Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Twelve – Convincing

(Convencendo)

Todos tinham ido para casa como se nada estivesse errado. Ginny evitara os olhares de todos e tinha ido direto para a cama.

Ela não sabia mais o que pensar. Pensara que o odiava. Ela meio que o odiava. Mas sabia que, em seu íntimo, tinha gostado dele mesmo depois de tudo o que tinha acontecido. Tinha se proibido de pensar sobre isso, de falar sobre isso... mas nada tinha mudado. Ela levara seu ódio adiante, tinha tentado esquecer tudo, e após o ocorrido no Beco Diagonal tinha simplesmente se proibido de gostar dele. Ela se odiou mais ainda, mas de alguma forma aquilo era manejável, pois toda vez que tinha pensado nele de alguma forma positiva, como quando pensara em seus olhos, em sua risada, pensara num casal que um dia tinha sido feliz e que agora estavam mortos ou tinha pensado na Maldição da Morte e sobre a livraria em chamas.

Assim, as coisas não pareciam tão positivas, e era quase como uma proteção contra ele, contra os sentimentos, contra os pensamentos. Era tudo que ela tinha para se proteger, e estava quase feliz por ter aquilo como escudo.

Ela não era mais culpada. Mas será que isso fazia alguma diferença? Pelo amor de Merlin, eles estavam mortos. Fazia alguma diferença ela ter contado a ele ou a qualquer um? Fazia alguma diferença ter sido por acaso? Ele os matara. Tinha tentado matá-la, mesmo que tivesse negado. Ela estava lá. Todos tinham visto. Todos.

Isso tinha que ter algum propósito. Tudo que ele falava e fazia e... e tudo! Só não era porque ele não queria matá-la ou qualquer besteira desse tipo. Ele já tinha matado tantas pessoas antes... por que se importaria com ela? Porque a beijara algumas vezes? Isso não importava. Não para ele.

Lágrimas estavam se formando em seus olhos novamente. Doía perceber que aquilo não era real, que ele estava brincando com ela. Já tinha lidado com isso uma vez. Tinha tentado lidar com a culpa... e Professor Dumbledore tinha dito que ela não precisava mais fazer isso.

Mas por que, por que ela teve que encontrar com ele de novo? De novo, após aquele incidente, após todos aqueles sonhos, todos aqueles pesadelos, depois de todo aquele tempo, depois que ela finalmente encontrou um pouco de paz...

Ginny estava se abraçando com força. Lágrimas despejando-se de seus olhos, correndo por seu rosto.

Quando ouviu um barulho do outro lado da porta, tentou limpar as lágrimas. Quando não conseguiu, deitou-se na cama, de frente para a parede.

A pessoa por trás da porta não parecia certa se ele ou ela – Ginny imaginava que fosse ou sua mãe ou Hermione – deveria entrar, mas finalmente a porta se abriu.

Os passos leves sinalizaram que era de fato Hermione quem entrara. Ela escutou a outra garota atravessar o quarto e sentar na cama dobrável. Nenhuma delas falou por alguns minutos. Foi sua amiga quem quebrou o silêncio.

"Ginny? Você… você quer falar sobre isso?"

Ela hesitou em responder. Seu primeiro pensamento foi o de responder que não, porque não conseguia pensar em nada para dizer... e, mesmo que tivesse algo a dizer, não sabia se realmente poderia dizer. Falar sobre aquilo com alguém era diferente de simplesmente pensar. Mas com Hermione... sempre tinha sido diferente e era sempre melhor ser verdadeira com ela.

"Eu… eu não sei o que dizer de qualquer forma," murmurou ela em seu travesseiro.

"Ah… Eu… Eu estou feliz por Luna estar bem." Hermione tentou deixar o assunto mais seguro.

"Eu também."

"Deve ter sido horrível, separar-se, ficar sozinha e não saber onde ela estava e se vocês duas iam conseguir."

"Foi."

Um silêncio constrangedor se espalhou pelo pequeno quarto. A ruiva ouviu a amiga mudar a posição que estava sentada, enquanto ela ainda estava deitada em sua cama, de frente para a parede.

"Como... como ele está?"

Ginny respirou fundo.

"Eu não perguntei."

"Sim, é claro, que estupidez a minha."

"Hermione, tudo bem. Não precisa fazer isso."

"Mas eu quero te ajudar! Eu posso ver o quanto isso te machuca, e não posso apenas assistir e não fazer nada! Eu quero entender, Ginny!"

"Eu… eu também não entendo, sabe? Eu não sei como me sinto, o que eu devo pensar, o que..."

"Por que não? Quero dizer… pode ser complicado, mas… você podia apenas me dizer o que pensa e não o que você deveria pensar. Eu poderia te ajudar com isso."

Ginny não pôde deixar de rir… não sua risada habitual e não durou muito, mas era um começo.

"Às vezes... às vezes eu sinto falta dele... é... é o que torna tudo pior... por que... por que... eu não posso sentir isso, sabe? Eu simplesmente não posso. Eu não devo."

