Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e aqueles que publicaram os livros dela. Damien e toda a história por trás de Harry pertencem a Kurinoone. Estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone. Não as destaquei, mas se quiserem que eu o faça, eu farei.
Chapter Five – The Patronus Charm
(O Feitiço do Patrono)
Era para ser um dia como outro qualquer. A sineta tocou e todos os alunos guardaram suas coisas. Ginny foi a primeira a sair da sala e correr da multidão de estudantes reunidos nos corredores que conduziam às salas comunais e ao Salão Principal. A maioria deles queria apenas levar seus livros para os dormitórios para irem fazer outras coisas, como jogar xadrez ou Snap Explosivo. Alguns estavam a caminho da biblioteca ou do Salão Principal para fazerem a lição de casa e outros se encontraram com pessoas de outras casas para dar uma volta ao redor do lago.
Ginny não estava fazendo nenhum daquelas coisas. Ela fez seu caminho pelos corredores vazios, observando se alguém a estava seguindo. A ruiva fez até uma pausa para escutar atentamente, mas só conseguia ouvir sua própria respiração. Após checar uma última vez, ela pegou o pequeno pedaço de papel que Harry tinha-lhe entregado no café da manhã.
Havia dois números escritos nele: 5 e 27. Após aquela noite na Torre de Astronomia, eles tinham se encontrado involuntariamente algumas vezes, até que decidiram se encontrar regularmente. Por essa razão, Harry lhe explicara o "sistema de números." Sempre que um deles quisesse marcar um encontro, ou eles deixavam escapar os dois números no meio de uma conversa ou os escreviam num pedaço de pergaminho e o outro viria logo que pudesse. O primeiro número era o andar, e o segundo a sala. As salas eram contadas a partir de uma escada, que eles concordaram em usar como ponto de referência.
Quando Ginny finalmente chegou em frente à porta, checou mais uma vez se tinha alguém por perto, mas não havia ninguém, então abriu a porta e entrou. Harry já estava lá, sentado sobre a mesa do professor e sorrindo assim que a viu.
"Ei, o que há?" ela o cumprimentou.
"Direto ao ponto, ã? Está apressada?"
"Não. As aulas não foram as melhores, só isso."
"Snape, de novo?"
"Sempre!" Ginny diminuiu a distância entre eles ao colocar sua bolsa numa cadeira ao lado da mesa. Em seguida, ela sentou-se numa mesa vizinha a de Harry. O silêncio pairou entre eles, e Ginny observou as suas pernas e as dele balançarem.
"Então, nada de especial para me dizer?"
"Não... Eu só queria te ver."
Mesmo após vários comentários de Harry nesse sentido nas últimas semanas, Ginny sentiu um leve rubor subir por suas bochechas.
"Então, presumo que você estava esperando para fazer minha lição de Defesa, não é?"
"Não, mas, para começar, poderia me contar sobre o que é... Posso recomendar um livro para você. Afinal de contas, já percebi que você é péssima em encontrar bons livros."
"EI! Isso não é justo. Você só me viu uma vez com livros para escrever meu dever de casa... E o assunto era péssimo."
"Ah? Sério?" zombou ele.
"De qualquer forma, é por isso que estou pedindo sua ajuda. Temos que praticar o Feitiço do Patrono."
"E você acha que posso ajudá-la?"
O temor ficou evidente na face dela.
"Não pode?"
"Eu posso, mas o mais importante é saber se eu quero."
"É claro que você quer me ajudar!"
"É? Por quê?"
"Estamos falando de mim." Harry sorriu de lado. "Ah, vamos! Por favor!"
"Tudo bem… Acho que você tem uma boa razão. Você já começou a aprendê-lo?"
"Sim. Snape não é tão cruel a ponto de nos deixar aprender sozinhos, sem nenhuma ajuda."
"Está bem. Me mostre o que você sabe fazer."
Ginny assentiu, se levantou e tirou sua varinha da bolsa. Um pouco insegura, a ruiva caminhou lentamente até a área entre a mesa do professor e a parede para ter espaço suficiente, enquanto Harry se virou na mesa para poder observar os movimentos da garota.
"Err…" Ginny fechou os olhos, tentando ignorar o fato de Harry ainda estar na sala, prestando atenção nela, e se concentrou nas coisas que ela tinha escrito em sua dissertação semanas atrás e nas instruções dadas por Snape há algumas horas.
Uma lembrança feliz… não podia ser tão difícil, podia? Talvez a primeira vez que ela montou numa vassoura... Voar a fazia feliz. Ela tentou se lembrar de tudo. Tinha sido à noite. Charlie tinha lhe ensinado como abrir portas trancadas, e ela caminhou pela casa silenciosa, tentando a todo o tempo fazer o mínimo de barulho possível. Ginny quase conseguia sentir a excitação daquele momento. Tinha sido um verão quente, com muitas estrelas brilhando, como que indicando a ela o caminho. Ela pegara a vassoura de Charlie, mas não voou muito aquela noite. Ousara voar a apenas alguns metros de altura, e tinha subido e descido o tempo todo, em vez de voar de verdade. Não tinha tido coragem suficiente para subir ao céu, mas aquilo não importava muito. O sentimento tinha sido ótimo.
