Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

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Chapter Sixteen – Failing

(Falhando)

Ginny não tinha muito o que fazer. Harry deixara alguns livros para ela, mas eles eram maçantes e ela não conseguia se concentrar de forma alguma. Toda vez que abria um, apenas os folheava, pensando na família e nos amigos. Lágrimas sempre brotavam de seus olhos. Sentia a falta deles, queria vê-los de novo, queria estar com eles novamente, mas não podia. Não sabia quando poderia estar com eles de novo. De primeiro se perguntava se conseguiria estar com eles... mas depois da promessa de Harry, ficou mais otimista. Ela os veria novamente. A pergunta era quando. Mas sentia falta deles mesmo assim, e, a cada segundo que passava, só piorava, porque não havia nada que pudesse fazer.

Era um daqueles momentos. Tomara um banho, trocara de roupa, olhara pela janela, tinha lido um pouco… mas achava que estava lentamente enlouquecendo. Queria desesperadamente sair daquele quarto – mesmo que não estivesse ali há muito tempo, mas já era demais. Não podia ir a lugar algum, nem mesmo sair do cômodo. Não tinha escolha, Ginny suspirou.

Como que ensaiado, a porta brilhou e abriu. A ruiva ficou em alerta máxima em segundos. Harry entrou, dando-lhe um breve olhar ao passar, antes de fechar a porta atrás de si, calmamente andando em direção à mesa. Parecia que ele finalmente se acalmara um pouco. A conversa deles só acontecera há dois dias, e ela não o vira desde então, mas ele parecera aborrecido quando a trouxera de volta... mas com ele, ela nunca tinha certeza.

A garota o observou tirar vários itens das vestes. Com um aceno de mão, ele os desencolheu. Havia alguns frascos e mais alguns livros agora. Ela franziu o cenho. Ele realmente esperava que fizesse algo mais que ler?

"O que… o que está fazendo?"

"Desencolhendo algumas coisas." Foi a resposta calma dele.

"Eu estou vendo." Ginny hesitou. "Por que está trazendo essas coisas para cá?"

Harry olhou atentamente para ela.

"Para os preparos."

Sentindo-se mais segura a cada pergunta que fazia, ela continuou: "Preparos para o quê?"

"Para a sua morte."

Ginny se engasgou ao respirar.

"Como?"

"Essas coisas são para preparar a sua morte."

Ele olhou para a garota novamente. A ruiva sentiu vontade de fugir, como se tivesse que correr para o banheiro e se trancar lá dentro – mas não havia chave e não conseguiria ser rápida o bastante. Seu coração acelerou e a adrenalina começou a bombear em suas veias. Preparos para a morte dela?

"Mas… mas…" Ela deu alguns passos para longe dele.

Ele observou os pés dela se mexerem. A jovem podia ver que ele sabia o que estava fazendo.

"Não se preocupe.

Ginny quase sentiu vontade de rir.

"Não se preocupe...?" repetiu ela em voz baixa.

"Nada vai acontecer com você."

"Mas… morrer… eu…?"

Harry suspirou e cruzou o espaço entre eles.

"Talvez deva se sentar. Isso pode levar um tempo." Ele apontou para um dos sofás que ainda estava entre eles.

A ruiva estava boquiaberta.

"Eu… você… você está vindo aqui para me dizer que eu vou ter que morrer? Mas, você, você disse que me levaria com você e eu... eu nunca pensei, eu..."

"Ginny, se acalme."

"Mas… mas… mas…"

O garoto contornou o sofá e antes que ela soubesse o que ele estava fazendo, o rapaz estava ao seu lado e empurrou-a sentada. Ela se encolheu para longe do toque dele, mas ele não demonstrou ter notado e sentou-se ao seu lado.

"Ouça com atenção. Planos para sua morte estão sendo feitos e você vai ter que morrer. O difícil é que eu não vou permitir isso. Você não vai morrer. Vamos fazer parecer que você morreu, mas você não vai morrer. Entende? Você não vai morrer."

Ginny assentiu lentamente, mas em sua mente os pensamentos corriam. Agora ela tinha muito no que pensar para passar o tempo.

"O plano é um pouco complicado e vai levar um tempo para te explicar. Eu tive que pensar nisso por um tempo." Só então ela percebeu que ele parecia um tanto cansado. "Vamos precisar de um pouco de seu sangue, um pouco de seu cabelo, sua voz e a roupa que usava quando você... chegou aqui. Há mais algumas coisas, mas vou cuidar delas."

"E isso vai fazer com que eu possa ficar viva?"