"Ah…" A amiga ficou em silêncio, provavelmente pensando nas palavras da garota. "Acho que é normal o que você sente. Quer dizer, você teve um relacionamento, se essa for a palavra certa, com ele e... eu vi o quanto você estava feliz e como você... o adorava. Deve doer muito ver que... que..."

"Que você estava certa?"

"Não foi isso que tentei dizer."

"Eu sei." A ruiva fez uma pausa. "Mas você estava, de qualquer forma."

"Ah, Ginny! Eu queria muito não estar."

"Você sempre esteve certa, Hermione. Eu devia ter te escutado." A amiga se manteve em silêncio. "Quer dizer... foi burrice e ingenuidade e, e... eu fui tão idiota! Eu não... Eu não consigo acreditar em como eu cai, sabe? Eu sempre ria daquelas garotas tão cegas que não viam o que os caras estavam fazendo com elas e do que elas faziam só para ficar mais um dia com eles...!"

"Ginny, você não deveria ser tão dura consigo mesma. Quer dizer, tantas garotas e mulheres também cairiam... caíram por alguém assim e ficaram decepcionadas e com raiva, e..."

"Não teria acontecido com você."

"Ah, eu não sei… se ele não tivesse me xingado o tempo todo, se tivesse feito alguns comentários interessantes em vez disso e tivesse sorrido um pouco... Quero dizer, ele é uma gracinha, não é?"

"Não acredito que você disse isso," falou a ruiva, sentando-se e encarando a outra garota.

Hermione riu.

"Ah, vamos lá! Não é como se eu fosse cega ou algo do tipo."

"Às vezes eu me pergunto…"

"O que significa isso?"

"Quero dizer… Ron…!" Ginny fez careta.

"Ron é uma gracinha." Silêncio. "Quer dizer, às vezes ele consegue ser uma gracinha."

"Argh… não acredito que você usou a mesma palavra para descrever Ron e Harry."

"Eu usei, não foi?"

A ruiva assentiu, sorrindo levemente, e com um estalo notou onde estava, o que estava fazendo e o que estava sentindo. Ela se sentiu quase normal novamente.

xxx

Ginny abriu a porta silenciosamente, esperando não acordar Hermione. Ela não conseguiu dormir, de novo. Tentara diferentes posições, tentara pensar em coisas diferentes, tentara não pensar em nada que fosse realidade... não funcionara.

E não havia nada pior do que ficar deitada na cama sem conseguir dormir. Ela tinha pensado em coisas para fazer, e voar veio em sua mente. Ainda não tinha voado no feriado. Tinha sido um dos períodos mais longos que passara sem voar, na verdade. Mesmo quando ficavam em Hogwarts no feriado de inverno e estava frio e nevando, não sendo possível ficar do lado de fora por muito tempo sem que algo pudesse congelar, ela pegara sua vassoura e voara, talvez por apenas alguns minutos, mas ela ficara lá fora, sentindo o vento e os flocos de neve em seu rosto e em seu cabelo e... era isso que tirava sua atenção de toda aquela porcaria que tinha acontecido.

Se havia alguma coisa que a conversa que tivera com Hermione há dois dias tinha lhe mostrado, era que tinha que tentar voltar a fazer as coisas que fazia antes dele. Talvez essas coisas finalmente a trouxessem paz, fazendo-a finalmente esquecer.

E ela queria esquecer, ela queria voltar, mesmo que não fosse completamente possível. Queria alguns daqueles sentimentos de volta, e era mais fácil começar sozinha, na penumbra, onde ninguém pudesse vê-la se falhasse, se chorasse. Acreditava que seus pais surtariam se soubessem que ela tinha saído... à noite... sozinha... enquanto estava nevando.

Ela não se importava. Tinha que fazer alguma coisa, alguma coisa para se sentir viva.

Ginny fechou a porta, rezando para Hermione continuar dormindo. Podia falar com ela, tinha falado com ela, mas voar era algo que a amiga não entendia. Às vezes achava que seus irmãos também não entendiam... sim, eles gostavam de voar, de atirar bolas, gostavam de falar sobre quadribol, dos times e dos jogadores... mas eles não falavam do vento nos cabelos ou da sensação de liberdade, ou... como era possível simplesmente deixar as preocupações no chão.

A ruiva esperou um segundo, mas nada sinalizou que Hermione acordara. Mas qual seria o sinal? A garota não ia sair procurando por ela. Mesmo que tivesse acordado, provavelmente pensaria que Ginny tinha ido ao banheiro e que voltaria. Esperava que ela voltasse a dormir até lá e apenas lhe perguntasse pela manhã. Se tudo ocorresse bem, poderia falar com ela sobre isso... mas tinha que fazer aquilo sozinha.

Dirigiu-se às escadas e desceu o primeiro degrau. Com cuidado, olhou com exatidão onde estava colocando os pés. Tinha aprendido onde se podia pisar para não fazer barulho.

Desceu rapidamente mais alguns degraus, mas parou abruptamente quando ouviu algo no andar de baixo. Ela franziu as sobrancelhas. Parecia que alguém ainda estava em pé...