Com um pequeno sorriso, Ginny abriu os olhos e fez o movimento com a varinha.
"Expecto Patronum." Nada aconteceu. "Droga!"
Sentiu-se um pouco envergonhada, mas mais que isso, decepcionada.
"O que fiz de errado?"
"Hum… Não é tão fácil dizer que erro você cometeu, mas acho que você deveria mudar um pouco o movimento de sua varinha. No final, deve apontá-la para o chão."
Ginny assentiu e tentou novamente. Quando não deu certo, ela suspirou contrariada.
"É difícil de dominar, não se preocupe. Poucas pessoas conseguem."
"Snape vai me matar se eu não conseguir até semana que vem."
Harry sorriu de lado.
"Em primeiro lugar, ele não tem permissão para te matar. Em segundo lugar, é pouco provável que você consiga até a semana que vem. Em terceiro lugar, ele não espera que nenhum de vocês consiga, de qualquer forma."
"Uau! Agora eu estou realmente motivada a continuar tentando," disse ela sarcasticamente.
"Acredito que sua lembrança não seja forte o bastante, pois a pronúncia e o movimento da varinha estão corretos."
"Mas eu estou pensando numa lembrança feliz!"
"Talvez seja, mas não é forte o bastante."
"Agora eu terei que pensar numa melhor?"
"Sim, isso seria perfeito."
"Será que eu não estou sentindo a lembrança da forma correta?"
"Pode ser, mas é mais provável que você não esteja pensando na lembrança correta."
"Mas se não for essa lembrança, eu não sei em que pensar."
Harry suspirou.
"No que você está pensando?"
"Ah..."
"Não precisa me dizer. Mas se concentre nas sensações que você sentiu naquele momento. O que você sentiu?"
Ela olhou confusa para ele.
"Felicidade, é claro, do contrário eu não iria usá-la, certo?"
Harry revirou os olhos e suspirou novamente.
"Isso vai ser mais difícil do que imaginei."
"Eu não tenho ideia do que você quer que eu faça..."
"Percebi," disse o garoto secamente.
"Talvez seja melhor esquecer. Eu não consigo fazer isso. Caso encerrado. Podemos fazer outra coisa agora?"
Frustrada, ela sentou novamente.
"Você não pode desistir tão facilmente!"
"Mas eu não sei o que você quer e não sei o que estou fazendo de errado, isso é burrice!"
"Tudo bem. Vamos tentar de uma forma diferente." Harry se levantou e fechou o espaço entre eles.
"Err… o que está fazendo?"
Ele parou bem em frente a ela.
"Feche os olhos."
"Por quê?"
"Apenas feche."
Ginny hesitou de início, observando-o de perto. Mas finalmente ela fechou os olhos.
"Se você me beijar agora..." ameaçou ela.
"Sonha, Weasley."
Ginny esperou, mas Harry não disse e nem fez nada.
"Err... O que vai acontecer agora?"
Os dedos do garoto nos lábios dela fizeram-na congelar. O rosto dela esquentou, e a ruiva torceu para que ele não percebesse que ela estava corando novamente. Por que ele tinha que ficar tão perto, de qualquer forma? E por que ele tinha que tocar nela? Uma simples palavra tinha sido suficiente.
"Concentre-se nas minhas palavras." Ele fez uma pausa e depois continuou. "Agora mesmo você está de pé com seus olhos fechados. De repente, você sorri e os abre." Ela franziu a testa. Onde ele queria chegar? "Quero que pense no momento que veio em sua mente agora." Ele tirou os dedos da boca dela. Ela quase deixou escapar um som de desapontamento, mas se policiou. Teria sido constrangedor, mais do que simplesmente corar. "Tem alguma?"
"Não."
"Não fale."
Por um segundo, ela achou que ele iria tocá-la novamente. Era difícil se concentrar nas palavras dele... tudo bem... inspire e expire, ela disse a si mesma. Apenas se acalme. O que ela devia fazer? No momento que abriu os olhos, estava no ar novamente, sua vassoura entre as pernas, ela era apenas uma garotinha e sentiu o ar quente do verão.
"O que você fez antes desse momento?"
Ela abriu a boca para responder, mas ele colocou os dedos em sua boca novamente. Ela sorriu contra eles, sem saber que Harry fizera o mesmo.
