Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Twenty-Six – Worries
(Preocupações)
Foi por volta de março que descobriram onde a próxima Horcruxes estava escondida. Ron, Hermione e Damien conseguiram encontrar as informações que a Ordem possuía. Isso os levou a acreditar que estavam procurando por objetos que tinham pertencido aos fundadores de Hogwarts. Graças à pesquisa de Hermione, descobriram sobre a taça de Helga Hufflepuff, que estava escondida no Ministério da Magia. Eles – ou como Harry insistira – ele ia entrar para pegá-la.
Ginny observou, entretida, Hermione e Harry repassarem o plano e os preparativos pela última vez. Era legal e um pouco engraçado ver quão bem eles trabalhavam juntos quando ignoravam seus preconceitos.
Hermione mordeu o lábio nervosamente ao recitar a lista do que precisavam, verificando se tudo estava contabilizado.
"Poção de envelhecimento." Harry levantou um frasco. "Óculos." Ginny apontou para uma pequena mesa sobre a qual estavam. "Vestes de auror." Fazendo careta, Harry acenou para a cadeira em cima da qual estavam. "E maquiagem." Hermione tirou algumas latinhas da bolsa, enquanto Harry tornava a fazer careta.
"O.k." Hermione respirou fundo. "Vamos começar."
Ela entregou as vestes de auror a Harry, que as pegou e desapareceu no banheiro.
Ginny sentou-se e observou a amiga tornar a checar tudo nervosamente.
"Acalme-se, Hermione. Vai dar certo. Está tudo aí."
"Sim, eu sei." Hermione retorceu as mãos. "Eu só quero que funcione. Você acha que eles já estão lá?" Ela olhou o relógio.
Ginny sabia que ela estava falando de como Ron e Damien tinham convencido o pai dela e o Sr. Potter a ir a um jogo de quadribol. Aquilo, com sorte, duraria o bastante para Harry pegar a taça e voltar antes de alguém perceber dois James Potters andando pelo Ministério. Ginny deu uma olhada no relógio da amiga também.
"Não, eu acho que não."
Hermione soltou o ar que estivera prendendo.
"Tomara!" Ela olhou para a porta do banheiro antes de checar o relógio novamente.
Ginny sorriu e disse em uma voz um pouco mais alta:
"Apresse-se, Potter, pode-se pensar que você é uma garota pela demora."
A porta abriu e Harry olhou feio para ela.
"Você nunca precisou vestir essas vestes idiotas, não é?" Ele puxou o colarinho, fazendo careta. "Elas são terrivelmente desconfortáveis. Não é de admirar eles não conseguirem lutar decentemente."
"Você está elegante," disse Ginny, rindo.
Harry olhou para o espelho por cima dos ombros, bagunçando o cabelo, que estava preto novamente. Tinha alterado a aparecia de novo quando se mudaram no dia anterior, voltando à sua aparência normal. Era o ponto essencial para o plano deles, afinal.
"Eu pareço um verdadeiro idiota."
"Mas não é por causa das vestes," respondeu Ginny atrevidamente. Harry estalou a língua.
"Tudo bem, já chega. Não temos tempo para isso," interrompeu Hermione. Ginny lançou-lhe um olhar de desculpas. A mais velha pegou as latinhas de maquiagem. "Vamos ver o que podemos fazer para cobrir sua cicatriz." Harry assentiu e a amiga entrou no banheiro. "Sente-se."
Ela gesticulou para a borda da banheira. Harry obedeceu, olhando-a com desconfiança. Ginny se se encostou à porta, rindo e tentando não gargalhar.
"Me dê sua mão."
"Quê? Por quê?" perguntou Harry, confuso.
"Tenho que combinar a maquiagem com seu tom de pele."
Hermione abriu as latinhas, alinhando-as sobre a borda da banheira ao lado dele. Pegou sua mão, esfregando um pouco de maquiagem nela. A garota franziu a testa.
"Muito escura."
Ela resmungou e tentou outra. De repente, parou e franziu o cenho, olhando para os pés de Harry.
"Você está usando meias verdes."
Harry arqueou uma sobrancelha.
"O que tem de errado nisso?"
Ginny sentiu-se confusa também. Que diferença fazia?
