Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Twenty-Two – Revealing Truths
(Revelando Verdades)
Harry jogou água fria no rosto novamente, olhando rapidamente para seu reflexo. Retirara o glamour, os círculos escuros embaixo de seus olhos e a cicatriz estavam à mostra. Pegou uma toalha, enxugando o rosto com uma mão enquanto puxava a gola da camisa com a outra. Com três correntes no pescoço, estava ficando desconfortável, principalmente porque tinha de manter duas delas escondidas o tempo inteiro. Se a pessoa errada as visse, não queria nem pensar nas consequências.
Ficara quase a noite inteira na biblioteca, enterrado nos livros, tentando encontrar uma forma de destruir as Horcruxes. Tinha encontrado algumas – ou ao menos ele pensava que estavam funcionando – assim, não mentira para Ginny, mas não sabia exatamente se seu pa... – Voldemort, Voldemort, Voldemort! – Se Voldemort tinha como saber. Bufou em silêncio, pensando na forma que correu até ela, exigindo a Horcrux de volta, mentindo descaradamente. Não teve um instante sequer de tranquilidade de quando a deixara com o anel até o momento que o recuperou.
Todo possível cenário de horror enchera sua cabeça pelo resto do dia e por toda a noite. Mesmo em seu sono, sonhara com ela e com o perigo que ela podia estar correndo. Era muito melhor ficar com a Horcrux em seu pescoço. Pelo menos assim ganhava algumas horas de sono. Precisava desesperadamente dormir se quisesse manter a farsa.
Harry saiu do banheiro, demorando-se para vestir a capa e colocar o glamour. Demorou ainda mais para arrumar as armas de modo que nem mesmo um olho treinado as visse. Começara a ser ainda mais cuidadoso, estando sempre com uma arma extra. Mas agora estava sendo extra cuidadoso, pois tinha que comparecer a uma reunião de estratégia com Voldemort e seu ciclo interno. Não estava muito interessado, mas Voldemort tinha chegado à conclusão de que ele tinha que participar. A única coisa positiva nisso tudo era que saberia o que eles estavam fazendo. Olhou-se no espelho uma última vez antes de sair do quarto e de sua ala, dirigindo-se à sala do encontro.
Dois Comensais da Morte estavam de guarda na porta. Ambos se curvaram assim que o viram. Bastou uma leve batida na porta para ela se abrir. Harry passou por eles, entrando na sala. Deu uma breve olhada em volta, percebendo que nem todos os membros do ciclo interno estavam lá. Na verdade, apenas Lucius, Bella e Voldemort estavam presentes – assim como havia alguém no canto, ele não podia ver claramente para reconhecer a pessoa. Mas quem quer que fosse, parecia ser um pouco pequeno...
Todos olharam para ele. Bella e Lucius se curvaram, enquanto Voldemort se aproximou.
"Harry," murmurou ele suavemente.
"Pai?" perguntou o garoto, acenando para Lucius e Bella. Eles endireitaram as costas, observando-o com atenção.
"Houve uma mudança no plano."
Os olhos de Harry não saíram de Voldemort.
"A reunião de estratégia?"
"Cancelada por enquanto."
"E o que causou essa mudança?"
Voldemort apontou para a pessoa não identificada que estava no canto. Vestes escuras saíram do caminho, e uma pequena cabeça apareceu. A criança estava com a cabeça curvada, assim ele só conseguia distinguir o cabelo castanho e a pele bronzeada. De onde estava, podia ver que ele estava tremendo. Seus olhos desviaram-se da pequena forma e voltaram-se para Voldemort. Harry arqueou uma sobrancelha, perguntando silenciosamente por informação.
Voldemort sorriu e disse:
"Há uma hora Comensais da Morte conseguiram capturá-lo. Eles o trouxeram para cá imediatamente. Veja, o amado pai dele, por quem ele gritava há poucos minutos, é Sturgis Podmore."
Harry entendeu assim que Voldemort disse o nome. Sturgis Podmore, outro membro da Ordem, outra criança. Um mal-estar instalou-se em seu estômago e seus olhos correram para o garotinho. Não era bom em adivinhar a idade de uma criança, mas ele parecia muito menor que os mais jovens em Hogwarts. Tinha certeza absoluta de que o menino jamais tinha posto os pés na escola, o que significava que tinha muito menos que onze anos.
"Nós," Voldemort indicou Lucius e Bella, "viemos para testemunhar e para ajudá-lo a dar mais um passo na sua formação." Um nó se formou em sua garganta. "E não podemos deixar passar outra oportunidade de ver seu sucesso. Esta, é claro, é a oportunidade perfeita para cumprir ambos objetivos ao mesmo tempo."
Harry ficou um pouco mais reto.
"Senhor?"
"Veja, Harry: peço que o execute."
