Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Twenty-Seven – Sleeping Accommodations
(Acomodações Noturnas)
Ginny olhou em volta atentamente, examinando a área, especialmente as sombras. Só havia um homem ainda de pé. Ele estava recuando, mas Harry rapidamente o estuporou.
O mundo de Ginny tornou a entrar em foco. Seus olhos se arregalaram, observando a figura imóvel na loja. Ela sabia, simplesmente sabia que tinha que ver como ele estava. Se ainda estava... mas sua mente não conseguia formar o pensamento.
Seus braços balançavam frouxamente ao lado do corpo ao caminhar até a loja. Entrou pela vitrine quebrada, abaixando a cabeça mecanicamente. Cacos de vidro esmagados sob seus sapatos. Os olhos seguiram o rastro de sangue que o homem deixara na parede. Ajoelhou-se e lentamente estendeu a mão na direção dele, suas mãos tremiam. Queria tirar seu capuz e abrir o colarinho, mas, de repente, mãos fortes a agarraram. Tentou lutar para se libertar, mas não conseguiu. Foi puxada para trás, lentamente, mas com firmeza.
Palavras eram murmuradas, mas ela não conseguia distingui-las. Tudo era apenas murmúrio e silêncio, e nada importava. As mãos e a voz desapareceram, e ela tentou alcançá-lo mais uma vez, mas não conseguia se mexer. Era como se estivesse congelada. Lutou por um minuto sem fim antes de sapatos e pernas aparecessem em seu campo de visão, e havia uma varinha e uma luz verde e o homem estremeceu mais uma vez e ela estava no Beco Diagonal de novo e ele... Harry estava lá, e sua varinha e o medo, e ela não conseguia se mexer, se esforçou, a luz atingiu, de repente estava girando no tempo e no espaço, mas tudo parecia errado, e havia uma árvore e mais uma e mais outra e – foi transportada de novo, a pressão ao seu redor e um tubo, o grito de seu pai, luz verde e então havia vento. Muito vento e escuridão, maresia no ar, ondas batendo e um braço quente a segurando, trazendo-a para perto e ela fechou os olhos e respirou fundo, o cheiro que gostava, a luz e as vozes, o calor e... passos? Uma porta e o braço desapareceu, ela quase caiu, mas foi impedida, e tudo estava girando, foi empurrada para cima, e havia azulejos e um vaso sanitário, e ela estava de joelhos, vomitando, e seu cabelo não estava onde deveria, e havia uma mão em seu cabelo e uma toalha molhada em seu rosto, água, mas não conseguia beber. Engasgou e havia uma mão batendo em suas costas e ela conseguiu respirar novamente.
O chão sumiu e a visão estava toda embaçada... estava flutuando? Não, havia braços fortes e um ombro, e sua cabeça estava tão pesada e o ombro era legal, e então havia uma cama... tão macia, legal, e braços fortes, o cheiro bom e a voz bacana, que podia fazer tudo ir embora e ficar bem. Então não havia nada e estava dormindo, de repente, sonhando, correndo e lutando, mas braços a seguraram ainda mais perto, e ela se acalmou e sorriu e adormeceu novamente, e então bebeu água e palavras suaves, sono e dedos correndo por seu cabelo, colocando-o de lado e sono e pesadelos. Hogsmeade, caindo, Hogwarts, gritos, Hogsmeade, sangue, Beco Diagonal, explosão, luz verde, Luna, lágrimas e braços fortes. Segurança.
Quando acordou novamente, sua mente estava limpa. O choque passara. Suspirou suavemente e piscou os olhos diversas vezes, sonolenta. Havia uma luz suave vindo de algum lugar e ela tornou a fechar os olhos. Ainda se sentia cansada. Virou a cabeça e se aconchegou mais no colchão e no cobertor. Estava se sentindo tão confortável. Os braços ao seu redor aumentaram o aperto e ela suspirou novamente, quase sonhadoramente... seus olhos se arregalaram antes de fechá-los novamente.
Braços a segurando? Lentamente, abriu os olhos e havia apenas um tecido preto… como o moletom de alguém. Não de alguém. Respirou novamente para confirmar suas suspeitas. Estava certa. Harry a abraçava. Ela se afastou lentamente, o coração batendo rápido. Ele afrouxou o aperto. Ela piscou diversas vezes para se ajustar à luz brilhante. Meio sem jeito, desentrelaçou sua perna da dele e se afastou ainda mais. Ele ficou onde estava e finalmente ela encontrou coragem para olhar.
