Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Twenty-Eight – Nothing But The Truth

(Nada Além da Verdade)

Ginny tirou uma garrafa de água da sacola que estava dentro da barraca e saiu novamente, respirando fundo ao abri-la. Estava um dia lindo. O sol brilhava e estava ficando mais quente, os primeiros botões de rosa apareciam e os pássaros cantavam.

"Acho que precisamos conversar," disse Harry, olhando para ela.

Ginny baixou a garrafa que estava a meio caminho de sua boca.

"Como?" Ela se virou para ele.

"Eu acho que precisamos conversar," repetiu de onde estava parado, encarando-a.

"Não sobre os Comensais da Morte de novo?"

Ela jamais lhe contara que não sonhava apenas sobre o que acontecera naquela ocasião. Os sonhos sobre Hogsmeade e o Beco Diagonal também estavam se tornando mais vívidos novamente... só em vê-lo matar em seus sonhos lhe trazia flashbacks de antigos cenários de horror.

"Não." Harry balançou a cabeça. "Sobre isso." Ele apontou para os dois.

Ginny o encarou e baixou a garrafa. Ele não estava falando sobre o que ela estava pensando, estava? Ela engoliu em seco.

"Sobre isso?" Ela repetiu o gesto.

Harry amarrou a cara para ela.

"Não seja mais estúpida do que você é. É claro que é sobre isso."

"O que há para conversar?" perguntou ela, cerrando os dentes.

Ele dissera que não sentia nada, então não podia haver nada para conversar, e ela não confessaria os sentimentos apenas para fazê-lo se sentir melhor. Ia se sentir terrível depois daquilo, e eles tinham que ficar tão perto agora... não seria capaz de suportar.

Harry arqueou uma sobrancelha.

"Sobre forma que acordamos, por exemplo?"

"Eu provavelmente estava sentindo frio," mentiu. "Não é como se eu tivesse escolhido acordar daquele jeito... ou dormir daquele jeito, para começo de conversa."

Harry parecia desapontado. Ele gemeu e esfregou os olhos.

"Tudo bem, ótimo."

Ginny franziu a testa. Quem era ele para ficar desapontado com aquilo? Foi ele que disse que não havia nada da parte dele. Como ousava ficar daquele jeito agora? Ela cruzou os braços.

"O que quer dizer com 'tudo bem, ótimo?' Talvez você esteja certo e nós devêssemos falar sobre 'isso.'" Ela tornou a repetir o gesto dele.

"Por que quando eu quero falar sobre isso você não quer? E quando eu não quero você quer?" perguntou ele, cruzando os braços.

"Você parecia…" Ela fez uma pausa. "Desapontado.

Ele franziu o cenho e deu meio passo para trás.

"Eu não parecia."

"Parecia sim."

"Não parecia."

Ginny o olhou com raiva, mas ele apenas a encarou. A garota jogou as mãos para cima.

"Tudo bem, você queria falar sobre isso. Sobre a forma que acordamos. Excelente, nós acordamos próximos. Estávamos dormindo numa maldita barraca juntos, não é como se fosse evitável. Foi você que disse que não há nada entre nós, então não pode haver, certo?"

Ela vociferou a última palavra e se virou. Por que havia lágrimas estúpidas em seus olhos? Tinha que enfrentar a verdade. Não havia nada. Ele dissera isso.

"Quando foi que eu disse que não há nada entre nós?" perguntou ele baixinho.

Ela ficou em silêncio e deu alguns passos para se afastar dele. Talvez pudesse apenas dar uma caminhada, e, quando voltasse, eles poderiam ignorar o que acontecera como ignoraram tantas coisas que tinham acontecido.

"Ginny, estou te fazendo uma pergunta. Me responda," disse ele com mais vigor, e a garota o escutou caminhar até ela.

Ela queria fugir, apenas escapar, mas ele agarrou seu braço e a forçou a se virar. Os olhos dele se arregalaram em choque quando viu as lágrimas em seus olhos. Ela se soltou e recuou, afastando-se dele novamente.

"Ginny…"

Ela sacudiu a cabeça e se embrenhou mais na floresta.

"Ginny…" repetiu ele, mais alto dessa vez.

Ela tornou a sacudir a cabeça e acelerou o passo. Não podia fazer aquilo agora. Ele não podia forçá-la a falar sobre tudo com aqueles olhos estúpidos e aquela maldita voz. Não era só ele olhar para ela para que despejasse todos os seus segredos. Não queria que a vergonha e o...

"NÃO VÁ!" Ele gritou por ela. Alguns pássaros que estavam por perto voaram para longe. Ginny parou abruptamente. Quem era ele para dizer que ela não deveria ir? Harry correu atrás dela e, de repente, ele estava à sua frente, olhando para ela. "Por favor, não chore, Ginny." Ele parecia absolutamente impotente.

Ela o contornou, adentrando na floresta. Ele a seguiu, alcançando facilmente seu ritmo.

"Não vá, Ginny.

Ela o olhou furiosamente, mas ele continuou a segui-la.

"Por que não?"

"Apenas não vá."

Ginny parou e cruzou os braços.

