Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Thirteen – Pen Friends

(Amizade por Correspondência)

"Eu quero mesmo saber o que é isso?

Harry olhou do envelope para o rosto do pai. Um elfo-doméstico viera chamá-lo há alguns minutos, dizendo que seu pai queria falar com ele imediatamente. O jovem obedecera, indo direito para o gabinete do pai, se perguntando o que estava acontecendo. Podia sentir que ele não estava zangado ou feliz, o que o fez sentir-se confuso. Normalmente, quando ele não estava muito feliz ou irritado, não era nada realmente importante e então um elfo-doméstico apenas lhe diziam que seu pai queria vê-lo. Só era preciso tomar cuidado quando ele dizia que queria vê-lo "imediatamente" ou "assim que possível."

"Eu quero mesmo saber o que é isso?" repetiu Voldemort.

"Não faço ideia," respondeu Harry, olhando novamente para o envelope.

"Está endereçada a você."

"Você examinou os feitiços? Maldições? Poções? Chaves do Portal?"

"É claro. Quem você acha que eu sou?"

"Dumbledore no Halloween?"

Seu pai suspirou, antes de olhar para o teto.

"Pelo amor de Salazar Slytherin! O que fiz para merecer isso?"

O garoto abriu a boca.

"Tem..."

"Não! Nem comece."

Harry sorriu de lado.

"Então… é apenas uma carta?"

Seu pai confirmou.

"Você já leu?"

"Não, eu não sou de ler as cartas do meu filho... não que isso já tenha acontecido antes."

"O.k., deixe-me ver se entendi. Você mandou um pobre elfo-doméstico," Voldemort bufou, "me chamar para me mostrar uma carta que você diz estar endereçada a mim, mas você não me entrega. Em vez disso, você apenas tenta montar um quebra-cabeça sobre ela. Você está entediado? "

Ele recebeu um olhar raivoso em resposta.

"Sabe, sempre pensei que tivesse coisas melhores para fazer. O que aconteceu com elaborar um plano para assumir o Ministério da Magia? O que aconteceu com controlar o mundo? Sabe, as coisas normais que se faz quando se está entediado..."

"Leia, agora," disse o pai, empurrando a carta para ele.

O garoto pegou e olhou para ela. "Harry" estava escrito no envelope. Nada mais, nada menos. Ele abriu com cuidado, seus olhos perpassando as palavras rapidamente.

"Como você recebeu isso?" perguntou o jovem, levantando os olhos.

Voldemort recostou-se na cadeira, observando-o por um instante, antes de falar.

"Lucius me entregou. Ele disse que o filho a recebeu por uma coruja. Havia um bilhete em anexo, dizendo que deveria ser entregue a você. Ele não achou que era muito importante, por isso não a trouxe. Se ele estiver enganado..."

"Não, não, não acho que seja necessário."

Harry dobrou a pequena carta e coloco-a no bolso. Sentiu que o pai o observava. Quando levantou os olhos novamente, havia uma pitada de irritação em sua face.

Quando o garoto não disse nada, o bruxo falou.

"O que diz?"

"Curioso? Eu pensei que essa fosse uma característica grifinória." Harry sorriu marotamente e recebeu outro olhar raivoso em retorno.

"Eu só gostaria de saber quem ousa mandar uma carta para você, só isso."

"Ninguém importante." O pai arqueou uma sobrancelha. "Uma garota. "

"Uma carta de amor? Sério?"

"Não… É uma carta do Ministério da Magia me oferecendo uma quantia de dinheiro se eu lhes contar alguns de seus segredos. Diz que pode aumentar se eu começar a trabalhar com eles... sabe, apenas um acordo entre amigos." Sua voz ficou mais sarcástica a cada palavra que dizia.

"Muito engraçado, Harry." Voldemort fez uma pausa. "Uma carta de amor, então..."

"Eu não disse isso."

"De uma grifinória eu suponho?"

O adolescente ficou em silêncio.

"Família da Luz?"

"Você tem seguidores com filhas na grifinória também?"

"Tem esse homem…"

Harry pareceu confuso por um momento e pensou rapidamente. O único que ele conhecia era...

"Argh! Ela não tem onze anos?"

Voldemort assentiu. O filho olhou ofendido para ele.

"Podia ser possível, não?"

"Não, de forma alguma!"

"Uma Família da Luz, então… Você se divertiu em Hogwarts, acredito?"

"Sim. Fiquei lá por muito tempo..."

"Reclame com Lucius. Ele foi responsável por isso."

"Acredito que você fez o que pôde."

"Não, não fiz. Nós todos ficamos muito satisfeitos por você ter sumido por um tempo. Tudo ficou tão silencioso... realmente relaxante."

"Fico feliz em saber que sentiram minha falta."

"O.k., já chega. Quem é ela?" indagou seu pai, acabando a brincadeira.

"Uma grifinória."

"Já cheguei neste ponto. Um nome seria adorável."

"Por quê? Quer persegui-la?"

"Talvez. Os pais dela são partidários de Dumbledore?"

"São."

"Da Ordem?"

"Sim."

"Não achei que você fosse sentir-se atraído por isso."

"Não estou. Foi só um pequeno plano que eu tive."

"Então, vamos ouvi-lo."