"A versão resumida é: alguém vai tomar a Poção Polissuco. Você conhece essa poção?" Ginny balançou a cabeça. "Essa poção vai fazer a pessoa tomar sua forma, para tanto eu preciso do seu cabelo. Ele vai ter que usar suas roupas, para parecer mais real. Então, vamos gravar sua voz, para que eu me certifique de que a pessoa diga as coisas certas no momento certo. O sangue é, bem... eu preciso ter certeza que eles vão identificar a pessoa como Ginny Weasley."

A jovem digeriu toda a informação. Ela nem sabia do que ele estava falando, ou como faria aquilo... mas havia algo que até ela podia ver.

"Essa... essa pessoa..."

"Sim?"

"Vai se transformar em mim?"

Harry assentiu.

"E eu vou morrer?"

O rapaz suspirou.

"Sim, essa pessoa vai morrer no seu lugar."

Ginny respirou fundo.

"Mas, mas por quê?"

"Porque não há outra forma."

"Mas…"

"Ginny, me escute. Não há outra maneira. Meu pai, ele... se ele decide que alguém tem que morrer, essa pessoa morre, você entende?"

"Não há mesmo outra maneira…?"

"Não."

"Quem vai...?"

"Eu não vou te dizer."

"Mas você não pode fazer isso com um inocente!"

"Um Comensal da Morte vai morrer no seu lugar, Ginny."

"Quem?"

"Você não conhece."

"É um homem?"

"Ginny." Sua voz tinha um tom de advertência. "Eu não vou te dizer. Você vai pensar nisso excessivamente e vai apenas se distrair do que é importante."

"Mas…" Um brilho no olhar do garoto a fez estremecer. A ruiva não perguntou novamente.

O silêncio se estendeu sobre eles por alguns momentos, nos quais A jovem apenas olhava para o vazio. Alguém morreria em seu lugar, alguém morreria porque ela estava naquela situação. Um Comensal da Morte, mas – ele ou ela realmente... não, Harry estava certo. Ela não podia pensar nisso. Era alguém que assassinara crianças e estuprara mulheres. Não era um inocente, era alguém que merecia aquilo.

"Ginny? Ginny?" Ele estava acenando com a mão em frente ao rosto dela.

"Sim?"

"Vamos começar com a sua voz. É a parte mais fácil."

A ruiva assentiu um pouco confusa. Ele tirou uma pequena bola das vestes e a entregou. A garota a pegou, virando-a em sua mão.

"O que é isso?"

"Isso grava a sua voz, tornando possível eu utilizá-la depois."

"Eu… eu nunca ouvi sobre isso."

"Não é legal. Muitas atividades impróprias podem ser desempenhadas com algo desse tipo." Ginny olhou cética para o objeto e devolveu ao garoto. "Eu vou ativá-la, um brilho vai envolvê-la e então você pode falar. Não importa o que disser... qualquer coisa serve. A única coisa importante é que apenas você esteja falando, está bem?"

A garota encarou a bola enquanto assentia. Ele acenou com a mão e ela foi ativada.

"Hum… oi?" Ela olhou para ele, que acenou para que continuasse. "Eu sou Ginny... eu... uh... estamos gravando a minha voz. Eu não sei o que dizer. Eu… Err… eu realmente não entendo o plano. Eu… parece que vou ter que morrer… eu vou… eu vou… Ah, Deus, eu vou mesmo morrer, não vou? Quer dizer, não eu, mas... mas todos vão pensar que fui eu que morri, não é? E a minha família? Posso dizer a eles que é apenas uma farsa?"

A ruiva olhou para ele impotente. Ele acenou com mão novamente, e a bola parou de brilhar.

"Acho que é o suficiente… e, não, temo que não será possível."

"Eles vão pensar que eu morri?

Ele pareceu hesitar por um momento, mas finalmente assentiu. Ginny não sabia o que pensar ou o que sentir. Estava prestes a morrer. Será que era realmente importante ela continuar vivendo se todo mundo pensaria que estava morta?

"Minha mãe, meu pai, meus irmãos, meus amigos...?"

Harry assentiu novamente.

"E não há mesmo outra maneira…"

"Não, não há. Se houvesse, não faríamos isso."

O garoto se levantou, mas ela não prestou muita atenção nele. Apenas quando voltou segurando um frasco, ela olhou para ele novamente.

"Preciso do seu cabelo agora."

Ginny assentiu e mecanicamente arrancou alguns e entregou-lhe. O rapaz colocou no frasco.

"O que mais?"

"Suas roupas e um pouco de seu sangue."

"Eu não sei onde minhas roupas foram parar. Eu..."

"Os elfos-domésticos devem ter levado. Havia mais alguma coisa em você? Você usava algo mais? Joias? Havia alguma coisa com você? Uma foto? Um bilhete? Algo que eles sabiam?"

"Não." Ginny pensou por um momento. "Apenas a faca, mas eles não vão sentir falta dela, vão?"