"Por que eu não deveria? Porque você foi muito legal comigo em Hogwarts? Porque você nunca brincou com meus sentimentos? Porque você sempre me disse o que estava acontecendo? Porque sempre foi real? Porque respondeu todas as perguntas que eu te fiz? Porque você nunca me usou? Porque nunca me machucou ou tentou me machucar? Porque nunca machucou meus amigos? Porque você nunca tentou me matar? Porque sempre fez o que era melhor para mim? Porque você nunca gritou comigo ou foi grosseiro?"

A cada pergunta, ela dava um passo na direção dele e sua voz ficava mais cheia de sarcasmo. Ele sempre dava um passo para trás e a encarava, os olhos se arregalando mais e mais. Quando ela parou com os olhos brilhando de raiva, Harry respirou fundo e disse:

"Nós temos mesmo que falar sobre isso, se é isso que você pensa."

"Se é isso que eu penso? O que mais eu devo pensar depois de tudo?"

Harry evitou os olhos dela.

"Eu nunca pensei que fosse gostar de um interrogatório de um auror, mas eu realmente preferia um agora." Ele riu.

"Eu sou muito má, hã?" Ginny se virou. "Ótimo, não vamos conversar, então."

A ruiva caminhou de volta para a tenda, pegou a garrafa e tomou um gole de água. Não desperdiçaria mais lágrimas por conta daquilo. Ele não queria falar com ela, estava desconfortavelmente tentando, e não era como se ela quisesse conversar, afinal. Iam só passar o resto do tempo em silêncio, e quando ele ficasse cheio... simplesmente modificaria sua memória e a faria esquecer e... ela tentou respirar fundo para conseguir manter o controle. Não estava fazendo sentido e estava magoada. Ele a estava magoando com tudo aquilo. Fechou a garrafa e jogou-a de lado. Harry não queria conversar, e ela também não queria... ia apenas… a jovem segurou o colar que protegia sua mente e o retirou. Virou-se e olhou para Harry.

"Aqui."

Ginny o empurrou nas mãos dele. Sacudiu o pulso e a varinha apareceu em suas mãos. Ela também a enfiou nas mãos dele. Harry olhou confuso para ela.

"Agora pode simplesmente apagar minha memória e acabar com isso."

Harry olhou chocado para ela.

"Foi o que fez com os Comensais da Morte. Você disse que não sentia nada por mim, que eu era apenas uma garota inocente que precisava ser salva e protegida. Apague minha memória agora e não perca mais tempo, coloque-me em algum lugar e acabe com isso. Não vou mais ser um fardo para você. Não sei como vai explicar isso aos outros, mas alguma coisa virá à sua mente. Não é como se não soubesse como mentir, certo?"

"Ginny, é claro que não!" disse ele horrorizado. "Por que eu faria isso? Eu te contei o que aconteceu comigo! Eu não vou fazer isso com você."

"Mas, por quê?"

"Como você disse e eu te disse antes, você é uma garota inocente, você..."

"Dane-se essa merda de inocente. Você diz que nunca poderia fazer isso, mas teria feito com Ron, com Hermione? Você diz que nunca machucaria uma pessoa inocente, mas quebrou o nariz de Ron, você agiu como... como..." Ela procurou por palavras. "Como um completo idiota. Então não se atreva a vir com essa coisa de 'garota inocente' para cima de mim novamente!"

Harry cruzou os braços.

"Isso foi diferente."

"Sim, mas por quê?" perguntou ela, sua voz cheia de desespero.

Mas ele ficou em silêncio, e quando ela olhou para ele, o garoto desviou o olhar.

"Ótimo."

Ginny tornou a pegar a garrafa e caminhou em direção às árvores novamente.

"Aonde você vai?" perguntou Harry.

"Embora."

Ele tornou a caminhar ao lado dela.

"Apenas, pare, de, me, seguir," sibilou ela.

Ele parou e a ela seguiu em frente.

"Não vá. Você está confusa, tudo bem, mas não ."

Ela queria ignorá-lo, realmente apenas deixá-lo ali parado, mas algo a impedia e, com uma pontada, percebeu que era a voz dele. Ele parecia quase desesperado.

"Não sou eu quem está se recusando a dar respostas, Potter," disse ela, parando de andar, mas sem se virar.

"São respostas que você quer? Ótimo! Pergunte! Pergunte sobre qualquer detalhe estúpido que queira saber, se é isso que verdadeiramente quer," vociferou para ela, sua voz cheia de sarcasmo e raiva.

Ginny ficou onde estava e pensou que ele finalmente a deixaria em paz, mas de repente ele veio correndo atrás dela, e antes que soubesse o que realmente estava acontecendo, ele a alcançara e agarrara seus braços, puxando-a para encará-lo. Ela queria se soltar, mas as próximas palavras dele a fizeram congelar.

"Eu sinto muito."

A garota piscou os olhos e olhou para ele. Seu rosto estava sério.

"Eu sinto muito," repetiu ele. Ela não conseguia lembrar se ele havia dito isso antes. "Eu acho que temos mesmo que conversar... para parar com isso." Sua voz estava grave, e não havia raiva ou sarcasmo. Ele parecia quase calmo.

"Mas assim que se tornar embaraçoso ou houver algo do seu passado que você não quiser falar... você vai se fechar... e eu não quero que me encha com mais mentiras."

Harry respirou fundo e olhou diretamente em seus olhos.

"Sem mentiras, semmeias verdades, apenas a verdade, nada além da verdade."