Inúmeros planos de fuga se formaram na mente do rapaz em questão de segundos. Ele podia mandar os Comensais da Morte saírem. Podia mandar Bella sair, bem como Lucius. Podia fazer o mesmo com Voldemort? Podia mandar os Comensais da Morte, Bella, Lucius e Voldemort saírem? Destruiria seu disfarce, é claro, mas eles não esperavam que ele agisse daquela maneira. Será que sabiam? Seria um truque para que revelasse a verdade? Conseguiria fugir agora? Conseguiria matar a criança? Sentiu-se mal. Olhou novamente para o menino, que estava com a boca aberta, num grito silencioso, o pânico em seu rosto enquanto tentava ocultar-se, enquanto tentava se esconder. Era inútil, pois correntes invisíveis o prendiam.
"Aqui, senhor?" perguntou Harry, voltando o olhar para Voldemort.
"Se você preferir as masmorras, tenho certeza que podemos transferi-lo."
A transferência tornaria mais fácil fugir com o menino, mas precisava de tempo para pensar e de um plano. Não podia simplesmente sair com a criança. Estava enfrentando o bruxo das trevas mais forte que já existira.
"Há algo mais que eu gostaria." Voldemort inclinou a cabeça. "Acabei de ler sobre um feitiço das trevas e queria praticá-lo, em todo o caso."
Bella riu e Lucius agarrou sua bengala.
"É claro que você pode matá-lo da forma que quiser, filho. "
"De antemão, há algo que preciso procurar," disse Harry, olhando para Voldemort com atenção.
Voldemort arqueou a sobrancelha.
"Estou certo que posso ajudá-lo com qualquer dúvida que tenha."
Harry tinha que ser cuidadoso. Se tinha algo que Voldemort não gostava, era que alguém questionasse suas habilidades. Harry fazia isso às vezes, mas não podia ir tão longe quando alguém mais estava presente.
"Não é um feitiço comum," sibilou em língua de cobra. "Eu me deparei com ele por acaso."
Voldemort estreitou os olhos.
"Faça o teste," sibilou o bruxo de volta.
Pelo canto do olho, Harry viu Lucius observando-os com interesse, enquanto Bella parecia desapontada. Ela sempre ficava assim quando eles se comunicavam daquela forma. Jamais superara o fato de não ser uma ofidioglota, não suportava não saber o que estava acontecendo entre eles.
"Pai, com todo o respeito, é algo que eu quero fazer sozinho... sem sua ajuda. É minha missão, não é?" perguntou com cuidado. "Eu prometo que vai valer a pena esperar."
Voldemort o observou por um momento e em seguida assentiu.
"Se você quer assim."
"Eu quero."
Voldemort acenou com a mão e disse – dessa vez falou normalmente:
"Não nos faça esperar por muito tempo."
Harry virou-se e saiu da sala, apressando o passo assim que deixou os Comensais da Morte para trás e correndo para sua ala. Fechou a porta atrás de si, encostando-se nela por um instante, tentando organizar os pensamentos.
Havia algo bem claro em sua mente: tinha que ir embora. Mas será que tinha mesmo? Sabia que esse momento chegaria mais cedo ou mais tarde, certo?
Deu uma olhada em volta do quarto, assimilando as transformações ocorridas em sua vida. Em seguida, fechou os olhos novamente, deixando aquele sentimento tomar conta de si. Com um estrondo, se deu conta de que não queria ir embora. Pelo menos, havia uma parte dele que queria ficar, que queria que nada mudasse, que ficasse daquela forma para sempre. Não queria sair lá fora e enfrentar tudo. Ele só queria... ele só queria ser fraco.
Harry abriu os olhos e transfigurou a primeira coisa inútil que achou numa sacola. Não queria ser fraco, jamais ia querer ser fraco. Cerrou os dentes, jogando tudo que encontrou e que poderia lhe ser útil dentro da sacola. Armas, livros, poções. Caminhou até seu guarda-roupa e abriu as portas. Roupas seguiram em sua sacola e ele se ajoelhou, abrindo uma gaveta e tocando-a com sua varinha. O esconderijo revelou-se. O garoto parou, piscou os olhos, e deu-se conta do que queria colocar na sacola. Encarou as cartas com a letra caprichada dela. Balançou a cabeça, e, sem pensar mais sobre aquilo, empacotou-as também. Não parecia certo deixá-las ali. Deu mais uma olhada em volta, mas não havia mais nada que quisesse levar. Encolheu a sacola, colocando-a em um dos bolsos.
Ainda tinha algo a fazer antes de voltar para eles.
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"Acredito que tenha conseguido o que queria," disse Voldemort, assim que ele entrou na sala.
Harry assentiu, voltando seus olhos para o garotinho, que agora estava sentando no chão com as costas pressionadas contra a parede fria e os braços ao redor das pernas.
"Liberem-no dos feitiços."
"Do feitiço silenciador também?"
Harry assentiu.
"Quero escutar os gritos dele." Voldemort sorriu antes de acenar com a mão. O menino se encolheu mais ainda no canto, choramingando. "E nós temos que fazer a transferência."
"Para onde?" perguntou Voldemort interessado.
Harry fez uma pausa, deixando o suspense no ar.
"A sala circular nas masmorras."
Bella grunhiu em voz baixa.
"Um ritual?"
"É do outro lado da mansão. Certamente podemos conseguir uma Chave do Portal."
