Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Thirty-One – Separate Ways?
(Caminhos Separados?)
Ginny podia ouvir passos subindo a escada. Segundos depois a porta foi escancarada. Ron entrou depressa, Hermione e Damien na sua cola.
"Ótimo, estão acordados," disse Ron, com o tom de voz um tanto alto e o rosto claramente vermelho de raiva. "Então provavelmente podem nos dizer." Ele parou e de repente trovejou: "O que significa isso tudo?!"
Ginny piscou e olhou para Harry, que arqueou as sobrancelhas para ela. A garota se virou para encarar o irmão, que cruzara os braços e encarava os dois. Os olhos dela se estreitaram, mas Ron se manteve firme.
"Levante-se!" ordenou ele, saindo cuspe de sua boca.
Ginny fez uma careta e cruzou os braços também.
"E por que eu deveria?"
"Se afaste dele!"
Hermione se adiantou e tentou puxar Ron para longe, mas ele apenas a afastou. Ginny sacudiu a cabeça para a amiga. Essa briga era dela.
A irmã estreitou os olhos ainda mais, e começou a encará-lo furiosamente.
"Quem é você para me dizer o que fazer?"
"Eu sou seu irmão e agora..."
Ginny o interrompeu.
"Você não é meu irmão. Você é um completo idiota que acredita que eu preciso escutá-lo!"
" A gente viu vocês dois juntos! Dormindo na mesma cama!" acusou ele.
"E daí? Eu não sabia que era proibido!" zombou ela.
Ron respirou algumas vezes, furioso.
"Só mulheres da vida fazem isso!"
Por um instante, Ginny o encarou, e então ela caiu na risada.
"Só porque você tem a experiência de um garoto de doze anos..."
Algo pareceu estalar dentro de Ron. O ruivo deu um bote, agarrou o braço dela e a puxou. Ela lutou contra ele, tentando se soltar. Ele xingou, mas sequer afrouxou o aperto.
"Solte ela," ordenou Harry com a voz fria.
Ron olhou para ele e a soltou imediatamente. Ginny se virou para encarar Harry. Ele estava em pé, os olhos brilhando de raiva. Embora fosse possível ver que ele estava doente, o rapaz irradiava o poder de alguém com quem ninguém gostaria de cruzar.
Ginny cruzou os braços.
"Para cama. Agora." Harry cruzou os braços. "Essa briga é minha, não sua," acrescentou.
"Não é com você que ele tem problema."
Harry desviou os olhos dela, e os fixou em Ron.
"É verdade!" vociferou o ruivo.
"Mas é a minha vida que ele está tentando estragar." Ela se virou para o irmão. "Você não pode tomar decisões por mim!"
"Eu posso e vou se suas decisões forem ruins assim!"
"Ruins assim? Quem é você para julgar? É a minha vida! São as minhas decisões! E se eu quiser ficar com ele, eu vou ficar e você não pode me impedir!"
"Eu posso te impedir! Eu vou impedir isso! Não posso permitir! Ele só está te usando. Ele só... você não pode fazer isso!" disse Ron, jogando as mãos para cima.
"Eu posso e eu quero! Você não pode me proteger, e não precisa me proteger, aliás. Ele não está me usando. Ele não me forçando a fazer isso. Eu quero isso!"
Harry abriu a boca, mas Ginny o impediu com a mão.
"Não, me deixe fazer isso. É minha briga, não sua!" Ela se virou para o irmão novamente. "E você queria ajudá-lo."
"É, eu queria ajudá-lo a parar Você-Sabe-Quem, mas não deixar ele mexer com a minha irmã!" disse ele, olhando furioso para Harry.
"Ele não está 'mexendo' comigo!"
"Não está mexendo com você? A quem está enganando? É claro que está mexendo com você. Não há ninguém por perto."
Os olhos de Ginny brilharam de raiva e ela deu um passo à frente, agarrando o pulôver de Ron.
"Não. Diga. Isso." Ela o sacudiu. "Ele não está mexendo comigo. Ele. Não. Está." Ela o sacudiu com mais força. "Pare com isso! A decisão é minha!" disse, tentando fazê-lo entender.
"Como é que é?" Ron afrouxou o aperto dela. "Você não pode decidir isso. Você não tem idade o bastante para ver..."
Os olhos de Ginny brilharam.
"Eu não tenho idade o bastante? Eu tenho quase dezesseis anos. Não é como se você pudesse decidir isso melhor do que eu! Você não sabe o que está acontecendo! Não faz a mínima ideia."