Harry balançou a cabeça.

"Mas está comigo, de qualquer forma."

"E…" A ruiva fez uma pausa. "Mas... não. Eu... eu tenho mesmo que entregar?"

"O que é?"

"Foi meu presente de aniversário…" Ela tocou em seu pequeno e singelo colar. "Foram meus irmãos quem me deram."

Harry suspirou.

"Alguém sabe que você usava isso?"

"Eu uso o tempo inteiro."

"Então, não tem como ficar com ele."

O jovem estendeu a mão aberta. Ginny sentiu vontade de chorar, mas ao mesmo tempo sentiu que tinha de se manter forte, como se não pudesse mostra-lhe o quanto aquilo a estava afetando. Lentamente, ela abriu o colar e entregou a ele. Agora, realmente sentia-se vazia. Sentiu como se fosse o último passo, como se não tivesse como voltar atrás agora.

"E o sangue? Como...?"

Sem falar, Harry se ajoelhou, puxando um pouco as calças. Uma adaga brilhou sob a luz e ele a puxou do suporte. Com a ponta afiada voltada para si, o rapaz estendeu a adaga para ela.

"Eu? Eu tenho que?" Enquanto falava, ela pegou o objeto dele. "Onde eu devo...?"

"Pode ser na sua mão."

Ele apontou para a própria palma. Ginny respirou fundo e puxou-a sobre a pele. Queimou. A jovem abriu um dos olhos lentamente, olhando para as mãos. Nada acontecera.

"Desculpa." Ela tentou novamente. Não sangrou. "Você… você pode…?"

Harry não disse nada. A ruiva olhou para cima, o rosto do garoto estava inexpressivo. Ela nem ao menos conseguia imaginar em que ele estava pensando. Ele estendeu a mão e ela lhe entregou a adaga.

"Eu vou tentar ser cuidadoso."

Ginny bufou.

"Apenas seja rápido."

Harry assentiu e segurou a mão dela na sua. Sem mais nenhum aviso, arrastou a adaga sobre a pele dela. Queimou e a ruiva se encolheu, mas finalmente havia um pouco de sangue. O jovem estava com outro frasco e segurou a mão dela enquanto o sangue corria para dentro do recipiente. Demorou um pouco, mas finalmente um pouco de sangue foi coletado. Ele fechou o frasco e o guardou. Então, pegou a mão dela mais uma vez e apontou a varinha para o ferimento, que fechou e ela não sentiu mais nada.

"Há mais alguma coisa…?"

"Não. Não, você não pode fazer mais nada. Vou ter que fazer o resto. Não sei quando, mas em algum momento eu virei te buscar para te levar embora. Pode ser que seja no meio da noite, não tenho certeza ainda... mas esteja avisada. Tente dormir de qualquer forma."

Ginny não podia fazer nada além de assentir. Ele olhou mais uma vez em volta antes de encolher tudo de novo. O garoto deixou os livros sobre a mesa, e sem mais nenhuma palavra saiu do quarto. Ginny o observou o tempo inteiro. A vida dela estava mudando novamente. Fechou os olhos por um momento e pensou na última hora. Ela iria morrer. Sua família. Lágrimas brotaram em seus olhos novamente e ela tentou afastá-las. Não funcionou. Pelo menos sabia que ele não iria, que ele não podia falhar com ela.

xxx

Era um dia normal para Percy Weasley… pelo menos no trabalho tudo estava como costumava estar. Ali podia esquecer-se sobre seus pais, seus irmãos e Ginny. Não tinha que imaginar o que estava acontecendo com ela, como estava se sentindo, se ainda estava viva. Ali podia apenas fingir que tudo estava bem, que nada fora do normal estava acontecendo. É claro que alguns de seus colegas de trabalho tinham lhe lançado olhares de compaixão, alguns aurores disseram que tentaram tudo que podiam, mas ele ainda tinha as mesmas coisas para fazer e seu chefe estava o tratando como sempre. No geral, tudo estava normal ou foi o que pensou até as sirenes soarem.

Por longos segundos, apenas ficou lá, chocado, sem saber o que fazer. E então as lições que aprendera entraram em ação. Pegou a varinha, trancou todos os arquivos importantes e saiu do escritório. Trancou a porta com um feitiço especial que tinha lhe sido ensinado há muito tempo e caminhou o mais rápido possível pelo corredor, onde inúmeras outras pessoas ainda estavam fazendo o que ele já fizera. Ele não levou em conta e não ajudou. Apenas continuou, sabendo exatamente aonde deveria ir. À sala de segurança, onde tentaria desaparatar. Se não funcionasse, procuraria a lareira mais próxima e tentaria sair via flu. Se também não funcionasse, iria à sala das Chaves do Portal pegar uma.