"Ah... pobre Lucius, com medo de usar seus pezinhos?" Lucius virou a cara para Bella, zombando.
"Vai valer a pena," disse Harry calmamente, tentando manter a voz firme para não deixar transparecer o que estava prestes a fazer.
"O prisioneiro?" perguntou Bella com os olhos brilhando na direção do garotinho.
"Eu o levo." Harry sacudiu o pulso e a varinha apareceu em sua mão, em seguida caminhou até o menino. Com um breve aceno de sua varinha o garoto foi erguido pela camisa, como que por uma mão invisível.
"Muito bem," disse Voldemort em pouco mais que um silvo. "Mostre o caminho, Harry."
Bella quase saltou até a porta, abrindo-a para ele. Harry olhou mais uma vez nos olhos dela, repassando os momentos que tinham compartilhado antes de trancar todos eles. Tudo que lhe restava agora era fugir. Assentiu ligeiramente para ela antes de virar-se para o menino de novo. O garotinho engoliu em seco, nervoso, quase tropeçando sobre os próprios pés quando Harry apontou a varinha para frente. O garoto foi arrastado pelo chão até a porta e, uma vez fora, realmente caiu. Enquanto se levantava novamente, gemendo suavemente, Lucius, Bella e Voldemort os seguiram.
"Milorde?" perguntou um dos dois Comensais que estavam do lado de fora da sala, guardando-a.
Voldemort apontou para Harry, que entendeu o recado. Ele estava no comando por enquanto e poderia decidir o que fazer. E ele o fez.
"Pode ir, sua presença não é mais necessária."
Eles se curvaram, fazendo reverência, mas Harry já se virara, acenando para que Lucius, Bella e Voldemort seguissem em frente. Os dois Comensais da Morte seguiram suas ordens e seguiram pelo corredor, enquanto Voldemort gesticulou para que os seguissem.
"Eu vou andar atrás, ficar de olho no garoto."
Olhos vermelhos encontraram olhos verdes. Harry reprimiu o desejo de engolir nervosamente enquanto pensava nas diversas táticas de Oclumência que tentavam martelar em sua cabeça.
"Não acha que está superestimando o inimigo?" zombou Harry.
Voldemort sorriu satisfeito, repetindo com facilidade uma frase usada no treinamento dele.
"Não se pode superestimar seus inimigos."
Harry entendeu aquilo como uma derrota.
"É claro, senhor."
Harry seguiu pelo corredor também, arrastando facilmente o menino consigo, enquanto Voldemort andava atrás dos dois. Pelo canto do olho, olhou para trás, notando quão perto deles o bruxo caminhava. Primeiro recuo em seu plano. Será que ele sabia o que estava acontecendo ou era apenas sua paranoia habitual? Forçou-se a manter a calma, fixando os olhos nas figuras de Lucius e Bella. Precisava sair dali com o garoto. Se ele caísse novamente... Harry segurou a varinha com mais firmeza, pensando na Maldição Imperdoável com toda sua força. Tossiu, esperando que isso chamasse a atenção de Voldemort para ela por ao menos alguns segundos. Quase podia sentir os olhos perfurando a parte de trás de sua cabeça.
"Está se sentindo bem, filho?"
A luz de um azul suave ligou sua varinha ao garoto que andava ao seu lado por um mero segundo antes de se extinguir.
Harry virou a cabeça, registrando, em menos de um segundo, o olhar leitoso e a expressão vidrada no rosto do garoto, antes de olhar por cima dos ombros.
"É claro, pai."
Voldemort estreitou os olhos, obviamente registrando a "regra" que Harry quebrou. Afinal, durante os treinos Harry não podia chamá-lo de outra coisa que não fosse "senhor." Ele não o repreendeu como faria normalmente.
Harry virou a cabeça de novo, dobrando a esquina depois de Lucius e Bella, enquanto ordenava ao garoto que tropeçasse. Ele o fez imediatamente. A criança caiu, batendo a cabeça no chão de pedra. Harry quase praguejou. Devia ter ordenado que amortecesse a queda também. Em vez disso, ordenou que ficasse deitado. O rapaz parou de andar, assim como os outros. Voldemort agora estava dois passos à sua frente, visto que percebera a queda do garoto depois.
"Levante-se," ordenou ele ao garoto, e, ao mesmo tempo, ordenou o contrário. O garoto continuou deitado. "Por que não vão em frente? Eu vou lidar com ele." Os olhos de Voldemort se estreitaram levemente antes de perfurarem os de Harry, que desviou o olhar, encarando Bella. "Prepare tudo para o ritual de sangue."
O rapaz acenou com a cabeça para Lucius, mandando que a seguisse. Os dois deram as costas a ele, mas Voldemort continuou onde estava. Harry mandou que o garoto se levantasse, e ele obedeceu.
"Lucius, Bella, fiquem onde estão. Podmore parece estar em condições de caminhar conosco," disse Voldemort, ainda encarando o filho.
Alguma coisa nos olhos vermelhos mudou. Harry prendeu a respiração e, num rápido movimento, agarrou a mão do menino e tropeçou com ele contra a parede, que engoliu os dois. Sem tempo para adaptar-se à escuridão, começou a correr às cegas, segurando com mais força a mão do garoto. Ordenou-lhe que corresse o mais rápido que podia.
