Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e aqueles que publicaram os livros dela. Damien e toda a história por trás de Harry pertencem a Kurinoone. Estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone. Não as destaquei, mas se quiserem que eu o faça, eu farei.

N/T: Gente, comentem, por favor! É tão bom ler reviews, elas me estimulam a continuar traduzindo, a pensar em outras traduções também :) Até mais!

Chapter Six – Not So Secret Affair

(Um Caso Não Tão Secreto)

Quando Draco seguira Harry após o café da manhã para informá-lo de que não iria demorar muito para que os Comensais da Morte conseguissem enfraquecer os escudos, não estava esperando que ele saísse acompanhado da garota Weasley. Mesmo assim ele os seguiu, sabendo que Harry, assim que visse Draco, colocaria aquela amante de sangues-ruins no seu lugar e eles poderiam conversar. Ela não ousaria contrariá-lo, de qualquer forma. Ninguém ousava contrariar o Príncipe das Trevas.

Eles viraram uma esquina e Draco os seguiu, mas parou quando viu Harry imprensá-la contra a parede. Ele sorriu e deu um passo à frente, tentando ouvir a ameaça que ele estava fazendo à garota. Draco congelou quando Harry se inclinou e a beijou. Ele não pôde deixar de observá-la levar as mãos aos cabelos do garoto. Draco reagiu sem pensar quando viu que Harry estava se afastando. Ele se virou e escondeu-se no canto. Seu coração estava disparado. O que exatamente Harry estava pensando? Ele estremeceu, mas tentou acalmar sua respiração. Eles não deviam tê-lo escutado. Perguntaria a Harry sobre aquilo depois... ou não perguntaria?

A pergunta respondeu a si mesma quando Harry também virou a esquina e ficou face a face com o garoto. Draco engasgou assim que viu o rosto de Harry e seus olhos apertados.

"Siga-me." Draco nem ao menos pensou em recusar-se e apenas fez o que Harry mandara.

Draco imaginou que Harry estava indo para a sala desativa mais próxima. Ele esperou Draco entrar, o que ele o fez, e assim que os dois estavam dentro, Harry conjurou alguns feitiços sem varinha que Draco não conseguiu distinguir, pois o garoto fez tudo muito rápido. Não importava, Draco tinha certeza que se tratava de feitiços silenciadores ou algo similar para impedir que as pessoas escutassem a conversa.

"Acredito que tenha algumas perguntas a fazer."

Draco hesitou em responder. Em vez disso, ele adentrou mais na sala, parando ao lado de uma das carteiras, com as costas viradas para Harry. Sua mente estava gritando milhares de perguntas, mas ele estava se esforçando para manter a calma.

"Você poderia responder isso."

Ele parou, tentando decidir o que dizer.

"A Weasley?"

Harry nada disse, então, o garoto continuou.

"Como...? O que...? Argh!" Draco se virou. "O que você está pensando? A Weaslette1? Quero dizer, vamos lá! Eles são um bando de amantes de sangues-ruins! Eles são pobres! Ela nem ao menos é bonita... ela é tão… como você aguenta ficar perto dela? Tocá-la? Beijá-la?"

"Já chega." O tom duro do garoto fez Draco parar imediatamente. "Minhas motivações não são da sua conta."

Draco olhou para ele, mas Harry não desviou o olhar. Por fim, foi Draco que desviou o olhar. Como... Como Harry podia fazer aquilo?

"Ótimo, eu vou escrever para o meu pai, então... Ou devo escrever para o seu? Esqueceu quem ele é? Caso não tenha percebido, não é James Potter."

Assim que falou aquelas palavras, ele se arrependeu. Se Draco tivesse olhado para Harry, teria visto os olhos do garoto se estreitando ainda mais.

"O que você disse?"

Se sua voz já estava dura antes, agora estava insuportável. Draco engoliu em seco e quando Harry lentamente fechou o espaço entre eles, o garoto se afastou o mais rápido possível, focando no local onde ele imaginava estar a varinha de Harry.

"Quero dizer... eu não... desculpa. Não quis dizer isso assim."

"E como você queria dizer então?"

"Eu… Ah… Olha, Harry. Eu só estou com raiva por conta da Weasley e eu não sei o que você poderia querer com ela ou o que você está conseguindo com ela... eu não devia ter dito o que eu disse. Eu não acho que você esqueceu o Lorde das Trevas de verdade ou que você acha algo de positivo sobre Potter."

"Não achar algo de positivo sobre ele? Eu o odeio!"

"Sinto muito, meu Príncipe. Eu não vou falar ou mesmo pensar nisso novamente."

Draco sabia muito bem que Harry odiava ser tratado como "meu Príncipe" ou qualquer coisa formal, mas isso era tudo que ele precisava. Harry teve que parar por um momento para ponderar que Draco era seu único amigo e que machucá-lo não era uma boa ideia.

"Pode parar com isso. Não vou te atacar. Não agora, de qualquer maneira."

Draco relaxou um pouco, mas manteve os olhos no garoto. Era melhor observar as mãos dele para poder ter chance de se esquivar acaso ele decidisse atacá-lo.

"Você não vai contar a ninguém o que viu."

Draco assentiu. Afinal, Harry era o Príncipe das Trevas. Ele tinha que escutá-lo.

"Meu Príncipe?"

"É Harry, Draco."

"Harry, posso perguntar uma coisa?"

Ele apenas o encarou, mas Draco tinha experiência e sabia que era melhor ter cuidado quando Harry estava nervoso.

"Por que... Por que a Weasley?"

Harry o observou por um momento, mas respondeu:

"Vai destruí-los."

