Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Nineteen – Destiny
(Destino)
Remus aterrissou com Damien bem no limiar dos escudos de Godric's Hollow. Rapidamente, ele puxou o garoto para dentro de casa.
"JAMES! LILY!" gritou o homem assim que passaram pela porta. Ouviu duas pessoas descerem as escadas enquanto conduzia Damy até a cozinha, onde o ajudou a se sentar. Segundos depois, Lily e James chegaram.
"O que aconteceu?" perguntou o pai exasperado, enquanto a ruiva caminhava até o filho.
Remus observou a mãe e o filho por um instante, antes de se virar para o amigo.
"Houve outro ataque ao Beco Diagonal."
Os olhos de James se arregalaram. Ele atravessou a sala e ajoelhou-se ao lado de Damien.
"Você está bem, Damy?"
Damien assentiu fracamente, olhando em volta.
"Pode me dar um copo com água?"
"É claro, querido."
Enquanto Lily tirava um copo do armário, James abraçou o filho com força e em seguida se virou para Remus.
"Harry estava…?"
"Não." Remus balançou a cabeça. Lily entregou o copo para Damien. "Não, Harry não estava lá. Você-Sabe-Quem também não estava. Apenas alguns Comensais da Morte causando estragos."
James soltou a respiração.
"Havia aurores suficientes lá? Eu poderia…"
"Eles pareciam ter tudo sob controle."
James assentiu.
"O que aconteceu exatamente?"
Remus lançou um olhar para o menino.
"Você devia chamar Albus."
Damien abriu a boca e Remus achou que ele iria reclamar, mas antes que algum deles dissesse alguma coisa, o jovem fechou a boca novamente.
Lily franziu o cenho.
"Você acha que é necessário, Remus?"
"Eu não sei, mas pode ser melhor."
"Vou chamá-lo pela lareira," disse James, desaparecendo na sala de estar.
Só levou alguns segundos para o auror retornar com Dumbledore em seu encalço. O bruxo parecia preocupado enquanto olhava de um para o outro.
"Estão todos bem?"
Eles assentiram e Remus confirmou.
"Damien e eu estávamos no Beco Diagonal quando o ataque aconteceu. Você já ouviu falar sobre o ataque, eu acredito?"
Dumbledore assentiu.
"Sim, por favor, continue."
"Tentei nos tirar de lá o mais rápido possível, mas dois Comensais da Morte nos seguiram. Fomos atacados e um deles..." Remus respirou fundo, o choque ainda presente em seu rosto, "um deles lançou a Maldição Cruciatus em Damy." James suspirou e ele e Lily estavam ao lado do menino novamente. A ruiva tomou o rosto do garoto nas mãos, olhando-o atentamente. "Ele não foi atingido." Ela deu um abraço apertado em seu filho mesmo assim.
Um sorriso orgulhoso surgiu no rosto de James.
"Você desviou? Isso é brilh..."
"Ele não desviou."
James virou-se em direção a Remus mais uma vez.
"O desgraçado errou o alvo, então?"
Lily lançou um olhar para o marido, mas não o repreendeu.
"Ele acertou."
"Então, o que aconteceu? Por que Albus está aqui? Sem ofensas, é claro."
Dumbledore assentiu, mas não disse nada.
Remus esfregou os olhos, cansado.
"Ele foi atingido, mas não de verdade." Os outros franziram a testa enquanto os olhos de Damien percorriam todo o cômodo. "De alguma forma ele se protegeu." Todos os olhos estavam fixos no garoto imediatamente.
"Eu… ah"
"Talvez pudéssemos assistir à memória dele do evento se ele não sabe o que aconteceu. Deve estar muito abalado pelo que aconteceu."
"Não! Eu… quero dizer, eu só... eu só quero descansar um pouco. Talvez o que aconteceu fique claro após eu conseguir me acalmar."
James e Lily olharam para o filho. Ambos podiam dizer que algo estava errado. Mas Damien se levantou antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa, e correu para fora da cozinha, provavelmente em direção ao quarto.
Eles ficaram um tempo na cozinha, olhando um para o outro.
"Por que não olham a minha memória do ataque, talvez haja alguma coisa que eu tenha deixado passar no calor do momento," sugeriu Remus.
Eles concordaram que aquela provavelmente era a melhor ideia. Dumbledore foi buscar a penseira, enquanto os outros três caminharam até a sala de estar, onde esperaram pelo retorno do diretor. Ele chegou momentos depois, colocando a penseira encima da mesa de centro.
Remus sacou a varinha e se concentrou na memória antes de retirá-la. Ele a derramou na penseira, e se inclinaram juntos, entrando nela.
As cores giraram em torno deles e levou um momento até que tudo se encaixasse no lugar. Remus apontou onde ele e Damy estavam deitados no chão. O menino olhou pela janela, eles seguiram seu olhar, vendo os Comensais da Morte do lado de fora, que tinham começado a atacar as pessoas. O lobisomem puxou o braço do garoto, tentando fazê-lo se mexer.
"Damien! Rápido, venha comigo."
Damien foi levantado por Remus e ambos correram para a porta dos fundos. Assim que saíram do lugar, houve uma grande explosão. O bar onde estavam sentados há alguns segundos atrás, irrompeu em chamas. Os dois foram jogados no chão pela força da explosão. O menino foi rapidamente agarrado pelo mais velho, e levantado novamente.
"Nós temos que chegar até o ponto de aparatação! Vamos, por aqui!" gritou Remus em meio ao caos.
Damien assentiu e correu junto com ele, mas percorreram apenas alguns metros antes que dois Comensais da Morte bloqueassem seu caminho.
"Ora, ora, veja se não é o lobisomem e seu filhotinho!" zombou o homem mascarado.
Damien estava com a varinha em mãos, mas parecia confuso e perdido. James se aproximou do filho, mas não havia nada que pudesse fazer. Tudo aquilo já tinha acontecido. O Remus da memória estava apontando a varinha para os dois Comensais.
"Saiam do caminho," vociferou e instantaneamente levantou um escudo para proteger ele e Damien, quando duas maldições foram lançadas na direção deles.
Remus bloqueou outra maldição e lançou um feitiço para desarmar em um dos Comensais, apenas para receber um de revide.
Damien tentou lançar um feitiço para desarmar também, mas não causou efeito algum. O menino xingou baixinho enquanto se esquivava de outra maldição.
De repente, uma das maldições atravessou o escudo de Remus e acertou o mais velho bem no peito. Damien, Lily e James gritaram quando o homem foi jogado violentamente e lançado para longe. Ele bateu contra uma parede e caiu no chão. O menino manteve a varinha em punho, obviamente tentando pensar em alguma coisa.