Ele estava acordado. Pouco convicta, esperara que ele ainda estivesse dormindo. Ele a observava intensamente, os olhos cheios de preocupação. Ela desviou o olhar, sentou-se e deixou os olhos vagarem pelo quarto. Este era no melhor quarto no qual tinham se hospedado até então, decidiu. As paredes eram pintadas num creme suave, a mobília – um guarda-roupa, uma mesa pequena e uma cadeira – era feita de madeira escura, assim como a cama de casal na qual estavam deitados. Sabia que só estava dando aquela atenção toda ao quarto para não pensar ou olhar para Harry. Concentrou-se numa foto do mar quando ele tocou seu ombro gentilmente.
"Está se sentindo melhor?" Sua voz soou rouca. Ela assentiu. "Você se lembra de ontem?"
Vozes. Luzes. Insultos. Vidro quebrado. Luz verde. Ela forçou-se a assentir novamente. Como poderia esquecer? Outra lembrança digna de pesadelos…
A mão saiu de seu ombro, apenas para reaparecer em seu queixo. Ele puxou a cabeça dela em sua direção. Ginny franziu o cenho e tentou se afastar, mas ele inclinou sua cabeça para trás e forçou-a a olhar para ele. Só então ela percebeu que parecia muito cansado. Com a outra mão, ele pegou alguns fios de cabelos e mostrou-lhes a ela. Estavam pegajosos e sujos. Ela franziu a testa mais ainda.
"Você vai tomar uma ducha ou um banho, o que preferir. Vou comprar alguma coisa para comermos nesse meio tempo." Ela fez uma careta. Não achou que fosse conseguir comer. "Nada demais, mas você tem que ingerir alguma coisa. Vamos conversar depois disso."
Ginny abriu a boca, pronta para reclamar, mas nenhum som saiu.
"Vamos conversar sobre isso, quer você queira, quer não. Algumas coisas não podem passar batido." Sua mão saiu do rosto dela e ela desviou o olhar. "O banheiro é pela porta à esquerda."
Sem dizer uma palavra, Ginny se levantou e dirigiu-se ao banheiro. Fechou a porta e a trancou ao passar. Desencolhendo a bolsa, que ainda estava em suas calças, decidiu tomar uma ducha.
Sentindo-se um pouco mais viva, reentrou no quarto algum tempo depois. As cortinas estavam abertas agora, não mais bloqueando a visão. Podia ver o mar, ondas batendo contra a costa. Harry estava sentado na cama, uma bandeja com café da manhã ao seu lado. Ele se virou ao ouvi-la entrar. Gentilmente, apontou para o espaço ao seu lado. Lentamente, ela fez seu caminho e sentou na cama, o mais longe dele possível.
Com um estalo, Ginny percebeu que todas as coisas que ela gostava no café da manhã estavam ali. Harry lhe entregou uma xícara de café e segurou sua mão quando a estendeu para o açúcar. Ele sacudiu a cabeça silenciosamente. Ela franziu a testa, mas tomou um gole. Já tinha açúcar. Ela o observou tomar um gole de chá. Comeram em silêncio. Após Ginny ter comido alguns pedaços de torrada, percebeu que estava com mais fome do que pensara.
Depois que terminaram, Harry levitou a bandeja e colocou-a sobre uma mesinha. Voltou à cama com a xícara de chá e sentou-se de novo, encostado na cabeceira da cama. Balançando a xícara nas mãos, ele se recostou no travesseiro e fechou os olhos. Ela se mexeu na cama, sem saber o que fazer. Ele queria falar com ela, não era? E se ele não começou a conversa, por que ela deveria? Mas o silêncio parecia mais incômodo a cada segundo. Por fim, ela decidiu que não suportava mais.
"Você parece cansado," disse ela baixinho, observando-o.
Os olhos de Harry se abriram. Ele assentiu lentamente.
"Eu não dormi."
Ginny o encarou.
"Nem um pouco?"
"Nem um pouco," confirmou ele.
"Por que não?"
"Você ficou tendo pesadelos." Ele a observou cuidadosamente.
"Ah." Ela fez uma pausa e franziu a testa. "Você devia ter dormido mesmo assim."
Harry deu de ombros.
"Eu tentava te acordar quando podia. Você se lembra dos sonhos?"
Ginny assentiu lentamente.
"Em parte."
"Quer conversar sobre eles?" perguntou ele baixinho, tomando um gole.
"Na verdade, não. Não acho que isso vá ajudar. Eles são apenas sobre o que aconteceu."
"Sobre ontem?"
"Sim, sobre isso também, mas os outros…" ela procurou as palavras certas e desviou o olhar, "ataques também."
"Hum…" Quando ela olhou em sua direção novamente, viu quão cuidadosamente ele a observava. "Você se lembra de como chegamos aqui?"
Ginny encolheu os ombros.
"Ha algumas imagens nebulosas."
"Você quer saber o que aconteceu?"
Ginny assentiu.