"Ela estava interessada em mim, e já que sua família está na Ordem, eu pensei que pudesse fazê-la acreditar que eu... sentia algo por ela. Eu consegui. Meu plano era esperar o momento certo para contar a família dela, especialmente ao pai, para que ele perdesse o controle numa luta e eu pudesse acabar com ele. Eu fui capturado quando no seu plano de afastar cada membro da Ordem, um após o outro. Eu pensei que conseguiria afastar um, talvez até mais. Agora que seus planos mudaram, e não funcionou da forma que eu pensei, achei que não teria importância."

"Você já tentou?"

"Sim, Beco Diagonal… mas então aquele tolo apareceu e você estava tão interessado em acabar com ele."

"Você não me contou. O que você espera?"

"Talvez eu devesse ter contado."

"Sim… sim, você deveria. E agora ela está te escrevendo...?"

"Sim.

"Você não vai responder."

"Se assim você diz."

O silêncio pairou entre eles.

"O que ela escreveu?"

"Nada importante. Apenas me lembrou de que ela ainda está lá, que ainda se importa..."

"É mesmo?" Seu pai parecia perdido em pensamentos.

"Parece que sim."

"Posso apostar que isso é coisa de Dumbledore. Tem o dedo dele nisso tudo."

"Talvez ela tenha contado a eles. Eu não sei, mas seria interessante saber, não é?"

"Sim, seria. Ver se é realmente apenas uma menina desesperada ou Dumbledore."

"Há uma forma de descobrir."

Olhos vermelhos encontraram os dele. Os dois sabiam do que ele estava falando.

Algo brilhou nos olhos de Voldemort.

"É a filha daquele tolo amante de trouxas do Weasley, não é...?"

"Sim." Vendo o olhar cético do pai e os primeiros sinais de desconfiança em sua face, o garoto rapidamente acrescentou. "Não que eu não tivesse obedecido à sua ordem. Afinal, eu tentei matá-la."

Suas feições suavizaram um pouco.

"Sim, tentou."

Harry assentiu.

Voldemort fez uma pausa. O garoto podia ver facilmente que ele estava pensando em suas palavras.

"Contanto que isso não te influencie..." O jovem fez um barulho, protestando. "Por que não?"

"O mínimo que você vai descobrir é quão longe eles estão dispostos a ir."

"Você não fará nada sem que eu saiba, está claro? Sem encontros, não vai abrir as cartas sem examinar os feitiços, maldições, chaves do portal..."

"Quem você acha que eu sou?"

Um sorriso se formou no canto da boca de seu pai.

"Dumbledore no Halloween...?"

Harry gargalhou.

"Então, creio que tenho uma carta para escrever."

"Finalmente um pouco de paz!" disse Voldemort, jogando os braços para cima num gesto teatral. "Mas não use uma das minhas corujas. Não queremos que eles saibam que eu sei, não é?"

"Ah, não se preocupe. Tenho uma ideia para resolver esse problema…"

xxx

Severus Snape percebeu que estava sendo seguido e não gostou nem um pouco. Ainda estava na Mansão Riddle, caminhando em direção à saída. Quando ouvira os passos atrás de si pela primeira vez, não pensara nada sobre isso.

Apenas quando um Comensal da Morte parou em sua frente, curvando-se, ele percebeu quem o estava seguindo. Seu primeiro pensamento foi o Lorde das Trevas, mas uma rápida olhada sobre o ombro disse-lhe que não era o caso.

Praguejou baixinho e apressou o passo, silenciosamente torcendo para que ele estivesse bem na sua frente apenas por acaso. Quanto mais os passos o seguiam, mais a probabilidade diminuía.

Estava quase virando a esquina, por pouco alcançando a porta da frente, quando o Príncipe das Trevas apressou o passo e um instante depois estava andando ao seu lado.

"Snape," disse ele, lançando-lhe um olhar gélido.

Praguejando em sua mente, o homem parou, abaixando a cabeça. O Comensal não conseguiu evitar de lembrar dos últimos meses e todas aquelas vezes em que o encontrara.

"Meu Príncipe."

Mesmo que a voz soasse sem emoção como sempre, milhões de insultos corriam em sua cabeça. Por um segundo, desejou proferi-los, mas é claro que não o fez. Ele tinha que mostrar respeito ao filho do seu mestre. Pirralho idiota.

"Siga-me."

Snape assentiu, endireitou as costas, e fez o que ele lhe disse. Um pouco de medo contorceu-se em seu estômago quando o Príncipe das Trevas o conduziu após uma porta, por outro corredor no qual ele jamais tinha entrado.

Não podiam ter descoberto de que lado ele realmente estava, disse a si mesmo. Portanto, não seria assassinado agora. Sua respiração quase parou quando o garoto entrou numa sala e fechou a porta atrás de si.

Alguns minutos se arrastaram, no qual o jovem apenas o encarou. Severus abaixou o olhar em respeito.

"Eu tenho uma tarefa para você." Anos de prática com o Lorde das Trevas tornavam possível manter a cabeça abaixada. "Uma tarefa muito, muito especial, que ninguém pode saber."

Snape assentiu, silenciosamente se perguntando se o Lorde das Trevas sabia sobre isso. Ousaria perguntar?

