Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Seven – Shattered Trust
(Confiança Destruída)
Nas histórias, Ginny pensou, era sempre diferente. Se sua vida fosse uma história, ela teria percebido os sinais. Não teria sido como um dia normal. Ela teria visto o nervosismo de Damien, ela teria lhe perguntando por que estava preocupado e teria procurado por Harry com ele. Ela teria estado lá.
Ela tinha visto Damien, ele tinha lhe perguntado sobre Harry, mas ela apenas se preocupou com o fato de que Damien poderia saber. Ele não sabia. Ela não pensara nisso novamente até ter certeza de que Damien tinha perguntado a todo mundo que viu. Ela tinha entendido aquilo como algo normal. Encarou aquilo como a constante preocupação de Hermione sobre as lições de casa de Ron, como a preocupação de Ron sobre a comida ou a próxima partida de quadribol, como a preocupação de Damy sobre sua próxima travessura. Não tinha encarado como algo importante, mesmo que devesse ter feito.
Mas mesmo que a Ginny da história tivesse agido da mesma forma que ela, não teria terminado assim. Ela teria percebido seu erro assim que o som de uma grande explosão veio do lado de fora. Ela teria estado num corredor de qualquer forma. Ela teria ido para uma janela, teria visto algo, ou talvez não. Ela teria decidido ir à sala comunal, um pouco de medo do ataque de Hogsmeade ainda presente. Ela o teria encontrado, é claro, ele teria vindo correndo da outra direção, diminuindo a velocidade assim que a avistasse, e parando assim que estivesse perto o bastante. Ela podia imaginar a conversa deles agora.
"Harry! Você sabe o que está acontecendo?"
Ele assentiu e Ginny estava quase ficando aliviada, quando as palavras seguintes dele a fizeram congelar.
"Comensais da Morte."
"Comensais da Morte…?"
Ela olhou em volta aterrorizada, mas eles estavam sozinhos.
"Eles estão do lado de fora, não podem entrar, você está segura aqui."
"O que eles estão fazendo aqui, então?"
"Eles vão me levar para casa."
Ginny o olhou com espanto.
"Eles vão te levar para casa...?"
"Sim."
"Mas… você não pode ir!"
"Ginny… Eu tenho que ir. Eu quero ir."
"Mas… mas, e quanto a... nós?"
"Ginny, é minha casa. Eu tenho que ir."
"Então, termina aqui?"
"Sim, temo que sim… Tenho certeza de que vou te ver de novo, Ginny, mas… não num futuro próximo, não se eu puder evitar... seria perigoso demais."
Ginny ficou lá, sem realmente entender o que estava acontecendo. Ele estava partindo. Estava indo embora. Harry se inclinou, beijo-a suavemente uma última vez.
"Adeus, Ginny."
Ele se moveu novamente, correndo para longe dela. Ginny ficou onde estava, olhando para ele. Ele estava partindo.
Ginny sacudiu-se e voltou à realidade. Talvez numa história tivesse sido assim ou de um jeito semelhante, mas não tinha sido assim, nem um pouco. Ao invés de falar com ele, ao invés de encontrá-lo, ao invés conseguir andar, ela e Hermione tinham estado juntas no dormitório de Hermione, escondidas em um canto, abraçadas. Elas estavam aterrorizadas, repassando em suas mentes o ataque de Hogsmeade o tempo inteiro.
Parvati e Lavender as encontraram e informaram à Professora McGonagall, que tinha ido buscar Madame Pomfrey. A medibruxa foi até o dormitório e deu a cada uma delas uma poção para acalmar. Após a poção fazer efeito em ambas e elas secarem suas lágrimas, assegurando que não precisavam ficar na enfermaria, a Professora McGonagall trocou algumas poucas palavras com Parvati e Lavender, certificando-se que ambas respeitassem a privacidade de Hermione e Ginny, antes de levar as garotas já mais calmas para seu escritório, onde Damien e Ron estavam aguardando. Foi lá que elas souberam o que de fato tinha acontecido. Dizer que Ginny ficou chocada era um eufemismo. Ela tentou esconder, era bem provável que Ron não percebera e Damien estava pensando em Harry e nos seus pais e tudo mais, então não estava atento... e se Hermione notou... bem, então ela iria falar com ela... Hermione ia querer falar com ela de qualquer forma, ela sempre fazia isso.
