Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Seventeen – To Safety

(Em Direção à Segurança)

Alguém a estava sacudindo. A ruiva murmurou alguma coisa e se virou, mas as mãos ainda estavam lá, tentando acordá-la.

"Vá embora," resmungou ela, puxando o cobertor sobre a cabeça.

"Ginny, acorda. Você precisa acordar."

Parecia que nada que ela pudesse fazer iria mantê-lo em silêncio. Então, a ruiva caiu na real e ficou ciente de onde estava e quem estava tentando acordá-la. Sentiu o rosto esquentar e lentamente levantou o lençol, arriscando um olhar para ele.

Estava escuro no quarto e mal reconheceu o contorno dele. A única luz era a da lua entrando pelas janelas.

"Desculpa," sussurrou ela. "Estou acordada agora."

"Bom." Ele fez uma pausa. "O que está vestindo?"

"Como?"

"Que tipo de roupa está usando?"

"Err…" Ela ficou mais corada ainda e silenciosamente agradeceu pela escuridão. "Uma camisola... por quê?"

Ela pensou ter ouvido o garoto suspirar. Um segundo depois, as luzes foram acesas.

"Então coloque outra coisa. Algo o mais trouxa possível que possa encontrar."

Ginny piscou com a claridade, sem conseguir ver muita coisa. Após alguns segundos, seus olhos se acostumaram e ela conseguiu ver Harry e o quarto. Lentamente deixou o cobertor cair e colocou um dos pés no chão. Teve que se impedir de puxá-lo de volta para a cama, já que o piso estava muito frio enquanto embaixo de seu cobertor estava quentinho e aconchegante... forçou-se a não pensar naquilo e deixou o conforto para trás, levantando-se totalmente da cama. Apenas então olhou e viu a forma como o rapaz estava olhando para ela. Corou novamente.

Antes que ela pudesse dizer alguma coisa para fazer a situação ficar menos desconfortável – como se pudesse fazer isso – ele se afastou dela.

"Coloque algo que a mantenha aquecida."

Ginny assentiu e dirigiu-se ao armário, tirando algumas peças de roupa aleatoriamente. A garota foi até o banheiro, onde as vestiu o mais rápido possível. Depois disso, voltou ao quarto, onde Harry estava de pé bem ao lado da porta, verificando a hora com alguns números que apareciam no ar. Eles desapareceram assim que ele a viu.

"Nós não temos muito tempo," disse ele e acenou a varinha.

A porta brilhou e se abriu. A ruiva deu uma última olhada ao redor. Nunca mais estaria naquele quarto novamente, pensou, feliz por não ter que passar mais nenhum dia ali.

O jovem fechou a porta atrás deles e apontou para que ela o seguisse. Ela o fez, pensando na última vez que o seguira. A memória não ficou muito tempo em sua cabeça, pois assim que estavam na porta, Harry se virou.

"Você precisa ser o mais silenciosa possível lá fora, pois não podemos arriscar ser vistos ou ouvidos."

Ginny assentiu e o jovem olhou atentamente para ela antes de assentir também. Ele então sibilou a senha e a porta abriu. Eles passaram pelos corredores escuros, Harry lançando um feitiço a cada minuto, que lhes mostrava se havia alguém por perto. Encontraram um pequeno grupo de Comensais da Morte apenas uma vez e ele foi rápido o bastante para empurrá-la no que parecia uma passagem secreta. Esperaram até não conseguirem escutar mais nada antes de continuarem. Quando finalmente deixaram a Mansão para trás, o rapaz tomou um caminho diferente do da última vez, que os levava para mais longe da Mansão, mas sem a proteção das árvores. De início, seguiram junto às paredes para não serem vistos pelas janelas. Quando não mais puderam fazer aquilo, ele usou um Feitiço de Desilusão para escondê-los de vista. Quando a garota lhe perguntou por que não tinham usado antes, ele respondeu que a magia era detectada sob os escudos. Parecia para a jovem que eles andaram por um bom tempo até chegarem num pequeno prédio, escondido por algumas árvores. Eles entraram e ela olhou em volta.

Havia uma pequena mesa com duas cadeiras, um pequeno sofá e uma estante com alguns livros. O prédio tinha apenas uma janela pequena e havia outra porta, que provavelmente levava ao banheiro.

"O que é isso?"

Harry virou-se em sua direção.

"No passado eu e Draco costumávamos nos encontrar aqui."

Ginny olhou em volta novamente. Não parecia um lugar onde Draco estaria disposto a ficar.

"Você vai ficar aqui até… até eu terminar. Eu voltarei."

