Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Eight – Draco's Mission
(A Missão de Draco)
Severus Snape sabia, de alguma forma. O.k., talvez ele não soubesse, mas ele queria acreditar que aquela era a razão pela qual se sentira tão mal quando acordou naquela manhã. Era sempre melhor pensar assim do que chegar à conclusão de que ele não tinha ideia alguma do que estava à frente dele – deles.
A verdadeira razão para o seu mau humor tinha sido o álcool e ele sabia disso – muito obrigado – mas era melhor imaginar que tinha sido sua mente brilhante dando-lhe um aviso. Um aviso que ele podia ter precisado, quando pouco depois de um breve café da manhã no Salão Principal – um pouco de chá e alguns pontos da Grifinória – Lucius Malfoy o estava esperando em seu escritório.
Estava curioso para saber como o outro homem conseguira entrar sem seu conhecimento, mas não perguntaria de jeito nenhum. Nunca perguntava. Você tem que ser esperto o bastante para descobrir sozinho ou não valia a pena saber de qualquer maneira.
Após algumas cordialidades – alguns argumentariam que tudo que ele fez foi oferecer um assento a Lucius, o qual ele recusou, mas isso estava fora de questão –, Lucius começou a conversa de verdade, enquanto analisava suas estantes e os ingredientes de poções sobre elas. Ele não gostava de admitir, mas Lucius os conhecia bem... Ele sabia de tudo que tinha a ver com poções muito bem. Era arriscado e Severus sabia disso. Se ele alguma vez falhasse em sua função de espião, o Lorde das Trevas não precisaria mais dele. Ele tinha Lucius para substituí-lo como mestre de poções, então, ele não podia falhar. Ele não estava do lado do Lorde das Trevas e não acreditava que isso fosse mudar, não depois do que acontecera, mas todo bom sonserino precisava e tinha opções. Não precisava nem dizer que Severus Snape era um bom sonserino.
A conversa tinha sido breve e sem muitas informações. A pedido de Lucius, ele tinha procurado e achado Draco, levando-o até seu pai. Severus esperou do lado de fora enquanto eles conversavam. Desnecessário dizer que ele tentou escutar, mas a palavra chave foi " tentou."
Ambos, pai e filho, saíram logo em seguida. Draco pela porta, Lucius pela lareira. Severus tinha esperando uma hora, na qual ele deu aula a uma turma de Corvinal e Lufa-Lufa, antes de ir ao escritório de Dumbledore. Caso alguém o visse e informasse a pessoas erradas, ela podia dizer que tinha algo a ver com um pirralho da Lufa-Lufa cujo feitiço tinha saído pela culatra novamente, por ele não estar prestando atenção à aula, e mesmo uma discussão com o aluno e a Professora Sprout não ajudara, visto que a diretora da Lufa-Lufa apenas abraçava as crianças postas sob seus cuidados.
Ele fez um breve relato e eles concordaram em marcar um encontro da Ordem para aquela mesma noite. O encontro começaria a qualquer minuto… ou quando Dumbledore resolvesse aparecer.
É claro que aquilo não ajudou no mau humor de Severus de forma alguma, visto que ele evitava aqueles encontros ou mais precisamente a maioria das pessoas que compareciam a eles.
Eles estavam na sede, sentados na casa onde Sirius Black cresceu. Severus zombou só em pensar nisso. É claro que ele preferia que fosse num lugar diferente, mas havia coisas mais importantes, afinal.
Dumbledore finalmente entrou, fechando a porta atrás de si. Ele selou a porta com uma espécie de Feitiço Silenciador, para ter certeza de que eles não seriam ouvidos por outras pessoas que não estavam no cômodo. Não seria muito bom que alguém os escutasse, nem mesmo os elfos domésticos.
"Boa noite, meus amigos."
A maioria dos presentes cumprimentou-lhe em resposta. Severus se manteve calado.
"Como devem se lembrar, da última vez nós falamos sobre o jovem Harry e das consequências de sua partida. Não há novas notícias sobre ele, mas essa manhã Severus recebeu a visita de Lucius Malfoy. Severus, se puder nos informar, por favor?"
"É claro, diretor... Eu soube que Lucius estava lá em nome do Príncipe das Trevas para falar com seu filho acerca de alguma missão atribuída a Draco, mas não consegui escutar o que lhe foi ordenado fazer."
Alguns membros da Ordem sussurraram entre si, mas é claro que foi Black quem falou.
"Isso é tudo? Inútil como sempre, Snive..."
"Posso lhe assegurar que se houvesse mais para contar, eu contaria, Black. Um Comensal da Morte não costuma conversar sobre suas missões, não se ele jurou mantê-las em segredo, não se é ele o único a ser punido caso falhe, mas elogiado caso obtenha sucesso. As ordens são sempre rígidas nesse sentido."
"Você tem alguma sugestão sobre o que poderia ser? E, por favor, chame-o de Harry, Severus. Ele é meu filho, afinal de contas."
Levou um tempo para ele se recompor… é claro que ele sabia que Lily era casada e tinha filhos. Como podia esquecer?