Antes…. Ela tinha pousado e antes disso tinha subido e pousado novamente… A todo tempo tentando aperfeiçoar o movimento… E antes disso ela tinha caminhado com a vassoura em suas mãos e antes disso ela tinha aberto o armário de vassouras. Antes disso tinha caminhado pela casa escura e silenciosa. Ela levantou a sobrancelha. O que ela tinha feito antes daquilo? Certamente estivera em seu quarto dormindo. Dormindo? E por que estava acordada? Normalmente não acordava no meio da noite com desejo de voar. Ginny abriu os olhos de repente.
"Eu tive um pesadelo!"
"Como?"
"Eu fui voar porque estava acordada, e eu estava acordada porque tinha tido um pesadelo!"
"Sua lembrança feliz é voar?" perguntou ele.
Ginny assentiu.
"Então, não está funcionando porque eu tive um pesadelo antes dessa lembrança, que influi no meu voo?"
"Não necessariamente. Pode ser que a lembrança desse seu voo não seja boa o suficiente para o seu patrono, ou que voar em geral não seja forte o bastante. Por exemplo, talvez você sem querer tenha conectado voar a cair, e você teve algumas experiências ruins com isso, o que pode não só fazer com que a lembrança seja fraca, como também bastante perigosa diante de dementadores."
"Por que seria perigosa?"
"Porque você não consegue produzir um Patrono, o que vai fazer com que os dementadores devorem essa lembrança primeiro e você vai ficar com a sensação de estar caindo e das situações nas quais você realmente caiu. Mas quando eles devoram outras lembranças felizes primeiro, demorará mais para você ficar ciente dos seus medos e sentimentos ruins, assim, terá mais tempo para ser salva ou se salvar."
"Tudo bem… Pode ser verdade e parecer ter lógica."
"Mas, se quiser continuar tentando com lembranças de voar novamente, tudo bem. Apenas pense em outra vez na qual você estava numa vassoura."
Ginny assentiu e se levantou novamente. Determinada a fazer tudo certo dessa vez, se concentrou numa das partidas de quadribol que tinha jogado e que tinham vencido. Ela estava com a Goles e voou, passando por um artilheiro da Lufa-Lufa. Focando no aro da direita, mas mirando no da esquerda para confundir o goleiro, ela lançou a bola vermelha, que passou bem no meio da baliza. Aplausos ruidosos dos grifinórios e de alguns corvinais fizeram com que ela sorrisse de felicidade. Ginny abriu os olhos e falou as palavras para produzir o Patrono. Nada aconteceu. Antes que o suspirou escapasse de seus lábios, Harry a interrompeu.
"Você deveria tentar algo diferente. Pensou em voos de novo, não foi?"
"Sim, pensei. Não entendo porque não está funcionado. Eu gosto de voar!"
"Talvez você goste, talvez isso te traga bons sentimentos, mas acho que não são fortes o bastante. Tente pensar em algo diferente."
Ginny assentiu e pensou sobre aquilo. Talvez devesse pensar em sua família."
"O.k., achou que tenho alguma coisa."
Harry assentiu e gesticulou para que ela começasse. Ginny fechou os olhos outra vez e tentou achar a lembrança correta.
Com o voo tinha sido fácil, mas essa parecia bastante difícil. A lembrança certa simplesmente não aparecia. Talvez alguma brincadeira feita pelos gêmeos? Sim, ela gargalhava com eles, mas isso era felicidade? Ela conectava aquilo com os berros e gritos de sua mãe. Era engraçado ver Fred e George tanto se livrar daquilo... ou não, mas era isso.
Um jantar em família? Eles faziam aquilo sempre que tinham chance, mas sempre havia aquele sentimento de que podia ser a última vez que todos estavam presentes, que algum deles podia desaparecer, que algum deles podia ser assassinado... Ginny estremeceu. Não, não era a lembrança correta.
Talvez uma memória de quando ela era mais jovem, quando seu pai chegava mais cedo do trabalho e passava algum tempo com ela e seus irmãos servisse. O quão feliz sua mãe se sentia enquanto os observava e cozinhava, enquanto os gêmeos faziam alguma brincadeira com Ron, que envolvia uma aranha. Charlie e Bill ainda jovens, morando em casa e discutindo quadribol. Percy escutando atentamente o pai falar sobre algumas coisas que tinha feito no trabalho, que sempre interessavam a ele, ou fora o que Charlie lhe dissera. Ela estava sentada no colo de seu pai, descansando a cabeça em seu ombro e olhando Bill e Charlie começarem uma discussão.