Os dois Comensais da Morte riram e lançaram a maldição Cruciatus contra o garoto. A luz vermelha veio zunindo em sua direção e antes de acertá-lo bateu contra uma espécie de barreira e desapareceu. Os Comensais pararam chocados. O jovem piscou. Por um segundo, ninguém fez nada. Um dos Comensais foi o primeiro a sair do estupor. Levantou a varinha e o outro começou a andar em direção a Damy.
Assim que o Comensal da Morte alcançou o garoto e estendeu o braço para agarrá-lo, uma força invisível colidiu com o homem e o jogou longe. O outro Comensal já tinha lançado outra maldição. A maldição e o Comensal arremessado para longe colidiram e ele caiu inerte no chão.
Damien parecia completamente desnorteado novamente. Remus viu como seu eu da memória se levantou, apontando a varinha para o outro Comensal, que foi acorrentado onde estava. Então, caminhou até o menino e tocou em seu ombro. Damy se virou, o encarando. Sua expressão atordoada foi acompanhada por James e Lily, enquanto Dumbledore parecia pensativo.
"Como... como você fez aquilo?" perguntou Remus, o sangue escorrendo por seu rosto. Com uma mão, ele tentou limpar.
"Eu... eu realmente não sei."
Remus o olhou desconfiado, mas não disse nada sobre isso.
"Venha, nós precisamos sair daqui."
A memória ficou turva e eles estavam de volta à sala de estar dos Potter.
Dumbledore se virou imediatamente para Lily e James.
"Podem trazer Damien até aqui de novo, por favor?"
Os pais perplexos foram buscar o filho, enquanto Remus perguntava a Dumbledore o que estava acontecendo. O diretor se manteve em silêncio e tirou a varinha do bolso.
Assim que Damien entrara na sala, Dumbledore lançou uma maldição contra ele. Ninguém na sala teve chance de proteger o menino, que gritou de surpresa e todos viram como a maldição lançada pelo diretor desapareceu ao se aproximar do garoto. Todos olharam espantados para o bruxo.
"Que diabos, Albus! O que você pensa que está fazendo?" trovejou James.
"Comprovando uma teoria," respondeu Dumbledore olhando para o menino.
Damien empalideceu, olhando para o diretor.
"Acho que você tem que explicar no que estava pensando ao atacar Damien!" disse a ruiva rudemente.
"Minha cara Lily, eu acho que o jovem Senhor Damien Potter aqui é que tem de explicar."
O garoto aceitou a derrota, por quanto tempo mais conseguiria esconder a verdade? Seria descoberto mesmo, podia muito bem ser agora. O menino se sentou e tentou não olhar para os pais.
"Tudo bem, o que está acontecendo?" perguntou James a Dumbledore. "Você não pode simplesmente sair por aí atacando meu filho, Albus!"
O diretor sorriu para ele e olhou para Damien.
"Você gostaria de explicar, ou eu devo arriscar um palpite sobre o que está acontecendo?"
O menino olhou para o bruxo e balançou a cabeça.
"Eu... hum... eu preciso contar uma coisa a vocês," começou Damien.
Ele estava se dirigindo a todos, afinal, seus tios também tinham direito de saber. Os adultos se sentaram e o olharam com expressões confusas.
"Eu deveria ter contado a vocês ontem à noite, mas hum... ontem à noite, hum... H-Harry veio me ver." Damien tentou manter os olhos em seu colo, para que não pudesse ver o choque e a surpresa nos rostos deles. O menino continuou a contar o que acontecera na noite passada.
"Ele entrou pela minha janela, eu fiquei muito surpreso ao vê-lo e tudo mais. Ele... ele disse que veio ver se eu estava bem."
O jovem segurou as emoções que vieram com aquelas palavras. Felizmente, todos, inclusive seus pais, ficaram em silêncio enquanto ele falava.
"Ele me deu uma coisa." Damien puxou, com a mão trêmula, a corrente de prata que estava de baixo de sua roupa.
Todos olharam para o pingente.
"Harry me disse que isso é uma... uma pedra Layhoo Jisteen e que é algo que traz uma espécie de sorte. Eu contei a ele sobre o aviso de recompensa e sugeri que ele ficasse com ela, já que precisa de toda a sorte do mundo para se proteger, mas ele apenas riu e disse que o pingente era meu presente de Natal." Damien parou ao ver a expressão chocada de todos.
Dumbledore foi o primeiro a falar.
"O que mais ele disse sobre o pingente?"
"Ele disse para eu nunca tirá-lo e que isso iria me proteger de tudo que eu preciso me proteger."
Todos entenderam. Então foi aquilo que tinha protegido Damien dos Comensais da Morte e era isso que o Professor Dumbledore estava tentando provar. James estava tentando lutar contra a raiva que estava sentindo do menino. Harry havia mesmo vindo para casa, estivera dentro de Godric's Hollow e o garoto não os informou. Ele deixou o irmão ir embora de casa, sabendo os perigos que o aguardavam.
O pai se levantou e foi até o filho. Sentiu Lily tentando impedi-lo ao segurar sua mão, mas a afastou. Ele se ergueu sobre Damien, tentando conter a raiva dentro de si para que conseguisse falar.
"Por que não disse a ninguém que Harry veio para casa?" perguntou ele numa voz calma.
O garoto olhou para James, incapaz de responder àquela simples pergunta.
"Harry veio para casa e você simplesmente o deixou ir embora? Você não pensou que seria importante informar isso aos seus pais? Isso não passou pela sua mente? Damien! Responda!"
O jovem olhou para o rosto enfurecido do pai e afastou-se dele. Lily e Remus tinham se aproximado e estavam tentando acalmá-lo.
"Prongs, não faça isso, ele é apenas uma criança. É injusto esperar que ele saiba o que fazer nessas circunstâncias," disse Remus ao colocar uma mão no ombro do amigo.
"Está tudo bem, Damy, você não sabia o que fazer. Está tudo bem." Lily tentou fazer o menino trêmulo se acalmar.
"NÃO está tudo bem!" vociferou James. Damien e Lily pularam ao som da voz dele.
"Não está tudo bem ele ter feito algo assim! Harry estava sob o mesmo teto que nós ontem à noite, sabe lá Merlin por quanto tempo, e Damien decidiu guardar essa informação para si!" James continuou a gritar.
Lily estava encarando o esposo e o filho, sem saber ao certo se devia gritar com o menino também ou tentar consolar o garoto aflito.
"Você podia ter nos contado! Nós teríamos explicado tudo a ele! Nós o faríamos ver como foi traído e enganado por Você-Sabe-Quem! Nós poderíamos ter contado a verdade a ele! Poderíamos ter tido Harry de volta por bem, mas não, você não pensou, Damien, você apenas seguiu com alguma ideia louca e o deixou sair daqui!"
