Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Twenty-Three – Consequences Of Leaving

(Consequências da Partida)

Harry deu mais uma olhada na propriedade, vendo os membros da Ordem à distância. Observou silenciosamente Jamie caminhar até eles, sendo abraçado por um homem, que Harry imaginou ser seu pai. Abaixou-se por trás de uma árvore, só para dar mais uma olhada. Seus olhos pousaram sobre seu próprio pai e sua mãe. Ele quase suspirou, mas se conteve. Seus olhos se concentraram em Dumbledore, que acenava a varinha. Ele estreitou os olhos e segurou sua varinha com mais força.

"Harry, meu garoto, não precisa se esconder," disse Dumbledore calmamente, abrindo os olhos.

Harry zombou, saindo das sombras, com cuidado para não atravessar os escudos, não sabia se podiam prendê-lo ali.

"Quantas vezes eu te disse para não me chamar assim?"

Ele estava prestes a aparatar quando sua mãe sussurrou seu nome, estendendo a mão em sua direção e caminhando lentamente até ele. Por um instante, ele não queria outra coisa senão que ela o alcançasse... mas não podia se arriscar ficando ali. Ele tinha que ir embora, tinha coisas a fazer.

A cada passo que Lily dava na direção de Harry, ele recuava outro, balançando a cabeça. Pelo canto do olho, viu a luz vermelha zunindo em sua direção, e se afastou, concentrando-se em seu destino antes de desaparatar de Godric's Hollow.

Ele aparatou no campo, pousando em uma floresta deserta, onde se recostou numa árvore, sua cabeça girando. Levou um momento para sacudir a sensação de aparatar. Não se lembrava de jamais ter feito aquilo com tanta frequência num curto espaço de tempo. Quando finalmente conseguiu, outras imagens invadiram sua mente.

Viu Jamie tremendo de medo, o garoto facilmente transformou-se nele mesmo. Lembrou-se de estar deitado no chão frio, chorando para dormir, apertando o estômago, sentindo-se faminto. Ver a casa onde pensara que tudo havia acontecido apenas aumentou aquela sensação. Ver sua própria mãe, sabendo que não podia ir até lá, que não podia encará-la... Lembrou-se de James Potter olhando para ele com tanto ódio, que não pôde evitar tremer, mesmo agora, anos depois. Tentou substituí-lo por Voldemort, como sabia que realmente acontecera, como vira em alguns flashes da mente de Lucius, mas sua memória permaneceu do mesmo jeito. Quando viu sua mão sendo queimada, viu James segurando-a dentro do forno, não Voldemort, porque mesmo sabendo o que tinha acontecido, ele ainda se lembrava da memória falsa. Apenas saber da verdade não mudava o que ele se lembrava.

Harry esfregou a testa, sua cicatriz ardia e uma dor lancinante enchia sua cabeça. Sua visão saiu de foco. Ele engasgou, afundou de joelhos para não cair. Cerrou os dentes, tentando lutar contra a dor que o puxava para a inconsciência. Após alguns segundos, a dor diminuiu e ele suspirou tremulamente. Parecia que Voldemort descobrira. Ele sorriu sombriamente e retirou as duas Horcruxes de seu pescoço. Queria destruí-las. Agora.

Colocou-as no chão, encarando-as silenciosamente. Os primeiros passos de sua vingança. Era realmente inteligente destruí-las agora? Ele não estava com uma boa concentração, precisava desesperadamente dormir... mas havia uma parte dele que não conseguia mais suportá-las por perto. Precisava se livrar delas imediatamente.

Sacou a varinha e apontou-a para as Horcruxes, o ódio finalmente o dominando. Afinal, queria fazer isso fazia algum tempo. Toda a dor que sentira ao longo dos anos piscou em sua mente, a sensação de perda, desespero, traição e culpa crescendo em seu peito. Sentiu sua magia pulsar, erguendo-se para defender, para atacar. Levantou a varinha, o feitiço do Fogomaldito já em seus lábios, quando as Horcruxes se consumiram em chamas, que lamberam os dois objetos antes de explodi-los, transformando-os em pó.

Harry observou com os olhos arregalados, e cambaleou para trás. Isso não devia ter acontecido, pensou. Sacudiu a cabeça. Será que importava como elas eram destruídas? O importante era que haviam sido destruídas.

xxx

Harry bateu de leve na porta, olhando à volta. Não havia ninguém ali, mas ninguém abriu a porta também. O que ele esperava? Estava no meio da noite, Ginny estaria dormindo. Com toda sua sorte, ela provavelmente colocara feitiços silenciadores. Não tinha tempo para aquilo. Agarrou o trinco, concentrando-se. O buraco da fechadura brilhou antes da porta se abrir.

O rapaz entrou, acendendo as luzes e fechando a porta antes de seus olhos pousarem na cama. Ela estava deitada de costas, a colcha enroscada entre suas pernas e seu cabelo espalhado sobre o travesseiro. Sua respiração estava regular, ainda dormia. Por um segundo insano, quis apenas tirar os sapatos e rastejar até ficar ao lado dela na cama, esquecendo-se de tudo que acontecera.

Harry caminhou até ela.

"Ginny, acorde." Ele sacudiu gentilmente os ombros dela, que resmungou alguma coisa e se afastou dele. Ele a sacudiu novamente. "Ginny."

Ela gemeu, colocando o travesseiro sobre a cabeça. Harry segurou o lençol e puxou para longe dela.