"Como?"

O rosto de Harry estava inexpressivo. Draco não conseguia dizer no que ele estava pensando.

"Ela acredita que eu gosto dela... eu fiz com que ela acreditasse que eu gosto dela. O que você acha que vai acontecer quando ela descobrir que eu não gosto?"

"Imagino que ela vá ficar… triste?"

Harry bufou.

"Ela vai ficar muito mal… furiosa consigo mesma… vai despedaçar o coração dela. Ela vai ter acreditado em mim, afinal de contas..."

"E por que você está fazendo isso? Quer dizer... isso não vai nos ajudar em nada."

"Estou completamente entediado."

"O quê?"

"É divertido."

"Divertido? Quer dizer, eu entendo o tipo de diversão que você pode ter com uma garota... mas ela nem ao menos é atraente." Draco fez uma careta ao pensar na ruiva. "Ela é tão pálida... E... O cabelo vermelho! Argh…"

"Como se você pudesse falar sobre palidez…" Draco olhou para Harry, mas o garoto apenas sorriu de lado.

"Idiota! Então você realmente a acha gostosa?"

"Sim, eu a acho muito atraente."

Draco estremeceu.

"Você olhou para ela?"

"Você olhou para ela?"

"Então… Você quer diversão, hã? A Weasley... eu ainda não entendo... por que não se diverte com uma sonserina? Uma corvina, se tiver de ser… mas uma grifinória? Quer dizer, vamos lá! Você pode dar uma olhada nas sonserinas, escolher uma, eu dou algumas dicas sobre quem você é e elas vão cair aos seus pés."

Harry riu.

"Como seu eu fosse precisar dessa ajuda."

Draco parou.

"Você conseguiu a Weasley, afinal de contas... Eu pensei que ela fosse puritana."

"Ela não é."

Draco olhou surpreso para ele.

"Você já a levou pra cama? Há quanto tempo isso vem rolando? Não, espere... eu não quero saber."

"Minha teoria tem mais a ver com os irmãos dela... mas quem sou eu para fazer você acreditar no contrário?"

"Os irmãos dela? Como eles podem influenciar em ela ser puritana ou não?"

"Não acho que ela seja puritana, porque é mais provável que os irmãos dela a proíbam de sair com garotos e estão fazendo de tudo para impedir que ela namore."

"Eu pensei que não passava de um boato idiota."

"Não sei se é verdade ou não, mas ouvi o Weasley falar sobre protegê-la e ouvi Thomas – ou qual seja o nome dele, você sabe, o sangue-ruim da Grifinória – conversando com o irlandês sobre ela, e parece que eles estavam planejando uma forma de afastar o Weasley para poder ter uma chance com Ginny. "

Draco fez uma careta quando Harry chamou a Weasley pelo primeiro nome.

"O.k., talvez seja verdade, mas o que isso tem a ver?"

"Sim… definitivamente a astúcia sonserina," disse Harry, num falso sussurro, e depois, mais alto. "Não consegue enxergar?"

Draco olhou para ele.

"Não, não consigo."

"Primeiro, é até mais divertido deixar o Weasley furioso e outro ponto é que vai machucar toda a família."

"Talvez você quebre o coraçãozinho dela, mas o que isso tem a ver com a família Weasley?"

"Você não estava lá quando o Weasley falou com a sangue-ruim e com Potter Junior. Ele estava desesperado. Era como se protegê-la significasse tudo para ele. Ele disse que isso também significava tudo para a família."

"Então… você só está fazendo isso para se divertir?" perguntou Draco, incrédulo.

"Não... prejudicar uma família que está na Ordem não é nada mal, é?"

Draco riu.

"Eu adoraria ver a cara deles, sabe."

"Tem outra coisa boa nisso tudo... O que você acha que Arthur Weasley vai fazer quando descobrir que estou brincando com os sentimentos de sua filha?"

"Ele vai ficar furioso."

"Sim... bruxos e bruxas, que não são poderosos e não costumam extravasar sua magia quando com raiva, são melhores quando furiosos. Nesse estado, eles agem sem controle quando em combate. Arthur Weasley não é tão poderoso agora, é?"

"Claro que não é!"

"O que vou te contar é ultrassecreto."

"Não vou contar a ninguém."

"Meu pai e eu estávamos pensando em formas de destruir a Ordem antes de eu ser capturado. Concordamos que seria melhor afastar um membro após o outro."

"E…?"

"Arthur Weasley é um membro da Ordem da Fênix..."

"Mas não seria difícil afastá-lo," afirmou Draco, confuso.

Era apenas o Weasley. O amante de sangues-ruins idiota.

"Ah, você está subestimando-o."

"Estou?"

"Sim… Ele não é poderoso, mas é bom com feitiços e tem facilidade em descobrir que algo está errado. Ele tem que ser bom nisso, caso contrário ele não seria tão bom no emprego dele, seria?"

"Então, se ele tem essa facilidade, seria difícil colocar alguma coisa em sua bebida, como um veneno, ou um artefato das trevas em sua bolsa."

"Exatamente... E nós também não queremos perder tempo fazendo planos para capturá-lo ou encontrá-lo desacompanhado. Ele é um tanto paranoico. Nunca está sozinho."

"Você tem alguém o vigiando?"

"Ele e alguns outros membros da Ordem."

"Por que não todos eles?"

"Primeiro porque não há Comensais da Morte suficientes para isso, eles precisam dormir, afinal de contas," disse Harry secamente. "Em segundo lugar, porque esperamos que ao afastar o Weasley, a esposa dele impeça que seus filhos lutem para a Ordem novamente. Sabe como ela jamais suportaria perder seus filhos após perder o marido numa luta terrível."