O menino finalmente se levantou e sua face já não mostrava nenhum sinal de medo. Ao invés disso, ele parecia tão furioso quanto o pai.
"E como exatamente você o faria te escutar? Como você o faria ver a verdade? Amarrando-o em uma cadeira novamente, ou talvez o trancando em um cômodo com outro auror maluco o machucando até que ele cedesse? Por que ele deveria te escutar, pai? O que você fez para que ele confiasse em você?" O garoto respirava rápido e tinha lágrimas de raiva nos olhos. Sabia que não deveria falar com o pai daquele jeito, mas estava pouco se importando naquele momento. "E se ele soubesse a verdade? O que você faria, então? Como conseguiria mantê-lo aqui, como conseguiria mantê-lo a salvo?"
"Damien, eu faria o que fosse preciso para proteger Harry, para assegurar que ele..." James foi cortado pela risada do menino. O auror olhou para o filho de treze anos que ria sarcasticamente das suas palavras.
"Proteger? Você quer proteger Harry? Me diga, pai, como planeja protegê-lo quando as próprias pessoas para as quais você trabalha estão atrás do sangue dele? 'Cinco mil galeões para quem ajudar a capturar Harry Potter,' não era isso que o aviso de recompensa dizia? Como você pode dizer que vai protegê-lo, vai mantê-lo a salvo, quando deixou Moody feri-lo em várias ocasiões?"
James estava sem palavras. Damien nunca havia falado com ele naquele tom de voz antes. Não admitiria tão cedo, mas o menino estava certo. Deixara Harry ser maltratado quando o garoto estava sob seu cuidado.
"Ao menos ele está protegido onde está agora. Você-Sabe-Quem não vai deixar que ninguém o machuque," disse o jovem sem perceber o efeito de suas palavras em seus pais.
Lily aproximou-se e agarrou o filho pelos ombros.
"Como se atreve a dizer algo assim? Como Harry pode estar protegido com um mostro como aquele? Foi ele quem o levou de nós. Ele não se importa com Harry, ele só se importa em usá-lo como um soldado. Veja o que aconteceu com G-Ginny, ela era sua amiga, Damy! O lugar do seu irmão é aqui. Ele é um membro da nossa família!"
Damien olhou encarou os olhos esmeralda da mãe e viu dor neles.
"Como Harry pode ser um membro dessa família, mãe? Ele nem mesmo terá a chance de voltar para nós. Quer saber por que eu não o impedi de ir embora? Porque eu sabia que se ele ficasse aqui, seria capturado pelo Ministério. Alguém da Ordem, como Moody, o entregaria. Ele não estaria seguro aqui. Eu não me importo se ele mora conosco ou não. Eu não me importo se ele se considera um Potter ou não. A única coisa que me importa é que ele sobreviva. Eu quero que Harry viva, mãe, mesmo que não seja conosco."
Lily tinha lágrimas caindo por sua face e seu coração estava despedaçado pelas palavras de Damien. James estava a poucos passos de distância e também foi afetado pelas emoções do filho.
"Talvez seja melhor nos acalmarmos antes de decidir o que faremos agora," disse Dumbledore. James abriu a boca para reclamar, mas fechou novamente ao ver o olhar do diretor.
"Eu entendo a raiva que estão sentindo, mas não fiquem frustrados com Damien. Ele é apenas uma criança, cujo único propósito é salvar o irmão. Harry mostrou uma emoção que eu estava torcendo que ele possuísse. Ele arriscou tudo para vir ver Damien e dar-lhe um presente como proteção. Ele realmente se preocupa com seu sangue, seu irmão. Foi isso o que eu queria que acontecesse quando o mandei à Hogwarts." O diretor parou ao ver as expressões confusas e tristes ao seu redor. "Algum de vocês sabe alguma coisa sobre a pedra chamada Layhoo Jisteen?" perguntou.
Quando os três adultos responderam "não," Dumbledore continuou a explicação.
"A Layhoo Jisteen é uma pedra muito rara. Existem apenas três delas no mundo. Duas estão fortemente protegidas pelo Ministério da Magia. A terceira estava perdida por muitos anos, mas creio que a achamos esta noite. A pedra é notável por conseguir conter uma grande quantidade de poder. Pode ser usada para várias coisas, mas nunca foi usada para proteção. Muitos feitiços podem ser lançados sobre ela para que o usuário esteja protegido de certos perigos. Houve um leve brilho em torno de Damien, apenas por um momento, quando foi atacado a primeira vez. Foi assim que reconheci a influência da pedra. Quando usada pela primeira vez, a pedra forma um vínculo com o usuário. Enquanto ele usá-la, nada de ruim lhe acontecerá. Se ele retirar a corrente, ficará exposto ao perigo novamente. Se ele tirar o pingente e entregar a alguém, essa pessoa não será protegida. O pingente protegerá Damien e mais ninguém."
O menino ouvia em silêncio, os olhos presos ao chão e ele se recusava a olhar para os pais, por medo de perder a calma novamente. Os três adultos continuavam a discutir sobre a pedra. Era basicamente uma pedra que nem todos conheciam, mas que possuía a capacidade de absorver um monte de magia. Foi por isso que os Comensais não o atingiram. Professor Dumbledore explicou que achava que Harry enfeitiçou a pedra para que qualquer um que possuísse a Marca Negra não pudesse se aproximar do irmão, sendo por isso que o Comensal foi jogado violentamente para longe do jovem. Exatamente como o rapaz conseguiu fazer um feitiço tão poderoso, o diretor não sabia.
"Eu quero compartilhar algo com todos vocês," continuou Albus. Damien levantou a cabeça para encará-lo. "Nos últimos dias, eu estive tão ocupado, que me esqueci de algumas coisas muito importantes."
Todos sabiam que ele estava falando sobre Ginny e sobre as consequências do ocorrido. Fudge fora forçado a renunciar e todos estavam à procura de possíveis candidatos para substituí-lo. O temor de que um Comensal da Morte fosse o próximo ministro estava presente, especialmente na Ordem. Damien fechou os olhos por um momento, agradecendo a Merlin que até agora ele não dissera nada sobre Harry e Ginny. Jurou a si mesmo que manteria a promessa.
"Antes de o anel de Harry desaparecer misteriosamente, eu retirei mais algumas memórias. Algumas delas estão protegidas por algum tipo de feitiço que eu não consegui descobrir ainda, mas consegui desbloquear algumas outras. Deveríamos dar uma olhada nelas. Talvez isso nos ajude, talvez possamos dar outro passo na direção certa. Talvez não, mas pelo menos fizemos alguma coisa."
Os outros concordaram e Lily estava prestes a enxotar o filho da sala quando Dumbledore a interrompeu.