"É provável que tenha a ver com a missão que o Príncipe das Trevas não conseguiu completar."
Lily preferiu não dizer nada sobre ele não estar se referindo a seu filho como ela queria. Ele não iria obedecer. Ele também não chamava o Lorde das Trevas pelo nome. Ele virou a cabeça e viu Potter fechar os olhos por um momento, obviamente revivendo a memória de seu filho mais velho tentando matá-lo. Que fim dramático teria sido. Mas, não tinha sido caso... felizmente.
"Nós... Sirius e eu, seremos mais cuidadosos, então."
"James! Ele não pode ser tão perigoso. Ele tem apenas dezesseis anos... ah... sim, certo."
Black provavelmente pensara ou dissera algo semelhante antes de ir parar no hospital, com seu melhor amigo quase morto em seus braços na primeira vez que tinham encontrado o Príncipe das Trevas.
"Meus queridos amigos... Eu temo que não há muito que possamos fazer. Todos vocês têm que ser ainda mais cuidadosos. As medidas de segurança em Hogwarts estão mais elevadas desde o... ataque, mas eu vou providenciar para que os corredores sejam patrulhados com mais frequência. Severus, por favor, fique de olho no jovem Sr. Malfoy e tente descobrir que missão lhe foi confiada."
xxx
Alguns dias depois, Severus estava ensinando a uma turma do sexto ano. Ele tinha-lhes designado para tentar um feitiço de escudo especial um contra o outro. Até então, ninguém tinha conseguido, mesmo que estivessem se esforçando. Mesmo com o feriado de Natal chegando em duas semanas, todos estavam dando duro. O ataque abalara todo mundo, o fato de que um deles – o melhor deles – era não apenas parte, mas um líder do lado das trevas, ainda mais.
Eles queriam provar que também podiam fazer algo, e é claro que Severus estava satisfeito. Que professor não estaria, se de repente seus alunos estivessem mais concentrados, tentando mais, trabalhando melhor?
Mas um deles não estava se esforçando tanto quanto os demais. Ele observou quando Draco levantou a varinha novamente, mas apenas um pequeno brilho escapou dela. O garoto parecia cansado, mas apenas para aqueles que conseguiam ver através de sua máscara. O sinal tocou. Um movimento de sua mão foi suficiente para fazer com que eles recolhessem suas coisas e deixassem a sala. Seus olhos pousaram em Draco, que quase tropeçou em sua mesa.
"Sr. Malfoy, uma palavra, por favor."
O garotou olhou e acenou brevemente com a cabeça antes de recolher suas coisas. Severus teve um vislumbre de um livro com o qual estava familiarizado, mas foi por apenas um segundo, antes de ele ficar fora de visão. Draco demorou mais do que nunca, mas ele finalmente ficou de frente à mesa do Professor.
O silêncio pairou entre eles, no qual Severus apenas o encarou e Draco apenas olhou para a mesa, claramente evitando os olhos de Severus.
"Acredito que seu pai tenha lhe falado sobre uma missão que tem de cumprir." Draco não demonstrou reação alguma. "Você parece cansado. O que quer que seja, você não devia se exigir tanto. Há tempo suficiente..."
"Isso é tudo, Professor?"
Severus apertou os olhou. O garoto nunca fora indelicado antes. Não com ele, pelo menos.
"Eu posso ser capaz de te ajudar."
"Ele foi muito claro em suas ordens, senhor."
"Ele não precisa saber."
Draco levantou o olhar e por apenas um segundo seus olhos se encontraram, mas o garoto olhou para baixo novamente.
"Isso seria traição, Professor."
Não havia mais nada a dizer depois daquilo.
"Pode ir, Sr. Malfoy."
Após um breve aceno, Draco desapareceu da sala, mas Severus tinha um indício do que procurar depois, e era tudo que ele precisava, pois, afinal de contas, "Poções Muy Potentes" não era um livro que os alunos estavam autorizados a ler.
xxx
No intervalo seguinte, Severus dirigiu-se à biblioteca após ter checado sua coleção particular de livros. Seu exemplar do livro estava onde deveria estar, agora ele queria se certificar de que o exemplar de Hogwarts também estava. Não havia muito que ele pudesse fazer, e era provável que Draco tivesse conseguido o livro com seu pai ou com o Lorde das Trevas, mas ele tinha que verificar todas as possibilidades.
É claro que era mais importante saber exatamente que poção Draco estava querendo preparar, e ele nem mesmo tinha certeza de que Draco necessitava preparar uma poção para sua missão. Ele poderia estar lendo aquele livro por acaso.
É claro que a primeira coisa que fez foi checar com Lily se ela tinha feito referência àquele livro em suas aulas de alguma forma, visto que Draco se interessava por poções e, afinal, havia alunos que liam mais do que o necessário (ou do que o permitido). Mas ela não mencionara, e foi por essa razão que Severus desenvolveu a opinião que, de fato, tinha algo a ver com sua missão.
Verificar onde Draco obtivera o livro – enquanto, é claro, olhava atentamente em cada possível sala onde alguém poderia preparar uma poção – era algo que ele podia fazer… e ele tinha que fazer alguma coisa.