O moreno acenou a varinha, tentando concentrar-se nas velas, para que acendessem quando eles passassem e apagassem em seguida. Mas elas apenas se acenderam por um instante, em seguida tudo ficou escuro novamente. Harry praguejou e, juntos, eles correram na escuridão.
De repente, surgiu uma luz brilhante atrás deles, e Bella gritou:
"Harry!"
A escuridão os envolveu novamente, e então tinha outro par de pés correndo, e outro... as velas acenderam e, arriscando um olhar para trás, viu Bella e Lucius correndo atrás dele. Acelerou, arrastando o garotinho consigo. Eles ainda não haviam disparado feitiços e o rapaz não começaria com isso.
A passagem secreta terminou. Ele arrombou a porta antes de alcançá-la, para que pudessem passar com facilidade. Virando-se, bloqueou-a com o feitiço mais forte que conhecia, em seguida continuou a correr.
Passaram pelos Comensais da Morte que dispensara. Ambos o contemplaram com olhos arregalados.
"Meu Príncipe, há alguma coisa..." Ele os jogou para fora do caminho e ambos colidiram com a parede.
Eles correram e Harry facilmente encontrou seu caminho em meio ao labirinto de corredores. Teve o cuidado de tomar as mais diversas direções que pudesse, mas não demorou muito para Lucius e Bella encontrá-los novamente num corredor aberto. O rapaz praguejou.
"Harry! Pare!"
Desviou-se do feitiço estuporante de Bella. Chicoteou a varinha para trás e um fogo irrompeu entre eles, mantendo Lucius e Bella afastados. Ouviu-os praguejar e tentar apagá-lo. Isso lhe deu os segundos que precisava para fugir com o menino até esquina seguinte e entrar na próxima passagem secreta. Sem se virar uma única vez, eles correram.
Finalmente alcançaram uma parte da mansão repleta de passagens secretas e Harry usou tantas quanto possível. Por que estavam tão longe da entrada mesmo assim?
Havia mais passos ecoando pelo corredor, Voldemort provavelmente tinha chamado mais de seus Comensais da Morte para ajudar, e, por um segundo, perguntou-se se o bruxo estava no meio deles ou se não achava que isso fosse necessário.
O menino tirou de mansinho sua mão da dele, que continuou correndo antes de notar que a criança tinha parado e o encarava com olhos arregalados.
"Anda!" ordenou ao garoto, que balançou a cabeça. Harry praguejou. A Maldição Imperio se extinguira, provavelmente devido à sua falta de concentração.
Os passos se aproximavam e vinham de diferentes direções. O rapaz disparou em direção ao garoto, puxando-o até a porta seguinte. Era um depósito. Bloqueou-a com feitiços e maldições, fazendo a porta desaparecer, esperando que não procurassem ali. Mesmo sendo desnecessário, prendeu a respiração enquanto as pessoas passavam, gritando umas com as outras.
"Ele tem que estar aqui em algum lugar!"
"O que aconteceu, afinal?"
"Talvez ele tenha tomado outro atalho."
"Essa maldita mansão!"
As vozes e os passos ficaram mais silenciosos. Harry soltou a respiração e olhou na direção do garoto, que agora estava no canto mais afastado dele.
"O que estava pensando?" sussurrou para ele. O menino tremia de medo e encolheu-se para longe dele. Harry respirou calmamente. "Eu não vou machucar você."
Os lábios do menino tremeram e lágrimas vazaram de seus olhos enquanto o encarava.
"Eu… olhe…" Harry respirou novamente, tentando achar a melhor maneira de abordar aquilo. "Qual é o seu nome?"
O garotinho sacudiu a cabeça.
"Eu não... Eu não posso falar com estranhos." Sua voz tremia.
Harry o encarou. Foi isso que veio à sua mente… agora?
"Você já falou." Ele arqueou uma sobrancelha, fazendo o menino se afastar mais ainda. "Está tudo bem. Não precisa ter medo." O rapaz tentou fazer sua voz ficar mais suave, mas os olhos do garoto estavam cheios de medo.
Harry quebrou a cabeça: será que devia colocá-lo sob a Maldição Imperio novamente? Só até que escapassem... mas seria tão mais fácil se o garoto viesse de bom grado.
Abaixou-se até o chão, estendendo uma mão na direção do garotinho, que se encolheu.
"Psiu... está tudo bem," murmurou ele suavemente. "Eu não vou machucar você, eu vou te tirar daqui. Vou te levar de volta para sua mãe e seu pai."
O menino arregalou os olhos.
"De volta para mamãe e papai?"
Harry assentiu.
"Sim, de volta para casa, com mamãe e papai."
Os olhos do garoto perderam um pouco do medo.
"Mesmo?"
"Mesmo! Mas você precisa me ajudar."
O garotinho mordeu o lábio e em seguida algo mudou em seus olhos.
"Você é um dos bonzinhos, não é?"