Draco fez uma careta.

"Isso parece coerente."

"É claro que sim."

"Então, o que vai fazer com que ele fique furioso a ponto de não ser tão cuidadoso?"

"Ah… Durante um combate, Arthur Weasley é daqueles que espera a melhor chance... O que acha que ele vai fazer quando souber sobre eu e a filha dele? O que acha que ele vai fazer quando me encontrar?"

"Ele vai lutar com você, tentando se vingar."

"Esse é o plano. Ele vai correr até mim e eu vou acabar com ele, sem todo aquele problema de tentar encontrá-lo desacompanhado."

"Uau... mal posso esperar para ter idade suficiente para participar de tudo isso."

"Meu pai está pensando em fazer de você um Comensal da Morte assim que terminar Hogwarts."

Draco fez uma careta.

"Queria que ele fizesse isso assim que eu completasse dezessete anos."

"É muito arriscado. Se eles te pegarem… o que vai acontecer se você tiver a marca negra, não puder fazer nada, e eles te capturarem? Apenas um desperdício de dinheiro... ou talvez você terminasse em Azkaban."

"Meu pai nunca permitiria isso." Draco tentou convencer a si mesmo.

"Desperdício de dinheiro, como eu disse. Há maneiras muito melhores de gastá-lo."

Draco ficou em silêncio. Ele sabia que não levaria a nada discutir.

"Ah... Agora que estamos falando em chances de ser pego e meios de se livrar... Tenho boas notícias para você. Recebi ordem para te dizer que eles estão quase enfraquecendo os escudos. Meu pai disse que pode levar mais uma semana, talvez duas, mas não vai demorar muito."

Harry sorriu de lado.

"São boas notícias, de fato."

xxx

No dia seguinte, Ginny estava sentada à mesa da grifinória tomando café. Como de costume, estava rodeada por Damien, Ron, Hermione e Harry quando o farfalhar de corujas voando interrompeu o falatório no Salão.

Ginny observou as corujas de Hogwarts dirigirem-se àqueles a quem os convites estavam endereçados. Ela não tinha esperança de receber um, afinal, se os garotos não mais a convidavam para ir a Hogsmeade... por que eles iriam convidá-la para ir ao Baile de Natal? Ela franziu o cenho quando uma coruja pousou entre ela e Harry, que estava sentado à sua frente. Harry nem se dera ao trabalho de olhar.

Houve um ruído alto quando outra coruja marrom veio e pousou em frente a Harry, derrubando a jarra de suco de abóbora, fazendo com que ele tivesse alguma reação. O garoto finalmente levantou o olhar. Ginny percebeu que Damien também estava olhando para seu irmão.

Harry estendeu a mão e pegou o pequeno pergaminho enrolado na perna da coruja. Ele abriu a carta rapidamente e a leu, parecendo confuso. Ginny sabia exatamente do que se tratava e não estava contente com aquilo. Quando ela pensou naquilo, sabia que certamente Harry receberia convites para o Baile, mas ver acontecendo era algo diferente.

Mais corujas voaram em direção a Harry e pousaram ruidosamente em frente a um garoto completamente confuso. Os outros grifinórios também começaram a se dar conta do monte de corujas, e não demorou muito para todos começassem a cochichar e rir.

"O quê?" gritou Harry com Damien.

"Bem Harry, você é popular," disse Damien antes que ele e Ron caíssem na risada novamente.

Ginny viu o garoto mais jovem explicar para Harry, antes de ajudá-lo a tirar os pergaminhos das corujas. Ela não hesitou em ajudá-los, e Ron e Hermione também se juntaram a eles. Ela tentou não pensar muito naquilo, mas havia uma vozinha em sua mente que não calava a boca.

Harry rapidamente se levantou e saiu do Salão. Antes que Ginny se desse conta, ela estava correndo atrás dele junto com Damien e Ron, enquanto escutava Hermione falar algo sobre dever de casa. Damien pegara todos os convites e estava colocando-os em sua mochila.

"O que você está fazendo? Jogue-os fora!" gritou Harry.

Damien apenas riu.

"De jeito nenhum! Isso vai ser divertido. Se você não quer saber quem são suas admiradoras, tudo bem, mas eu quero ver quem são todas essas garotas malucas o bastante para te convidar para sair."

Harry lançou um olhar para o irmão em resposta e eles deram alguns passos em silêncio, até que Ron explodiu.

"Isso tudo é tão patético. Não gosto disso. Aquelas vestes a rigor idiotas, e todas aquelas garotas com suas risadinhas... Argh."

"Ah, vamos lá, Ron! Concentre-se em coisas importantes! Antes desse Baile, temos outro jogo de quadribol para vencer."

O humor de Ron mudou bem diante dos olhos deles. Sua expressão de desagrado se transformou numa de prazer, e ele assentiu animado.

"Sim, Damy... Você tem razão."

"Qual placar tem que ser mesmo? 30 pontos à frente do outro time? Não vai levar nem quatro minutos."

Damien e Ron encararam Harry por um momento, pois normalmente ele não conversava muito com eles. Na maior parte do tempo, ele ficava apenas escutando ou reclamando das coisas em Hogwarts.

"Não! De jeito nenhum apenas 30 pontos! Precisamos mais do que isso. Tem que estar pelo menos 70 pontos antes de você pegar o pomo… e, quatro minutos?"

Ginny não continuou escutando Ron. Ela apenas olhou para Harry, que inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, como que perguntando se ela entendera. Ginny sinalizou ligeiramente que sim, mas ela não tinha certeza se queria falar com ele.