"É? Faço sim! Eu vi você dormindo na cama dele. O que está pensando? Você não devia fazer isso!"
"Eu posso fazer o que quiser."
"Não, não pode. Ele está tentando te confundir. Apenas... eu sei exatamente o que ele quer."
Ginny respirou fundo, tentando se controlar e fracassando, aquilo era demais para ela suportar. Seus olhos brilharam perigosamente, e ela se lançou em cima dele novamente, segurando-o com força. Ele tentou se soltar, mas o aperto dela era muito forte, a raiva a deixou ainda mais forte do que a vontade dele de se soltar. Ela o sacudiu e o sacudiu e gritou:
"Ele não está me confundindo! Eu quero isso! E você está simplesmente pensando a coisa errada!"
"Pare com isso!" Ron lutou para se soltar, e foi sua vez de agarrá-la e sacudi-la. "Você não está vendo o que ele quer! Você é só uma garotinha! É cega e ingênua e muito nova!"
"Eu não sou muito nova! Não me chame de nova! A decisão não é sua! Quando é que vai entender isso?"
"Ginny, você tem que entender!"
"Entender? É você que não está entendendo! Você não o conhece como eu conheço!"
"Você o conhece?" Ron riu sombriamente. "Você não o conhece. Não faz ideia de quem ele é. Ele é mau. Ele é um assassino."
Ginny se soltou e deu um tapa no rosto dele.
"Não..."
Ron a encarou em choque, a mão tocando seu rosto.
"E agora você está me batendo por causa dele! É isso que ele é! Essa é a verdade! Eu posso chamá-lo do que eu quiser."
"Não! Não, você não pode chamá-lo do que quiser!"
"É a verdade, Ginny. Enxergue isso!"
"Se ele é um assassino, então eu..."
Harry deu um passo à frente e segurou o braço dela, puxando-a de volta.
"Weasley," vociferou ele. "Seja do que for que queira me chamar, fale na minha cara, não na dela."
Os olhos de Ron brilharam, e ele deu um passo na direção de Harry, encarando-o furiosamente. Harry apenas olhou de volta e, por um momento, eles se encararam, antes de o ruivo desmoronar na frente deles e recuar.
"Você não vai machucar minha irmã," demandou, mas sua voz tremia.
Damien deu um passo adiante, obviamente tentando evitar uma briga.
"Tudo bem, gente, se acalmem. Não acho que vamos resolver isso hoje ou agora. Vamos apenas nos acalmar," repetiu. "Podem falar sobre isso depois."
Mas Ginny gritou:
"Não, não vamos falar sobre isso depois. Não vamos falar sobre isso nunca mais!"
"É, a gente entendeu, Ginny," disse Damien. "A escolha é sua. Por favor, se acalme." Ele olhou para o irmão, que encarava Ron. "Harry, por favor, se acalme. Não é isso que temos que fazer agora. Temos que ficar juntos, lutar juntos. Isso não vai nos ajudar em nada."
Os olhos irritados de Harry brilhavam de Ron para Damien.
"Nos ajudar? Ficar juntos? Quem foi? De quem foi a culpa de os Comensais da Morte me encontrarem, encontrarem Ginny, encontrarem a gente?"
Damien parecia confuso.
"De quem foi a culpa? Do que você está falando? Não foi culpa nossa! Não foi culpa minha. Apenas aconteceu."
"É, é isso que você acha. Mas você foi muito idiota. Eu devia ter percebido desde o começo que você não conseguiria fazer isso."
Damien se encolheu para trás, como se tivesse sido atingido.
"Do que está falando? Eu não faço ideia do que você está falando!"
Harry olhou furioso para ele.
"É culpa sua que os Comensais da Morte nos encontraram. Eles te seguiram por dias e você não percebeu. Posso entender seus amigos. Você contou aos nossos pais e os trouxe até mim. Não posso entender os Comensais da Morte. O que vem em seguida? Aurores? Lorde Voldemort?"
Os adolescentes se encolheram.
"Mas, Harry, eu nunca quis... não foi minha..."
"É, não foi sua decisão, não é? Você nunca quis isso? Talvez não quisesse, mas foi descuidado. Você quase nos matou. Ele podia ter me levado, ele podia ter me entregado. Tem noção do que isso teria significado?"
"Mas, Harry, eu... eu sinto muito, eu não queria..."