N/T: Esperei por essa parte haha :) Então, aqui o título da fanfiction faz sentido, pois "Truthful Lies" é "meias verdades." Que emoção ^^

"Sério?" perguntou ela num mero sussurro.

O garoto assentiu.

"Sério."

"E eu posso perguntar tudo que quiser?"

"Sim, mas eu posso passar algumas perguntas..." Os olhos dela se estreitaram. "Se eu te der um motivo. Fechado?"

Não parecia nada errado naquilo, ela pensou.

"Fechado."

Harry a soltou, passando a mão pelo cabelo.

"Acho que devíamos nos sentar, isso vai levar um tempo, não é?"

Ginny assentiu e apontou para a árvore caída na qual costumavam se sentar durante as refeições. Caminharam até ela e sentaram-se de frente um para o outro. A garota refletiu sobre o que acontecera. Ele disse que responderia tudo. Mas o que ela queria perguntar? Sobre Hogwarts, as cartas, sentimentos... mas por onde deviam começar? Ele ia querer que ela fosse verdadeira também, não é? E se ela confessasse o que estava sentindo? O que aconteceria? Ele ficaria com raiva, seria arrogante? Idiota? Ia rir? Ela puxou as pernas para junto do corpo e as abraçou, encarando-o por cima delas. A garota limpou a garganta, nervosa.

"Por que você me salvou?"

Harry arqueou as sobrancelhas.

"Que vez você quer dizer?" perguntou ele secamente.

Ginny não conseguiu não sorrir.

"A primeira vez. Em Hogsmeade."

"Eu te vi como nada mais que uma criança inocente," disse ele sincero. "Uma espectadora que não tinha nada a ver com nada, e você estava caindo, e provavelmente morrendo, porque estava no lugar errado, na hora errada. E eu tinha uma vassoura e podia voar... apenas agi."

Ela sentiu uma pontada no peito. Ele a vira como uma criança. Uma criança. Ela engoliu pesadamente.

"Por que..." Ela respirou fundo. "Por que você salva crianças? Eu ouvi sobre os filhos de Madame Pomfrey também e eu... por conta de sua criação, eu..." Ela fez um gesto largo com as mãos.

"Você não achou que fosse possível?" perguntou ele secamente. Ela assentiu. "Eu te contei como Voldemort, Bella e Lucius assumiram o lugar dos meus pais e Sirius e..." Ele parou de falar.

"Que eles não eram muito legais com você, e você aprendeu a odiar o lado da luz." Ela acrescentou da conversa que tiveram anteriormente.

"Sim, sobre isso… bem, isso é verdade, mas há um pouco de eufemismo." O garoto fechou os olhos e baixou a cabeça. "Eles abusaram de mim."

"Eu…"

Ele levantou a mão.

"Não diga nada sobre isso. Eu não preciso de compaixão ou... o que seja. Eles abusaram de mim, e eu jurei a mim mesmo que nunca deixaria uma criança sentir o mesmo que senti naquela época. Não vou permitir que uma criança morra ou seja machucada, e eu jamais vou machucar uma criança ou, pior ainda, matar uma. Elas não escolhem um lado, elas não lutam... não fazem nada de errado, e não podem ser punidas por isso."

Ginny assentiu, sem falar nada. Não sabia o que dizer diante daquilo, afinal. Era... corajoso da parte dele dizer aquilo em sua posição. Era certo. Ela nunca pensara nele daquela forma. Mas era a coisa certa a fazer.

Harry balançou a cabeça como que para clarear a mente.

"Eu pensei que fosse simplesmente esquecer sobre eu te salvar, para ser sincero."

"Como eu poderia esquecer? Você salvou minha vida!"

O rapaz deu de ombros.

"As pessoas são estranhas assim."

"Sim, bem, eu não sou." Ela fez uma pausa. "Para ser sincera, eu te procurei." A garota corou. "Eu pensei que te conhecia de algum lugar, então vasculhei os anuários para te encontrar... pensei que fosse mais velho, sabe."

"Foi o que imaginei quando seu irmão não parava de falar sobre seu herói misterioso e como você estava tentando encontrá-lo loucamente... hum... me encontrar."

Ginny franziu os lábios. Ron idiota! Ele nunca sabia quando era melhor calar a boca.

"Bem... eu queria te encontrar para agradecer."

Harry deu de ombros.

"Não há necessidade disso."

A garota franziu os lábios.

"É claro que há, havia necessidade disso!" Ela fez uma pausa. "Obrigada, novamente." Quando o garoto não fez e nem disse nada, mas apenas desviou o olhar, ela continuou. "Tudo bem, eu não te encontrei. Você foi capturado e eu te vi brevemente no quartel-general, mas é claro que não nos falamos, e eu não liguei meu herói a você de forma alguma. Tudo bem, você chegou a Hogwarts..."

"E nos esbarramos no corredor," completou ele.

Ginny assentiu.

"Não achei que ainda fosse se lembrar disso."

Harry sorriu.

"Eu não esbarro em garotas com tanta frequência. Apenas uma ou duas vezes por semana, sabe? Você apenas teve sorte..."

Ela queria socá-lo no peito de brincadeira, mas se impediu. Era realmente inexplicável como quando começavam a conversar tudo parecia ficar melhor.

"Por um segundo eu achei que fosse meu herói ali no corredor, mas seu pai apareceu e eu percebi que você era o Príncipe das Trevas... e achei que fosse impossível."