Ela decidiria quando estivesse sozinha. A ruiva pediu licença ao grupo e seguiu pelo corredor, passando por outros alunos. Que diabos! Não era por culpa dele que ela estava com raiva ou triste ou o que fosse... Ela não precisava dizer a ele de qualquer forma... Encontrar com ele sempre a fazia sentir-se um pouco melhor... 30 e 4... 4 e 30... quarto andar, trigésima sala. Seu corpo decidiu por ela e suas pernas caminharam até a sala indicada.

Quando ela entrou, Harry não estava lá. Ela também não estava esperando que ele estivesse lá antes dela de qualquer forma.

A garota se sentou no chão, olhando para o lado de fora através de uma janela larga. Alguns flocos de neve caíam, mas não estava frio o bastante para eles se amontoarem. Ao invés disso, derretiam ao tocar o chão.

A porta abriu, mas Ginny não olhou. Os passos se aproximaram e pelo canto do olhou ela pôde ver o cabelo escuro e bagunçado de Harry quando ele se sentou ao lado dela. O garoto estava olhando para ela, e não para a janela.

"Ei."

Ginny continuou olhando a neve.

"O que há de errado?"

Uma das mãos dele encontrou a dela. Ginny olhou para baixo enquanto ele entrelaçava seus dedos.

"Não é nada."

Ela engoliu em seco e tentou novamente, mas sua voz ainda soava fraca. A outra mão do garoto encontrou o rosto dela e ele fez com que a ruiva olhasse dentro de seus olhos.

"É por causa do baile?" Ela encolheu os ombros. "É sim... Você está zangada porque as outras garotas acham que eu irei com elas?"

Ela balançou a cabeça.

"Está zangada porque não vamos juntos ao Baile?"

Ela balançou a cabeça novamente.

"Estou triste porque não podemos ir juntos e... Não, não é importante."

"Vamos, pode me contar."

"É uma bobagem."

"É sobre mim?"

"Não, não é sobre você e não é importante. Não importa."

"Eu… Nós não podemos ir juntos, você sabe disso, certo?"

Ginny revirou os olhos.

"É claro."

"Tenho certeza que seria divertido, mas não podemos."

"Eu sei Harry. Seria divertido dançar com você... você sabe dançar?"

Ele assentiu.

"Você não sabe?"

"Perdão?"

"Estou apenas tentando adivinhar o que é a outra coisa."

"Não, eu sei dançar. Minha mãe queria que eu aprendesse, sabe... Da maneira apropriada para uma garota," ela bufou. "Eu tive que aprender com meus irmãos. Eles odiavam. Percy foi o único a concordar com minha mãe, então eu dançava com ele na maioria das vezes."

"Então você sabe dançar valsa clássica?"

"Sim, por quê?"

"Nada diferente?"

"Não!"

"Foi o que pensei. Não podia imaginar você dançando com seu irmão de outra maneira."

"E você? Sabe dançar algo diferente?"

"Sim, eu sei."

"Quem te ensinou?"

Harry apenas deu de ombros.

"Quem sabe um dia eu não te ensine como dançar de verdade."

Ginny olhou para ele, mas agora era Harry quem estava olhando através da janela. O silêncio pairou entre eles, no qual ambos olharam para o lado de fora.

"Então, o que é a outra coisa?"

"Você ainda está pensando nisso?"

"Sim, estou curioso."

Ginny corou.

"É uma coisa boba de garota."

"Pensei que você não fizesse coisas de garota."

"Não é bem uma coisa de garota, é mais sobre o que as outras garotas dirão se... Quando..."

"Quando…?"

Ginny corou mais ainda.

"É bobagem… Quer dizer… Eu… É que eu odeio a forma como elas olham para mim por eu não ter um par para o baile." Ela evitou o olhar do garoto. "Eu te disse que era uma bobagem."

Harry soltou a mão da garota e puxou o corpo dela para perto do seu.

"Não é bobagem," sussurrou ele. "Você só está preocupada com o que os outros podem pensar de você." Ginny assentiu de encontro ao peito dele. "Não precisa se preocupar com isso, sabe... Não importa o que elas pensam ou digam. É a sua opinião que importa, não a delas. Mas se é tão ruim assim, pode ir com alguém."

"Mas eu só quero ir com você, e eu sei que não posso."

Harry sorriu contra o cabelo dela.

"Então, sinto te dizer, mas você não terá como contornar os olhares."

"A menos que você também vá sozinho, ou talvez... Talvez a gente não vá e possamos fazer algo diferente. Elas vão apenas pensar que você é muito tímido para convidar uma garota e se escondeu em seu dormitório, enquanto eu estarei em meu dormitório morrendo de chorar porque ninguém me convidou." Ela riu levemente.

Harry não achou que seria um bom momento para dizer a ela que ele não planejava estar mais em Hogwarts na ocasião.

xxx

Após um breve discurso de Katie – que incluíra algo sobre o dia especial e vencer ou morrer tentando, fazendo-a sorrir ironicamente e após ser questionada ela falou algo sobre os gêmeos e Oliver Wood – eles deixaram os vestiários e saíram em meio ao vento congelante de dezembro.

Ginny fechou os olhos por um instante, mas os abriu novamente ao escutar as aclamações da multidão. Seus companheiros de equipe já estavam no meio do campo, onde os Lufa-Lufas estavam esperando, e Ginny rapidamente os seguiu.