Havia vozes, duas vozes. Se ela ouvisse atentamente e descesse mais um ou dois degraus... antes que percebesse, já o estava fazendo... podia distinguir quem eram eles.

"Arthur, por favor…!"

"Molly, eu sei que é perigoso."

"Perigoso? É muito arriscado. Severus disse…"

"Sim, eu sei, Molly, mas…" interrompeu seu pai.

"Mas, o quê? Você esqueceu o que ele disse? Estamos em perigo ainda maior agora..."

"Nós não temos certeza disso." Ele parecia bastante sério.

"Mas estamos! Acredito que ele estava inteiramente certo em tudo que disse, Arthur."

"Sim, mas ele também disse que talvez não tenhamos outra maneira."

"Tem que haver uma forma! Tem que haver outro caminho..." Sua mãe parecia desesperada.

"Mas, e se não houver? E se essa for nossa única chance...? Você não ia nem considerar?"

"Não!" disse ela com a voz rígida.

"Mollywobbles..." Ginny colocou a mão na boca para não rir.

"Não me chame de Mollywobbles, Arthur!"

"Molly…"

A voz de sua mãe ficou um pouco mais alta.

"Você realmente quer fazer isso? Pensei que você quisesse protegê-la tanto quanto eu..."

"É claro que eu quero protegê-la, mantê-la a salvo... mas Albus disse..."

"Sim, ele disse que ela estaria segura, que nós a manteríamos a salvo, mas..."

"Eu sei, eu sei, Molly." O pai dela suspirou. "Também estou preocupado e não apenas com isso. Não é como se as palavras de Severus não significassem nada para mim."

"Você acha que ele está certo?"

"Ele… ele costuma estar sobre essas coisas, mas..." Era o tom que ele costumava usar quando esfregava o nariz, bem abaixo dos óculos.

"É difícil de acreditar, não é?"

"Sim, Molly, é verdade… Eu gostaria que pudéssemos voltar atrás para impedir que acontecesse dessa forma... "

"Eu nunca pensei que estaríamos aqui, pensando, falando sobre isso… às vezes... às vezes, é claro, eu preferia que fosse diferente, que não fossemos vistos como 'traidores de sangue,' mas no final..."

"No final, sempre foi o lado certo… eu sei." Seu pai completou a frase dela.

"E ainda é. "

Seu pai nada disse, mas a garota podia imaginar que ele assentira.

"Mas…"

"Sim, mas… mas, isso pode ser demais." Ginny não costumava ouvir seu pai assim tão preocupado.

"Eu não quero perder um deles."

"Será que alguém quer perder seus filhos?"

Silêncio, e então:

"Eu não sei como Lily e James se sentem. Quer dizer... você consegue imaginar, Arthur?"

"Não, e nem quero."

"Você acredita que eles vão realmente nos perseguir agora?"

"Eles já tentaram isso antes, Molly. Nós somos membros da Ordem, nós sabíamos os riscos, Bill e Charlie e Percy e Fred e George... nós sabíamos o que estávamos fazendo e eles também sabem. Não se lembra do dia em que soubemos que valia a pena?"

"Não me lembre, por favor."

"Me desculpe, mas… não acha que deveríamos falar e pensar neles com mais frequência? Pelo que eles fizeram..."

"Não ouse dizer que não, Arthur! Eu penso neles todos os dias quando olho para o relógio, quando estou preocupada, quando há outra reunião, quando alguém morre..."

"Eu deveria saber, Molly. Me perdoe, é só que..."

"Você não entende porque eu não falo neles com mais frequência, eu sei. É que... não vai melhorar as coisas. Eu me lembro deles. Eu tenho minha própria vida, tenho você, tenho as crianças... eles não iam querer que eu parasse de viver só para lembrar deles."

"Não, não, eles não iam querer isso. Você está certa." Ninguém falou nada por um tempo. "Tenho certeza de que ficariam muito orgulhosos de você."

"Não tenho certeza disso."

"Molly, você faz tudo o que pode e muito mais! Coisas que você não poderia imaginar, coisas que você não queria fazer, mas você percebeu porque estamos fazendo isso e eu... eu também e... é muito mais do que a maioria faz, você pode se orgulhar disso... nós podemos nos orgulhar disso."

"Você provavelmente está certo… Gostaria que existissem mais pessoas como nós, seria muito mais fácil se houvesse mais pessoas na Ordem. Nós poderíamos… nós poderíamos mudar alguma coisa. "

"Mas, Molly, nós vamos mudar."

"Da forma que está agora? Não, Arthur, não acho que vamos mudar muita coisa."

"Mas talvez ela pudesse…"

"Não comece com isso de novo, por favor."

"Molly…!"

"Você acha que Bill já terminou?"

O pai dela suspirou.

"Ela é mais forte do que aparenta."

"Você olhou para ela nas últimas três semanas?" Ginny não conseguia se livrar da sensação de que eles estavam falando sobre ela.

"Eu sei, eu sei… ela não parece forte agora, mas ela é... ela é..."