"Damien, você gostaria de ver essas memórias?" perguntou ele.
O menino levantou a cabeça em surpresa com as palavras do diretor.
"Albus, eu não acho que Damien deva ver o que Harry fez..." A ruiva começou a falar, mas foi cortada pelo bruxo.
"Lily, eu acho que deveríamos deixá-lo ver as memórias do irmão. Talvez ele possa nos ajudar, visto que é a pessoa mais próxima a ele aqui presente e talvez o ajude a ver porque vocês estão tão desesperados para que Harry saiba da verdade. Porque todos estamos tão desesperados."
A ruiva e o esposo não pareciam felizes com a ideia de o filho ver as memórias secretas do irmão. Francamente, só de pensar que Harry escondera essas memórias em particular os deixava nervosos. O que ele fez a ponto de ter que escondê-las? Mas entendiam que Dumbledore tinha razão.
Albus, James, Lily, e Remus aproximaram-se da penseira. O diretor gesticulou para que Damien se juntasse a eles. O menino moveu-se lentamente em direção ao grupo. Sentia-se mal em assistir às memórias secretas do irmão, mas, ao mesmo tempo, não conseguia conter a curiosidade que tomava conta dele. Dumbledore pegou um vidrinho contendo uma fumaça prateada. Despejou todo o conteúdo dentro da penseira e sinalizou para que o casal entrasse primeiro. Com um último olhar em direção ao menino, os Potters entraram na penseira. Remus os seguiu. Dumbledore e Damien foram os últimos.
Eles andaram por várias memórias diferentes. Viram como Harry salvou os filhos de Madame Pomfrey da casa em chamas, como enfrentou os Comensais depois daquilo, especialmente Nott, mandando que parassem de atacar as crianças. A última memória foi a que os deixou curiosos. Quando voltaram à sala de estar, Remus olhou em direção ao casal de amigos, declarando o que se passava em suas cabeças.
"Bem, creio que nós temos um bom lugar para começar a procurar por Harry," disse Moony sorrindo. Damien olhou confuso para ele. "Acho que deveríamos fazer uma visitinha a 'Alex' nesse clube de luta."
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Ginny observou eles se inclinarem na direção um do outro. Antes que seus lábios se encontrassem, ela virou a cabeça. Sabia que a relação deles não era tão séria quanto ela temia, mas isso não significava que gostasse de vê-los se beijar.
"Ei, Jenny."
Ela olhou e tentou esboçar um pequeno sorriso para Harry em resposta. Supôs que não funcionou tão bem quanto esperava.
"Posso falar com você por um instante?"
Ginny assentiu.
"Claro."
Harry olhou rapidamente para Amy antes de apontar para o quarto dela. Ginny se levantou do sofá e o seguiu. Assim que ela fechou a porta atrás de si, um brilho azul envolveu a porta por um segundo.
"Não confia muito nela?"
O rapaz não comentou e nem demonstrou se importar com o comentário dela. Sem nenhuma introdução, ele disse:
"Eu comprei uma coisa para você."
Ginny olhou confusa para o garoto. Ele tinha comprado uma coisa para ela...?
"O que você...? "
"Eu não tenho certeza que funciona ou que você precisa disso. Enfrentei algumas complicações para conseguir isso... mas..." Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos. A carranca dele se aprofundou. Ele estava realmente dando voltas? "Eu achei que você devia ter um desses."
"Harry, ajudaria se você apenas me dissesse do que está falando."
Os olhos dele se fixaram nela.
"Sim, é claro." As mãos dele vasculharam os bolsos por alguns segundos antes de retirar uma longa corrente. Ele a levantou para ela a visse. "Quero que use isso... sempre." A corrente balançou preguiçosamente entre eles.
"Hum… um colar?" perguntou ela, olhando da joia ao rosto dele.
"Parece que estou te dando 'um colar?'"
A resposta dela veio tão rápida que também a pegou de surpresa.
"Não." Algo nos olhos dele escureceu, mas Ginny deu de ombros. "O que é isso, então?"
"Isso vai te proteger."
Os olhos dela se arregalaram.
"Funciona como um escudo, bloqueando maldições?"
"Não." Harry sacudiu a cabeça, para enfatizar suas palavras. "Ela vai te proteger apenas de alguns feitiços muito especiais."
Ela alcançou a corrente, suas mãos tocando levemente o pequeno pingente.
"Feitiços especiais?"
"Sim."
Ginny soltou as mãos ao lado do corpo e revirou os olhos.
"Apenas me diga, Harry."
O rapaz rangeu um pouco os dentes antes de começar a explicar.
"Não protege o seu corpo, mas sua mente. O objetivo principal é bloquear feitiços de memória. Como eu já disse, não tenho certeza de que está funcionando corretamente, mas eu realmente espero que esteja."
Ginny franziu o cenho.
"Você acha que eu preciso disso…?"
"Espero que nunca precise." Harry suspirou. "Mas eu quero ter certeza. Alterar a mente de alguém é algo muito perigoso. Isso não deve acontecer com você."
A carranca de Ginny apenas se aprofundou. Por que era importante ela usar aquilo? Não achava que fosse encontrar nenhum bruxo tão cedo... e mais: qual a probabilidade que usassem um feitiço de memória nela? É claro que poderiam mudar muita coisa... mas por que fariam isso? Abriu a boca, pronta para fazer todas aquelas perguntas, mas o olhar dele a impediu. Ele parecia diferente do normal. É claro que parecia mais velho novamente, mas não era isso. Parecia perturbado, como se não tivesse dormido muito e tivesse muita coisa na cabeça. O que mais a surpreendeu, é que aquilo parecia ser muito importante para ele. Era importante para ele que ela usasse a corrente. Fechou a boca. Ia perguntá-lo depois, quando finalmente tivessem algum tempo para falar sobre tudo – se esse momento algum dia chegasse.
Estendeu a mão para a corrente de novo, pronta para colocá-la, mas ele ignorou sua mão. Em vez disso, ele se aproximou e colocou-a sobre a cabeça dela, suas mãos descansando sobre os ombros dela. Ele fechou os olhos. Ginny estava prestes a lhe perguntar o que estava fazendo, quando o rapaz começou a murmurar algumas palavras. Ela não conseguia escutá-las, mas os lábios dele se moviam. A garota o observou fascinada, pronta para estender a mão e tocá-los. Por fim, ele parou e abriu os olhos. Parecia que eles estavam brilhando mais que o normal. Por um segundo de loucura, ela sentiu vontade de ficar na ponta dos pés e beijá-lo, mas aquele segundo passou tão rápido quanto chegou.
"Só um de nós dois poderá tirá-lo agora." Ele tirou as mãos dos ombros dela e recuou, olhando em volta do quarto.