"Não. Quero dizer, sim. Eu… você acha que isso vai ajudar?"
"Eu não sei. Pode ser que sim."
Ela respirou fundo.
"Tudo bem. O que aconteceu depois..." Ela parou de falar.
"Depois de quê? Quando eu fui para a rua ou depois que você jogou o Comensal da Morte contra a vitrine?"
Os olhos dele perfuravam os dela, mas Ginny desviou o olhar.
"A segunda."
"Qual? Diga."
Ela o encarou.
"O que aconteceu depois que eu joguei o Comensal da Morte contra a vitrine?"
Harry deu-lhe um sorriso de aprovação.
"O primeiro passo é sempre aceitar o que aconteceu." Ginny fez uma careta e sentiu uma vontade repentina de jogar alguma coisa nele. Harry continuou: "Eu estuporei o outro Comensal da Morte, enquanto você caminhava até ele..."
Ginny levantou a cabeça abruptamente.
"Você sabe o nome dele?"
Harry encolheu os ombros.
"Eu não vou te dizer o nome dele."
Ginny estreitou os olhos.
"Por que não?"
"É melhor não saber, acredite em mim."
"Por que seria melhor? Eu quero saber o nome dele, se ele…" Ela engoliu pesadamente. "Se ele tinha família, se era casado, se tinha filhos..."
Harry afundou ainda mais no travesseiro.
"Não, Ginny, você não quer saber esses detalhes."
"Como você pode decidir isso? Eu te disse, ninguém toma decisões por mim. Eu decido por mim mesma, e eu quero saber!" Ela cruzou os braços.
"Weasley, me escute." Ela desviou o olhar. "Ginny, você tem que confiar em mim. Saber o nome dele, seu rosto, sua família, seu passado, só vai piorar as coisas. Você só vai se sentir mais culpada ainda."
E, de repente, havia aquele sentimento de novo, crescendo eu seu peito, tirando seu fôlego, quase a colocando em estado de choque.
"Ele estava... ele estava morto quando você...? Eu o matei?"
Ginny tornou a olhar para ele, e Harry sustentou seu olhar, mesmo que ela tivesse a impressão que ele queria desviá-lo.
"Você quer saber a verdade?" perguntou ele calmamente.
Um nó formou-se na garganta dela.
"Sim, nada além da verdade."
"Eu não sei. Não sou um curandeiro, mas ele parecia vivo quando o matei." Ele sorriu sem graça. "Não podemos saber agora, Ginny. Está feito. Ele está morto. Eu definitivamente o matei, se seu feitiço não fez isso."
"Como… como consegue falar sobre isso tão calmamente?" Ela jogou as mãos para cima. "Estamos falando de um ser humano, afinal de contas! Quero dizer... ele não... eu..."
Ela se engasgou com as lágrimas e pressionou os lábios, tentando afastá-las. Por que aquilo tinha que acontecer, afinal? Por que agora? Por que, afinal?
Harry pousou a caneca sobre a mesa de cabeceira e se arrastou até ela. Ela não lutou contra os braços dele quando a puxou para perto.
"Não está tudo bem!" gritou ela com raiva e se afastou. "Por que ele teve que morrer?"
"Ele e os outros tinham nos encontrado. Eles teriam voltado a Voldemort para contá-lo onde nos encontraram, se ao menos um deles tivesse escapado com a memória intacta, teriam nos levado até ele. E, acredite em mim, nós não queremos isso."
"É claro que não. Mas isso não é motivo!" Ela o encarou, desejando que ele entendesse seu ponto de vista, mas ele apenas a encarou calmamente de volta.
"Ginny, você reagiu exageradamente e o jogou contra uma vitrine. Um feitiço legal e poderoso, a propósito. Ele estava ferido. Estava sangrando. Se ainda estivesse vivo, teria morrido dos ferimentos, pois não o teríamos levado ao St. Mungo's e não podíamos arriscar deixá-lo ali para ser encontrado por alguém. Não podemos chamar atenção."
"Então é culpa minha? Meu feitiço que o jogou pela vitrine, e essa é a razão de ele estar morto?"
"De certa forma, sim." Ela deu as costas. "Eu ainda não terminei. Você não teve intenção de matá-lo, Ginny, teve?"
Ela balançou a cabeça.
"É claro que não."
"E é isso que importa. Fui eu que o matei e definitivamente era minha intenção matá-lo."
"Como você pode… como você pode simplesmente dizer isso?" perguntou ela impotente.
Harry suspirou.
"Não é a primeira vez que eu mato." Ginny engoliu em seco. "Eu aprendi a lidar com isso. Mas estamos falando sobre você e não sobre mim."