Harry mordeu a língua para não dar uma bronca nele. É claro que ele não era um dos bonzinhos... mas parecia que o menino precisava acreditar nisso.
"Sim, sim, acho que sou."
Um primeiro sorriso formou-se no rosto do garoto.
"Meu nome é Jamie. E o seu?"
"Meu nome é Harry." Ele fez uma pausa. "Bem, Jamie, para chegarmos até sua casa, precisamos jogar um pequeno jogo."
"Um jogo?" repetiu o garotinho.
Harry assentiu e viu quando Jamie saiu do canto da sala. O menino lançou-lhe um sorriso.
"Sim, é um pouco complicado, mas... você conhece esconde-esconde?"
Jamie assentiu.
"Sim, conheço! Eu brinco disso com meus amigos no jardim às vezes, e mamãe assiste e ri porque eu sempre ganho."
"Isso é ótimo, Jamie, porque eu definitivamente pretendo ganhar esse aqui também." Harry fez uma pausa. "Esse jogo é uma versão diferente de esconde-esconde. Nós vamos ter que nos esconder algumas vezes e correr em outras... sempre para longe dos maus, entendeu?"
Jamie assentiu.
"Eu entendo. E então você vai me levar para casa?"
"Sim, depois que ganharmos."
"Você promete?" perguntou Jamie, seus olhos agora cheios de esperança e um pequeno sorriso em seu rosto.
Harry engoliu em seco.
"Sim, Jamie. Eu prometo que vou te levar para casa." O sorriso de Jamie se abriu. "Mas precisamos ficar em silêncio agora." Ele assentiu e Harry levantou-se do chão, concentrando-se em sua magia e em sua audição.
Primeiro tentou descobrir se havia mais Comensais do lado de fora. Quando não conseguiu escutar ninguém, forçou seus sentidos mágicos para sentir os escudos. Como sempre, podia ouvi-los zunir, avisando-lhe que ainda estavam ativos. Ele os alcançou, sentindo que haviam sido modificados. Voldemort provavelmente fechara a rede de flu. Assim, a única rota de fuga era aparatar, e para tanto precisavam ultrapassar os escudos.
Respirou fundo. A única chance que tinham era encontrar o lugar onde os escudos estavam mais próximos do prédio, para evitar correr sem cobertura.
"O.k., Jamie. Eu vou colocar um feitiço em você. Vai parecer um pouco engraçado, mas não vai machucar."
Os olhos de Jamie brilharam.
"Um feitiço? O que ele faz?" perguntou animado.
O rapaz se perguntou como o humor do menino podia mudar tão rapidamente.
"Um Feitiço de Desilusionamento. Vai tornar mais difícil detectar você."
Harry tocou na cabeça de Jamie, o garoto gritou eufórico antes de desaparecer diante de seus olhos.
"Segure minha mão, agora." A mãozinha segurou mais uma vez a dele, que tocou em sua própria cabeça, repetindo o feitiço.
Harry recostou-se na parede novamente, tentando escutar se ainda não havia ninguém do lado de fora e não conseguiu ouvir nada.
"Corra o mais rápido que puder e prenda a respiração sempre que passarmos por alguém, o.k.?"
"O.k.," sussurrou Jamie, com a voz tão suave quanto a de Harry.
O rapaz removeu os feitiços da parede e a porta reapareceu. Abriu uma brecha, olhando para fora. Não havia ninguém ali. Abriu mais a porta e ambos saíram, Harry liderando o caminho pelo corredor.
Por longos minutos, não cruzaram com ninguém além do primeiro grupo de Comensais da Morte que viera patrulhando pelo corredor. Pressionaram-se conta a parede e os Comensais passaram sem percebê-los. Nunca ficara tão grato pela estupidez e falta de cérebro deles.
Não demorou muito para alcançarem a parte do prédio mais próxima aos escudos. Ficava há quilômetros do hall de entrada, o que era bom, já que a saída provavelmente estava repleta de Comensais da Morte. O único problema era que estavam no primeiro andar e era impossível chegar ao térreo, já que bem abaixo deles estavam os aposentos de Voldemort. Só havia uma coisa a fazer, então. Harry olhou em volta, conjurando silenciosamente um "homenum revelio." Nada aconteceu.
"Jamie?" sussurrou ele.
"Sim?"
"Está pronto para pular de uma janela?"
O menino olhou espantado para ele.
"Isso não é trapacear?"
"O bom desse jogo é que não há trapaça, tudo é permitido."
"Sério?" A voz de Jamie estava cheia de admiração. "Eu posso até chutá-los lá quando encontrá-los da próxima vez?"
Harry não conseguiu conter o sorriso.
"É claro, chute-os o mais forte que puder." "
"Mamãe disse que eu não posso chutar ninguém lá."
"Acredite em mim, sua mãe ia querer que você os chutasse."
"Incrível!"
Harry puxou Jamie consigo, aproximando-se da janela. Sabia que todas estavam protegidas, que não podiam ser abertas sem que um alarme soasse. Também sabia que o próprio Voldemort colocara os feitiços, e que levaria minutos, talvez até mesmo uma hora, para rompê-los. Assim, só havia uma opção. Conjurou um escudo em torno deles e levantou a varinha, fazendo a janela à frente explodir. Os pedaços de vidro voaram ao redor deles, colidindo com o escudo de Harry. Os alarmes soaram por todo o prédio. Só podia torcer para que o Comensal mais próximo estivesse longe o suficiente.