"Você tem que usar meias pretas," explicou ela. Diante do olhar de dúvida dele, ela acrescentou: "Está no Manual dos Aurores. O uniforme exige as vestimentas: meias pretas, botas pretas, um coldre de varinha e cabelo penteado."
Harry a encarou.
"Cabelo penteado?"
Hermione sorriu nervosa.
"Isso foi uma piada."
Harry franziu o cenho. Ginny riu.
"Com saudades de Ron?"
Hermione amarrou a cara para ela.
"Mas eu estava falando sério sobre as meias." Harry estava prestes a acenar com a mão livre, mas Hermione a segurou também. "Não com magia. Eu conversei com o Sr. Black sobre isso, e ele disse que estavam verificando os aurores à procura de transfigurações e feitiços especial, para evitar que alguém forjasse as vestes."
"Você falou com Sirius sobre isso?" perguntou Harry, os olhos escurecendo.
"Sim, falei. Eu disse que estava interessada em medidas de segurança, porque os escudos dos meus pais acabaram de ser elevados." Ela sorriu triunfante. "Ele respondeu todas as dúvidas que eu tinha."
Harry relaxou.
"Eu vou trocar as meias, então."
"Bom. Ginny, você pode pegar um par para ele enquanto eu termino a maquiagem?" Hermione virou-se para a outra garota.
"Sim, claro." Ginny olhou para Harry. "Na sua bolsa?" Ele cerrou os dentes e assentiu.
Ginny franziu o cenho, mas se virou e andou em direção à mesa na qual ele colocara a bolsa.
"Tenha cuidado para não se cortar," falou Harry do banheiro.
Ginny franziu ainda mais a testa e abriu cuidadosamente a bolsa. Algo brilhante chamou sua atenção. Era uma adaga. A garota revirou os olhos. Não é de admirar que ela pudesse se cortar. Retirou-a cuidadosamente, colocando sobre a mesa ao lado da bolsa. Encontrou mais algumas e tirou-as também. Não conseguia entender porque ele as colocara ali, em primeiro lugar. Afinal, ele também podia se cortar. Sua mão roçou em algumas roupas, e ela as retirou também.
Sem conseguir resistir, olhou por cima dos ombros, certificando-se de que ninguém a visse, antes de trilhar os dedos sobre o moletom dele, que levantou e pressionou contra o nariz. Sorriu e suspirou silenciosamente. Gostava do cheiro dele. Corou ao se lembrar de como deitara na cama, há pouco tempo atrás, com o nariz pressionado contra o braço, adormecendo com o cheiro dele... Ginny sacudiu a cabeça. Não era hora de pensar naquele comportamento idiota. Sabia que provavelmente era um resquício de sua paixonite... mas até pensar era constrangedor demais.
Tirou mais algumas roupas antes de sua mão roçar em alguns pergaminhos. Curiosa, ela os retirou e, certificando-se de que ainda estava sozinha, desenrolou um deles. Não conseguiu se conter. Ficou boquiaberta diante das pequenas cartas... era… era a carta dela! Desenrolou outra e mais outra. Eram todas cartas dela. Lembrou-se de escrevê-las, na esperança de que nunca mais fosse vê-lo, enquanto, ao mesmo tempo, tentava esmagar a paixão que sentia. Traçou as palavras gentilmente. Parecia ter sido há tanto tempo. Por um momento, perguntou-se se seus pais tinham guardado as cartas dele. Provavelmente não. Suspirou. Não importava, afinal. Depressa, tornou a enrolá-las, arremessando-as na bolsa novamente. Finalmente achou um par de meias pretas. Guardando o resto dos itens de volta na bolsa, não pôde deixar de imaginar por que ele as trouxera consigo, em primeiro lugar. Elas não eram tão importantes, eram?
xxx
Ginny torceu as mãos nervosamente e tornou a olhar para Hermione, que estava sentada em uma cadeira, olhando para o lado de fora. A garota verificava o relógio a cada segundo. Ginny começou a caminhar novamente, andando para cima e para baixo do pequeno quarto. Harry saíra há uma hora e seu senso de preocupação aumentava a cada segundo.
Hermione suspirou.
"Quer parar com isso?"
Ginny parou.
"Desculpa." Ela sentou-se em outra cadeira. "Que horas são?"
"Você acabou de perguntar, Ginny."
A mais nova mordeu o lábio, observando a porta.