"Mas se eu não…"
"Pare com isso, Ginny. Nada de 'e se.' Eles não levam a nada. Qualquer feitiço pode levar à morte se lançado correta ou incorretamente, o que você achar que se encaixa melhor."
"Isso não é verdade… Se eu só tivesse estuporado ele..."
"O que você fez com ele?"
"Eu o joguei contra a vitrine."
"Não, quero dizer, qual feitiço usou?"
"Expelliarmus," murmurou ela.
Os lábios dele se contraíram.
"E o que normalmente acontece quando você o conjura?"
Ginny revirou os olhos. Aquilo era alguma espécie de pegadinha?
"Eu desarmo meu oponente."
"Exato. Você potencializou o feitiço e foi por isso que ele foi jogado para trás..."
"E? Isso muda o quê?" perguntou ela, aborrecida.
"Não importa que feitiço você usou porque teria potencializado qualquer um deles. Você estava com raiva."
Ginny cruzou os braços e desviou o olhar.
"Ele te atacou por trás."
"Ele tentou me atacar por trás," corrigiu Harry, sorrindo. "Você só tentou me defender..."
Ginny balbuciou.
"Eu não!" Harry arqueou uma sobrancelha. "Ele estava sendo desleal..."
"Ginny, não existe 'desleal' num duelo de vida ou morte," interrompeu ele. "E ele estar morto e nós vivos significa que ganhamos."
"Ótimo."
"Sim, isso é bom, pois eles não vão conectar isso com a gente de forma alguma."
Ginny franziu a testa.
"Por que…?"
"Olhe: eu modifiquei as memórias deles. Eles se lembram de ficar bêbados e de lançar magia um no outro para se provar. O outro nunca esteve com eles. Eu o enterrei numa floresta. Quando ele não aparecer, Voldemort vai pensar que ele ficou com medo e fugiu. Vai mandar os Comensais da Morte à procura dele, e quando não conseguirem encontrá-lo, ele vai ficar furioso, mas nunca vai adivinhar que eles nos encontraram..."
"Como é que eles nos encontraram, afinal? Eu achei que não seriam capazes de nos seguir..."
"Eles não nos seguiram. Foi pura falta de sorte que houvesse Comensais da Morte nas proximidades enquanto usava magia. Parece que Voldemort conseguiu encontrar uma maneira de manter todos os seus seguidores informados sobre onde eu estou quando eu usar magia. Até agora, apenas tivemos sorte que nenhum deles estivesse por perto para nos pegar."
Ginny deixou-se cair na cama.
"Hum!" Por um momento, ela apenas deslizou os dedos pelo cobertor. "Vai... a culpa vai desaparecer?"
"Uma parte dela vai sempre estar lá, em algum lugar no fundo de sua cabeça, mas você vai aprender a viver com isso."
Ginny mordeu o lábio e olhou para Harry.
"Por que isso teve que acontecer?"
Harry deu de ombros.
"Carma é fogo."
Ginny suspirou.
"Isso não ajuda."
"O que pode ajudar é o conhecimento de que ele não era inocente. Não era um espectador, mas um assassino. Você não sabe quais crimes ele cometeu."
Ginny rolou por cima do estômago.
"O que ele fez?"
"Ele matou pessoas inocentes, crianças, mulheres, homens… ele gostava de brincar..." ele cuspiu as palavras, "com eles, deixá-los fugir para pegá-los ou matá-los pelas costas. Você me ajudou a me livrar dele. Sério, Ginny, não sabe quantas vidas são poupadas dessa forma. Ele nunca vai matar de novo."
"Mas…" Aquilo simplesmente não parecia certo em sua cabeça. "Como isso vai ajudar? Não parece que irá algum dia."
"Eu sei o que quer dizer, mas acredite em mim, vai ajudar."
"Como você sabe?"
"Alguém me disse o que eu te disse e eu também não acreditei." Ele olhou para baixo. "Mas ajudou, ajudou mesmo."
"Sério?" perguntou ela, um pouco de esperança retornando.
Ele assentiu.
"Harry?" Ele ergueu os olhos novamente. "Obrigada."
"Sem problemas. Eu sei como se sente."
Ela tentou sorrir para ele, mas provavelmente pareceu mais uma careta.
Por um momento, eles sentaram em silêncio, até que Harry se levantou, passando a mão pelo cabelo.
"Vamos dar uma volta. Ar fresco é sempre bom."
Ginny assentiu e se levantou também.
"Ah, a mulher lá embaixo pode perguntar se você está se sentindo melhor. Eu disse a ela que tínhamos chegado de navio e que você tinha ficado enjoada, para explicar sua... condição."