Severus gostava de pensar que a bibliotecária não gostava dele e que era apenas sua posição como professor que a impedia de repreendê-lo sempre que colocava o pé em seu território. Infelizmente, isso não a impedia de espiá-lo, o que, é claro, fez com que ele montasse sua própria coleção de livros e quase nunca pisasse naquele lugar – era cheio de alunos, de qualquer maneira.
Em algum momento no passado, ela começou a arregalar os olhos assim que ele entrava no local, e essa vez não foi exceção. Aquela mulher devia acreditar que ele não lia nada – o que, naturalmente, não era verdade.
Ao invés de perder tempo, ele caminhou em direção à mulher e perguntou se podia dar uma olhada na lista dos livros que Draco Malfoy tinha pegado emprestado – o que, naturalmente, soou mais como um comando.
Madame Pince lançou-lhe um de seus olhares em resposta, mas procurou a lista mesmo assim. Ela finalmente apareceu com a lista, mas bastou uma breve olhada para ver que não encontraria nada de interessante, visto que estava quase em branco, com exceção de um livro de história que Severus sempre fazia referência antes de qualquer de seus alunos sonserinos colocarem os pés na sala de história da magia, fazendo Binns desperdiçar todo seu talento possível.
Qualquer outro aluno, Severus acreditaria que ele ou ela fosse preguiçoso ou preguiçosa, mas tratando-se de Draco Malfoy... sempre que o garoto precisava de um livro, seu pai comprava. Era como se pegar um livro emprestado na biblioteca fosse algo que estivesse abaixo de sua altivez. Sentiu-se um tanto ferido pelo fato de o garoto não ter achado que valia a pena comprar aquele livro que indicara.
Devolveu-lhe a lista e após checar rapidamente na Seção Proibida, viu que o livro estava onde pertencia, restando-lhe apenas uma coisa a fazer: vigiar as salas de aula e Draco Malfoy, especialmente à noite.
xxx
Desde o momento que vira seu pai, sabia que devia ser algo importante. De maneira calma e contida que só os Malfoy possuíam, ele tinha sido informado de sua tarefa. Dizer que ele estava animado era um eufemismo.
Seu pai lhe dissera que completar essa missão significava que ele estaria a um passo de se tornar um Comensal da Morte. Agora ele tinha a chance que sempre quis: uma chance para provar do que era capaz, para mostrar suas habilidades. Ele não iria decepcioná-los.
Sabia que não seria fácil concluir a missão, mas seu pai prometera ajudar, dissera que Harry ajudaria, que ele apenas precisava que os primeiros passos fossem dados.
Apenas um segundo de devaneio sobre a glória era motivação suficiente para começar logo após as aulas. Primeiro ele precisava de um plano para ter uma ideia de onde estava, e foi por isso que ele não fez nada além de escutar os filhos dos traidores de sangue e a sangue-ruim.
Apenas por acaso ele descobriu – e não através daqueles a quem estivera escutando, mas por meio de um sangue-ruim do ano deles – que, de fato, tinha sido Potter Junior quem empacotara as coisas de Harry.
Um dia tentando seguir o garoto tinha sido o suficiente para quase levá-lo à loucura. Era quase impossível seguir os passos dele, visto que ele parecia se esconder sempre que possível, usando atalhos que Draco jamais ouvira falar. Foi a única vantagem que Draco obteve, de qualquer forma: o conhecimento dos atalhos. Útil, mas não tanto quanto a informação que ele queria obter.
Potter não tinha conversado com ninguém, então não houve muito que escutar, levando Draco à conclusão de que não estava fazendo o suficiente. A missão tinha um prazo... um prazo bastante curto, significando que devia estar completa assim que ele pisasse no Expresso de Hogwarts para passar o feriado de Natal em casa.
Sua tentativa frustrada de escutar a informação tinha sido um golpe para ele, mas não era algo com que não pudesse lidar. Um dia depois e uma boa leitura deu-lhe uma nova ideia, que incluía uma das melhores poções para espiar já inventadas. É claro que era difícil prepará-la e só tentar reunir todos os ingredientes necessários iria levar um mês... um mês que Draco não tinha.
Uma visita noturna à sala de aula de poções e outra ao estoque pessoal de Snape não lhe trouxe êxito, pois, obviamente, não encontrou a poção no estoque de nenhum dos dois professores.
Mas como Draco fora ensinado desde a mais tenra idade: não havia nada que uma carta para seu pai não pudesse resolver, e então, logicamente, ele escreveu para casa, codificando a poção, como tinha sido ensinado.
O feriado de Natal seria em doze dias, quando finalmente o pacote com a poção chegou. Porque seu pai assumiu o risco de o pacote ser revistado estava além de seu conhecimento (é claro que não estava rotulado como a poção ou como qualquer poção, mas escondida numa garrafa que parecia ser de um fino vinho dos elfos, mas ele podia ter ido levar para não correr risco...). A única explicação que ele encontrou foi que seu pai pensara que mesmo se alguém descobrisse do que se tratava, eles não poderiam fazer nada, pois não sabiam se Draco iria usá-la, quando iria usá-la, o corpo de quem ele tomaria ou que ele estaria fazendo aquilo por Harry e, de alguma forma, para o Lorde das Trevas.
