Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Nine – Attack on Diagon Alley

(Ataque ao Beco Diagonal)

Por um lado, Ginny estava contente pelo feriado de Natal ter começado, por outro lado, ela não estava. Não estava porque temia que eles percebessem... e eles sempre percebiam quando um deles não estava sentindo-se bem. Eles faziam tudo que podiam para fazer aquela pessoa sorrir novamente e a irritavam tanto a ponto de ela acabar contando-lhes tudo. Ela não queria conversar, queria apenas ignorar sua dor e fazê-la ir embora. Hermione tentara conversar com ela uma vez depois que Ginny lhe contara, mas ela não conseguiu. Não queria encará-los quando descobrissem o que tinha feito. Já era demais Hermione estar sabendo. Ela não seria capaz de suportar se todos os outros soubessem também.

Eles estavam no Beco Diagonal comprando os presentes de Natal, visto que os fins de semana em Hogsmeade tinham sido cancelados, e não queriam abrir mão dessa parte do Natal. É claro que uma parada na loja de seus irmãos tinha sido inevitável. Eles estavam planejando fechar a loja um pouco mais tarde naquele dia antes de irem para casa para o Natal. Sua mãe tinha ficado mais do que feliz. Até mesmo Bill e Charlie estavam na cidade, e nesse instante andavam em frente à sua mãe, cochichando sobre algo.

Ginny manteve os olhos no chão, não se interessando em olhar todos os rostos felizes ao seu redor. Era quase Natal... e essa era a única época na qual as pessoas relaxavam um pouco. Estavam numa guerra, pessoas estavam morrendo, perdendo seus entes queridos... mas o Natal era algo especial, talvez até mais especial se não tivesse guerra alguma. Era o momento para todos sorrirem, mesmo que fossem sorrisos tristes em memória dos mortos. Ginny não conseguia nem mesmo esboçar um sorriso triste. Sua família não dissera nada... ainda. Ela não sabia o que iria fazer se... não, quando eles a questionassem.

Alguém se aproximou dela. Ginny olhou e viu que era Tonks. A auror parecia estar em alerta, visto que ficava olhando em volta. Ginny franziu a testa. Tonks não costumava ser paranoica. Ela era do tipo que ficava calma e tranquila como todo mundo, mas ainda assim percebia um monte de coisas que a maioria não percebia. Seu comportamento estava altamente fora do comum.

"Está tudo bem?"

"Hã? Ah… sim… só uma sensação estranha."

Ginny franziu ainda mais a testa.

"Não se preocupe. Está tudo bem. Temos tudo sob controle."

Ginny assentiu e abaixou o olhar novamente, tentando ignorar as risadas ao seu redor, o que não funcionou tão bem quanto ela desejou que funcionasse.

Tonks aumentou a velocidade de seus passos, agarrando o braço de Ginny para que ela a seguisse.

"Bill! Charlie! Um pouco mais rápido, por favor."

Eles escutaram, e Ron e os outros, que estavam atrás dela, apressaram o passo também, certificando-se de que ficassem próximos uns dos outros.

Essa tinha sido uma das exigências feitas por sua mãe antes de permitir que eles fossem. A outra foi a de que se estivessem nas lojas tinham que estar acompanhados com pelo menos outra pessoa do grupo. Além disso, havia o prazo, significando que eles tinham que ir embora – uma olhada em seu relógio – trinta minutos. A última exigência foi a de que vários deles carregassem Chaves do Portal emergenciais. Sua mãe não deixaria que algo como o ataque a Hogsmeade acontecesse novamente.

Ginny fechou os olhos por um segundo, tentando se acalmar. Sempre que pensava naquele dia, pensava nele... e ela não queria pensar nele nunca mais.

Finalmente Ginny avistou o último destino deles, que era a Floreios de Borrões. Tonks, que ainda andava ao seu lado, suspirou.

Eles estavam quase chegando lá e foi quando o tempo pareceu parar. Em alguns segundos tudo aconteceu em câmera lenta.

Bill e Charlie deram mais um passo, Tonks intensificou o aperto no braço de Ginny. Uma garotinha, com uns seis anos de idade veio da livraria, apontando o dedo para alguma coisa. A mãe a seguiu, segurando sua mão. A garota deu um passo após o outro. Eles estavam a apenas alguns passos da loja quando tudo aconteceu.

Houve um forte estrondo, seguido por um breve silêncio. Havia fogo e as pessoas gritavam, corriam, provocando o caos em toda a parte.

Bill, Charlie e Ginny ainda estavam deitados no chão quando Tonks, com a varinha em mãos, gritou para que todos que estavam atrás dela acionassem suas Chaves do Portal emergenciais. Ginny viu Ron, Hermione, sua mãe e Damien desaparecerem.

Seu pai estava ao seu lado em questão de segundos, ajudando-a a se levantar.

Pessoas gritaram, e Ginny sentiu seu coração disparar. Ela percebeu que a maior parte da multidão parecia estar correndo do lado esquerdo do beco para o lado direito. Um homem a poucos passos dela tentou desaparecer, mas não conseguiu. Provavelmente havia escudos anti-aparatação.