Jamie saltou para trás com o barulho, mas o rapaz esperara aquilo e agarrou a mão do garoto com mais força. Não podia arriscar perdê-lo agora. Rapidamente, puxou-o para mais perto da janela, agora sem a vidraça, sem se importar com os pedaços de vidro que quebravam embaixo de seus sapatos.
"Eu vou te levantar agora, Jamie."
"Mas eu já tenho idade par…" começou ele a reclamar.
Harry não escutou. Com um rápido movimento, agarrou onde achava que Jamie estava, levantando o garoto e apertando-o contra seu peito. Aproximou-se da janela, escutando os primeiros passos misturados ao som do alarme. Sem perder mais um segundo, ele pulou.
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"Algum progresso em encontrar Alex?" perguntou James, inclinando-se para Sirius. Bill franziu o cenho, aproximando-se deles. Quem era Alex?
Sirius assentiu.
"Nós finalmente encontramos alguém que já o viu antes. A descrição dele," por alguma razão desconhecida, Sirius fez uma careta, "estava correta dessa vez também. Ela disse que eu deveria tentar achar Amy Jackson, seja lá quem for."
"Finalmente há uma pista!" James sorriu alegremente. "Eu estava ficando louco, sentado em meu escritório sem saber de nada. Eu queria ter estado lá, mas com tudo acontecendo..."
"Não se preocupe, Prongs, nada tão animador aconteceu." Sirius se virou em sua cadeira, seus olhou pousando em Bill. "Está de volta?"
Bill tentou sorrir.
"Na verdade, não, apenas tentando mediar entre a Ordem e minha família."
James se virou para Bill também. O sorriso desaparecera de sua face.
"Como eles estão?"
Bill suspirou.
"Estamos tentando superar."
Ambos assentiram solenemente.
"Quanto a Molly, eu…"
James começou, mas não continuou, pois a porta foi escancarada e diversos membros da Ordem chegaram. Dumbledore foi o último a entrar, fechando a porta com um aceno de sua varinha.
"Por favor, sentem-se todos, algo muito sério aconteceu."
Todos encontraram seus assentos o mais rápido possível. Uma sensação de pressagio cercou tudo quando Dumbledore sentou-se. Ele olhou cansado para todos eles, aparentando sua verdadeira idade mais uma vez, como ocorrera com tanta frequência nas últimas semanas.
"Parece que a Senhorita Weasley não foi um caso isolado." Bill engoliu em seco quando os olhos de Dumbledore encontraram os seus.
"O que aconteceu?" perguntou James com ferocidade.
"Sturgis e Anne me informaram há poucas horas que o filho deles, Jamie, está desaparecido."
Todos abriram a boca e viraram os olhos na direção de Bill, que fechou os seus rapidamente, respirando fundo. Podia imaginar onde isso levaria.
Lágrimas corriam pelo rosto de Anne.
"Eu... nós..." Sturgis estendeu a mão para a esposa e a puxou para perto de si.
"É claro que nós procuramos por ele onde podíamos, mas não o encontramos. E então eu recebi isso." Dumbledore retirou a carta verde-escuro do bolso. Bill fechou os olhos: assim como Ginny. "Exatamente as mesmas palavras estão escritas nela: Se vocês quiserem vê-lo novamente, vão ter que parar de lutar. Severus me informou instantes depois que eles tinham capturado o pequeno Jamie e que, de fato, ele estava na sede."
Houve um caos total após as palavras do bruxo, que disparou faíscas vermelhas de sua varinha. Todos pararam o que estavam dizendo ou fazendo.
"Obrigado. Eu já informei a Rufus sobre esse novo caso." Bill escutou Moody bufar. "Nesse exato momento, há aurores investigando na casa dos Podmore, tentando juntar o máximo de informação possível. Eles também estão vigiando o Átrio de perto. Podemos apenas esperar que..."
Uma luz passou disparada por Dumbledore, repousando sobre a mesa, onde cresceu e ficou mais fina. Um Patrono. Uma cobra enorme tornava-se visível. Snape se afastou dela e Bill e muitos outros perceberam.
"Severus…? perguntou Dumbledore.
"É Nagini," explicou ele com a voz confusa. "A serpente do Lorde das Trevas."
Nagini sibilou, deslizando pela mesa. Os membros da Ordem por quem ela passava recuavam as mãos e afastavam-se dela, mas o Patrono fez seu caminho até os Potter. Bill viu como Lily se encolheu para longe dela, enquanto James olhava com os olhos arregalados. Nagini abriu a boca: "Pai" disse uma voz que Bill não reconhece de imediato. Ele franziu o cenho.
James abriu a boca em espanto, assim como muitos outros.
"H-Ha-Harry...?"
"Você tem que voltar para casa." A cobra dissolveu-se no ar e James saltou da cadeira.