Mas ele nem ao menos chegou à sala de segurança, pois Tonks veio correndo pelo corredor. E em vez de continuar correndo, ela parou bem na sua frente.

"Percy! Eu não tenho permissão, mas… O Átrio! Ginny! Ela está lá."

Ele a encarou em choque, mas ela o empurrou, e ainda que soubesse o que estava fazendo, estava correndo ao lado dela, pensamentos correndo em sua mente. Ginny estava no Ministério. Ela não podia estar ali. Talvez os aurores a tivessem achado. Sabia que encontrariam uma forma. O Ministério sempre encontrava um caminho se houvesse um. Não pensou nas sirenes, não procurou uma razão para elas, apenas correu, com a esperança crescendo dentro de si.

Cruzaram com uma lareira onde Tonks parou, dizendo-lhe que entraria em contato com seus pais, para que viessem. Ele assentiu e continuou, caminhando em meio à multidão. Finalmente, alcançou os elevadores e pressionou o botão, mas o tempo passou e nenhum deles parou no andar onde estava. Decidiu ir pelas escadas. Felizmente, não havia muitas pessoas lá, e quanto mais se aproximava do Átrio, menos pessoas vinham da direção oposta. Finalmente, alcançou o térreo e olhou em volta. De início, pareceu estar vazio, mas então andou mais em direção à fonte e foi quando os viu.

Um grupo de aurores estava em torno de alguma coisa… ou de alguém. Sua respiração engatou e aproximou-se deles. Alguns perceberam sua presença e um deles saiu de perto do grupo, vindo em sua direção.

"Sr. Weasley, acho que é mais prudente você ir para casa agora, nós vamos..." O auror tentou afastá-lo, mas ele se soltou.

"Não! Eu proíbo você de apontar a varinha contra ela."

O auror se virou na direção da qual vinha a voz, e em seguida lançou um olhar preocupado para Percy, mas reassumiu sua posição no grupo.

"Isso é algo bacana para se dizer, ministro, mas eu não me importo."

Houve um grito abafado e o coração de Percy parou de bater. Conhecia aquela voz. O ministro estava de pé, em algum lugar no meio do grupo, e o Príncipe das Trevas estava falando. E – ele não podia mais negar – Ginny estava lá. E ela gritara, estava sentindo dor. Ele contornou o grupo, tomando muito cuidado para ser o mais silencioso possível. Os aurores nem se deram conta dele, parecia que estavam muito focados em sua irmã, e aquilo era bom. Em algum lugar, o grupo diminuiu um pouco, o que provavelmente tinha a ver com Alastor Moody, que estava lá. Assim, Percy pôde ver o que realmente estava acontecendo.

Ela não era nada mais do que uma pequena trouxa de roupas no chão em uma poça de sangue, seu cabelo estava tão sujo que não parecia mais ser ruivo. De início, torceu para que fosse apenas um engano, que aquela não fosse sua irmã, que fosse alguma outra garota. O Príncipe das Trevas estava com a varinha apontada para ela e estava há poucos metros da garota. Quando o ministro deu um passo na direção dela, um feitiço saiu de sua varinha. Ela gritou.

"Eu te avisei." Foi a única explicação dele.

Percy abriu a boca, queria gritar alguma coisa, queria implorar para ele soltá-la, queria que ela soubesse que ele estava ali, mas não saiu nada. Era como se sua voz tivesse parado de funcionar, como se tivesse esquecido as palavras para expressar o que queria. Fechou a boca novamente, abriu, olhou para ela, desejando que ela olhasse para cima, mas ela não olhou. Uma das lareiras ganhou vida, chamando a atenção dele. Seu pai e sua mãe saíram dela. Seus olhos se encontraram e então eles viram a garota.

Sua mãe parecia confusa e seu pai aflito.

"GINNY!" gritou ele, mas ela não olhou, apenas ficou onde estava. Não podia ser ela. E então um pequeno som áspero reverberou pelo Átrio. Era a voz dela.

"Pai..."

Seu pai correu para frente, mas havia aurores ao seu lado, puxando-o de volta. Lágrimas escorriam pela face de sua mãe enquanto ela olhava para a única filha.

"Deixe-a ir. DEIXE-A IR!"

O Príncipe das Trevas nada respondeu. Ele apenas olhou de volta para a mãe de Percy antes de dar as costas para ela. Sua varinha ainda estava apontada para Ginny. Havia aurores atrás dele, apontando as varinhas para ele, murmurando feitiços, que voaram em direção ao jovem, mas ele conjurou um escudo com facilidade. Nenhum deles era forte o bastante para quebrá-lo.