Ginny gemeu novamente, resmungando, sua voz abafada pelo travesseiro.

"Cai fora, estou dormindo!"

Harry sorriu cansado, inclinando-se sobre a cama para alcançá-la e sacudindo-a novamente.

"Ginny, acorde."

A cabeça da garota apareceu por debaixo do travesseiro, e ela tentou olhar para ele, piscando contra a claridade da luz, seu cabelo bagunçado.

"Harry?"

Ele deu-lhe um momento, enquanto sentava-se na cabeceira da cama, observando-a piscar diversas vezes, esfregando os olhos.

"Vamos nos mudar."

"Quê…?" Ela piscou novamente. "O que está fazendo aqui?"

"Vamos, arrume suas coisas." Ele desviou o olhar, examinando o quarto. Não estava tão arrumado quanto da última vez. Tinham que arrumar as coisas dela, pegar algo quente para ela vestir e desaparecer dali. Ele se levantou e caminhou até a cadeira, pegando um dos pulôveres e jogando nela. Atordoada e confusa, ela colocou-o sobre a cabeça.

"O que aconteceu?" perguntou ela, sua voz ainda rouca.

Harry balançou a cabeça.

"Não temos tempo para isso agora. Vamos."

Ele pegou a bolsa dela, guardando tudo que estava espalhado.

Ginny finalmente saiu da cama.

"Deixe-me fazer isso," disse ela, pegando a bolsa das mãos dele e empurrando suas coisas dentro dela. "Para onde vamos?" Harry se afastou, observando-a. "Por que tenho que me mudar agora?" Ela olhou a hora. "Merlin, está no meio da noite!"

"Pare de reclamar. Apenas se apresse." Ela olhou para ele por cima do ombro antes de colocar o resto de suas coisas dentro da bolsa.

"Posso pelo menos colocar uma calça de verdade?" A garota apontou para o pijama com uma mão, segurando o jeans que separara com a outra. "Sabe, menos suspeito." Ela sorriu para ele.

Harry suspirou.

"Apenas coloque por cima do seu pijama." Harry pegou a bolsa do chão, encolhendo-a.

"Isso é desconfortável…"

Harry olhou para ela e ela parou, xingando-o baixinho enquanto vestia o jeans. Ele colocou a bolsa em seu bolso, depositando-a ao lado da sua, que já estava lá. A garota calçou os sapatos e o encarou. Ele ofereceu-lhe a mão, e ela olhou desconfiada para ele.

"Aparatar?"

Harry revirou os olhos e assentiu enquanto segurava o braço dela, puxando-a para a aparatação conjunta.

Eles desembarcaram num beco escuro, iluminado apenas por uma lâmpada que crepitava do outro lado da rua. Harry olhou em volta depressa, orientando-se antes de puxá-la. Ginny praguejou e ele revirou os olhos. Ela tropeçara de novo? Ele seguiu em frente, arrastando-a. Sua pequena mão agarrada à dele, tentando afrouxar o aperto.

"Eu sou perfeitamente capaz de andar sozinha," sibilou ela para ele.

Ele a soltou, mal olhando para ela enquanto caminhava pelo beco em direção à rua iluminada. Por um momento, ele não escutou os passos dela atrás de si e estava prestes a se virar quando ela correu até ele, agarrando seu pulso.

"Hum... Harry?"

Ele se virou, lançando-lhe um olhar aborrecido.

"Quê?"

"Você não quer tirar sua capa primeiro?"

Por um instante, ele congelou e olhou para baixo, notando que, de fato, ainda usava a capa. Sem olhar para ela, o rapaz abriu os botões e retirou-a, encolhendo-a silenciosamente e colocando-a em seu bolso.

"Você está bem?" sussurrou ela.

"Estou bem," retrucou ele.

Ele esperou que ela retrucasse de volta, mas, em vez disso, Ginny apenas perguntou:

"O que aconteceu?"

Ele olhou em volta rapidamente.

"Aqui não."

Ela concordou relutante e ele virou-se em direção à rua novamente, chegando à esquina com alguns passos largos. Em pé na rua, ele deu outra olhada ao redor e, encontrando o que procurava, desceu mais pela estrada. Ela o alcançou e caminhou em silêncio ao seu lado por um tempo.

"Você não vai me dizer o que aconteceu, vai?"

Harry a encarou.

"Aqui não."

"Você está com raiva," reparou ela.

"Ah, sério?" perguntou ele com sarcasmo.

Ela não deixou aquilo irritá-la. Por que estava tão calma, afinal? Ele esperava que ela já estivesse em seu pescoço.

"Será que alguém descobriu sobre mim?"

Harry gemeu.

"Não."

"Aconteceu alguma coisa com Damien?"

"Não."

Ela ficou em silêncio por um momento, e ele quase pensou que ela tinha se mancado, mas ela falou novamente:

"Você partiu, não foi?"

Harry olhou para frente, obrigando-se a respirar fundo. Como ela adivinhara? Por fim, ele assentiu com a cabeça. Ela não disse nada, mas sua pequena mão encontrou a dele e apertou-a de leve. Por um segundo, ele prendeu a respiração.

Ele parou diante de outra pequena pousada, empurrando a porta. Eles entraram juntos. Numa primeira olhada, podia-se ver que era acabada, mas seria o bastante para uma ou duas noites até se mudarem novamente. Não ficariam em um mesmo lugar por muito tempo agora.