"Ela já tem muito com que se preocupar sem isso."

"Mas e se ele for a nossa última chance de mudança...?"

"Ele não pode ser, Arthur."

"Mas Albus…"

"Eu sei! Eu sei! Mas se ele realmente for, temos que parar de contar com isso...! Nada vai mudar, nada! Vai ficar pior… vai ser tão aterrorizante. Ele não vai parar, Arthur. Tudo vai ser destruído, todos nós seremos mortos… se ele realmente for nossa última chance. Eu não acho..."

"Mas Ginny disse…"

"Sim! Eu estava lá, eu ouvi! E não gostei disso… não gostei nem um pouco. Ela é nossa garotinha, Arthur! Nossa menina inocente! A garota que vem correndo lá de cima ou de onde ela esteja para te abraçar quando você chega do trabalho..."

"Nem mesmo pelo Bem Maior?"

"Não faça isso! Não ouse fazer isso!"

"Molly, talvez não seja apenas sobre Ginny ou sobre nós, ou sobre nossas preocupações! Talvez seja sobre todo mundo! Apenas... apenas pense nisso."

"É perigoso, é muito perigoso e não acho que sabemos tudo sobre isso."

"Você acredita que Albus está escondendo algo de nós..."

Ginny ouviu a porta se abrir com força. O vento uivou pela casa antes de repentinamente parar. Parecia que alguém fechara a porta novamente.

"Você deu uma boa olhada neles? Como eles estão? Acha que precisam ser mais trabalhados?"

Bill suspirou. Parecia que ele tinha sentado… provavelmente na mesa da cozinha. Sua mãe estava remexendo nas coisas, sem dúvida à procura de alguma coisa para o filho comer.

"Eles estão num estado muito bom, na verdade… mas, vamos ser francos. Não sobreviveriam a um ataque d'Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado." A respiração de Ginny ficou presa na garganta.

"Não acho que eles iriam…"

"Você tem certeza que poderia chegar a esse ponto?"

"Severus insinuou algo desse tipo."

"Snape insinua tudo o tempo inteiro."

"Bill…!" repreendeu sua mãe.

"É verdade, mãe. Você sabe que ele faz isso."

"Não queremos nos arriscar, Bill."

"Sim, pai, eu entendo. Mas isso vai custar uma dinheirama."

"Eu imaginei."

"Acredito que Charlie e eu possamos…"

"Não, não, a casa é nossa e nós temos que cuidar dela."

"Pai…!"

"Vamos pedir aos membros da Ordem primeiro. Ver se alguém pode nos ajudar..."

"Eles não fariam escudos tão bons quanto os duendes…"

"Tenho certeza que algum deles pode fazer um bom trabalho, Bill."

"Mãe, você disse que estava preocupada sobre Você-Sabe-Quem atacar A Toca. Não acho que 'um bom trabalho' seja bom o bastante."

"Se pedirmos a Albus..."

"Ele é um homem muito ocupado, Molly."

"Mas eu vou pedir assim mesmo. É da nossa família que estamos falando."

Eles não disseram mais nada depois daquilo, e após alguns minutos Ginny percebeu que estavam comendo. Provavelmente a sopa que sobrou do jantar.

Ela caminhou de volta ao quarto com todos os pensamentos sobre voar deixados para trás e o coração batendo furiosamente em seu peito.

xxx

Outro dia se passou, e Ginny não escutou mais nada sobre aquilo. Se não estivesse tão certa de que ouvira seus pais conversando, pensaria que sonhara aquilo. Eles estavam agindo normalmente, não demonstrando nenhuma preocupação a mais do que antes, mesmo que tivesse soado diferente quando estavam sozinhos.

Ela só percebeu que algo estava errado quando eles foram a Grimmauld Place para outra reunião da Ordem e seus pais pediram que ficasse lá embaixo, enquanto Ron e Hermione tiveram que subir. É claro que Ron não ficou satisfeito.

"O quê? Por que ela está autorizada a ficar?"

"Ronald Bilius Weasley! Não é hora para isso!"

"Mas eu sou mais velho! Se ela tem permissão, eu também tenho!"

"Não! Você vai subir agora mesmo! Não haverá mais filhos meus do que o necessário!"

"O que é isso? Ela tem mais segredos para contar? Hum? Talvez ela queira falar sobre outra coisa com... com Malfoy?"

"Como se atreve?"

"RONALD WEASLEY! VOCÊ NÃO VAI FALAR DA SUA IRMÃ DESSA FORMA!"

Ginny podia ouvir os gritos da Sra. Black no corredor, mas ela não se importava. Parecia que seu irmão e sua mãe também não.

"MAS POR QUE ELA ESTÁ AUTORIZADA A FICAR E EU NÃO? POR QUE TODO MUNDO TEM AUTORIZAÇÃO PARA PARTICIPAR, MAS EU NÃO? ME DIGA!"

"Ah… Senhor Weasley, pensei ter ouvido a sua voz." O Professor Dumbledore aparecera na porta, calmo e sereno como sempre.

"Sinto muito por isso, Albus."