Conseguir o cabelo do traidor de sangue era fácil... fácil demais considerando os tempos que estavam vivendo. Provavelmente o garoto não tinha percebido o que alguém podia fazer com apenas um fio de seu cabelo, mas ele não costumava mostrar preocupação normalmente. Esgueirar-se no vestiário masculino da Grifinória tinha sido a parte mais complicada, mas mesmo aquilo não tinha sido tão difícil.
Encontrou o uniforme facilmente em um dos armários – um rápido Alohomora tinha sido o bastante – e o cabelo vermelho não era difícil de encontrar. Em meia hora ele conseguira o cabelo e estava de volta ao seu dormitório, colocando-o cuidadosamente em um tubo de ensaio.
xxx
Outra coisa que Severus podia fazer era vigiar o correio coruja, o que teria sido muito mais difícil há alguns anos atrás. Agora, tudo que precisava fazer era dar uma olhada na sala onde todas as corujas chegavam e eram checadas por Filch através de um dispositivo especial que detectava magia.
É claro que Severus dissera a Filch que queria ver todos os pacotes e cartas enviadas a Draco Malfoy antes que fossem entregues ao garoto, e não ficou desapontado quando encontrou uma boa garrafa de vinho dos elfos na primeira encomenda.
O detector de magia não encontrara nada mágico, mas Severus era esperto, e ele sabia que Lucius também o era.
Uma rápida averiguada provou que suas suspeitas estavam corretas, mas ainda havia muitas perguntas a serem respondidas. Uma delas era o que Draco queria com Poção Polissuco.
xxx
Draco sabia que antes de tomar a poção tinha que concluir duas outras etapas. Uma era encontrar um álibi e a outra era certificar-se que Weasel não invadisse a sala enquanto Draco fosse ele. Não... Enquanto Draco estivesse com a aparência do Weasel. De forma alguma ele seria o Weasel.
O álibi era mais fácil de conseguir. Seu plano era começar uma briga com Pansy Parkinson (insultá-la), então ela iria se esconder em alguma sala. Ele tomaria a aparência do Weasel e iria descobrir o que tinha de descobrir. Então, ele iria até a sala e usaria um feitiço de memória em Pansy.
O pior que podia acontecer com a garota era ela não se esconder numa sala de aula. Mas Pansy iria, então, a pior coisa que poderia acontecer era ela contar a alguém que ele tinha pedido desculpa ou algo igualmente estúpido. Mas tinha que haver sacrifícios.
Pegar Weasel sozinho foi mais difícil, mas após observá-lo por um dia (e parte do outro dia no qual ele tentou escutar Potter), ele sabia que havia três possibilidades: em primeiro lugar, a sangue-ruim, em segundo quadribol e, por último, comida.
Enganar a sangue-ruim seria muito difícil, então só restavam duas possibilidades. Comida estava fora de questão também. Teria que encontrar a cozinha para que ele ou algum elfo-doméstico pudesse manipular a comida com uma poção (e ele iria precisar de outra poção para tanto) ou poderia tentar dar algo para o Weasel comer, mas ele não parecia tão desesperado assim. Os alunos eram alimentados em Hogwarts sem pagamento extra por isso.
Só restava o quadribol, e por acaso (ou talvez ele devesse começar a acreditar em destino) o time da Grifinória ainda estava treinando, enquanto o time da Sonserina tinha suspendido os treinos depois de seu último jogo antes do inverno. Eles pareciam bastante desesperados para ganhar a copa.
Tinha sido difícil passar pelos aurores que vigiavam o campo quando um time estava treinando, mas não impossível. As medidas de alta segurança em geral eram um pé no saco, mas não se podia mudar aquilo.
Um rápido feitiço de um de seus livros o ajudou. Não era ilegal, mas também não totalmente legal. Além disso, havia feitiços melhores para esconder alguém, mas esses eram mais difíceis, e Draco não tinha tempo suficiente.
Era onde ele estava agora: sentando nas arquibancadas, longe dos aurores e da sangue-ruim, que estava lendo um livro no frio, só para ficar perto dos seus amigos. O time estava jogando péssimo... ou o novo artilheiro estava, de qualquer modo. A garota Weasel tinha voltado a jogar como apanhadora e olhando de perto ele viu que ela não estava fazendo absolutamente nada. Ela parecera bastante miserável no outro dia também. Draco sorriu de lado. Parecia que Harry já havia acabado com ela.
O Weasel estava jogando bem, o que era ruim, mas isso podia ser mudado. Um pequeno feitiço de confundir e ele não conseguiu agarrar a Goles. Quando os artilheiros arremessavam para a direita, ele voava para a esquerda, e assim por diante. Draco ficou de olho na sangue-ruim, mas ela continuou lendo e não pareceu perceber nada estranho.
O treino não durou muito depois daquilo, visto que a capitã – a garota Bell – parecia estar vendo que sua equipe estava mais terrível que o normal. Weasel foi o primeiro a pousar e disparou em direção aos vestiários, quase errando a porta. Draco executou rapidamente o contrafeitiço sobre o garoto para que as pessoas não percebessem nada.