Ginny assentiu e, sem dizer mais nada, ele se virou e saiu.

xxx

Várias horas depois, Harry caminhou pelos corredores, sem deixar sua máscara fria escapar. Entrou em sua ala, indo direto para seu quarto. Uma vez dentro, ele fechou a porta e dirigiu-se ao banheiro. Trancou a porta atrás de si e derrubou seus escudos.

A luz verde brilhou diante de seus olhos e os olhos dela o encararam de volta. Ele os viu ficar sem vida. Rapidamente, dirigiu-se à pia, ligando a torneira. A água correu por suas mãos que – ele só percebeu agora – estavam tremendo. Respirou profundamente, tentando se acalmar. Não tinha sido real. Sabia onde ela estava. Ainda estava viva, respirando e ele não quebrara a promessa de nunca machucar um inocente. Sabia que por trás do rosto dela havia um Comensal da Morte, que ele merecia morrer e que aquilo nunca importara para ele antes. Mas tinha sido diferente das outras missões porque agora ele sabia que não podia confiar neles, e que não podia confiar nele. Era diferente e era difícil.

Desligou a torneira e encarou os olhos no espelho. Seus olhos pareciam diferentes também. O jovem tentou sorrir, mas não pareceu nada com um sorriso. Ele tinha feito, tinha conseguido. É claro que tinha que esperar um pouco mais para ter certeza que tinham identificado o Comensal da Morte como Ginny Weasley, mas não imaginava que descobririam. Havia o risco, mas eles eram aurores. Se soubessem quão fácil era fingir uma morte... nem mesmo imaginava que seu pai, que Voldemort – como se forçava a chamá-lo – sabia disso. E bastou apenas um pouco de Poção Polissuco, a voz e o sangue dela.

O sangue dela… Harry olhou para si, fechando os olhos em seguida. Com uma poção ele multiplicara seu sangue. Tinha sido uma verdadeira bagunça, injetar o bastante no Comensal da Morte sem misturar com o próprio sangue dele – porque tinha que ter feridas, senão seria facilmente reconhecido como uma farsa. Mas de alguma forma ele conseguira – esperava ter conseguido. Mas tinha sangue dela em suas mãos, em sua roupa. Ainda estava lá. Como um maníaco, ele retirou as roupas, jogando-as para o mais longe dele possível.

Rapidamente, entrou no chuveiro e abriu a torneira. A água correu por seu corpo e ele fechou os olhos novamente, mas então havia a luz verde de novo e o grito dela e não tinha sido real! Abriu os olhos, desejando que aquilo simplesmente passasse. Provavelmente só melhoraria quando visse que ela estava bem, que nada lhe acontecera, que não estava machucada. O garoto suspirou e por um momento acreditou que aquilo já era demais para ele.

Caiu de joelhos e sentou-se no chuveiro, com a água caindo como chuva sobre sua cabeça. Tudo que fizera foi salvá-la e já tinha sido demais. Não tinha sequer gastado um minuto pensando em sua verdadeira vingança. Mas provavelmente ficaria melhor, agora que ela estava a salvo, agora que não precisava protegê-la a cada segundo. Agora, podia concentrar-se no que importava: vingança. Harry tentou bloquear as memórias que sempre vinham com esse pensamento. Eles mentiram para ele e o jovem os faria pagar. Teve que se forçar a não arrancar o medalhão de Sonserina do pescoço. Não podia arriscar ser descoberto, pois seria muito mais fácil se pudesse descobrir as Horcruxes enquanto estivesse na Mansão. Nem queria imaginar como seria tentar descobri-los estando longe de tudo.

O rapaz gemeu, inclinando-se contra a parede fria. Não tinha ideia por quanto tempo conseguiria fazer aquilo... nem mesmo por vingança.

xxx

Ginny levantou-se do sofá de novo, dando alguns passos em direção à parede oposta antes de voltar. Sentiu que tinha feito aquilo pelo menos uma centena de vezes. Quase sentiu falta do quarto onde ficou antes. Parecia mais que ele tinha apenas mudado o lugar onde ela era mantida prisioneira. A ruiva fez uma careta. Por mais que estivesse encantada, ou qual fosse a palavra certa para o que sentia em relação a ele, estava absolutamente odiando aquilo. Ele simplesmente não falou com ela. Tinha-lhe dito que precisava morrer, explicando o plano em parte e então desaparecera, voltando tarde da noite para acordá-la apenas para deixá-la nesse lugar, sem a menor explicação. Ela não pensou que aquilo fosse acontecer novamente tão cedo. Para ela, a promessa dele na sala de treinamento fora não apenas uma promessa de salvá-la, mas de confiança e, para ela, isso incluía compartilhar informações.

