Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Eighteen – First Steps
(Primeiros Passos)
Ginny perdera a conta de quantas lojas elas tinham visitado. Não estava acostumada a fazer esse tipo de coisa. No mundo mágico, se vai a uma ou duas lojas, tira as medidas e então dá uma olhada nas vestes e capas e o que precisa e escolhe alguns. Aqui, se vai de uma loja à outra e dá uma olhada nas roupas, pega algumas e as prova. Elas são do mesmo tamanho, mas algumas cabem e outras não. Aquilo a estava deixando louca. E a quantidade de roupas para escolher! Não pôde evitar de imaginar porque os trouxas tinham que tornar aquilo tão difícil.
Talvez aquela pequena experiência tivesse sido um pouquinho divertida no início, mas a garota estava entediada agora. Tinham comprado para ela tudo que podia imaginar. Camisas, calças, um suéter, um casaco, um cachecol, luvas, meias, roupa íntima, até mesmo uma saia – pela qual tinha protestado, dizendo que nunca iria usá-la, mas Amy insistira. Enquanto Ginny ficava mais cansada a cada loja, a outra parecia ficar ainda mais entusiasmada. Quando a mais velha finalmente declarou que elas tinham tudo, ela ficou extremamente aliviada.
"O que você acha de um café ou uma xícara de chocolate quente e um pedaço de bolo antes de irmos para casa?"
Ginny concordou hesitante e Amy a guiou até um pequeno café, onde se sentaram com as muitas sacolas de compra ao redor. A mulher escolheu o bolo e as bebidas, pagou e levou até a mesa, enquanto a garota ficou de olho nas sacolas e na mesa.
"Então… você gostou do passeio?"
Ginny sorriu.
"Sim, obrigada, Amy. É muito legal de sua parte fazer isso por mim." Ela nem precisou forçar as palavras, era verdade. Era muito legal da parte dela fazer aquilo.
"Por nada, Jenny. Eu também me diverti."
O silêncio se entendeu entre elas, no qual comeram seus bolos. Ginny tentou pensar em alguma coisa para dizer, mas só havia um assunto no qual conseguia pensar.
"Você já fez isso com Alex também?"
"O quê? Compras?" Amy riu.
"Não, quero dizer isso." Ginny apontou para as xícaras em frente a elas.
"Ah, não. Até agora nós apenas nos encontramos à noite."
Ginny assentiu e tomou um gole de seu chocolate. Tinha um gosto maravilho, mas não a fez sentir menos ciúmes. Havia uma parte que queria saber tudo sobre a relação deles e se Amy estava disposta a partilhar... mas havia outra parte que não queria saber nada, pois sabia que podia machucá-la demais.
"Então… vocês se veem com frequência?" perguntou a mais velha.
Ginny sacudiu a cabeça, lembrando-se da história inventada.
"Nós nos víamos quando éramos mais jovens, mas desde que meu pai... morreu, eu não o vejo. Minha avó e minha tia não se davam muito bem."
"Foi estranho vê-lo novamente então, não foi?"
"Sim, foi." Ginny sorriu. "Todo adulto… muito estranho. Na última vez que o vi ele tinha quinze ou dezesseis anos."
Amy sorriu.
"Então vocês praticamente cresceram juntos? "
"Não, na verdade não, mas… sim, nós passamos algum tempo juntos, mas nos últimos anos não fizemos muita coisa juntos. Sabe, garotos adolescentes não gostam de ser vistos com suas primas de dez anos de idade."
Amy riu.
"Eu imagino."
"E quanto a vocês…" Ginny hesitou antes de decidir ir em frente. "Como se conheceram?"
"Foi na Destiny na verdade."
Ginny olhou para ela sem entender.
"É um clube de dança e…" Ela fez uma pausa, obviamente pensando em algo. "Uau! Três meses e já faz um ano. De qualquer forma, eu o vi primeiro. Sabe a maneira como ele apenas fica parado ou caminha por um lugar e as pessoas parecem simplesmente se afastar? E como os olhos da maioria das garotas o seguem?"
Ginny balançou a cabeça. Ela notara que algumas garotas o observavam em Hogwarts, mas nunca percebera que as pessoas se afastavam dele – e se tivessem feito isso, ela provavelmente pensaria que era devido ao comportamento hostil dele para com todos.
"Foi isso que chamou minha atenção, de qualquer forma... e os olhos dele. Deus, não dá para não notá-los quando ele está por perto, dá?"
Os olhos que ela passara meses procurando…
"Acho que a maioria das meninas diria isso."
"Ah, sim, você provavelmente não notou muito porque é parente dele. Mas naquele momento eu simplesmente sabia que devia falar com ele. Eu fui, felizmente ele estava sozinho por um instante, e falei com ele. Deus, eu estava tão nervosa." Amy riu. "Nós conversamos um pouco e dançamos uma música e então eu dei meu número a ele..." A voz da garota ficou mais calma e seus olhos ficaram vidrados. Era evidente que ela estava se lembrando da cena.
"E ele te ligou depois disso e vocês saíram?"
Amy franziu a testa.
"Ele não ligou na verdade. Eu fiquei uma pilha de nervos por semanas, desesperadamente esperando ele me ligar, mas ele não ligou. Foi no dia que pensei que devia esquecê-lo que o encontrei novamente... é claro, logo eu estava ao lado dele, perguntando por que não tinha me ligado." A mulher riu. "Ele me disse mais tarde que gostava disso em mim. Nós dançamos novamente. Aquele garoto ranzinza sabe como fazer aquilo. Você já o viu dançar?"
"Não, nunca vi."
"Você tem que ver, é uma visão e tanto. E ele apenas... Eu... Isso provavelmente vai soar estúpido, mas quando você dança com ele, você se sente tão bem... como uma princesa. Foi o dia que nos beijamos pela primeira vez e ele me levou para casa. Aquilo foi realmente doce da parte dele e foi a única vez que ele esteve em meu apartamento... e ele ainda se lembra onde é..."