Ele nem teve que esperar muito tempo depois de alcançar a base da escada, pois Weasel veio como uma tempestade e quase correu em direção à escola. Draco se apressou atrás dele e assim que estava dentro do castelo, num corredor deserto, ele disparou o feitiço nas costas de sua vítima. Ele acertou e Weasel caiu com o rosto no chão. Com um rápido feitiço de levitação, eles logo estavam numa sala desativada. Ver o Weasel deitado impotente no chão fez o dia de Draco, mas, então, ele percebeu o quanto fora estúpido.
Estúpido porque ele poderia ter poupado tempo. Ele não havia pensado na possibilidade de pegar um cabelo do Weasel quando tivesse com ele... apenas por segurança, tirou outro cabelo da cabeça do garoto e adicionou à poção. Iria cuidar do outro cabelo mais tarde.
Ele guardou a poção novamente e trancou a porta depois de sair por ela. Um rápido feitiço Não-Me-Note iria impedir que pessoas entrassem na sala.
Voltou à sala comunal da Sonserina e começou uma discussão com Pansy. Ela reagiu da forma que ele queria. Passou alguns minutos em seu dormitório, para que ninguém percebesse, e então se dirigiu ao banheiro masculino próximo à Torre da Grifinória. Tomou a poção, trocou de roupa para ficar mais parecido com o Weasel e depois saiu da cabine. Olhou rapidamente no espelho e viu que estava pronto para encontrar Potter.
Por sorte – sim, ele realmente deveria começar a acreditar em destino – o pirralho estava vindo da Torre da Grifinória, utilizando um atalho que Draco aprendera no outro dia.
"Ah! Ron… aí está você."
Como eles se cumprimentavam? Ele decidiu acenar com a cabeça na direção do garoto.
"Não fique abatido por causa do treino."
"Vou tentar não ficar."
"Vai tentar não ficar? Você quase soou como Hermione!"
"Eu não!"
O que aquele... aquele pirralho estava pensando? Ele não parecia com uma sangue-ruim! Nem em um milhão de anos.
Potter sorriu. Draco quase engasgou. Tinha como ficar pior?
"Você sabe que deveria contar a Hermione sobre seus sentimentos."
Podia ficar pior.
Ele ficou em silêncio, sem palavras. Potter suspirou e começou a andar novamente. Draco o seguiu.
"De qualquer forma, onde você estava?"
"Andando por aí."
"Liberando a raiva, hein? Hermione vai ficar orgulhosa."
Draco tentou sorrir. Pensou em sua glória. A glória. Se tornar um Comensal da Morte. Sucesso. Salazar... ele precisava fazer a conversa tomar a direção correta. O silêncio pairou entre eles. Ele devia ter pensando com antecedência numa forma de abordar o assunto. Ele obviamente não tinha muita experiência em espionar Grifinórios... ou pessoas em geral.
"Eu encontrei uma camiseta, e acho que não pertence a nenhum dos outros." Muito boa, Draco! "Você acha que poderia ser..." Droga! Como o Weasel chamava Harry? "Sabe... dele?"
"Você quer dizer de Harry?"
Draco assentiu.
"Pode ser... Mas não importa de qualquer forma."
"O que você acha que eu deveria fazer com ela?"
"Preocupando-se com arrumação? Nossa! Ron, o que aconteceu com você?" Parecia ser uma pergunta retórica, pois ele apenas continuou: "Como você a encontrou?"
"Eu estava… procurando por 'Quadribol Através dos Séculos.'"
Potter riu.
"Sim, esse é o único livro que vale a pena pesquisar." E em um sussurro: "Não conte a Hermione que eu disse isso." Como se ele fosse falar com ela.
Draco assentiu.
"Você empacotou as coisas dele... talvez você possa colocá-la com elas."
"Eu as levei ao Professor Dumbledore... Não acho que ele esteja interessado numa camiseta... tanto faz... fique com ela." Ao vê-lo fazer uma careta e tentar escondê-la, Potter sorriu com tristeza. "Tudo bem, Ron. Não precisa se preocupar, não vou te forçar a vesti-la. Apenas... pode me entregar, ou queimar ou tanto faz... não é como se Harry fosse se importar."
Draco concordou com a cabeça e após mais uns passos juntos, ele fingiu que precisava ir ao banheiro. Potter assentiu e disse-lhe para encontrá-lo no Salão Principal para o jantar. Draco concordou e em seguida correu – foi uma das únicas vezes que se permitiu correr com as pessoas o observando, uma vez que Weasel obviamente não tinha boas maneiras – para a sala de aula onde o Weasel ainda estava deitado no chão.
