Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Twenty-Five – Harry's Helpers
(Os Ajudantes de Harry)
Lily apertou o braço dele.
"Vá em frente, James," murmurou ela suavemente.
James assentiu e segurou o pedaço de pergaminho com mais força ainda. Com a mão trêmula, apertou os números e pôs o telefone no ouvido em seguida. Pelo que pareceram intermináveis segundos, nada aconteceu. Lily cruzou os braços, rezando para Harry atender. Sirius andava ao seu lado e ela olhou feio para ele. Precisavam ficar em silêncio, queria ouvir a voz do filho, queria ouvir o quão ruim era a situação. Queria poder ajudá-lo, queria...
"Damien?" perguntou James, arregalando os olhos. Lily olhou confusa para o marido, assim como Remus e Sirius. "Como...? Por quê...?" O auror olhou para o pergaminho novamente.
"James…?" perguntou Remus suavemente.
O auror ergueu os olhos.
"É Damien no telefone," disse James baixinho. "Porque Damien está no telefone?" perguntou desesperadamente, lágrimas brilhando em seus olhos.
Remus pegou a aparelho.
"James, me permita." Mas ele segurou o aparelho com força, os nós dos dedos ficando brancos. "Por que Harry não está aí?"
Houve passos nas escadas antes de a porta se abrir. Damien parou à porta, o rosto pálido.
"Pai, eu, eu posso explicar!"
"Como… por quê… você não pode..." James respirou fundo e soltou o telefone.
"Damien…?" perguntou Lily, o rosto tão pálido quanto o do filho. "Como você conseguiu o telefone celular?"
"Eu... eu…" Damien olhou para a direita e para a esquerda, como que procurando uma rota de fuga. "Harry me deu."
Lily o encarou em choque, assim como Remus, Sirius e James.
"Por quê?"
"É só para emergência! Ele me deu para garantir que pudesse chamar se algo saísse terrivelmente errado…"
"'Se algo saísse terrivelmente errado?'" repetiu James. "O que pode sair ainda mais errado?"
"Pai, poderia ser pior…" começou Damien, mas James o interrompeu.
"Poderia ser pior? Harry nos ligou e ele estava… está infeliz. Ele não pode voltar para casa! Nós não podemos ajudá-lo! Todos estão à procura dele! Querem a alma dele! O que pode ser pior que isso, Damien Jack Potter?"
"Eu… pai…"
"E por que você não nos contou? Nós estamos lá fora procurando por ele todos os dias e você não nos diz que tem uma maneira de entrar em contato com ele! Como pôde fazer isso? Você viu o quanto estamos sofrendo! E não disse nada! Para que descobríssemos dessa forma…" James gesticulou amplamente, olhando para Damien, que baixou a cabeça e encarou o chão.
"Harry não queria que eu contasse a vocês," falou o menino em voz baixa.
"Harry não queria que você contasse? Eu não me importo se ele te disse para não contar! Ele é nosso filho! Temos o direito de saber onde ele está! Nós queremos ajudá-lo, Damien! E você acha que pode esconder isso da gente..."
"James," interrompeu Lily, "se acalme e deixe Damien nos contar tudo."
James se virou para a esposa.
"Você não vê? Eles estão se falando pelas nossas costas! Eles se comunicam e nós estamos lá fora, procurando por ele com a resposta bem debaixo do nosso nariz! Damien mentiu para nós, ele traiu nossa confiança! É isso que ele fez!"
Damien encolheu-se.
"Pai, não é bem assim!"
"Prongs, acalme-se," disse Remus. "Vou fazer um pouco de chá para nós, e todos vocês se sentem e conversem sobre isso antes que mais acusações sejam feitas."
Lily lançou um olhar agradecido ao amigo, enquanto Sirius empurrava James em uma cadeira. Ela se sentou, assim como Damien, que torcia as mãos nervosamente, enquanto Remus tirava os utensílios necessários. Sirius sentou ao lado do afilhado, encarando Lily e James.
"Bem?" perguntou a ruiva quando o filho apenas encarou a mesa.
"Eu… quando Harry veio me visitar depois do Natal, ele não me deu apenas o pingente, mas o telefone celular também." James abriu a boca. Lily agarrou a mão do marido e sacudiu a cabeça quando ele olhou para ela. "Eu... ele só me ligou uma vez, me dizendo o número no qual eu podia contatá-lo... para emergências! Ele queria que eu ligasse se algo importante acontecesse. Não nos comunicamos. Não mesmo! Ele não queria que eu dissesse a vocês. Sinto muito! Eu achei que podia manter vocês todos felizes e tão seguros quanto eu pudesse! Eu não queria decepcionar nenhum de vocês. Eu..." O menino se esforçou para encontrar palavras, mas desistiu por fim, lançando um olhar demorado e cheio de desespero a cada um deles.
"Filhote, você não devia ter mantido isso em segredo de maneira alguma," disse Sirius.
Lily assentiu enquanto James olhou feio para o menino.
"Você não devia mesmo."
"Sinto muito," repetiu Damien, muito mais calmo.
Lily trocou um longo olhar com Sirius e Remus e em seguida virou-se para James. Eles tinham que conversar sobre aquilo sem Damien. Tinham que decidir o que fazer agora, como continuar...