"Você foi realmente terrível comigo depois daquilo," acrescentou ele.

Ginny bufou.

"E você era a alegria em pessoa, sabe."

"É claro. Eu sempre sou a alegria em pessoa," brincou Harry, e a garota sorriu antes de revirar os olhos para ele.

"Você quebrou o nariz de Ron." Ela o acusou.

"Legítima defesa."

"Nós fomos avisados para não contar a ninguém sobre você se não quiséssemos ser expulsos."

"Não é culpa minha. De forma alguma."

"Tornou mais fácil te odiar," disse ela, dando de ombros.

Harry arqueou uma sobrancelha.

"Você precisava de ajuda para tornar mais fácil?"

"É verdade, você era o inimigo perfeito, mas… eu acho que algumas dúvidas da ocasião do corredor permaneciam."

O garoto assentiu.

"Ah, tudo bem."

"Eu vi a tensão que seu comportamento infligia em Damy… isso tornava mais fácil te odiar e esquecer o pressentimento também."

"Bem, sobre isso…" Harry fez uma careta.

Ginny sacudiu a cabeça.

"Não é a mim que precisa explicar ou pedir desculpas por isso. É a Damien."

O garoto suspirou.

"Sim, eu sei."

"Sua conversa com Malfoy na biblioteca…"

Harry riu.

"Eu me lembro de seu estúpido 'discurso' sobre como ia me denunciar."

Ginny gemeu.

"Por favor, eu quero esquecer tudo aquilo."

"Você mencionou," apontou ele.

"Sim, eu só queria passar pelo que aconteceu para não esquecer nada."

Agora foi a vez de Harry gemer.

"Você está mesmo levando isso a sério, não é?"

"É claro! Quem sabe quando terei a chance de te perguntar o que quiser?"

O garoto revirou os olhos e sacudiu a cabeça.

"Eu não sou tão ruim assim."

"Certo. Você é pior." Ginny sorriu atrevidamente. "Tudo bem… Treino de quadribol e jogo, deixando a Sonserina ganhar… obrigada por me salvar de novo."

Harry encolheu os ombros.

"Hogsmeade. Daywalkers." Ela fez uma careta. "Obrigada por me salvar mais uma vez."

Harry lançou-lhe um olhar sombrio.

"Não foi nada."

"Para você talvez. Eu tive alguns pesadelos depois daquilo." Ela tornou a fazer careta.

"Você não tem mais, tem?"

Ela negou com a cabeça.

"Não, há outras coisas com que sonhar agora."

"Eu…"

Mas ela o interrompeu. Não queria que ele perguntasse ou falasse sobre eles agora.

"Sendo legal comigo. Torre de Astronomia, feitiço do Patrono." Eles ficaram em silêncio e Ginny brincou com um pedaço da casca da árvore, imaginando como poderia perguntar o que queria. "Por que... por que você... havia..." Ela suspirou e parou de falar. "Por que começou essa 'coisa' comigo?" Tinha perguntado. Não ousou olhar para ele.

Harry respirou fundo.

"Eu estava entediado."

Ela apertou as mãos. Aquilo não era o que queria escutar.

"Você..." Sua voz estava tão alta que ela limpou a garganta antes de continuar. "Você estava entediado?"

O garoto suspirou.

"Não é exatamente o que eu queria dizer."

"O que queria dizer, então?" Um pouco de esperança retornou lentamente para ela.

"Passo."

Ginny o encarou.

"Isso não é justo! Motivo?"

"Eu só iria machucá-la."

A garota cruzou os braços.

"Não bom o bastante. Nem perto de ser bom o bastante."

Ela sentiu o coração afundar, um nó crescendo em sua garganta. Engoliu em seco. Tinha que lidar com aquilo. Melhor saber do que imaginar.

"Me diga, por favor."

Harry tornou a suspirar, e quando ela arriscou um olhar para ele, viu que estava esfregando a ponte do nariz. A garota baixou o olhar novamente, brincando um pouco mais com a casca.

"Tudo bem, você quis escutar, lembre-se disso." Ele fez uma pausa. "Uma parte de mim estava realmente entediada, as aulas não estavam me desafiando de forma alguma, e eu queria ir para 'casa.'" Ele cuspiu a palavra. "Eu queria fazer alguma coisa, qualquer coisa além de ser o idiota que foi capturado. Pensei que atingir seu pai fosse ajudar o lado das trevas... ou ao menos eu estava tentando fingir ser essa a razão. A razão principal provavelmente era que eu..." Ele parou de falar.

"A razão principal?" perguntou ela sem emoção, cerrando os dentes e tentando impedir-se de gritar com ele. Um jogo. Tinha sido um jogo.

"Eu estava curioso sobre você."

Ela o encarou, sem entender.

"Você estava curioso?"

Harry assentiu, olhando à distância.

"Eu queria saber sobre a garota que me admirava num instante e me odiava em seguida, que podia se assustar facilmente e, de certo modo, não se assustar de forma alguma. Você disse algumas coisas que eu achei muito interessantes." Ele deu de ombros. "E você era bonita." Ele lhe lançou um sorriso.

Ginny balbuciou.

"Como é que é?"

"A forma que tentou me ameaçar, por exemplo, você era tão inocente que era quase doce."