"Ele devia estar de volta por agora, não devia?"
"Não, não necessariamente," disse Hermione, tentando soar calma, mas a outra podia ouvir quão nervosa ela estava. "Ele vai ficar bem, Ginny. Ele sabe o que está fazendo."
Ela assentiu, mas sua preocupação só aumentou. Por que é que aquela taça tinha que estar no Ministério, afinal? Pegou o telefone celular e tornou a checar se ele tinha ligado ou enviado uma mensagem, mas nada. Colocou-o de volta e viu Hermione verificar o relógio novamente.
"Quando você tem que ir embora?"
Hermione ergueu os olhos e sorriu timidamente.
"Há dez minutos atrás."
"Por que ainda está aqui, então? Vá, você tem que ir ou seus pais podem suspeitar de alguma coisa, e se eles mencionam aos meus pais..."
"Sim, Ginny, eu sei," interrompeu Hermione. "Eu só não quero te deixar aqui."
"Eu posso me virar muito bem."
"Mas você está tão preocupada..."
Ginny cerrou os dentes. Não devia mesmo estar tão preocupada. Ele não seria pego. Ele não podia ser pego.
"Está tudo bem. De verdade, Hermione."
"Tudo bem, bem… me ligue quando ele voltar, o.k.?"
"Claro."
Elas se abraçaram e Hermione partiu. Depois de a amiga fechar a porta ao passar, Ginny tornou a caminhar. Ele devia estar de volta. Ela mordeu o dedo, tentando impedir as mãos de tremerem. Por que estava tão nervosa? Era apenas o Ministério. Ele tinha um plano, ele conseguiria. Ela sabia disso… mas estava tão preocupada... preocupada demais? Mas Hermione também estava preocupada... mas não tanto. Mas Hermione não o conhecia como ela. Ela também não se importava com ele como ela...
Ginny abriu os olhos em choque. De onde viera aquilo? Ela não se importava com ele mais do que Hermione. Não se importava. Ela apenas... ela só gostava do seu sorriso e do modo como gargalhava, como balançava a cabeça ao rir e como seus olhos brilhavam. Como conseguia fazê-lo rir com suas piadas e como as provocações a acalmavam e conseguiam fazê-la esquecer de todo o resto. Gostava de como ele podia ficar nervoso como todo mundo e como ele bagunçava o cabelo quando aquilo acontecia, e como seus olhos escureciam quando estava com raiva e...
Ginny fechou os olhos, respirou fundo e, com o coração apertado, percebeu o que quisera evitar a todo custo: a paixonite estava de volta, não estava? A forma que tinha cheirado o moletom e como seu coração disparara quando descobriu as cartas. Ele não ia carregá-las consigo senão estivesse sentindo alguma coisa também, não é? O coração dela tornou a acelerar. Só com a possibilidade de que ele pudesse retribuir alguns sentimentos suas mãos começaram a suar e a adrenalina bombeou em suas veias. As borboletas estavam de volta. Com força total. Só que pior. Muito, muito pior. Por que não era mais apenas uma paixonite, era?
xxx
James dirigia pelas ruas de Londres, Damien e Ron na parte de trás, conversando sobre o jogo de quadribol que acabaram de assistir. Era bom ver que eles ainda podiam ser amigos depois de tudo que acontecera e que ainda podiam se divertir. Talvez Ron fosse ficar para o jantar antes de ir para casa encontrar Arthur, que tinha aparatado do estádio.
O auror notara os olhares de Arthur, é claro, mas ele ao menos suportava estar ao lado dele, ao contrário de Molly. James torcia para que a amizade deles pudesse ser restaurada depois de algum tempo, quando as primeiras feridas tivessem cicatrizado, quando a família Weasley pudesse aceitar o que acontecera... mas sabia que eles jamais esqueceriam. Ele não conseguia deixar de pensar sobre o que sentira quando pensou que Harry tinha morrido, e que não tinha sido capaz de evitar. Jamais esquecera também. Mas eles jamais viveriam a sensação de encontrar Ginny viva. Molly e Arthur assistiram-na morrer. James não conseguia nem começar a imaginar o que aquilo significava para eles. A culpa que sentiam... sentia-se culpado e Harry também. Sentira que algo não estava certo com ele. Tinha que ser aquilo.