Colocou suas roupas de volta antes de acordar o outro garoto. Um simples feitiço de memória depois e Weasel estava a caminho do Salão Principal. Após esperar por cerca de dez minutos, Draco procurou por Pansy. Após outro feitiço de memória, ele caminhou até o Corujal para enviar uma pequena mensagem ao seu pai. Ele não viu a coruja mudar de direção e voar de volta para o castelo após tentar cruzar os escudos.
xxx
"Maldição! "
Tinha sido seu primeiro pensamento quando leu a carta escrita por Draco. Primeira etapa concluída. Maldição! Maldição! Maldição! Ele havia perdido. Não sabia o que era a primeira etapa nem que seria a segunda. Teria ele encontrado o cabelo da pessoa? Ele já teria tomado o corpo da pessoa? Quem era a pessoa de quem Draco tomaria a forma? Um aluno? Um professor? Um auror? Ele não sabia o bastante!
Severus não dormiu naquela noite. Em vez disso, ele ficou sentado, escondido na sala comunal da Sonserina, esperando Draco aparecer e fazer alguma coisa. Ele não apareceu. O garoto dormiu a noite toda. Dizer que Severus estava num péssimo humor no dia seguinte era um eufemismo.
xxx
Draco aguardou seu pai parar de acenar a varinha ao redor para se certificar de que não poderiam ser espionados. Assim que ele terminou, se virou para encarar Draco.
"Na pior das hipóteses."
"O Príncipe das Trevas imaginou que estaria nas mãos de Dumbledore. Mas estávamos preparados para isso." Seu pai pousou a bengala na mesa de Snape e puxou algo do bolso de suas vestes. Era uma pequena garrafa de vidro. "É uma poção das trevas para descobrir como os escudos funcionam. Ela só pode ser usada em cômodos protegidos, não em casas por inteiro ou mesmo castelos... mas é muito boa, não detectável até, exatamente o que você vai precisar para entrar no escritório de Dumbledore."
Draco pegou a garrafa das mãos dele, colocando-a em seu próprio bolso.
"Como eu a utilizo?"
"Será necessária uma tigela com pergaminho. Algumas gotas no guardião do escritório de Dumbledore serão o bastante. Despeje o resto da poção no pergaminho e espere. O tempo que leva para terminar varia. Após isso, devem aparecer símbolos no pergaminho. Se não aparecerem, escreva-me perguntado sobre o presente de aniversário de sua mãe. Se for o caso, eu entrarei em contato com você."
"O que eu faço com os símbolos? Como eu vou lê-los?"
"Você não vai." Draco franziu a testa. "Nós esperamos que você termine a segunda etapa da missão até amanhã à noite. O Príncipe das Trevas estará se encontrando com você nessa noite. Você sabe onde fica o salgueiro lutador?"
"É claro, pai."
"Muito bom. Embaixo dele há uma passagem secreta que leva à Casa dos Gritos. Utilize-a às sete horas, quando os demais estarão no jantar. Ele estará aguardando você. Entregue o pergaminho a ele. Entrarei em contato com você novamente, quando resolvermos tudo."
"Sim, senhor."
"Pode ir."
xxx
Qualquer um pensaria que com todas as medidas de segurança seria impossível utilizar uma poção na porta do escritório do diretor, mas não era. Escondido por meio de um Feitiço de Desilusão e esperando até a patrulha terminar, ele usara algumas gotas da poção, como seu pai lhe instruíra.
Depois disso, sentou-se em sua cama – com as cortinas fechadas – e completou a etapa seguinte. A poção levou cerca de uma hora para funcionar, e quando finalmente estava feito, Draco escondeu o pergaminho com cuidado em seu malão. Em seguida, ele foi à ala hospitalar, fingindo estar com dor de estômago. Madame Pomfrey deu-lhe uma poção, que ele não tomou, mas conseguiu seu álibi quando McGonagall lhe perguntou onde estivera, quando ele deveria estar sentado na sala de aula dela.
No almoço, comeu o máximo que pôde, sabendo que iria perder o jantar daquela noite. Dessa forma, ele poderia dizer que a poção não tinha funcionado como deveria e todos sabiam que o melhor a fazer nessa situação era dormir muito e comer pouco. Assim, ele também teria um bom álibi para a noite.
Foi exatamente o que ele fez. Disse aos outros que não estava se sentindo muito bem e que iria dormir ao invés de ir jantar.
Assim que se certificou que todos tinham realmente ido ao Salão Principal, e que apenas os aurores tinha ficado patrulhando os corredores, ele colocou roupas mais quentes e pegou o pergaminho.
Conjurou outro Feitiço de Desilusão em si antes de deixar a segurança de seu dormitório. Ao sair da sala comunal da Sonserina, notou que não havia aurores patrulhando o corredor e fez seu caminho ao Saguão de Entrada. Encontrou dois pares de aurores em seu caminho. Pressionou-se conta a parede e parou de respirar enquanto eles estavam perto o bastante para ouvi-lo. Ele só avançou quando eles estavam bem na esquina e longe o suficiente para não escutá-lo ou vê-lo. Seus batimentos cardíacos aumentando a cada instante. Da outra vez, um atalho o salvou de ser descoberto.
Ele só relaxou um pouco quando chegou à passagem secreta. Não havia luz alguma, mas não ousou usar sua varinha, com medo de ser pego por alguém vindo do outro lado. Havia uma voz lhe dizendo que ninguém viria, pois Harry estava esperando do outro lado, mas era melhor prevenir que remediar, e foi por essa razão que ele cambaleou pela escuridão.