"Ah, Molly, não se preocupe. Apenas pensei que fossemos começar agora."

"Sim, sim, é claro. Ginny, venha, e você...!"

"Mas, mãe...!"

"Ronald, seja tão responsável quanto eu imaginei que você já fosse."

"Isso não é justo…!"

"Eu posso lhe assegurar, Senhor Weasley, que a Senhorita Weasley não ficará conosco por mais tempo que o necessário. Ela não vai conseguir ouvir nada demasiadamente interessante."

"Mas por que ela...?"

"Talvez, Molly, devêssemos permitir que o jovem Senhor Weasley e a Senhorita Granger venham conosco. Eu não acho que ele queira outra coisa senão proteger a irmã e ser tratado como o jovem adulto que é."

"Albus…"

"Molly, é só até discutirmos tudo que diz respeito a sua filha. Depois disso, tenho certeza de que eles não hesitarão em nos deixar e em ficar bastante tranquilos enquanto estivermos na reunião. Também estou seguro de que não haverá outra agitação depois disso... haverá?"

"É claro que não, Professor Dumbledore."

Hermione assentiu também, lançando olhares raivosos para Ron por ele ter se atrevido a falar com a mãe e com o diretor daquela maneira.

"Muito bem."

A mãe dela assentiu, mas não parecia feliz. Depois daquilo, ela pegou Ginny pelo ombro e levou-a ao cômodo onde os outros membros da Ordem já estavam aguardando. Ron, Hermione e Dumbledore seguiram logo atrás.

Chegando à cozinha, eles se sentaram nas cadeiras livres, ignorando os olhares de questionamento dos outros. Apenas Dumbledore tomou sua cadeira habitual, que, é claro, ninguém ousara ocupar. Ele desejou-lhe uma boa noite, e os presentes fizeram o mesmo. Todos ficaram em silêncio, tornando possível a reunião começar.

"No último encontro, falamos sobre a conversa que alguns de nós tivemos com a Senhorita Weasley há não muito tempo atrás, que esclareceu algumas coisas."

"Potters e ruivas..." murmurou o Sr. Black não muito longe de onde ela estava sentada.

A garota sentiu sua face queimar enquanto algumas pessoas riram, mas a maioria se manteve séria. Dumbledore continuou como se nada tivesse acontecido.

"Nós concordamos que a reação dele foi muito diferente daquelas que vimos antes e, portanto, chegamos à conclusão que, de fato, há algo especial no relacionamento deles. Todos nós sabemos o quanto é importante nos aproximarmos dele para concluirmos o que iniciamos no início desse ano, mas que foi interrompido por seu retorno a Voldemort."

Quase todos se encolheram com o nome, mas ficaram em silêncio, o que era uma reação bem diferente da que seus colegas de classe provavelmente teriam.

"Agora que parece que encontramos um caminho para chegar até ele, um caminho que estávamos esperando, um caminho que a Senhorita Weasley abriu para nós."

Os olhos dele estavam brilhando quando se virou para ela, fazendo muitos dos presentes se vivarem também.

Ginny encontrou os olhos da Sra. Potter, o que a fez abaixar os olhos, encarando as próprias mãos, o coração batendo rápido. Era exatamente o mesmo tom de verde que os dele. Evitou levantar os olhos novamente. Com a sorte que tinha, provavelmente olharia para o Sr. Potter em seguida e ia ver seu cabelo, que parecia tão bagunçado quanto o dele... a ruiva respirou fundo. Ele realmente a perseguia em todo lugar.

"Senhorita Weasley… é aqui que você entra em cena, onde todas as nossas esperanças estão com você. Nós pensamos em formas de fazer isso sem você, mas não parecia possível. Finalmente, após uma longa discussão, achamos uma maneira que será muito segura para você. É importante para nós entrarmos em contato com ele, pois apenas falando com ele, apenas chegando até ele, seremos capazes de fazê-lo ver que o lado da luz não é o que ele pensa. É nossa responsabilidade fazê-lo ver o que realmente é, fazê-lo enxergar que existe algo pelo qual vale a pena lutar, algo melhor do que o poder."

Ginny não gostou do rumo que aquilo estava tomando. Ela não gostou nem um pouco.

"Decidimos, Senhorita Weasley, que seria de todo nosso interesse se você começasse a escrever cartas para ele."

Ela não pôde deixar de levantar o olhar e encarar seu diretor.

"Como...?"

O diretor sorriu para ela.

"Sim, acredito que seja um pouco demais, mas, Senhorita Weasley, seria uma imensa ajuda..."

"Você quer que eu escreva para ele, senhor?"

"Sim."

"Eu… Eu não vou fazer isso."

Sussurros eclodiram, os quais Dumbledore silenciou com um aceno.

"Tudo bem, é isso, acredito que nós teremos que pensar em algo diferente. Ginevra, Ronald, Hermione, subam," disse sua mãe, se levantando.

"Molly, eu não acho que tenha acabado."

Ela se sentou novamente, a preocupação crescendo em sua face.