Bill e Charlie estavam do outro lado da rua, tinham se separado deles por causa das pessoas que tentavam escapar. De início, Ginny achou que Tonks estava correndo até eles, mas olhando com mais atenção Ginny viu que ela estava correndo em direção a uma pessoa de vestes negras que estava em frente a uma loja mais embaixo na rua. A máscara e o capuz mostravam que se tratava de um Comensal da Morte.

Ginny procurou sua varinha desesperadamente, mas não estava onde ela colocara. Seus olhos procuraram no chão, onde finalmente a viu a apenas alguns metros do lugar onde ela caíra. Sem certificar-se de que seu pai sabia onde estava indo, cruzou o espaço entre ela e sua varinha. Quando se ajoelhou para pegá-la, alguém passou correndo por ela e a empurrou para o chão mais uma vez. Sua mão estava apertando a varinha, decidida a não perdê-la novamente.

Ela se levantou e tentou achar um rosto familiar. Bill e Charlie estavam ajudando Tonks. Juntos, eles estavam lutando com quatro Comensais da Morte. Seu pai não estava longe deles, ajudando uma jovem garota a se levantar, enquanto procurava por algo. Apenas quando seus olhos se encontraram, ela percebeu que ele estava, de fato, procurando por ela. Ele se acalmou um pouco e veio em sua direção.

Foi nesse momento que os olhos de Ginny notaram uma figura solitária em pé num dos telhados. Seu coração apertou ao ver o familiar cabelo negro bagunçado. Ele não se mexeu... parecia estar esperando por algo. Alguns segundos se passaram e então ele entrou em ação. Com um salto, ele desapareceu na multidão. Os gritos sinalizaram que as pessoas o avistaram.

A adrenalina estava correndo em suas veias. Por um instante, ela só queria correr até lá, onde sabia que ele estava, e antes que ela percebesse, suas pernas entraram em ação e ela passou correndo por seu pai, que estava em choque. Ela teve que empurrar várias pessoas, pois parecia que todos estavam vindo da direção oposta.

Em meios aos gritos, ela achou ter ouvido a voz de seu pai. Foi o que a trouxe de volta à realidade. Parando no meio do caminho, alguém a puxou de lado, fazendo-a perder o equilíbrio novamente.

O número de pessoas no Beco Diagonal pareceu diminuir. Quando olhou em volta, viu que algumas estavam escondidas nas lojas, protegendo as portas. Provavelmente estavam tentando escapar através da Rede de Flu…

Outros deviam ter saído pelo Caldeirão Furado, possivelmente procurando proteção na Londres Trouxa.

xxx

"Você sabe de tudo?"

"Não." Veio a resposta sarcástica.

Harry e seu pai, Lorde Voldemort, estavam sentados na "sala de jogos," como Harry carinhosamente a chamava. Seu pai sempre argumentava que não era de forma alguma uma sala de jogos, mas a sala onde todos os negócios importantes eram discutidos. A sala na qual o novo mundo era planejado, onde o velho mundo cairia... mas Harry sabia que Lorde Voldemort era muito teatral naquele aspecto.

Lorde Voldemort suspirou.

"Não brinque com isso."

"Não estou brincando, você está exagerando." Harry lançou-lhe um olhar em resposta. Ele sorriu de lado. "Você sabe que está."

O silêncio pairou sobre eles, e então:

"Já discutimos isso várias vezes. Está tudo planejado. Nada vai dar errado. Você vem de um lado e eu venho do outro. Os Comensais da Morte vêm da Travessa do Tranco e de diversos outros becos menores. Nós atacamos e o pânico vai tomar conta. Os aurores e a Ordem vêm, nós lutamos, vamos embora, manchetes negativas para o lado do bem, especialmente para Dumbledore, alguns aurores e membros da Ordem mortos. Eu já entendi."

"Que reconfortante saber que ao menos alguém conhece o plano."

"Não sou responsável pelo recrutamento dos Comensais da Morte. Acredito que seja tarefa sua... ou daqueles que você tão amavelmente chama de ciclo interno."

Seu pai estalou a língua, mas não falou nada. Harry sabia que seu pai sabia que ele tinha razão.

"Certifique-se de aparecer no momento correto, certo?"

"Pai… sou um especialista em escolher o momento certo." Harry olhou para o seu pai, cujos olhos estavam fixos no mapa que mostrava um esboço do Beco Diagonal. "Tudo vai sair do jeito que queremos. Você já tinha planejando isso há algum tempo, não vai dar nada errado."

"Não precisa me dizer isso. O plano é meu afinal de contas, filho."

"Você parece tão perdido."

"Eu nunca pareço perdido."

"Desamparado...?"

"Saia!"

Harry riu, mas não fez menção de se levantar e deixar a sala. Em vez disso, ficou ainda mais confortável na poltrona, balançando os pés, que estavam cruzados no braço da cadeira.

Lorde Voldemort estava exatamente na direção oposta a dele. Estava sentado com as costas retas em sua cadeira, olhando de tempo em tempo para o mapa ou focando-se em seu herdeiro. Naquele momento, estava decidindo se devia forçar Harry a sair ou se devia dizer algo. Decidiu não fazer nada. Ele iria perder, pois se tinha uma coisa na qual Harry era bom, era em ser a pessoa mais teimosa do mundo.