Dumbledore também se levantara.
"James, você não pode ir."
Mas o auror não estava escutando. Tropeçou na cadeira, puxando sua varinha enquanto caminhava até a porta. Sirius estava ao seu lado, e lágrimas enchiam os olhos de Lily.
Dumbledore bloqueou seu caminho.
"James, pode ser uma armadilha."
"Saia da frente da porta, Albus." O auror levantou a varinha. "É o meu filho." Dumbledore não se moveu um centímetro.
"Potter, tenha bom senso…" rosnou Moody.
"É. O. Meu. Filho." James respirou trêmulo. "Saia do meu caminho."
"Eu vou," disse Bill, levantando-se. Os outros olharam chocados para ele.
James se virou.
"Não. Você não vai."
Bill estreitou os olhos.
"Eu tenho direito de estar lá. Com Ginny..."
"Não! Eu não vou deixar você se aproximar dele! Eu não vou deixar que o machuque. Você..."
Dumbledore tocou o ombro do auror.
"James, acalme-se. Isso não vai nos ajudar." Mas o homem afastou a mão do diretor.
"Eu vou, Albus. Seja qual for o seu plano, eu vou até lá."
Dumbledore suspirou.
"Então eu não vou deixar que vá sozinho, eu também vou."
Os membros da Ordem murmuraram entre si.
"Eu ainda quero ir," disse Bill.
Dumbledore olhou para o rapaz por cima de seus óculos de meia-lua.
"William, eu entendo a preocupação de James..."
"Eu não farei nada se ele não atacar, mas eu preciso estar lá, eu preciso vê-lo. Por favor."
Mesmo que tentasse, não conseguiria esconder o desespero em sua voz. Queria olhar nos olhos dele: daquele que tirara Ginny deles, que era a razão de tudo que estava acontecendo com sua família. Tinha que vê-lo, ver se aquilo tinha mudado ele assim como mudara cada um deles.
Por fim, Dumbledore assentiu, contra os protestos de James.
"Eu vou também, é claro," disse Remus, ficando ao lado de seus dois melhores amigos.
"Eu não esperava outra coisa de você," disse-lhe Dumbledore, seu olhar percorrendo toda a sala.
Os próximos a se levantar foram Moody, Lily e Sturgis. James estava sacudindo a cabeça.
"Eu não os quero lá." Ele apontou para Olho-Tonto e Sturgis.
"James, quanto mais, melhor," exclamou Sirius, segurando os ombros do melhor amigo.
"Mas e se eles machucarem Harry?"
"E se for uma armadilha? Nós estaríamos sozinhos."
"E se não for? Ele não vai ficar! Ele não vai voltar para casa!" O pânico estava claramente visível na voz de James, e Bill percebeu que lágrimas brotavam de seus olhos.
"Prongs, acalme-se. Se ele quiser voltar, ele vai voltar."
"Mas… mas…"
"James, deveríamos ir, não acha?" interrompeu Dumbledore, afastando-se da porta.
"Sim," murmurou ele baixinho, abrindo a porta agressivamente.
Dumbledore acenou para Moody, Sturgis e muitos outros aurores que tinham se levantado. Todos eles seguiram James, Sirius e Remus até o lado de fora, de onde aparataram para Godric's Hollow.
Chegaram dentro de casa, mas Bill notou que muitos deles estavam faltando, e imaginou que tinham aparatado do lado de fora.
Os olhos de James procuraram freneticamente pela sala de estar, mas não havia indicação de que alguém estava ali. Com um rápido "Homenum Revelio" souberam que ao menos uma pessoa estava lá fora. Dumbledore não conseguiu nem abrir a boca, pois James já estava do lado de fora com a esposa e os melhores amigos ao seu lado. Os outros também os seguiram, com as varinhas em punho, mas lá fora havia apenas um garotinho.
"Jamie!" gritou Sturgis, ignorando os Potter e caindo de joelhos em frente ao filho, abraçando-o com força.
"Podmore, cadê seu treinamento?" gritou Moody de algum lugar do jardim.
Mas foi de Dumbledore que Bill não conseguiu tirar os olhos. Ele puxara a varinha e fechara os olhos, formando palavras em silêncio e acenando-a em seguida. O ruivo nunca vira algo assim antes. De repente, Dumbledore abriu os olhos e virou-se na direção das árvores que delimitavam os escudos de um lado. Deu alguns passos adiante, os outros o seguindo com facilidade.
"Albus, o que…" começou James, mas Dumbledore ergueu a mão.
"Harry, meu garoto, não precisa se esconder," disse ele calmamente.
Todos os olhos rumaram para as árvores, mas Bill não conseguia distinguir ninguém. O Príncipe das Trevas deu um passo à frente, revelando-se. Bill ergueu a varinha, mas o garoto apenas olhou para Dumbledore e zombou.
"Quantas vezes eu te disse para não me chamar assim?"
Bill notou quão forte ele segurava sua varinha, pronto para enfrentá-los.
"Harry," sussurrou Lily, caminhando até ele, estendendo os braços na direção do filho.
"Pare, pode haver Comensais da Morte…" começou Moody, mas Dumbledore o interrompeu.