Ginny sentiu-se confusa. Um jogo por um lado, mas pelo outro... havia mais: bonita. Ela quase sentiu vontade de rir.

Ginny olhou boquiaberta para ele.

"O que quer dizer com isso?" perguntou ela o encarando.

"Mente de homem." Harry sorriu de lado. "Você queria saber toda a verdade."

Ela amarrou a cara.

"Por favor, abstenha-se de me contar sobre suas… 'fantasias.'" A jovem fez uma pausa. "E só para que saiba, eu não teria ido mais longe com você do que fomos," disse ela, tentando se manter o mais séria possível.

"Sim, sim, que seja… apenas se convença disso." Ginny abriu a boca, pronta para protestar, mas ele a interrompeu. "Próxima pergunta?"

A garota sorriu.

"Primeiro você não quer responder nada, e agora já está ávido por outra?" Ele deu de ombros. "Tudo bem... vejamos..." Ela parou de falar, pensando nos últimos meses. "Você fugiu," afirmou ela, e ele assentiu. "Por que não me avisou? Sabia o que estava acontecendo. Podia ter se despedido."

Ela lembrou-se da confusão, raiva e tristeza. E então da carta.

O rosto de Harry ficou sombrio. Será que estava pensando sobre o que acontecera naquele dia também? Como tentara matar o pai?

"Eu não podia arriscar que você contasse a alguém."

"Eu não teria contado," disse ela, cruzando os braços.

O garoto arqueou uma sobrancelha.

"Sim, certo, você não teria dito a ninguém que haveria um ataque à escola."

Da maneira como ele disse… ela provavelmente teria contado a alguém, não é? Mas significava que ele não confiara nela. A jovem suspirou baixinho.

"E eu te deixei uma carta. Você a encontrou, certo?"

A garota assentiu.

"Sim, encontrei. Mesmo que doesse mais do que qualquer coisa depois do que aconteceu aos Randhawas." Ela engoliu em seco.

"Sobre isso: foi por acaso ter ocorrido uma situação na qual foi possível matá-los. Eu não disse a ninguém sobre nossa conversa."

Ginny assentiu.

"Eu imaginei isso quando descobri que eles tinham se mudado."

Ela olhou para baixo e puxou os joelhos para perto. Devia perguntar se ele estivera lá? Se tinha sido ele quem proferira a maldição? Queria mesmo saber?

Mas ela não precisou nem perguntar, pois Harry respondeu sua pergunta não formulada.

"Eu não estava lá. Sei que escreveram umas bobagens no jornal sobre isso, mas praticamente sempre se pode alegar que uma testemunha trouxa viu alguma coisa. Nunca há uma forma de provar isso depois, visto que todos os trouxas são obliviados."

A garota suspirou e acenou com a cabeça, sentindo-se aliviada. Não tinha sido ele. Todas as preocupações e pesadelos que tivera, e toda a culpa que sentira, tinham sido sem fundamento.

Mas havia algo mais que aparecia nos jornais quando tinha alguma coisa sobre ele como o Príncipe das Trevas nas notícias. Ela mordeu o lábio, tentando encontrar as palavras certas para a pergunta.

"E os pais de Neville? O Senhor e a Senhora Longbottom?"

Harry de repente ficou tenso, toda sua alegria e calma desapareceram.

"Passo."

Ginny franziu o cenho.

"Por quê?" perguntou ela cuidadosamente.

"Responder isso seria perigoso para algumas pessoas que conheço."

A jovem ficou confusa. De quem ele podia estar falando? Alguns Comensais da Morte? Mas era de conhecimento geral quem estivera lá naquela noite. Ela estremeceu ao pensar no que lera e ouvira sobre isso. Os Longbottom queimando vivos, gritando por ajuda. Pedindo clemência, e ele tinha ido embora.

"Olhe, Ginny. Eu entendo que queira saber sobre isso, mas eu não posso..." começou ele cuidadosamente.

"Quem você quer proteger?"

"Eu… Ginny… Ah, Merlin." Ele bagunçou o cabelo e gemeu. "Eu nunca pensei que teria que falar sobre isso de novo."

"Eu prometo que não vou contar a ninguém, se é isso que teme."

Harry sacudiu a cabeça.

"Se algum dia a gente for pego e alguém te interrogar sob tortura ou com Veritaserum..."

Ela o interrompeu.

"Em primeiro lugar, eu não acho que vamos ser pegos. Em segundo lugar, por que alguém ia me perguntar isso?"

O garoto a encarou antes de esfregar o nariz.

"Isso é muito importante para você?"

Ginny assentiu lentamente. Era muito importante. Saber o que ele fizera e o que não fizera. Ele suspirou e ficou em silêncio. Ela não disse e nem fez nada. Se ele decidisse que podia contá-la, devia pensar naquilo primeiro.

"Tudo bem, eu vou te contar. Mas o que quer que aconteça, você tem que jurar que jamais vai contar a alguém. Você entende? Ninguém pode saber. Nem seus irmãos ou seus pais, nem Damien ou Granger ou meus pais ou ninguém."

"Tudo bem." Ela assentiu e olhou direto para ele. "Eu prometo não contar a ninguém sobre isso."

Harry respirou fundo antes de encarar as mãos. Ela seguiu seus olhos e o observou brincar com o anel negro. "É uma penseira," explicou ele baixinho. "E a memória da noite está aqui. Eu podia te mostrar."