Suspirou e tentou aclarar a mente. Tinha que se concentrar no trânsito, afinal, e queria pegar alguns arquivos antes de voltar para casa, para poder tentar descobrir quem apoiava Thickness.
Eles estavam quase lá agora. Seus olhos correram pelo estacionamento, tentando achar uma vaga.
"Garotos, podem me ajudar a encontrar um local para estacionar?"
Eles pararam a conversa sobre o terceiro gol e se Ron teria ou não sido capaz de pegar a Goles.
"Por que precisa de uma?" perguntou Damien.
"Quero pegar alguns arquivos no Ministério antes de ir para casa."
"Quê? Por quê?" Damien soou quase com medo. Mas, por que aquilo?
"Para trabalhar, é claro." Ele olhou para o espelho brevemente, vendo o olhar que Ron e Damien trocaram.
"Você não pode fazer isso depois?"
"Damien, é importante que eu…"
"Ah… Pai…" interrompeu o filho.
James franziu a testa.
"O que é, Damy?"
"Não acho que devíamos parar aqui. Não estou me sentindo muito confortável aqui e não posso sequer imaginar o que Ron deve estar sentindo."
O estômago de James apertou. Ron ficou calado. É claro. O lugar onde Ginny morrera. Ele não gostaria de estar ali agora. Provavelmente jamais ia querer estar ali novamente.
"É claro," disse ele. "Vamos para casa."
xxx
"Você está bem?"
Foi a primeira coisa que Ginny perguntou quando ele voltou. Ela estava de pé, diante da cadeira na qual provavelmente estivera sentada. Com passos largos, atravessou o quarto na direção dele.
Ele fechou a porta ao passar e recostou-se nela, tirando os óculos.
"Estou bem," respondeu ele enquanto afrouxava a capa.
"Machucado?" perguntou ela, a voz cheia de preocupação.
"Não, não estou."
Ela suspirou e sorriu para ele. Ele deu-lhe um sorriso cansado em resposta. Por que ela não tinha perguntando sobre a Horcrux primeiro?
"E eu consegui pegar."
O sorriso dela se alargou.
"Você já destruiu?"
Ele assentiu.
"Sim, destruí."
"Então, o que aconteceu exatamente?" perguntou ela, observando-o.
"Eu vou me trocar primeiro."
Ele tirou as vestes. Quanto mais tempo ele as usava, mais elas estavam ficando desconfortáveis. Ela assentiu e ele desapareceu no banheiro, onde colocou suas roupas normais de volta e lavou o rosto. Enquanto o enxugava com uma toalha, pensou que aquilo tinha sido mais fácil do que esperava. Simplesmente entrou no Ministério e fora o auror estúpido no elevador, ninguém notara nada estranho e, sério, se ele não tivesse revelado, o auror jamais saberia... Sorriu satisfeito. Não colocaria o pé lá novo.
"Por que está demorando tanto? Vamos, quero saber os detalhes!" chamou Ginny pela porta, tamborilando os dedos contra ela.
Harry revirou os olhos e abriu a porta.
"Eu entrei no Ministério, peguei a taça e saí."
Ginny o cutucou.
"Isso não é exatamente uma descrição detalhada."
Harry deu de ombros e sentou-se em uma das cadeiras, esticando as pernas. Ela sentou-se na outra cadeira, ainda o observando. Ele fechou os olhos, provocando-a. Ginny bufou. Ele podia ouvi-la se mexer. Abrindo um pouco os olhos, viu que ela cruzara os braços e olhava feio para ele. Ele os fechou de novo e gemeu ao afundar mais na cadeira.
"Potter, pare de joguinhos!"
Ele sequer se mexeu para confirmar que a ouvira. Ela o cutucou no braço. Com mais força.
"Potter!" sibilou ela.
"Weasley!" sibilou ele de volta.
"Você faz ideia de quão preocupada eu estava? Acho que mereço saber o que aconteceu!"
Ele abriu os olhos lentamente e olhou para ela. Ela ainda estava com os braços cruzados. Estivera preocupada?
"E Hermione também gostaria de saber o que aconteceu. E, acredite, se ela quer saber alguma coisa e você recusar informação, ela pode ser completamente assustadora," continuou Ginny.
"Bem, então eu deveria ligar para ela. Eu não quero ficar assustado," repetiu ele sarcasticamente, mas pegou o telefone mesmo assim e discou o número.