As linhas de preocupação aumentaram em sua face. Diante de qualquer outra pessoa ele tentaria parecer calmo... mas Harry entendia mesmo que fizesse graça dele. Ele jamais contaria a alguém, manteria segredo. Não havia nada pior que demonstrar preocupação diante de seus seguidores, mas não conseguia não se sentir preocupado. Mesmo que tudo estivesse planejado, algo poderia dar errado, e Lorde Voldemort não gostava daquela sensação.

Harry ir junto não estava ajudando. Por um lado, parecia reconfortante, visto que o garoto era um excelente combatente, mas por outro lado havia a chance de algo acontecer a ele, e isso não podia ocorrer, não logo depois de tê-lo de volta. Ele certamente manteria os olhos em seu herdeiro todo o tempo, para assegurar-se de que Dumbledore não pusesse as mãos sobre ele novamente. Ou foi o que tentou dizer a si mesmo.

xxx

A multidão diminuíra ainda mais, deixando o Beco Diagonal, que costumava estar lotado, vazio, com apenas alguns duelos acontecendo aqui e ali. Eram Comensais da Morte contra três ou quatro autores, mas Ginny também conseguiu avistar dois membros da Ordem.

Ela estava tentando ficar nas sombras, utilizando uma parede atrás de si como proteção, a todo tempo tentando encontrar um caminho para escapar. A forma mais fácil, não, a única maneira seria alcançar seu pai ou seu irmão Bill, porque ambos estavam com Chaves do Portal, e ela precisava de uma.

Ir para o mundo trouxa era uma má ideia, assim como se refugiar em uma das lojas... eles não iam deixar ela ou qualquer um entrar, de qualquer forma. Havia o risco de receber uma Maldição Imperium, que faria até um espectador inocente parecer uma ameaça.

Não, tudo que ela podia fazer era esperar e segurar firme sua varinha, pronta para fazer qualquer coisa se alguém começasse a duelar com ela.

Os olhos de Ginny se apertaram quando mais Comensais da Morte vieram da Travessa do Tranco. Ele parecia ter desaparecido ou ao menos ela não o vira novamente, e estava muito feliz por isso.

Os poucos segundos que vira ele encima do telhado tinham sido o bastante. O bastante para ela chorar até dormir naquela noite. Se ainda estivesse viva até lá.

Os Comensais da Morte invadiram todo o lugar, apontando suas varinhas para as lojas. Vidros explodiram, as pessoas que ainda não tinham escapado pelas lareiras – ou pelo menos era isso que ela imaginava – gritaram. O caos se espalhou novamente, tornando impossível achar seu pai ou Bill.

Assim como os Comensais fizeram, os aurores vieram de algumas lojas distantes e começaram a duelar para todo lado. A cena toda se transformou numa batalha.

Alguns Comensais da Morte que ainda não tinham se encontrado com os aurores vieram na direção dela. Ginny se afastou, sem abandonar a proteção da parede, onde suas costas estavam pressionadas. Eles se aproximaram mais.

Seus olhos percorreram a área ao seu redor. Não longe dela havia um beco que parecia deserto. Talvez fosse sua chance de encontrar abrigo até que tudo terminasse. Deu uma última olhada sobre seu ombro, e antes que tivesse mais tempo para pensar, ela correu para o outro lado da rua, sendo quase atingida por um feitiço. Não conseguiu nem mesmo ver se o feitiço fora direcionado a ela ou se tinha sido acidental... ou mais precisamente sua estupidez, que quase a fez ser atingida.

O beco estava a apenas dez metros. Oito. Seis. Quatro. Dois. Ela não parou quando passou pelas duas casas que o demarcavam.

Não ousou olhar para trás também. Seus pés a levaram o mais rápido possível para longe da cena.

Seus pulmões estavam gritando por oxigênio, e com uma rápida olhada para trás, certificando-se de que não tinha sido seguida, ela parou ofegante.

Não soube por quanto tempo ficou ali, mas quando finalmente se acalmara um pouco, saiu do meio do beco e foi para a lateral, buscando proteção novamente.

Foi o que salvou sua vida, pois três Comensais da Morte vieram da direção contrária, obviamente caminhando em direção à rua principal.

Eles estavam rindo de alguma coisa. Ginny nem ao menos queria saber do que se tratava. Havia três opções agora, ela pensou, tentando se acalmar. Poderia lutar com eles, eles eram três e ela estava sozinha. Tinha o elemento surpresa a seu favor, mas de modo algum ela venceria. Um simples "Enervate" de um deles no outro, e ainda seria três contra um. Isso se ela acertasse seu alvo. Se não...

Opção número dois: ficar onde estava, esperando que eles apenas passassem por ela. Não muito provável. Poderia ter mais deles vindo daquela direção.

Isso deixava apenas uma opção: correr. O mais rápido possível ela se virou e correu o mais silenciosamente possível junto à parede, pronta para se abaixar assim que escutasse um deles falar qualquer coisa.