Damien contou a eles sobre o ataque de Harry ao Sr. Potter, como ele tinha enganado todos eles com a Poção Polissuco, fazendo-os acreditar que ele era o Sr. Black, como Damien encontrou Sirius, como tinha escutado a ameaça sobre Azkaban, como ele tinha libertado Harry para que ele voltasse para casa.
Ginny ficou um pouco feliz por Harry. Ele não tinha gostado de Hogwarts, queria ir para casa e estava lá agora. Ele poderia ser feliz de novo, mas a tristeza, confusão e raiva que ela sentia eram maiores.
Tristeza por não poder vê-lo agora, confusão por não saber por que ele não tinha se despedido de forma alguma, e raiva... raiva por não saber. Damien tinha dito a eles que Harry estava ciente que os Comensais da Morte viriam. Se ele quisesse, podia ter se despedido, pois ele sabia que estaria partindo.
Mas havia uma parte dela que se sentia diferente, e essa era maior parte de seus sentimentos: ela estava assustada. Assustada por ele ter planejado matar o próprio pai e acusar Sirius Black por tudo. Ele teria destruído a vida de muita gente. A do Sr. Potter e do Sr. Black obviamente, mas também a de Damien e a da Sra. Potter, que teriam acreditado que um de seus amigos mais próximos os tinha traído... novamente.
E mesmo que tivessem descoberto que o Sr. Black era inocente... saber que seu próprio filho, seu próprio irmão tinha matado seu marido, seu pai... não havia palavras suficientes para descrever aquilo.
Enquanto andavam de volta para a Torre da Grifinória, podia-se ver em suas faces que estavam mais do que aliviados que o plano de Harry não tivesse dado certo.
Damien e Ginny se separaram de Hermione e Ron logo que entraram na sala comunal, onde alguns alunos lhes perguntaram o que tinha acontecido e se sabiam de alguma coisa, mas todos eles responderam que não e após Hermione ameaçar tirar alguns pontos, eles não perguntaram novamente. Damien subiu para seu dormitório, fugindo dos sussurros e olhares.
Hermione e Ron ficaram por um tempo na sala comunal, conversando baixinho num canto, antes de decidirem ir até Damien, tentar animá-lo um pouco. Hermione queria procurar por Ginny, mas Ron não entendeu porque ela deveria, e Hermione prometera a Ginny que não contaria a ninguém, então, ela foi com Ron até Damien, tentando imaginar como qualquer deles estava se sentido.
Enquanto Hermione estava preocupada com Ginny, a garota só queria ficar sozinha, pois assim não teria que esconder seus sentimentos. Talvez fosse normal ela estar chocada, triste, com raiva, ou o que fosse por Damien, mas não por si mesma, e ela não queria arriscar. Sentou-se em sua cama, fechando as cortinas e tentando relaxar um pouco, quando notou um pedaço de papel bem ao seu lado.
Confusa, ela o pegou e o virou, percebendo que não era um pedaço de papel, mas um envelope com seu nome escrito nele.
Claro que pensou logo em Harry, mas não pensou muito antes de rasgar o envelope e encontrar, de fato, uma pequena assinatura com o nome "Harry." Demorou alguns minutos para ela se acalmar o bastante e conseguir ler, e teve que suprimir o desapontamento ao ver o quão curta a carta era.
'Querida Ginny,
Acredito que você esteja bastante chateada comigo nesse momento, e eu posso entender.
Por um tempo eu pensei em te contar que estaria partindo, não que eu soubesse há tanto tempo, mas eu odeio despedidas e eu não podia sequer imaginar como dizer adeus a você. É mais fácil para mim dessa forma, e acredito que para você também.
Não queremos que os outros saibam sobre a gente, e é por isso que te peço para destruir essa carta depois que você a ler.
Adorei os momentos que ficamos juntos, e posso te dizer que vou pensar neles com frequência. Espero que faça o mesmo.
Harry.'