Ginny engoliu em seco, mas havia algo como satisfação brotando dentro dela. Ele não a visitara todos os dias. Só estivera no apartamento dela uma vez. Uma vez. Um sorriso se iluminou em seu rosto. Sim, ele a tinha beijado, mas, de alguma forma, não parecia tão sério agora quanto ela pensara no início.
"Nós nos encontramos duas vezes depois antes de ele me convidar para o Little John's." Sob o olhar de interrogação de Ginny, ela rapidamente explicou. "É um clube de luta onde ele luta de tempos em tempos. É claro que eu fui assistir. Ele foi incrível. Fez eu me sentir… segura. É tão impressionante quanto vê-lo dançar. Acho que simplesmente amo o jeito que ele se move."
Dessa vez Ginny teve que se esforçar para sorrir. Não gostava do jeito que Amy falava dele. Era simplesmente estranho escutar outra garota falar sobre ele e era ainda mais esquisito por ela ser mais velha que ele e não saber quem ele realmente era. Pelo menos ela sabia seu nome de verdade, e sua idade verdadeira. Sabia que ele podia fazer magia, que papéis interpretava... A outra achava que ele era Alex, um trouxa que sabia dançar e lutar. Nada mais, nada menos. Não pôde deixar de pensar que tinha certa vantagem sobre ela. Harry não precisava manter segredos com Ginny... mas ele tinha que manter com Amy. Seu sorriso se transformou num sorriso de verdade.
"Mas, de qualquer forma…" A voz da mulher a trouxe de volta à realidade. "Foi isso que aconteceu. Não há mais nada para contar sobre Alex e eu."
"Ah…" Ginny fez uma pausa, pensando com cuidado em suas palavras. "Eu pensei que o relacionamento de vocês fosse... eu não sei... você só... parecia que vocês tinham passado mais tempo juntos, sabe?"
Amy deu risadinhas, como uma criança que acabara de abrir seu presente de Natal.
"Você quer dizer que pensou ser mais sério?"
Ginny hesitou.
"Sim, algo do tipo."
"Isso é ótimo!" Ginny piscou, não sabendo como reagir corretamente àquilo. "Eu não sei realmente onde estamos em nosso relacionamento, e nenhum dos meus amigos o conheceu ainda, então eu nunca tive a quem perguntar como parecia, mas agora..." O sorriso dela se iluminou.
A garota engoliu em seco.
"Então, você gosta muito dele?"
"Eu… eu acho que sim. Sabe... Eu sinto que quanto mais o conheço, mais gosto dele." Ginny forçou um sorriso. "Quer dizer, ele tem apenas vinte anos, mas sabe tanto sobre responsabilidade, por exemplo. Mais do que a maioria dos caras que conheço, mais do que a maioria das pessoas que conheço. Veja a sua situação, por exemplo. Aqui está ele, cuidando de você, mesmo que não precise fazer isso. Sim, você é prima dele, mas você podia estar com a mãe dele agora, sabe? É desse tipo de responsabilidade que estou falando."
Ginny prendeu a respiração. Nem pensar que ela poderia estar com a mãe dele agora... mas não era prima dele. Não era. Com um estalo, percebeu que não fazia ideia do porquê de ele ter feito o que fez. Por que ele a salvara? Por que a levara para Amy? Sabia que ele queria protegê-la e de alguma forma aquilo parecera a coisa mais normal, porque ela normalmente estava ao redor de pessoas que sempre queriam protegê-la e nunca questionou aquilo, porque eram sua família e seus amigos, mas Harry... Harry não era. Não era parte de sua família e não era seu amigo. Por que sentia necessidade de protegê-la? Por que a protegeu?
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Voldemort dispensou o Comensal da Morte e olhou para o filho. Ambos ficaram em silêncio até estarem sozinhos na sala.
"São boas notícias, pai."
O bruxo permitiu a satisfação aparecer em sua face.
"São mesmo."
"O que vai fazer agora?"
"Eu sempre quis que um Comensal da Morte fosse o ministro da Magia."
Harry arqueou uma sobrancelha.
"Algum Comensal específico em mente?"
"Eu pensei em Lucius por um tempo."
"Muito poder não é bom para ele. Primeiramente porque ele começaria a exigir as coisas e subiria mais ainda à cabeça dele..."
Voldemort sorriu de lado.
"Eu cheguei à mesma conclusão, então decidi por alguém pouco conhecido, alguém que não pense muito e seja leal..."
"Um funcionário aleatório do Ministério sob a Maldição Imperio?"
"Você me conhece muito bem, Harry."
O rapaz sorriu de lado.
"Eu tento."
Voldemort se virou, andando em direção à janela e olhou para fora por um bom tempo.
"Fudge está fora do cargo... outro importante passo foi dado. Sabe o que isso significa?"
"O Ministério vai perder ainda mais sua 'independência' em breve."
"Sim, mas e em relação aos meus outros planos…?" Harry ficou em silêncio, então Voldemort virou-se em sua direção, observando-o por um momento e esperando uma resposta, que não veio. "Em relação à tola Ordem da Justiça ou como quer que eles se chamem hoje?"
Compreensão atravessou a face do jovem.
"Você está falando sobre a destruição da Ordem da Fênix?"
"Essa mesmo." Voldemort fez outra pausa. "A hora do golpe final está chegando, filho."
Harry acenou com a cabeça levemente, pensando em alguma coisa.
"Você os quer fora do caminho antes de continuar com os planos no Ministério?"
"Se tudo sair do jeito que eu quero, vai acontecer ao mesmo tempo."
"Qual é o seu plano?"