"Pode parecer sem importância, mas não é."

Pelo canto do olho, o homem viu o garoto procurar nas vestes e tirar delas um pergaminho.

"Quero que entregue isso a Ginny Weasley e se houver uma resposta, você vai trazê-la para mim."

Snape levantou a cabeça, olhando aqueles olhos verdes. Os olhos de Lily. Engoliu em seco. Não era hora para isso.

Estendeu a mão e segurou o pedaço de pergaminho, mas antes que o pegasse, o Príncipe das Trevas o puxou de volta. Um segundo depois, sua cabeça bateu contra a parede fria, suas costas foram pressionadas contra a parede e as mãos do Príncipe estavam em seu colarinho.

"O dia que falar sobre isso, será o dia da sua morte, Snape. Está entendendo?" sibilou ele em seu ouvido, seus olhos brilhando perigosamente.

O Comensal podia apenas assentir.

"Muito bom."

O Príncipe das Trevas recuou, procurando algo nas vestes de novo e tirando o pergaminho outra vez. Os olhos encontraram os dele uma última vez antes de soltar a carta. Antes que o pergaminho alcançasse o chão, a sala estava vazia e a porta aberta.

Severus desdenhou, mas se ajoelhou e pegou a carta de qualquer forma.

xxx

Snape bateu a carta com força sobre a mesa em frente à garota, que a encarou, sem acreditar no que estava vendo. Ele tinha respondido. Três dias atrás tinham enviado a carta dela e agora ele respondera. Quase parara de acreditar que haveria uma resposta de tão impaciente que estava.

Instantes depois havia dois membros da Ordem ao seu lado, varinhas em punho, murmurando feitiços. Ginny supôs que estavam verificando se estava contaminada com magia. Por fim, eles abaixaram as varinhas e acenaram para a garota. Ela pegou a carta com as mãos trêmulas e a desdobrou.

Está tudo bem.

A ruiva virou o pergaminho para ver se havia mais alguma coisa ali, mas não havia. Ela franziu a testa, olhando para as duas palavras, lendo-as novamente. Por um momento, acreditou poder ouvir a voz dele falando-as, no tom gentil que ele tinha usado quando a colocou no chão depois de arriscar a vida para salvar a dela.

"O que ele escreveu?"

Ela levantou os olhos, encontrando os dos membros da Ordem. Todos estavam olhando para ela, esperando pela resposta.

"Eu tenho que fazer isso?"

Todos em volta assentiram. A jovem olhou para o bilhete novamente.

"Primeiro, vocês estão me usando para isso," começou ela, a voz completamente calma. "E agora eu tenho mesmo que fazer isso na frente de todos vocês? Onde esconderam o próximo pedaço de pergaminho? Eu tenho que responder logo após ler em voz alta?"

"Ginevra Molly Weasley! Não fale nesse tom conosco!" repreendeu sua mãe do outro lado da sala.

Ginny fechou os olhos, tentando manter-se calma. Não ajudaria em nada gritar, aprendera isso na última vez. Tinha acabado escrevendo um bilhete para o maldito Draco Malfoy, como a boa garota que era.

"Você jamais seria capaz de encontrar todas as informações na carta. Além do mais, não podemos confiar em você. Não há como sabermos se você está levando isso a sério ou espalhando nossos segredos. Depois, você é muito jovem e excessivamente ingênua," falou Snape pausadamente.

"Sim, eu poderia negligenciar informações muito importantes nessa aqui."

A garota bateu a mão com a carta na mesa, virou-se e saiu da sala mais uma vez, sem esquecer os pensamentos de mais cedo, mas não se importando com isso de verdade. Ela agiria assim até funcionar.

Ginny correu escada acima, mas ao invés de ir para o "quarto dela," como fizera da última vez, escolheu o cômodo logo acima da cozinha. Com alguns passos largos, cruzou a sala e abriu a janela.

Era tarde da noite e o ar estava frio por conta da neve que acabara de cair. Era exatamente o que ela precisava. Respirou fundo algumas vezes, tentando controlar a raiva.

A porta se abriu atrás dela, mas a jovem não se virou. Alguém a seguira novamente. Não achava que fosse Hermione, visto que a amiga estava lá encima, provavelmente enchendo o saco de Ron e Damien porque eles não tinham feito os deveres de casa ainda e as aulas começavam em cerca de uma semana.

"Você não deve fazer isso se não quiser," disse uma voz que Ginny não esperava.

A adolescente se virou lentamente, encarando sua Professora de Poções... a mãe dele.

Lily Potter sentou-se em uma das cadeiras junto à lareira, brincando com seu relógio.

A professora se manteve em silêncio por um momento. O vento frio se precipitava pela porta. A garota estremeceu e puxou o casaco para junto do corpo, antes de fechar a janela novamente.

"Isso realmente ajudaria a acabar com a guerra?"

"Queremos mostrá-lo a verdade. Nós... nós não queremos que ele confie em tudo que Voldemort diz, não queremos que ele siga aquele monstro." O medo se contorceu no estômago de Ginny quando a mulher mais velha olhou para ela com lágrimas brilhando nos olhos. "Eu só quero ter meu filho de volta."