Quase como Ron e Hermione, mas sem a tensão sexual, naturalmente. Uma versão mais velha de Ron tomou o lugar de Charlie, Hermione tomou o lugar de Bill e eles começaram a discutir sobre quadribol, sobre a obsessão dele pelo esporte e a obsessão dela pelos estudos. Fred e George, também mais velhos, mostravam a Damy algumas de suas invenções. Damy parecia excitado. O Sr. Potter e o Sr. Black também estavam lá, observando os gêmeos e Damien com sorrisos afetuosos, antes de conversarem entre si, talvez se lembrando de alguma brincadeira que tinham feito quando mais jovens. Sua mãe e a Sra. Potter estavam cozinhando juntas, rindo sobre algo, e seu pai lia o jornal à mesa da cozinha. Braços fortes em volta dela, puxando-a para mais perto de seu peito. Uma das mãos dele colocou o cabelo dela atrás da orelha, enquanto ela virou a cabeça capturando seus lábios e olhando em seus olhos esmeralda... Os olhos de Ginny se abriram.
Quando os olhos da ruiva encontraram os dele de verdade, ela corou furiosamente. Tentando disfarçar, a garota colocou sua varinha de volta na bolsa e se concentrou em outra coisa.
"Eu... Eu vou tentar depois. Tenho que pensar numa boa lembrança antes."
Melhor lembrança do que beijar ele? Isso seria complicado.
Ele a observou, mas nada disse. Era notório que estava envergonhada com alguma coisa em que havia pensado.
"A escolha é sua."
O silêncio se estendeu entre eles, e por algum tempo eles apenas observaram um ao outro.
"Tem que... tem que ser uma lembrança real?"
"Como assim?"
"O momento no qual em pensei... Tem que ser real? Quer dizer... eu não poderia apenas construir uma lembrança feliz e usá-la?"
"Não tenho certeza sobre isso. Acho que depende do que você está pensando. Se você sabe o que sentiria nessa situação, acho que pode fazê-lo, mas se você apenas imagina como se sentiria, pode ficar difícil ou não funcionar de jeito nenhum."
Ginny concordou com a cabeça lentamente.
"E precisa ser uma lembrança? Preciso ver toda a cena ou posso me concentrar apenas nas sensações?"
"No início, será mais fácil se concentrar no momento por completo, mas quando se tem mais experiência com o Feitiço do Patrono, e você sabe quais sentimentos tem que usar para conjurá-lo, as sensações são o bastante. Dessa forma, é possível misturar diferentes situações que te fazem sentir desse jeito, fazendo seu Patrono ficar mais forte. Mas eu não tentaria isso agora. Primeiramente, você tem que encontrar o sentimento correto, uma lembrança onde você tinha se sentindo dessa forma."
Ela suspirou novamente.
"Deve ser por essa razão que tantas pessoas não conseguem fazer da forma correta. É difícil achar a lembrança correta, hein?"
Harry riu.
"E você nem tentou contra um dementador ainda..."
"É ainda mais difícil numa situação de verdade?"
"Tudo é, não?"
Ginny pensou por um momento na resposta dele. Talvez ele estivesse certo. Ela tinha ficado assustada naquele dia em Hogsmeade, com todos aqueles Comensais da Morte, mesmo tendo treinado aqueles feitiços nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, numa situação de verdade, tinha sido muito diferente. Sua varinha estivera tremendo, ela não soubera que feitiço usar... Eles tinham corrido.
Enfrentar dementadores não seria mais fácil. Era provável que fosse até mais difícil.
"Você tem razão."
"É claro."
Ginny o encarou, mas ele apenas sorriu de lado.
"Então... Devo tentar uma lembrança diferente, não é?"
"Sim."
"Alguma ideia?"
Ele olhou para ela.
"Eu não sei, Ginny. Você tem que achar a lembrança certa sozinha. Eu não posso te dizer como se sente em determinada situação, e quais lembranças te fazem sentir mais feliz, posso?" Ginny suspirou, e ao ver o desapontamento dela, ele continuou. "Muitas pessoas pensam na família, nos amigos, no marido, na esposa, nos filhos, se isso te ajuda em alguma coisa."
"Caso você não saiba, a questão é que eu não tenho filhos para poder pensar neles... ou um marido... ou uma esposa."
"Ah, mesmo? Eu nunca teria imaginado," disse Harry, sua voz gotejando sarcasmo.
"Quero dizer, eu tenho uma família e é divertido ficar com eles e tudo mais, mas às vezes é tão caótico e eles fazem coisas idiotas e eu quero apenas matar todos eles."
"E…?"
"Não seria como a situação do voo?" Quando ele olhou para ela, a garota explicou. "Quero dizer, quando penso neles, eu não estaria pensando nas coisas ruins também e por isso não funciona?"
"Merlin, não! Eu não quis dizer dessa forma. Você não pode pensar dessa forma. Sempre há algo ruim ligado a uma pessoa. É claro que você briga com seus irmãos, é lógico que às vezes você acha que eles são uns idiotas, ou briga com sua mãe, ou diverge da opinião do seu pai, mas no geral eles te fazem feliz e você tem que se concentrar nos momentos de felicidade, não nos de discórdia. Da forma que você está pensando, nunca vai encontrar uma lembrança. E, em segundo lugar, eu nunca disse que a lembrança do voo não funcionava, eu disse que talvez não funcionasse. Você ainda pode tentar com ela."