"Talvez você não quisesse, mas qual a diferença? Você fez e é isso que importa no final. Não acho que podemos continuar assim. Não acho que podemos ficar com você e conseguir 'ajuda' com você! Você sequer consegue não ser seguido!"
"Mas, mas... Harry! Eu não queria, eu não percebi… Eu vou ter mais cuidado!"
"É, você disso isso da última vez também e onde nos levou? A um ataque de Comensais da Morte, a eles..." ele apontou para Ron e Hermione, "...seguindo você, aos nossos pais seguindo você."
"É, mas, Harry..."
"Não, chega de 'mas.' Vamos seguir caminhos separados a partir de agora."
"Não, não, não vão! Você não vai mais ficar sozinho com a minha irmã!" interferiu Ron. "Não, eu vou ficar de olho em vocês."
"Não é você que decide isso!" disse Ginny gritando. "Talvez você esteja certo, Harry. Talvez fosse melhor a gente ir embora e deixá-los para trás."
"Não, não," disse Hermione, adiantando-se pela primeira vez. "Não podem simplesmente ir embora. Você não está completamente curado," disse, dirigindo-se a Harry. "É perigoso. Não, não, não. Vocês têm que ficar até que você tenha se recuperado, vocês têm que... por favor, vocês têm que ficar aqui. Nós vamos... nós vamos encontrar um caminho. Se vocês..."
"Não, nós vamos agora," disse Ginny.
"Vocês podem ir mais tarde, quando você estiver curado," disse Hermione por fim, respirando fundo. "Podem ir. Mas, por favor, fiquem até que esteja completamente curado ou algo desse tipo pode acontecer de novo." Ela se virou para Harry, seus olhos suavizando. "Se isso acontecer novamente, pode acabar pior."
Ela e Harry se entreolharam e o rapaz finalmente assentiu.
"Ela está certa."
"Mas você não vai falar com a gente dessa forma de novo!" demandou Ginny.
"É claro! Se eu quiser, eu vou falar!"
Hermione agarrou o braço de Ron e o acariciou cuidadosamente, tentando acalmá-lo. O garoto se virou para ela.
"Não, Hermione. Eu não vou aceitar isso."
"Ron, você tem que aceitar ou eles vão embora agora e vão ficar em perigo maior ainda."
O ruivo balançou a cabeça.
"Não, eu não vou deixá-los ir embora... nunca."
"Você não pode impedi-los," disse Hermione.
"Mas eu quero que eles fiquem aqui," disse Damien. "Eu também não quero que eles partam."
"Talvez seja preciso," disse Hermione. "Vamos deixar vocês sozinhos," prometeu a Harry e Ginny. "Mas vamos ajudá-los. Não podem ir embora agora."
"Eu nunca disse nada sobre você me ajudar dessa forma, afinal. Eu nunca quis isso," disse Harry, cruzando os braços.
"É, mas ela quis."
Eles se viraram para Ginny.
"Talvez eu quisesse, mas nunca pensei que acabaria assim. Mas acabou e agora... agora nós vamos embora."
"Não, vocês não podem! Não agora! Não estão me escutando? É muito perigoso," argumentou Hermione novamente. "Que tal assim," disse ela por fim, olhando de um para o outro: "não vamos falar sobre isso de novo. Você vai sarar. Vamos conseguir alguma coisa para comerem, fazer curativos na sua ferida e baixar sua febre, e quando finalmente estiver saudável de novo, podem ir embora."
"Não, Hermione, não, não é isso que vamos fazer," disse Ron.
"Queremos que eles descansem e fiquem seguros. Não queremos que fiquem em perigo, não é?"
"Não, não, é claro que não, mas se forem embora, vão ficar livres. Você disse que íamos trabalhar juntos, e então não vamos mais!" argumentou Damien.
Hermione olhou de Ron para Damien.
"Vamos todos nos acalmar. Talvez seja melhor se falarmos sobre isso separadamente."
"Não, vamos falar sobre isso agora! Eu quero que isso acabe!" Ron fez uma pausa. "Talvez fosse melhor Ginny simplesmente voltar conosco."
"Voltar com vocês? Para quê? Para a mamãe e o papai?"
"Sim, você devia. Eu não aguento mais. Não aguento mentir para eles a cada segundo, ver o rosto depressivo deles, pensando que está morta, sabendo que você está viva!"
"Não posso," disse ela. "Posso imaginar como eles estão, como é, como estão aflitos e não posso suportar a ideia também, mas não posso... você tem que entender! Tem que ver o que está em risco aqui!"