Depois do que pareceram minutos intermináveis, ele quase colidiu com uma parede de terra, fazendo-o perceber que tinha alcançado o fim da passagem.
Ele não conseguiria ir mais adiante se continuasse a andar em frente, tinha que ir para cima ou para baixo. Tendo em vista que passagem deveria terminar na Casa dos Gritos, Draco decidiu que o alçapão em sua frente era mais provável. Ele alcançou o mais alto que pôde e empurrou. Conseguiu e a luz brilhou em sua direção. Ele piscou algumas vezes antes de perceber seu erro. Não deveria haver luz. Não houve tempo suficiente para fazer nada, visto que tudo ficou escuro depois daquilo.
Ele estava deitado em algum lugar sólido... talvez no chão. Ele piscou lentamente e moveu seus membros. As memórias voltaram. Parou de se mexer, tentando encontrar sua varinha. Ela posou encima dele.
Seus olhos se voltaram em direção ao movimento e foram recebidos pela visão de um Harry sorridente encostado na moldura da porta (ou o que no passado era uma moldura de porta).
Draco se levantou, tentando limpar suas vestes.
"Você poderia ter sido um pouco mais cuidadoso, sabe."
O sorriso de Harry apenas se alargou. Sua aparência estava melhor do que quando estivera em Hogwarts. Bella provavelmente estava-o paparicando até a morte.
"Eu poderia ter jogado uma adaga..."
"Idiota."
"Como você é criativo, Draco."
Em vez de insultá-lo novamente, ele retirou o pergaminho de suas vestes e estendeu-o para o outro garoto. Harry o pegou e deu uma breve olhada antes de guardá-lo em suas próprias vestes.
"Como você descobriu que estava com Dumbledore?"
Draco fez uma careta.
"Eu usei Poção Polissuco e tomei o corpo do Weasel… horrível... sério... peguei-o após um treino de quadribol..."
Harry deu risada, provavelmente divertindo-se com o pensamento dele como o Weasel. Não tinha graça. De verdade.
Ele pensou numa forma de mudar de assunto antes que Harry fizesse outro comentário idiota.
"Eu vi a Weasel no treino também. Você acabou mesmo com ela..." Harry levantou uma de suas sobrancelhas. "Ela estava com uma aparência miserável, não fazia nada, apenas pairando no ar. Um balaço quase a acertava se não fosse um dos batedores. "
Havia algo nos olhos de Harry que Draco não conseguiu decifrar.
"Escuta, Draco, eu iria amar (sua voz pingava de sarcasmos) escutar você choramingar mais um pouco." Choramingar? Ele não estava choramingando! "Mas não tenho tempo."
Draco estava prestes a se queixar, mas Harry o impediu com um movimento de sua mão.
"Lucius te disse que iria encontrar com você novamente quando analisássemos tudo?" Draco assentiu. "Bom... Acredito que vamos nos ver no seu feriado de Natal."
"Sim, vamos e você definitivamente vai retirar o que disse."
"Certifique-se que este é realmente o caso, Draco."
Eles se despediram rapidamente e Draco observou Harry desaparecer antes de retornar à escola.
xxx
Seu pai tinha entrado em contato alguns dias depois, quatro dias antes do Feriado de Natal. Ele tinha levado um dia inteiro para entender a poção, feitiços, as palavras-chave e os símbolos que seriam usados para que tivesse a mínima chance de entrar no escritório sem ser pego. Seu pai havia lhe dado tudo que necessitava para isso, incluindo um aviso de Harry... ele lhe disse que mesmo que fizesse todas aquelas coisas propriamente, mesmo que fizesse tudo perfeitamente cronometrado... se ele fizesse tudo correto... ainda teria mais de noventa por cento de chance de ser pego.
Foi o dia no qual Draco decidiu começar a acreditar em destino. E era seu destino se tornar um Comensal da Morte. E tornar-se um Comensal da Morte significava conseguir se safar sem ser pego. Ele, Draco Malfoy, ser pego em sua primeira missão... o que ele estava pensando? Aquela nem mesmo era sua primeira missão... aquela era a coisa que ele tinha que fazer para ter uma chance de ingressar!
Esperava que incluísse a chance de ingressar como um Comensal da Morte de alto escalão, e não como o último idiota que faz todo o trabalho sujo.
Havia coisas para se preocupar caso não fosse pego, caso obtivesse êxito, e era nisso que Draco estava focado. Ou era disso que queria se convencer.
Ele ainda tinha três dias. Três dias para ganhar ou perder. Os Malfoy não perdiam. Um feitiço de monitoramento no corredor que levava ao escritório de Dumbledore era a primeira coisa na lista. Entre parênteses estava escrito que ele tinha de prestar atenção nos retratos, elfos domésticos, aurores, alunos e professores. Checado.
O segundo passo era estar pronto a qualquer tempo. Checado. Sempre que Draco andava por corredores desertos, ele abria as janelas, e sempre estava com sua vassoura encolhida, a lista e as poções em seu bolso. Era arriscado, pois ele podia ser pego, mas era necessário.