Ginny assentiu entorpecida. Eles ficaram em silêncio, ambos perdidos em pensamentos. Foi Harry quem falou.
"Eu tenho outra coisa para você."
A jovem observou quando ele puxou ligeiramente a perna direita da calça para cima. Ele usava um coldre de varinha... e havia uma dentro.
"É minha nova varinha...?"
"Sim."
Ginny sorriu, andando na direção do garoto. Harry balançou a cabeça.
"Você vai recebê-la quando eu te levar para outro lugar."
A garota estreitou os olhos.
"Por quê?"
"É muito perigoso. Se Amy vê..."
"Ela não vai ver." Ginny o interrompeu.
"Você nunca conseguiria explicar," disse Harry, cruzando os braços.
"Como sabe disso?"
"Ótimo. O que você diria, então?"
Quando ela abriu e fechou a boca, ele sorriu satisfeito.
"Você vai recebê-la quando não estiver mais aqui."
"E quando será isso?" perguntou ela, sem querer recuar.
"Provavelmente amanhã."
Ginny permitiu-se sorrir. Não haveria mais Amy.
"E onde eu vou ficar então?"
"Você vai ver."
O sorriso de Ginny desapareceu.
"O que conversamos sobre isso? Por que não pode simplesmente me dizer?"
Harry suspirou, soltando os braços.
"Eu ainda não sei."
"Não sabe mesmo ou só está dizendo isso para que eu não saiba?" perguntou Ginny, expressando sua teoria.
A garota o observou atentamente, tentando decifrar a expressão dele. Ele fez um som de descontentamento e ela franziu o cenho.
"O que…"
"Boa teoria, péssima execução."
"Como é que é?"
Ela observou o garoto revirar os olhos, murmurando baixinho:
"Grifinórios."
Ginny cruzou os braços sobre o peito.
"O que isso quer dizer?"
"Weasley, se você tem uma teoria, você não pergunta, você descobre sozinha."
"O que é isso? Como ser um sonserino: regra número 235?"
Os cantos da boca dele se contorceram.
"É a regra número 47, na verdade."
Sem outra palavra, ele passou por ela, abrindo a porta.
Ginny revirou os olhos, mas o seguiu mesmo assim. Amy estava na cozinha fazendo café. Ela se virou quando eles entraram no cômodo, sorrindo levemente.
"Algum de vocês quer uma xícara?"
Harry assentiu enquanto se jogava no sofá.
"Sim, por favor," disse Ginny, sentando numa poltrona.
Amy tirou três xícaras, despejando café nelas. Entregou uma a cada um deles e sentou ao lado de Harry. A mulher perguntou inocentemente:
"Então, Alex... quando você vai cumprir sua promessa?"
Harry tomou um gole de café, remexendo-se um pouco no sofá.
"Imagino que já tenha planos?"
"Talvez." Amy sorriu.
"Quando?" sussurrou ele.
"Não faça parecer que é algo que não vale a pena." Ela o repreendeu de leve, sem deixar de sorrir. "Eeee... eu pensei em hoje à noite."
"Hoje à noite?"
"Hoje seria perfeito. Não deve estar muito cheio, mas vai ter gente o bastante para não estar muito vazio."
Harry olhou de Amy para Ginny e respondeu.
"Nós não devíamos deixá-la sozinha."
Ginny franziu a testa. Do que diabos estavam falando?
Amy parecia pensativa. Harry lançou um olhar significativo para ela.
"Você está certo." Houve um momento de silêncio, e então: "Vamos levá-la."
Harry se engasgou com o café.
"Não mesmo!"
"Ah… que isso, Alex!"
"Ela é muito nova."
Ginny abriu a boca, pronto para reclamar, mas Amy foi mais rápida.
"Quando eu a preparar, ninguém vai perguntar sua idade, muito menos pensar que ela é jovem demais."
Harry abriu a boca e fechou novamente.
"Não."
"Por que sempre não? Ela podia se divertir também."
"Apenas… não!" Harry sacudiu a cabeça.
"Você é um desmancha prazeres! E você prometeu!"
"Mesmo assim, eu não acho que Jenny queira ir." Ambos olharam na direção de Ginny, cuja carranca tinha se aprofundado mais ainda enquanto eles discutiam.
"Eu aposto que ela quer!" disse Amy.
"Do que vocês estão falando? Onde estão planejando ir?"
"Alex me prometeu outra visita a Destiny 's," explicou ela.
"É um clube de dança," acrescentou Harry.
"Eu sei," respondeu Ginny distraída.
Harry arqueou uma sobrancelha, olhando sem entender de Amy para Ginny, mas elas o ignoraram. O primeiro pensamento da garota foi, é claro, que não queria ir. Por que faria aquilo consigo mesma? Ver Harry e Amy juntos não era algo que apreciava, e lá provavelmente seria pior. Mas ficar ali enquanto eles estivessem fora, fazendo sabe-se lá o quê, sem saber de nada. Ela suspirou. Talvez eles não fossem se beijar e se tocar tanto se ela estivesse lá...
"Eu gostaria de ir.
O sorriso de Amy se alargou.
"Viu!
Harry murmurou alguma coisa e olhou perigosamente para Ginny, mas ela apenas sorriu inocentemente.
"Eu pego vocês às nove," disse ele por fim, pousando sua xícara.
Amy parecia desapontada quando ele se levantou.
"Você já vai?"
"Temo que sim. Tenho algo para fazer."
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Harry suspirou, enterrando a cabeça entre as mãos e esfregando os olhos. Pelos dedos, viu a mesa na qual jogara o medalhão. Tinha que agir de modo mais racional. Deixou as mãos caírem sobre a mesa e recostou-se na cadeira. O que ele sabia? Sabia que Voldemort tinha seis Horcruxes, pelo menos foi o que lhe disseram. Balançou a cabeça. Não conseguiria continuar com aquilo se perguntando o tempo inteiro se tinham lhe dito a verdade. Tinha que acreditar que eles lhe disseram a verdade sobre tudo, exceto seu passado. Se não tivessem dito... ele descobriria depois. O garoto respirou fundo.
Pelas informações que tinha, podia arriscar vários palpites. O medalhão de Slytherin era um artefato poderoso e Voldemort pensava assim. Ele nunca colocaria algo tão importante quanto um pedaço de sua alma em algo aleatório. Artefatos poderosos e importantes eram mais prováveis. Harry, então, teria de procurar por esses artefatos.