"Eu entendo."
"Não, não entende ou não diria isso.
Lágrimas brotaram dos olhos de Ginny e Harry deu um passo à frente, estendendo a mão para ela. Ela arriscou um sorriso.
Ron a encarou em choque. Ele não via a irmã chorando muitas vezes.
"Eu..." gaguejou.
Hermione aproveitou a chance e puxou o braço do ruivo, conseguindo puxá-lo porta afora.
Damien olhou para os dois.
"Por favor," disse ele novamente. "Não nos deixem. Vocês disseram que íamos trabalhar juntos. Não posso suportar ficar sem saber o que estão fazendo."
Harry olhou para ele, mas não disse nada. Hermione voltou, puxando Damien do quarto também.
"Eu vou fazê-los entender," disse ela, olhando de Harry para Ginny. "Eu vou conseguir. Eu prometo."
Ginny lhe lançou um sorriso amarelo e Hermione fechou a porta.
"Você confia nela?" indagou Harry. "Acha que ela vai fazer isso? Ou é melhor a gente ir embora agora?"
Ginny balançou a cabeça.
"Ela está certa. Eu confio nela. De verdade. Se alguém consegue fazer isso, é ela. Eu a conheço. É minha melhor amiga."
Harry assentiu.
"Se você diz."
"Sim, sim… vai ficar tudo bem."
Ele olhou para ela, o rosto cheio de preocupação.
"Você está bem?"
Ginny assentiu.
"Sim, vai ficar tudo bem. Eu só… eu só preciso me acalmar."
A garota deu um passo na direção da janela, que estava escondida por uma grande cortina. Espiou por ela. Harry deu um passo atrás dela.
"É muito perto. Tão perto."
Harry não disse nada, e ela se virou, o encarando.
"Eu sinto muito. Não vou mencionar isso de novo."
"Não," disse ele. "Está tudo bem. Eu entendo. Você quer ir para casa."
"Sim, mas não posso. Eu sei... é…" Ela fez uma pausa. "Está tudo bem."
"Não está tudo bem, eu sei, não é como se eu não quisesse ir para casa também, e apenas esquecer isso tudo."
Ginny o abraçou com força.
"Sim, eu sei, mas é assim que as coisas são. É assim que têm que ser se quisermos ficar juntos, se quisermos ficar seguros. E eu quero que fique seguro, então não posso voltar. Esse é o preço e está tudo bem."
Harry não disse nada, mas intensificou o aperto sobre ela.
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Lorde Voldemort olhou para Nott, Reid e Kerr através de seus impiedosos olhos vermelhos. Kerr já não era nada mais do que uma pilha de corpo e roupas no chão. Fixou os olhos em Nott, que estava ajoelhado no chão, tremendo de medo.
"Você me contou tudo, Nott?" perguntou friamente.
"S-s-sim Milorde, t-tudo!" gaguejou Nott de volta.
"Bem, como podem ter sido emboscados por um grupo de simples crianças?" Lorde Voldemort observou Nott irromper em suor. Era óbvio que o Comensal estava com medo que ele descobrisse alguma coisa. Algo que ainda não o contara. Seus olhos se estreitaram, e com um rápido movimento da varinha, Nott foi levantado no ar. O homem lutava impotente por um segundo, antes de Voldemort forçar seu rosto para cima, para encarar seus olhos. Sem outro aviso, ele invadiu a mente do Comensal da Morte. Não foi difícil encontrar a memória, já que Nott tentava desesperadamente a esconder.
O bruxo sentiu o coração saltar quando viu Nott atacando um Harry que parecia muito doente e desgastado. Ele tentou afastar de sua mente as razões para a doença do garoto e se concentrar no que estava acontecendo. Reid atacou Harry por trás e o jogou violentamente no chão, antes de chutá-lo. Nott disse algo sobre se vingar antes de conjurar uma corda, que deslizou em torno do pescoço do garoto caído.
Ele não queria mais assistir, tinha ideia do que estava prestes a acontecer, mas também queria saber como quatro crianças atacaram três dos seus Comensais da Morte. Lorde Voldemort sentiu suas entranhas retorcerem de raiva quando viu Harry sendo içado no ar por aquela corda horrível. O garoto se debatia e tentava se soltar, mas suas tentativas eram em vão. O bruxo ouviu a risada de seu Comensal ecoar em seus ouvidos quando os olhos do rapaz reviraram, segundos antes de ele cair no chão.