"Senhorita Weasley… Ginevra." A garota fez uma careta. "Ginny... você não imagina o quanto isso é importante. É de absoluta importância conseguirmos isso e só você será capaz de nos ajudar. Se houvesse alguma outra forma, não teríamos lhe pedido."

"Eu… Eu…"

"Típico de grifinório… sempre resmungando sobre ser corajoso e o que seja, e fazendo tudo sem pensar, mas assim que as coisas se agravam, eles não têm nada a ver com isso."

"Não fale nesse tom com ela, Severus!"

"Ou o quê, Minerva?" Ele se afastou da colega, encarando Ginny. "Você não pensa nas possibilidades, Weasley. É uma forma de se vingar. Uma forma de prejudicá-lo se o que Albus diz for verdade."

"Mas… isso não vai prejudicá-lo."

"E mais uma vez, um aluno acredita ser mais inteligente do que o maior e mais respeitável bruxo vivo." A ruiva corou. "Ele brincou com você. Ele agiu como se você não valesse nada, Weasley! Essa seria uma maneira de fazer a mesma coisa."

"E… e se… e se eu não quiser fazer isso? E se ele planejou isso? E se ele tiver algum propósito com essa coisa toda?"

"Você está dando muito crédito a ele."

"Acredito que os pensamentos dela são legítimos, Moody. Não é como se ele fosse um Comensal da Morte mediano."

"Porque todos nós sabemos que esses são simplesmente estúpidos," adicionou Sr. Black, sorrindo com desdém na direção de Snape.

"Black, não fui eu quem foi parar no hospital depois de um encontro com ele, não é?"

O Sr. Black abriu a boca, mas com um olhar Dumbledore o fez se calar.

"Senhorita Weasley, não estou seguro de que realmente entendeu a importância disso."

A garota respirou fundo. Entrar em contato voluntariamente com ele? De novo?

"Por que...?" sussurrou ela, sem confiar em sua voz. "Por que isso é tão importante?"

Dumbledore suspirou.

"Sinto muito, Senhorita Weasley, mas não posso lhe contar."

"Por que vocês estão tão interessados nele?"

"Ele… ele vai mudar a guerra. Não posso dizer mais que isso. Mas nos ajudando agora, você vai mudar a guerra."

"Mas, mas... por que eu?"

"Está vendo outra pessoa com uma história como a sua nesse cômodo?" perguntou Snape.

Ginny olhou para as próprias mãos novamente.

"Apenas escrevendo cartas?"

"Por enquanto isso será o suficiente."

Sua mãe emitiu um som em protesto, mas não disse nada. Certamente seu pai ou algum outro membro da Ordem a acalmara, mas a garota não queria olhar para ela.

"Por enquanto…?"

"Ginny, eu vou ser franco. Eu não sei se um encontro será necessário, mas..."

"Eu não quero vê-lo nunca mais."

"Nós faremos de tudo para evitar isso, eu prometo. Talvez nem precisemos de você lá." Ele fez uma pausa. "Apenas fazê-lo acreditar que você estará pode ser o bastante."

"Eu não quero encontrá-lo nunca mais. Não importa o que você diga.

"Não importa o que ele diga…? Weasley, você deveria pensar antes de falar!" Moody se levantou, erguendo-se sobre a mesa, bem em frente à garota.

"Você não esteve sob a mira da varinha dele, esteve? Não houve uma Maldição da Morte acertando o chão da rua bem ao seu lado, houve?" A voz dela soou sarcástica até para seus próprios ouvidos.

"Não use esse tom mocinha," repreendeu-lhe sua mãe.

"A primeira semelhança que eu vejo entre ele e ela."

"Minha filha não se parece com ele em nada, Alastor Moody!"

"Ah, não sei, por um instante achei que o tom que ela usou foi exatamente o mesmo que ele usa."

Molly sentiu o sangue começar a ferver nas veias.

"Alastor, já chega!"

Moody sentou-se, olhando-a como ambos os olhos, causando-lhe um arrepio na espinha. Ela tentou não olhar para ele e se acalmar ao mesmo tempo.

"Senhorita Weasley, nós todos sentimos muito pelo que aconteceu no Beco Diagonal, mas como você mesma disse, ele disse que não teve a intenção de atacá-la."

"Talvez ele estivesse mentindo! Não é como se ele não tivesse vindo em minha direção ou algo assim."

O silêncio se espalhou na cozinha. Todos olharam para ela.

"Ele, ele... ele fez o quê, Senhorita Weasley?"

"Ele veio até mim no Beco Diagonal."

"Ótimo! Agora ela está começando a ficar megalomaníaca também," murmurou Moody.

"Senhorita Weasley, você não mencionou isso na primeira vez que falamos sobre o ataque."

"Eu… eu esqueci."

"Você esqueceu," falou Snape arrastadamente, com um sorriso escarnecedor no rosto.

"Sinto muito."

"Talvez devêssemos dar uma olhada na cena em minha penseira mais tarde. Estaria disposta a nos emprestar essa memória?"