Madame Hooch falou as palavras de sempre, e os dois capitães apertaram as mãos. Ginny não estava prestando atenção. Ela estava olhando para Harry, lembrando-se do breve encontro deles antes do jogo. O resto do time não tinha comido nada, apenas um pouco de torrada ou um pouco de bacon antes de irem para o campo. Ginny teve mais apetite, e foi por isso que ela ficou para trás por alguns minutos a mais antes de dirigir-se ao campo. Fora do castelo, Harry tinha esperado por ela. Eles tinham caminhado juntos, brincando, e ele até tinha lhe dado um beijo de "boa sorte" após verificar que ninguém os estava vendo.

Quando eles tinham quase chegado ao campo, Harry sugeriu um encontro após o jogo. Se eles perdessem, os outros pensariam que eles estavam de mau humor e por isso resolveram se esconder em algum lugar. Se ganhassem, todos estariam tão contentes que não iria chamar atenção o fato de eles desaparecerem por meia hora. Ginny podia dizer que tinha demorado no banho e Harry tinha costume de se isolar dos demais grifinórios. Ginny concordara alegremente, esperando que a segunda opção ocorresse.

Quando Harry montou na vassoura, ela foi trazida à realidade, e fez o mesmo que ele. Após alguns instantes, estavam todos no ar, e Madame Hooch liberou as bolas.

Na primeira meia hora, o jogo não foi bom para a Grifinória. Lufa-Lufa tinha feito dois gols e apenas após um intervalo a pedido de Katie, no qual ela decidiu tentar outra estratégia de jogo, as coisas melhoraram. Após o intervalo, eles jogaram com excelência e fizeram nove gols, o que os levou à vantagem dos sete que precisavam. Ginny procurou por Harry uma ou duas vezes, para ver se ele estava indo bem, mas o garoto estava apenas voando pelo campo, acelerando uma vez enquanto ela observava, mas ela não conseguia ver se ele tinha realmente visto o pomo.

Ron defendeu outro gol e aplausos ruidosos da Grifinória e de uns poucos corvinais fez com que ela olhasse para os outros jogadores. Ela podia passar horas e horas assistindo Harry voar, pois alguma coisa mudava nele quando ele estava numa vassoura. Ele parecia feliz... livre... em paz.

Um grito animado veio da multidão e Ginny se virou para procurar o motivo. Ela viu Harry e Paul – o apanhador da Lufa-Lufa – que estavam voando em direção ao pomo. Harry estava à frente, e se Ginny se concentrasse o suficiente, ela poderia distinguir a pequena bolinha dourada à frente deles.

Um sorriso se espalhou pelo rosto de Ginny ao ver que o outro apanhador estava desacelerando, com medo de ficar muito perto do chão. Harry estava em velocidade máxima e estava quase conseguindo pegar quando mais um grito veio da multidão. Ginny não olhou, mas escutou a Professora McGonagall interromper Luna, que estava descrevendo as nuvens, para comentar o gol que Katie marcara.

Harry esticou o braço, Paul, atrás dele, esqueceu suas preocupações e tentou uma última vez se aproximar do outro apanhador, mas Harry pegou o pomo, o que fez com que ele perdesse o equilíbrio. Paul, vendo que perdera, se ergueu, mas ficou onde estava, observando Harry cair em direção ao chão.

Harry rolou para amortecer a queda, e parou deitado de barriga para cima no chão. A multidão ficou em absoluto silêncio, e apenas quando Harry levantou a mão no ar com o pequeno pomo se debatendo e o apito de Madame Hooch soou, os grifinórios gritaram de alegria. Os sonserinos vaiaram e os lufa-lufa pareciam desapontados, mas não havia nada que pudessem fazer. Tinha sido um jogo justo.

O time da Grifinória aterrissou ao lado de Harry, que já estava se levantando.

"Você está bem?" perguntou Damien preocupado. Harry assentiu e Ginny soltou a respiração que ela nem ao menos percebera estar segurando.

Damy sorriu alegremente e abraçou seu irmão, que ficou rígido diante da situação, mas Ginny não achou que os outros perceberam.

Katie sorriu radiante e elogiou-os pelo jogo. Antes que pudessem dizer mais alguma coisa, o campo foi invadido por todos os grifinórios, que queriam ir até o time. Harry gritou algo para eles, mas Ginny não entendeu, e apenas o viu desaparecer em meio à multidão.

A próxima coisa que viu foi Damien e Katie serem levantados por alguns grifinórios mais velhos. Ron abraçou Ginny e gritou em seu ouvido para segui-lo, mas ela balançou a cabeça e gesticulou em direção aos vestiários e suas vestes sujas.

Assim que pôde andar livremente, Ginny fez seu caminho em direção aos vestiários, e, olhando para suas vestes, decidiu que realmente precisava tomar um banho.

Ela se apressou, com medo de deixar Harry esperando. Colocando a toalha em torno de si, ela dirigiu-se ao provador vazio, parando assim que o viu. Ele estava sentando perto das roupas dela, esperando-a.

Inclinando um pouco a cabeça e olhando-a de cima a baixo, ele a cumprimentou. Ginny corou. Naquele momento, ela estava dolorosamente consciente de onde a toalha terminava e de onde começava...

"Eu… Ah… Eu…"

Ela nem ao menos ousou dar mais um passo, com medo que a toalha não cobrisse tudo. Maldita fosse sua mãe! Se ela não tivesse falado tanto sobre a maneira correta de se comportar, talvez ela não estivesse tendo aquele problema agora. Talvez ela até deixasse cair, só para provocá-lo. Ela corou mais ainda com aquele pensamento.