Era arriscado, mas não tinha mais como voltar. No Beco Diagonal ela tinha ao menos uma chance de que algum auror a percebesse... ou algum dos membros da Ordem, que tinham mais probabilidade de finalizar seus duelos para protegê-la.

Ela praguejou por cada passo que acabara de dar, amaldiçoando-se por sua estupidez. Afinal, ela vira Comensais da Morte vindo da Travessa do Tranco.

O caminho de volta pareceria ainda mais comprido. Gritos estavam vindo de algum lugar, mas ela não conseguiu decifrar se vinham da rua principal ou de detrás dela. Ela correu mais, de qualquer forma.

Finalmente, as duas casas apareceram novamente e ela acelerou. Assim que pisou na fronteira imaginária, ela parou, tentando decidir onde se esconderia agora.

Foi então que seus olhos o encontraram novamente, distinguindo-o no meio da multidão, como se isso fosse o que eles sempre faziam. E era verdade. Ginny engoliu em seco, desejando dar alguns passos para longe do beco do qual viera. Mesmo com todo o perigo ao seu redor, seus olhos permaneceram focados nele, e foi por isso que ela percebeu o que ele estava fazendo, visto que ele estava agindo de forma bastante sutil.

Ele estava se aproximando. Ele desviou uma maldição aqui e ali, disparou uma, mas chegou mais perto. Ginny engoliu em seco, tentando achar seu pai, tentando ver seu cabelo vermelho, mas ele não estava ali ou ao menos ela não estava conseguindo vê-lo. Maldição! Ela tinha encontrado ele, podia encontrar seu pai ou um de seus irmãos também.

Um membro da Ordem seria o suficiente também... qualquer um!

Ele estava a apenas duas lojas – ou o que tinham sido lojas – de distância. Ele se aproximou ainda mais, e o que fora apenas uma possibilidade agora era realidade. Ele realmente estava vindo em sua direção.

Apenas alguns metros. Ela não conseguia se mexer. Ginny fechou os olhos e apenas se concentrou em sua respiração por um segundo. Quando os abriu novamente, ele estava a um braço de distância. Ela podia tocá-lo agora. Ela se afastou dele o mais rápido possível.

Sua varinha caiu no chão, mas ela cambaleou para trás mesmo assim. Ele fechou o espaço entre eles, sem nem olhar para a varinha dela ou para o chão. Ginny tentou acelerar seus passos, mas estava com medo de virar as costas para ele, o que complicava tudo. Um feitiço passou por eles, mas ele nem piscou e ela estava muito assustada para olhar em qualquer outra direção.

Ela não soube o que a fez cair, mas ela caiu de qualquer forma. A ponta da varinha dele estava apontada em sua direção. Ela esforçou-se em não olhar para ela, em vez disso, seus olhos encontraram os dele, como fizeram tantas vezes no passado.

Eles pareciam mais intensos do que nunca. Mais do que quando ele a beijara, do que quando ele tinha corrido do chuveiro com medo de perder o controle, e eles estavam bem intensos naquela ocasião.

Ginny engoliu em seco, afastando aquelas memórias.

"Não..."

Sua voz sumiu, fazendo-a parecer fraca. Ela piscou, tentando limpar as lágrimas que ela nem percebera que se formaram. Ele apenas a encarou e por um segundo de absoluta loucura ela achou que ele iria abaixar a varinha.

"Por favor…" Estava mesmo implorando…? "Harry..."

Ela disse seu nome de uma forma tão suave que nem sabia se ele tinha escutado, ela quase rezou para que ele não tivesse ouvido. Tinha jurado a si mesma que não diria esse nome novamente. Nunca mais... e ali estava ela numa rua suja, sentada encima de seu traseiro, sua varinha fora de alcance, implorando a ele por... pelo o quê? Misericórdia? Por sua vida? Ela nem mesmo sabia.

Um grito desesperado rompeu o silêncio entre eles. Ginny olhou para cima e viu que todos ao seu redor tinham parado de andar. Seu pai vinha correndo em sua direção. Tinha sido ele que gritara seu nome.

A varinha de Harry subitamente se aproximou ainda mais de seu rosto, tão perto que Ginny teve que olhá-la de novo em vez de olhar para seu pai, que estava parado, imóvel.

"Harry?"

Um arrepio percorreu a espinha de Ginny quando escutou aquela voz. A garota não ousou tirar os olhos da varinha de Harry, mas ela sabia que deveria ser a voz de Você-Sabe-Quem. Ela nunca o ouvira antes, nunca estivera perto dele e esperava desesperadamente nunca estar, mas ali estava ela.

A distância entre a varinha e seu rosto cresceu.

"Pai?"

Ela tentou deslizar para trás, se afastar dele e de sua arma perigosa, mas a próxima frase fez a garota congelar.

"Mate-a."

Houve uma pausa, que pareceu durar horas.

"Como queira."

A ponta da varinha dele, de alguma maneira, parecia ainda mais ameaçadora.

Algo como um fogo tomou conta dela. A ruiva se forçou a olhar nos olhos dele novamente. Ela o desafiou a olhar de volta, a olhar dentro dos olhos dela, a olhar para eles quando pronunciasse as palavras. Estava prestes a morrer, de qualquer forma.