Ginny olhou para baixo, sentindo-se tola por pensar que não poderia utilizar sua família por conta de algumas brigas. Uma lembrança da infância, então. Algo que a fez sorrir, algo que a fez sentir-se feliz.
Definitivamente, não as vezes que ela tinha assistido aos seus irmãos voarem. Aquilo tinha feito ela se sentir triste e com raiva. Ou quanto ela tinha implorado a eles para que a deixassem experimentar. Eles sempre diziam que não, explicando que garotas tinham que brincar com bonecas e ajudar suas mães e que quadribol não era de maneira alguma algo para ela.
Foi sua mãe que lhe dissera que, na verdade, eles estavam com medo que ela se machucasse. Ela quase bufou com aquela memória. Se eles não quisessem que ela se machucasse, não deveriam tê-la excluído das "coisas-de-menino," que sempre pareciam mais divertidas. Eles nunca tinham tido problemas em brigar com ela ou em pregar-lhe peças. Eles nadavam com ela e tinham segurado a cabeça dela embaixo d'água. Eles tinham feito com que ela fosse mais forte do que aparentava.
Mas talvez sua mãe tivesse razão. Eles nunca a tinham machucado de verdade. Tinham batido nela algumas vezes, mas quando ela foi crescendo, foi vendo que eles batiam um no outro com mais força.
Sempre fora mais próxima de Ron, mas isso tinha mudado quando ele veio para Hogwarts, e agora ele parecia um idiota superprotetor sempre que algo que ele não gostava acontecia. De algum modo, todos eram. Sua mãe, seu pai, e todos seus irmãos. Crescer em meio a uma guerra não era bacana. Sempre havia medo por trás de cada abraço e todo beijo transmitia a sensação de que podia ser o último. Ginny não tinha pensando nisso de verdade, mas estava lá, e ela tinha percebido. Tinha visto as lágrimas que sua mãe chorou quando seus filhos partiram para Hogwarts, escutara uma conversa entre seus pais quando brigaram. Brigaram por conta de Charlie e Bill terem ingressado na Ordem da Fênix, vira como sua mãe chorara, como seu pai a convenceu, como eles concordaram que era o melhor, que cada varinha era necessária.
Ginny piscou lentamente, deixando o passado para trás. Talvez devesse tentar algo totalmente diferente. Ainda não tinha pensando em Damy ou Hermione. Ou talvez Luna. Sim, é claro que eram seus amigos, mas, era suficiente? Aquela era a felicidade necessária para fazer correto?
A ruiva olhou para Harry, que jogava distraidamente sua varinha no ar e a pegava novamente. Ela deveria...? Não. Isso era errado. Ela corou um pouco. Valia a pena tentar? Ela tinha pensando nele quando pensara em sua família... não ia doer tentar, ia? Ginny mordeu o lábio. O que era mais importante? Esquecer que ela pensou em usá-lo para produzir o Patrono ou produzir o Patrono? Colocando dessa forma...
Ginny se afastou dele, sentindo que o garoto ficara confuso, mas ela o ignorou. Talvez isso fosse idiota e nem ao menos funcionasse, mas ele a fazia corar e sorrir, e às vezes ela tinha essa sensação engraçada que só podia ser fruto de uma paixão... podia imaginar todas as consequências que isso traria mais tarde. Agora, iria apenas imaginá-lo e tentar mais uma vez. Não poderia ser tão difícil, certo? Porém, saber que ele estava vendo cada expressão que ela mostrava em seu rosto era demais, por isso a ruiva tinha se afastado.
Imaginou os olhos esmeraldas dele e como eles brilhavam quando ele ria, como seus cabelos caiam em seu rosto e como ele os afastava, bagunçando-os ainda mais. Ela se lembrou de como se sentira quando ele impedira sua queda e envolvera os braços em torno dela no ataque a Hogsmeade, e não importava o quanto estivera assustada antes, pois tinha se sentido segura nos braços dele. Como ficara meses procurando pelo rosto dele e o viu pela primeira vez no corredor.
"Expecto Patronum!" Ginny abriu os olhos quando Harry aplaudiu e viu a névoa desaparecer.
"Foi muito bom, Ginny. Acho que você encontrou o sentimento correto! Mas acho que deve encontrar a lembrança onde esse sentimento é mais forte e deve se concentrar um pouco mais."
Mas ela nem escutou o que ele disse. Ficou ali parada, de costas para ele, olhando para frente, onde, há alguns segundos, a névoa tinha desaparecido.