Nott se virou para ver quem anulara seu feitiço de levitação. Uma garota loira estava lá, parecendo paralisada e chocada, enquanto um garoto ruivo derrubava Kerr e uma garota de cabelos espessos e castanhos derrubava Reid. Nott jogou uma maldição no pirralho Potter, que estava de pé no meio do grupo. O feitiço parou pouco antes de atingir o garoto e pareceu desaparecer no ar. Ele lançou um "Estupefaça" em Nott, que conseguiu nocauteá-lo.
O bruxo saiu da memória do homem e se ergueu sobre a forma petrificada do Comensal da Morte. Por conta de sua estupidez, Harry não fora capturado e trazido de volta para ele. Ainda mais, Nott ousara machucá-lo, quando Voldemort dera ordens específicas de apenas capturá-lo e não o machucar. Ele o machucara naquele estado, onde mal conseguia se defender. Mas, o que era pior – ou era do que tentava se convencer: o Comensal violara suas ordens.
Lorde Voldemort jogou Nott para longe, e o homem ficou esparramado no chão em segundos. O Comensal voltou os olhos assustados para o mestre e começou a chorar pateticamente. O bruxo apontou a varinha para o servo, que, imediatamente, começou a gritar e pedir por sua vida.
"Não! Não! Milorde, por favor, não me mate! Por favor, me perdoe, eu nunca mais faço nada para aborrecê-lo de novo. Eu juro! Por favor, Milorde, por favor, mestre, tenha misericórdia."
Lorde Voldemort respondeu em sua voz fria.
"Você devia ter pensado na minha ira antes de levantar a varinha para Harry. Você, acima de todos, deveria saber que eu não tolero que o machuquem."
Um jato de luz verde trovejou da varinha do bruxo e atingiu Nott no peito. Os olhos do homem escureceram quando a luz os deixou para sempre. Os olhos de todos estavam fixos no corpo inerte.
Lorde Voldemort se virou para encarar o terceiro Comensal da Morte. Reid imediatamente caiu de joelhos e começou a se desculpar profusamente. Suas palavras dificilmente eram compreendidas, visto que enormes soluços partiam da figura trêmula. O Lorde das Trevas sequer o ouviu. Empurrou o homem no chão com um movimento da varinha antes de matá-lo também. Os corpos dos três Comensais foram apanhados e eliminados rapidamente, mas o bruxo não lhes deu atenção alguma. Havia apenas uma pergunta queimando em sua mente: como é que o pirralho Potter conseguira dissipar o feitiço sem levantar um dedinho sequer?
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Demorou mais alguns dias até Harry estar se sentindo melhor. Quando ele estava completamente curado – a mão parara de sangrar, a febre se foi e podia usar magia de novo, só precisava de mais sono do que o normal – eles não desperdiçaram uma hora sequer antes de partir. Não houve uma grande cena de despedida, apenas alguns acenos antes de o rapaz desaparatá-los.
Eles reapareceram próximos a uma floresta, não a que ficaram da última vez, mas outra. Essa parecia mais escura, ainda mais longe da civilização.
"Achei que fosse melhor usarmos a tenda de novo," disse Harry. "Não sei se devíamos nos arriscar ficando numa pousada. Não sei que métodos usam para nos encontrar. Podem ter feito algum progresso."
Ginny assentiu, ficando em silêncio. Sabia que era melhor dessa forma, e não tinha nada contra dormir ao lado de Harry em uma tenda... de forma alguma.
Ela sorriu para ele, e, juntos, eles adentraram na floresta, andando cada vez mais e deixando a luz para trás. A garota até acendeu a varinha para ver onde estava indo. Havia apenas pequenas clareiras pelo caminho e ele andou mais e mais, não escolhendo nenhuma como lugar bom o bastante para ficar. "Muito grande," ele dizia ou "muito pequena." E eles andaram mais e mais.
Harry ficava mais cansado a cada hora que se passava e Ginny chegou à conclusão de que era ela quem tinha que pará-lo. O rapaz estava obcecado demais em achar o lugar perfeito para ficarem. Eles tinham que ficar pelo menos uma noite. Talvez pudessem se mudar no dia seguinte. Ela sugeriu a ideia, e ele concordou após um pouco de persuasão. O garoto colocou as proteções, e ela o ajudou tão bem quanto pôde, pois não queria que ele fizesse muita magia antes de estar completamente curado.