"Me traga o telefone," disse James por fim.
"Quê? Por quê?" perguntou Damien confuso.
"Só obedeça."
Damien levantou-se e desapareceu, voltando momentos depois com o telefone celular nas mãos. James estendeu a mão e o menino lhe entregou. Por um longo momento, o auror encarou o objeto.
"James?" perguntou Lily suavemente.
"Damien?" perguntou o pai, erguendo os olhos.
"Sim, pai?"
James estendeu o telefone para o mais novo pegar.
"Você quer fazer as pazes?"
Damien assentiu.
"É claro, pai. Nunca foi minha intenção..."
Mas James o interrompeu.
"Ligue para Harry, então."
"Quê?" engasgou Damien.
"Eu quero que ligue para ele. Pergunte onde ele está."
"Não, pai, não! Eu não posso… você não pode! Você vai até ele, não é?" James assentiu. "Harry vai me matar por isso," murmurou e James baixou o braço.
"Isso não é brincadeira, Damy!" repreendeu Lily.
"Quem está brincando?" perguntou ele deprimido. "Ele não quer que vocês o encontrem... por que não podem aceitar isso?"
"Damien…!"
"Eu sei por que vocês querem, mas… ele não vai gostar que a gente apareça e vai mesmo me matar." Damien engoliu nervosamente.
Lily podia ver que lágrimas de desespero se formavam nos olhos do filho.
"Se quiser, pode ficar aqui," disse ela calmamente, lançando-se por cima da mesa para acariciar o rosto dele confortavelmente. O menino recostou-se.
"Isso não vai mudar nada, mãe! Ele vai ficar muito furioso. É culpa minha..."
"Não é culpa sua, Damy, é de Harry. Ele fugiu e vai voltar para casa agora," disse Lily energicamente.
"Mãe, você não entende. Ele confiou em mim. Eu não posso..."
"Damien, Harry não vê as coisas do ponto de vista certo. Ele está muito mais seguro aqui," argumentou James. O menino encarou os dois e desviou o olhar. "Eu quero que faça isso agora."
"Você não pode me obrigar, pai!" disse Damien desesperadamente.
James se levantou e andou em volta da mesa. Segurou a cabeça do filho, forçando-o a olhar em seus olhos.
"Você tem que fazer isso, Damien."
O garoto curvou a cabeça, os ombros caindo para frente.
"Eu não posso, pai. Eu não posso."
"Damy, não consegue ver o quanto isso é importante? Por favor! Eu te imploro. Nós só queremos que nosso outro filho esteja em casa também."
"Pai…"
Damien ergueu os olhos cheios de lágrimas. Eles se encararam por um instante sem fim, nos quais Lily agarrou a borda da mesa. Aquela era a única forma...
"Me dê o maldito telefone, então."
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Eles reapareceram em uma rua empoeirada. James olhou em volta imediatamente, procurando por cobertura e inimigos. Não havia ninguém ali. Acenou para Lily e ela afrouxou ligeiramente o aperto em Damien. Remus e Sirius decidiram ficar, não queriam atrapalhar esse momento familiar. James lhes dissera que eles eram família, mas talvez fosse realmente melhor que fossem apenas o três. Seu coração batia rápido. Harry dissera ao irmão onde estava. Damien tinha dito que era uma emergência, que precisava vê-lo. James quase lhe disse para pedir a ele voltasse para casa, mas não o fez. Muito suspeito. Eles não desperdiçaram nenhum minuto antes de aparatar ali.
James tornou a olhar em volta antes de descerem pela rua, até o endereço que Harry dissera a Damien. Era um prédio pequeno e gasto. O rapaz estava, de fato, se escondendo no mundo trouxa. Damien os levou até um pequeno saguão e subiu as escadas.
"Harry disse que é o quarto número 5," disse ele, virando-se.
James assentiu e o seguiu, assim como Lily. Após alcançarem o andar seguinte, decidiu que não era um lugar bacana para ficar e também não parecia tão seguro. Suas preocupações aumentaram, assim como o batimento cardíaco. Finalmente, o menino parou diante de uma porta, lançando-lhes um último olhar perturbado. O auror assentiu e o garoto bateu à porta. Houve um momento de silêncio antes dela se abrir. James mal conseguiu olhar para Harry antes dela ser fechada novamente.
"Harry?" perguntou baixinho. "Por favor, abra a porta."
"O que você quer?" perguntou o jovem do outro lado. "Resolveu que se eu não voltar para casa, você virá até mim? Trouxe mais alguns aurores para ter certeza que eu realmente volte?"
"Harry, não! É claro que não. Jamais faríamos isso. Você é parte de nossa família." James se aproximou da porta. "Por favor, Harry, nós queremos falar com você."
"Por favor, Harry, querido, abra a porta," disse Lily, sua voz cheia de desespero.
Houve um momento tenso de silêncio antes de Harry abrir uma brecha. Seus olhos passaram sobre todos eles, fixando-se em Damien – que engoliu em seco nervosamente – antes de ele abri-la por completo. Eles entraram e Harry fechou a porta. Acabara de se virar, encarando-os novamente e abriu a boca quando Lily se adiantou e o abraçou.