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Harry empurrou as mãos nos bolsos da calça. Observou Ginny pegar pedras e jogar no mar. Quando ela adormecera pela primeira vez na noite passada, pensara que deveria ter sido mais difícil para ele depois do que acontecera anteriormente. A declaração de que não havia sentimentos do lado dela... mas ela precisara dele, e nada mais importava. Agora, ela estava lidando muito bem com a situação, melhor do que ele esperara depois do choque. Realmente torcia para nunca mais tornar a vê-la naquele estado.
Uma forma de evitar aquilo era descobrir como exatamente eles o rastrearam, e prevenir que acontecesse de novo. Quando Ginny estivera dormindo, ele pensara em todas as coisas que Voldemort podia ter feito com sua varinha, ou pior, com ele, para conseguir rastreá-lo quando usasse magia.
Poções, feitiços, rituais… não sabia como aquilo era possível, apenas que era possível, e sabia que Voldemort fazia isso com as varinhas dos Comensais da Morte logo após receberem a marca. Agora sabia que o bruxo devia ter adulterado sua varinha. Mas também sabia que sua varinha original podia fazer mais algumas coisas do que a que possuía no momento. Tinha que pegá-la de volta. Mas Damien não dissera nada sobre tê-la encontrado...
Pensando nisso, pegou seu telefone celular, que sempre levava consigo, e digitou o número. Granger atendeu imediatamente. Ao menos ela sempre atendia quando podia, e Harry tinha quase certeza que ela não estragaria as coisas como Damien. Era esperta o bastante para saber como lidar com a situação.
"Harry falando. Damien está com você?"
"Sim, Damien está aqui. Estamos apenas fazendo algumas tarefas de Feitiços, debatendo se…"
Harry revirou os olhos, mas seja o que estivessem debatendo, ele nunca descobriu, porque Damien falou em seguida. Provavelmente roubara o telefone de Granger.
"Oi, Harry, aconteceu alguma coisa? Você está bem?"
Harry deu uma rápida olhada em volta, mas ninguém estava perto o bastante para ouvi-lo falar, a não ser Ginny.
"Nós estamos bem." Ela olhou para ele por cima do ombro e assentiu ligeiramente. "Mas fomos seguidos por Comensais da Morte na noite passada."
"QUÊ?" gritou Damien.
Harry podia ouvir Weasley e Granger perguntando o que acontecera. Seu irmão repetiu o que ele disse e houve vozes abafadas, preocupadas com eles.
"Eu apaguei as memórias deles. Eles não se lembram de ter nos encontrado, então não deve ter problema. Estou ligando para perguntar por minha varinha. É provável que tenham nos encontrado através da nova que eu tenho."
Damien praguejou.
"Eu procurei tanto quanto pude sem papai ficar mais desconfiado do que já está. Tenho uma ideia de onde está, mas não tenho certeza se consigo pegá-la."
"Está em casa pelo menos?" Damien confirmou sua pergunta. "Ótimo. Você sabe se eles estão planejando entregá-la?"
"Eu acho que não. Não que fossem me dizer, mas não consigo imaginar papai abrindo mão dela. Ele quer guardá-la para você... ao menos é isso que eu acho."
"Isso é uma boa notícia, pelo menos. Há alguma ocasião planejada onde mamãe e papai não vão estar em casa nos próximos dias?"
"Você está planejando invadir e pegar a varinha?" perguntou Damien, parecendo chocado.
Harry revirou os olhos.
"Sim, é claro."
Ginny estava caminhando até ele, olhando-o de forma questionadora. Ele murmurou "mais tarde" e ela assentiu, parando ao lado dele. Ele a observou contemplar o mar.
"Harry? Harry? Ainda está aí?"
"Sim, lógico. O que você disse?"
"Eu acabei de te dizer que você não pode fazer isso! E se eles voltarem para casa? Você disse que ia trabalhar com eles de agora em diante. Não pode simplesmente vir aqui..."
"É claro que eu posso, Damy. Eu explicaria se eles voltassem para casa..."
"Por que não pede a eles, em primeiro lugar?" interrompeu o menino.
Harry cerrou os dentes.
"Você não consegue simplesmente me escutar, não é? Eu já expliquei antes..."
"Que papai poderia tentar alguma coisa, sim, eu sei, mas isso é importante e se eles acharem que você está fazendo tudo sozinho novamente, vão surtar, e estão em casa na maior parte do tempo também. Não é como se eles planejassem reuniões da Ordem semanas antes."
"Então você vai me ligar quando não tiver ninguém em casa."
"Mas você não faz ideia de onde sua varinha está, de qualquer forma," disse Damien, como se aquilo fosse encerrar a discussão.
"Então, você me diz sua ideia…"
"Mas eu quero estar lá! Você não pode simplesmente fazer tudo sozinho!"