A jovem rangeu os dentes e atravessou o quarto novamente. E onde diabos ele estava de qualquer forma? Sim, ele a matou, talvez naquele mesmo instante – sim, a ironia não passou despercebida por ela – mas quanto tempo ele levaria? Quando voltaria? Ele voltaria? De repente, algo como o medo cresceu dentro dela. E se algo saísse errado, ele fosse capturado novamente e ela ficasse ali? Ninguém sabia onde estava, talvez ainda acreditassem que estava morta. Viriam procurar por ela? Provavelmente não. Mas onde estava de qualquer maneira? Nem mesmo sabia e estava naquele lugar! Com um pensamento repentino, percebeu que precisava realmente depender dele, não apenas para mantê-la longe dos Comensais da Morte e de Você-Sabe-Quem, mas de tudo. Apenas ele sabia onde ela estava e como sair daquele lugar. Só sabia que não era muito longe da Mansão ou como quer que chamassem o quartel-general deles. Mas é claro que tinham escudos – seriam extremamente estúpidos se não tivessem – e como os ultrapassou? Podia ultrapassá-los? Conseguiria deixar esse lugar novamente? Mas eles tinham-na levado para lá, tinha que conseguir sair. Mas tinham-na levado com uma Chave do Portal. E se aquela fosse a única forma? Harry sabia de tudo isso... mas ele não lhe disse nada!

E isso apenas com relação ao lugar onde estava. E quanto a mantê-la em segredo? Mantê-la protegida? Um lugar para dormir? Era ali que deveria ficar? Trancada daquele jeito? Comida? Roupas? Algo para fazer? O que aconteceria agora que quase todos acreditavam que ela estava morta? O que aconteceria a ela? Com um estalo, se deu conta de que jamais poderia voltar para casa. Soubera que não poderia voltar À Toca, mas só agora percebeu o significado daquilo. Casa não incluía apenas A Toca. Incluía Hogwarts, o Beco Diagonal, a casa de Hermione, Hogsmeade e todo maldito lugar frequentado por bruxos. E o número de pessoas que visitavam os lugares trouxas crescia a cada dia que se passava.

A cada hora que se passava, Ginny pensava mais naquilo e estava ficando louca. Quando Harry finalmente retornou, sentiu-se apenas um pouco aliviada.

"Deu tudo certo?" Ela praticamente saltou sobre ele.

Harry olhou rapidamente para ela e então assentiu. Respirando fundo, ela continuou.

"Eu pensei sobre isso e realmente acho que você tem que me dizer o que vai acontecer agora, porque eu não posso ficar sem saber."

O jovem arqueou uma sobrancelha, passando por ela. Ficou em pé ao lado da pequena mesa e se virou para encará-la de novo.

"Em primeiro lugar, vamos mudar sua aparência para torná-la mais comum antes de eu levá-la à segurança no mundo dos trouxas."

Ginny piscou. Não pensara que ele estaria disposto a compartilhar as informações com tanta boa vontade.

"Eu não sou comum...?"

"Não, não é," respondeu ele secamente.

A ruiva não sabia como entender aquilo, e não disse nada a respeito.

"Como vamos fazer isso?"

Uma das mãos do garoto desapareceu em um dos bolsos, de onde puxou um pequeno frasco. Ele o colocou na mesa ao seu lado.

"Com isso."

"Uma poção?" perguntou ela, olhando criticamente para o frasco.

"Vai mudar a cor do seu cabelo."

Os olhos dela fixaram-se no rosto do garoto.

"Para que cor?"

"Achei que loiro combinaria mais com sua pele clara."

Ginny abriu a boca, mas fechou novamente. Loiro?

"Eu tenho mesmo que fazer isso?"

Harry suspirou.

"Olha, você pode ficar do jeito que está, mas isso tornaria muito mais fácil para te encontrarem, e não queremos facilitar para eles." Ele fez uma pausa. "Enquanto você está bebendo, pode pensar num nome."

"Um nome também?"

"Sim. Ginny é muito incomum."

"Mas é o meu nome."

Harry revirou os olhos.

"Óbvio."

"Eu não quero mudar meu nome."

"Eu tenho certeza que não, mas vai ter que mudar."

"E se eu não mudar?"

"Então, eu vou ter que mudar para você."

Ginny cruzou os braços sobre o peito e olhou com raiva para ele. Não queria deixar o nome para trás também, já deixara coisas demais para trás. Precisava de alguma coisa para continuar, ele não conseguia ver isso?

Harry a encarou de volta, mas ela sabia, não recuaria novamente. Não teria feito o mesmo com qualquer outra pessoa, e algo a dizia que nem sempre poderia se comportar diferente com relação a ele. Era sempre ela quem arcava com as consequências no final, estava cansada e com raiva de sempre fazer o que ele queria para que não a machucasse. Ele não a machucara antes, por que começaria agora? Não precisava ter medo dele.

"Não há como não mudar seu nome."