Eles montaram a tenda e se sentaram perto do fogo, comendo algo de seus suprimentos, que diminuíam, percebendo que tinham que comprar um pouco mais em breve. Foram para a cama mais cedo. Dormiram inquietos, não tão bem quanto esperaram. Ginny sonhou com a família em pé, do outro lado de um enorme desfiladeiro. Acordou chorando. Harry dormiu enquanto isso, pelo que ela ficou muito feliz. Não queria causar uma cena novamente.
No dia seguinte, eles caminharam e finalmente encontraram um bom lugar para ficar por alguns dias. Colocaram novos escudos protetores e ele passou o dia a ensinando coisas de defesa enquanto especulavam sobre o que seria e onde a próxima Horcrux poderia estar. Os dias seguintes se passaram da mesma forma. Parecia quase impossível descobrir alguma coisa e ambos estavam ficando nervosos.
Harry assumiu a tarefa de obter notícias externas. Precisava saber o que acontecera, quão longe Voldemort seguira... talvez pudesse até descobrir se o bruxo sabia que Ginny estava viva. Achava que não, pois ele teria ficado furioso por muito mais tempo, mas precisava de outra fonte de informação. Comprou um jornal em uma pequena comunidade não inteiramente bruxa, excessivamente disfarçado.
Foi naquele jornal que encontraram a próxima pista. Em algum lugar no meio do jornal, havia um artigo sobre uma exibição na Galeria de Artefatos Mágicos e Obras de Arte Famosas. O artigo focava em uma pena de ouro, cinco vezes maior do que uma pena normal. Ela pertencera a Rowena Ravenclaw.
Harry só teve que ler uma vez para saber que podia ser uma Horcrux. Era a esperança que precisavam para continuar. Necessitavam de um plano, e, para tanto, tinham que ficar mais perto da Galeria. Empacotaram todas as coisas e se disfarçaram de pai e filha, a garota reclamando o tempo inteiro. Ele achou engraçado até ela lhe dizer que de forma alguma ia beijá-lo agora, fazendo-o ficar sério rapidamente. Fizeram seu caminho até Londres e ficaram em uma pousada barata, não muito longe da Galeria.
Assumiram o encargo de andar em torno da área e da Galeria o máximo possível, disfarçando-se de turistas interessados em arquitetura. Tentaram encontrar formas de entrar no edifício, onde faltasse segurança e houvesse possíveis rotas de fuga. Harry disse que isso era muito importante e ela concordou após alguma explicação, embora verificar toda a área ao redor deles ficasse mais chato a cada hora. Quando ela achou que conhecia cada pedrinha de cada construção em volta, foi que ele disse que podiam parar e descansar até a exposição abrir, o que aconteceria no dia seguinte.
Ginny estava muito determinada a fazê-lo realmente descansar, não apenas naquele dia, mas no da abertura também, ao menos até colocarem o plano em ação, fazendo-o revirar os olhos. Ele estava recostado na cabeceira da cama, resmungando dela e xingando. Ela podia acalmá-lo com alguns beijos, e Harry aproveitou cada oportunidade para alongar, até tê-la na cama também, descansando entre suas pernas.
Ele sorriu para ela. O coração da garota acelerou e ela sorriu de volta. Ele inclinou-se para ela, colocando os lábios sobre os seus. Ela respondeu, pressionando-se contra ele. Uma das mãos dele segurou seu rosto, acariciando-o gentilmente. As mãos dela encontraram caminho em seu cabelo. Eles aprofundaram o beijo antes de Harry se afastar, seus olhos trilhando o rosto dela, que ficou vesga sob o intenso olhar dele. O rapaz se inclinou para frente de novo, e, por um momento, ela achou que ele estava traçando beijos macios em seu pescoço, mas seus lábios se moveram e sua língua entrou em ação mais uma vez. Será que ele estava murmurando alguma coisa contra sua pele? Ela se sentiu um pouco tola de perguntar, mas o fez mesmo assim.
"O que você está fazen...?"
Um suave gemido lhe escapou quando ele tocou em um ponto sensível.
Ela o ouviu e o sentiu rir, seu peito ressoando suavemente.
"Ilusão."
Ginny abriu os olhos e empurrou-se para trás, encarando-o confusa e ofendida, com uma pontada no peito. Havia algo que ele não gostava nela? Algo que não queria ver enquanto a beijava?
Ela subitamente se sentiu insegura e tentou se afastar. Harry franziu o cenho, tentando puxá-la para perto de novo. Ela sacudiu a cabeça.
"Eu... você… você não pode simplesmente me mudar, é..."