Harry visualizou uma figura solitária num canto pouco iluminado. Caminhou até a pessoa, puxando Ginny consigo. Era um homem velho, cujos olhos os seguiam.

"Deixe-me adivinhar: quarto para dois?" Ele olhou de soslaio para as mãos deles, que ainda estavam atadas.

Harry fechou a cara para ele.

"Não, dois quartos."

O homem riu.

"Não há razão para ficar chateado comigo, rapaz."

Harry abriu a boca, mas Ginny se adiantou:

"Se quiser manter sua língua no lugar, é melhor calar a boca agora."

O homem jogou a cabeça para trás e gargalhou.

"Do tipo mal-humorada, hã?"

Ginny soltou a mão dele e cruzou os braços sobre o peito, murmurando algo sobre "Azaração para Rebater Bicho-Papão."

Enquanto isso, o homem pegou um pequeno livro e passou as páginas.

"Nomes?"

Harry pegou um pergaminho em branco e entregou a ele.

"Isso vai lhe dizer tudo que precisa saber."

O homem franziu o cenho, mas pegou, encarando o rapaz intensamente por alguns instantes. Ginny se mexeu ao lado dele, e quando olhou para ela, a garota apontou confusa para o pergaminho. Harry balançou a cabeça, gesticulando para que ficasse calada. Ela franziu a testa, mas não disse nada. O homem devolveu o pergaminho, rabiscando alguma coisa em seu livro.

"Suas chaves, senhor." Ele entregou duas chaves enferrujadas a Harry. "É no andar de cima, basta virar à esquerda."

O rapaz assentiu e dirigiu-se às escadas. Ela o seguiu.

Lendo os números nas chaves, ele apontou para a porta.

"Esse é o seu." Harry entregou a chave a Ginny e em seguida apontou para o corredor. "Acho que o meu é mais embaixo. Número 5."

Ela assentiu em silêncio.

"Minha bolsa?"

Harry entregou-lhe a bolsa encolhida.

"Consegue desencolhê-la?"

A garota olhou feio para ele.

"É claro." Ela cruzou os braços novamente. "Você ainda me deve uma explicação."

Harry suspirou.

"Amanhã?"

Ela o olhou demoradamente antes de assentir.

"Mas eu vou conseguir uma?"

Harry assentiu. Nunca dissera que ela conseguiria uma longa explicação...

"E tranque a sua porta." Ele apontou para as escadas. "Eu não confio nele."

Ginny bufou.

"Quem confiaria?"

Harry forçou-se para sorrir, cansado. Dando-lhe boa noite, ele desceu pelo corredor em direção ao seu quarto. O garoto o destrancou, ligando as luzes. A próxima coisa que fez foi usar alguns feitiços de limpeza. Em seguida, desencolheu sua sacola, colocando-a num canto antes de tiras seus sapatos e seu pulôver. Alisou a camisa e esfregou os olhos. Tinha acabado de desabar na cama, colocando a cabeça no travesseiro, pronto para conjugar alguns feitiços silenciadores e de proteção, quando alguém bateu na porta. Ele gemeu.

"Sou eu: Ginny."

Ele acenou com a mão e escutou a porta se abrir. Ouviu os passos suaves dela, que provavelmente estava espiando para dentro.

"Hum... nenhuma pergunta para segurança?"

"Muito cansado," murmurou ele em seu travesseiro.

"E se eu for um Comensal da Morte?" perguntou ela divertida.

"Então é sua chance de me matar." Ele rolou de costas e levantou a cabeça, observando-a fechar a porta e entrar sem jeito no quarto. "Sabe, dizer o número do meu quarto não foi um convite."

Ela cruzou os braços novamente.

"Eu sei."

"O que é, então?" perguntou ele, desabando no travesseiro.

"Não vai me convidar para sentar ou algo assim?"

"Não."

Ela amarrou a cara para ele antes de sentar-se ao pé da cama. Ginny puxou as pernas para cima, e envolveu-as com os braços, olhando para Harry. Por um momento, ele encarou os tornozelos dela e as pequenas sardas que havia neles. Ele piscou os olhos, erguendo os olhos para rosto dela novamente.

"Sabe, eu não te dei permissão para sentar aí." Ele a cutucou com o pé.

A garota olhou severa para ele.

"Isso é sério."

"Não pode esperar para amanhã?"

"Não, isso é muito sério. Eu queria te dizer antes, mas esqueci da última vez e eu só lembrei agora porque você sempre aparece quando eu não estou esperando e..."

"O que queria dizer?" Ele a interrompeu.

"A Ordem sabe sobre Alex."

Harry sentou-se abruptamente.

"Quê?"

"Eu te disse que era sério," disse ela, presunçosa.

"Isso não é sério. É perigoso," corrigiu ele. "Como eles…? Como você sabe?"

"Damien me disse." Harry abriu a boca, pronto para perguntar por que seu irmão dissera a ela. "Ele não se deu conta do que significava ou teria dito a você diretamente. Ele me disse que Professor Dumbledore tinha algumas memórias suas." Harry praguejou, girando involuntariamente seu anel, o diretor provavelmente descobrira sobre sua penseira. Quais memórias teriam visto? "Damy estava lá quando assistiram a uma delas e alguém te chamou de Alex. Eu acho que foi no Little John's, pois Damy disse que você estava lutando com trouxas. Ele também disse que eles estavam tentando te encontrar dessa forma."

Harry praguejou novamente.