"Se você mudar para mim, eu simplesmente não darei ouvidos."

Os olhos de Harry se estreitaram.

"Tenho certeza de que você não sabe o que está dizendo."

"Ah, eu sei sim."

"Não sabe, porque se soubesse não faria esse escândalo todo."

"Eu não estou fazendo escândalo."

"Sim, está." Ele jogou as mãos para cima. "O que há de tão ruim em mudar o nome? Sua vida inteira vai mudar!"

"Exatamente!" reclamou Ginny. "Cada maldita coisa mudou ou ainda está mudando, até a maldita da cor do meu cabelo. Por que meu nome não podia continuar o mesmo? Alguma coisa tem que ficar igual, ou isso vai me deixar louca!"

Harry ficou em silêncio por um momento, mas sua expressão facial suavizou-se.

"Que tal um tipo acordo?" Ginny apenas olhou para ele. "Podemos te chamar de Jenny, por exemplo. Soa bem parecido, mas é mais comum e as pessoas não vão lembrar tão facilmente quanto de Ginevra."

A ruiva suspirou e pensou por um momento. Era um acordo.

"Se não há outro jeito."

Harry sorriu cansado para ela.

"Não há."

Ela finalmente assentiu e o silêncio pairou sobre eles, no qual Ginny deu outra olhada na poção.

"Loiro, hã?"

"Aham…"

Com dois passos largos, ela ficou ao lado dele e abriu o frasco, engolindo o conteúdo. Por um instante, sua visão saiu de foco e em seguida sua cabeça começou a coçar. A ruiva fez uma careta, mas não cedeu à coceira. Após mais alguns segundos, parou. A garota abriu os olhos e olhou para o cabelo que estava caindo por seus ombros. Era loiro.

Levantando os olhos, ela encontrou o olhar de Harry.

"Como ficou?"

Ele pareceu dar mais uma olhada.

"Estranho."

"Exatamente o que toda garota quer ouvir," disse Ginny, franzindo a testa.

"Você fica melhor com sua cor de cabelo normal, se é isso que quer ouvir."

Ela o encarou por mais um tempo. Quando se sentiu corar novamente, rapidamente se virou e mudou o assunto de novo.

"Você disse que o próximo passo é um local seguro no mundo trouxa?"

Harry assentiu.

"Quanto exatamente você sabe sobre o mundo trouxa?"

"É… um pouco. Ouvi algumas coisas que meu pai falou."

Suspirando, ele perguntou:

"Você acha que sabe o bastante para conseguir sobreviver por alguns dias sem deixar ninguém perceber que você não faz a mínima ideia?"

Ginny olhou para os sapatos. A maneira como ele falou soou como um insulto, mas… conseguiria ou não? Não tinha certeza. Aquilo era muito importante, não era? O que era mais seguro? Dizer a ele que conseguiria ou que não conseguiria?

Depois de um tempo, ela decidiu.

"Eu não sei." Era a melhor resposta.

O rapaz suspirou novamente, bagunçando os cabelos com uma das mãos.

"Felizmente, eu pensei nessa possibilidade. Você vai ter que me escutar com mais atenção ainda pelos próximos minutos, entende? É muito importante que se lembre de cada informação. Talvez você nunca vá precisar, mas é melhor ter certeza." Ginny assentiu. "Eu vou te levar para alguém que conheço, mas você não pode me chamar de Harry lá, porque eu tive que mudar meu nome também."

"Qual é seu nome lá?"

"Alex."

Ela assentiu novamente, testando o nome na língua. Parecia estranho.

"Pelos próximos dias você será minha prima. Nós nos conhecemos e nos visitamos algumas vezes quando mais jovens, mas então seu pai, que tomava conta de você sozinho, morreu e você se mudou para a casa da nossa avó, que morava numa casinha no campo. Minha mãe e ela não se dão muito bem, e foi por isso que não te vi desde então. Recentemente, ela faleceu e você teve que se mudar novamente. Você está morando comigo agora, mas eu estou sem tempo no momento e você não tem muita experiência na cidade e por isso eu não quero te deixar sozinha. É por essa razão que vou pedir para você ficar por dois ou três dias."

Ginny o encarou.

"O que… como… você acabou de ter essa ideia?"

"Não, eu já tinha pensado nisso. É óbvio que você não vai conseguir ficar muito tempo, mas é melhor para o início. Dessa forma, você vai ficar fora das ruas e longe dos hotéis e lugares onde é mais provável que procurem por você, se estiverem procurando. Após alguns dias, você vai ter aprendido um pouco mais e a situação vai ter se acalmado um pouco. Com esperança, você vai conseguir viver sozinha então. É claro que eu vou te visitar algumas vezes, mas não com frequência. Se não, bem... eu pensarei em alguma coisa."