Harry gemeu. Não estava precisando que Damien ajudasse e bancasse o herói naquele instante. Ele disse isso ao irmão.
"Mas eu quero estar lá, e vamos ser sinceros: sem minha ajuda, você não pode fazer nada!"
Harry rangeu os dentes e estava prestes dar-lhe uma bronca quando os pequenos dedos de Ginny afrouxaram seu aperto no telefone. Ela o pegou.
"Damien?" disse ela calmamente. "Pare de brincadeira, seu babaca, e diga a Harry o que ele precisa saber."
Harry arqueou as sobrancelhas e abriu a boca, mas ela o deteve com um aceno de mão.
"Pare com joguinhos, não há tempo para isso." Ela franziu o cenho. "Apenas espere até eu te encontrar novamente..."
Harry sorriu de lado. Evidentemente, ela estava ameaçando Damien. De repente, Ginny corou e desviou o olhar.
"Isso não é verdade, idiota! Pare com isso! Não é o momento para isso!" Ela fez uma breve pausa. "Houve mais ataques de Comensais da Morte?" perguntou ela, obviamente tentando mudar o assunto.
Ela assentiu e Harry pediu o telefone de novo.
"Espere, Harry quer falar com você."
Ela entregou o telefone celular a ele.
"Houve ataques? Onde?" perguntou Harry.
Damien listou algumas cidades e o rapaz praguejou. Eram todas cidades trouxas.
"Eu vou tentar a varinha de Ginny mais tarde para ver se eles conseguem rastreá-la também, e vou praticar alguns feitiços de proteção com ela. E nós provavelmente vamos desaparecer das cidades trouxas por um tempo também. Não podemos correr o risco de ser encontrados novamente."
Ginny tocou o braço dele levemente, parecendo animada. Harry olhou confuso para ela.
"Pergunte se Ron está aí também. Eu preciso falar com ele."
Harry o fez e entregou o telefone a ela.
"Oi, Ron, você acha que consegue nos arranjar a barraca do papai?" Ela pareceu confusa, e então triste. "Quando?" Ela ficou quieta por um momento, então: "Ah." Ginny engoliu pesadamente. "Sim, é claro, eu entendo. Eu só que... eu nunca pensei que não estaria lá." Ela ficou em silêncio novamente, empurrando uma pedra com o pé. "Ah, sério? Isso é ótimo também, eu acho. Espere um momento." Ela baixou o braço, segurando o telefone. "Hermione disse que podemos pegar a barraca dela e ficar com ela por um tempo. Eu queria nossa barraca, mas não podemos pegá-la. Talvez possamos buscá-la e... não sei... mas seria menos provável eles nos encontrarem dessa forma, não é?"
Harry assentiu, impressionado.
"Boa ideia."
Ginny sorriu e tornou a colocar o telefone na orelha.
"Tudo bem, quando podemos buscá-la?" Ela fez uma pausa. "Hoje?" A garota olhou confusa para Harry. Ele assentiu. "Tudo bem, hoje... em... vamos dizer, duas horas?" Ele confirmou. "Nós estaremos aí." Ela assentiu e franziu a testa. "Damien disse que sua mãe e seu pai não estarão em casa na próxima semana."
"Quando exatamente?"
"Eu explico depois," sussurrou ela e Harry assentiu. "Mais alguma coisa?"
Harry negou com a cabeça e parecia que não havia mais nada do outro lado também, pois Ginny disse: "Tchau, te vejo mais tarde, Hermione." Ela baixou o braço e olhou intrigada para o telefone. "O que eu aperto agora?"
Harry apertou o fone de ouvido vermelho e pegou o telefone dela, guardando-o novamente.
"Então, o que tem semana que vem?"
Ginny suspirou e chutou uma pedra de lado.
"Bill, meu irmão mais velho, se casa no próximo sábado."
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Harry testou a varinha de Ginny após o telefonema. Ele podia usá-la sem que os Comensais da Morte aparecessem, o que foi um grande alívio. Eles estavam escondidos quando a usou, para evitar serem visto se alguém aparecesse. Ninguém apareceu, embora tenham esperado por quase meia hora. Depois disso, aparataram de volta para o hotel para arrumar as coisas. Eles fizeram o checkout, compraram comida para durar por algum tempo e ela descreveu a casa de Hermione para Harry. Chegaram um pouco mais cedo, mas a amiga não se importou e os conduziu para dentro.
"Você não está sendo monitorada, está?" perguntou Harry, afastando a cortina um pouco para observar a rua.
Ele estava disfarçado novamente, usando a varinha de Ginny, o cabelo estava loiro claro, para combinar com o dela, e os olhos deslumbrantemente azuis.
"É claro que não," disse Hermione, parecendo escandalizada. "Ou eu não teria dito para virem."