A garota olhou para os próprios sapatos, querendo dar um pouco de privacidade à outra. Suas palavras tinham-na tocado profundamente. A gentil, amável e sempre leal Lily Potter realmente merecia uma chance, não é? É claro que ela merecia, a jovem se repreendeu. Uma chance de falar com ele novamente, uma chance para fazê-lo ver, mesmo que o rapaz não tivesse sido verdadeiro com a adolescente, mesmo que ele tivesse apenas fingido que se importava, mesmo se ele não se importasse... mesmo que todas as coisas que aconteceram tivessem sido mentiras, a ruiva realmente merecia ter o filho de volta.

"Eu vou fazer. "

A professora levantou o olhar novamente, mas ainda havia lágrimas em seus olhos. Ela tentou esboçar um sorriso, mas não conseguiu.

"É muito gentil de sua parte, Ginny."

"E eu realmente mereço uma boa nota em Poções por isso, não é?"

A mulher mais velha jogou a cabeça para trás e riu.

"Ah, James e Sirius vão te amar por isso."

Sua primeira intenção foi dizer: "Não é o amor de seu marido que eu estou procurando," mas é claro que não disse. Ela nem mesmo pretendia aquilo.

"Talvez eu possa arranjar alguma coisa." A mulher piscou para ela. "Mas o que posso fazer por você é te dar um pouco de privacidade para escrever essas cartas. Pode ficar aqui ou ir lá para cima e apenas escrever o que vier à sua mente. Vou resolver tudo com eles, não se preocupe com isso."

"Obrigada."

"Você não tem que agradecer e mim, eu tenho que te agradecer."

Elas sorriram uma última vez uma para a outra antes da Professora de Poções sair da sala. A garota subiu as escadas não muito depois disso, concentrando-se firmemente em escrever outra carta para ele. As palavras pareciam quase fluir dela.

Imagino que você está se perguntando por que estou escrevendo. Eu descobri sobre os Randhawas, que eles tinham se mudado e que não tinha como você saber pelo que eu tinha lhe dito. Sinto muito por ter te acusado disso. Sinto muito por não ter acreditado em você quando me disse. Será que... foi você mesmo?

Esqueça que eu perguntei. Desculpa. Não é algo que eu devia perguntar ou saber.

Estou realmente feliz por você ter respondido. Não tinha que fazer isso, mas fez e, bem... é. Obrigada. Eu penso muito em tudo que aconteceu. Eu realmente sinto falta de nosso sisteminha de comunicação para falar com você. Eu gostaria muito. E... eu sinto sua falta.

xxx

"Você tem outra carta dele, Severus?" perguntou o diretor, olhando na direção da garota, que estava hesitante na porta.

"Não." Ginny sentiu um leve desapontamento brotar dentro de si. Ela se virou. "Mas ele me deu isso."

Um sorriso se abriu em seu rosto e a ruiva se virou novamente. Snape estava segurando uma flor nas mãos.

"Não deixe que toque nada! Pode estar azarada!" rosnou Moody do outro lado da sala. O auror caminhou até Snape enquanto a jovem fazia o mesmo.

Ela chegou primeiro, mas eles não perceberam. Moody o alcançou também, apontando a varinha e murmurando feitiços baixinho. Um leve brilho se espalhou pela flor.

"AHA! Mágica."

Os outros membros na sala estavam observando-os também. Pelo canto do olho, Ginny podia ver Dumbledore apontando a varinha também. Ele a acenou ao redor, sem dizer uma palavra. Seus olhos estavam brilhando loucamente quando ele parou.

"Ah, Alastor, nada demais, apenas um feitiço para que ela não murche e se mantenha intacta."

Molly resmungou algo que a garota não ouviu, visto que estava focada em Snape, que lhe entregou a flor. A ruiva a pegou com cuidado, olhando intensamente para ela. As pétalas eram redondas e ligeiramente azuis, a cor ficava mais intensa no meio.

"Que... que tipo de flor é essa?"

O diretor olhou por cima dos óculos.

"Acredito que seja uma anêmona. Uma flor trouxa."

A jovem franziu o cenho, mas não tirou os olhos dela.

"Eu não tenho certeza sobre o significado, mas estou certo de que existe. Creio que a biblioteca de Hogwarts deva ter um livro sobre flores."

"Eu tenho um em casa," disse Tonks, ficando ao lado de Ginny. "Quando eu era mais jovem, eu adorava esse tipo de coisa." Ela riu. "Eu sempre desejei que um garoto entendesse o recado e me desse algo realmente significativo. É claro que nenhum fez isso."

"Você poderia… eu poderia pegar emprestado?"

Tonks riu.

"Claro." Ela olhou em volta e viu que nem todos ainda estavam ali ainda. "Eu poderia até mesmo aparatar em casa agora e pegá-lo... se estiver tudo bem." Ela olhou para Dumbledore. Ele assentiu.

"É claro, Nymphadora, vá em frente."

Ela acenou para eles antes de sair da sala.

"Ele mandou algum recado para ela, Severus?"

"Não, e não me deu bilhete algum também."

Dumbledore assentiu novamente, afagando a barba. Snape ficou parado ali por um momento, esperando para saber se aquilo era tudo antes de se virar e sentar à mesa, longe deles.