"É tão bom te ver," disse ela baixinho.
Harry ficou lá, sem jeito, dando tapinhas nas costas dela.
"Está tudo bem."
Lily se afastou e sorriu para ele. Carinhosamente, estendeu a mão e James observou-a acariciar seu rosto, os dedos trilhando os círculos escuros sob os olhos do filho.
"Você parece cansado," observou ela ao afastar alguns fios de seu cabelo para o lado.
Harry deu um passo para trás e Lily afastou a mão.
"Eu…" começou ele, mas parou, parecendo desconfortável.
"É tão incrível," disse ela, ainda olhando para ele.
James não podia concordar mais. Era incrível estar ali em um quarto com ele, pela primeira vez sem temer que ele fosse atacar, sabendo que não os odiava.
"Eu não preciso perguntar como me encontraram," disse Harry por fim, cruzando os braços e olhando para Damien.
"Sinto muito. Eu… eles…" Damien arrastou os pés e olhou para o chão.
"Não é culpa dele. Eu implorei para ele te ligar após descobrirmos que você deu o telefone a ele," explicou James.
"Ele só queria deixar todos nós felizes," acrescentou Lily.
O olhar furioso de Harry não amoleceu.
"Como eles descobriram?" perguntou, ignorando-os e concentrando-se apenas em Damien.
"Eles descobriram de alguma forma o número do telefone que você me deu. Eu pensei que fosse você e atendi a ligação. Eu... eles... eu não tive como não os contar como você me deu o telefone para emergências após o Natal. Eu sinto muito. Eu não queria."
Harry continuou a encará-lo com raiva.
"E por que você me ligou, dizendo que era importante...?"
"Eu… Harry… Eu não podia não ligar. Você devia ter visto a cara deles. Eu..." Damien se encolheu diante do olhar do irmão.
"Eu confiei em você," disse Harry num tom de voz frio.
"Ora, Harry, não é culpa dele," interrompeu James, sentindo pena do filho mais novo. Damien não contara a eles, mas não merecia a raiva de Harry. "O que você estava pensando, afinal? Você devia ter nos contado sobre o telefone celular!"
Harry voltou-se para o pai.
"Você nunca teria concordado em eu ficar longe."
"É claro que não! Você tem que ficar em casa, seguro. Não aqui..." James gesticulou amplamente, tornando a olhar em volta.
Os olhos de Harry ficaram ainda mais frios, e quando Lily estendeu a mão em sua direção novamente, ele se afastou, com os braços ainda cruzados.
"Como eu já disse: eu não posso. Vocês simplesmente não entendem."
"É claro que entendemos. Harry. Será que pode mesmo nos culpar por querer você em casa?" perguntou Lily desesperada.
Harry não a encarou, mas seu olhar pareceu amolecer um pouco. James estava prestes a abrir a boca para argumentar mais, para fazê-lo concordar finalmente, mas Harry foi mais rápido.
"Como é que descobriram o número, afinal?"
"Nós encontramos Amy Jackson," afirmou James.
Harry arqueou a sobrancelha.
"Ah, encontraram?" perguntou, soando não tão surpreso quanto James imaginara.
"Sim… ela é sua namorada?" perguntou ele, tentando um sorriso.
"Não."
James franziu o cenho.
"Ela parecia achar que sim… ou não. Ela parecia confusa."
"Ela não é." Harry pressionou os lábios. "Como descobriram sobre ela?"
"Nós descobrimos sobre seu pseudônimo 'Alex' através de sua Penseira e procuramos por você. Alguém mencionou Amy," explicou James, cujos olhos pousaram sobre o anel prateado no dedo de Harry. "Como você o conseguiu de volta?"
Harry sorriu de lado, olhando para o anel.
"A segurança de Dumbledore deixa um pouco a desejar."
James trocou um olhar desconfortável com Lily. Queria defender Albus, mas decidiu não fazê-lo. Não era o momento para tentar mudar a visão de Harry sobre o diretor. Um tenso silêncio os dominou. James arrastou os pés, tentando encontrar uma forma de convencê-lo a ir com eles. Foi quebrado por alguém batendo à porta. Quem quer que fosse parecia estar apressado, porque ele ou ela bateu quatro vezes seguidas, com uma pequena pausa apenas.
"Você está esperando alguém?" perguntou Lily educadamente.
Ele ou ela bateu novamente. Harry suspirou baixinho. Ele pareceu inseguro por um momento, claramente pensando em alguma coisa.
"Sim. Eu volto num segundo."
James estreitou os olhos.
"Como sabemos que você não está fugindo?"
Harry estalou a língua.
"Minhas coisas estão aqui, não estão?" James olhou em volta. "E vocês podem simplesmente confiar em mim."
Antes que algum deles pudesse dizer mais alguma coisa, ele abriu a porta e saiu, fechando-a rapidamente ao passar. Vozes sussurraram do lado de fora por um momento antes de passos leves sinalizarem que alguém estava indo embora. A porta abriu novamente e Harry reapareceu.
"Uma garota?" perguntou James, tentando diminuir a tensão.
"Que diferença faz?" retrucou Harry.
"Estamos apenas interessados em sua vida, Harry," disse Lily suavemente.
James assentiu.