Mas ele segurara o rosto dela novamente, virando sua cabeça de lado. Ela queria olhar para ele, fazer um comentário sobre aquilo e terminar sua frase, expressar a raiva e a mágoa, mas nada saiu de sua boca quando viu seu reflexo. O cabelo loiro não estava mais lá, no lugar estava seu cabelo vermelho normal adornando sua cabeça, brilhando à luz do sol, que entrava pela janela empoeirada.
"Não está vermelho de verdade agora, apenas parece estar," explicou Harry calmamente. "É que, de alguma maneira, parece 'mais' certo."
Ela o encarou novamente, mas ao invés de responder, comprimiu os lábios contra os dele.
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Harry olhou para Ginny uma última vez para se certificar de que estava pronta e não ia tropeçar assim que aterrissassem. Ela assentiu e, no escuro, ele mal pôde distinguir que ela revirou os olhos também. O rapaz não disse nada sobre isso. Tinham coisas mais importantes a fazer agora. Seu coração batia de ansiedade sobre o que viria em breve. Sentia-se bem em saber que estavam fazendo algo útil depois de todo aquele tempo de espera e descanso. Precisava de uma onda de adrenalina... talvez fosse bom ela estar ali com ele, embora tivesse insistido para que ela ficasse. Dessa forma, ele era obrigado a ser cuidadoso. Não ia ser muito imprudente com ela lá.
Ele a puxou com firmeza conta si e a abraçou forte. Fechou os olhos, concentrando-se no telhado do edifício. Era essencial que os levasse para o lugar certo. Apenas um pé para o lado errado, e teriam um problema. A sensação familiar de aparatação tomou conta dele.
Harry sentiu os pés baterem no chão. Segurou-a com força, certificando-se que não fizesse um movimento errado. Por um instante, ficaram lá, e ele escutou os arredores. Não havia nada além de suas respirações e batimentos cardíacos. Abaixou os braços e assentiu. Ela assentiu de volta e sorriu. O rapaz deu meio passo para trás, olhando em volta. Tinha pousado exatamente onde ele queria. Seus olhos correram para a cúpula de vidro do edifício, fixando-se imediatamente no local abaixo deles, onde sabia que a pena dourada estava. Tinham visitado a Galeria à tarde, bastante disfarçados, é claro, para descobrir onde ela estava.
Ele deu um passo para o lado, e gesticulou para Ginny ficar para trás. Tinha que anular os feitiços de segurança primeiro. Rápido, mas silenciosamente, ele caminhou até a porta que levava para dentro do edifício. Atravessou os escudos facilmente. Voldemort não teria usado um feitiço de segurança tão fraco sequer para proteger seus sapatos.
Ele voltou para Ginny, e juntos caminharam até a porta novamente, ele guiando cada passo. Era importante não dar passos errados, ou poderiam ser vistos de baixo. Durante o dia, eles tinham dois turnos de segurança, mas o rapaz não tinha certeza sobre como trabalhavam à noite.
Finalmente alcançaram a porta. Harry verificou por mais feitiços novamente. Alguns escudos se restabeleciam automaticamente após um tempo, mas não era o caso. Teria rido dos frágeis escudos deles, se não tivesse sido tão favorável para ele. Eles tomaram as escadas, as varinhas em punho para se defender. Ginny estava a meio passo atrás dele, exatamente onde ele a queria. Deixara absolutamente claro que aquele não era o lugar e nem o momento de joguinhos para aborrecê-lo. Até então, ela estava obedecendo.
Atravessaram o edifício, descendo cada vez mais. A pena estava no primeiro andar e o rapaz perdeu a conta de quantos feitiços teve que anular. Alguns eram um pouco complicados, mas a maioria era controlável. Era quase como se eles quisessem que ele os atravessasse.
Finalmente alcançaram o primeiro andar e Harry franziu o cenho. Parou de andar e gesticulou para ela ter mais cuidado. Algo estava errado. Sabia que devia haver uma teia complicada de escudos ativada, mas não sentia nenhum deles. Escutou atentamente e, realmente, alguém já estava lá. Deu alguns passos adiante, espiando por um arco que estava na sala principal, onde a pena estava. Distinguiu três formas, uma delas aterrissando com uma vassoura. Conteve um gemido e gesticulou para Ginny olhar também. Ela o fez e fez careta para ele.