"Alguns ataques contra membros da Ordem para fazê-los deixá-la e fazer todos abandonarem Dumbledore, deixando-o sozinho. Então, vamos tomar o Ministério antes de pegá-lo."
"E esses ataques...?"
"É aqui que preciso de sua ajuda." Voldemort observou o rapaz ficar um pouco mais reto. Um sorriso orgulhoso se formou no canto de sua boca, mas ele o reprimiu. "Vimos o que aconteceu à garota Weasley e o que a família dela fez. Não é tão complicado alcançar os filhos deles. Um ou dois deles..." O garoto congelou e os olhos do mais velho se estreitaram. "Velhos hábitos não morrem tão fácil, Harry. Nós estamos em guerra, e era necessário você matar a garota Weasley."
"Eu sei."
Voldemort o observou com atenção, mas Harry evitou seus olhos.
"Você não está se sentindo culpado, está?" Ele enfatizou a palavra "culpado" de modo que não havia dúvida sobre como achava aquela ideia absurda.
Harry levantou a cabeça bruscamente e seus olhos se encontraram.
"É claro que não."
Sua voz soou rígida e controlada, como alguém que não estava mentindo. Voldemort tinha lhe ensinado bem. Ele permitiu-se um sorriso rápido.
"Então, não vejo problema."
Harry ficou ainda mais ereto agora, e ele assentiu uma vez antes de abrir a boca novamente:
"De quem estamos falando?"
"Damien Potter é uma boa escolha, não acha?" Seus olhos não deixaram os de Harry, observando atentamente sua reação.
"Pensei termos chegado a um acordo de que você se afastaria dele, se eu me afastasse."
"Chegamos… mas pensei nisso novamente." O rapaz abriu a boca, mas fechou novamente sem nada dizer. "É uma guerra, Harry. Há muitas coisas que eu não teria feito, muitas coisas que eu não faria, mas é necessário se quisermos vencer. Você quer vencer, não é, Harry?"
O jovem assentiu tão logo as palavras saíram da boca dele. Era esse tipo de reação que Voldemort esperava. Com alguns passos, atravessou a sala novamente, ficando bem de frente a ele. O bruxo colocou as mãos em seus ombros, encarando os olhos do filho. Eles estavam tão rígidos quanto sempre ficavam ao aguardar uma missão ser designada.
"Quais são as ordens, pai?"
"Mate Damien Potter."
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As palavras ditas por Voldemort estavam ecoando em sua cabeça repetidas vezes. Nunca seria capaz fazer isso: matar Damien Potter. Matar Damy? Ele não teria feito isso antes de descobrir a verdade, quanto mais agora. Nunca.
Harry esfregou os olhos, cansado, com uma das mãos. A outra estava segurando uma vassoura que trouxera consigo da Mansão Riddle. Não era dele e não era a melhor, mas era uma vassoura e serviria. Tinha que servir. No momento, estava em pé, onde os escudos ao redor da casa dos Potters terminavam. Ao redor da sua casa. Ainda não conseguia acreditar e as memórias jamais esquecidas emergiam, tentando serem lembradas. Mas não lembraria. Não tinha tempo para isso agora. Estava ali por causa de uma missão. Verificou se a caixa ainda estava onde ele colocara antes de chegar ali. Estava.
O jovem rapidamente montou na vassoura e lentamente subiu no ar. Do que se lembrava da casa, sabia que todos os quartos estavam alocados no andar de cima. Achar o quarto de Damien seria o problema. Vagarosamente, e o mais discreto possível, passou pelos dois primeiros quartos. Reconheceu o quarto principal e o de visitas. O terceiro quarto provavelmente era o do menino. Voou em direção à janela aberta, e de fato viu a figura de Damien sentada na cama com as mãos na cabeça.
Harry voou até a janela e em um movimento fluído, segurou-se no parapeito e entrou no quarto do irmão. Ficou parado, observando o menino angustiado esfregar os olhos. 'Merlin, ele nem mesmo sabe que alguém entrou no quarto!'
O rapaz estava considerando atacar o garoto estúpido, já que estava tão alheio ao ponto de não saber o perigo em que estava. Em vez disso, caminhou até o adolescente e ficou em sua frente.
"Você realmente deveria trancar sua janela de agora em diante," disse Harry e o menino levantou a cabeça ao escutar sua voz.
Puro choque era visível no rosto de Damien antes de se transformar em raiva.
"Você!" Harry recuou. Ele não pensou que o irmão ficaria tão irritado ao vê-lo. "O que você está fazendo aqui? Como chegou aqui? E Ginny... como… como você pôde fazer aquilo?"
O jovem congelou. Não pensara naquilo. Para ele, a garota estava viva e bem, definitivamente não estava morta. Tinha se concentrado tanto em sua tarefa e em como assegurar que Damien estivesse protegido dos Comensais da Morte e de Voldemort que nem tinha pensando na reação do menino ao vê-lo.
"Eu…" Mas o outro tinha se colocado em pé e atravessado o quarto, atirando um de seus punhos contra ele. Harry se abaixou por reflexo. "Damien! Pare com isso!"
Lágrimas estavam escorrendo dos olhos de Damy enquanto olhava para o irmão. Só então o rapaz percebeu que seus olhos estavam muito vermelhos, como se estivesse chorando há muito tempo.
"Você se divertiu com ela? Você gostou? Gostou de matá-la? Ela teve que sofrer muito? Gostou de machucar a família dela? Está gostando de me ver assim? Por que… como… como pôde fazer isso? Mamãe está desesperada! Papai está desesperado! Eles lutaram por sua causa! Todos estão… estão extremamente infelizes. Tudo está terrível e é culpa sua! Como pode ficar aí? Como você ainda se atreve a vir aqui? Eu deveria... eu deveria… MÃ…"
O pânico tomou conta de Harry.
"Não!"
Rapidamente conjurou um feitiço silenciador, não apenas no quarto, mas no menino também.