Não houve outro aviso, nenhum insulto, apenas as duas palavras em resposta ao ataque deles. "Avada Kedavra." A luz verde saiu de sua varinha, houve gritos vindos dos aurores e de seu pai, mas ele pôde apenas assistir o feitiço voar em direção à sua irmã desfalecida no chão, rezou para que ela rolasse para o lado novamente, que tudo ficasse bem. Mas ela ficou lá e a luz a atingiu e desapareceu. Tudo ficou escuro. Percy piscou e tentou alcançar sua varinha. Conhecia aquele tipo de escuridão. Seu coração apertou. Pó Escurecedor Instantâneo. Assim que teve a varinha em mãos, a luz voltou. Ele parou de respirar, esperou e esperou, mas lá estava ela, deitada no chão, sem se mexer. Quem ele primeiro viu depois daquilo foi sua mãe. Feitiços estavam voando pelo ar, as sirenes soando ainda mais alto, e de repente Percy percebeu que ele se foi. Ele se foi e Ginny estava lá – sua mãe correu até ela, embalou-a em seu peito e chorou. O sangue de sua irmã estava encharcando a roupa dela, mas ela nem parecia notar. Aurores tentavam afastá-la, mas ela não se moveu um centímetro. Percy sentiu que não podia mais ficar em pé, suas pernas falharam e ele caiu no chão, o coração despedaçado em milhões de pedaços. O Ministério da Magia tinha falhado com ela. Ele tinha falhado com ela.

xxx

Mesmo muito tempo depois de ele ter desaparecido, Molly viu seus olhos verdes. Eles perfuraram os seus tão profundamente que ela achou que ele pôde ver a profundeza de sua alma. Não achava que seria capaz de esquecer aquele olhar nunca mais. Mas que importava? Nunca esqueceria aquele dia, de qualquer forma. Não esqueceria sua filha, não esqueceria a dor em seus olhos, nunca esqueceria as palavras sussurradas e as palavras que não foram ditas. Sabia que aquele momento estava gravado em sua mente até o dia de sua morte.

Não sentiu os braços fortes colocando-a de pé. Tudo que conseguia sentir era o cabelo de sua filha, seus braços, seu corpo que não mais reagia quando lhe tocou. Mas foi afastada dela. Lutou contra aquilo, mas a pessoa era mais forte. Eles se afastaram da garota, mas não conseguia tirar os olhos dela.

"Não! Eu... eu preciso... eu..." Sua voz falhou.

Molly tentou gesticular em direção à filha, mas a força ao redor dela aumentou. Algo bloqueou sua visão e eles estavam andando pelo Átrio em direção aos elevadores. Entraram em um, mas a mulher só conseguia pensar na filha. Na filha morta. Sua visão saiu de foco quando mais lágrimas correram de seus olhos.

Finalmente entraram em alguma sala, onde foi empurrada numa cadeira, foi tudo que ela percebeu. Momentos depois, que podiam ter sido segundos ou horas, ela não sabia dizer, alguém se ajoelhou em sua frente e afastou suas mãos do rosto. Um frasco estava na frente dela, e sabia que devia beber, mas não conseguia mexer a mão. Alguém inclinou sua cabeça e o líquido foi derramado em sua boca.

Molly piscou e, quando abriu os olhos, tudo parecia um pouco mais normal. Virou a cabeça e encontrou Arthur sentando em outra cadeira. Um Curandeiro estava lhe dando uma poção calmante também. Quando ele bebeu, virou-se e seus olhos se encontraram. Ela viu a dor que sentia refletida nos olhos dele, e teve que piscar algumas vezes para não cair no buraco negro novamente.

Alguém tossiu e a ruiva virou a cabeça novamente. Então, percebeu o auror sentado atrás da mesa.

"Eu sinto muito, Sr. e Sra. Weasley, não apenas por isso ter acontecido, mas por vocês terem assistido também. Não sei o que eu posso fazer para fazer melhorar. Não acho que haja nada a fazer."

Molly assentiu, reprimindo a raiva que estava brotando dentro dela.

Um silêncio constrangedor pairou e foi o auror quem o quebrou.

"No momento, alguns dos meus colegas estão analisando a cena do crime. Em alguns instantes teremos mais informações."

Segundos se tornaram minutos enquanto o tempo passava. A porta abriu e alguém entrou.

"O corpo é de Ginevra Molly Weasley. Não há dúvidas disso."

Molly sentiu-se um pouco ingênua, não duvidara daquilo em nenhum segundo. Parecera com sua filha, mas poderia ter sido... mas não foi. Não era outra pessoa, era ela. Sua única menina.

Os aurores acenaram uns para os outros, antes de o segundo deixar a sala.

"Sinto muito, Sr. e Sra. Weasley."

Pelo canto do olho, Molly podia ver Arthur engolir em seco. Sua expressão mostrava que ele estava prestes a chorar novamente, despedaçando o coração dela mais ainda.