Outro dia se passou no qual o diretor não tinha saído do escritório, ou quando saíra tinha sido por outra passagem ou apenas por um curto período de tempo, voltando alguns minutos depois.
Era um dos perigos que ele não podia se livrar. Sempre havia o risco de ele começar a executar seu plano e o diretor retornar. Podia ser que fosse pego então. Ele tomou a primeira poção duas vezes. Eles lhe deram duas tentativas.
Sucesso ou fracasso. Em algum momento no início da noite seu feitiço de monitoramento lhe alertara de que alguém estava passando. Um olhar mais atento revelou-lhe que era a diretora da Grifinória e ela estava apressada. Um minuto mais tarde, ela apareceu novamente, Dumbledore em seu encalço. Era a sua chance.
Parecia que algo urgente acontecera... algo que levaria tempo... talvez. As coisas não podiam ficar melhores.
Ele se apressou pelo corredor, até uma janela que ficava próxima o bastante da Torre na qual o escritório estava localizado.
Levou apenas segundos para ele desencolher sua vassoura e conjurar um feitiço para ficar invisível. Em seguida, ele voou para fora o mais rápido que pôde. Era melhor não perder tempo. Ele poderia precisar dele mais tarde.
Pairando diante de uma janela fechada – é claro! Não podia simplesmente estar aberta, podia? – ele puxou de suas vestes a caixa com as poções. Tentara memorizar a lista mais cedo. Equilibrando a caixa, ele tomou a primeira poção e derramou-a sobre a parede ao lado da janela. Em seguida, desenhou uma runa na parede de pedra com sua varinha e murmurou um feitiço. Derramou outra poção na parede, outro feitiço e então tentou o Alohomora. Quando a janela abriu, ele quase derrubou a caixa de surpresa. Funcionou mesmo!
Mas ele não podia simplesmente entrar agora… desenhou outra runa com seu sangue na moldura da janela, um feitiço, e ele finalmente pôde aterrissar no escritório. Ele apoiou sua vassoura na parede e olhou em volta. Essa era a etapa que demandaria mais tempo. Não estava a céu aberto, mas ele não tinha esperado que estivesse. Nos minutos seguintes ele abriu armários, olhou atentamente tentando achar uma porta secreta, tirou livros das prateleiras... demorou ainda mais, pois ele tentou colocar tudo em seu lugar de origem. Afinal de contas, ele tinha que sobreviver ao último dia antes do feriado de Natal. Enfim, ele completara a etapa seguinte.
Ele podia vê-la. Outro feitiço, que fez um brilho ligeiramente verde sair da ponta de sua varinha, quase trouxe lágrimas aos seus olhos. Mas os Malfoy não choravam. Azul significaria que também estava protegida por escudos especiais. Não estava.
Agarrando-a e voltando à vassoura o mais rápido possível, ele só pensava numa coisa: cair fora dali!
Apenas quando tocou os pés no Expresso de Hogwarts, fechou a porta de seu compartimento e o trem começou a se mover, foi que percebeu o que tinha acontecido. Missão completa! Sucesso! Foi o dia em que Draco começou a acreditar em destino.
xxx
Quando Draco entrou no cômodo, Harry estava sentado em sua cama, jogando sua varinha no ar e pegando-a em seguida. O outro garoto se levantou quando o viu. Draco sorriu com orgulhou quando o tirou de seu malão e entregou nas mãos de Harry.
Harry observou seu anel prateado por um instante antes de colocá-lo em seu dedo, sorrindo também.
"Muito bem, Draco, muito bem de verdade." Ele ficou mais altivo após aquele elogio. "É claro que vou contar ao meu pai sobre isso."
xxx
Alguns dias após o início do feriado de Natal foi que Albus Dumbledore parou de se preocupar com os alunos que tinham ido para casa, pois todos haviam chegado bem a seus lares. Agora ele teria tempo para fazer outras coisas... levantou-se da sua cadeira por trás de sua mesa enorme e caminhou de um lado para o outro, tentando decidir se deveria chamar ou não Lily e James para assistir mais algumas memórias. Outra possibilidade era assistir a algumas sozinho, para assisti-las novamente com o casal depois.
Ou ele poderia apenas ir a um de seus armários e tentar quebrar alguns feitiços de proteção que estavam em algumas memórias... mas era mais sábio dar uma olhada nas que já tinham antes de olhar as outras.
Lançou a Fawkes um olhar demorado, mas a fênix nem ao menos olhou para ele.
Dumbledore suspirou, esfregando o local onde seus óculos de meia-lua tocavam seu nariz. Desejava não ter aqueles problemas... desejava não ter de se preocupar com quem iria salvá-los, com Voldemort, com a guerra, com tudo isso... mas ele tinha parado de desejar há muito tempo atrás.
Por fim, decidiu dar uma olhada nas memórias junto com o casal Potter, mas antes que ele pudesse tocar a caixa na qual ele mantinha o Pó de Flu, um Patrono chamou sua atenção.
Era a corça de Severo.
"Ataque ao Beco Diagonal; Comensais da Morte, Lorde das Trevas e Príncipe das Trevas presentes."