"O que está fazendo?" perguntou irritada. "Eu quero saber primeiro!"
Harry revirou os olhos, esperando Granger atender.
"Eu vou contar a vocês duas ao mesmo tempo. Assim não vou ter que contar duas vezes, não é?"
Ginny baixou os olhos e torceu as mãos, um leve rubor surgindo em suas bochechas. Era muito fácil envergonhá-la quando estava errada.
Granger finalmente atendeu.
"Harry falando. Tudo saiu bem."
"Ah, graças a Deus," respondeu Granger.
Um olhar de hesitação cruzou o rosto de Ginny. Harry arqueou a sobrancelha. Ela deu de ombros e puxou a cadeira para tão perto da dele, que pôde debruçar-se contra o braço dele, a orelha pressionada contra o telefone celular. Ele estava muito consciente da respiração dela.
"Você ainda está aí?" perguntou Granger.
"Sim, Weasley está me distraindo."
Ginny mostrou a língua. Ele sorriu de volta.
"Então, o que aconteceu exatamente?"
"Eu entrei, como planejamos, pela cabine telefônica, encontrei o balcão certo para a verificação dos funcionários e cumprimentei Hugh, assim como papai faz. Ele não percebeu nada. Peguei um elevador. Os idiotas no Ministério praticamente queriam que eu encontrasse o caminho." Por um segundo, Harry se perguntou se devia contá-las sobre o auror, mas decidiu não fazê-lo. Elas não precisavam saber daquilo. "Eu saí no andar certo. Não tinha ninguém lá. Coloquei a capa da invisibilidade, distraí dois dos idiotas e passei por outros dois. Encontrei a taça, neutralizei a magia que a protegia, coloquei-a no bolso e consegui escapar quando eles perceberam que alguém estava lá. Então, saí sem falar com ninguém."
"Isso é bom. Estou feliz que deu certo. Damien acabou de me ligar e disse que já estão em casa. Podia ter facilmente dado errado, o Sr. Potter queria pegar alguma coisa no Ministério, mas Damy e Ron conseguiram convencê-lo do contrário."
Harry franziu o cenho.
"O Ministério podia perceber que eu estava lá. O que eles disseram ao papai? Ele pode ficar desconfiado..."
"Damien disse que Ron e ele não iam se sentir confortáveis perto do Ministério, porque foi lá onde Ginny..." Ela parou de falar.
Harry assentiu em aprovação.
"Ele vai acreditar nisso."
"Sim…" Eles ficaram em silêncio. "Diga 'oi' a Ginny por mim, certo?"
"Oi, Hermione," disse Ginny no telefone celular, sorrindo.
"Ah, você está aí também?" perguntou Hermione, surpresa.
"Sim, estou."
"Está se sentindo melhor? Eu te disse que ele ficaria bem..."
Harry sorriu debochado. Ele ficara mesmo tão preocupada assim?
"Sim, eu estou bem," disse Ginny depressa, lançando-lhe um olhar para que ficasse em silêncio. "Nós te ligamos se tivermos alguma novidade. Você também, não é?" Ela puxou o telefone dele.
"Sim, é claro..."
"O.k., tchau " Ginny desligou antes que Granger pudesse dizer outra palavra.
Ela entregou-lhe o telefone de volta sem olhar para ele.
"Bem, tudo saiu bem, não foi?" perguntou ela, claramente tentando mudar o assunto.
"Ah, você estava tão preocupada assim?" perguntou Harry, sem conseguir parar de sorrir. "Estou tocado, Weasley."
"Ah, cala a boca, Harry!"
Mas ela corou. O sorriso de Harry se alargou ainda mais. Ela estivera preocupada…
Ela ergueu os olhos para ele e o encarou. Ginny olhou fixamente para ele, mas estando corada, ela estava engraçada. Ele riu. Ela abriu a boca e fechou novamente, cruzando os braços.
"Pare de rir! Não tem graça."
Harry parou, mas ainda sorria para ela. Ela estivera preocupada!
"Ah, vamos, como se você pudesse falar. Eu vi as cartas."
Harry se recompôs imediatamente.
"Que cartas?"
"Minhas cartas." O coração de Harry acelerou. Ela as encontrara? "Eu vi quando procurei suas meias."