Ginny encarou o anel em choque. Nunca teria imaginado que fosse algo mais do que apenas um anel.

"Eu... Tudo bem se você me desse um breve sumário?"

Ela não sabia o que a esperava lá, e já tinha pesadelos suficientes.

O garoto assentiu, mas brincou com o anel mesmo assim enquanto respirava fundo novamente.

"Foi minha primeira missão importante, ou ao menos eu pensei que fosse, pois havia membros da Ordem e aurores envolvidos. Enquanto cinco Comensais da Morte torturavam Alice e Frank do lado de dentro, eu devia esperar do lado de fora. Ouvi seus gritos." Harry estremeceu levemente. "Eu entrei para mandá-los parar, que já durara muito tempo, e os Comensais saíram da casa. Era para eu ficar dentro sozinho. Retirei a máscara, como tinha sido instruído previamente. Voldemort queria que soubessem quem os matara como uma última terrível lembrança." Ele tinha um olhar distante no rosto, claramente revivendo aquela noite. "Eu lhes ofereci a última oportunidade para viver: juntar-se a Voldemort. Eles recusaram, é claro. Eu tentei matar Alice, mas... mas..." Ele engoliu em seco e fechou os olhos. Cautelosamente, Ginny estendeu a mão em sua direção, cobrindo a dele com a sua. "Ela estava grávida. Eu não podia fazer aquilo, pois ao matá-la eu teria matado uma criança. Lucius ameaçou entrar, para ver o que estava me atrasando. Entrei em pânico, abri um portal e os enviei por ele. Quando Lucius entrou, eles já estavam longe. Eu o indaguei se sabia sobre Alice estar grávida. Ele sabia. Fiquei furioso. E o obliviei, ateei fogo na casa, e conjurei uma ilusão para parecer que eles estavam gritando, quando na verdade a casa estava deserta. Eu nunca contei a ninguém."

Harry fechou os olhos enquanto Ginny olhava surpresa para ele.

"Mas... mas certamente eles teriam voltado para Neville..."

"Eles não podiam. Eu modifiquei suas memórias também. Não se lembram dele. Não se lembram de jamais terem sido Frank e Alice Longbottom. Seus novos nomes são John e Fiona, e eles têm um filhinho chamado Nigel. Eles nem mesmo sabem sobre magia."

Ela não sabia o que dizer ou mesmo o que pensar. Ele nunca os assassinara. Ainda mais, eles nem mesmo estavam mortos. A garota pensou em Neville e seu pesar sobre os pais. Um nó formou-se em sua garganta.

"E por que... por que ninguém pode saber?"

"Ginny, pense! O que acha que aconteceria se Voldemort descobrisse o que aconteceu? Ele não só me perseguiria, nos perseguiria, com mais força do que nunca, mas procuraria por Alice e Frank e o doce pequeno Nigel. Não, eles estão seguro que importa. Nada mais importa."

"Mas, Neville…"

Harry cruzou os braços.

"Talvez eu não devesse ter te contado."

"Não, me desculpe. Vou manter a boca fechada sobre isso," disse ela depressa.

Não queria que ele se arrependesse de lhe contar. Ele não os matara. Era mais alguém que salvara, protegera. Não era apenas ela. Mas era a única com a memória intacta. A garota respirou fundo.

"Talvez devêssemos fazer um intervalo ou algo do tipo, assim você pode se acalmar..."

"Não," disse ele com vigor. "Se pararmos agora, provavelmente jamais vou te dizer mais nada."

"Tudo bem, não é algo que eu queira arriscar." Ela fez uma pausa. "Obrigada por me contar, Harry. Significa muito para mim."

O garoto olhou para ela e assentiu.

"Eu não teria feito de outra maneira."

Ginny deu-lhe um sorriso brilhante, o coração batendo ruidosamente no peito. E então se lembrou do que tinha que perguntar em seguida, e o sorriso despareceu. Pensara sobre isso muitas vezes no passado e aquele dia tinha lhe trazido terríveis pesadelos.

"Beco Diagonal," disse ela sem emoção.

Harry a observou cuidadosamente.

"Beco Diagonal," repetiu ele.

"Algo a dizer sobre isso?" perguntou ela baixinho.

"Já te disse que eu não queria..." Ele parou de falar.

"Que você não queria me matar, sim, eu me lembro," disse ela secamente. "Desculpa por te bater, aliás." Ele deu de ombros. "Mas você tem que admitir que foi um maldito movimento arriscado..."

A ruiva fechou as mãos em punhos, tentando concentrar-se nas árvores ao seu redor e não afundar na memória mais uma vez.

Harry ficou em silêncio por um longo tempo antes de suspirar alto. Ela pulou quando ele de repente tocou seu rosto, virando-o em sua direção. O garoto a olhou profundamente nos olhos, as mãos ainda segurando seu rosto quando ele explicou lentamente:

"Ginny, eu não queria fazer o que fiz..."

"Por que caminhou em minha direção, então?" perguntou ela incisivamente.

Harry arqueou uma sobrancelha em surpresa.

"Você percebeu isso?" Ela assentiu. "Não foi difícil te avistar em toda a confusão, e minha tarefa era apenas criar o caos, nada mais. Mas sei como os Comensais da Morte pensam, e eles teriam te machucado ou pior matado se tivessem chance. Eu queria te tirar dali. Eu sabia que atalhos eram seguros e queria te apontar. Ninguém teria sequer nos notado se não fosse seu maldito pai..."