"Tentaremos intensificar as buscas por ele, mas serei honesto. Estamos fazendo tudo que podemos no momento. Todos os nossos homens estão tentando capturá-lo. É apenas uma questão de tempo até conseguirmos. "

Arthur se levantou e encarou o homem. Abriu a boca e fechou. Finalmente, se virou. Molly o observou sair da sala. Ela tentou lançar um sorriso ao auror, mas tinha certeza que não esboçara um. Sua garotinha estava morta.

"Não podemos fazer mais nada, sinto muito."

"Eu… sim."

Ela sabia. É claro que sabia que não havia nada, mas a última coisa que queria fazer era voltar para casa. Isso nunca acontecera antes, mas não tinha certeza que seria capaz de suportar. Ela nem mesmo tinha certeza de que queria voltar para lá. Tudo lá era conforto, era lar, era família, uma família que não mais existia. Uma parte dela estava morta. Sua filha estava morta. Falhara com ela.

xxx

Arthur correu às cegas pelo Ministério, os corredores voando por ele. Não se importou com as poucas pessoas que encontrou, podia até ter esbarrado em algumas, não importava. Tinha que ir para casa, ele tinha que – ele nem sabia o que tinha de fazer lá, mas sentia uma necessidade extrema de estar lá, que não se importava com mais nada, nem mesmo com o que Molly fez. Finalmente, alcançou o Átrio e as lareiras, utilizando uma para chegar em casa. Tropeçando para fora dela, olhou para seus filhos. Percy, Ron, Bill e os gêmeos estavam lá, olhando em dúvida para o primeiro, que ainda não tivera tempo para contá-los. O rapaz abriu a boca e Arthur sentiu vontade de fugir, não queria escutar aquelas palavras novamente.

"Pai?" Era a voz de Percy. Seus óculos não estavam bem posicionados sobre o nariz. O homem nunca vira o filho daquela maneira.

Ele apenas balançou a cabeça e saiu da sala, subindo as escadas. Antes que soubesse o que estava fazendo, sua mão estava no trinco da porta do quarto de Ginny, e abriu a porta lentamente. Parecia que ela tinha apenas saído, e que voltaria a qualquer momento. Ela não voltaria. Seus olhos pousaram na anêmona, na flor que ele lhe dera e sentiu a raiva começar a queimar em sua garganta e em seus olhos. Num rápido movimento, atravessou o quarto e pegou o vaso, atirando-o o mais longe possível. Despedaçou-se contra a parede, a água escorrendo e a flor atirada no chão.

Sentiu vontade de chorar, mas de alguma forma não podia, doía tanto não ter lágrimas para chorar. Se tivesse chegado antes, se eles não a tivessem forçado a fazer aquilo, se a tivesse escutado, se tivesse cuidado melhor dela, se não a tivessem enviado à escola naquele ano, se Ron – não, não, não podia pensar dessa forma. O menino tinha feito de tudo, não era culpa dele. Os adultos eram responsáveis e, e... ela se fora. Para sempre. Nunca mais a veriam novamente. Tinha pensado na possibilidade de algo sair errado, de algum de seus filhos morrer na guerra… mas sempre fora um dos garotos. Nunca Ginny. Nunca. Sentia-se tão ingênuo agora, que mal conseguia respirar. Por que nunca passara em sua mente que podia ser sua menina? Sua princesinha? Devia ter pensado nisso, devia ter pensado nessa possibilidade, devia ter pintado isso na memória, usando as cores mais escuras. Devia ter feito isso, e então teria sentido, teria se preparado. Assim, não estaria sentindo aquela dor tão forte agora. Mas talvez fosse isso que merecesse, essa dor para o resto da vida. Como pôde ter sido tão estúpido? Devia ter tomado mais cuidado, devia ter se despedido. Pensou que iria vê-la novamente. Deviam ter agido antes, deviam ter ido direto ao quartel-general. Devia ter proposto um acordo. Devia ter morrido por ela, como pensou que faria. Era ele quem devia estar morto, morto como outros pais que morreram protegendo suas crianças. Mas não tinha feito nada, tinha apenas fracassado com ela.

xxx

Ron viu o pai subir as escadas. Confuso, olhou para Percy, que parecia pior que antes. Havia algo terrivelmente errado, e seu estômago se revirou de medo.

"O que… Percy, o que aconteceu?"

O rapaz abriu e fechou a boca. Lágrimas brotavam em seus olhos.

"É... eles... Ginny… ela… eu… Ginny foi encontrada."

Aquilo era bom! Muito bom, mas por que eles estavam... por que eles estavam agindo assim? A não ser que... não. Não. Não. Não.

"O que… onde ela está?"

"Percy, diga que não é verdade. Não, ela não..."