Harry tentou não se irritar com a estupidez de Damien, Weasley e Granger. Por que eles não podiam deixar as coisas como estavam? Estavam inflexíveis sobre se envolver. Viu os dois adolescentes darem um tapinha nas costas de seu irmão e sussurrarem "muito bem" para ele. O rapaz revirou os olhos. Ele desativara um conjunto de feitiços de segurança, havia muitos outros. Harry – com Ginny bem atrás – caminhou depressa para a botija de vidro contendo a pena. Os dois pararam alguns passos atrás dos outros, que sequer os percebiam, de tão absortos que estavam na conversa.
"Acho que Wingardium Leviosa serviria para removê-la," sugeriu Weasley.
Ginny abafou a risada atrás dele.
"Não, provavelmente dispararia o alarme se a botija fosse removida. Acho que seria melhor furar o vidro de alguma forma," sugeriu Granger.
"E como faríamos isso? Acho que a ideia de Ron é melhor," respondeu Damien.
Harry não conseguiu se impedir de sugerir sarcasticamente:
"Por que simplesmente não a esmagam? Deve servir."
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N/A: Antes que tenham esperança ou qualquer coisa: não vou escrever sobre como destruíram a pena em muitos detalhes, porque não mudaria muita coisa sobre isso, e me sentiria idiota copiando a coisa toda. Se quiserem ler novamente, sabem onde encontrar "The Darkness Within". É o capítulo "The Golden Quill", caso não consigam adivinhar xD. Sei que não é meu melhor capítulo, mas não queria que esperassem mais.
N/T: Vamos lá!
Sobre a Horcrux: como a Kurinoone escreveu a primeira parte da trilogia antes de saber qual era a Horcrux de Voldemort pertencente à Rowena, ela inventou uma, que é a pena. Por isso a diferença com relação ao livro.
Sobre a atualização: fui questionada do porquê da demora já que é uma tradução e, de fato, não crio e escrevo TL. Bom, primeiro eu traduzo 4 fics; segundo, eu tenho uma vida como vocês, eu acordo, estudo pela manhã, pela tarde, faço minha ginástica no início da noite e só então, depois de jantar, pego nas fics, e nem é todo dia, pois muitas vezes eu saio, ou vou programar algo da página do face, ou vou dormir pelo cansaço. Terceiro, não, eu não fiquei chateada rs, mas senti que tinha que explicar. Quarto, eu faço a tradução da melhor forma possível, acredite. Não estou dizendo que sou a melhor, mas que dou tudo de mim. Qual o processo? Eu traduzo frase a frase, no sistema inglês acima e abaixo a tradução, em seguida eu reviso TUDO e envio à beta; quando ela me devolve, eu corrijo o que ela mudou, tiro TODA a parte em inglês e RELEIO TUDO, tentando diminuir ao máximo os erros, embora saiba que sempre passa algo. Então, eu tento não demorar, e geralmente tenho o capítulo seguinte já traduzido, enviando-o à beta assim que faço a revisão (que pode demorar uns dias, mas eu tento ser rápida). Me desculpem pela demora, não é por má-fé, ou de propósito, ou para aborrecê-los. Jamais! Sei que é chato esperar, tem fic que espero há mais de 1 ano por uma atualização, mas infelizmente a vida toma nosso tempo. Beijos e obrigada pelas reviews! Elas sempre estimulam a continuar! ^^
Liliam Ginevra: É bem canon o Ron chegar na hora errada né? hauahau :P Deve ser faro de irmão ciumento. Obrigada pela review! Beijocas
Srta. Wheezy: Eu também morro de pena do Harry nessa situação, ainda mais sabendo dos detalhes do ponto de vista dele (em TDW), quando desesperado para salvar o pai e lembrando de que quase o matou no penhasco, ele se doa por completo, muito lindo! A fic está chegando ao seu clímax, o momento da descoberta, que será bem intenso e sentimental rs :) Obrigada pelo incentivo! Novamente, fico feliz por você falar bem de UCPR (rs) Isso em alegra. Super beijo e obg pelo comentário.
Mi: Olá! Então, as razões estão acima, coisas normais do dia a dia, vida, deveres, etc. Bjs
maria eduarda: meu face é , sem os "[]" :D
Guest: Expliquei acima, espero que tenha compreendido e me perdoe. Não é por vontade de não atualizar, pelo contrário, eu adoro atualizar e isso me dá a sensação de dever cumprido. Seu puxão de orelha serviu para eu literalmente deixar os livros de lado e arrumar todo o capítulo hoje mesmo (recebi da beta hoje rs). Beijos e obg por acompanhar ^^