E enquanto apertava a carta, lendo-a repetidas vezes, a raiva de Ginny diminuiu um pouco, pois a carta fez as coisas melhorarem um pouco. Ele não estava com ela, talvez a quilômetros e quilômetros de distância, mas tinha pensado nela, tinha se despedido e ela podia, novamente, separar aqueles dois Harrys diferentes. De início ela nem percebeu que estava fazendo aquilo, mas em sua opinião havia dois Harrys. O que ela gostava, com quem passava tempo, que podia rir e brincar, que gostava dela também, e tinha salvo sua vida e a de seu irmão e seus amigos, e havia o outro Harry, o que era responsável por coisas que ela preferia não saber, como o ataque a James Potter. Essa era a parte má dele, o Harry Príncipe das Trevas... mas aquele não era o Harry dela, não o que deixou a carta para ela. Tudo estava melhor agora, o Sr. Potter estava vivo, o Sr. Black estava bem... tudo estava bem, desde que seu Harry estivesse com ela e o Harry do mau estivesse onde ele estava, a quilômetros dela.
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Ginny não gostava de sentar-se à mesa da Corvinal para tomar café. Ela não fazia isso com frequência, mas Luna sempre ficava feliz quando ela o fazia. Ela uma vez lhe dissera que a fazia sentir que tinha amigos. Claro que Ginny insistira que elas eram amigas de verdade, mas Luna apenas sorriu e Ginny se prometeu que sentaria com a amiga com mais frequência. Ela não gostava porque sempre a fazia sentir-se meio tapada. Todos aqueles alunos eram selecionados para aquela casa por serem inteligentes, e estava convencida de que era possível escutar aquilo pela forma como eles discutiam e mais ainda pelos assuntos que eles conversavam.
Ela tinha feito isso algumas vezes antes de Harry chegar... e agora que ele não estava mais lá, ela se prometeu que faria novamente. Mais algumas horas nas quais não teria que ver Hermione (a próxima boa oportunidade seria na hora do almoço) era outra boa razão, mas ela não estava tentando evitar Hermione – foi o que ela disse a si mesma.
Ginny tentou se concentrar na comida, ignorando conversas sussurradas ao seu redor. Eles estavam falando sobre Harry e do fato de ele ter segurado a mão de Bellatrix Lestrange para desaparecer com ela. Tinha se espalhado como fogo, e, logicamente, já havia um monte de histórias sobre motivos mais absurdos que o outro.
O falatório só parou quando as corujas entraram voando com as correspondências, e até Ginny tirou os olhos de seu prato para ver várias corujas chegando com jornais. Elas pousaram em frente aos alunos, que lhes pagaram rapidamente. Para Ginny, parecia que eles estavam esperando encontrar algumas respostas nas manchetes. Aqueles que não tinham jornal, olhavam cheios de expectativa para aqueles com o Profeta Diário em suas mãos.
Não muito longe de Ginny sentou uma garota, Ginny não sabia seu nome. Suas amigas olhavam curiosas para o jornal nas mãos dela, e antes que pudessem sequer perguntar, ela leu em voz alta:
HARRY POTTER LEAL A VOCÊ-SABE-QUEM!
ATAQUE DE COMENSAIS DA MORTE EM HOGWARTS!
DUMBLEDORE RESPONSÁVEL?
Harry Potter, 16 anos, filho de James e Lily Potter, um auror respeitável e a Professora de Poções de Hogwarts, desapareceu quando tinha apenas um ano de idade. Como o leitor pode se lembrar, ele foi declarado morto algumas semanas depois, quando um corpo foi achado. Nesse verão, um – como pensado ao tempo – milagre aconteceu e o garoto apareceu novamente, começando seu sexto ano em Hogwarts em Primeiro de Setembro.
Ontem à tarde, o impossível aconteceu: os escudos de Hogwarts foram derrubados e Comensais da Morte atacaram a escola. Diversos aurores foram assassinados, alguns ficaram feridos, mas por sorte nenhum aluno foi atingido. Testemunhas disseram ter visto Harry Potter segurando a mão de ninguém menos que a conhecida Comensal da Morte Bellatrix Lestrange.
Perguntando ao ministério da magia, descobriu-se que Harry Potter é, na verdade, conhecido como o Príncipe das Trevas, proclamado filho e herdeiro de Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, que foi capturado nesse verão. Albus Dumbledore, querendo dar uma segunda chance ao garoto, levou-o à Hogwarts, colocando-o em meio a crianças inocentes.
Tendo apenas 16 anos, alguns leitores podem se questionar o que ele poderia ter feito, mas foi descoberto que ele não apenas teve um papel fundamental na tortura de Alice e Frank Longbottom, mas que ele próprio foi quem os assassinou. Além disso, ele é acusado de matar várias outras pessoas.