"Ele disse alguma coisa sobre John e Fiona?"

Ginny franziu a testa.

"John e Fiona? Não. O que têm eles? Quem são?"

Harry balançou a cabeça.

"Não tem importância." Talvez ainda não tivessem descoberto sobre os Longbottom. "Quando foi isso? Quando eles viram essa memória?"

"No dia do último ataque a Hogsmeade."

Harry contou silenciosamente. Tinha sido há alguns dias, há alguns muitos dias. Podiam tê-los encontrado. Ou podiam ter encontrado Amy e descoberto sobre Ginny... seu coração acelerou. O pânico espalhou-se por seu corpo.

"Ele disse mais alguma coisa?"

"Não, isso é tudo."

"Tem certeza?"

Ela mordeu o lábio, claramente pensando em tudo novamente.

"Sim, tenho certeza."

Harry levantou-se da cama, calçando os sapatos e colocando o pulôver novamente. Em seguida, procurou o casaco na bolsa, vestindo-o também.

"Pode voltar para a cama," disse ele a Ginny, enquanto abotoava os botões. "Para sua própria cama."

"Mas…"

"Conversamos amanhã." Harry passou a mão pelo cabelo. Dormir tinha que esperar um pouco mais. Havia pessoas que tinha que visitar, algumas memórias para modificar, algumas viagens para planejar...

xxx

Harry deixá-los mais uma vez partira o coração de James novamente. Mas seu desejo de encontrá-lo crescera também. Por conta disso, eles tornaram a intensificar as buscas. Após não conseguirem encontrar Alex na primeira vez, o auror quase perdeu as esperanças. Mas então Sirius encontrara uma pista sobre alguém chamado Amy Jackson, e isso os levara para onde estavam agora.

"Você tem certeza que é isso?" perguntou ele a Sirius, fazendo uma ligeira careta para o café em frente do qual estavam.

Sirius assentiu.

"Tem que ser." Ele verificou silenciosamente um pedaço de pergaminho em sua mão e assentiu de novo. "Endereço correto, nome correto."

Com a ajuda de Lily, tinham conferido algumas listas telefônicas de Londres, esperando encontrar a Amy Jackson correta. Tinha achado várias e agora estava viajando de uma casa à outra para ver qual Amy era a certa. Uma tinha sido uma idosa que jamais conhecera um Alex. Outra tinha sido uma mulher casada, tentando pegar sua filhinha. Ela conhecera vários homens chamados Alex, mas nenhum deles parecia ser Harry. Em seguida pararam em frente a um grande edifício, onde uma garota lhes dissera para verificarem no café em frente ao qual estavam agora, dizendo que Amy não estava em casa e sim trabalhando, e que a encontrariam ali.

"Você está bem, Prongs?" perguntou Sirius, tirando James de seus pensamentos.

Ele tentou sorrir para o melhor amigo.

"Tão bem quanto posso estar. Vamos torcer que ela seja a certa."

"Vamos torcer que ela seja a certa e que possa nos ajudar."

James assentiu com a cabeça, concordando silenciosamente, e caminhou até a entrada do café. Empurrou a porta, Sirius em seu encalço. Foi ele quem localizou a primeira garçonete, não muito longe deles. Era uma mulher pequena, com cabelos escuros. Sirius acenou para o amigo segui-lo e eles adentraram o recinto.

"Com licença, senhorita?" A garçonete virou-se para Sirius. Ele lançou-lhe seu sorriso mais encantador, e ela sorriu de volta. "Você é Amy Jackson?"

O sorriso dela sumiu e ela negou com a cabeça.

"Não, ela é aquela." Ela meneou a cabeça para a outra garçonete, que no momento servia bebidas na parte de trás do café.

"Obrigado." Ele sorriu para ela antes de se virar, aproximando-se de James. "Então, vamos ver se é ela mesma."

James assentiu, caminhando em meio às fileiras de mesas e cadeiras. Sirius o seguiu. Ele procurou uma mesa vazia, esperando que pegassem uma servida por ela. Finalmente escolheram uma e se sentaram. Foi no momento que Amy Jackson se virou. Sirius sussurrou baixinho:

"Sabe, Prongs, se ela for a certa e não houve alguma coisa entre ela e Harry, ele é completamente maluco."

James se inclinou para o amigo.

"Eu te disse, ela provavelmente é uma trouxa. De jeito nenhum houve 'alguma coisa" entre eles.'" Em seguida, após olhar novamente para ela, ele adicionou: "De qualquer forma, ela é muito velha para ele."

Sirius sorriu de lado.

"Sabe, garotos adolescentes tendem a esquecer de coisas como guerra, idade e ideologia quando veem garotas como essa."

"Você saberia tudo sobre isso, não é? Você ainda 'se esquece de coisas como guerra, idade e ideologia quando vê garotas como essa.'"

"Pode bancar o inocente o quanto quiser, Prongs, mas eu sei que você também está olhando."

James sorriu.

"Sou um homem casado muito feliz, muito obrigado."

"Eu sei, James. Eu sei." Por um segundo, Sirius manteve um olhar distante em seu rosto antes de piscar os olhos e voltar à realidade. "Então vamos ficar um pouco mais felizes e encontrar Harry." Ele acenou para Amy Jackson.

Ela recolheu o dinheiro de um casal antes de ir até eles.