Ginny estreitou os olhos, tentando acalmar a batida acelerada de seu coração. Ele queria levá-la à segurança?

"O que meu pai tem a ver com isso?"

"Você não lembra? Você estava com medo de mim, tropeçou e ele gritou seu nome e, de repente, todos estavam nos observando. Voldemort deu o comando, e eu não tinha escolha a não ser obedecê-lo. Teria sido um inferno se eu tivesse recusado..."

"Mas… mas eu poderia estar…"

Mas ela sequer conseguia terminar a frase. Quão próximo estivera da morte naquele dia.

"Ginny, eu te dei a dica de onde ir e você foi."

"Mas seu eu não tivesse…" começou ela, sua voz ficando histérica.

"Você sabe como a maldição da morte funciona?" Ginny sacudiu a cabeça. Que pergunta idiota. Como ela podia saber? "É tudo uma questão de intenção. Eu poderia apontar a varinha para você, bem aqui, e falar as palavras, e você sequer sentiria um formigamento, muito menos morreria."

"Mas, mas…"

"Se a maldição tivesse te atingido, nada teria acontecido, Ginny. Você ainda estaria viva, porque tudo em mim gritava que eu não queria você morta. Mas você rolou para o lado, o que foi melhor, pois assim ninguém soube que não teria funcionado. Foi a melhor coisa que podia ter acontecido conosco."

Ele soltou o rosto dela, como que só agora percebendo que ainda o estava segurando.

As bochechas de Ginny formigaram onde as mãos dele estiveram. Seu coração batia tão alto no peito, que pensou que fosse estourar. Parecia que lentamente tudo que pensara e acreditara estava caindo por terra, e tudo que fizera sua vida um pesadelo parecia ser falso. Era como se fosse mais fácil respirar depois de todos aqueles meses de confusão, e, de repente, percebeu que era mais fácil gostar dele agora também. A voz que constantemente lhe dizia que não podia sentir nada por ele por causa de tudo que acontecera se acalmou com cada pergunta que ele respondia, mas a voz perguntando pelas razões dele ficava cada vez mais alta. Mas sabia que ainda restavam algumas perguntas para fazer primeiro.

"Eu... Eu não sei o que dizer sobre isso," confessou por fim.

"Não diga nada, então," disse ele calmamente. "Só faça a próxima pergunta."

"Eu… tudo bem." Ela balançou a cabeça, tentando clareá-la novamente. O ataque à casa dos Lovegood. "Quando correu atrás de mim no campo... você tentou me manter longe dos Comensais da Morte também?"

"Sim," confirmou ele.

"As cartas..."

"Foi Dumbledore que te mandou escrevê-las, não foi?" perguntou ele, expressando sua primeira pergunta.

Ginny assentiu lentamente e viu sua face ficar sombria.

"Eu nunca teria feito isso por mim mesma... depois de tudo que pensei ter acontecido."

"Ele te deu um motivo?" perguntou ele calmamente, mas ela viu seus olhos escurecerem de raiva.

"Ele disse que a Ordem precisava te alcançar, se comunicar com você, fazê-lo ver a verdade sobre o que acontecera e... ele achou que não teriam chance, então me pediu para te escrever. Eu não queria, não mesmo... mas sua mãe... ela me pediu e eu não podia dizer não a ela. Ela só queria que soubesse a verdade. Só queria você de volta."

Harry não disse nada.

"Mas eu as escrevi. Eles nunca me disseram o que escrever ou mesmo me forçaram a fazer isso… e as suas? Eu… você tem que ter contado a eles…"

O garoto riu asperamente.

"Eu nunca tive uma escolha. Sabe como eu recebi sua primeira carta?"

Ginny balançou a cabeça.

"Imagino que Malfoy tenha te entregado..."

"Acredite, ele não entregou. Ele deu ao pai e Lucius deu a Voldemort. Recebi a carta por ele e li enquanto ele estava lá. Ele estava muito curioso. É claro, eu não podia não contar a ele."

A garota olhou boquiaberta para ele.

"Ele... você..."

"Sim, eu até o convenci a deixar que eu respondesse."

"Você? Por quê?" perguntou ela surpresa.

Se ela tivesse recebido uma carta dele, provavelmente não teria respondido.

"Era…" Ele fez uma pausa. "Era bom ter notícias suas," continuou sem lhe dar chance para ponderar sobre aquilo. "Voldemort só queria ver quão longe você iria. Pensamos ser Dumbledore atrás de tudo e Voldemort queria ver o que ele planejara."

A pergunta sobre se as cartas tinham sido verdadeiras queimou na língua de Ginny, mas não teve coragem de fazê-la. E se tivesse sido um tipo de jogo para ele também? Mas ele dissera que Você-Sabe-Quem queria saber... não eles. Ela engoliu em seco.

"Nosso encontro…" disse Harry distraído. "Se tivesse sido apenas você..." Ele parou de falar.