Dar uma segunda chance a um assassino conhecido? Ainda mais, deixá-lo próximo a crianças em vez que enviá-lo para Azkaban? O diretor Dumbledore finalmente foi longe demais? O Departamento de Execução das Leis da Magia investiga.
Mais informações em:
Do que Harry Potter é acusado, veja na página 2.
O ataque dos Comensais da Morte em Hogwarts, página 3.
A segurança de Hogwarts, página 5.
O que acontecerá a Dumbledore, página 8.
Como Harry Potter desapareceu, veja na página 10.
Bellatrix Lestrange, página 11.
O que aconteceu aos Longbottom, veja na página 13.
Por alguns minutos, um silêncio chocante tomou conta do Salão Principal, até que vozes pareciam vir de todo lugar. Alunos gritavam um por cima dos outros, mas Ginny só tinha olhos para as grandes letras maiúsculas que encabeçavam a manchete. Finalmente, ela desviou o olhar delas, procurando por Damien, Ron e Hermione em meio à multidão na mesa da Grifinória. Ela viu Neville correr para fora do Salão. Muitos alunos deram conta disso. A ruiva finalmente os encontrou, sentados mais próximos que normalmente com um jornal em frente a eles. Seus olhos encontraram os de Damien e ela tentou esboçar um sorriso confortante, mas ele desviou o olhar quando Dean perguntou-lhe alguma coisa.
Tinha sido alguma pergunta atrevida, pois Ron ficou com muita raiva, e até mesmo Hermione pareceu ter dito algo. Eles se levantaram e saíram do Salão Principal, um deles de cada lado de Damien, protegendo-os dos olhares e dedos apontados.
Ginny os seguiu com o olhar até que não mais pudesse avistá-los. Olhou para seu prato novamente, não estava mais com fome. Quando levantou o olhar de novo, seus olhos encontraram os de Luna... e alguns outros corvinais também estavam olhando para ela.
"Esse artigo é um completo lixo," disse Michael Corner. Ginny olhou para ele e piscou. "Quer dizer... provavelmente é uma campanha contra a família Potter."
"Mas pode ser verdade," argumentou Anthony Goldstein, um dos amigos dele.
"Não seria a primeira vez que o jornal escreve o que o ministro diz… É tudo um simples jogo político. Tirar a influência dos Potter e do diretor Dumbledore de uma só vez? Parece suspeito."
"Falando dessa forma, Michael, outro ponto a se considerar é que eles não nomeiam nenhuma fonte... o que aponta para algo inventado também."
"Você notou como eles nos chamaram de criancinhas inocentes, Anthony?"
"Sim, eu percebi."
"Nós meio que somos inocentes, não somos…? Quer dizer, no que diz respeito à guerra."
Quando Ginny disse isso, pensou em Harry e em quando ele lhe dissera algo daquele gênero.
"Ah, claro que somos... ninguém disse o contrário. Mas nesse caso é mais uma figura de linguagem que qualquer outra coisa. Eles querem que as pessoas fiquem em pânico, que ajam sem pensar primeiro. Quando há crianças envolvidas, é sempre assim. Quase todas as famílias têm uma criança em Hogwarts... é claro que vão ficar em pânico, sem nem questionar os motivos." Michael explicou seus argumentos.
Anthony acrescentou:
"Dessa forma será mais fácil se livrar do Professor Dumbledore."
"Não é como se fôssemos, por exemplo, como os grifinórios – sem ofensas, Ginny – que agem e pensam depois. Vocês viram como eles se afastaram do Potter mais jovem?"
"Claro que sim, Michael. Acho que quase todos viram."
Ginny pensou por um instante em dizer-lhes que era mesmo verdade, mas decidiu não fazê-lo. Era bom que nem todos pensassem que Harry era completamente mau. E ela também não achava que Damy ficaria feliz se ela contasse a eles... normalmente, os alunos tinham muitas perguntas, e se o incidente na mesa da Grifinória não passara despercebido, só iria piorar se alguém confirmasse a história.
Antes que alguém tivesse a ideia de perguntar sua opinião, ela se levantou, pediu licença, mas Luna apenas assentiu, dizendo algo sobre confiar nas decisões de Ginny. Ela não pôde evitar encarar a amiga por alguns segundos após o comentário, mas, por fim, caminhou para fora do Salão também.