Outro ponto era que o medalhão de Slytherin era importante para ele, não apenas um artefato. Pertenceu aos seus ancestrais. Sua mãe o usara, vendeu-o para obter dinheiro, para comer, para ter certeza de que ele tivesse algo para comer (mesmo que indiretamente). Os outros Horcruxes poderiam ter uma origem semelhante. Sabia muita coisa do passado do bruxo. Tinha que certificar-se de que sabia tanto quanto possível e descobrir se havia algum objeto ligado às histórias que sabia.
Voldemort lhe dera o medalhão para que ele o protegesse. Suas outras Horcruxes não estariam abandonadas pela mansão. Estariam protegidas também, talvez por outras pessoas ou por magia em um esconderijo, numa localização bem protegida.
Havia muitos artefatos poderosos, alguns existiam apenas em histórias. Seria difícil descobrir quais realmente existiam. Seria ainda mais difícil descobrir a conexão com Voldemort. Enquanto não soubesse o que eles tinham em comum, iria apenas perder seu tempo. Não planejou que aquilo levasse anos.
Descobrir mais sobre seu passado era difícil. Não podia simplesmente andar por aí perguntando às pessoas. Só podia perguntar a Voldemort, mas apenas pequenas perguntas que se referissem a algo numa conversa normal... ou quando o encontrasse com humor para conversar, um pouco melancólico sobre o passado, poderia tentar a sorte. Mas aquele não podia ser o caminho principal, pois levaria muito tempo também.
Encontrar lugares ou pessoas que protegessem esses objetos parecia ser a melhor forma de alcançar seu intento. Harry conhecia alguns lugares protegidos por Voldemort. Mas só podia imaginar quais feitiços e maldições ele utilizara para proteger os pedaços de sua alma. Seria extremamente perigoso chegar até eles. O rapaz reconhecia que sabia muitas maldições e feitiços, assim como formas de proteger as coisas e de machucar as pessoas. Mas também sabia que não era tão habilidoso quanto Voldemort. Provavelmente poderia bloquear algumas de suas maldições, mas todas elas? Sem sequer saber se estava no local certo? Podia fazer aquilo. Havia um lugar por onde começar. Mas antes tentaria encontrar pessoas protegendo-os, talvez os carregando consigo todo o tempo, como ele fizera. No fim, havia uma coisa boa naquilo: eram poucas as pessoas a quem ele confiaria tanto assim.
Ele era uma delas. Então, havia Lucius e Bella, que faziam parte do círculo interno de Comensais. Aqueles que conheciam Harry, conheciam seu passado, ajudaram Voldemort. Se havia outra alma viva protegendo uma Horcrux, seriam eles. Talvez um deles tivesse uma, talvez nenhum, talvez ambos. E também havia os antepassados, é claro... Não ficaria surpreso se Voldemort pusesse um de seus parentes mortos para proteger uma delas.
Era por onde ele iria começar: visitando vários túmulos, fazendo joguinhos sonserinos com Lucius e provocando Bella. A última coisa seria a mais fácil. Ajudava, é claro, porque irritá-la era sempre divertido. Harry sorriu enquanto colocava o medalhão sobre a cabeça, fazendo-o repousar bem ao lado do pequeno pingente escondido, idêntico aquele que Ginny usava.
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"Se você usar esses, vai ficar perfeito!"
Amy estendeu um par de sapatos com saltos muito altos. Ginny os pegou com cuidado, colocando-os em seus pés. Ela aprendera que era impossível discutir com a mulher sobre essas coisas. Ela então se levantou e quase caiu.
"Existe alguém que possa andar nessas coisas?" perguntou a jovem secamente.
"Eles não são tão altos."
"Eles são os mais altos que eu já usei."
Amy riu.
"Eu percebi. Tente andar para cima e para baixo algumas vezes. Vai melhorar."
Ginny assentiu, seguindo o conselho. De início parecia estranho. Não vira muitas garotas em sapatos como aqueles. Em Hogwarts, algumas usavam esse tipo de calçado nos Bailes de Natal, mas só. Mas, de fato, estava melhorando.
"Alex chegará em breve," disse Amy, olhando seu relógio. "Vou trocar de roupa também, apenas pratique um pouco mais."
Foi o que Ginny fez. Quando Amy voltou, ela achou que conseguiria conduzir a noite de alguma forma. Segundos depois, a campainha tocou e a outra abriu a porta. Harry entrou e enquanto ele cumprimentava a mais velha, a garota olhou para ele. O cabelo estava bagunçado como sempre. Sob um casaco, ele usava uma camisa preta, cujos botões de cima estavam abertos, e um jeans cinza escuro.
Amy apontou em direção a Ginny, fazendo com que Harry se virasse. Por alguns segundos, eles apenas ficaram lá, se encarando.
"Diga que ela está parecendo adulta," disse Amy, sorrindo.
Harry a olhou de cima a baixo. Ginny remexeu a saia, nervosa.
"Ela parece adulta," disse ele rispidamente.
O sorriso de Amy se alargou. Ela pegou o casaco e entregou a jaqueta a Ginny.
"Bem, vamos, então."
A caminhada até a Destiny's levou cerca de vinte minutos, mas Ginny nem percebeu o tempo passando ou o frio. Estava distraída pela forma que seu braço e o de Harry estavam se tocando e pelos olhares que ela lhe lançava a cada segundo. Quando finalmente chegaram, algumas pessoas olharam para eles. Amy deu risadinhas, dizendo-lhes que provavelmente estavam olhando porque Alex estava com duas garotas bonitas. Eles foram para a fila, mas enquanto esperavam, Amy notou alguns de seus amigos em frente ao clube.
"Eu vou ver se são eles mesmos, tudo bem?"
Harry assentiu.
"Claro."
Amy saiu correndo. Ginny olhou para ela, mudando de posição. Ela tentou não olhar para Harry.
"Você está maravilhosa."
Os olhos dela contemplaram os dele. Grande coisa.
"Eu..." Ela se esforçou, tentando pensar em algo para dizer. "Eu não pareço nada comigo," murmurou ela por fim.
Harry enterrou as mãos nos bolsos, sem tirar os olhos dela.
"Se é nisso que quer acreditar..."
Eles ficaram em silêncio até Amy voltar. Ela estava sorrindo ligeiramente.
"Eram eles. Provavelmente vamos encontrá-los mais tarde. Eles querem muito te conhecer, Alex."
Enquanto esperavam para entrar, Amy balbuciou uma coisa ou outra. Ginny já tinha começado a sentir a frieza quando eles finalmente alcançaram a porta e foram autorizados a entrar.