"Não importa."
"Importa sim!" Por um momento eles apenas se entreolharam, antes de Lily continuar: "Harry, estamos aqui para te levar para casa. Queremos te manter seguro. Depois de tudo que aconteceu, você merece isso. Nós todos merecemos. Você não pode ficar longe, se escondendo para sempre."
"Eu não posso ir." Ele tornou a cruzar os braços.
"Harry, por favor, nós vamos ajudar a te esconder. Não vamos informar ao Ministério."
"E como isso é possível?" perguntou Harry sarcasticamente. "Ele está trabalhando para eles." O rapaz gesticulou para James. "Sua Ordem está trabalhando para eles."
"Nós não estamos trabalhando para o Ministério! Estamos trabalhando para a Luz. Nós somos o lado da luz," disparou James furiosamente.
"É muito arriscado eu voltar! Óbvio que todos iriam procurar lá." Mais calmo, ele acrescentou: "Como eu te disse, pai, não quero ser mais um problema para vocês."
"Você é nosso filho, Harry. Não é problema algum para nós, querido. Jamais será um problema para nós," disse Lily, aproximando-se dele novamente.
O garoto não recuou, mas balançou a cabeça.
"Eu não posso voltar mesmo assim. Eu tenho algo a fazer."
"O que você tem a fazer, Harry?" perguntou James, confuso.
"Algo muito importante." Os olhos de Harry flamejaram. "E vocês têm coisas mais importantes a fazer do que procurar por mim."
"Não há nada mais importante do que nossos filhos!" disse Lily, cruzando os braços também. "Harry, nós te amamos e queremos te proteger."
James observou Harry engolir em seco e fechar os olhos brevemente. Com um sobressalto, ele se deu conta de que aquela devia ser a primeira vez que Harry escutou Lily dizer que o amava.
"Sim, Harry, nós te amamos," disse ele também.
Damien assentiu furiosamente, mas manteve-se em silêncio.
"Eu não posso voltar para casa. Por que não conseguem enxergar isso? Eu pensei que fossem mais inteligentes."
"Provavelmente não é o caminho mais fácil," admitiu Lily. "Mas não consegue ver o nosso lado? Queremos você em casa. Queremos você finalmente lá. Depois de todos aqueles anos…"
"Não," disse Harry bruscamente. "Não toque nesse assunto. Eu não vou voltar. Há algo que eu preciso fazer. Talvez depois disso..."
"Depois do quê?" perguntou James.
"Eu não posso contar a vocês. Ninguém pode saber."
"Harry…" pediu Lily.
James viu lágrimas formando-se nos olhos da esposa. Ele se adiantou até ela e puxou-a contra si, abraçando-a.
"Não. Eu não vou."
"Nós vamos te obrigar, então," disse James, encarando Harry por cima da cabeça de Lily.
Por um momento, Harry encarou James e em seguida jogou a cabeça para trás e riu secamente.
"Ah, sim, isso deu muito certo da última vez, não foi?" perguntou sarcasticamente. "Você tem que se dar conta que não pode fazer isso."
"Harry…" Lily agitou-se nos braços do marido.
"Você não vê o que está fazendo conosco?" perguntou James com a voz cheia de desespero.
Harry os encarou, em seguida esfregou os olhos e suspirou profundamente.
"E vocês não podem entender o meu lado? Eu não posso voltar! Eles vão me pegar. E não podem me obrigar! Mesmo que vocês, de alguma forma, conseguissem me levar para casa, eu vou simplesmente fugir! O que querem fazer? Me trancar num quarto? Me prender numa cadeira?" A voz dele soou amarga.
James fechou os olhos, as memórias brotando dentro de si. O que fizera? Harry não queria voltar para casa e estava certo. Eles não podiam trancá-lo lá, por mais que quisessem fazê-lo.
Lily pareceu chegar à mesma conclusão. Ela saiu dos braços de James.
"O que podemos fazer, então? Como podemos ajudá-lo?"
"Parem de procurar por mim. Não contem a ninguém onde estou. Eu vou me mudar assim que vocês saírem, é claro, mas não deem nenhuma pista a ninguém de como me encontrar. Nunca se sabe quem está trabalhando para que lado."
James queria protestar, queria defender seus amigos e os outros membros da Ordem, mas Lily assentiu.
"Nós faremos isso. O que mais? Tem mais alguma coisa?"
Harry pareceu pensar em algo, evidentemente lutando com um pensamento.
"O que há com o Ministério?" perguntou Damien.
Eles se viraram surpresos para o menino.
"O que quer dizer?" perguntou Harry.
"Pai… você disse que a Ordem está tentando impedir que um Comensal da Morte se torne o próximo ministro da Magia."
James assentiu.
"É claro que estamos. Não podemos deixá-los impune com isso."
Damien concentrou-se apenas em Harry.
"Qual candidato é Comensal da Morte?"
James olhou de Damien para Harry. Não pensara em perguntar isso a Harry. Pensavam ser óbvio quem era o candidato, mas não tinham certeza. Com Harry dizendo a eles, podiam ter certeza, podiam entrar em contato com Dumbledore. Poderiam trabalhar ativamente contra o Comensal da Morte. Podiam tentar fazer o Ministério parar de procurar por Harry se o ministro fosse um membro da Ordem... as possibilidades...