Primeiro pensou que dar uma caminhada ou algo do tipo seria o melhor para evitar os outros, mas, afinal de contas, ela era amiga de Damien também, e ele precisava dela ou pelo menos de alguém que entendesse, isso estava claro, e Hermione não ousaria falar nada na frente dos garotos.
Ela de fato os encontrou no dormitório de Damy, olhando pela janela, falando em sussurros apressados, enquanto Ron tentava fazê-los pensar em algo diferente, sugerindo um jogo de xadrez repetidas vezes até que, por fim, Damy concordou.
Eles passaram o dia inteiro daquela maneira. Nem ao menos foram almoçar no Salão Principal, mas afanaram algo na cozinha para evitar a multidão de alunos. Parecia ser a decisão correta, visto que mesmo aqueles que encontraram nos corredores – e eram apenas alguns, nunca mais que cinco num grupo – não foram amigáveis com eles. Alguns foram mais longe o bastante, perguntando como eles puderam esconder algo desse tipo, pois concluíram que se eles andavam com Harry, então eles sabiam.
Outros perguntaram se a história era verdade, e outros perguntaram como era conhecer um assassino. Esses eram os piores... mas pior do que os alunos, Ginny pensava, era a reação de Damien a eles. Ele apenas olhava para o chão, deixando que Ron, Hermione e ela brigassem, algo que ele normalmente nunca fazia.
Apenas pelo jantar eles resolveram ter uma refeição normal novamente, porém só porque Hermione insistiu que eles não podiam deixar aquelas pessoas controlarem a vida deles. Enquanto estavam comendo, uma edição extra do Profeta Diário chegou, cujo título era: "Dumbledore não é mais o Presidente da Confederação Internacional dos Feiticeiros; outras consequências virão?" Mas Ginny nem ao menos queria ler ou escutar enquanto Hermione lia a notícia em voz alta.
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Nos dias que se passaram a situação ficou ainda pior. Os alunos ficaram mais rudes e raivosos com o grupo deles, e após uma gritaria na qual Neville quase atacou Damien, o Sr. e a Sra. Potter, assim como o diretor, decidiram que seria melhor Damy deixar a escola mais cedo. Eles esperavam que após o recesso do Natal os alunos tivessem se acalmado o bastante para deixar o pobre garoto em paz, já que ele não podia ser responsabilizado por nada.
As coisas melhoraram depois daquilo, mas Hermione, Ron e Ginny decidiram sempre andar juntos para o caso de alguém tentar algo novamente. Não aconteceu, mas eles preferiam prevenir a remediar.
Todos estavam ansiosos pelo feriado, onde esperavam poder relaxar um pouco. Ginny era, na verdade, a única que não queria ir para casa. Ela temia cada oportunidade que Hermione tinha de falar com ela. A garota tinha tentado algumas vezes, mas Ginny não dissera nada, deixando claro que não queria falar sobre Harry.
Poderia ser legal ter alguém para contar tudo, mas ela não queria que Hermione questionasse a coisa toda; a carta, os artigos no jornal, o que ela devia fazer agora ou o que fosse que Hermione queria falar com ela.
Foi logo depois de um daqueles momentos incômodos nos quais eles estavam sentados à mesa da Grifinória tomando café. As corujas vieram, como sempre na hora certa, e um silêncio caiu sobre todos, o que usualmente acontecia quando um artigo sobre Harry como o Príncipe das Trevas fora publicado.
Uma foto imensa da Marca Negra chamou a atenção de Ginny para o artigo que Hermione leu, mas antes mesmo que a garota o lesse, a manchete provocou arrepios em sua espinha:
PRÍNCIPE DAS TREVAS MATA CASAL
Há apenas algumas horas, aurores foram chamados à casa da família do Sr. e da Sr. Randhawa, mas eles chegaram tarde demais, já que ambos se encontravam mortos quando eles chegaram e a Marca Negra acima de sua casa.
Uma testemunha trouxa, que posteriormente foi obliviada, disse ter visto um adolescente de cerca de dezessete anos com cabelos negros sair da cena do crime. É claro que o candidato mais provável é o Príncipe das Trevas, que escapou de Hogwarts há duas semanas. Ele foi a única pessoa que o homem viu, o que torna tudo mais provável, porque, conforme nos contou um auror, o Príncipe das Trevas costuma atuar sozinho.