Harry assentiu e Ginny lançou a ela um pequeno sorriso. Hermione sorriu de volta.
"Os meninos ainda estão aqui?" perguntou Ginny, olhando em volta.
"Não, eles saíram há uma hora."
"Que pena, eu teria gostado de vê-los mais uma vez, antes de desaparecer novamente," disse intrigada. "E seus pais também não estão em casa?"
"Não, eles estão trabalhando." Hermione fez uma pausa. "Vou pegar a barraca. Por que não se sentam? Gostariam de beber alguma coisa?"
Harry negou com a cabeça, enquanto Ginny perguntou:
"Você não tem um pouco de suco de abóbora, tem?"
Harry sorriu.
"Na verdade, eu tenho. Sabe como Ron e Damy amam, e já que eles estão sempre por aqui..." Ela parou de falar.
"Posso tomar um copo?"
"É claro."
Hermione desapareceu, enquanto Ginny sentou-se no sofá. Harry continuou em pé, lançando um olhar para a janela a cada segundo.
"Vamos, sente-se, seu babaca paranoico," provocou ela.
Harry revirou os olhos, estalou a língua e continuou de pé.
Hermione voltou, entregando o copo cheio de suco à amiga.
"Obrigada. Eu nunca pensei que fosse sentir tanta falta dessa coisa," disse ela, tomando um gole.
"Não foi nada. Eu vou pegar a barraca."
Ela olhou um pouco nervosa para Harry, que observava a rua novamente. Ginny encolheu os ombros para Hermione, tentando dizer à amiga para não pensar naquilo. Não teve certeza se a outra entendeu, mas ela saiu da sala mesmo assim.
Hermione voltou poucos minutos depois, carregando três sacolas grandes. Ela apontou para a primeira.
"A barraca está nessa." Ele a colocou no chão. "A segunda tem sacos de dormir e esteiras de acampamento, e a terceira tem coisas que deixamos de nossas viagens, como xícaras e pratos..."
Ginny se levantou e caminhou até ela.
"Obrigada, Hermione. Você está nos ajudando muito."
"Sem problemas." Ela sorriu.
"E você tem certeza que seus pais não vão sentir falta dessas coisas?" perguntou Harry, aproximando-se delas.
"Não, nós não acampamos há anos… e eles estão trabalhando tanto esses dias, que eu acho que não vão tirar uma folga nem tão cedo."
"Não será por muito tempo, de qualquer forma, certo?" perguntou Ginny, olhando curiosamente para Harry.
Ele negou com a cabeça.
"É melhor a gente ir, então."
As duas se abraçaram novamente, enquanto Harry encolhia as sacolas, com a varinha de Ginny, é claro.
"Se alguma coisa acontecer, nos ligue imediatamente, o.k.?" aconselhou Ginny.
Hermione assentiu.
"E vocês vão nos informar de como estão de vez em quando, ou vamos nos preocupar infinitamente com vocês!"
Ginny sorriu e concordou. Fizeram as despedidas finais, e Harry e Ginny saíram da casa, desaparatando ao virar a esquina, onde também aparataram.
Reapareceram na orla de uma floresta. Ela olhou em volta.
"Você já esteve aqui antes?"
Harry balançou a cabeça enquanto caminhava pela floresta.
"Vamos, temos que encontrar um local adequado para nossa primeira noite."
Ginny assentiu e o seguiu.
Eles tinham caminhado por pouco mais de uma hora antes de Harry finalmente fazer uma parada. Ginny fechou a distância entre eles, que crescera à medida que andavam, com Harry sempre alguns passos à frente.
"Acho que é isso."
Ginny seguiu seu olhar e assentiu. Era, de fato, muito bom. Havia espaço onde podiam montar a barraca e acender uma fogueira, mas não era uma grande clareira, que pudesse ser vista de longe. Também não havia caminho que levasse a ela.
Ao longo da próxima hora, eles ergueram a barraca e Harry ensinou-a alguns feitiços simples que iriam protegê-los de ser encontrados, para que ela pudesse colocá-los também se surgisse a necessidade.
Ginny evitou seus olhos quando descobriram que tinham de dormir um ao lado do outro se ambos quisessem ficar confortáveis. Harry até sugeriu dormir do lado de fora, mas ela não permitiu. Ainda era março e estava frio demais. Ele não relutou muito, e só mais tarde ela pensou sobre feitiços de aquecimento e se perguntou por que ele não os mencionou. Normalmente, ele era o primeiro a mencionar os feitiços, o que sempre a fazia sentir-se estúpida.
As noites seguintes foram uma das mais incômodas para ambos, embora nenhum deles soubesse que o outro se sentia da mesma forma.