James fixou os olhos em Harry.
"Quem é?"
Harry olhou demoradamente para cada um deles e cerrou os dentes.
"Você ao menos sabe?"
Harry assentiu.
"É claro."
Mas ele não disse o nome. Ele parecia lutar. Fechou os olhos. Mas o que ainda havia para lutar? O que havia para pensar? Ele não estava mais do lado das trevas.
"Nos diga!" James fez uma pausa. "Por favor."
Quando Harry abriu os olhos, eles ardiam de ódio. Era o olhar que lhes lançava, há apenas algumas semanas, toda vez que olhava para eles.
"Pius Thicknesse."
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Damien não conseguia acreditar em quão sortudo fora. Tinha sobrevivido tanto à raiva de Harry, quanto à do pai. Isso até perceber que não tinha mais como chegar ao irmão novamente. Encontrava-se sentado com Ron e Hermione no quarto do ruivo n'A Toca. Felizmente seus pais não sabiam nada sobre o envolvimento deles ou talvez não pudessem se encontrar de novo.
"Papai ficou com o telefone celular," explicou ele tristemente para Hermione e Ron, após contar-lhes o que acontecera.
"Nós vamos ter que visitar Harry e Ginny então, antes que eles se mudem novamente," disse Hermione.
"Tarde demais." Damien suspirou. "Harry disse que eles se mudariam imediatamente depois que saíssemos. Não acho que tenham ficado. Não havia como eu informá-lo para ficar, afinal. Eles não me deixaram a sós com ele nem por um segundo."
Ron franziu a testa.
"Isso é uma completa idiotice."
"Ron!" repreendeu Hermione. "Tem que haver um jeito…"
"Eu não consigo pensar em um! Quero dizer, papai está com o celular e seria suicídio pedir de volta, e eu não posso simplesmente pegá-lo, porque ele perceberia... e, é claro, suspeitaria de mim. Nenhuma surpresa nisso. Quem mais iria pegá-lo, afinal?"
Hermione olhou pela janela, claramente pensando em alguma coisa.
"Nós temos que afaná-lo," declarou ela por fim.
"Hermione, eu não posso fazer isso! Nós não podemos fazer isso! Você não viu o meu pai. Se ele ao menos sonha com isso, eu estou morto de verdade!" disse Damien com os olhos arregalados.
"Mas nós queremos ajudar Harry, e não podemos se não soubermos onde eles estão!" disse Hermione, tentando convencê-lo.
"Sim, eu sei, mas vamos ter que achar outra maneira!" argumentou Damien.
"Não há outra maneira, Damien." Ron concordou com Hermione.
Ela deu um sorriso agradecido a ele.
"Mas…"
"Damien, eu nunca disse para ficarmos com ele… só temos que ligar para Harry uma vez," disse Hermione.
"E depois? Eles disseram que vão se mudar bastante, e nós não podemos..."
"Damien," interrompeu Hermione. "Eu posso conseguir um celular. Só temos que dizer a Harry o novo número e seus pais nunca vão saber."
"Mas nós vamos ter que encontrar o telefone para isso."
"Ah, vamos lá, não pode ser tão difícil."
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Foi, de fato, muito mais fácil do que Damien pensara. É claro que seu pai o escondera, mas o fizera para que Damien não pudesse encontrá-lo. Ele nunca imaginara que Hermione fosse tentar. Bastou ela fazer alguns feitiços antes de encontrar uma pequena caixa protegida com um feitiço Não-Me-Note. Damien ligara para Harry, informando o novo número. Em seguida, eles colocaram o telefone celular de volta dentro da caixa.
Harry entrou em contato não muito depois disso, dizendo a Hermione quando e onde encontrá-los da próxima vez. Era onde estavam agora. Damien bateu à porta, olhando em volta mais uma vez. Não queria arriscar ser seguido de novo.
"Quem está aí?" perguntou Harry do outro lado.
"Ron e Hermione e eu: Damien." Ele fez uma pausa. "Eu te liguei para perguntar seu novo número. Hermione te ligou depois disso, perguntando onde você estava. Você disse que a senha é 'Visgo do Diabo.' Eu não faço ideia porque você escolheu isso, mas..."
Harry abriu a porta.
"Porque eu vou estrangulá-lo tão dolorosamente quanto um Visgo do Diabo se tiver alguém com você novamente."
Damien piscou os olhos, encarando os olhos cinza-claros e um rosto que não eram de seu irmão.
"Disfarce?" perguntou ele.
Harry assentiu e abriu mais a porta, deixando-os entrar enquanto saía por ela. Eles entraram no quarto, Damien sendo o primeiro a avistar Ginny. Ela estava na cama, deitada de barriga para baixo, os pés no ar, apoiada sobre os cotovelos.
"Graças a Merlin vocês estão aqui!" disse ela. "São meus salvadores!" Ela apontou para um livro à sua frente. "Eu tenho que estudar."
A forma que ela disse aquilo quase soou como Ron. Damien riu. Ron parecia horrorizado.
Hermione sorriu.
"É muito bom, Ginny. Você está perdendo pontos muito importantes da sua educação. No que está trabalhando?"