Ginny fechou os olhos, mas assentiu. Eles pediriam até que ela concordasse de qualquer forma. E era para o Bem Maior... ou assim eles diziam.

"Muito bem, mas voltando à sua missão. Não há realmente uma forma de convencermos você do valor dessa tarefa?"

Ela inspirou e expirou, tentando pensar nos argumentos que tinham listado e sobre os seus sentimentos, sobre seus pesadelos, sobre os encontros, sobre todas as memórias com ele, as ruins... e as boas, mesmo que não quisesse admitir isso.

"E... e o que eu devo escrever?"

Dumbledore sorriu e conjurou um pergaminho, uma pena e um pouco de tinta.

"Muito bem. Seria melhor você escrever a primeira agora, para que possamos discutir como entregá-la a ele."

"Eu…" Ela apontou para as coisas à sua frente. "Devo escrever uma carta agora? Aqui?"

"Sim, seria melhor."

"Eu não posso… eu não posso ir para a sala ao lado pelo menos?"

"Não, sinto muito, mas acho que é melhor que fique aqui. Nós temos que saber o que vai escrever, talvez lhe dar alguma ajuda."

"Eu… eu… eu não sei como começar."

"Não fomos nós que nos comunicamos com ele pelo tempo que essa coisa de vocês aconteceu," rosnou Moody.

A ruiva engoliu a raiva e encarou o pergaminho em sua frente.

"Algo que conecte vocês, algo que o faça lembrar-se de alguma coisa, uma explicação sobre porque você está escrevendo..." A voz do diretor foi silenciando.

Não ajudava todos eles estarem a observando. Suas mãos tremiam ao pegar a pena, mergulhando-a na tinta. Um pingo de tinta caiu no pergaminho. Um feitiço murmurado por ela limpou a mancha.

Ela alisou o pergaminho, mergulhando a pena na tinta novamente. Sinto muito, escreveu lentamente, demorando em escrever cada letra. Respirou novamente, sua mente estava vazia.

"Eu não sei o que devo escrever."

"Mas você escreveu alguma coisa…?"

"Ela escreveu 'sinto muito.'" Ginny olhou para a mulher à sua direita com raiva.

"Talvez não seja ruim para a primeira carta…"

"Você quer dizer que deve ser só isso...?"

"Ela deve ao menos assinar."

"Ele conhece minha letra."

Todos a encararam.

"VOCÊ ESCREVEU PARA ELE ANTES? Sobre o quê? Quando isso aconteceu? Você ainda tem as dele? É…"

"Alastor, se acalme, por favor, e deixe a Senhorita Weasley se explicar. "

"Foram apenas algumas mensagens curtas em Hogwarts, nada que pudesse ajudar..."

A garota parou de falar, olhando para o pergaminho, perdida em pensamentos. Um pequeno sorriso se abriu em seu rosto. Cuidadosamente, ela adicionou dois números à mensagem.

"5 e 27?" A mulher leu novamente.

"Ele vai saber o que significa."

"Você tem um código secreto com ele?" A voz de Moody soou tão perigosa que Ginny se encolheu para longe dele.

"Não é algo muito importante."

"Deixe-nos decidir isso."

"É a forma de nós combinarmos o lugar dos nossos encontros.

"Você não vai encontrá-lo, Weasley."

"Eu sei e não planejo fazer isso! Como eu disse antes, não quero vê-lo nunca mais! E, como eu disse anteriormente também: a última vez que ele tentou me matar foi o bastante, muito obrigada!"

"Ginny, mocinha, não use esse tom!"

"Mãe! Ele começou!" Fred e George riram e ela lhes lançou um olhar mortal. "E talvez eu devesse lembrá-los que essa ideia idiota não foi minha! E esses malditos números são apenas um lembrete sentimental e sem importância, porque esse foi o lugar onde NOS BEIJAMOS PELA PRIMEIRA VEZ! ESTÃO SATISFEITOS AGORA?" Ela tinha se levantado enquanto falava, aumentado a voz a cada palavra e gritando o resto na cara deles.

No fim, a garota se virou, correu da cozinha e subiu as escadas, batendo a porta atrás de si. Podia ouvir a Sra. Black gritando lá debaixo, mas não se importava. Aqueles idiotas estúpidos! Quem eles achavam que eram? Vieram e mandaram-na escrever cartas para ele, depois encontraram todos os argumentos possíveis para que ela escrevesse e então ela concordou! E eles queriam sentar bem ao lado dela enquanto tinha que escrever e pensar em cada palavra! É claro que não conseguiu elaborar uma obra-prima! É claro que não sabia o que escrever! Eles não tinham deixado ela sequer pensar sobre aquilo! Não eram eles que tinham que escrever uma carta para ele, não é? Não foram eles que tinham passado por tudo aquilo!

"Idiotas estúpidos!" xingou ela, chutando a cama que dormia quando estavam em Grimmauld Place, a reunião da Ordem demorava demais e sua mãe decidia passar a noite. "Droga!"

A ruiva sentou na cama, segurando o pé. Aquele não era o melhor momento para machucar o pé.