Ele inclinou a cabeça para o lado direito. Ginny não entendeu. Por que ele inclinou a cabeça? Houve uma pequena pausa. Ele abriu a boca. A adrenalina tomou conta dela. Ela iria morrer. Ela iria… Em uma última tentativa de escapar, ela rolou para o lado direito, sabendo que aquilo não iria salvá-la, mas ela tinha que tentar.

A luz verde explodiu de sua varinha, errando-a por centímetros. Sua respiração estava pesada e seu pai gritou novamente, e antes que ela percebesse o que estava acontecendo, algo veio voando em sua direção. Seus reflexos de apanhadora entraram em ação e ela estendeu a mão, agarrando o que quer que fosse.

"SEGURO!"

Um puxão em seu umbigo alertou-lhe de que tinha pegado uma Chave do Portal. Tudo desapareceu num borrão, levando-a para longe da cena, para a segurança.

xxx

Não houve elegância, absolutamente elegância alguma no modo que ela aterrissou na sala de estar. Houve silêncio por um instante, até que ela soltou a Chave do Portal, que caiu no chão, quebrando em milhões de cacos de vidros. Olhou para eles, sem realmente vê-los. Suas mãos ainda estavam no ar, de onde ela tinha derrubado a pequena esfera de vidro, tremendo terrivelmente.

Em um instante, sua mãe invadiu a sala e fechou o espaço entre elas. Ela a abraçou e beijou, mas Ginny não estava realmente ali.

Damien, Ron e Hermione ficaram na porta, olhando para ela.

"Ginny? Você está machucada?"

A voz da sua mãe parecia longe. Ginny nem mesmo conseguia balançar a cabeça. Ela nem mesmo tinha certeza se estava machucada ou não. Estaria sangrando? Estava sentindo dor em algum lugar? Ela não sabia, e não se importava. Concentrou-se em sua respiração. Era o que estava fazendo-a prosseguir.

"Ginny? Ginny? Pode me ouvir?"

Ela virou sua cabeça, olhando para sua mãe com os olhos arregalados e lentamente, como se estivesse em grande dor, ela assentiu.

"Diga que pode me ouvir."

Ela abriu a boca, mas nada saiu. Ela tentou novamente. E se sentia tão... tão... terrivelmente cansada. Tudo que ela queria fazer era se esconder em sua cama e dormir.

"Hermione, você pode… você pode segurá-la um segundo...? Vou chamar Madame Pomfrey."

Hermione assentiu e atravessou a sala, tomando Ginny em seus braços. Com a ajuda de Ron e Damy, eles a levaram até o sofá e fizeram-na sentar-se. Sua mãe observou por um segundo antes de se virar para a lareira. Não demorou muito e ela estava ao lado de sua filha novamente.

Alguns minutos mais tarde, o fogo da lareira ficou verde e Madame Pomfrey saiu por ela, carregando algumas poções consigo. Enquanto fazia um silencioso feitiço para examinar se Ginny estava ferida de alguma forma, ela instruiu Ron a dar-lhe a poção correta. Ron fez o que ela pediu e ajudou sua irmã.

Após tomar toda a poção, tudo voltou ao normal. Ela piscou algumas vezes, tentando sorrir, o que pareceu mais uma careta, mas sua mãe suspirou tranquila mesmo assim.

"Está sentindo dor, Senhorita Weasley?"

Ginny se concentrou por um instante em seu corpo, mas parecia estar tudo bem. Ela balançou a cabeça.

"Ginny? O que aconteceu? Onde você…"

Sua mãe não terminou a frase, pois além dos escudos ouviu-se um estalido, sinalizando que alguém havia aparatado.

Ron deu uma breve olhada para eles antes de ir em direção à cozinha. Ele voltou com seus irmãos, que estavam brancos como giz, logo atrás dele. Bill atravessou a sala rapidamente. Num instante ele estava ao seu lado, abraçando-a com os olhos cheios de lágrimas. Por cima do ombro de seu irmão, Ginny podia ver o espanto de sua mãe.

"Bill? O que houve?"

Mas Bill não disse nada, ele apenas a abraçou mais forte.

"Ele quase foi… morta." Charlie teve dificuldade de dizer a última palavra.

"ELE FOI O QUÊ?"

Apenas Ginny estremeceu, todo mundo parecia estar tão afetado pela ideia de ela ser morta, que eles não se surpreenderam quando a mãe dela gritou.

"Ela quase foi morta, mãe."

Sua mãe sentou ao seu lado no sofá, obviamente tentando se acalmar. Uma de suas mãos estava descansando sobre o coração.

"O que… o que aconteceu… quem? Por quê?"

Os olhos de Charlie encontraram os dela, perguntando silenciosamente se ela queria contar a história. Ela negou com a cabeça.

"Ela… Comensais da Morte chegaram e tinham os aurores e algumas pessoas da Ordem e… Nós a perdemos em meio à confusão e papai entrou em pânico, assim como eu e Bill... ela... apareceu de novo e assim que a vi, tentei chegar até ela, mas... ele foi mais rápido... e... ele... ele quase a matou... a Maldição da Morte acertou o chão a apenas alguns centímetros de onde ela estava deitada."