Um sorriso apareceu em seu rosto. Ela tinha conseguido! Mas, agora não tinha mais como ignorar seus sentimentos. Sim, ela sabia que sentia algo por ele, mas tinha tentado colocar aquele sentimento na categoria de "bonitão, mas nunca se dê nem ao trabalho de tentar fazê-lo te perceber." Mas agora ela tinha produzido um tipo de névoa, sua primeira chance real de produzir um Patrono – o Patrono! E só funcionava com sentimentos felizes, com lembranças felizes, e o que ela sentiu ao ver Harry deixou-a feliz... ou pelo menos era o que sua magia pensava.
"Err… Ginny? Ginny?" A voz do garoto a trouxe de volta.
"Hã? Desculpa. Eu não escutei. Eu estava um pouco distraída."
"Imaginei, mas você tem todo direito. Acho que você encontrou o sentimento correto."
E então, para o desespero dela, ele adicionou:
"Em que você pensou?"
"Err… ah… sabe…"
"Não precisa me contar."
Ela não sabia o que acontecera com ela, mas naquele momento era como se ele fosse Dean, com quem ela tinha escapulido algumas vezes antes deles confessarem seus sentimentos um ao outro, onde ela em nenhum momento se sentira envergonhada.
"Em você."
Assim que ela falou, sua coragem a abandonou.
"Quer dizer, eu... Err..."
Harry encarou a ruiva.
"Você pensou em… mim?"
Só tinha dois jeitos de sair daquela situação: negar ou falar a verdade.
"Hum..."
Harry olhou para os pés dela, provavelmente vendo a névoa que há muito se extinguira.
"E eu diria que funcionou."
"Sim." Nervosa, ela ajustou seu roupão. O que iria acontecer agora? O que ele diria?
"Venha aqui. "
Ele deu um tapinha no espaço próximo a ele que havia na mesa.
"O quê?"
Harry repetiu o gesto. Lentamente, Ginny caminhou até ele e se sentou.
Observando-a de lado, ele finalmente disse:
"Temos que conversar sobre isso."
Ginny assentiu, deixando seu cabelo cair sobre sua face, para esconder seu rosto. Dessa forma, seria mais fácil lidar com as palavras que ele provavelmente diria. Palavras que iriam machucá-la. Mas se ele quisesse feri-la, por que insistira para que ela se sentasse? Antes que ela pudesse ponderar mais sobre as ações do garoto, ele falou novamente.
"Nossa situação não é a melhor. Nós dois sabemos disso."
Ginny concordou com a cabeça, mas segurou a respiração. Agora as palavras viriam.
Harry estendeu a mão e afastou o cabelo dela para ver melhor o rosto da ruiva. Quando ela permaneceu sem olhá-lo, ele levantou o queixo da garota. Seus olhos se encontraram.
"Eu gosto de você," disse ele sem rodeios.
Ela não estava esperando ouvir aquilo.
"O qu…?"
"Podemos parecer absolutamente diferentes, mas eu gosto de você, Ginny."
Ginny fitou os olhos do garoto, tentando compreender o que ele acabara de dizer.
"Eu… Eu também gosto de você."
"Eu imaginei." Harry sorriu de leve, mas o sorriso desapareceu.
Por um momento eles apenas se olharam em silêncio, mas ambos estavam pensando em tantas coisas que era difícil compreender todas elas. Harry pareceu ter finalmente tomado uma decisão quando se inclinou para frente. Quando o rosto do garoto se aproximou e seus lábios se pressionaram contra os dela, parecia que o tempo havia parado. Durou apenas alguns segundos até ele recuar.
Eles tinham se beijado. Ele a beijara. Ah, Merlin! Por um segundo ela pensou no Príncipe das Trevas, nas coisas que ele podia ter feito e ela não sabia nada sobre aquilo.
"Você está bem?"
Sua voz estava cheia de preocupação, e Ginny se forçou a pensar no dia em que ele lhe salvara de quebrar o pescoço. Não importava o que ele tinha feito. Não agora. Ele gostava dela, ela gostava dele. Era tão fácil... Certo?
Ela assentiu e um pequeno sorriso surgiu em sua face. Ele sorriu e se inclinou novamente. O segundo beijo durou mais e foi um pouco mais intenso.
"Então… Hum… O que somos agora?" Ginny mal conseguiu encarar os olhos dele.
"Acho que seria… Insensato contar a todo mundo ou a alguém sobre o assunto, sobre nós."
Ginny estremeceu ao pensar sobre Ron descobrir... Ou Hermione, ou Damien... Ou os outros membros de sua família. "
"Eu concordo... Então temos uma espécie de caso secreto, hã?"
Harry riu.
"Pode chamar assim, se quiser."
"De certo modo, esse pensando é muito excitante."
"O quê? Um caso secreto?"
"Sim."
Após uma pequena pausa, Ginny começou a gargalhar.