"Para quem você está me levando?"

"Você vai ver."

Ginny observou enquanto ele procurava por alguma coisa no bolso. Finalmente ele achou. Era outro frasco.

"Eu vou ter que beber isso também?"

"Não, esse é para mim."

A garota franziu o cenho.

"Você vai ter que mudar a cor do seu cabelo também?"

"Você não gosta dele como está?"

Ginny revirou os olhos para ele, mas um leve rubor surgiu em sua face.

Ele engoliu a poção, mas nada aconteceu. Ela piscou algumas vezes, mas não percebeu nenhuma diferença à primeira vista.

"Acho que não funcionou."

"Acredite, funcionou sim."

Ela piscou novamente e o observou mais de perto.

"Tem alguma coisa diferente, mas não consigo entender. Que poção é essa?"

"É uma poção de envelhecimento. Estou alguns anos mais velho agora e você vai me chamar apenas de Alex, entende?"

"Perfeitamente."

"Muito bem." Ele andou os dois passos que os separavam, ficando ao lado dela.

"O que está fazendo?"

"Aparatação conjunta."

Ginny piscou, mas antes que tivesse tempo de reagir, ele alcançou seu braço e eles sumiram. A próxima coisa que sentiu foi que tudo ficou preto, ela foi pressionada com força em todas as direções, não conseguia respirar e havia bandas de ferro apertando seu peito, seus olhos estavam sendo forçados para a parte de trás da cabeça, seus tímpanos estavam sendo empurrados para dentro do crânio, e de repente aquilo parou. Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração acelerado.

"Da próxima vez eu gostaria de receber um aviso com antecedência."

O garoto nem olhou para ela, mas ela escutou o riso em sua voz.

"Eu te dei um aviso."

"Com mais antecedência, então."

Harry começou a andar, e Ginny o seguiu cegamente, apenas então olhando em volta. Não tinha ideia de onde estavam, mas ele tinha dito que estavam no mundo trouxa e realmente era o que parecia. O sol já estava se pondo novamente. Só então a jovem se deu conta de quanto tempo se passara. Ela não vira lugares como aquele com frequência, estava acostumada com casas no meio do campo, onde se podia ver o horizonte. Não era possível ali. Em todo canto havia casas muito altas, tão próximas umas das outras, que a jovem não conseguia deixar de sentir-se presa. Não conseguia identificar uma única árvore. Para ter certeza, olhou em volta novamente, mas realmente não havia nenhuma. Se sua mãe estivesse ali, só pensaria numa coisa: limpar o lugar. Tremendo, ela se abraçou, tentando manter-se aquecida.

Eles desceram pela estrada, mas havia apenas mais casas como aquelas. Parecia que mesmo que andassem por horas, só veriam aquelas casas. Mas não o fizeram. Em vez disso, chegaram numa casa que parecia exatamente igual às outras, mas Harry parou lá. Ginny não fazia ideia de como ele conseguia distingui-la das demais, e como sabia que ali era o lugar certo. Talvez tivesse estado ali com tanta frequência que simplesmente sabia. Ele apertou alguma coisa e não fez mais nada. Ela ficou intrigada. Uma voz vindo de algum canto a fez saltar.

"Quem está aí?"

"Sou eu, Alex."

Houve silêncio e depois um barulho estranho vindo da porta, mas Harry parecia saber o que era aquilo e empurrou a porta, que abriu e eles entraram. Ela o seguiu. O barulho parou. Havia uma porta e uma escada, o rapaz foi pela escada, e ela o seguiu. Eles subiram por várias delas, a garota perdeu as contas em que andar estavam quando finalmente se depararam com uma porta aberta. Ele parou e ela fez o mesmo.

Houve um guincho e de repente havia braços ao redor dele. A jovem piscou e se afastou.

"É tão bom te ver! Onde esteve? Não ouvi falar de você por meses!"

A mulher prosseguiu e Ginny parou de escutar. Em vez disso, olhou para a jovem. Ela tinha um cabelo castanho sedoso que lhe tocava os ombros e de onde estava, conseguiu ver os brilhantes olhos azuis, revestidos por longos cílios negros. Seus olhos brilhavam de felicidade ao olhar para Harry. Com uma carranca, a ruiva viu que ela nem precisava olhar para cima para encará-lo, pois era da mesma altura que ele. É claro que sua altura resultava em pernas longas que Lavender mataria para ter. A garota sabia que ela era o tipo de mulher pela qual os garotos babavam. Sua carranca se aprofundou, mas deu lugar ao choque imediatamente quando a outra se inclinou e de um beijo na boca dele.

Ele deu um passo para trás, mas sorriu para a estranha – bem, era evidente que eles se conheciam – e bagunçou o cabelo. Ele, então, apontou para ela. A mulher virou-se em direção a Ginny e por um momento elas apenas se avaliaram.