Lágrimas estavam se formando nos olhos de sua mãe, enquanto seu segundo filho mais velho falava. Ron, Hermione e Damy também estavam em choque. Quando Charlie terminou, o silêncio pairou entre eles.

"Você sabe quem...?"

Ginny abaixou o olhar para o chão, com medo de olhar para Hermione quando Charlie dissesse o nome dele. No entanto, não foi Charlie quem disse. Foi Bill quem se levantou, dando espaço para que sua mãe a abraçasse de novo.

"O Príncipe das Trevas."

"Ele… o quê?" Foi Damien quem falou, Ginny não ousou olhá-lo nos olhos.

"Foi ele mesmo. Quase todo mundo que estava lá viu. Foi só por causa do papai... Eu nunca o vi reagir tão rápido. Sempre quis saber de onde todo esse gene de quadribol vinha... "

"É… ele jogou a Chave do Portal para ela e ela a pegou bem no ar."

"Mas… mas… Harry… ele… ele não iria. Ele… salvou ela… não foi, Ginny?" A voz de Damien estava embargada pelas lágrimas.

Ginny assentiu em confirmação. Sua mãe a apertou com mais força.

"Quando foi que ele...?"

"O herói misterioso dela… aquele que ela não parava de pensar nele."

Ginny sentiu sua face esquentar.

"Por que eu não… por que eu não sabia sobre isso? Há quanto tempo você sabia que era ele?"

Foi Ron quem falou dessa vez.

"Ele... ele a pegou uma vez num treino de quadribol... então Ginny soube que foi ele."

Ginny podia sentir todos os olhos sobre ela.

"Você tem certeza, Ginny…?"

Ela assentiu, não confiando em sua própria voz.

"Como você sabe que era ele mesmo?"

"Eu…" Ela limpou a garganta. "Eu apenas soube."

"O Sr. Potter também nos disse que é possível. Ele nos contou sobre seus filhos, Madame Pomfrey," adicionou Hermione.

"Sim, ele os salvou. Não entendo como ele..." Ela parou, sem terminar a frase.

Ginny podia imaginar o que ela estava vendo. A imagem dele sentado em uma das camas na ala hospitalar, rindo enquanto a mulher bagunçava seus cabelos, ele a chamando de Poppy... Ginny engoliu. Não era o momento certo para pensar naquelas coisas. Nunca haveria o momento certo para isso. Não depois… depois daquilo.

Todos estavam perdidos em seus pensamentos, quando sua mãe quebrou o silêncio.

"Onde está… onde está Arthur?"

"A última coisa que vi foi ele começar a duelar com... com, sabe... ele."

xxx

Quando viu sua única filha no chão, o Príncipe das Trevas erguendo-se sobre ela, foi o momento em que seu coração parou de bater. A varinha dele estava apontada para ela e Arthur não conseguiu conter o grito desesperado pelo nome da garota que escapou de sua boca. Foi o que chamou a atenção de todos.

Tudo aconteceu tão rápido depois daquilo. A Maldição da Morte. Ele jogando a esfera de vidro. Ela desaparecendo. Os olhos dele moveram-se em sua direção depois de fitarem o chão onde sua garotinha estivera deitada.

A fúria cresceu dentro dele enquanto fitava o Príncipe das Trevas, que o encarava de volta. Era errado chamá-lo de qualquer outra coisa. Ele não era um menino, como ele chamava seus filhos, mesmo sendo mais novo que a maioria deles. Ele não merecia ser chamado pelo nome que Lily e James tinham lhe dado. Isso seria compará-lo com o jovem garotinho que ele um dia fora. Aquilo era errado.

Uma maldição veio da boca do Príncipe das Trevas em sua direção. Ele ergueu um escudo, mas a maldição atravessou e ele foi jogado para trás. Alguém estava rindo, mas Arthur se levantou, olhando com ódio para seu oponente. Ele lançou um de seus feitiços, errando-o por muito, o que permitiu que ele se aproximasse de Arthur.

Ele estava quase no local onde Ginny estivera deitada. Outra onda de fúria tomou conta de Arthur.

"O que você quer com minha garota?"

"Não é da sua conta!"

"Não é da minha conta! Ela é minha filha!" O Príncipe das Trevas apenas zombou dele, deixando Arthur com mais ódio. "Deixe-a em paz! Ela é apenas uma garota inocente!"

Ele riu.

"Inocente?"

Arthur franziu o cenho, mas antes que pensasse em algo para falar, um feitiço acertou onde ele estivera. Ele olhou e encontrou os olhos de Você-Sabe-Quem sobre ele, ou, mais precisamente, sobre ele e seu oponente. Arthur engoliu em seco, mas se focou no duelo novamente.

Pelo canto do olho, ele viu que Albus estava tentando terminar mais rapidamente seu duelo, mas a atenção Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado ainda estava voltada para eles.

Ele decidiu não concentrar mais seus pensamentos nisso quando uma maldição do Príncipe das Trevas o atingiu, fazendo um arranhão comprido aparecer em seu braço. O sangue escorreu em sua roupa. Por um momento, ele pensou no que Molly diria.