"O que foi?"
"Ah, eu estava apenas pensando em todas as garotas que ficariam tão decepcionadas ao saber sobre nós."
Harry revirou os olhos.
"Elas estão me dando nos nervos "
"É, eu vi seu rosto uma vez."
"Fico feliz que alguém entenda minhas expressões faciais da forma correta."
"É… Eu ouvi por acaso algumas delas no banheiro não há muito tempo... Elas pensam que você é apenas muito tímido para falar com elas."
"Mas que diabos? Tímido? Sim, claro."
Ginny gargalhou novamente.
"A cara que você fez agora foi impagável."
"Não sou tímido!"
"Ah, Harry!"
Ele encarou a ruiva.
"Não sou!"
"Claro que não é."
Ela continuava ostentando uma expressão de descrença, mesmo que, no fundo, concordasse com ele. Harry se inclinou e a beijou de novo.
"Eu não sou tímido."
"Hummm… Talvez eu ainda não acredite em você."
Ele sorriu, fechando o espaço que os separava mais uma vez.
xxx
Quando Ginny deitou em sua cama mais tarde, ela não conseguiu parar de sorrir. Perceber o que sentia para ele, se acostumar com a ideia e descobrir que ele correspondia àqueles sentimentos em um só dia foi muito bom. Apenas 24 horas antes, ela tinha deitado em sua cama tentando não pensar nele. A porta do seu dormitório abriu. Ela se virou e fingiu estar dormindo.
Hermione não tinha parado de lhe perguntar o que a estava deixando tão feliz quando ela retornou para o jantar. Ginny dissera que foi seu progresso com o Patrono. Hermione não tinha acreditado. Ninguém conseguia fazer o Patrono sozinho numa sala de aula desativada, a amiga lhe dissera. Ginny a ignorara pelo resto da noite, não queria perder seu bom humor, e foi para a cama mais cedo, após dar uma breve olhada em Harry, que estava lendo um livro, enquanto Damy tentava chamar a atenção do garoto.
"Ginny? Você está acordada?"
Ela não respondeu. Houve uma pausa, e então Hermione caminhou de volta para a porta, que abriu e fechou. Ginny escutou atentamente, tentando ouvir se a garota tinha saído ou se ela estava apenas checando se Ginny estava realmente dormindo. Após alguns minutos, ela se convenceu de que a outra garota tinha saído e não a estava enganando.
Ginny suspirou. É lógico que queria contar a Hermione porque estava tão feliz, mas não podia. Deixaria de ser um segredo. Será que queria mesmo que Hermione soubesse? Elas tinham falando sobre Dean, sobre Michael, sobre Ron, e todos os outros garotos dos anos delas, mas Harry era diferente. Talvez Hermione não acreditasse nela, ou fosse lhe censurar por gostar dele, por confiar nele.
Mas ela gostava dele e confiava nele. Não era como se ele fosse virar a costas para ela e a trair. Ele correspondia os seus sentimentos, estava falando a verdade. Ele não era perigoso.
O garoto tinha salvado sua vida. Ele tinha sido legal com ela e a tinha beijado. Ginny quase deu risadinhas de alegria – ela nunca dava risadinhas. Ela ria, sorria, mas nunca dava risadinhas. Ele não ia ser como Dean, que tinha dispensado ela depois do primeiro beijo por estar com medo dos seus irmãos (ou assim ela imaginava).
Harry não iria se sentir ameaçado por eles. Eles nunca saberiam de qualquer forma. Ninguém iria destruir o relacionamento deles.
Um suspirou escapou de seus lábios e ela virou de lado. Ela nem mesmo queria dormir, podia esgueirar-se lá para baixo e talvez Harry também estivesse lá. Mas era sexta-feira e a maioria dos alunos não ia cedo para cama. Ela também não queria ficar sentada lá, observando o garoto de longe e tentando a todo tempo ser discreta. Era bem provável que ele tivesse ido cedo para cama, tentando escapar de Damy ou apenas para ficar sozinho. Ele não se importava muito como os outros alunos.
xxx
O dia seguinte era Primeiro de Dezembro, e com ele chegou a notícia do Baile de Natal. Ginny logo soube da novidade, pois assim que o Baile foi anunciado, algumas garotas subiram as escadas correndo e gritando sobre o anúncio, acordando ela e o resto dos dormitórios, excetos aqueles que conseguiam dormir com qualquer barulho – Ron era um desses.
Assim que Ginny se levantou e se arrumou, viu uma de suas colegas de quarto rabiscando num pedaço de pergaminho.
"O que você está fazendo aí?"
Demelza se virou, corando levemente.
"Estou escrevendo um convite. Sabe, para o Baile. Espero conseguir enviar hoje, para ser a primeira a convidá-lo."