"Jenny, essa é Amy. Amy, essa é minha prima Jenny."

Com um estalo e um aperto no coração, Ginny notou o porquê de ele ter lhe dito de antemão que eles eram parentes. Centenas de insultos que aprendera ao longo dos anos passaram por sua mente, mas nenhum parecia se encaixar e nenhum queria afastar o vazio que de repente pareceu preenchê-la.

"Olá, Jenny." Amy sorriu para ela e com um passo cruzou o espaço entre elas e a abraçou. "Que legal conhecer você."

Ginny estava chocada demais para dizer alguma coisa enquanto era pressionada contra a mulher. Naquele momento odiou mais que nunca ser tão pequena. Amy recuou e se virou novamente para encarar Harry.

"Por que vocês dois não entram?"

Ela sorriu para ele mais uma vez antes de entrar no apartamento. Ginny olhou para Harry, mas ele nem mesmo retribuiu o olhar. Em vez disso, ele seguiu Amy e a garota ficou só do lado de fora. Rangeu os dentes e acima dela as luzes se apagaram. Sem opção, entrou também e fechou a porta atrás de si.

O apartamento era… legal. Mesmo que houvesse um sentimento dentro dela querendo que tudo ao redor de Amy fosse estúpido e feio, não conseguiu não achar legal. Havia dois sofás em frente àquela coisa onde se podiam ver imagens com sons se movendo. Atrás dos sofás, havia prateleiras com um monte de livros. Se Hermione estivesse ali, provavelmente daria uma olhada. A jovem engoliu pesadamente. No outro lado havia uma pequena cozinha, mas com uma mesa grande. Mais adiante, havia várias portas que levavam aos outros cômodos.

Indecisa e nervosa, Ginny ficou no meio da sala, tentando olhar para qualquer canto, menos para Amy e Harry. É claro que não conseguiu evitar, especialmente quando a outra começou a falar.

"Quer beber alguma coisa?"

"Um copo com vodca seria fantástico," respondeu Harry.

"O sol ainda nem se pôs totalmente." Ela lhe lançou um olhar acusador.

"Eu tive um dia difícil."

Amy foi até um armário e pegou uma garrafa e um copo, derramando um pouco do líquido claro nele.

"O que houve?"

Harry deu de ombros enquanto pegava o copo.

"Misterioso como sempre, hein?"

O jovem sorriu enquanto tomava um gole.

"Você quer alguma coisa também, Jenny?"

"Eu vou tomar um copo daquilo também." Ela acenou com a cabeça em direção a Harry.

Amy franziu um pouco a testa, mas dirigiu-se ao balcão novamente.

"Não. Ela é de menor."

A mulher assentiu.

"Foi o que pensei. Quantos anos você tem?"

"Ela tem quinze anos," respondeu ele antes que a jovem conseguisse abrir a boca.

"E ela pode muito bem tomar conta de si mesma." Ginny lançou outro olhar zangado para ele. Ele arqueou uma das sobrancelhas.

Um silêncio constrangedor se estendeu entre eles. Foi Amy quem o quebrou.

"Posso te oferecer outra coisa?"

Sem conhecer bebidas trouxas, falou a única coisa segura que lhe veio à mente.

"Água está bom, obrigada."

Amy sorriu e tirou outro copo, o qual encheu com água antes de entregar à garota.

"Obrigada." Ela se esforçou para dizer.

"Por nada."

Enquanto tomava um gole, encontrou os olhos de Harry. Ele sorriu antes de tomar mais um gole também. Os olhos de Ginny se estreitaram. Do que diabos ele estava rindo? Aquilo não tinha a menor graça.

Amy foi até o balcão novamente, tirando mais um copo, o qual encheu com água também. Então, o rapaz começou a falar.

"Na verdade, eu estou aquilo por causa de Jenny."

A mulher assentiu.

"Foi o que imaginei."

"Eu queria te perguntar se ela poderia ficar aqui por uma ou duas noites."

Amy franziu o cenho.

"É…"

"É o seguinte." Ele olhou para Ginny brevemente como que lhe dizendo para ficar quieta. "Jenny morava com nossa avó, mas ela faleceu recentemente e ela não tem onde ficar agora. Eu gostaria que ficasse comigo, mas estou sem tempo no momento, e não quero deixá-la sozinha também. Primeiro, porque ela não está acostumada com a cidade, e segundo... sim... bem." Ele olhou de novo para ela.

"Ah, meus pêsames."

"Eu não a conhecia muito bem."

Amy virou-se em direção a Ginny, esboçando um sorriso de compaixão.

"Sinto muito por você. Deve ser muito difícil."

A jovem olhou para o chão e assentiu.