Eles trocaram alguns feitiços, e Arthur percebeu que não conseguiria suportar aquele duelo por mais tempo se não tentasse algo diferente para tirar a concentração do Príncipe das Trevas.

"É claro que minha garotinha é inocente. Não sei por que você pensa diferente!"

"Ah… eu não sei, mas ela não parecia tão inocente quando implorou por minha atenção."

A forma como ele enfatizou "atenção," fez Arthur se sentir enjoado.

"Eu não tenho ideia do que você está falando!"

O Príncipe das Trevas riu, interrompendo seu feitiço seguinte, o que foi bom, visto que Arthur não fazia ideia do que teria sido. O movimento da varinha era desconhecido para ele.

"Não creio que você saberia sobre isso… sua filha estava muito interessada em ser satisfeita."

"Você… VOCÊ ESTÁ MENTINDO!"

Harry apenas sorriu de lado em resposta, fazendo o sangue de Arthur ferver. Um feitiço não tão amigável que ele tinha conjurado há algum tempo atrás num duelo com um Comensal da Morte saiu de seus lábios, fazendo surgir o famoso escudo de corpo inteiro, do qual ele ouvira os outros membros da Ordem falar.

"Ah, é mesmo? E por que eu faria isso?"

"Você está apenas inventando isso. Ginny nunca ia querer isso. Ela nunca ao menos chegaria perto de você, não se você não... você! Você a forçou! Você a machucou...!"

Alguma coisa estalou dentro de Arthur naquele momento, e antes mesmo que soubesse o que estava fazendo, uma maldição de tortura veio em sua boca, mas o Príncipe das Trevas desviou-se dela.

"Pode perguntar a ela... mas para isso você teria que voltar para casa..."

Um feitiço das trevas que ele nunca tinha visto antes veio em sua direção, mas antes que ele pudesse reagir – ele não tinha nem certeza do que teria feito – uma parede se ergueu diante dele. Ela explodiu em pedaços com o feitiço.

Ele deu um sorriso de alívio em resposta a Albus. O Príncipe das Trevas estava olhando para Albus também, mas ao contrário dele, ele o estava encarando.

Bem ao lado deles, o duelo entre Você-Sabe-Quem e Albus acelerou e mais feitiços do que antes foram trocados. Parecia que agora Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado estava interessado em fazer Albus se concentrar nele.

Alguns aurores não puderam deixar de assistir enquanto os dois maiores bruxos da história duelavam, e Arthur pensou ter visto algo que poderia ser preocupação nos olhos do Príncipe das Trevas quando eles, também, pararam seu duelo.

Ryan – um dos mais jovens novos membros da Ordem – pareceu pensar que esse era o momento perfeito para lançar um feitiço no Príncipe das Trevas, e, para a surpresa de Arthur, ele realmente o acertou.

Algumas coisas aconteceram tão rápido depois daquilo, que Arthur quase não as viu acontecer. O feitiço rasgou a roupa do Príncipe, destruindo não apenas as vestes que ele estava usando, mas causando uma queimadura também. Não antes da manga da roupa tocar o chão, a luz verde da Maldição da Morte lançada por Você-Sabe-Quem acertou Ryan. Ele foi jogado para trás, chocando-se com o chão. Ele não mais se moveu depois daquilo.

A surpresa era evidente no rosto de Albus enquanto olhava do Príncipe das Trevas para Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e depois para Ryan. Houve um segundo de silêncio, antes de...

"Recuar!"

A voz de Você-Sabe-Quem ecoou pelo beco, fazendo com que todos aqueles que ainda não tinham se virado, girasse em direção a ele.

O Príncipe das Trevas lançou um último feitiço em Arthur, que parecia menos perigoso, mas foi Albus que o bloqueou para ele com um movimento de sua varinha. Ele recebeu um olhar furioso do Príncipe em resposta, mas finalmente o Príncipe das Trevas murmurou algo antes de desaparecer. Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e os Comensais da Morte desapareceram também... provavelmente estavam com Chaves do Portal, de outra forma, eles não teriam passado pelos escudos anti-aparatação.

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Após o ataque, no qual dois membros da Ordem e um auror tinham morrido, o pavor tinha se instalado na Ordem da Fênix.

Tinham perdido quatro membros em um mês. Arthur olhou em volta da mesa, percebendo as cadeiras vazias. Não era uma reunião completa, e algumas cadeiras ficariam vazias, mas algumas poucas nunca mais seriam usadas pelas pessoas que deveriam usá-las.

Não precisava nem pensar naqueles que tinha caído nesse último mês. Antes deles, havia outras pessoas sentadas naquelas cadeiras. Pessoas que também tinham morrido. Seus cunhados, por exemplo. Molly não gostava de falar sobre eles, o que ele achava triste. Ele não achava que eles gostariam que ela ignorasse aquilo... ignorasse-os.

Seus pensamentos foram interrompidos pela entrada de James e Lily. Sirius Black vinha logo atrás dele, conversando baixinho com Lily.