"Você sabe o que vai escrever para ele hoje, Senhorita Weasley?"

Ginny balançou a cabeça.

"Estou certo de que saber o significado da bela flor vai facilitar. Você tem pergaminho? Pena? Tinta?"

"Sim, senhor."

"Muito bom."

Mais algumas pessoas entraram na sala e se sentaram, lançando olhares estranhos a ela e ao diretor.

"Vamos começar num instante. Estamos apenas aguardando Nymphadora chegar." Os membros assentiram e começaram a conversar.

O pai da garota entrou na sala. Assim que viu a filha, sorriu e caminhou na direção dela.

"Olá, Ginny."

"Oi, pai."

"O que você tem aí?"

"É uma flor trouxa."

"Ah, mesmo? Posso dar uma olhada?"

A garota sorriu, estendendo-a para ele, mas ao mesmo tempo não muito disposta a entregá-la. Seu pai pareceu sentir o desconforto, pois apenas abaixou a cabeça, olhando-a de perto.

"Parece muito bonita," disse ele finalmente, endireitando as costas.

Eles se afundaram num silêncio pelo que a ruiva achou ser uma eternidade, até que Tonks finalmente chegou, folheando um livro.

"Qual foi o nome mesmo?" perguntou ela, quase tropeçando numa cadeira.

"Anêmona," repetiu a jovem.

"Ah… espere um minuto." Ela parecia estar olhando a lista de temas antes de procurar por uma página em particular. "Aqui está." Ela limpou a garganta. 'Anêmona: alegria, solidão, esperança, expectativa, verdade, ternura, decepção, 'eu mal posso esperar.'" A auror parou, olhando para a página uma última vez antes de levantar os olhos. "E... 'eu quero estar com você.'"

A garota olhou para a flor em sua mão, suas mãos tremendo um pouco.

"Obrigado, Nymphadora, isso foi muito útil." Dumbledore fez uma pausa. "Estou certo de que Severus pode levar a próxima carta com ele logo após essa reunião, Senhorita Weasley." Ginny assentiu, sabendo que era um pedido para que ela saísse da sala. "E... talvez um pequeno conselho." A jovem se virou para ele novamente. "Pense em incluir alguma coisa sobre seu cotidiano. Algo sem importância, que não possa prejudicá-la... apenas para mostrá-lo que não está interessada em atraí-lo... mesmo que esteja." Ela assentiu novamente, finalmente saindo da sala.

A ruiva fez seu caminho ao andar de cima, dirigindo-se à sala onde habitualmente sentava-se. Depois que entrou no cômodo, com as mãos trêmulas, colocou a anêmona próxima ao pedaço de pergaminho que preparara para o caso. Ele lhe enviara uma flor. Ela quase sentiu vontade de dar risadinhas, mas não o fez. Seu coração estava batendo rápido. Ele tinha respondido com mais do que duas palavras, não com uma carta, mas com uma anêmona. Eles estavam em contato agora… não estavam?

Ele queria estar com ela… mas ela não queria estar com ele, então não importava.

Alegria… feliz por ouvir sobre ela? Um calor se espalhou de seu estômago para o corpo. Por um momento, deixou-se afundar, ignorando todo o resto. Com os dedos, ela delicadamente tocou a flor novamente. Apenas quando olhou para o pequeno espelho que estava no canto por acaso, percebeu que estava sorrindo. O sorriso desapareceu de seu rosto instantaneamente. Não foi nada de especial... apenas uma flor que podia ter um significado especial, um significado tão ambíguo quanto sua última carta. Pensou nas palavras que lera logo após ele partir de Hogwarts, e como ficara feliz... e quão doloroso fora pensar naquelas palavras após o que acontecera aos Randhawas... mas aquilo não tinha sido como ela pensara também. Ginny suspirou, esfregando o rosto. Estava confusa, não sabia mais o que pensar ou no que acreditar. O que aquilo realmente significava? Ele sentia mesmo a falta dela? Era apenas um truque para enganá-la?

A garota olhou para a flor novamente. Não tinha como responder àquelas perguntas agora... e eles estavam esperando uma carta.

Algo sobre seu cotidiano… A ruiva suspirou, mergulhando a pena na tinta. Hesitou antes de começar a escrever.

Obrigada pela anêmona. É realmente encantadora. Eu procurei o significado.

Estou realmente entediada no momento. Meus irmãos estão jogando quadribol o tempo todo e após algum tempo sem querer jogar, eu gostaria muito de jogar com eles novamente, mas é impossível visto que minha vassoura foi destruída. Não acho que eu vá ganhar uma nova tão cedo. Portanto, um de nós sempre tem que ficar assistindo enquanto os outros jogam. É claro que na maioria das vezes sou eu, pois é por culpa minha que não tenho mais uma vassoura. Estou preocupada com os jogos em Hogwarts, não sei como vai ser... talvez um dos gêmeos me dê a deles. Como grifinórios, posso vê-los fazendo isso. Também não sei se vou ser admitida como artilheira, talvez eu tenha que voltar a jogar como apanhadora novamente, agora que, sabe... desculpa trazer isso à tona. Não foi minha intenção. Não é culpa sua.

xxx

Quando Ginny sentou-se para tomar café na manhã seguinte – seu pai, Bill, Percy, Fred e George já tinham saído para o trabalho e Charlie tinha viajado novamente para a Romênia – Ron e Hermione já estavam de pé. Enquanto seu irmão ainda estava comendo, sua amiga estava sentada à mesa com um livro no colo.