Houve uma batida suave na porta antes que se abrisse. A cabeça de Hermione apareceu na porta.

"Posso entrar?"

Ginny assentiu, observando a outra garota caminhar até a cama e sentar-se ao seu lado.

"Sinto muito por tudo isso."

"Você não tem nada a ver com isso, Hermione."

"Sim, eu sei, é só que… hum… não foi agradável assistir."

"Eles são idiotas."

"Eles não são…" Ela começara novamente a falar com a voz de 'Hermione-Sabe-Tudo-Respeite-as-Autoridades-Granger,' como Ron a chamava com tanto carinho. "Desculpa."

"Se é tão relevante, eu posso entender que eles queiram que eu faça isso, mas… Quero dizer, escrever uma carta para ele na frente deles é demais."

A amiga assentiu.

"Deve ser uma sensação terrível."

"Imagine escrever uma carta para Ron." Hermione olhou para ela. "Tudo bem, só que pior. Muito, muito, muito, muito pior."

"E escrever uma carta para Ron é ruim."

Ginny sorriu.

"Onde ele está, afinal?"

"Eu acho que ele ainda está lá embaixo. A Sra. Weasley queria que nós dois saíssemos, mas, como ele disse tão gentilmente, 'ele não queria vir comigo conversar com você sobre sentimentos e toda essa baboseira.'"

A ruiva riu cansada.

"Posso vê-lo dizendo isso."

"Eles… eles disseram que estaria tudo bem se enviassem a carta como está. Professor Dumbledore disse que os números foram uma ideia muito boa de sua parte."

"Hum…"

"Você não quer falar sobre isso, não é?"

"Não, não na verdade."

"Tudo bem…"

Elas ficaram em silêncio. Ginny massageou o pé novamente, chamando a atenção de Hermione.

"Está doendo?"

"Sim… achei que seria uma boa ideia chutar a cama."

A amiga riu.

"Ron fez isso uma vez também."

"Uma vez? Está brincando comigo? Ele faz isso o tempo todo!"

"Quem faz o que o tempo todo?"

A duas garotas se viraram para a porta, onde Tonks estava, seu cabelo rosa como sempre.

"Ron pensa que chutar a cama é uma boa ideia."

"Eu acho que chutar as coisas é uma boa ideia o tempo todo!"

"Você não as chuta! Você simplesmente tropeça nelas, Tonks."

"Ei! Eu não tropeço! Fique sabendo que eu sou a elegância em pessoa!"

A auror posicionou os braços em cada lado do corpo, girando ao redor de si mesma, parecendo uma garotinha dançando pela primeira vez. Ginny não conteve o riso abafado quando ela quase tropeçou nos próprios pés.

"A reunião já acabou?" perguntou Hermione, tentando ajudar Tonks a salvar a dignidade.

"Não, ainda não. Eu só queria ter certeza de que vocês duas não iam desaparecer." A ruiva corou, olhando para baixo. "Não se preocupe, Ginny. Muitas pessoas teriam feito o mesmo. Eu provavelmente teria gritado com eles antes de correr, mas, ei, todos nós somos um pouco diferentes, hã?"

"O que eles estão fazendo, então? Ron ainda está lá embaixo?"

"Estão pensando em formas de enviar a carta para ele… Ron, na verdade, foi de grande ajuda. Ele teve uma boa ideia..."

"Sério?" perguntou Hermione, parecendo surpresa.

"Sim! Ele ficou muito orgulhoso com isso também."

A ruiva gemeu.

"Droga! Provavelmente vamos escutá-lo repetindo essa história pelos próximos vinte anos!"

"Ginny," repreendeu a amiga. "Ele não é tão ruim assim."

A ruiva olhou para ela.

"Você tem certeza que estamos falando do mesmo cara? Às vezes eu me pergunto, sabe..."

Hermione corou.

"É claro que estamos."

"O amor é cego," fundamentou Tonks, sorrindo.

Ginny vacilou, fechando os punhos, tentando se impedir de pensar nele. Uma frase errada...

"Qual foi a ideia dele, então?"

A ruiva levantou os olhos, lançando um olhar agradecido a Hermione. A outra garota sorriu em resposta.

"Vejam, Ron disse que vocês observaram que ele tinha uma espécie de 'amizade estranha' com Draco Malfoy, então ele teve a ideia de mandarmos sua carta num envelope lacrado juntamente com um bilhete em outro envelope para Malfoy. No bilhete você tem que pedir a ele para entregar a carta a Harry. Há, é claro, o risco de que a carta não chegue a Harry, que é o que estão discutindo no momento, mas até agora é a melhor ideia que alguém teve, visto que não achamos que corujas serão capazes de passar pelos escudos e Snape levar a carta é ainda mais arriscado. "

"Isso foi ideia de Ron? Do meu irmão? Alto, ruivo, sardento? Um tanto idiota quando se olha para ele?"

"Ginny!"

"O quê? Eu tinha que me certificar, não é?"

N/T: Mais um capítulo! :) A história avança cada vez mais, muitas emoções à frente! Comentem, please!