"Sim?" perguntou ela curiosa, mas ele apenas deu de ombros e continuou em silêncio. Quando ficou claro que ele não responderia, a jovem deixou os olhos vagarem, e pensou sobre a captura e no que se seguira. E, de repente, percebeu algo. "Me sequestrar... Quando eu sabia que as cartas não eram verdadeiras, acho que aquele foi o momento no qual a pequena parte que ainda restava, notou que eu, de fato, superei a paixonite por você. Mas agora..." Ela parou de falar, pressionando a boca fechada, sem acreditar no que quase dissera a ele. Para evitar que ele entendesse, ela disse depressa: "Me ajudando lá, fingindo minha morte, fugindo. Você sente necessidade de me ajudar, né?"

"Sim, eu simplesmente tenho esse incrível desejo de te proteger," disse ele suavemente.

"Eu também tenho," confessou ela depressa, baixando o olhar.

"Não há necessidade de me proteger," disse ele, assustado.

Ginny encolheu os ombros.

"E quem disse que há necessidade de me proteger?"

A garota levantou os olhos para ver sua reação, mas de repente ele estava tão perto, e, antes que ela pudesse realmente entender o que estava acontecendo, seus lábios estavam sobre os dela, e ele a beijava. O beijo era diferente de todos que ela se lembrava de terem partilhado. Comparando os outros, que ela tinha gostado, a esse, eles tinham sido insignificantes e indiferentes. Não havia nada além deles quando seus lábios se chocaram. Desesperado, instável, cheio de esperança e cheio de dor e conforto, tentando afastar tudo aquilo. Eles se uniram como duas pessoas se afogando, agarrando-se um ao outro por suas vidas. As mãos dele estavam em seu cabelo, puxando-a para mais perto, até que estava sentada no colo dele, e estavam pressionados tão juntos, que ela achou que podia sentir seu coração bater.

Ginny estava ofegando quando se separaram.

"O que foi isso?" perguntou ela, encarando-o com os olhos arregalados.

"Se você não pode dizer, eu provavelmente deveria repetir."

Ele tentou brincar, mas ela viu algo como nervosismo em seus olhos e uma profunda incerteza. Dessa vez, foi ela quem se inclinou e o beijou com tudo o que tinha. Colocou os braços ao redor de seu pescoço e puxou seus cabelos. Ele a agarrou com mais força, os braços agora em torno de sua cintura. E, de repente, eles perderam o equilíbrio, ou, mais precisamente, Harry perdeu, pois os pés dela agora estavam muito longe do solo, e eles caíram no chão da floresta, uma confusão de pernas entrelaçadas.

"Desculpa," murmurou ele antes de tornar a beijá-la.

Ela riu em sua boca, e quando se separaram novamente, a garota não conseguiu não comentar:

"Nunca te vi perder o equilíbrio assim."

"Não me concentrei," murmurou ele, traçando seu rosto com os dedos. Ela sorriu.

"Então…" começou ela suavemente.

Harry sacudiu a cabeça.

"Sem conversa." E a beijou novamente.

Ela deixou que ele a beijasse, mas finalmente o afastou.

"Então... você gosta de mim?"

O garoto assentiu e, sorrindo provocantemente, perguntou:

"E você gosta de mim também?"

Ela assentiu e lançou-lhe um sorriso brilhante. Ele sorriu de volta e eles se beijaram novamente.

"Você não tem ideia de quanto tempo faz que eu quero fazer isso," confessou ele durante outra pausa entre beijos.

"Você disse que não gostava de mim quando perguntei sobre as cartas," disse ela suavemente, sem conseguir esconder a acusação em sua voz.

Harry encolheu os ombros e entrelaçou seus dedos aos dela.

"Eu menti."

"Por quê?" perguntou ela. "Talvez pudéssemos ter tido isso antes."

"Você disse que tinha me superado."

"Ah." Ginny fez uma pausa. "Eu superei aquela paixonite idiota que sentia, onde eu apenas gostava dos seus olhos e do fato de você ter me salvado." Ele a observou atentamente. "É mais do que isso agora." Harry sorriu e a beijou de novo. Foi um beijo curto e doce. "Agora acho seu cabelo aceitável também," brincou ela.

O garoto olhou para ela provocantemente e a girou, de modo que ficou sobre ela. Ela tentou levantar a mão para afastar uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto dele, mas ele agarrou suas mãos e prendeu-as no chão. Harry a beijou novamente, demorando mais dessa vez.

"Harry?" perguntou ela gentilmente, quando ele soltou seus lábios. O jovem olhou curiosamente para ela. "Eu não sou apenas outra Amy, sou?"

Ele piscou os olhos e soltou as mãos dela, endireitando-se.

"Por que pergunta?"

Ela encolheu os ombros e procurou os olhos dele, endireitando-se também.

"Sou?"

"Você não é. Eu mal a conhecia."

O rapaz a ajudou a se levantar e ela permitiu-se um sorriso aliviado.

"E você não está mentindo agora?"

"O que eu prometi?" perguntou ele abruptamente.

"Nada além da verdade?" perguntou ela com a voz cheia de dúvida.

"Nada além da verdade," confirmou ele.

Ginny sorriu, ainda mais vivamente, para ele e ele a puxou para perto.

"Que tal alguma coisa para comer?" sugeriu ela.

"Ah, sim, eu estou faminto." Ele sorriu e tornou a beijá-la profundamente. Ela realmente poderia se acostumar com aquilo.

N/T: Finalmente se acertaram e se beijaram de novo! UHU! :) Aguardo reviews!