"Bom dia, minha querida," cumprimentou sua mãe, colocando um prato com ovos e torradas em sua frente.

"Dia, mãe, oi, Ron, oi, Hermione."

O garoto disse alguma coisa enquanto mastigava, que a ruiva mal entendeu, mas ela supôs que fora algo como "bom dia." A amiga lhe desejou bom dia distraída, passando a página do livro.

Ginny passava manteiga na torrada enquanto a mãe lhe servia um pouco de suco de abóbora.

"Tonks trouxe uma carta para você faz um tempinho." A garota parou de mastigar e segurou a torrada a meio caminho da boca. "Está ao lado do seu prato." A jovem engoliu em seco e colocou o pão no prato novamente.

Pegou-a silenciosamente, percebendo que já estava aberta.

"Severus chegou com ela logo cedo essa manhã e Albus já leu, o que é uma boa coisa."

"Por quê?" Sua voz soou mais ríspida do que ela pretendeu.

A mãe estreitou os olhos em sua direção, mas não falou nada sobre seu tom de voz.

"Havia alguma coisa dentro. Albus consultou alguns de seus professores."

Ginny franziu o cenho.

"Você sabe o que é?"

"Não, Tonks não me disse."

A garota franziu ainda mais a testa, mas não disse mais nada. Em vez disso, desdobrou a carta e leu:

Ei,

Espero que minha vassoura seja uma substituta adequada. Eu não tenho tempo de voar mesmo. No momento ela está encolhida, mas um pequeno feitiço tornará possível ampliá-la com uma simples senha, que é "voar à noite." Fique de olho nela para mim, está bem? Mesmo que tenha de jogar como apanhadora agora, não acho que haverá alguém à sua altura.

E pare de se desculpar por tudo. Você não costumava fazer isso, e não é como seu eu fosse fazer algo com você só porque se referiu a algo que aconteceu em Hogwarts ou em nosso passado.

Eu também gostaria de conversar com você, mas escrever não é tão ruim também, não é?

Espero ter notícias suas em breve. Talvez Snape possa trazer sua próxima carta essa noite... ou amanhã. Apenas entregue a ele quando encontrá-lo novamente. Não sei quando será, mas estarei esperando.

H.

As mãos de Ginny tremiam ao ler a carta, e a garota não pôde deixar de abaixá-la algumas vezes, tentando imaginá-lo falando aquelas palavras. Às vezes ela conseguia, às vezes não. Havia uma parte dentro dela que gostava de ter notícias dele, que a fazia ter vontade de rir e ser feliz... mas, era uma parte tão minúscula, que podia ignorá-la, conseguindo ler a carta até o fim e a maior parte dela não sentindo nada além de raiva. Raiva dele e de suas palavras estúpidas, que quase a faziam sentir-se excitada, nervosa e feliz por dentro, que a faziam esquecer-se do que tinha acontecido... mas não esqueceria. Não seria como Snape dissera, agiria com maturidade sobre isso, e aquilo não iria mexer com ela, não seria influenciada... mas, droga!

Ele enviara a vassoura dele. A vassoura dele! A sua vassoura, que agora estava destruída, era uma das coisas mais importantes para Ginny. Mas, de qualquer forma, ela não ficaria com a dele. Isso tudo era fingimento, disse a si mesma, tudo fingimento e não valia nada. Ele estava fazendo aquilo por qualquer motivo, e ela pela Sra. Potter e por liberdade e paz. Sequer tinha certeza de que a vassoura tinha a mesma importância para ele que tinha para ela. Provavelmente para ele fosse apenas mais um objeto, apenas mais uma vassoura, nada realmente especial. Mas ele sabia que ela tentara produzir o Patrono com lembranças sobre voar... voar à noite. A garota encarou a palavra-chave e se xingou por ser tão aberta e confiar tanto nele. Ele sabia demais sobre ela, mas não havia como desfazer aquilo. Tinha que viver com aquilo.

A ruiva suspirou, pousando a carta na mesa para poder comer alguma coisa. Responderia mais tarde.

xxx

Oi,

Não é a melhor forma de começar isso, mas estou um pouco irritada no momento. Snape idiota! Ele acabou de me perguntar se eu tinha escrito uma carta para você, mas eu não tinha, e ele começou a agir de forma sarcástica e ofensiva. Tenho certeza que ele não faz isso com você. Mas falando de coisas mais importantes:

Não sei se posso aceitar a vassoura. Minha família e todo mundo ia querer saber onde eu a consegui... mas obrigada por enviá-la para mim. Tem como encolhê-la novamente? Se não tiver, você vai ter que esperar eu estar em Hogwarts novamente e ter permissão para usar magia. Não gostaria de arriscar receber uma coruja estúpida do Ministério. Perguntei aos gêmeos e eles disseram que eu posso pegar uma das vassouras deles, então está tudo bem.