Ele sentiu vontade de praguejar, mas não o fez.
"E?"
Ginny torceu as mãos, perdida em pensamentos. Por fim, levantou os olhos e encontrou o olhar dele.
"Por que você as tem consigo?"
Harry desviou o olhar, inconscientemente inclinando-se para longe dela. Ele as empacotara automaticamente... apenas não queria deixá-las lá.
"Elas estavam na bolsa quando embalei as coisas." Ele se levantou e foi até a janela.
Ginny nada disse. Ele se virou e olhou para ela novamente. Ela ainda o encarava.
"Estavam mesmo?" perguntou ela baixinho.
Estaria ela enxergando através dele? Será que sabia que ele estava mentindo? Ou era uma de suas suposições? Seria um dos momentos nos quais ele acreditava que ela sabia de algo, mas ela não sabia? Não mesmo? Ele abriu a boca, pronto para questioná-la, mas tornou a fechar. O que havia para perguntar? Queria dizer a ela que as cartas estavam na bolsa e, no segundo seguinte, queria contar a verdade. Ele desviou o olhar novamente e manteve-se em silêncio.
"Harry?" perguntou ela, a voz um mero sussurro.
"Hum?"
Ele olhava pela janela. Por alguma razão, não conseguia olhar para ela.
"Você gosta de mim?"
Ele congelou. Tinha ouvido direito? Ela acabara de perguntar se ele gostava dela? Como ela podia perguntar algo desse tipo? Simplesmente assim? Ela não podia apenas – e ela quis dizer da forma que ele pensara? Talvez fosse apenas um momento estúpido de garota e ela...
"Quero dizer, você gosta de mim? Tipo gostar?"
Ele se virou e a encarou. Ela não estava nem corando mais. Apenas o encarava, como se precisasse saber. Como se realmente precisasse saber. Agora estava claro o que ela queria dizer, não é? Mas ele não gostava. Ele não gostava. Ele balançou a cabeça lentamente.
"Quero dizer, você não ia simplesmente guardar as cartas, não é? Quer dizer, se você as guarda é porque se importa comigo... quer dizer, eu tinha uma paixonite por você antes..."
O lábio dela tremeu e ela o mordeu. Ele apenas a encarou antes de fechar os olhos com força. Não podiam ter aquela conversa. Não dessa forma. Não agora. Não era o momento certo.
"Eu superei. Eu tenho certeza que você também pode... quero dizer, se você... se você se importa... se você gosta de mim."
"Não." Ele fez uma pausa. "Não dessa forma," disse com veemência.
Porque ele não gostava. Não gostava. Não gostava. Não gostava. Mas aquilo não mudava nada, não é? Porque ele sabia que gostava. Ele gostava. Ele realmente gostava. Mas, que diferença fazia? Superar como ela fizera… Seria ela que na verdade estava jogando o jogo agora? Quando foi que ele perdera o controle daquela maneira? Quando tudo simplesmente tinha ido para o inferno?
xxx
Harry voltou um pouco depois. Ginny não sabia quanto tempo passara, mas estava escurecendo do lado de fora. Ela evitou os olhos dele quando o rapaz entrou no quarto dela, após bater quatro vezes.
"Vamos nos mudar de novo."
Ginny assentiu e guardou as coisas em silêncio. Quando terminou, encolheu a bolsa e colocou-a em um dos bolsos. Antes mesmo que pudesse se virar para encará-lo novamente, ele pegou seu braço e eles aparataram.
Eles reapareceram em algum lugar a céu aberto, encarando uma parede de pedra. Harry soltou-a imediatamente e se afastou. A jovem o seguiu, mas ele estava dando passos maiores que o normal, de modo que ela teve que correr atrás dele. Atravessaram um pasto antes de chegar a uma ruela. Parecia que tinham aterrissado em uma área habitada. Harry virou esquina após esquina. Ela não tinha certeza se ele sabia onde estava indo ou se estava apenas perambulando. Quase o perguntou, mas decidiu não fazê-lo. Não queria repetir aquela conversa inconveniente... nem agora, nem nunca.