"É claro que eu vou tentar arrumar um tempo para ficar com ela depois de amanhã, mas vai levar um tempo para organizar tudo."

"Eu não posso oferecê-la uma cama, mas ela pode dormir no sofá se não se importar."

"Acho que está bom." Ele lhe lançou um olhar.

Ginny acenou com a cabeça, fechando os olhos por um instante. Parecia que era assim que deveria que ser.

"É claro."

"Mas eu vou ter que ligar para minha colega de quarto primeiro. Não posso prometer nada, pois não posso decidir isso sozinha."

Harry assentiu. Amy sorriu levemente para ambos.

"Por que não se sentam enquanto ligo para ela?"

O rapaz aceitou a oferta e sentou-se em um dos sofás. Ginny lentamente seguiu seu exemplo, sentando o mais longe dele possível. Calmamente, colocou o copo sobre a mesa de café. Amy entrou num dos cômodos próximos, e assim que ela saiu o silêncio pairou entre eles.

A garota respirou calmamente algumas vezes. Ele... como ele pôde não ter dito nada a ela sobre onde estavam indo? Podia ter-lhe dado um aviso, pelo amor de Merlin! Mas mesmo um aviso não a tinha preparado para aquilo. Amy era uma trouxa, é claro que era. Ele odiava trouxas. Ele tinha que odiar ou não seria o Príncipe das Trevas. Mas ali estava ele beijando uma, conversando com uma, sorrindo para uma! Por que fazia aquilo? Ginny não tinha pensando nessa possibilidade: ele tinha... ele tinha uma namorada. Aquele pensamento a fez sentir-se amarga. Ele mentira para ela... tudo bem, eles não tinham falado sobre isso, mas quando será que ele a conheceu? Ele estava lá com ela e Amy falara em meses... Ginny engoliu em seco. Isso só podia significar que conhecera Amy antes dela, e que não era Ginny que estivera traindo, mas Amy. Ela quase sentiu vontade de rir, mas eles nunca tinham estado juntos de verdade, não é? Pelo menos nunca tinham falado sobre isso...

A mulher entrou novamente na sala, fazendo-a se concentrar nela novamente.

"Eu falei com ela, e ela concordou. Mas..."

Ela virou-se para Harry e sorriu novamente – por que ela sorria o tempo todo mesmo? E por que diabos ele estava sempre sorrindo de volta?

"Mas são duas danças que você me deve agora."

O rapaz riu. Ele riu! Não rira perto de Ginny com frequência, Amy nem mesmo parecia surpresa ou satisfeita. Para ela, aquilo era normal. A garota rangeu os dentes, tentando desesperadamente se impedir de falar alguma coisa ou de começar a chorar. Não tinha certeza, mas torceu pela primeira opção. Não choraria por causa dele outra vez.

"Acredito que seja viável."

Amy olhou em volta como que procurando alguma coisa.

"Talvez você devesse buscar algumas das coisas dela. Não trouxe nada para ela, não é?"

Ginny olhou para Harry, ele abriu a boca e fechou novamente. A jovem quase riu. Havia uma falha no plano "perfeitamente-pensado" dele.

"Sinto muito, mas isso não é possível." Os olhos de ambos pousaram sobre ela. A garota sorriu muito triste. "O que... Alex esqueceu de mencionar é que ela não morreu de velhice, mas..." Ela engoliu em seco, encarando o chão. Aquela não era a primeira vez que mentia, afinal de contas. "Houve um incêndio e... e minhas coisas se perderam também. Eu não estava em casa e ela adormeceu e..."

Ela pensou na situação que estava e forçou um soluço. O abafou com a mão e olhou envergonhada. Havia um sorriso triste no rosto de Amy.

"Isso é terrível! Você deve estar se sentindo tão culpada..."

A mulher prosseguiu, mas Ginny não prestou atenção nela. Em vez disso, olhou para Harry. Havia um brilho nos olhos dele que ela já vira uma vez: no momento que sugerira a vingança. Era como um olhar de respeito. Ela desviou o olhar, tentando se focar em Amy novamente. Acenou algumas vezes com a cabeça enquanto a outra falava sobre como ela provavelmente estava se sentindo. Finalmente, ela parou, mas não por muito tempo.

"Você deve estar muito cansada depois de tudo que passou." Ginny assentiu novamente. "Eu vou buscar um cobertor e um travesseiro para você... pode pegar uma das minhas camisas e uma das minhas calças também."

"Você pode levá-la às compras amanhã. Posso deixar um pouco de dinheiro com você."

Amy se virou para ele. Seu rosto inteiro pareceu se iluminar.

"É uma excelente ideia! Vamos achar tantas coisas novas e bonitas para você, que não vai ficar tão triste com as roupas que se perderam. Tenho certeza que você vai se sentir muito melhor."