"Boa tarde. O que posso trazer para vocês?" James notou que os olhos da garota estavam grudados nele, mesmo depois de Sirius pedir dois cafés. "Desculpa perguntar, mas você tem parentesco com algum Alex? Ele parece muito com você."

James e Sirius se entreolharam rapidamente. Parecia que a encontraram.

"Sim, de fato. Ele é a razão de estarmos aqui, para falar a verdade. Tem um tempinho para falar conosco?"

Ela sorriu como que se desculpando.

"Sinto muito. Eu estou em maus lençóis com o meu chefe. Não posso tomar a liberdade de fazer um intervalo agora."

James revirou os olhos ao ver Sirius abrir um sorriso em resposta.

"Quando acaba seu turno?"

Ela deu uma olhada em seu relógio.

"Em meia hora."

"Nós vamos esperar," disse ele, seu sorriso brilhando mais ainda.

"É muito importante," acrescentou James, cutucando Sirius com o pé por baixo da mesa.

"Nada aconteceu a Alex, não é?"

James balançou a cabeça.

"Não, não precisa ficar preocupada."

Ela pareceu aliviada.

"Dois cafés, certo?" James assentiu. "Eu trago num instante." Ela caminhou até o bar, recolhendo alguns pratos sujos em seu caminho.

Assim que ela se afastou o suficiente, James inclinou-se para perto do melhor amigo, sibilando para ele:

"Pare com isso, Sirius! Você podia estar dando encima da namorada do seu afilhado, sabe disso, certo?"

Sirius sorriu satisfeito.

"Eu pensei que ela fosse muito velha para ele."

"Sim, mas ela é muito nova para você."

Sirius pressionou os lábios, parecendo insultado. James revirou os olhos. Amy trouxe os cafés e eles beberam em silêncio, esperando que o turno dela acabasse. Quando isso aconteceu, ela trouxe outra xícara de café, perguntando se eles também queriam. Eles disseram que não.

"Eu volto num segundo, vou só devolver." Ela apontou para a bolsa de garçonete. Os dois assentiram. Assim que ela se virou, Sirius inclinou-se em direção à xícara dela, acrescentando algo discretamente.

"Sirius? O que você está…?" indagou James.

"Conjure um 'Muffliato'" interrompeu-lhe Sirius.

James o fez e adicionou um feitiço não-me-note.

N/T: o feitiço "notice-me-not" ou "não-me-note" é algo criado por fãs, é um feitiço "fanon" rs Serve para que ninguém se aproxime ou prestes atenção neles.

"Foi veritaserum que você colocou, não foi?"

Sirius assentiu.

"Queremos que ela fale a verdade, não é?"

James estava prestes a reclamar com ele, dizendo que não podiam fazer aquilo; mas o amigo estava certo. Podiam fazer aquilo. Ninguém jamais saberia e precisava que ela dissesse a verdade. Precisava encontrar Harry, e se isso pudesse ajudá-los...

Amy voltou, sentou-se e mexeu seu café.

"Então... qual o seu parentesco com ele, se não se importa que eu pergunte?"

"Eu sou o pai dele."

Amy sorriu.

"É um prazer conhecê-lo, senhor."

"Pode me chamar de James."

Ela sorriu para ele.

"Eu sou Amy."

James observou-a tomar um grande gole de café, trocando um olhar silencioso com Sirius. Ela pousou a xícara. Seus olhos estavam leitosos quando olhou para eles.

"Qual a sua relação com Alex?" perguntou Sirius, sorrindo para James.

"Eu sou namorada dele," disse ela numa voz monótona, antes de se contorcer. "Ex-namorada, namorada, ex-namora..."

"Obrigado," interrompeu James. Era evidente que ela não sabia ou não tinha certeza. "Quando o viu pela última vez?"

"Há meses." Ela franziu o cenho. "Semana passada."

Sirius e James trocaram olhares confusos. Isso não devia acontecer. Quando tinha sido a última vez que ela realmente o encontrou?

"Onde você o encontrou semana passada?"

"Na Destiny. Ele estava dançando com uma loira."

"Você sabe quem é ela?"

"Não."

"Você falou com ele?"

"Não."

"Você apenas o viu, então?"

"Sim."

"Você sabe onde ele está agora?" perguntou James. Afinal, essa era a pergunta mais importante.

"Não."

Os ombros dele afundaram em desapontamento. Ela não sabia.

"Você sabe como entrar em contato com ele?" perguntou Sirius. James abriu os olhos, olhando agradecido para Sirius.

"Sim."

"Como você entra em contato com ele?" demandou James ansiosamente.

"Eu ligo para o celular dele."

Sirius pegou um pedaço de pergaminho com os nomes e endereços. James entregou-lhe uma caneta.

"Qual é o número dele?"

Ela disse, e Sirius anotou. Eles trocaram olhares esperançosos. Podiam ligar para ele. Talvez James finalmente pudesse falar com ele. Ele podia lhes dizer onde estava, James poderia levá-lo para casa e finalmente poderiam ser uma família. Lágrimas de alívio brotaram em seus olhos, mas ele as conteve. Harry ainda não estava em casa.

"E onde você o encontra normalmente?"

"Na Destiny."

"Onde fica?"

Ela lhes deu o endereço. Sirius e James se entreolharam de novo, perguntando-se silenciosamente se tinham alguma outra pergunta. O rosto de Sirius se iluminou.

"Você sabe onde ele luta?"

"Não."

O rosto de Sirius encheu-se de decepção.

"Não custa nada tentar, hã?"

James assentiu.