"Fred, George, eu, ela… Eu não posso. É verdade."

"O que… o que está dizendo?"

"Ron, Ginny está morta."

As palavras ditas por um dos gêmeos atingiram-no em cheio. Ela estava morta? Mas Ginny não podia morrer. Era uma das piadas terríveis deles? Mas não foram eles que começaram, foi Percy, que nunca brincava. E o pai deles... mas... mas Ginny. E, parecia... parecia a verdade. Mas não podia ser.

"Mas… mas… não!"

"Eu estava lá." Percy parecia distante, seus olhos fixos na parede. "Eu a vi. Eu a vi respirando, ouvi seu grito e vi a luz verde, e, e, e..." Um soluço escapou de seus lábios. "É verdade."

Ron se virou, as palavras ecoando em sua mente. Ela estava morta. Morta. Morta. Morta. Ele fugiu pela casa, correndo o mais rápido que suas pernas conseguiam. Atravessou os escudos e correu, correu e correu. Pontos se formavam em seu peito, mas continuou correndo. Os pulmões gritavam, a cabeça implorava para que parasse, mas não parou. Ela estava morta. O ano no qual foi responsável por ela, foi o ano no qual ela morreu. O ruivo queria gargalhar, mas não podia. Ele tentou, mas se engasgou. Tossindo forte, não olhou para onde estava correndo e caiu sobre alguma coisa. Caiu no chão duro e frio, mas não conseguia se levantar. Apenas ficou lá, encarando o chão no qual tinham jogado juntos há pouco tempo atrás. Sua visão saiu de foco, mas ele nem tentou impedir as lágrimas. Até mesmo garotos podiam chorar se sua irmã mais nova morresse, e ela estava morta. Nunca mais jogaria com ela, nunca mais se preocuparia com ela, nunca mais ouviria sua risada, nunca mais a veria chorar, nunca mais estaria com ela, nunca mais escutaria sua voz. E havia uma voz em sua cabeça sussurrando que era culpa sua. Era ele quem estava em Hogwarts quando tudo começou, e novamente tinha sido cego demais para ver algo tão perceptível. A vira olhando para ele, mas olhar não queria dizer que ela gostasse dele. Porém, seja como for, ela tinha gostado. Mesmo ele tratando Hermione como lixo, mesmo tendo agido da forma que agiu. Ela gostara dele de alguma forma. O bastante para ter algo com ele, o bastante para toda aquela coisa das cartas. E ela foi levada e agora estava morta. Se tivesse prestado atenção, se tivesse impedido de algum modo... talvez ainda estivesse viva. Não talvez, ela estaria viva. Viva, bem, rindo e chorando, jogando quadribol, irritando-se com ele e com seus irmãos. Ela ainda estaria respirando. Mas não estava, e era sua maldita culpa. Nunca mais conseguiria voltar para casa. Não queria encará-los, não queria ver seus olhos quando olhassem para ele, estava ciente de que sabiam que ele era o culpado. Não queria enfrentar aquilo. Nunca mais seria a mesma coisa, porque simplesmente não conseguiu prestar atenção. Deveria ter escutado Hermione, ela sempre estava certa e estivera certa quanto aquilo. Quantas vezes o repreendeu por não prestar atenção? Por não se importar o bastante com a irmã? Sempre se importou com ela, mas era um garoto. Garotos não saem por aí mostrando os sentimentos pelas irmãs mais novas, simplesmente não fazem isso. Mas também não causam a morte das irmãs. Sua culpa. Sua maldita culpa. Fracassara com eles. Fracassara com a família, e com ela.

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Tinha sido seu dia de folga, mas, pela primeira vez, desejou que não tivesse sido. Claro, não havia imagens em sua mente, mas a notícia tinha se espalhado tão rápido que James ouvira sobre ela alguns minutos depois. Talvez pudesse ter feito alguma coisa por ele. Talvez pudesse ter feito ele o escutar. Mas tinha sido seu dia de folga. Estivera em casa, fazendo planos para resgatá-la. Agora era tarde demais, ela estava morta. Como as diversas vítimas de Voldemort e seus seguidores, ela morrera. Não havia nada que pudesse fazer agora. Se alguém ainda não estava convencido do lado que Harry escolhera, esse alguém se convencera agora. Matar a garota que havia capturado há poucos dias atrás, no Ministério da Magia, no Átrio, na frente de todos os aurores e do próprio ministro. E ainda conseguira escapar também. Escapara novamente. Agora, não lhe restava mais nada além do beijo do dementador. Todas as vozes exigindo um julgamento, exigindo Azkaban se calariam agora. Dumbledore ficara em choque. Agora que sabiam o que realmente acontecera, o que Harry achou ter acontecido... ele nunca havia matado um inocente antes. Mas agora... agora era tarde demais. Ninguém mais escutaria. E Ginny… a doce garota que algumas vezes o visitara para passar algum tempo com Damy... estava morta. Morta por seu outro filho. Torturada por ele. Mesmo não estando lá, as imagens estavam em sua cabeça. Já vira muitas pessoas serem mortas, tinha visto Harry matando. James engoliu em seco. Podia imaginar: o rapaz em pé, a garota deitada no chão, os olhos dela fixos nos aurores, a esperança de que tudo iria ficar bem, porque ele nunca conseguiria com todos eles ali. Mas conseguiu.