O Sr. Randhawa trabalhava para o Ministério, no Departamento de Cooperação Internacional em Magia, mas ainda não está claro o porquê de seu assassinato. Há rumores de que o Sr. Randhawa fazia parte de uma organização secreta que luta contra Você-Sabe-Quem [...]
Ginny não sabia muito bem como chegou onde estava depois de ver o nome da família. Tinha acontecido como em um sonho, onde você só se lembra de estar ali e em algum outro lugar no momento seguinte. Você apenas sabe que chegou ali e talvez se lembre de algumas poucas imagens, como de estar andando numa rua, mas é tão rápido que você nunca poderia ter andando o caminho inteiro, pois você sabe que na realidade é muito mais distante e levaria muito mais tempo para chegar ao destino. Era assim que Ginny se sentia, quando se acalmou o bastante, quando as lágrimas secaram e apenas seus olhos vermelhos indicavam que ela tinha, de fato, chorado.
Ela faltou às aulas do dia, sem nem pensar no que as pessoas diriam, no que seus pais diriam, no que seus professores ou colegas de classe diriam. Não importava, não valia nem a pena pensar nisso. A escola não era nada comparada àquilo. Em comparação com aquele sentimento... aquele sentimento que de início foi tão difícil entender. Ela repetia constantemente a mesma frase, uma e outra vez, repetidamente, como se isso fosse fazer o sentimento ir embora... e no fim ajudou-a a entender o que ela sentia. Ela se sentia traída. Assim que viu a manchete, ela soube, ela soube o que ele fizera... o que ela fizera. E tudo... tudo tinha se encaixara, toda memória estúpida tinha se repetido em sua mente, e o riso dele soou sarcástico. Era tudo tão errado e ela... ela, estúpida, estúpida como era, tinha acreditado, tinha confiado nele. Ela tinha confiado vidas a ele, não apenas seus sentimentos idiotas, mas as vidas de duas pessoas e ele... ele tinha feito o imperdoável... ele tinha usado aquela informação. Eles estavam mortos. Eles tinham sido torturados. Tinham sentido dor, e era culpa dela. Sim, eles tinham os matado... ele os matara; ele os tinha feito gritar de dor, mas ela... se ela não tivesse dito a ele, ele nunca saberia... nunca! Parte daquilo era culpa dela. E talvez essa fosse a pior parte.
Sim, ela tinha gostado tanto dele e era… era como se a fronteira cuidadosamente desenhada por ela entre o seu Harry e o Harry mau tivesse desaparecido... não, não tinha nem mesmo existido. Foi sua imaginação ridícula que a fez acreditar que estivesse lá, em primeiro lugar. Não! Era ainda pior. O Harry dela não existia. Se o seu Harry existisse, ele tinha impedido sua parte má… nunca teria acontecido. Mas acontecera! Tinha acontecido! Não era um pesadelo idiota, onde ela acordava e tudo acabava. Nunca iria acabar. E saber que ela teria que viver com aquele pensamento, com aquela dor... era assim que o inferno devia ser. Ela nem sequer sentia que merecia viver, mas ela merecia menos ainda evitar aquela dor, e morrer significava evitá-la.
Novas lágrimas frescas correram por seu rosto, mas ela se forçou a repassar as memórias novamente, para que ela visse o quão tapada era... para certificar-se de que isso nunca, nunca, nunca mais iria acontecer com ela de novo.
"Ah, Ginny, a guerra vai destruir sua inocência tão rápido..."
Se aquelas não fossem palavras dele… ele já sabia desde então o que iria fazer? Talvez soubesse, talvez não. Ela tentou limpar suas lágrimas, mas elas caíram ainda mais. Há poucos momentos estivera certa de que não havia mais lágrimas para ela chorar.
"No que me diz respeito, nunca farei parte disso aqui. Eu pertenço à Sonserina, e sempre será assim."
Aquilo tinha sido um aviso? Teria ele rido pelas costas dela por ser tão tola, por ter tentado repetidas vezes chamar a atenção dele? E o que ele tinha dito a Malfoy? Que ela tinha ouvido a conversa e ameaçado contar a alguém? Ela se concentrou e pensou, chegando às exatas palavras que ele tinha dito.
"Tudo que preciso fazer é jogar por um tempo. Tenho que jogar sem me arriscar, fazê-los pensar que eu não tenho escolha, a não ser seguir suas ordens. Assim que abaixarem a guarda, poderei me divertir. Vou separá-los e destruí-los."