"Acho que já pode dar o antiserum a ela."

Sirius assentiu e enquanto despejava a substância na xícara de Amy, James encarava os números no pergaminho com um sorriso no rosto. Com cuidado, ele o pegou, segurando-o com força em suas mãos. Agora podiam entrar em contato com Harry, podiam encontrá-lo. Ele estaria em casa.

xxx

Ginny ficara acordada por muito tempo, esperando que ele voltasse para lhe dizer o que acontecera. Ele não voltara e nas primeiras horas da manhã ela adormecera. Não dormira muito. Quando acordou, pensou em como ficaria se ele não voltasse mais, aquele sentimento idiota de medo em seu estômago.

Era onde ela estava agora, batendo na porta dele. Quando não escutou nada, bateu novamente. A porta abriu, e Harry gemeu ao avistá-la.

"Weasley, por mais que eu aprecie sua necessidade constante de me ver, eu preciso dormir."

Parecia que ela o acordara, pelo olhar em seu rosto e sua aparência. Por um momento, ela apenas encarou seus cabelos ainda mais indomados e sua camisa amarrotada. Ele recostou-se na soleira da porta e sorriu debochado. Ginny voltou à realidade.

"Você me deve uma explicação," disse ela.

O sorriso desapareceu do rosto dele e o garoto suspirou.

"Você está me acordando para isso?"

"Você disse amanhã, e já é amanhã."

Harry revirou os olhos.

"Você não está falando sério, está?"

A garota apenas o encarou. Ele virou a cabeça, olhando por cima do ombro rapidamente antes de suspirar.

"Me dê um minuto."

Ele fechou a porta na cara dela. Idiota. Ginny cruzou os braços, esperando que ele voltasse. Se fosse como seus irmãos, voltaria para a cama e a deixaria esperando. Parecia que não era, pois abriu a porta alguns minutos depois, completamente vestido.

"Vamos procurar um lugar para tomar café. Dessa forma, vai valer pelo menos um pouco a pena ter acordado agora." Ela assentiu, percebendo que podia comer alguma coisa também.

Ela saiu da pousada atrás dele, e o rapaz seguiu por uma rua, espreitando cada café com o qual se deparavam. Ginny correu atrás dele, observando-o olhar outro café antes de seguir em frente. Ela suspirou, estava ficando com muita fome e ele não tinha nada melhor a fazer que passear à procura do que fosse que estivesse procurando.

Finalmente, algo pareceu chamar sua atenção, pois ele caminhou até a porta e segurou-a para ela entrar. Ela o fez, visualizando uma das poucas mesas que ainda estavam desocupadas. Ginny andou na direção dela, mas Harry a conduziu para outra, que ficava nos fundos.

Eles se sentaram.

"Tinham cafés adoráveis e calmos no caminho. Por que tinha que ser esse aqui?" Ela olhou em volta. "Está lotado e barulhento."

"Essa é a razão. Menos chances de sermos ouvidos." Harry olhou o cardápio. "Você já sabe o que quer?"

"Nós tomamos café da manhã diversas vezes juntos, e você ainda não sabe o que eu como?" perguntou ela o provocando. Ele olhou inexpressivo para ela. "Em Hogwarts?"

Harry torceu o nariz.

"Eu tinha coisa melhor a fazer que observar seus hábitos alimentares."

Ginny mordeu o lábio para impedir-se de dizer-lhe que sabia o que ele escolheria. Um garçom se aproximou e eles fizeram o pedido. Quando ele se foi, Harry ainda não tinha dito nada, deixando claro que não ia simplesmente contar a ela. A garota suspirou.

"Então, o que aconteceu?"

"Você já adivinhou."

Ela cerrou os dentes.

"Mas o que aconteceu exatamente?"

"Eu parti."

"Harry…" Ela estreitou os olhos para ele.

"Ginny…" disse ele, imitando a voz dela.

Ela recostou-se na cadeira, cruzando os braços.

"Você disse que me daria uma explicação."

"Eu nunca disse que seria uma longa explicação."

"Mas uma melhor que 'eu parti' seria legal."

"Nem sempre conseguimos o que queremos."

Ginny abriu a boca, pronta para lhe dizer onde podia enfiar aquela frase estúpida, quando o garçom se aproximou novamente, pousando uma xícara de café e outra de chá. Harry tirou o saquinho de chá da xícara e colocou-o novamente. Ginny acrescentou um pouco de açúcar no café antes de mexê-lo.

"Harry, me dê mais detalhes." Ele ergueu o olhar e seus olhos se encontraram. "Por favor." Ela apertou os lábios.

Harry tornou a abaixar os olhos para xícara.

"Você se lembra dos planos deles sobre as crianças?"

Ginny franziu o cenho.

"Sim, eles queriam mat…"

Harry ergueu os olhos abruptamente.

"Psiu. Há palavras que podem chamar a atenção das pessoas."

"Desculpa. Eu me lembro do plano."

"Eles pegaram uma e eu fui obrigado a cumpri-lo, como aconteceu com você e Damien."

Ginny olhou boquiaberta para ele. Eles queriam que ele matasse outra criança inocente?

"Mas você não cumpriu, certo?"

"Não, é claro que não." A expressão dele ficou sombria. "Mas não tinha como tirá-lo de lá sem estragar meu disfarce, então eu parti com a criança."

"Quem era? A criança?"

"O nome dele é Jamie." Sob o olhar confuso dela, ele acrescentou: "Jamie Podmore."