Damien olhou furioso para ele enquanto Harry começou a andar pelo quarto. Como seria capaz de explicar aquilo a ele? Como poderia fazê-lo ver? Se lhe desse o pingente agora, provavelmente não o usaria, iria até seus pais e contaria a todos. Mas o que podia fazer então? O rapaz olhou brevemente para o irmão mais novo. Doía vê-lo daquela forma, com toda aquela dor e desespero nos olhos. Podia contá-lo. Não, não, não podia. Mas arriscar a vida do garoto por não poder contá-lo…? Não valia a pena. Mas e se alguém mais ficasse sabendo...? Ele tinha que se certificar de que o garoto não diria… de que ele não pudesse dizer. Respirou fundo. Um juramento...
"Damy, você vai ter que me ouvir com atenção agora." Ele caminhou na direção do mais novo, colocando as mãos em seus ombros e olhando profundamente em seus olhos. "Ginny não está morta." Damien tentou se afastar, mas Harry o agarrou com mais força. "Eu não estou mentindo, estou falando a verdade. Ginny não está morta, ela está bem. Ela está viva. Ela não morreu no Ministério, era um Comensal da Morte com a aparência dela." O menino parecia confuso, mas não totalmente convencido. "Você, você tem que acreditar em mim."
Eles ficaram se encarando por um longo período, até que o olhar de Damien ficou mais suave, fazendo com que o rapaz retirasse o feitiço silenciador do garoto.
Damien enxugou os olhos novamente, mas mais lágrimas estavam caindo deles. Harry o observou impotente.
"Você tem que acreditar em mim, Damy."
"Mas eu acredito, é só que…" O mais novo parou de falar, encarando o irmão. "Pode me dar um abraço?"
Ele queria um abraço? Confuso, Harry se aproximou dele, abraçando-o com força. Damy o abraçou de volta e se afastou.
O menino enxugou os olhos, sorrindo para o irmão.
"Obrigado, isso ajudou." Damien fez uma pausa. "Como ela pode estar viva?"
"É complicado, Damy, você não ia querer saber. O importante é que ela está bem e que nada aconteceu com ela, não é?"
"Mas, onde ela está?"
"Ela está segura, isso é o que importa."
"Quando ela vai voltar para casa, então?"
Harry evitou o olhar dele por um momento.
"Eu... Ela... Ela não vai voltar para casa nem tão cedo."
"O quê? Mas se ela está viva, por que ela não pode...?"
O jovem bagunçou o cabelo, tentando pensar numa maneira de explicar aquilo. Finalmente, ele deixou escapar:
"Eu sei a verdade."
Os olhos de Damien fixaram-se nos dele.
"Sobre o quê?
"Sobre Wormtail, sobre nossos pais… sobre tudo."
O menino sentou na cama, olhando em choque para o irmão.
"Como soube...?"
"Eu encontrei Wormtail e perguntei a ele, e agora eu sei, mas… Damien, não é tão fácil. Não posso apenas deixá-lo, deixá-los. Eu preciso..." O rapaz fez uma pausa, respirando fundo de novo. "Eu preciso ficar lá por mais um tempo."
"Mas… por quê? Por que você não volta para casa agora? Pode trazer Ginny. Ah, Merlin, Harry! Tudo vai ficar bem, todos vão ficar satisfeitos. Mamãe e papai… eles vão ficar tão felizes! Mal posso esperar para contá-los…"
"Você não pode."
"Quê?"
"Você não pode contá-los. Nem agora, nem nunca. Não antes de eu fazer o que preciso fazer."
"Mas, Harry? O que você precisa fazer ao invés de vir para casa?"
"É importante para mim, Damy. É muito, muito, muito importante."
Damien parecia ver a gravidade da situação, porque ficou em silêncio. Após uma pausa, ele disse:
"Você sabe mesmo, não é?"
Harry assentiu, mas ficou calado.
"Não consigo acreditar. Você soube antes de Ginny...?"
"Sim, eu soube."
"Mas se você tem que fazer essa coisa tão importante... por que Ginny não pode voltar para casa?"
"Meu pai… quer dizer Voldemort… ele, ele saberia e isso não pode acontecer."
Damy respirou fundo e ficou em silêncio, olhando para o vazio.
"Eu também quero te dar uma coisa," disse Harry, lembrando-se da razão pela qual tinha vindo. Ele sentiu-se um pouco desconfortável quando tirou a caixa do bolso e entregou a Damien, que o olhava com curiosidade.
"O que é isso?"
O rapaz olhou para o irmão mais novo com uma expressão divertida.
"Você tem que perguntar coisas sem necessidade? Se eu fosse lhe dizer o que era, não teria colocado dentro da caixa."
Damien sorriu com a bronca de Harry. Rapidamente a abriu e encarou o item que havia dentro. Pegou a corrente prata. Era de tirar o fôlego. Havia um pingente oval com uma pedra negra no centro, rodeada por uma série de pedrinhas brancas. O menino sentiu uma onda de poder assim que passou os dedos por cima da pedra negra.
"Harry! O que é isso?" perguntou ele.
"Se chama Lahyoo Jisteen. É uma pedra muito rara e a pessoa que a possui e fica próxima a ela é beneficiada de todas as maneiras possíveis." O mais velho explicou, gostando da expressão surpresa do irmão.
"O que você quer dizer? O que isso faz?" perguntou Damien ao passar os dedos sobre a pedra novamente, hipnotizado por sua beleza.
"Protege você de tudo que você precisa se proteger."
"Mas por que você está me dando isso, se alguém precisa disso mais do que nunca, é você... ou Ginny."
Harry riu e pegou o pingente de Damien.
"Apenas considere isso um presente de Natal atrasado," disse enquanto colocava a corrente no pescoço do irmão.