Ele tinha planejado desde o início que ela seria sua vítima? Eram tantas as perguntas para as quais ela nunca encontraria uma resposta... mas conseguir as respostas significava encontrá-lo, e ela achava que não queria vê-lo nunca mais. Não queria ver seu sorriso, sua arrogância ou escutar as palavras dele. Já estava doendo o bastante.
"Posso te dizer que vou pensar neles com frequência. Espero que faça o mesmo."
Mesmo as palavras que a tinham acalmado, que a tinham deixado feliz, só a estavam machucando mais ainda agora... esperto como ele era, ele tinha planejado aquilo. Ele sabia que ela iria confiar na carta, que iria confiar nele, apenas para destruir isso, para fazer aquilo ser mais difícil, ser ainda pior, quando ele agisse com seus reais sentimentos.
Estava deitada no chão há muito tempo, e sentiu suas costas doerem como o inferno, mas ela não queria levantar, enfrentar o mundo novamente, enfrentar Hermione, que teria notado seu desaparecimento repentino. Ela provavelmente devia ter corrido da mesa. É claro que os outros teriam perguntas. O que devia dizer a eles? Ela quase torceu para que Hermione a encontrasse para ajudá-la a sair daquela bagunça. Mas o medo do "eu te disse" de Hermione ainda era maior. Hermione sempre estava certa. Sempre. E ela, ela tinha até defendido ele, desmiolada como era.
Ginny suspirou, decidindo que era hora de levantar. Suas pernas doíam, pois tinha ficado com elas o mais perto de seu corpo possível, enrolada no chão frio do banheiro. A primeira coisa que fez foi se esticar, em seguida foi a uma das pias e se olhou no espelho. Estava horrível. Seu cabelo estava uma bagunça total, os olhos estavam mais vermelhos que seu cabelo e suas roupas estavam amarrotados.
Tentou usar a torneira, mas ela não funcionou. Não era de se admirar que ninguém tivesse aparecido para usar o banheiro. Ela não desistiu, e testou a torneira seguinte, que funcionou. Ginny salpicou um pouco de água em seu rosto e tentou esticar suas roupas, mas era um caso perdido.
Uma olhada em seu relógio, disse-lhe que era a hora do jantar e, sem pensar realmente nisso, fez seu caminho em direção à sala comunal. Não teria oportunidade melhor para ir ao seu dormitório sem que a vissem; onde ela poderia tomar um banho e trocar de roupa antes de ir para a cama. Não que achasse que conseguiria dormir, de modo algum... mas era a maneira mais segura de evitar todo mundo.
Hermione não parecia concordar com seu plano, pois a outra garota estava sentada em sua cama quando Ginny entrou no dormitório. Bastou olhar para a garota para a ruiva perceber que ela estava preocupada, e antes que Ginny dissesse qualquer coisa, Hermione atravessou o quarto, dando-lhe um longo abraço.
"Ron… Ron me disse que eles eram da Ordem e ele disse que seus pais os conheciam e que você os conhecia, e... Eu sinto muito, Ginny."
"Você estava certa."
"Eu… perdão?"
"Você estava certa sobre, você sabe… ele."
Hermione olhou para a garota, sem entender o que ela queria dizer, mas Ginny apenas soluçou. Ela estava chorando novamente. Hermione se aproximou ainda mais, abraçando-a mais uma vez. Após se acalmar, ela lhe contou tudo. A garota mais velha ficou parada – depois de um tempo se sentou, pois elas foram até a cama – escutando-a, sem dizer nada. E quando ela terminou, Hermione a abraçou de novo e lhe entregou um lenço, com o qual ela secou as lágrimas e assoou o nariz. Hermione não lhe disse que tinha razão uma vez sequer.
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O dia seguinte era a véspera do feriado de Natal, e foi o dia em que o primeiro anúncio de recompensa pelo Príncipe das Trevas apareceu nos jornais. Hermione segurou o artigo de modo que Ginny não pudesse ver a foto dele, mas ela viu a lista de nomes embaixo, e isso foi muito ruim... mas ela não tinha certeza, pois talvez ver o rosto dele fosse ainda pior. A amiga segurou a mão da ruiva todo o tempo, sem que ninguém ao redor percebesse. Hermione de fato era a melhor amiga que uma garota poderia desejar.
