eu... eu queria te agradecer, sabe, por salvar minha vida."
Harry olhou inexpressivo para ela.
"Você não precisa me agradecer. Está tudo bem."
Ginny olhou fixamente para ele.
"É claro que eu preciso. Eu nem sei como te agradecer pelo que fez."
"Olhe, está tudo bem. Pode voltar para seus amigos." Ele apontou para Ron, Hermione e Damy. Ginny sorriu mais uma vez para ele antes de se levantar e sentar-se ao lado de Hermione.
Quando Ginny sentou-se no banco, Ron se levantou. Ele acenou para ela com a cabeça, antes de fazer seu caminho em direção a Harry. Ginny tomou um pouco de sopa enquanto os observava. A conversa deles não demorou muito, e Ron logo estava de volta.
"Eu pedi desculpas a ele."
Damien esboçou um sorriso verdadeiro.
"Que ótimo, Ron! O que ele disse? Podemos sentar com ele agora e nas outras refeições?"
"Não fique tão animado, Damy," disse Ron com uma expressão azeda.
A expressão na face de Damien mudou assim que aquelas palavras saíram da boca de Ron.
"O que houve?"
"Ele disse que não aceitava as desculpas e que não dava a mínima para mim ou para qualquer um. Ele disse algo desse tipo para você, Ginny?"
A ruiva respondeu rapidamente.
"Sim, sim, ele disse algo assim."
"Ele não te insultou, não é?" Ron parecia zangado.
"Não. Ele apenas disse que não se importava. Mas eu não esperava nada diferente dele." Ela esboçou um falso sorriso e Ron sentiu-se aliviado.
Damy continuou comendo sem dizer mais nada. Era evidente que o garoto estava decepcionado. Apenas Hermione a olhava com certa desconfiança, mas Ginny não falou mais nada, afinal, não iria ajudar em nada.
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A maioria dos seus colegas de classe acharia que ela estava completamente louca por ter acordado tão cedo e já estar lendo. Hermione provavelmente ficaria orgulhosa, até que Ginny lhe dissesse que estava fazendo seu dever de Defesa Contra as Artes das Trevas que havia esquecido. Mas, na verdade... Hermione nunca iria saber, Snape também não, e muito menos seus colegas. Afinal, ela não diria nada disso a qualquer um eles.
Madame Pince também não contaria a ninguém. Ela a olhou com certa desconfiança no início, mas provavelmente tinha coisa melhor a fazer, visto que logo em seguida desapareceu na Sessão Restrita.
Ginny tinha encontrado alguns livros onde podia achar informações sobre os dementadores e o Feitiço do Patrono, mas eram muitos. Snape iria descobrir e então iria matá-la, lenta e dolorosamente. Talvez ela devesse ter perguntado a Hermione. A pilha de livros parecia ficar cada vez maior toda vez que ela olhava para eles.
Ela suspirou novamente, mas isso não a ajudaria, então, pegou o primeiro livro e olhou a longa lista de temas que estavam no sumário. Dementadores... dementadores... dementadores... ah... aqui... ela procurou a página, e encontrou apenas uma pequena frase.
Dementadores vigiam a prisão bruxa de Azkaban.
Ela deixou o queixo cair. Snape certamente iria matá-la. A porta da biblioteca abriu e alguém entrou. Quando Ginny levantou o olhar, a pessoa já tinha desaparecido por trás de uma estante. Ela encolheu os ombros. Tinha que escrever sua dissertação. O.k.… próximo livro, próximo sumário, próxima chance. Eles nem ao menos eram mencionados naqueles livros.
Talvez fosse melhor procurar pelo Feitiço do Patrono primeiro. Quando ela escutou passos se aproximando, levantou os olhos e por pouco não se amaldiçoou por sua falta de sorte. Harry sentou-se a algumas mesas à sua frente. Como ela seria capaz de se concentrar agora? Já não estava sendo fácil antes, agora seria terrível.
Ela se enterrou no próximo livro. Feitiço do Patrono... ah! Finalmente, alguma coisa. A ruiva fez algumas anotações num pedaço de pergaminho
Ginny olhou para Harry, mas o garoto estava lendo e não olhou em sua direção. A lista de assuntos era muito maior nesse livro, mas não tinha nada. Ela era tão ruim assim em encontrar os livros certos?
Outro suspirou escapou de seus lábios.
"Snape idiota...!" resmungou ela.
Por que ela tinha que ter esquecido do dever de casa que ele passara? Se fosse Feitiços ela pediria desculpas ao Professor Flitwick, mas, de qualquer forma, ela nunca iria esquecer-se de seu dever de Feitiços.
O livro seguinte lhe forneceu um pouco de informação, mas nada importante e nada que lhe possibilitasse escrever sua dissertação. Ela deu um gemido. Se Snape não ensinasse a matéria, ela seria até razoável nela... mas, não... aquele idiota tinha que...
"Tudo bem, qual é o seu problema?"
"Hã?" Ginny olhou para cima e encontrou Harry a encarando.
"Seus murmúrios estão irritando como o inferno. O que você tem que fazer?"
"Defesa..."
"Dever de casa?" Ela assentiu. "Sobre o quê?"
"Dementadores e o Feitiço do Patrono."
Sem dar explicações, ele se levantou e começou a andar ao redor dela. Ela estava prestes a virar-se para olhar onde o garoto estava indo, quando sentiu a respiração dele em seu pescoço. Tentando esconder o rubor em seu rosto, ela olhou para o pergaminho. Os dedos de Harry correram pelas palavras que ela escrevera.
"Não é o bastante."
"Eu sei! É por isso que estou tão irritada."
Ele riu ao olhar para os livros.
"Eles não vão te ajudar."
"E você vai?" A pergunta que deveria soar irônica, saiu com um tom de desespero.
"Pode dizer que hoje é seu dia de sorte."
A ruiva olhou para ele com os olhos arregalados enquanto ele sentava ao lado dela.
"Essa vai ser a única vez que eu vou te ajudar, tudo bem?"
"Entendido. Eu não vou contar a ninguém."
Ele levantou uma sobrancelha.
"Tudo bem... dementadores..."
E então ele deu a melhor explicação de Defesa que ela já ouvira. E isso significava muito, visto que ela já tinha ouvido muitas explicações de Snape, Hermione e de seu irmão mais velho, Bill. Ela gostara mais da explicação de Bill, em segundo lugar, da de Hermione. A de Snape estava lá atrás. Aquele homem não sabia ensinar.
Mas a de Harry tinha sido... uau... aquele garoto sabia das coisas e sabia explicá-las também. Ela escrevera a melhor dissertação de DCAT de sua vida. Tinha feito algumas anotações enquanto ele lhe fornecera uma visão geral sobre o assunto.
Depois, ela sentou e escreveu os detalhes com a ajuda dele. Ele respondeu a todas as perguntas dela e quando ela terminou, ele leu tudo de novo e destacou alguns trechos que ela teria de escrever novamente. Quando eles terminaram, o trabalho estava absolutamente perfeito. Mais tarde, Hermione lhe disse que não teria conseguido fazer algo melhor. Ginny ficou bastante satisfeita. Talvez mais pelo fato de Harry ter sido legal e de ter passado a manhã inteira com ele, desfrutando de sua presença.