Estou feliz por estarmos nos comunicando. Eu realmente senti falta disso, mas gostaria mais ainda de escutar sua voz... não é possível, hã? Espero ter notícias suas em breve.

xxx

De início, Ginny não reconheceu a carta seguinte de Harry, pois não foi entregue a ela por Snape. Seu professor de Defesa Contra as Artes das Trevas tornara-se ainda mais indelicado após a última carta que a ruiva lhe entregara. Sempre que a via, ele agora desdenhava dela, fazendo algum comentário idiota... foi só depois daquilo que a garota percebeu que ele provavelmente leu a carta ou tinha escutado sobre seu conteúdo. Mas aquilo tinha acabado agora, visto que uma pequena coruja trouxe a carta seguinte. Dessa vez, seu pai examinou-a antes que pudesse ler. Mais uma vez, não havia vestígios de magia nela.

Olá G.,

Espero que essa carta tenha chegado a você sem o conhecimento de sua família, mas estou certo de que se não chegou, você é esperta o bastante para inventar uma desculpa. Talvez eu seja um amigo da escola... o que não estaria muito longe da verdade, não é?

Como você pode ver, Snape não será mais nossa coruja. Você estava certa, ele não age assim comigo. Não mais, pelo menos. Desta forma, você não terá mais que aturá-lo (não com relação a isso, pelo menos... não posso fazer nada quanto à escola ou às aulas). Outro motivo é que estava ficando muito suspeito com Snape em torno da mansão o tempo todo. Aposto que sua família estava achando suspeito também. Quero que envie as cartas pela coruja daqui por diante. Ele ficará com você até que termine a próxima carta, se não tiver problema. É uma Coruja Otus, não são comuns na Grã-Bretanha, mas por ser tão pequeno acho que a maioria das pessoas nem o percebe. Notei que ficava um pouco nervoso toda vez que eu olhava para ele. Tenta chamar minha atenção o tempo todo. Não sei se ele está agindo da mesma forma com você... mas mesmo que esteja: não acho que alguém vá ligá-lo a mim. Ele ainda não tem nome, se você quiser, pode pensar em um e batizá-lo.

E sobre a vassoura: eu não pensei nisso. Mas pode ficar com ela de qualquer forma, e mesmo que seja apenas para fazer um voo noturno, pense em mim, então.

Se cuida.

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Olá H.,

Ele é um doce. Batizei-o de Pichitinho... e ele realmente está o tempo todo inquieto. Não para de se movimentar em torno da minha cabeça, voando no meu rosto, mas não consigo imaginar ele fazendo isso com você. Isso é algo que eu quero ver. Mas eu não quero apenas vê-lo com você... Eu quero muito te ver. Sinto sua falta… mas isso não será possível. Eu entendo, de verdade.

Com muito amor,

* Ginny.

N/T: Esse "*" seria um coração.

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"Escrever não parecer ser suficiente."

Moody assentiu, concordando com Albus.

"Eu nunca achei que seria."

"Talvez seja melhor que comecem a se encontrar," adicionou Kingsley.

"Quer que eles se encontrem mais de uma vez? Eu digo que devemos tentar capturá-lo novamente antes que o Ministério o faça," disse Moody.

"E usá-la como uma isca?"

"Talvez seja suficiente ela marcar um encontro."

"Eu não apostaria nisso, Albus. Pode ser que tenha Comensais da Morte em todo lugar e nenhum sinal deles."

"Sempre pode ser o caso, Alastor," respondeu ele, esfregando o nariz, cansado. "Mas não acho que ele faria isso. Ele realmente gosta dela."

"Você quer dizer que ele está fazendo parecer que gosta dela."

"Ah, acho que não, Alastor."

"Você sempre ver o melhor nas pessoas."

Albus suspirou. Estavam apenas os três. Decidiram excluir os Potter e os Weasley daquela reunião, e todos os outros também. Era para ser apenas um rápido encontro em Hogwarts sobre os últimos acontecimentos e sobre como prosseguiriam... mas, é claro, tinha se transformado numa reunião sobre a jovem Ginevra e Harry. O diretor imaginara que as cartas fossem ser mais profundas... mas talvez isso viesse com o tempo. Mas se havia uma coisa que eles não tinham, era tempo. É claro que ele se identificava com os pensamentos de Alastor e Kingsley, mas seria aquele realmente o caminho certo? Eles teriam apenas uma chance.

Se ele não aparecesse na primeira vez, tudo bem. Ginny poderia lhe escrever e eles poderiam, quem sabe, marcar um novo encontro. Mas se ele aparecesse e conseguisse escapar, então as chances deles seriam tão baixas quanto antes de tudo aquilo começar. Ele poderia aparecer com Comensais da Morte. Haveria luta...

"Nós podemos tentar proteger os membros da Ordem com Chaves do Portal," sugeriu Kingsley.

"Ilegais?" Albus expressou sua preocupação.

"Eu aposto que há algumas pessoas dispostas a providenciar algumas."

"Eu mesmo faria algumas se há uma chance de capturá-lo novamente. Eu estou de folga de qualquer maneira."

"Muito bem, Alastor. Se está disposto a assumir o risco."

"Eu não acho que ninguém vá falar sobre isso. Todos nós estaríamos com problemas, de qualquer forma, quando o capturarmos e eles souberem disso."