Ginny assentiu e estava prestes a perguntar a Demelza para quem era o convite, mas se deteve. Isso iria levar a outra garota a questioná-la sobre que garoto ela iria convidar, ou por quem ela estava esperando ser convidada. Ela não podia contar – Harry jamais iria convidá-la e ela nunca iria convidá-lo. Afinal, o relacionamento deles era secreto.
Após essa constatação, não conseguiu chegar rápido o suficiente ao Salão Principal, onde alguns, mas não muitos, estavam sentados como de costume. Ginny imaginava que Demelza não era a única que tinha escrito o convite. Todo mundo queria conseguir um parceiro adequado para ir ao Baile. Mas talvez o Salão não estivesse tão cheio porque era sábado, e ela costumava dormir até mais tarde.
Após algum tempo, mais alunos apareceram e o Salão Principal ficou cheio. Quando Harry chegou com Ron e Damien, Ginny acenou para eles indicando ela e Hermione, que sentara à mesa da Grifinória assim que chegara. Para seu alívio, a outra garota não tinha lhe perguntando sobre o dia anterior novamente e elas ficaram comendo em silêncio até a chegada dos meninos.
Harry sentou ao seu lado, enquanto Ron e Damy sentaram ao lado de Hermione, de frente para Ginny.
"Bom dia. Dormiram bem?"
Ron balbuciou algo, enquanto Harry e Damien estenderam as mãos para pegar algumas torradas.
Hermione estava prestes a dizer alguma coisa, mas foi impedida, pois uma coruja com o Profeta Diário pousou em frente à garota. Ela depositou o dinheiro e desapareceu atrás do jornal.
"Eu vi o anúncio do Baile de Natal," disse Damien, tentando iniciar uma conversa.
"Eu não vi, mas ouvi algumas garotas gritando sobre isso, que foi o que me acordou, em primeiro lugar. E vi Demelza escrevendo um convite.
"Ah, verdade? Para quem?"
"Não faço ideia."
"Acho que serão entregues em breve, hã? Vocês acham que serão entregues hoje?" Damy ergueu o olhar, tentando ver se algumas das corujas eram corujas de Hogwarts entregando convites. Pelo que ele viu, não havia nenhuma.
"Elas provavelmente vêm amanhã pelo café da manhã, ou talvez cheguem no jantar," respondeu Hermione, que olhou por sobre o jornal para seus amigos.
"Também acho," disse Ron, enquanto mastigava ovos com bacon.
Pelo canto do olho, Ginny observou Harry tomar um pouco de suco e se levantar.
"Harry? Onde você vai?"
Harry olhou irritado para Damien, que tinha feito a pergunta.
"À biblioteca."
"Eu vou com você," disse Ginny, se levantando também.
"Quê?" perguntaram quatro vozes de uma vez.
Ela olhou para os rostos surpresos deles.
"Err... Posso ir com você?"
Harry levantou uma de suas sobrancelhas, mantendo seu rosto inexpressivo.
"Ginny, eu não sei se é uma boa ideia," disse Ron, olhando para ela e Harry com preocupação.
"Eu não vou assassiná-la no meio de um corredor escuro." A voz do garoto soou cheia de sarcasmos.
Os olhos de Ron se arregalaram, e ele estava prestes a falar novamente, mas Ginny apenas olhou para Harry, que finalmente assentiu e gesticulou para que ela fosse à frente.
Os protestos de seu irmão se perderam em meio ao som de centenas de crianças e jovens adultos tomando café da manhã.
Silenciosamente, eles caminharam pelo Saguão de Entrada e subiram as escadas, mas assim que ficaram sozinhos em um corredor – Ginny quase riu do ataque cardíaco que Ron teria se soubesse daquilo – Harry segurou os braços da ruiva e a pressionou contra a parede.
"Não faça isso," sibilou ele para ela.
"O quê? Do que você está falando?"
A voz dele ficou mais suave, e ele afrouxou o aperto.
"Pensei que tínhamos combinado de manter isso em segredo. Não vamos conseguir esconder por muito tempo se você começar a agir diferente de antes."
Ginny entendeu o que ele queria dizer.
"Sinto muito. Eu só... queria falar com você, e não consegui esperar até você ler minha mensagem e conseguir escapar."
"Não faça isso de novo, está bem?"
Ginny assentiu e abaixou o olhar, um tanto envergonhada. Foi então que ela percebeu em que posição eles estavam.
"Hum..."
Ela olhou para cima, observando os lábios dele, que se abriram num sorriso antes de beijá-la. Não durou muito.
"Hum… Melhor irmos à biblioteca, antes que alguém nos pegue aqui."
Ginny concordou e Harry recuou. Enquanto ela se virou na direção que eles tinham que ir, Harry olhou novamente para o canto, onde ele acabara de avistar um loiro. Seus olhos se estreitaram. Draco estava seguindo Harry novamente.