Ele não sentia o mesmo. A dor daquilo simplesmente não queria ir embora. Como ela enfrentaria os próximos dias? Semanas? Meses? Pelo menos ele não soube de seus sentimentos primeiro. Teria sido um desastre. Podia agir como se nada tivesse acontecido. Como se tivesse sido apenas uma teoria e ela estivera errada e tudo ficaria bem... mas será que ficaria? Conseguiria olhar para ele novamente? Falar com ele novamente? Tinha que tentar superar aquilo. Conseguira uma vez, não foi? Mas não de verdade… não de verdade.
Ginny diminuiu os passos. Por que devia correr atrás dele? Seria muito mais fácil se ele apenas diminuísse os passos. Não ia mais correr atrás dele. Quase o perdeu de vista na esquina seguinte. Seu orgulho gritou para ficar onde estava, para esperar se ele ia voltar... e se não voltasse? Balançou a cabeça. Não era hora para aquilo. Podia deitar acordada hoje, pensar sobre isso em paz e tentar resolver aquela bagunça. Acelerou e dobrou a esquina, colidindo com alguém. Tropeçou, mas uma mão a estabilizou. Era Harry. Ele não soltou seu braço. Em vez disso, agarrou-o com mais força e puxou-a de volta para a esquina.
"O qu…?"
"Psiu," sussurrou ele e a puxou pela rua, correndo agora. "Não olhe para trás."
Eles viraram na próxima rua, onde Harry puxou-a para um quintal, empurrando-a contra a parede.
"Quê…?"
Ela tentou novamente, mas ele colocou uma das mãos sobre sua boca e balançou a cabeça. Ela lutou contra ele. Por fim, ele se inclinou para a orelha dela e sussurrou:
"Comensais da Morte."
Sua respiração fez cócegas na orelha dela e ela parou de se mexer, o pavor instalando-se. Ergueu os olhos e o encarou. Ele tirou a mão lentamente, apenas para agarrar o braço dela de novo. A sensação familiar de ser comprimida em um tubo foi a próxima coisa que ela sentiu. Estavam aparatando novamente.
Eles reapareceram em algum lugar, mas antes que pudesse tomar consciência do ambiente, eles aparataram novamente. E novamente. A cabeça dela estava flutuando no momento que aterrissaram de novo. Tropeçou, mas Harry a segurou.
"Você está bem?"
Ela assentiu e piscou diversas vezes. Tudo entrou em foco novamente. Estavam em outra rua deserta.
"Onde estamos?"
"Bristol." Harry olhou em volta. "Venha." E eles desceram pela rua.
"Essa foi por pouco, não foi?" perguntou Ginny, o coração batendo rápido. Ele assentiu. Ela o encarou por um momento, antes de olhar para frente. "Por que você não mudou sua aparência novamente antes de partirmos?"
"Eu esqueci."
"Ah…" Ginny mordeu o lábio. Lembrando-se que ele não gostava daquilo, ela parou, arriscando outro olhar em sua direção. Os olhos dele percorriam a área e a cada passo ele olhava por cima dos ombros. "Talvez você devesse mudar novamente agora." Os olhos dele encontraram os dela. Era a primeira vez que olhavam diretamente um para o outro depois da conversa. "Quero dizer, podemos voltar a aparatar logo depois disso, não é?"
Harry pareceu ponderar sobre aquilo por um instante antes de assentir.
"Mas vamos entrar ali." Ele apontou na direção de um beco.
Ela o seguiu. Eles deram mais alguns passos na direção do beco, antes de ele sacar a varinha. Apontando-a para a cabeça, começou a murmurar as palavras. Pela luz da rua, Ginny conseguiu ver seu cabelo ficar mais claro. De repente, ele parou e seus olhos se arregalaram. O rapaz baixou um pouco a varinha e gesticulou para que ela ficasse em silêncio.
"Ahhh… não precisa se esconder da gente, pequeno Príncipe." Veio uma voz rouca da esquina. "Se vier quietinho, podemos não machucá-lo... muito."
Ginny congelou. Paralisada, ela viu o olhar de Harry endurecer. Os olhos dele encontraram os dela, e ele a encarou com força, apontando para mais abaixo do beco com a cabeça. Ela entendeu que ele queria que ela se escondesse, mas apenas o encarou de volta.
"Fique aqui." Ele sussurrou baixinho por fim, empurrando-a contra a parede. Mais alto, ele disse: "E qual Comensalzinho ralé e sem importância acha que tem alguma chance de me machucar?"
Alguém riu, enquanto outro deles choramingou.