"Não há ninguém aqui, Alastor."
A cada passo que Lily dava em sua direção, Harry dava um para trás, balançando a cabeça. Bill levantou mais a varinha, formando um Estupefaça facilmente em sua cabeça. Não podia deixar que ele fosse embora. Ele ia lhe responder sobre Ginny, ia contar cada detalhe. Tinha que saber.
O Estupefaça disparou pelos escudos na direção do garoto, mas chocou-se com uma árvore e o Príncipe das Trevas saiu de vista. Moody praguejou ao lado dele, enquanto os Potters corriam para as árvores, verificando se ele estava atrás delas em algum lugar. James xingou ao não encontrar nada. Os aurores olharam à volta desconfiados, lançando feitiços após feitiços, esperando encontrar alguma evidência. Pelo que estavam procurando, Bill não sabia.
Anne Podmore, que estivera dentro da casa até agora, apareceu, e Jamie correu até ela, abraçando-a enquanto ela depositava beijos por todo o rosto do menino, murmurando o quanto o amava, quanto sentiu sua falta e quão preocupada estava.
"Mamãe…" disse o pequeno Jamie, afastando-se dela e olhando para os outros adultos. "Harry mandou que eu dissesse algo a vocês."
Todos os olhos se focaram nele. Com os olhos arregalados, Jamie olhou em volta, focando-se em James.
"Ele mandou que eu dissesse a você." Ele apontou seu pequeno dedo para James.
O auror assentiu e engoliu em seco.
"O que ele mandou me dizer?"
Jamie franziu o rosto.
"Ele disse que sabe a verdade."
Lily suspirou, enquanto James arregalou os olhos para o garoto.
"Ele disse... Ele..." James tropeçou nas palavras.
Sirius os segurou pelos ombros.
"É uma boa notícia."
"Ele disse mais alguma coisa?" perguntou Lily, ajoelhando-se para olhar nos olhos de Jamie.
"Sim, ele disse que vocês deviam…" Jamie se concentrou. "Tomar mais cuidado com seus filhos."
Bill viu Dumbledore coçar a barba.
"Ele lhe mandou nos dizer mais alguma coisa?"
Jamie sacudiu a cabeça.
"Isso é tudo."
Lily e James trocaram um longo olhar antes de ele ir até ela, ajudando-a a se levantar, e abraçando-a silenciosamente. Bill afastou-se dele, focando os olhos em Jamie.
"Que tal vir comigo, pequeno Jamie, vamos examiná-lo e você pode me contar tudo sobre sua aventura?" perguntou Dumbledore calmamente.
Jamie olhou do pai para a mãe, eles assentiram encorajando-o. Os outros membros da Ordem trocaram olhares sugestivos, enquanto os Potter sussurravam freneticamente.
Mas havia uma coisa que não saía da cabeça de Bill: por que ele salvara Jamie, mas matara Ginny? Por que não fizera o mesmo com sua irmãzinha?
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Os Comensais da Morte voltaram para ele, dizendo-lhe que o perderam. Voldemort não conseguiu nem torturá-los. Estava confuso, sem saber o que significava aquilo. Harry o abandonara? Tudo estava perfeitamente bem, não havia nada de errado. Mas tinha que haver... ele matara a garota Weasley. O que foi diferente com Podmore? Por que se virou de repente e correu? O que tinha acontecido?
Invadiu a mente de Lucius e de Bella e não encontrou nada anormal. Nada que indicasse que o filho descobrira o que tinha acontecido. Não podia ser isso. Ele deu ordem para que procurassem por Harry, pensando que ele voltaria, que podiam trabalhar dali em diante, que poderia apagar suas memórias, que teriam mais cuidado, que talvez o garoto fosse muito jovem para Harry, que ia ter que ir mais devagar da próxima vez... deixou os Comensais para trás, precisava dormir, precisava de tempo para refletir. Não conseguia pensar com eles por perto.
Voldemort entrou pela porta de seus aposentos, fechando-a atrás de si, deixando o barulho que de repente enchia seu quartel-general para trás. Nunca achou que chegaria àquele ponto. Entre a tomada do Ministério e a extinção da Ordem, mal tinha tempo para comer. Onde encontraria tempo para procurar por Harry? Seus Comensais não iam encontrá-lo. Não sem o acaso, não sem sua ajuda, suas ordens, seus planos, sua esperteza, não sem... parou subitamente, as bolas de luz flutuavam ao seu redor, indo até as velas em seu quarto. Com um rápido movimento da mão, acendeu as demais. Voldemort encarou a parede atrás de sua cama, seu coração acelerando. Só havia uma pessoa que podia chegar até ali sem que ele percebesse. Só havia uma pessoa capaz de conseguir aquilo. Só havia uma pessoa que podia ter escrito aquela mensagem em letras vermelhas cor de sangue na sua parede.
Eu sei o que você fez.
Cambaleou para trás, abrindo a porta de seus aposentos e gritando pelo corredor escuro:
"TRAGAM-ME PETTER PETTIGREW! TRAGAM-ME WORMTAIL!"