O olhar de Harry permaneceu no rosto da garota por um instante. Em seguida, ele se levantou e apanhou as roupas normais dela, ignorando as vestes de quadribol da ruiva. Com alguns passos, ele cruzara o cômodo e estava de frente a ela.

Ele as estendeu para que ela as pegasse, mas a garota apertou sua toalha ainda mais, com medo de soltá-la. Ela tinha tendência para situações embaraçosas, e não precisava ficar mais incômodo do que já estava.

"Certo… Posso levá-las ao chuveiro e você se troca lá ou posso colocá-las de volta no banco e esperar lá fora."

Ginny evitou o olhar dele e, ao invés disso, fixou o olhar nas roupas que o garoto segurava: seu jeans, sua blusa com capuz e sua calcinha, que estava enterrada por baixo do top. Seus olhos se arregalaram mais e ela corou mais ainda.

"Chuveiro." Ela quase berrou.

"Acalme-se, Ginny, não é tão ruim assim."

Ele não esperou por ela e entrou no chuveiro, para onde ela o seguiu lentamente. Ele olhou em volta, mas não havia onde colocar as roupas, então, procurou um lugar seco e colocou-as no chão. Ele levantou e se virou, respirando fundo.

Sua voz soou áspera quando ele falou novamente.

"Certo... Vou esperar... Lá fora... Quer dizer, no vestiário."

Assim que terminou de falar, ele quase correu para fora.

Ginny olhou para ele, confusa. O que tinha acontecido com o "não é tão ruim assim?" Ela decidiu não pensar sobre isso e vestiu a roupa.

Segurando a toalha novamente e esfregando-a no seu cabelo, ela caminhou até o vestiário. Ele estava sentando no banco, no mesmo local de antes, as vestes sujas de quadribol da garota estavam a poucos metros de distância dele. Ele levantou o olhar quando ela entrou.

"Eu poderia esfr…" Ele limpou a garganta. "Quer dizer, eu poderia esfregar seu cabelo até ele secar. Ou posso utilizar um pouco de magia para secá-lo mais rápido."

"Err… o.k."

Ela sentou, olhando para ele e entregou-lhe a toalha. No entanto, ele colocou a toalha de lado, correndo os dedos pelo cabelo dela. Ela viu os lábios dele se abrirem num sorriso.

"Err… Você não precisa de uma varinha?"

"Hã? Ah… não, não é necessário."

Ela observou como alguns fios ficaram mais secos depois que ele os tocou. Fascinada, ela acompanhou, tanto quanto podia, os dedos dele.

"Magia." Ele sorriu de lado.

"Foi o que pensei… mas você não está com sua varinha."

"Magia sem varinha."

"Você consegue fazer isso?"

"Obviamente."

"Você… você sempre faz isso dessa forma?"

"O quê? Secar meu cabelo?"

Ela assentiu e ele respondeu enquanto pegava os próximos fios de cabelo da garota.

"Não. Demora mais do que deixar secar natural, mas como seu cabelo é longo, levaria anos para secar naturalmente, então assim é mais rápido."

Ele trabalhou calmamente e após algum tempo, Ginny fechou os olhos, apreciando a proximidade dele e as suas mãos em seu cabelo.

"Pode se virar?"

Ginny assentiu e fez o que ele mandara. O silêncio pairou entre eles, e Ginny pensou novamente sobre a maneira como ele praticamente fugiu dela.

Sentindo-se muito mais confortável agora que estava vestida e que ele não podia ver seu rosto, ela quebrou o silêncio novamente.

"O que houve com o 'não é tão ruim assim' quando você entrou no banheiro?"

Harry congelou, mas alguns segundos depois ele continuou o trabalho.

"Err..." Ginny virou a cabeça para poder olhar para ele. Ele estava olhado intensamente para seu cabelo.

"Seu… err... seu cheiro."

"Como?"

"Estava em todo canto, e você sendo tão atraente, vestindo pouca coisa... Por um segundo, pensei que fosse perder o controle. Sabe, eu sendo homem e tudo mais. "

Seu tom ficou mais leve no final, mas Ginny teve que desviar o olhar de qualquer forma. Suas bochechas estavam ficando vermelhas novamente.

"Ah…"

Ele não esperava uma resposta, ou pelo menos ele não disse nada, mas trabalhou mais alguns minutos antes de parar.

"Não está totalmente seco, mas está muito melhor do que antes."

"Obrigada."

"Sem problemas."

Ele abaixou as mãos e ela se virou, sorrindo para ele. Ele sorriu de volta.

"Você foi fantástica no jogo de hoje." Ginny corou sob o olhar dele.

"Obrig…"

Ela não conseguiu terminar a frase. Harry se inclinou e a beijou. Ela sorriu quando ele aprofundou o beijo. Ah, Merlin, como ela amava esses momentos com ele.

Ele se inclinou sobre ela, pressionando-a gentilmente sobre o banco e jogando as vestes sujas de quadribol da garota para o lado. Ela correu os dedos pelo cabelo dele. Eles ficaram se olhando por um tempo e continuaram a se beijar. A ruiva estremeceu quando uma das mãos dele lentamente achou caminho por baixo de sua blusa. Harry desenhou pequenos círculos em torno do umbigo dela.

O som de alguém limpando a garganta fez Ginny congelar. Harry calmamente afastou a mão de Ginny e recuou. Nervosa, ela olhou em volta e viu sua amiga de cabelos espessos.

Os olhos de Hermione estavam arregalados. Eles se moviam de Harry para Ginny, e, finalmente para a barriga da garota, onde a mão de Harry estivera. Hermione corou.

"Err... Eu..."