"Cala a boca, idiota. Sabe o que ele pode fazer? Eu ouvi…"
Mas o que ele ouviu, Ginny nunca descobriu, pois Harry escolheu aquele momento para se mostrar.
"Receio que não terão história alguma para contar depois disso," provocou ele.
Houve um chiado entre os homens e Harry desapareceu completamente do campo de visão dela. Ginny prendeu a respiração. Luzes iluminaram o beco e houve um grito. Algo foi esmagado. Ela não sabia o que fazer. Será que ele estava bem? Se pelo menos pudesse ver o que estava acontecendo…
Reunindo toda sua bravura grifinória, rastejou pela parede até a rua.
"Não tão corajosos agora, não é?" zombou Harry.
Outro homem gritou e houve mais algumas luzes. Era azul. Ginny alcançou a rua e respirou fundo antes de arriscar uma olhada. Havia várias figuras vestidas de preto, apontando as varinhas para Harry, murmurando maldições e escudos apareceram. Dois homens já estavam deitados no chão. Harry desviou-se de uma maldição enviada em sua direção, rindo.
"Isso é tudo que podem fazer?"
Ginny se agachou contra a parede, o coração batendo alto contra o peito. Sentiu necessidade de fazer alguma coisa, qualquer coisa. Mas o que podia fazer? Arriscou outra olhada. Outro Comensal da Morte caiu no momento que olhou, mas eles o encurralavam e Harry se desviou de outra maldição, mas havia alguém à sombra – a respiração dela estancou.
E o homem ergueu a varinha e as costas de Harry estavam viradas para ele, e, de repente, ela viu claramente. Sabia o que tinha que fazer e seu medo desaparecera... ou ao menos não se importava mais com ele. Levantou-se. Sacudiu o pulso e sua varinha apareceu em sua mão. Segurou-a com força e saiu a céu aberto.
xxx
Harry estava no controle. Estava em seu elemento. A adrenalina corria em suas veias. Incapacitou outro oponente. Eram apenas Comensais da Morte medianos: vangloriando-se como se tivessem algum superpoder só porque podiam fazer feitiços básicos.
Apenas um deles parecia ser mais inteligente. Ele estava rastejando pela parede, tentando pegá-lo por trás. O rapaz deixou que pensasse que podia pegá-lo. Ia apenas estuporar os outros e pegá-lo em seguida.
"Cru…" gritou uma voz.
Harry se virou, pronto para se desviar da luz vermelha, mas ela não veio. Em vez disso, o Comensal foi atirado para trás com tamanha força, que o rapaz raramente tinha visto. Ele colidiu com a vitrine de uma loja, vidro voou para todo lado, o homem caiu contra uma parede e deslizou, deixando um rastro de sangue. Um alarme disparou.
Distraído, estuporou o último Comensal da Morte, que estava recuando lentamente e conjurou um feitiço silenciador no alarme. Antes que se virasse, focando-se nela, para ter certeza de que realmente tinha sido Ginny. Tecnicamente ele sabia que tinha que ser ela, mas...
Seu primeiro pensamento ao avistá-la não foi o de que não o escutara, que devia ter ficado escondida, que tinha que modificar a memória dos Comensais agora e que tinha que encontrar uma forma de se livrar do Comensal da Morte machucado, para que o homem não pudesse contar o que acontecera. Seu primeiro pensamento não foi o de que tinha que checar os Comensais da Morte para ter certeza de que estavam mesmo estuporados ou que o feitiço dela tinha sido poderoso.
Seu primeiro pensamento foi o de que ela parecia terrivelmente sexy da forma que estava na esquina, iluminada pela luz da rua, os cabelos voando ao sabor do vento suave, a varinha firmemente segura em sua mão, lentamente avançando em direção ao homem que acabara de atirar contra uma vitrine. Ela alcançou a loja e entrou, chegando ao Comensal da Morte. Harry deu uma breve olhada em volta, verificando se estavam sozinhos, antes de correr até ela. Chegou ao seu lado quando ela caiu, encarando petrificada o Comensal da Morte deitado aos seus pés.
N/T: Perdão pela demora, minha beta teve problema com o pc, mas já está tudo o.k.! Para os que indagaram se eu parei, se vou continuar, rs, sim, vou até o fim! Não se preocupem. Beijocas ^^