Enquanto Harry pagava as entradas, Amy a puxou para o guarda-volumes, onde entregaram os casacos. Ele se juntou a elas. Depois disso, entraram no salão principal, que parecia ser dividido em dois ambientes distintos, separados por paredes, mesmo que não fossem totalmente fechados. Era mais escuro que o Salão Principal nos Bailes de Natal. De tempos em tempos, luzes em cores diversas brilharam pelo ambiente, perseguindo uma a outra pelas paredes. A música estava vibrante e no meio havia uma extensa pista de dança, onde todos pareciam se encontrar, alguns dançando ao som da batida, outros tentando desesperadamente, mas falhando miseravelmente. De um lado havia um bar grande e ao longo das demais paredes havia mesas de diferentes tamanhos. Algumas só acomodavam um casal, outras mais de dez pessoas. Algumas mesas tinham cadeiras, outras eram mesas de bar.
Amy os guiou para um canto, onde a música não estava tão alta, sendo até possível conversar. Era uma das mesas menores, mas tinha cadeiras suficientes para acomodá-los.
"Alguma de vocês quer uma bebida?" perguntou Harry.
Amy negou com a cabeça e Ginny a seguiu.
"Eu quero dançar!" Amy riu para ele, ele riu de volta e a puxou.
Ginny ficou lá, olhando para eles. Rapidamente, a garota se sentou, olhando em volta de novo. Já estava bem cheio, mas ela não sabia dizer se estava cheio ou se havia um número normal de pessoas ali. Seus olhos percorreram as pessoas dançando. Levou um tempo, mas conseguiu facilmente identificá-los.
A jovem mexeu nervosamente com o cabelo, tentando não olhar para eles e olhando ao mesmo tempo. Tinha sido uma péssima ideia. Agora provavelmente ficaria sentada ali a noite inteira, sentindo-se idiota. Suspirou, os olhos grudados na forma como se mexiam próximos um do outro. Amy riu, a garota desviou o olhar, percebendo que estava sendo observada por alguém há algumas mesas de distância. Ela corou, encarando as próprias mãos.
Harry e Amy voltaram, depois do que pareceu ser a centésima música. Enquanto a mulher se sentou ao lado dela, o rapaz perguntou se elas queriam beber alguma coisa agora. A mais velha assentiu entusiasmada, enquanto Ginny apenas deu de ombros, observando-o desaparecer na multidão.
"Você está bem?" perguntou a outra.
Ele deu de ombros novamente.
"Ah… vamos, você só tem que se aquecer."
"Não… Eu não devia ter vindo."
"Não diga isso! Você nem dançou ainda!"
"Ninguém quer dançar comigo de qualquer forma…"
Amy não disse nada, apenas sorriu misteriosa. Ginny estava prestes a perguntar no que ela estava pensando quando Harry voltou. Ele colocou um copo em frente a Amy, enquanto segurava uma garrafa. O garoto tomou um gole, olhando as pessoas em volta.
"Alex?"
Harry se virou, olhando curioso para ela.
"Que tal você dançar com Jenny uma vez?"
Os olhos dele se arregalaram.
"Quê?"
Ginny olhou chocada para Amy também. De jeito nenhum ela se levantaria para dançar com ele, ali, onde todo mundo podia ver, onde Amy podia ver.
"Vamos lá! Ela vai ficar mais animada depois disso. Ela só está entediada. E nós queremos ficar mais um tempo, não é?" A mulher lhe lançou um olhar significativo.
Ginny fez uma careta. Ela provavelmente só tinha feito aquilo para ficarem mais um pouco, porque Harry ia querer ir embora se "Jenny" estivesse chateada. Não que ele fosse...
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, em seguida suspirou. Colocou a garrafa sobre a mesa e estendeu a mão para ela. Quando ela não aceitou, Amy a cutucou.
"Divirta-se!"
Hesitante, ela pegou sua mão e deixou-se ser levantada. Não conseguiu evitar o sorriso à sensação de segurar a mão dele. Ele a conduziu à pista de dança, onde parou. O garoto se virou, inclinando-se em sua direção. Era estranho estar mais alta do que o normal, olhar para ele de um ângulo diferente. Estava acostumada a levantar os olhos para encará-lo, a ficar na ponta dos pés para beijá-lo, agora só teria que se inclinar...
"Nós não temos que fazer isso, se você não quiser," gritou ele na orelha dela, do contrário ela provavelmente não teria escutado. A música estava bem mais alta onde estavam.
Ginny sorriu. Quem sabe quando teria essa chance novamente... se é que teria. Apertou a mão dele e ele assentiu, parecendo entender. Harry colocou as mãos deles no ar, girando-a. Ela tropeçou levemente e, pelo canto do olho, viu algumas garotas rindo. Um sorriso se formou nos lábios dele também. O rosto dela queimou enquanto as fuzilava com o olhar. A outra mão dele encontrou sua cintura, puxando-a para mais perto de si. O garoto se inclinou na direção dela novamente.
"Ignore-as." Ele fez uma pausa. "Apenas se mexa."
Ginny assentiu suavemente, sucumbindo ao impulso de apoiar a cabeça no ombro dele. Ele pareceu enrijecer por um segundo, antes de se mexer novamente. Eles se moviam muito devagar para a música, mas Harry não parecia se importar, então, ela também não ligou, apenas fechou os olhos, respirando fundo, tentando memorizar a sensação de estar nos braços dele.
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Amy sorriu ao observar os dois caminharem para a pista de dança. Jenny se divertiria um pouco agora. Ela viu uma de suas amigas vir em sua direção. Observou Mary sentar ao seu lado, onde há poucos instantes a garota estivera sentada.
"Então, onde está seu misterioso Alex?" perguntou a amiga, rindo.
Amy sorriu. Esperara muito por aquele momento. Queria apresenta-lo aos seus amigos, para que vissem que ele não era um produto de sua imaginação, como às vezes brincavam com ela.
Ela apontou para a pista de dança, onde Alex estava girando Jenny.
"O mais bonito de todos," disse ela sorrindo.
Mary seguiu seu olhar e Amy sorriu novamente para ela.
"Cabelo escuro, alto, jeans cinza?"
"Sim, ele mesmo."
Mary franziu a testa.
"Eu não sabia que você estava compartilhando."
"Hã?" Amy olhou confusa para a amiga.
"A garota com quem ele está dançando...?"
"Ah, é apenas a prima dele!"
"Sério?" perguntou Mary novamente.
"Sim, é claro!"
Mary encolheu os ombros.
"Não é o que parece."
Amy franziu o cenho.
"E parece o quê, então?"
"Olhe a maneira como eles se movem. Parece que eles se conhecem, sabe? Não de um modo familiar. E a forma que ele olha para ela, e a mão dele... não devia estar mais encima? É um pouco... você tem que olhar mais de perto." Ela parou de falar.
Amy viu como eles se balançavam ao som da música, as pessoas ao redor deles pulavam para cima e para baixo. Eles não pareciam se importar.