"Eu já escutei esse nome." Ginny franziu a testa. "Eu não sabia que eles tinham filhos."

O silêncio se apoderou deles. Ela revirou os olhos, tinha sempre que perguntar tudo, não é?

"O que você fez com Jamie?" perguntou, observando Harry retirar o saquinho de chá, enrolando-o na colher antes de colocá-lo de lado em uma tigela.

"Eu o levei para casa."

Ele acrescentou um pouco de leite em seu chá e mexeu.

"Você sabe onde eles moram? Nem eu faço ideia..."

"Não," interrompeu ele. "Eu o levei a Godric's Hollow."

"Ahh… essa casa." Ela sorriu de leve.

"Eu esperei até que eles o encontrassem para desaparecer, se está se perguntando."

"Eu não esperava que o deixasse lá sozinho... então seus pais o encontraram?" perguntou ela.

Harry assentiu.

"E alguns membros da Ordem. Um de seus irmãos estava lá também."

O coração de Ginny pesou dolorosamente.

"Qual deles?"

"Cabelo longo? Brinco?"

"Bill," concluiu ela.

O que Bill estivera fazendo lá? Harry não lhe dissera que eles não estavam mais na Ordem? Talvez tivessem mudado de opinião. Esperava que tivessem mudado de opinião. Ginny tomou um gole de café, enquanto Harry bebericou chá. O garçom se aproximou novamente, pousando a comida sobre a mesa. Eles começaram a comer.

"E o que você fez ontem à noite?"

"Eu..." Ele fez uma pausa. "Eu visitei Amy."

Ginny fez uma careta.

"Ela ficou surpresa em te ver?"

"Muito. Eu me assegurei de que ela e Sarah não se lembrassem de você."

Ginny assentiu e ficou quieta. Eles não conseguiriam mais encontrá-la com a ajuda de Amy. Mas havia uma vozinha mais uma vez dizendo-lhe que talvez não tivesse sido tão ruim se a encontrassem. Harry o deixara agora, não é? Será que ela ainda tinha que ficar longe de casa também? Ela ponderou silenciosamente, sem arriscar perguntá-lo sobre isso.

"Então... e agora?"

Ele tornou a erguer os olhos, inclinando a cabeça levemente.

"Quer dizer, o que vai fazer agora?"

"Destruir objetos." Ele tomou outro gole de chá. Ela assentiu, suspirando alto. Harry pousou a xícara. "Devíamos estabelecer algumas regras também. Na verdade, eu já pensei sobre isso."

Aquela provavelmente tinha sido sua chance de perguntar-lhe sobre voltar para casa.

"Regras? Tipo o quê?"

"Tipo não me acordar novamente." Ele arqueou a sobrancelha.

Ginny revirou os olhos.

"Você podia simplesmente ter vindo me dizer que tinha voltado, assim eu não teria te acordado."

"Eu não queria me dar ao trabalho de te acordar mais uma vez," explicou ele. "Você tem o sono muito pesado," acrescentou ironicamente.

Ela fechou a cara para ele.

"Você também teria com uma casa cheia de irmãos. Se eu não tivesse, jamais teria conseguido dormir. Mas eu provavelmente estava acordada quando você voltou."

Harry deu de ombros.

"Não tinha como eu saber disso," apontou. "Mas eu estava falando sério quanto às regras. Precisamos pelo menos de uma batida de porta especial."

"Hum… que tal:"

Ela bateu três vezes na mesa, esperou, e bateu novamente.

Harry assentiu.

"Está bom."

Ela sorriu.

"Isso é brilhante, não bom."

"É só uma batida, nada mais," disse ele, revirando os olhos.

Ginny tomou outro gole de café.

"O que mais?"

"Eu vou comprar outro telefone celular quando acabarmos aqui, para mantermos contato com Damy."

Ela sorriu.

"Isso é ótimo."

"Pode ser útil também. Poderemos saber se estão perto de nos achar ou não. Vamos ter que nos mudar mais vezes agora que eles estão ativamente procurando por mim." Ele se inclinou, abaixando a voz. "Seria melhor se mudássemos nossa aparência sempre que possível."

"Por que está com sua própria aparência, então?" perguntou ela.

Harry suspirou, inclinando-se ainda mais sobre a mesa.

"Eu ainda não tenho certeza se eles podem rastrear minha varinha."

Ginny franziu a testa.

"Isso não é bom."

Harry assentiu.

"Eu vou mudar quando deixarmos a pousada e vou mantê-la por um tempo. Mas precisamos nos mudar depois que eu mudá-la, caso eles me rastreiem. Também devíamos mudar nossos nomes e relacionamento sempre que possível."

"Eu entendo os nomes, mas… hum… mudar nosso relacionamento?" perguntou ela, confusa.

"Sabe, eles só estarão procurando por mim. É bom sermos dois, não vão esperar por isso. Então, temos que usar essa vantagem a nosso favor. Podemos fingir ser irmãos, pai e filha..."

Ela fez uma careta.

"Argh... isso é estranho."

Harry sorriu de lado.

"Casados."

Os olhos dela se arregalaram.

"Eu não vou fingir ser sua esposa."

O sorriso de Harry se alargou.

"Eu vou até transfigurar um anel para você."

Ela sentiu o rosto queimar, mas não ia corar agora.

"Quer me contar alguma coisa?" perguntou ela, arqueando as sobrancelhas.