Na primeira noite, eles entraram nos sacos de dormir quando ficou escuro, deitados juntos. Demorou um pouco, mas não muito, e Ginny adormeceu. Harry ouviu sua respiração se tornar mais regular, e impediu um suspiro de escapar dos seus lábios. Suas pálpebras também estavam pesadas, mas ele forçou-as a permanecerem abertas. Não ia adormecer. Não que não se sentisse seguro. Confiava completamente em seus escudos e feitiços protetores. Eles não os encontrariam ali... ele apenas... Ele se virou, deitando de costas e encarando o teto da barraca. Seus olhos divagaram para a esquerda, traçando a forma dela na escuridão. Gemendo, rolou para seu lado novamente, encarando a lateral da barraca. Entrelaçou as mãos com força e colocou a cabeça sobre elas. Simplesmente não confiava em si mesmo. Por um momento, ponderou sobre dormir do lado de fora. Mas ela provavelmente interpretaria aquilo mal mais uma vez, e a última coisa que precisava era brigar com ela de novo. Devia apenas ficar onde estava, e tentar ficar acordado. Mas é claro que a certa altura ele adormeceu.
No dia seguinte, seus olhos se abriram e a luz o cegou por um instante. Tornou a fechá-los, aconchegando-se mais no travesseiro, que tinha um cheiro surpreendentemente bom e parecia, de alguma forma, diferente. Algo fazia cócegas em seu nariz. Franziu a testa, querendo estender a mão, mas ela já estava segurando algo quente e macio e... seus olhos abriram abruptamente, lembrando-se de onde estava. Seu nariz estava pinicando por causa de alguns fios de cabelo loiro, sua respiração fazendo-os esvoaçar levemente contra a pele dela. Seu rosto estava aninhado contra o pescoço dela, uma das mãos servindo de travesseiro para sua própria cabeça, enquanto seu outro braço a abraçava junto de si, sua mão na dela. Ele estava muito perto dela, em posição de conchinha. Lentamente, afastou o braço e, dando um último suspiro profundo, o coração batendo ruidosamente no peito, ele se virou, encarando a lateral da barraca de novo. Respirou calmamente, tentando pensar em outra coisa que não fosse ela.
A segunda noite terminou com Ginny acordando primeiro. Piscou os olhos sonolenta e se esticou, suas mãos roçando uma pele. Franziu o cenho. Seu travesseiro parecia errado também. Levantou a cabeça e congelou. Sua cabeça estivera descansando no peito de Harry, seu braço sobre o estômago dele, os dedos roçando a pele sob sua camisa. Em primeiro lugar, afastou a mão, lentamente para não o acordar, antes de se afastar por completo. Rolou para seu lado, e passou a próxima meia hora encarando a barraca, tentando pensar em qualquer coisa, exceto sobre onde acordara.
Harry acordou algum tempo depois, preparando-se para qualquer coisa antes de abrir os olhos, mas estava no seu lado e Ginny no dela. Conseguira ficar longe. Uma parte dele estava em um humor melhor durante todo o dia, mas a outra, a maior, desejava ir dormir.
Na terceira noite, Harry ficou acordado por mais tempo, observando a floresta ao redor, fingindo estar em vigília. Eventualmente, adormeceu do lado de fora e só acordou no meio da noite, sentindo tanto frio, que pensou estar prestes a congelar. Entrou na barraca e abriu a área de dormir.
Descobriu que Ginny não estava dormindo onde deveria. Estava deitada em seu lado da barraca, enrolada no saco de dormir dele. Suspirando, ponderou o que fazer. Podia acordá-la e mandá-la dormir do lado certo. Podia tentar movê-la sem acordá-la. Ou podia apenas dormir do lado dela. Por fim, deu de ombros e deitou do lado dela. Deixou a cabeça cair no pequeno travesseiro e respirou fundo. Gemeu. É claro que tinha o cheiro dela. Sabia que tinha que fazer alguma coisa sobre aquilo, mas não sabia o que exatamente.
A pergunta respondeu a si mesma quando, depois da quarta noite, eles acordaram apenas alguns segundos após o outro, emaranhados e abraçados. Tentaram se evitar durante toda a manhã, o que era impossível. Passaram de manhã até o meio dia em silêncio, tentando não se olhar, mas encontrando os olhos um do outro com mais frequência do que o normal. Naquela tarde, quando Harry estava realmente certo de que não era o único se comportando estupidamente, ele se encheu.
"Acho que precisamos conversar."
N/T: Para o pessoal que comentou sem loggar, eu vou continuar sim rs. Não tem como saber quando eu vou postar, mas para serem avisados da atualização por e-mail, devem se cadastrar no site e seguir (follow) a fic. Obrigada pelas reviews, espero mais! Beijos :)