Ginny tentou sorrir, ela tentou de verdade, mas não funcionou... pelo menos achou que não conseguiu, mas pareceu o suficiente para a mulher, visto que ela se levantou e saiu da sala novamente. Retornou momentos depois, carregando tudo em seus braços. O rapaz se levantou e pegou o travesseiro e o cobertor dela, colocando-os em um dos sofás. Amy a entregou as roupas e apontou para uma das portas.

"Ali fica o banheiro. Tem uma escova de dente nova em uma das gavetas também."

A garota assentiu e entrou no banheiro. Trocou de roupa, tentando o máximo possível se concentrar no que estava fazendo, e não nos pensamentos. Ela conseguiu e quando voltou à sala-principal, ou como quer que a chamassem, foi mais fácil não pensar. Eles estavam sentados no outro sofá, conversando baixinho. Quando ela entrou, ambos olharam e Amy deu uma risadinha.

"Você é mesmo muito menor do que eu." Quando ela viu a expressão de Ginny, logo acrescentou, "mas ficou bonito em você. Parece uma criança."

Ótimo, pensou, exatamente como sempre quis parecer: uma criança.

Harry ficou quieto, mas havia outro sorriso estúpido no rosto dele. Imbecil.

"Vamos deixar você sozinha, então." Amy se levantou. "Boa noite, Jenny."

"Boa noite."

Harry acenou para ela.

"Durma bem."

Ginny não respondeu nada, apenas acenou ligeiramente. Amy sorriu novamente e caminhou para a porta na qual ele tinha entrado para pegar as coisas antes. Devia ser o quarto dela. Ele entrou enquanto a garota deitou-se no sofá, puxando o cobertor até o queixo. A mulher apagou as luzes. Por um momento, a luz do quarto invadiu a sala escura, até que a outra fechou a porta.

A jovem ficou deitada no escuro, a única luz vindo de uma pequena brecha embaixo da porta. Estava confusa e enfurecida. E havia um sentimento dentro dela que não conhecia bem, mas quanto mais se concentrava nele, mais parecia com ciúme. Não sabia mais o que pensar. Parecia que havia tantos pensamentos em sua mente, que não conseguia concentrar-se em nenhum. Virou-se, tentando desesperadamente adormecer, mas o sono não vinha.

O que eles estavam fazendo lá dentro agora? Sozinhos? No quarto dela? Não queria pensar, mas não conseguia evitar. Sentiu que havia lágrimas brotando em seus olhos, mas não queria chorar. Ódio e ciúmes estavam lhe preenchendo, mas sabia que não podia fazer nada contra aquilo. As lágrimas caíram. Tentou impedi-las, mas não conseguia. Ótimo, estava chorando novamente. Por que tinha que se sentir assim com relação a ele? Por que tinha que se importar? Agora que parecia óbvio que ele não se importava com ela da mesma forma. Pensara que talvez os sentimentos dele não fossem tão fortes ou que apenas não queria falar sobre isso – afinal, garotos não gostam de falar sobre sentimentos, pelo menos os irmãos dela não gostavam – mas agora...

Ele estava com Amy. Com uma mulher que parecia ter quase vinte anos, talvez até já tivesse. Desejou poder se levantar, ir até lá, escancarar a porta e gritar para ela que ele tinha apenas dezesseis anos, que também era um menor idiota, que ela devia apenas parar – mas estava ali e dependia dele, e parecia que agora dependia dela também, mas... mas aquilo não fazia seu coração ficar menos despedaçado. Aquilo doía demais. E pensara que tinha superado aquilo.

Ela não soube por quanto tempo ficou deitada ali, chorando em silêncio, tentando escutar alguma coisa para afastar os pensamentos, mas, ao mesmo tempo, não querendo ouvir nada só para se concentrar nos pensamentos. Uma porta abriu e a luz invadiu a escuridão. Ginny manteve os olhos fechados, tentando controlar a respiração. Alguém estava andando silenciosamente pela sala. A porta foi fechada novamente. Os passos se aproximaram e ela simplesmente sabia que era Harry. Ele parou bem ao lado do sofá. Estava tão perto que ela conseguiu escutar sua respiração. A jovem tentou deixar sua respiração mais profunda para parecer que estava dormindo. Nem mesmo sabia se queria que ele soubesse que ainda estava acordada ou não. Ele pareceu esperar por alguma coisa, mas ela não fazia ideia do que era, e não diria nada.

E então ele pareceu mudar de ideia e seus passos soaram novamente, mas dessa vez eles ficavam mais baixos a cada passo que ele dava. A porta abriu e fechou. Ele a deixou sozinha, sozinha com Amy.

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N/A: Não odeiem o Harry… me odeiem. XD