Harry se levantou e Ginny se sentou. Ambos estavam olhando para Hermione, mas Harry foi o primeiro a reagir.

"Você não viu nada," ameaçou ele, encarando Hermione, que recuou.

Ginny se levantou e fechou o espaço entre ela e o garoto. Ela segurou seu braço, tentando acalmá-lo.

"Harry?"

Ele não escutou, estava apenas tentando se livrar do aperto, mas Ginny não cedeu. Ela se colocou entre ele e sua melhor amiga.

"Eu vou conversar com ela, tudo bem?"

Harry parecia procurar algo no olhar da garota. Ele finalmente assentiu e, lançando um último olhar em direção às duas, se virou e saiu do vestiário.

Ginny o seguiu com o olhar até que ele fechasse a porta, virando-se lentamente em seguida. Ela não conseguia encarar sua melhor amiga e a expressão que ela ostentava, então olhou para seus pés.

"O que ele fez com você? Ele... ele está te forçando a isso?"

Ginny olhou para cima com rispidez.

"Não! É claro que não!"

"Não precisa defendê-lo, sabe." Hermione se aproximou dela.

"Hermione, ele realmente não me forçou a nada. Eu... fiz voluntariamente."

"Ginny, eu posso te ajudar a se livrar dele. Vamos contar a alguém. A Professora McGonagall vai te escutar... nos escutar. Por favor! Ginny, você não pode ceder tão fácil. Não deixe que ele faça isso com você."

"Hermione!" Ginny cruzou o espaço entre elas e olhou profundamente nos olhos de sua amiga. "Não estou o defendendo. Eu. Fiz. Isso. Voluntariamente. Ele. Não. Me. Forçou. A. Nada."

"Não mesmo?"

"Não!"

"Você me diria se ele estivesse te forçando?"

"É claro! Eu não faria de jeito nenhum! Você me conhece como alguém que costuma ceder? Que costuma desistir? Sou do tipo que faz as coisas só por medo do que as pessoas possam fazer?"

"Não... eu acho que não." Hermione fez uma pausa. "Mas... mas por que você está fazendo isso então?"

"Ele… apenas aconteceu."

"Apenas aconteceu? Ele veio aqui, beijou você e você o beijou de volta até eu encontrar vocês? Ele estava te pressionando sobre o banco e as mãos dele estavam embaixo de sua blusa!"

Ginny corou. Soava ainda mais desconcertante com Hermione contando.

"Não, não foi bem assim... Nós conversamos antes."

"Então ele conversou com você por alguns segundos antes de pular encima de você?"

"NÃO! Não, Hermione! Você pode, por gentileza, parar de supor que ele faria algo assim? Que eu faria algo desse tipo? Você me conhece melhor do que isso, não é?"

"Desculpa, Ginny. Mas o que eu deveria pensar? Você não falou comigo de maneira alguma nas últimas semanas! Ou você estava nas aulas, ou fazendo refeições, ou em sua cama dormindo, ou desaparecida sem explicação alguma sobre onde estava ou o que fizera... Não foi a primeira vez, foi? Todo esse tempo. Todas aquelas horas. Você estava com ele? Você ignorou seus amigos de verdade por conta de algumas sessões de beijos idiotas?"

"A gente não apenas se beijava…"

"Ginny, você não consegue ver o que ele está fazendo? Ele está te usando!"

"Me usando? Para quê? Hermione, ele gosta de mim!"

"Ele gosta de você?" Sua voz soou alarmada.

"É, mesmo que você não acredite, existe um garoto que gosta de mim: a pequena Ginevra Molly Weasley."

"Eu não quis dizer isso, Ginny."

"E quis dizer o quê, então?"

"É só que… ele pode estar brincando com seus sentimentos, Ginny."

"Ele não está," disse ela com vigor.

Hermione mordeu o lábio, preocupada.

"Como pode ter certeza disso?"

"Como você sabe que ele está? Ele salvou minha vida, três vezes!"

"Sim, eu sei, Ginny… mas ele disse a Ron…"

"Que ele não se importava e sei lá o que… mas, Hermione, ele me disse o contrário! Ele me mostrou o contrário. Ele me ajudou e me ouviu e... por que ele faria isso se não se importasse?"

"Como eu disse… ele pode estar usando você."

"Mas, para quê? Sou apenas uma estudante sem importância. Não há nada em que ele possa me usar."

"Que tal sua família?"

"Não é bem assim, Hermione. Eu não conto tudo a ele. Eu não conto os segredos da Ordem. Eu nem ao menos sei o bastante para contar a ele. Ele também não pergunta. Se ele quisesse me usar, ele iria perguntar, não iria?"

"Sim, mas talvez ele esteja esperando…"

"Esperando? Para quê? Hermione, se ele quisesse mesmo saber de alguma coisa, eu saberia. Ele não conseguiria fingir tudo isso... toda essa gentileza e interesse... ele simplesmente não conseguiria."

"Mas ele quebrou o nariz de Ron! Ele me chamou de..."

"Eu sei, Hermione, mas ele foi educado para pensar e agir daquela forma. Não é culpa dele."

Se Hermione ao menos pudesse enxergar as coisas da forma dela.

"Ginny, não quero que você se machuque."

"Ele não vai me machucar… ele não me machuca. Ele até me ensina algumas coisas."

"O quê? Artes das trevas?" perguntou Hermione preocupada.

"Não! É claro que não. Ele me ajudou com meu Patrono." Ginny sorriu suavemente, lembrando-se daquele dia.

"Ele fez o quê? "

"Ele não iria fazer isso se não se importasse, iria? É uma desvantagem para os Comensais da Morte eu ser capaz de me defender."