James o viu e assentiu. Ele pareceu hesitar, mas por fim atravessou a sala e parou bem ao lado da cadeira dele e de Molly.

Ele estava olhando para o chão.

"Eu... Eu... Eu sinto muito."

Arthur franziu a testa.

"Pelo o quê?"

"Harry… Ginny…"

Arthur queria fechar os olhos por um instante para afastar aquela imagem de sua mente, mas não o fez.

"Você não tem culpa, James."

"Ele é meu filho, Arthur… minha carne e meu sangue... Eu nunca... Eu nunca pensei que isso fosse acontecer."

"Acho que nenhum de nós pensou."

James assentiu e tentou sorrir. Não parecia com seus sorrisos habituais.

Dumbledore entrou na sala, fechando a porta atrás de si. James assentiu novamente e sentou em sua cadeira, mias abaixo na mesa.

De forma geral, não tinham muitas pessoas presentes. Estavam Dumbledore, Lily, James, Sirius, Molly, Olho-tonto Moody, a jovem auror Tonks e ele, Arthur. Arthur achou estranho... ele pensou que teria mais pessoas. Eles iam debater o ataque ao Beco Diagonal, não iam?

"Como vocês provavelmente já devem saber, Harry e a filha mais nova de Arthur e Molly, Ginny, tiveram um encontro durante o ataque no Beco Diagonal. Eu fiquei tão surpreso quanto todos que estavam presentes. Arthur, você duelou com ele após… após o incidente. Eu escutei alguns trechos de sua conversa com ele, mas não tudo. Achei um tanto interessante. Você pode repetir o que consegue lembrar?"

Arthur tentou achar qual era a razão por trás de tudo isso, por que Albus estava interessado nisso, mas assentiu.

"Sim, posso. Ele... ele fez parecer como se ele tivesse algum tipo de… relacionamento, se essa for a palavra correta, com ela." Sua voz soou cansada até mesmo para seus próprios ouvidos.

Os outros olharam para ele em choque, mas foi Molly que expôs seu pensamento.

"Ele... ele disse O QUÊ? Por que você não me contou?"

"Não achei que ele estivesse falando a verdade." Ele olhou para Albus enquanto dizia isso.

"Sim, tive a impressão de tratar-se de um relacionamento também... é claro que não temos certeza, Arthur. Pode ter sido um simples truque para fazer você perder o controle, mas... E se não foi?"

"Mas… Albus… Quero dizer, eu estava com ele em Hogwarts, eu iria saber se tivesse algo acontecendo entre eles."

"No início você estava com ele o tempo inteiro, eu sei, James… mas depois de algum tempo, quando você teve a certeza de que ele não iria machucar Damien... não era possível...?"

"Eu… Eu não sei, quero dizer, eu nunca os vi juntos." Ele parou repentinamente, franzindo as sobrancelhas, imerso em pensamentos. "Os outros – Ron, Hermione e Damien – sempre estavam presentes, mas eu acredito que me lembro de uma vez em que os encontrei sozinhos..."

"Quando foi isso James?"

"Uma vez, logo no início… eles estavam na biblioteca… Harry queria fazer sua lição de casa… eles… eles estavam procurando o mesmo livro, acredito." Ele franziu ainda mais a testa e até fechou os olhos, tentando lembrar-se da cena.

"Podemos usar minha penseira, James... não vai levar muito tempo para em trazê-la até aqui."

Arthur se perguntou por que James estremeceu, mas então se lembrou do que tinha sido dito num encontro da Ordem, tentando convencer os outros sobre... sobre o Príncipe das Trevas. Ele tinha assistido às memórias de seu filho naquela penseira. Arthur duvidava que fossem memórias agradáveis.

"Não... está tudo bem… acredito estar misturando aquela memória com outra... Eu lembro claramente que ele me disse que eles estavam procurando o mesmo livro, mas eu meio que achei que as costas delas estavam viradas para a prateleira. Mas... isso não faz sentido, faz?"

Sirius arqueou uma sobrancelha.

"Isso parece uma desculpa, James… Eu não posso acreditar... um dos Marotos enganado por algo tão sem criatividade... Que vergonha." James lançou um olhar desagradável para Sirius.

"O que eu não entendo, Albus." Moody interrompeu. "É porque estamos falando sobre isso, porque estamos falando sobre ele em toda maldita reunião! E se eles tinham um relacionamento...? Diabos, se eles transavam... Não importa. Temos que encontrá-lo, capturá-lo, fazer com que ele pague e não perder tempo com essa estupidez sem sentido."

Molly e Arthur se encolheram na parte do "transavam" e pelo canto do olho eles viram Lily fazer o mesmo.

"Você não vê? Se há alguma coisa, pode haver um caminho para chegar até ele... e nós temos que chegar até ele. Nós temos que conseguir."

"Então, vamos perguntar à garota e prosseguir com isso. Não sei por que vocês têm que fazer tudo da forma mais complicada," disse Moody e Dumbledore olhou em volta para suas faces, observando Arthur e Molly por mais tempo.

"Sim, Alastor. Acredito que esteja certo."

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N/T: Espero que continuem acompanhando a história e, por favor, comentem! ^^