O menino viu a pedra negra mudar para uma cor vermelha sangue, antes de voltar para o negro. Olhou para o pingente de modo carinhoso, em seguida, um pensamento lhe ocorreu e olhou para Harry um pouco envergonhado.
"Eu não comprei nada para você de Natal," disse baixinho. "Eu ia comprar! Estava planejando comprar um kit polidor de vassouras. Eu queria comprar quando fossemos a Hogsmeade, mas quando finalmente fomos para lá, eu não estava falando com você, então acabei esquecendo. Não tive oportunidade de comprar nada para você depois disso, sabe, com sua partida e tudo mais." Damien terminou, olhando timidamente para o rapaz.
"Eu não preciso de um kit polidor de vassouras, você não precisa me comprar nada. Só há uma coisa que você pode fazer por mim."
"O quê?
Harry gesticulou para o pingente ao redor do pescoço de Damien.
"Me prometa que você nunca vai tirá-lo e prometa que não vai contar a ninguém sobre mim e sobre Ginny."
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Houve uma batida na porta antes da pessoa entrar. O Comensal da Morte caiu de joelhos.
"O Príncipe das Trevas retornou, milorde."
"Diga a ele para vir me ver."
O Comensal levantou-se e saiu do cômodo, deixando Voldemort sozinho novamente. Levou algum tempo, mas ele sabia que Harry conseguiria. O jovem tinha machucado outra criança, outro "ser inocente," mais uma vez tinha violado o juramento. O bruxo sabia que seria capaz de convencê-lo. Era sempre uma questão de tempo e paciência. Damien Potter estava morto. Tirara outro filho de James e Lily Potter. Não que o rapaz já tivesse confirmado, mas Harry não falhava.
A porta se abriu novamente, e dessa vez sem uma batida. É claro que era seu filho, ninguém além dele ousaria fazer aquilo. Pela forma que invadiu o cômodo, Voldemort sabia que alguma coisa tinha dado errado.
"O que deu errado?"
Harry parou em frente à mesa dele.
"Ele não está morto."
Os olhos de Voldemort se estreitaram e ele sentiu a raiva pulsando em suas veias, mas se obrigou a manter o controle.
"O que aconteceu?"
"Eles alteraram os escudos e eu não consegui passar."
Dumbledore. Voldemort sabia disso. Começou a andar pelo cômodo. Dumbledore mais uma vez conseguira fazer com que um de seus planos não fosse nada mais que... um plano. Mas o rapaz teria notado a mudança nos escudos assim que tentou atravessá-los.
"Então, por que só está voltando agora?"
"Achei que a mudança não podia ser tão grande, já que deve ter acontecido recentemente, então eu tentei rompê-lo..."
"O que eu disse sobre isso?" interrompeu Voldemort, chegando a um impasse.
Harry rangeu os dentes.
"Para não fazer isso, não com pelo menos um backup por lá."
"Então, por que você…?"
"É uma missão importante, valia a pena o risco."
Voldemort começou a andar novamente.
"Nada vale e nunca vai valer a pena, Harry. Há uma razão para eu não querer que faça isso. Prometa que não fará novamente."
"Eu prometo."
Voldemort assentiu, a raiva desaparecendo dentro dele. Por entre dentes ele deliberou:
"Nós precisamos de um novo plano."
"Pai, você sabe que não vamos alcançá-lo nem tão cedo."
"Maldição!"
O bruxo pegou um de seus óculos sobre a mesa e o atirou contra a parede. Estava com tanta raiva que foi difícil tentar se acalmar por causa de Harry. Não era de admirar ele ter esquecido de verificar a memória do filho.
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Ginny estava desesperadamente esperando Harry aparecer. Fazia horas que elas tinham voltado das compras e a cada minuto que se passava, sentia-se pior. No início, sentiu-se apenas idiota por não ter pensado em perguntar a ele sobre suas razões, mas de alguma forma toda a situação tinha se agravado ainda mais.
Ficar no apartamento de Amy e Sarah – a colega de quarto dela – enquanto as duas conversavam sobre coisas que ela nunca ouvira falar, a tinha deixado ainda mais deprimida. Toda sua situação tinha sido exposta para ela: o quão sozinha estava e o quanto se sentia isolada; que nunca mais ia ver a melhor amiga novamente, nunca mais conversaria com ela como Amy conversava com Sarah; como Harry simplesmente a deixou com Amy e como ele poderia ter decidido estar cansado daquela "responsabilidade," deixando-a totalmente sozinha também; sua família. A jovem começou a chorar em frente às outras duas garotas. Elas tentaram confortá-la, mas nada tinha ajudado, tinha apenas piorado.
Por fim, elas a tinham trazido ao quarto de Amy para que pudesse se acalmar um pouco – eram desconhecidas, e não sabiam como agir com ela. E ali estava ela agora, sentada ao lado da janela e olhando para o céu, desejando sua vassoura para poder voar para longe, onde tudo era como costumava ser. Mas jamais poderia voar, porque nunca mais teria uma vassoura novamente.
Outra lágrima escapou de seus olhos, ela a secou, mas outra caiu. Talvez fosse melhor se Harry não viesse. Dessa forma, não a veria daquele jeito. Ele provavelmente acharia que ela estava sendo boba e feminina ou o que fosse, se viesse, e Ginny não queria que ele pensasse assim sobre ela.
A porta abriu. Rapidamente, ela tentou secar as lágrimas novamente, mas não conseguiu.
"Jenny?"
Seu coração apertou, era Harry. É claro que ele tinha que chegar quando ela decidiu que era melhor que não viesse.
Ele fechou a porta. De início, ela pensou que ele tivesse saído novamente, mas então escutou os passos dele se aproximando. Ela forçou os olhos a se focarem na janela.
"Você está bem?" Será que ela realmente ouviu um pouco de preocupação na voz dele?
"Não." Sua voz soou tão fraca, que ela quis chorar mais ainda.