"Então a garota marca um encontro, nós vamos até lá com as Chaves do Portal... escudos anti-aparatação seriam bons."

Albus e Alastor concordaram com Kingsley.

"Mas eu acho que Weasley tem que estar lá. Se ele aparecer e ela não estiver lá, ele vai apenas voltar e desaparatar. E lá se vai nossa chance."

"Seria melhor se entregássemos uma Chave do Portal a ela também."

Albus assentiu novamente.

"Seria mais seguro.

"Então ela marca um encontro, vai até lá, nós estamos escondidos e esperando ele se aproximar o bastante."

"Isso não é suficiente. Temos que usar toda a vantagem que temos. Ela vai estar lá, então vamos deixar que eles se beijem, se abracem, se amassem ou o que seja. Ela apenas tem que distraí-lo e tentar fazer algo com as mãos dele."

"Isso não vai impedi-lo de atacar."

"Sim, mas vai atrasá-lo alguns segundos. Talvez até mais. Ele é um adolescente, não é?"

"E ele não vai machucá-la, então ela estará protegida."

"Albus…"

"Ele poderia levá-la refém," disse Kingsley.

"Nós temos que ser rápidos o bastante para que ele não tenha outra escolha a não ser soltá-la."

"Você tem certeza que podemos fazer isso? Aquele garoto é muito rápido, Alastor."

"Nós temos que tentar, Kingsley. Apenas esperar não vai ajudar em nada."

"Eu sei disso. Eu só queria que você soubesse quais são as minhas dúvidas para que possamos achar a melhor maneira."

Eles se afundaram em silêncio.

"Não acho que haja uma," disse Albus finalmente.

"Então, você acha que devemos fazer isso?"

"Eu acho que não há outra maneira."

"Eu não quero ser responsável por contar a ela," disse Kingsley rindo.

Albus sorriu.

"Acredito que ela verá porque isso é necessário. Eu não quero ser responsável por contar a Molly."

"Albus, há coisas que um líder de uma organização secreta tem que fazer."

O diretor suspirou, mas sorriu e assentiu, pegando uma de suas gotas de limão.

"Algum de vocês quer uma?"

"Não, obrigado," disse Kingsley.

"Não... Voltando ao assunto principal: seria melhor que acontecesse antes que ela voltasse a Hogwarts."

"Mas o feriado de inverno termina depois de amanhã, Alastor."

"É?"

"Sim. A única possibilidade seria amanhã, então. Teríamos muito pouco tempo para preparar tudo," concordou Kingsley.

"Será mais difícil se ela estiver em Hogwarts. Não para nós, mas para fazê-lo acreditar que ela estará sozinha."

"Mas, Alastor, dois dos irmãos dela são brincalhões. Posso apostar que eles conhecem algumas passagens secretas que levam para fora da escola... e acredito que eles contariam à irmã mais nova, não é?"

Os olhos de Albus brilharam e ele riu. Em breve Harry estaria com eles... e então eles o fariam ver a verdade.

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"Ronald, por favor, fique de olho na sua irmã."

O filho mais novo assentiu.

"Eu prometo que sim, mãe."

"Obrigada.

Ela o abraçou forte sob os protestos dele.

"Mãe! Meus colegas estão olhando!"

"Se cuide e escreva com mais frequência, está bem?"

"Eu vou me certificar disso, Senhora Weasley." Molly sorriu e abraçou Hermione também. "Obrigada novamente por me receber."

"Não se preocupe, minha queria. Você é sempre bem-vinda À Toca."

A jovem sorriu e se afastou. Molly deu um breve abraço em Damien e desejou-lhe uma boa viagem e uma boa estadia na escola. Ele sorriu cansado para ela, mas assentiu.

Ginny ficou ao lado da mãe depois de abraçar o pai, que estava apertando a mão de Hermione.

"Ginny, por favor, não faça nada estúpido ou imprudente. Faça o que o diretor mandar, está bem?" A garota revirou os olhos, mas assentiu. "E se cuide." A mãe a abraçou novamente.

As crianças se misturaram à multidão e embarcaram no trem. Molly e Arthur olharam de uma janela para a outra e finalmente os encontraram em um compartimento.

Eles viram Ginny, Ron, Damien e Hermione olhando pela janela e acenando. Acenaram de volta até o trem sair de vista. Apenas então eles abaixaram as mãos, e, por um momento, ficaram onde estavam.

Ficaram ali, segurando as mãos um do outro, torcendo para que tudo ficasse bem, que nada acontecesse aos seus filhos e que pudessem buscá-los em julho quando as férias de verão começassem.

Não mais que quatro horas mais tarde, outro membro da Ordem perdeu um pouco de sua esperança. Sirius Black se perguntou quem não perderia quando seu próprio afilhado lhe atirou uma série das mais terríveis maldições existentes.

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N/T: Essa referência a Sirius no último parágrafo se trata do ataque de Comensais da Morte, liderados por Harry, ao Expresso de Hogwarts que aconteceu nessa viagem, no qual o garoto atacou o padrinho, mas apenas não o machucou seriamente porque Damien, seu irmão, se pôs na frente de Sirius. Está no capítulo 31 de "The Darkness Within" – versão original.