"Há poucos instantes você me disse que era uma estudante sem importância, e agora está me falando sobre enfrentar Comensais da Morte e dementadores."

"No momento eu sou uma simples estudante... mas se algo acontecer como em Hogsmeade outra vez; e se tiver dementadores? Posso me defender deles. Posso salvar a minha vida e a de outros. Se ele não se importasse, não iria me ensinar. Hermione, por favor, você tem que acreditar em mim."

"Ginny, eu não sei. É que parece errado."

"Hermione…"

"Eu… Eu vou pensar a respeito, tudo bem?"

"É tudo que eu te peço." disse Ginny por fim, resignando-se.

"Eu tenho outra pergunta."

"Qual?"

"Por que você não me contou?"

Ginny olhou para o lado, observando suas vestes sujas de quadribol.

"Eu... eu não podia. Foi tudo tão maravilhoso, e eu não queria escutar suas preocupações. Eu já tinha as minhas, sabe, eu não queria explicar meus sentimentos e a situação e ele e tudo o mais para você. Eu não queria ver sua cara. Não queria ver sua decepção também. Eu apenas... não podia."

"Ah, Ginny! Eu apenas me preocupo com você!"

"Eu sei, mas…"

"Está tudo bem. Eu não vou mais te dizer o que fazer. Se você realmente acha que ele… gosta de você, eu não posso fazer mais nada. Eu quero que tenha cuidado. Afinal, você é minha melhor amiga."

"Obrigada. Você não sabe o quanto isso é importante para mim."

O silêncio pairou entre elas, e só foi quebrado quando Hermione sentou-se num banco e olhou de forma curiosa para Ginny antes de falar novamente.

"Então... como é que é?"

"O quê?"

"Sabe… beijar ele, conversar com ele? Como vocês se aproximaram? Como aconteceu? Você tem que me contar tudo!"

Ginny a encarou.

"Você… tem certeza que quer saber?"

"Certamente." Hermione sorriu.

"Acho que começou quando ele me salvou em Hogsmeade."

"Sim, eu imagine. Você procurou por ele, ele veio para Hogwarts, te salvou de novo, salvou a todos nós, mas, quer dizer... eu não desenvolvi um... relacionamento com ele!"

"Acho que tudo começou quando eu ouvi por acaso ele conversando com Malfoy."

"Quando foi isso?"

"Logo após o incidente com o nariz de Ron... Ele conversou com Malfoy na biblioteca e me pegou ouvindo. Ele então me ameaçou para que eu não contasse a ninguém. Eu disse que iria contar de qualquer forma, mas eu nunca contei de verdade."

"Ele te ameaçou….?"

"Não... não tão ruim assim. Ele não me machucou!"

"Tudo bem… mas como eu disse antes, eu não desenvolvi um relacionamento com ele."

"Desculpa, Hermione, mas fico feliz por isso." Elas compartilharam uma pequena risada antes de Ginny continuar. "Eu o encontrei na enfermaria novamente e nós tivemos nossa primeira conversa de verdade lá. Ele foi legal... admito que fiquei com um pouco de medo quando insultei Snape na frente dele, mas ele foi bem legal com relação a isso e me disse que também não gostava dele."

Hermione podia ver que Ginny estivera morrendo de vontade de falar com alguém sobre ele. A garota parecia estar fazendo um resumo de tudo.

"Então me aconteceu aquele acidente, onde ele me salvou de novo e eu soube que ele era o herói... ele não era hostil comigo como era com Ron. Ele era legal, eu acho. Ele me ajudou com uma lição de DCAT mais tarde, sabe aquela que você leu e achou perfeita? Eu escrevi com a ajuda dele. Em seguida teve a coisa dos Daywalkers... eu o agradeci depois daquilo na ala hospitalar. Ele foi até amável. Além disso, teve um momento... era de noite e nós caminhamos juntos até a Torre de Astronomia, onde tivemos uma longa conversa sobre tudo e nada. Foi perfeito. E... Você lembra aquela vez que eu voltei para a sala comunal e estava completamente feliz? Você me disse naquele dia que eu não conseguiria produzir o Patrono sozinha. Foi quando ele me beijou a primeira vez."

Hermione observou sua amiga ostentar aquele olhar distante que ela já vira em outras garotas quando falavam sobre os garotos que elas gostavam. Ela não pôde deixar de sorrir. Ginny definitivamente merecia alguém que a fizesse feliz, mesmo que ela não conseguisse entender porque tinha que ser o Príncipe das Trevas.

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Em algum lugar do castelo um loiro e um garoto moreno se encontraram após o loiro procurar pelo outro por quase uma hora. O loiro o informou que só levaria mais alguns dias antes de o moreno poder voltar para casa.

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1 Na versão em inglês dos livros Draco se refere a Harry e Ron como "Potty" e "Weasel", que na versão em português foi traduzido como "Potinha" e "Fuinha". Na fanfiction, versão em inglês, Draco chama Ginny de "Weaslette", então achei melhor deixar como o original ^^

N/A: Talvez vocês tenham percebido que eu mudei um pouco o jogo de quadribol. Em "The Darkness Within" Harry desmaia e acorda na ala hospitalar, onde Draco fala para ele sobre os escudos. Mas minha história é Universo Alternativo, o que vai ficar claro no próximo capítulo ou no seguinte. Não tenho certeza ainda, mas não fiquem surpresos se algumas coisas ou um pouco mais mudarem depois desse ponto. Estou com tantas ideias, e elas vão ter que acontecer afinal de contas :)