Ginny fez uma careta.
"Defesa."
"Pelo menos você não tem Hermione te pressionando," murmurou Ron.
Hermione fechou a cara para ele e estava prestes a dizer alguma coisa, mas Ginny foi mais rápida.
"Acredite, Harry não é melhor."
"Em que eu não sou melhor?" perguntou Harry, reaparecendo no quarto e fechando a porta ao passar. "Parece que ninguém os seguiu dessa vez." Ele lançou um olhar penetrante a Damien.
"Ninguém vai me seguir novamente!" disse o menino, cruzando os braços.
Harry levantou uma sobrancelha.
"Você não tinha esse plano da última vez também?"
Damien olhou feio para o irmão e abriu a boca, pronto para explicar como acontecera exatamente, mas Ginny foi mais rápida.
"Você é um professor terrível."
Harry se virou para ela.
"Você é a pior aluna que eu já tive."
Damien sorriu agradecido para ela, grato por ter tirado a atenção de Harry sobre ele.
"Eu sou a única que você já ensinou, então você não tem ninguém para comparar a mim. Portanto, eu sou a melhor aluna que você já teve." Ela sorriu presunçosa.
Damien os observou confuso.
"Bela teoria." Harry fez uma pausa. "Mas não é verdade."
"A quem mais você ensinou, então?" perguntou ela, interessada.
"Draco. Uma coisa ou duas." Ele sorriu desdenhoso. "E, acredite, mesmo nos piores dias, ele era melhor que você."
Damien franziu a testa. Eles estavam brigando agora? Ron estreitou os olhos.
"Você não pode compará-la a…"
Mas eles sequer olharam para ele.
Ginny atirou a caneta em Harry, mas não acertou.
"E você é uma artilheira horrível também. Não consegue nem me acertar."
Ron tornou a abrir a boca, mas Damien balançou a cabeça. Queria ver o que viria em seguida. Hermione se mexeu, sem saber o que fazer ou dizer.
Ginny se sentou.
"Porque você trapaceou, idiota! Você se mexeu!"
"Nós não acordamos regras, portanto, eu não trapaceei." Ginny franziu os lábios e cruzou os braços. Harry sorriu debochado e a tensão se elevou. "Eu ganhei," disse ele, sentando-se na cadeira bem ao lado da cama, onde, muito provavelmente, estava sentado antes de eles chegarem.
Harry colocou os pés sobre a cama - só então Damien percebeu que ele não estava usando sapatos – e olhou para Ginny, que não mudara de posição. Eles se encararam.
"Você só ganha se o jogo estiver acabado, e não está," disse ela por fim.
"Você não disse nada, portanto, acabou."
"Nós não acordamos regras, portanto, eu posso reagir como e quando eu quiser," disse ela, jogando as palavras de volta para ele.
"E o que você vai fazer, além de me insultar? Me atacar?" perguntou ele com ironia.
"Eu poderia. Eu posso, afinal, fazer magia."
"Ah, sério? Você pode fazer magia?" perguntou ele sarcasticamente.
"Deixe-me me explicar direito: eu posso fazer magia sem ser rastreada." Ela sorriu triunfante.
"Eu também posso. Eu podia te jogar do outro lado do quarto movendo apenas um dedo. Você não ia conseguir nem..."
"Sabe, gente, nós ainda estamos aqui," disse Damien por fim. Ambos olharam para ele.
"E nós devíamos realmente começar. Não podemos ficar muito tempo sem que alguém perceba," adicionou Hermione, checando seu relógio nervosamente.
"Desculpa, gente." Ginny corou.
"E você não devia falar em atacá-la!" disse Ron, apontando para Harry.
O rapaz arqueou a sobrancelha.
"Ele só estava brincando, Ron," explicou Ginny, revirando os olhos.
Os dois, Ron e Harry, abriram a boca. Damien disse depressa:
"Tudo bem, certo, podemos começar, então?"
Harry acenou com a mão, e a gaveta e a as mesas de cabeceira foram transfiguradas em cadeiras. Hermione parecia encantada.
"Como você faz isso exatamente? Eu li que é preciso…"
"Pensei que estivessem com pressa?" perguntou Ginny, sorrindo.
Hermione pareceu assustada.
"Desculpa," murmurou ela ao se sentar.
Damien e Ron também se sentaram, e, por um momento, eles se entreolharam antes de seus olhos pousarem sobre Harry. O garoto sentou-se mais reto e colocou os pés no chão.
"Certo, antes de qualquer coisa, enquanto alguns de vocês podem pensar que eu estou atrás de matar Voldemort, esse não é o caso," disse ele, olhando brevemente para Ginny. Damien assentiu, Harry já lhe dissera isso. Hermione e Ron pareciam surpresos. Hermione estava prestes a abrir a boca, mas Harry continuou. "Eu não sou soldado de ninguém, nem de Voldemort, e, certamente, nem de Dumbledore. Eu não me importo com o mundo mágico. Eu não me importo com essa guerra. Seja o que for que eu planeje fazer contra Voldemort, é por pura e simples vingança. Ele tirou minha vida ao me roubar da minha família, então, eu vou tirar a vida dele, literalmente." O garoto parou e os encarou.