"Mesmo que sejam primos…" Mary fez uma pausa, "não é proibido." Então, como que refletindo e diante do olhar de Amy, a amiga rapidamente continuou. "Mas eu devo estar apenas vendo coisa."
Amy assentiu.
"Sim, definitivamente está!"
Com outro olhar na direção de Alex e Jenny, ela se levantou, indo na direção deles.
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Harry a puxou ainda mais perto. Ele não sabia o porquê, mas parecia tão certo segurá-la em seus braços. Mesmo que a música, o lugar, a situação, o cabelo dela, mesmo que tudo estivesse errado, parecia tão certo. Sentiu o sangue bombear em suas veias, a música martelar em sua cabeça e o tecido macio da blusa dela em suas mãos. Sentia-se tão vivo. Eles estavam mais se abraçando do que dançando agora, mas aquilo não importava.
Um leve toque em seu ombro o trouxe à realidade. Ele virou a cabeça, encontrando os olhos de Amy. Soltou Ginny abruptamente e ela olhou confusa para ele. A mulher sorriu para o garoto e ele sorriu de volta. Ela ofereceu-lhe a mão, e ele a segurou, pedindo desculpas a Ginny com o olhar. A garota recuou, mexendo a boca, mas ele não conseguiu entender o que ela disse. Ele não se importava. Voltando-se para Amy, ficou surpreso com a força com que ela agarrou sua cabeça, pressionando os lábios sobre os seus. Não que ele se importasse. Eles se separaram de novo, mas brevemente. Ela o pressionou com tanta força contra si, que ele teve que respirar fundo. Ela sorriu provocante para ele, começando a mover-se contra o garoto. Eles se viraram e Harry congelou.
Os olhos dele pareciam estar grudados em Ginny. Havia um cara perto dela. Perto demais. Ele estava se inclinando sobre ela, gritando alguma coisa em seu ouvido. Ela gritou algo de volta. Harry não conseguiu entender uma palavra sequer, mas não importava. O cara se inclinou mais perto ainda, colocou a mão na cintura dela, movendo-a para cima. Estava a um centímetro de beijá-la, podia claramente ver no ângulo que estava. Foi quando ele ficou possesso. Como ele se atrevia a tocá-la? Como ele podia acreditar que tinha chance com ela?
Harry estava ao lado dela num segundo, agarrando-o pelo ombro e forçando-o a se virar. O álcool atingiu seus sentidos. O rapaz agarrou o cara pelo colarinho, puxando-o para perto de seu rosto. Sabia que aquele garoto não tinha chance contra ele, e aquilo apenas o fez sentir-se mais forte. O outro levantou as mãos, gritando alguma coisa, o medo evidente em seus olhos, mas ele estava apenas começando. Sentiu o sangue ferver em suas veias e a magia girar em torno de si. Não permitiria que ele tocasse em Ginny. Ninguém a tocava daquela maneira. Mostraria o que ele fazia com aqueles que ousavam... Ele estava sacudindo o garoto e de repente havia alguém o puxando e empurrando, forçando-o a soltá-lo. Rosnou profundamente, os olhos focados nos novos inimigos. Eram caras enormes, vestidos de preto: a segurança. Podia dar conta deles também. Eles não eram nada contra ele. Deu meio passo para trás, assumindo com facilidade sua posição de batalha. Podia ver os olhos deles se moverem, como o analisavam, como seus olhos se arregalaram, como um deles desapareceu, provavelmente com medo ou talvez para chamar ajuda. E então, de repente, em sua frente havia um cabelo loiro, os braços cruzados, olhos furiosos e um o rosto lívido. Havia Ginny.
Ela o estava empurrando, gritando alguma coisa para os homens e então tudo voltou ao normal… ou tão normal quanto possível. Ela o puxou e Amy sorriu gentilmente e os seguiu, empurrando-o quando tentou olhar para trás. Várias pessoas saíram de seu caminho, Harry percebeu sombriamente. Melhor para eles. Os três alcançaram um canto tranquilo, protegido dos olhares por algumas paredes bem-dispostas, mas ele sequer olhou para elas.
"Que tal vocês apenas conversarem sobre," disse Amy, apontando de um para o outro, "aquilo enquanto eu vou ao toalete?"
Ela não esperou por uma resposta, apenas se virou. Harry nem percebeu. O sangue ainda estava correndo em seu corpo, o coração batendo acelerado, a adrenalina instigando-o a lutar.
Assim que ela saiu, Ginny estava lá, enfiando o dedo no peito dele.
"Eu não preciso de mais um!"
"Mais um o que?" perguntou ele irritado.
"Um idiota superprotetor! Eu tenho o suficiente desses em casa! Eu sou velha o bastante para fazer o que eu quero!"
"Ele estava," Harry fez uma pausa, fazendo um gesto amplo, "errado! Ele foi imbecil, ele te tocou onde não devia! Ele não tinha permissão..."
"Ele não tinha permissão? E quem pode decidir isso? VOCÊ?" Ginny ofegou. "O que isso importa para você, de qualquer forma? Você não é meu irmão, não se meta!"
Harry abriu a boca, pronto para retrucar, mas fechou novamente. Sim, o que isso importava? Não importava nada. Ela estava certa. Ela era velha o bastante. Ele não precisava protegê-la, não precisava brigar por ela. Ela não era sua... não importava nada. Absolutamente nada.
Ginny sorriu triunfante.
"Viu! Eu estou certa!"
Harry ficou em silêncio e o sorriso dela diminuiu. Amy retornou depois daquilo, deu apenas uma olhada neles e falou:
"Isso não levou a lugar nenhum, não é?"
Harry olhou para Amy, sem entender o que ela queria dizer.
"É melhor irmos para casa." Ela se virou, Harry e Ginny continuaram no mesmo lugar.
Por fim, eles a seguiram. Após pegarem os casacos, eles saíram do clube. Do lado de fora, o vento frio os alcançou, flocos de neve macios dançavam pela noite, deixando-os com mais frio ainda. Amy estava parada alguns passos à frente deles, olhando para a noite escura, parecendo distraída.
"Amy? O que houve?" Ele estendeu a mão para o ombro dela, mas ela se afastou.
"Nada. Só vamos para casa."
Harry olhou confuso para ela, mas assentiu. Eles ficaram em silêncio. Com certo impulso, ele disse a ela:
"Pretendo apanhar Jenny amanhã."
Amy assentiu.
"Tudo bem." Ela se virou e andou apressadamente para longe deles.
Os olhos dele encontraram os de Ginny. Ele olhou para ela sem entender, mas ela apenas se virou também, seguindo Amy. Harry olhou para elas, seu coração finalmente se acalmando. Não fazia ideia do que raios acabara de acontecer. Esfregou o rosto, suspirando e respirando fundo. Por fim, correu atrás delas.