"Amy disse que você esteve chorando."
Ginny respirou fundo. Ele se aproximou e ficou ao lado dela. Por um segundo, ela o observou pelo canto do olho antes de fechá-los, torcendo para que ele não visse suas lágrimas. Afinal de contas, havia uma diferença entre saber que ela esteve chorando e vê-la chorando.
A jovem abriu a boca, tentando contar-lhe o que pensava, mas não conseguiu dizer uma palavra. Em vez disso, um soluço lhe escapou. Sentiu o calor subir por seu rosto, mas nem isso conseguiu impedir que o fluxo de lágrimas e o próximo soluço lhe escapassem.
"Eu… hum…"
Harry arrastou os pés. Ginny pressionou ainda mais os olhos fechados, torcendo para que ele apenas fosse embora e nunca mais falasse sobre aquilo com ela ou com qualquer outra pessoa.
Ela quase se encolheu quando sentiu uma das mãos dele em suas costas. Lentamente, ele começou a esfregá-la em círculos. Outro soluço escapou-lhe e ele parou, afastando a mão. Ela queria dizer que ele não deveria parar, mas antes que sequer tentasse falar, um dos braços do garoto estava ao redor dela e ele a puxou para perto. Ela abriu os olhos lentamente, piscando contra a luz brilhante. Harry colocou o outro braço ao redor dela e a puxou mais para perto ainda. Ginny virou a cabeça para o lado e enterrou o rosto na camisa dele. Quando ela moveu as pernas para se levantar, ele afrouxou o aperto, mas ela apenas colocou os braços ao redor dele também, abraçando-o. Ele intensificou o aperto novamente. A garota inalou o perfume dele intensamente, tentando alcançar conforto com isso. Não soube por quanto tempo eles ficaram ali com os braços em volta um do outro, mas foi até ele abaixar a cabeça e murmurar em seu cabelo:
"Eu... Eu não estou acostumado a consolar ninguém."
"Você está indo bem," sussurrou ela de volta.
Ele se afastou e, relutante, ela o soltou também. Ginny encarou os pés, sem saber se conseguiria olhar para ele sem começar a chorar de novo.
"O que aconteceu?"
"Apenas..." Ela respirou fundo. "Tudo."
"Aconteceu tudo?" perguntou ele confuso.
Ginny suspirou.
"Eu pensei em tudo que está acontecendo e... eu... ah... bem..."
Harry fez uma pausa, evidentemente pensando em alguma coisa antes de falar.
"Você quer falar sobre isso?" Ele enterrou as mãos nos bolsos.
"Eu…"
"Nós não precisamos fazer isso, se você não quiser."
"Não, seria bom."
"Tudo bem…" Harry respirou fundo. Ginny não conseguiu não o observar bagunçar o cabelo.
A jovem olhou para ele incrédula.
"Você está nervoso?"
"O quê? Não!"
Ginny quase sorriu: ele estava, sim.
Tudo bem... talvez devêssemos sentar.
Harry assentiu e inclinou-se no parapeito da janela, enquanto ela pegou uma cadeira. O silêncio se entendeu entre eles. Ela cruzou as mãos, pensando numa maneira de começar e suspirou.
"Então…" disse Harry. "Tudo fez você ficar..." Ele fez uma pausa, procurando a palavra. "Triste?"
"Não, não triste… tudo bem, talvez sim, mas… é só que, sabe, eu nunca vou poder voltar para casa. Não vou ver minha família novamente. Pelo amor de Merlin, eles pensam que eu estou morta. E se, por algum grande milagre, eu puder vê-los novamente, eles nunca vão me perdoar por isso. É..."
"Você está errada."
"Como?"
"Eles nunca vão me perdoar por isso." Ela o encarou. "Ginny, veja dessa forma: isso nunca pode ser revelado, e acredite em mim, eu farei de tudo para que não seja. Eles vão pensar que você não teve nada a ver com isso e isso é totalmente verdade. Você não tem nada a ver com isso. Não é como se eu tivesse de pedido para fazer isso. Eles nunca vão me perdoar porque fui eu que te matei, fingi sua morte. Mas não importa, porque eles não vão me perdoar de qualquer maneira."
"Mas por que isso nunca pode ser revelado?"
"Você está brincando?" Ele olhou incrédulo para ela. "Nós estamos fazendo isso para te proteger! Se for revelado, meu pa... Voldemort vai te perseguir. Ele vai me perseguir."
"Eu…"
A garota se calou. Não sabia o que dizer. Ele estava certo, é claro, mas aquilo não tornava as coisas menos dolorosas.
"Ginny, não pode ser revelado."
"Eu sei. É apenas tão difícil. Quero dizer, eu nunca mais vou poder ir a um lugar bruxo novamente. Eu nunca mais vou poder voltar para casa."
"Eu..."
"Não, não diga nada. Você não sabe como me sinto e..."
Harry respirou fundo e a interrompeu.
"Mas eu sei..."
"Perdão?"
"Eu sei como se sente, Ginny… talvez não sobre tudo, mas sobre isso."
"Como…?"
"Você se lembra que eu te disse que eles me enganaram?"
Ginny assentiu.
"É claro."
"Parece que eles não são quem eu pensei que fossem e... a Mansão Riddle... não é mais minha casa."
"Ah…"
"Acredito que minha verdadeira casa é em Godric's Hollow, com meus verdadeiros pais, mas eu também não posso ir para lá agora, posso?"
Seus olhos se encontraram. Harry sorriu tristemente para ela, e ela tentou sorrir de volta.
"Mas… mas você está pensando em se vingar, certo?" O rapaz assentiu. "Então, talvez depois disso..."
"Não." O garoto balançou a cabeça com força.
"Mas quando ele morrer, você pode…"
Harry congelou e ela parou de falar. Ele fechou os olhos e respirou fundo.