Ele tornou a ficar sério.

"Não. Não há nada que eu queria te dizer." Diante das sobrancelhas erguidas dela, ele acrescentou: "Acalme-se. É só faz de conta."

Ela sorriu, o desconforto amenizando.

"Tem certeza que não é um pedido?"

"Meu pedido de casamento provavelmente seria uma droga," brincou ele. "Mas não tanto."

"Ah, sei não, eu acho que seria realmente uma droga. Afinal, seria o seu pedido."

Harry estreitou os olhos.

"Golpe baixo, Weasley, muito baixo." A voz dele soou mais tensa do que ela esperava.

Ginny mordeu o lábio, franzindo a testa antes de algo surgir em sua mente para amenizar aquela situação.

"Eu ganhei esse round, Potter."

Harry bufou em seu chá.

"Sonha, Weasley."

Ela sorriu em seu café.

"O que devemos fazer quando algo não sair conforme planejado?" perguntou ele de repente.

Ela olhou confusa para ele.

"Hum... quê?"

"Sabe, se eles, por exemplo, me encontrarem e você não souber?"

Ginny estremeceu.

"Você espera que isso aconteça?"

"É claro que não." Harry sorriu um tanto sem graça. Ele estava mesmo preocupado com aquilo? Ela também tinha pensando naquela hipótese. Era bom que conversassem sobre aquilo. "Eu sou muito bom para isso, mas temos que estar preparados para todas as circunstâncias."

"Você podia comprar dois desses 'telefones celulares.' Eles servem para se comunicar, certo?" Harry assentiu, perdido em pensamentos. "Mas eu não faço ideia de como funcionam. Hermione tentou me explicar uma vez, mas, sabe..." Ela gesticulou com as mãos.

"Eu vou te mostrar."

"Obrigada." Ela sorriu agradecida.

Ele ficou em silêncio, evidentemente pensando em alguma coisa pela forma que tamborilava em sua xícara de chá e tinha o olhar distante, com uma carranca em sua face.

"Harry?"

Ele piscou e levantou os olhos.

"Hum?"

"Você está bem?"

"Estou bem," disse ele com uma voz dura.

Ela franziu o cenho.

"Sabe, com sua partida e tudo mais..."

"Estou bem," repetiu ele. "Você devia ir para casa."

Ginny o encarou, perguntando-se se tinha escutado direito.

"Eu devia ir para casa? Agora?"

O coração dela acelerou. Ele estava mesmo dizendo aquilo? Ela podia mesmo ir para casa? Vê-los novamente?

"Não agora." Havia algo nos olhos dele que ela não conseguia decifrar. "Quero dizer, se algo acontecer e você não conseguir entrar em contato comigo. Deve ir para sua casa. Eu vou te dar alguns sicles depois para que possa pegar o Nôitibus Andante."

"Eu…" A garota o encarou. Deveria perguntar ou não? Seria certo deixá-lo de qualquer forma? "Tudo bem."

"Terminou?" Ele apontou para os pratos e xícaras. Ginny assentiu e ele procurou por algo no bolso, provavelmente a carteira. "Consegue voltar sozinha?"

"Sim… por quê? O que quer fazer?"

Harry olhou para ela, fazendo uma ligeira careta.

"Quero fazer uma ligação telefônica."

xxx

"Mande-o entrar," ordenou Lorde Voldemort ao seu Comensal da Morte de baixo escalão. O homem assentiu brevemente e enquanto o outro Comensal saía depressa da sala, Lucius Malfoy entrou. Ele se curvou antes de ousar se aproximar.

Voldemort olhou para ele, observando a maneira que Lucius segurava a bengala com força. Ele só fazia aquilo quando algo desagradável estava para acontecer. Algo que podia lhe custar muito. Seus olhos se estreitaram um pouco antes de ordenar com um olhar cheio de fúria que o último Comensal na sala saísse. Com um aceno de sua mão, a porta se fechou.

"Onde ele está?"

"Milorde, eu fiz como me mandou: fui até a jaula onde ele é mantido prisioneiro..."

"Onde ele está, Lucius?" Voldemort levantou-se da cadeira, caminhando silenciosamente até o Comensal.

Lucius curvou a cabeça.

"Ele está morto."

A fúria cresceu dentro de Voldemort tão depressa que ele quase matou Lucius ali mesmo onde estava, mas cerrou os dentes, tentando se acalmar, e então percebeu que não precisava mais fazer aquilo, porque Harry não estava mais ali. Harry o abandonara. Harry merecia toda a dor que sua fúria podia trazer. Ele merecia o castigo.

"Como?"

"Milorde, eu não tive tempo de examiná-lo com atenção. Dê-me um dia e posso lhe dizer tudo..."

"Como?" rosnou ele.

"Não parecia uma Maldição da Morte."

"Lucius, como ele morreu?" repetiu, sua voz de repente calma, muito calma.

"Parecia com fome ou exaustão ou algo parecido…"

"Quando?"

"Não posso dizer com exatidão…" Voldemort levantou sua varinha, atacando Lucius silenciosamente. Ele parou de falar quando a dor alcançou seus sentidos.

"Quando, Lucius?"

"Milorde, eu…" O loiro engasgou, contorceu-se e levantou-se novamente, com a cabeça erguida. "Duas semanas."

"Peter Pettigrew morreu há duas semanas e você não notou antes?"

Lucius se contorceu de dor quando a Maldição Cruciatus o atingiu com força total.