Ela estava morta e uma parte de Harry morrera também. A parte que jurara proteger a vida de crianças e inocentes... morrera com Ginny. Pela primeira vez, o homem se perguntou se ainda era capaz de amá-lo. Ele ainda era seu filho, ainda era sangue do seu sangue, mas não mais da mesma forma. Ele tinha matado uma garota inocente, ele tinha matado Ginny. Sem razão alguma, apenas porque Voldemort, seu pai, mandou que fizesse. Mas ele, James, não era responsável também? Se tivesse no Ministério, se tivesse procurado logo por ela, se tivesse exigido estar lá no dia em que ela foi capturada, se estivesse mais alerta antes, se o jovem não tivesse conseguido escapar de Hogwarts, se nunca tivesse escolhido Peter... Parecia que isso era tudo que estava fazendo o tempo todo: falhando com seu primeiro filho, falhando com Harry. E hoje, novamente, falhara em proteger a última parte de sua inocência, que ainda estava lá. Tinha fracassado com ele.

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A neve do lado de fora fazia tudo brilhar. O mundo parecia mais brilhante. Não era de admirar que Lorde Voldemort odiasse aquilo. Mas ele não estava prestando atenção na neve. Em vez disso, acenava a varinha a cada segundo, verificando a hora. Harry ainda não voltara. Estava prestes a chamar Bella quando as portas foram abertas.

O rapaz entrou. A porta fechou silenciosamente atrás dele. Com alguns passos, cruzara o quarto. Seu rosto estava inexpressivo, como sempre ficava quando voltava de uma missão. Voldemort levantou-se, e eles se encontraram na metade do caminho. O bruxo colocou as mãos em seus ombros.

"Missão completa." Seus olhares se perfuraram.

A garota Weasley gritando. Uma ferida foi aberta. A Chave do Portal foi ativada. Sirenes. Outro grito. Aurores. Fudge. Gritos, pedidos, ameaças. Os pais dela. A voz dela. Maldição. Avada Kedavra. Luz verde. Olhos mortos. Escuridão. Fogo verde. Casa.

Voldemort recuou, assentindo.

"Você foi muito bem, filho. Estou orgulhoso de você."

Harry inclinou a cabeça levemente.

"Você precisa de mim para mais alguma coisa?"

"Não, você está liberado."

Harry assentiu e se virou, saindo da sala novamente. Os olhos de Voldemort o seguiram por todo o trajeto. Se tivesse sido uma situação normal, uma missão comum, teria notado a diferença. Teria notado que o olhar vazio nunca deixava sua face, que ele não ficara mais ereto após o elogio. Seus olhos continuaram frios e vazios.

Mas não foi uma missão normal e assim Lorde Voldemort não prestou atenção. Pela primeira vez em sua vida, ele não se concentrou. Em vez disso, esperou seu herdeiro sair da sala para se permitir um sorriso. Outra etapa foi concluída. Harry tinha matado uma garota de quinze anos, um inocente. É claro que não havia tal coisa, mas o jovem acreditava nisso. O bruxo tinha aprendido a viver com aquilo, quase perdeu as esperanças... mas parecia que o garoto finalmente superara os demônios do passado, tinha visto que o que eles faziam era certo, que crianças e adolescente não eram mais inocentes, não quando estavam do lado errado, no lado branco. Não havia quem não fizesse escolhas em tempos como aqueles. Ninguém era muito jovem ou muito velho.

Talvez pudesse ousar dar um passo maior ainda. No tempo certo, poderiam pegar a próxima criança. Se tinha algo que acabaria com aquela estúpida Ordem, era a perda de suas crianças. Caminhou até o armário escondido e tirou uma garrafa do melhor vinho dos elfos. Colocou um pouco numa taça e não pôde deixar de dirigir-se à janela. Observou seu reflexo por um momento, refletindo sobre os últimos minutos. O sorriso em sua face se alargou. Lentamente, levantou a taça, como se estivesse brindando com alguém.

"Pelo seu Salvador, Albus Dumbledore." O bruxo falhara com eles.

N/T: Manifestem-se! Façam uma tradutora feliz e digam o que estão achando da história e da tradução rs ^^