"Não estou planejando matá-lo, Ginny."
"Ah…" A garota se sentiu idiota. Olhou para suas mãos, evitando o olhar dele. "Desculpa, eu pensei... desculpa." Ela fez uma pausa, mas antes que pudesse evitar as palavras lhe escaparem. "Por que não?"
A voz de Harry soou como um simples sussurro.
"Eu nunca poderia fazer isso."
Ginny engoliu pesadamente.
"Desculpa por trazer isso à tona."
"Não é culpa sua, você não sabia. É coerente você pensar isso, mas não é o que vou fazer."
"E o que você quer fazer então?" adicionou ela rapidamente. "Você não tem que me dizer, é claro."
Harry sorriu amargamente.
"Eu vou tirar a coisa que ele mais se importa."
"O que é?"
"Sua imortalidade."
Ginny não pôde conter o suspiro que lhe escapou.
"É... é verdade? Havia rumores, mas eu nunca pensei…"
Harry esfregou a ponte do nariz.
"Sim, é verdade."
"Como ele…?"
"É complicado explicar e eu não quero falar sobre isso agora."
"Ah, tudo bem."
A jovem olhou em volta desesperadamente, tentando pensar em algo para dizer para afastar o silêncio que estava surgindo entre eles. Seus olhos pousaram na porta.
"Você não está com medo que elas nos escutem?" Ela gesticulou em direção à porta, onde sabia que Amy e Sarah estavam sentadas.
"Feitiço silenciador."
"Ah…" Ginny sentiu-se estúpida. É claro que ele teria pensando naquilo.
"É por isso... 'tudo' que você está triste ou há algo mais do que já disse?" Ela sabia que ele estava tentando mudar de assunto, mas respondeu mesmo assim.
"Eu… eu também nunca mais vou poder usar magia, tudo bem, talvez eu possa algum dia, mas eu tenho apenas quinze anos agora e o rastreador provavelmente será retirado quando eu fizer dezessete e... e isso vai demorar muito. E talvez não seja retirado, porque eles pensam que estou morta e... eu nunca fiquei sem magia por mais de um dia ou dois. É como se eu tivesse perdendo outra parte de mim mesma!"
Harry fez uma pausa.
"Eu posso fazer algo com relação a isso."
"Como?"
"Existem varinhas não registradas por aí, sabe?"
"Mas o rastreador está em mim e não..."
Harry franziu o cenho.
"Não está."
"O rastreador não está em mim?"
"Não, está nas varinhas."
"Mas..."
"Eles dizem isso às pessoas para fazê-las acreditar que não é possível escapar do rastreador, mas é."
"Então… teoricamente eu seria capaz de fazer magia sem ser detectada?"
"Olhe, Ginny, eu consigo apenas imaginar como é ficar sem magia e... eu vou conseguir uma varinha para você."
"Mas isso é ilegal!"
Harry a encarou por um segundo antes de jogar a cabeça para trás e rir.
"Quê? É sim!" Quando Harry continuou rindo, ela adicionou: "o que é tão engraçado nisso?"
"Ah, Merlin. O mundo inteiro pensa que eu te matei bem no Ministério da Magia, em frente a um grupo de aurores e sua família, o que provavelmente me levaria ao beijo no segundo em que me capturassem, e você pensando na ilegalidade de comprar uma varinha não registrada!"
"Você fez o quê?" perguntou Ginny estridentemente.
Harry parou de rir imediatamente.
"Ah, droga."
"Você me matou no Ministério da Magia? Em frente aos aurores e minha família?"
Harry gemeu, deixando a cabeça cair contra a janela.
"Não vai ajudar se eu disser que não estava toda a sua família, vai?"
Ginny engoliu em seco.
"Quem estava lá?"
"Seus pais e um de seus irmãos."
Ginny o encarou. Ele a matara na frente de seus pais.
"Minha mãe e meu pai... eles... eles me viram morrer?"
"Eu não planejei que eles estivessem lá! Eu ainda não faço ideia de como e porque estavam lá!"
"Diga, meus pais me viram morrer?"
Houve um momento de silêncio tenso.
"Sim, eles viram."
Ginny abriu a boca e fechou novamente. Eles estiveram lá... o quão absolutamente miseráveis deveriam estar se sentindo agora...
"Você!" Ela ficou de pé segundos depois. Harry reagiu instantaneamente, levantando-se também. "Como foi capaz de fazer isso?" Ela estava de frente a ele e seus punhos estavam acertando o peito dele repetidas vezes. "Eles vão sonhar com isso todas as noites! Eles vão pensar sobre isso a cada segundo! Eles nunca vão se perdoar!"
"Ginny! Se acalme!" Mas ela não se acalmou, ela o acertou novamente, tentando afastá-lo, tentando machucá-lo. "Ginny, eu não tive escolha!"
"Você não teve escolha?" repetiu ela e o acertou novamente.
Ele segurou as mãos dela e as puxou contra si, de modo que elas estavam descansando sobre seu peito, encarando os olhos dela. Ginny tentou se libertar, mas ele não iria soltá-la.
"Você vai me escutar agora."
A garota lutou, mas sem sucesso. Ela rosnou e abriu a boca para insultá-lo, mas nenhuma palavra saiu. Estreitou os olhos, ele a tinha silenciado.