Ron parecia tão confuso quanto Damien, enquanto Hermione tinha aquele olhar em seu rosto que ela só usava para resolver questões complicadas.
"Ele é imortal," explicou Ginny.
Harry olhou feio para ela, e a garota encolheu os ombros e sorriu.
"Ele fez Horcruxes. São objetos que contém um pedaço da alma dele. Dessa forma..."
"Argh!" gritou Ginny. Ela olhou para Harry, a repugnância claramente visível em seu rosto e em sua voz. "Eles contêm partes da alma dele?"
Os outros pareciam confusos, enquanto Harry apenas a encarava.
"Eu não te contei?"
"Não!" Ela parecia horrorizada. "Porque você não me contou? Eu toquei naquilo." Ela estremeceu e encarou as próprias mãos. "Eu pus uma no meu pescoço..." Ela se levantou e pulou da cama. "Eu vou tomar um banho." Ginny andou até a porta do banheiro.
"Quê? Você não pode simplesmente usar meu banheiro!" Harry chamou por ela, mas ela já entrara.
"É melhor você não contar nada que eu ainda não sabia a eles!"
Ela bateu a porta e Harry ficou olhando para ela.
Damien riu, e os olhos do irmão se focaram nele.
"Ela ganhou essa rodada," disse o menino de forma atrevida.
Harry amarrou a cara para ele.
"Então, você tem uma dessas Horcruxes? Como elas funcionam exatamente? Como se parecem? Posso ver? Por que ninguém sabe? Por que as quer? Por que ele as usa? Existem outras formas…"
"Hermione, respire!" disse Ron, mas olhou interessado para Harry mesmo assim.
Harry olhou para a porta do banheiro novamente, antes de focar-se neles.
"Se alguém tentar atacá-lo enquanto essas Horcruxes estiverem a salvo, Voldemort não pode ser morto. O que eu planejo fazer é encontrar e destruir as Horcruxes, tornando-o mortal novamente. As Horcruxes são a vida dele. Planejo destruí-las assim como ele destruiu minha vida. Podem chamar de justiça poética, se quiserem." A cabeça de Hermione parecia girar, enquanto Ron parecia apavorado. "Ele fez seis Horcruxes. Uma parte de sua alma estava dentro de um pingente de prata que pertenceu a Salazar Slytherin. Outro estava dentro de um anel que Bella usava. Não precisamos nos preocupar com eles."
"Por que, o que aconteceu com elas?" perguntou Ron.
"Eu as destruí."
Ron olhou maravilhado para Harry.
"Você... você destruiu? Quando?"
"Que diferença faz?" disse Harry ríspido e respirou fundo. "É só que... não são minhas melhores lembranças." Ron assentiu e ele continuou: "Então, sobram quatro Horcruxes. O que elas são e onde estão, eu não faço ideia," concluiu Harry. "Provavelmente são artefatos importantes e poderosos, que têm algum significado pessoal para ele. É provável que estejam escondidas com muito cuidado, sob fortes medidas de segurança."
Hermione levantou a cabeça de repente e olhou para Harry.
"É só isso? Você não sabe o quê ou onde essas Horcruxes estão? Como estava planejando encontrá-las?" perguntou desapontada.
"Eu procurei as pessoas que ele mais confia, visto que eu tinha uma. Eu estava certo. Bella tinha uma também."
"Então, nós vamos procurar as pessoas que ele confia e encontrá-las?" perguntou Ron.
"Fácil demais. Ele deve tê-las escondido e protegido de formas diferentes, para evitar que alguém conseguisse encontrar todas."
Hermione parecia pensativa e distante.
"Horcruxes... Horcruxes… Eu já ouvi sobre elas, ou ao menos já ouvi esse nome antes, mas não consigo lembrar onde."
"Pouco provável, Hogwarts não ensinaria nada sobre elas. É a magia mais negra existente. Para fazer uma Horcrux, você tem que tirar uma vida. Tem que ser feito a sangue frio," explicou Harry.
Hermione continuou pensativa, os olhos castanhos apertados e as sobrancelhas juntas. Damien tentava pensar em uma situação na qual tivesse ouvido sobre elas, mas a palavra não soava familiar de forma alguma para ele.
De repente, ela soltou um pequeno "Ah!" e olhou animada para Ron.
"Lembra aquela vez que estávamos estudando n'A Toca? Fred e George disseram que estavam tentando usar as Orelhas Extensíveis na reunião da Ordem na noite anterior. Eles mencionaram Horcruxes! Lembra que eles acharam que era uma palavra engraçada. Eles começaram a rir quando escutaram a palavra e sua mãe os escutou e então confiscou as Orelhas Extensíveis e jogou-as fora, antes que eles pudessem escutar mais sobre o que eram essas Horcruxes. Você não se lembra?"
Ron pareceu pensativo por um momento.
"Sim, na verdade, eu me lembro. Eles pensaram que Horcruxes fossem pequenos animais com presas e que a Ordem estava planejando usá-los contra os Comensais da Morte..." Ron parou de falar e olhou desconcertado para Harry, que olhou irritado para o garoto. "Eles estavam brincando, evidentemente."
"Evidentemente," repetiu Harry com sarcasmo.
"Que seja, continuando," sugeriu Damien, olhando para Harry.
Mas foi Hermione quem falou.
"Sim, hum... então, isso significa que Dumbledore e a Ordem sabem alguma coisa sobre essas Horcruxes. Eles devem estar tentando encontrá-las também."
"Bem, eles não vão colocar as mãos nelas. Essas Horcruxes vão ser destruídas por mim, apenas por mim," disse Harry confiante. "Vocês queriam me ajudar, certo?"
Os três adolescentes acenaram com a cabeça lentamente, trocando olhares curiosos, perguntando-se o que Harry ia mandá-los fazer.
"Tudo bem, eu tenho a primeira missão de vocês." Harry inclinou-se para frente na cadeira e eles seguiram o exemplo. "Tragam-me todas as informações que a Ordem tem sobre as Horcruxes."
Eles se recostaram surpresos, trocando outro olhar.
"Uau... difícil," disse Ron.
"Eu nunca disse que seria fácil, disse?" perguntou Harry, arqueando uma sobrancelha. "Vocês podem entrar em contato comigo... Quero dizer, conosco, novamente, quando conseguirem."
Os pensamentos de Damien dispararam. Tinham que encontrar uma maneira. Tinham que planejar aquilo com cuidado. Descobrir se eles tinham informações, onde eles... A porta do banheiro abriu e Ginny apareceu. Ela estava secando o cabelo com uma toalha.
"O que eu perdi?"
"Nós temos que descobrir o que a Ordem sabe sobre as Horcruxes," explicou Ron.
Ginny franziu a testa.
"Como vocês sabem que eles sabem sobre elas?" perguntou ela, enquanto caminhava até a cama e se sentava.
"Orelhas Extensíveis," disse Ron.
Ginny assentiu.
"Mais alguma coisa?"
"Eu não sei o que você já sabe." Ron deu de ombros.
Damien olhou para Harry, que encarava Ginny, seus olhos seguindo as mãos dela enquanto a garota tornava a esfregar a toalha nos cabelos. O menino sorriu. Ginny se virou e os olhos deles se encontraram. Eles se olharam por um momento, até Harry se virar.
"Quê?" perguntou Ginny.
Harry sacudiu a cabeça.
"Lembrança."
"Hã?" Ela parecia totalmente confusa. "Sobre que lembrança você contou a eles?"
"Você me lembrou…" Ele sacudiu a cabeça. "Esqueça. Eu não contei nada de novo que você precise saber."
Ginny ainda parecia confusa.
"Tudo bem," disse ela lentamente, acariciando alguns fios do cabelo ainda molhado. Ela congelou. "Ah." Eles a viram ficar vermelho brilhante. "Ah," disse ela mais alto.
Os lábios de Harry se contraíram.
"Alguém vai nos contar?" perguntou Damien sorrindo.
Os olhos de Ginny se voltaram para o menino.
"Não!" disse ela energicamente.
"Eu não sei se eu quero saber, de qualquer forma," disse Damien, lançando um olhar penetrante para eles antes de seu sorriso se alargar.
Ron parecia descontente, mas não disse nada, enquanto Hermione olhava para seu relógio novamente.
"Eu acho que devíamos ir embora."
A garota se levantou, e os outros também. Enquanto Ginny abraçava Ron e Hermione, Harry puxou Damien para o lado.
"Eles pararam mesmo de tentar me levar para casa?" perguntou Harry baixinho.
Damien assentiu.
"Pelo que eu sei, estão trabalhando com a Ordem para evitar que Thicknesse se torne ministro."
"Bom," disse Harry. "Me avise se achar que eles estão tentando me encontrar de novo, o.k.? Eles quase descobriram sobre Ginny da última vez."
"Foi o que pensei. Foi ela que bateu na porta, não foi?"
Harry assentiu.
"Mas não importa. Eles não descobriram." Harry fez uma pausa. "Há mais uma coisa que pode fazer por mim. Eu pensei em pedir ao papai, mas..."
"O que é?" perguntou Damien com curiosidade.
"Papai está com minha primeira, minha varinha de verdade em algum lugar. Você pode dar uma olhada?"
Damien olhou para o irmão.
"Por que você não pediu a ele?"
"Eu não quero ter que encontrá-lo novamente. Ele pode se sentir muito tentado a fazer alguma coisa."
"Mas, Harry, ele disse que não ia..."
"Eu não quero correr o risco. Você vai procurá-la?"
Damien respirou fundo.
"Tudo bem… mas escute… tenha cuidado, o.k.?"
Harry revirou os olhos.
"É claro, eu não sou idiota."
Damien deu um abraço rápido em Harry.
"Você podia ter me enganado."
Antes que ele pudesse reclamar, o menino caminhou até Ginny e deu-lhe um abraço de despedida também, torcendo o nariz ao fazê-lo.
"Você está cheirando a Harry agora."
Ginny fez uma careta, mas seus olhos brilhavam.
"Sim, eu sei." Ela fez uma pausa. "Boa sorte com a missão."
"Nós vamos precisar mesmo," disse Ron, que observava Harry cuidadosamente.
"Ah, não sei. Eu já tenho algumas ideias," disse Hermione, parecendo muito animada.