"Eu tive que te matar num lugar onde os aurores pudessem te encontrar o mais rápido possível, foi até melhor que eles estivessem lá quando eu te matei, do contrário não haveria chance de identificarem como Ginny Weasley. Eles tiveram que usar seu sangue, que estava em todo o corpo dele, mas não em suas veias, e se o seu sangue tivesse secado, eles teriam pegado uma amostra de sangue das veias dele e o identificado por quem realmente era. O lugar mais seguro era o Ministério da Magia e ajudou por se encaixar nos planos de Voldemort, então eu tive a ajuda dele. Fui até lá com você e segundos depois o alarme soou e havia aurores e o ministro da Magia, e eles tentaram te ajudar, mas não deixei. Não sei quando seu irmão chegou, mas de repente ele estava lá e seus pais chegaram e os aurores me atacaram e eu não tive outra escolha. Se eu não tivesse te matado logo, teria que lutar contra eles, e talvez tivessem conseguido chegar até você e eles perceberiam mais cedo ou mais tarde que não era você de verdade, e meu plano não teria funcionado. Ou talvez eu tivesse sido capturado novamente, sem ninguém saber onde você estava e eu não poderia ter dito a eles, porque os escudos não permitem isso. Eu não queria que seus pais assistissem sua morte, mas eu não tive escolha, Ginny."
A garota se acalmou nos braços dele. Abriu a boca novamente, mas lembrando-se de que não conseguiria falar, fechou-a novamente. Ele murmurou o contrafeitiço calmamente e lançou-lhe um olhar cansado.
"Qual deles?"
"Hã?"
"Qual dos meus irmãos?"
"Eu não sei, eu não o conheci antes."
"Deve ter sido Percy..." Ela engoliu em seco. "Ninguém além de nós jamais vai saber da verdade, não é?" A visão dela saiu de foco, havia lágrimas em seus olhos de novo.
"Sobre isso…" Os olhos dela encararam os dele. Ele olhou em volta, evitando os olhos dela. De repente, ele soltou as mãos dela e se afastou. "Damien sabe a verdade."
Ginny o encarou.
"Quê?"
Harry engoliu em seco.
"Damy sabe a verdade."
"Como… por que… quando…?"
"Eu não planejei isso e não queria contá-lo, mas aconteceu."
"Quando você o viu?"
"Hoje. Há pouco tempo. Eu tinha… eu tinha uma missão. Eu..." Ele parou e esfregou os olhos. "Recebi ordens para matá-lo."
Os olhos de Ginny se arregalaram.
"Mas você não matou, certo?"
"Não, não se preocupe, eu não o matei. Voldemort planeja evitar que a Ordem lute e ele viu que o que aconteceu com você fez sua família desistir, e ele..."
"O que quer dizer com isso?"
"Sua família deixou a Ordem, Ginny."
"Eles… eles fizeram o quê? Mas... mas por quê? Eles não iam querer lutar mais ainda agora?"
"Eu não sei. Nós só sabemos que eles saíram, provavelmente porque Dumbledore não foi capaz de salvar você."
Ginny engoliu em seco. Ela não conseguia sequer imaginar como e porque sua família tinha feito aquilo. Só por causa dela...?
"Mas se Damien sabe... por que minha família não pode saber também?"
"Ginny, não pode haver muitas pessoas sabendo disso. Se sua família soubesse... talvez não parecesse real e Voldemort poderia descobrir, e eu não posso correr esse risco."
"Mas…"
"Ele pensa que matando os filhos dos membros, vai destruir toda a Ordem. Quando ele descobrir que menti para ele, não vou mais poder estar lá para impedi-lo de fazer isso."
"Ele… eles… mas… mas são crianças!"
"Eu sei, Ginny."
"E Damien, ele…?"
"Sim, ele era o próximo da lista."
"Mas, mas…"
"Nada vai acontecer a ele, eu me encarreguei disso. Ele está seguro e Voldemort acha que eu não pude atravessar os escudos."
"Mas e se eles matarem outra criança? E se..."
"Ginny, é por isso que sua família não pode saber. Não podemos arriscar que Voldemort ou um Comensal da Morte descubra sobre mim."
"Mas nós não podemos ter certeza de que você estando lá vai impedi-lo de matá-los."
Harry riu secamente.
"Você me subestima."
"Mas há um risco, mesmo assim."
"Isso é a guerra para você, Ginny."
A jovem fechou os olhos.
"Não há outra maneira, não é?"
"Eu queria que tivesse, mas não há."
Por um momento, ela achou que tinha que pensar sobre isso, mas não era preciso. Não mesmo. Sua opinião não mudaria.
"Eu... se essa é a única maneira, eu vou aceitar. Vou ficar longe deles pelo tempo que for necessário e... e se for para sempre... então é isso. Se isso vai mantê-los mais protegidos, se isso aumentar as chances de sobrevivência dos demais então eu... eu acho que se minha família soubesse, eles entenderiam."
"É a coisa certa a fazer, Ginny."
"Eu sei, mas não torna as coisas menos difíceis."
A garota fez uma pausa, dando-se conta do significado de sua declaração. Era isso. Não perderia mais uma noite acordada, pensando sobre como poderia ser. Era assim que era. Tinha que viver com aquilo agora. Mas ainda havia algo que não dissera, algo que não perguntara e provavelmente era a única oportunidade de fazê-lo, agora que tinham conversado tanto.
"Harry?" Ele levantou os olhos e seus olhares se cruzaram. Por um momento, ela apenas olhou para ele. "Posso te perguntar uma coisa?"
Os lábios dele se curvaram em um pequeno sorriso.
"Você já perguntou."
"É importante e, e… pode prometer que vai responder?"
A expressão dele ficou séria novamente.
"Não, eu não posso te prometer isso."
Ginny respirou fundo e olhou para baixo. Precisava muito fazer aquela pergunta ou iria persegui-la pelo resto da vida.
"Por que você... por que você... por que você me salvou?"
Ele ficou em silêncio. Ginny levantou o olhar, e seus olhos se encontraram novamente. Ele desviou primeiro e se virou, caminhando até a porta. Com a mão ainda na maçaneta, ele parou. Ela tomou aquilo como sua última chance.
"Por favor." A voz dela soou como um sussurro, mas parecia que ele a ouvira.
"Eu jurei que nunca faria mal a um inocente."
