Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Thirty-Two – Destroying Souls
(Destruindo Almas)
"Por que simplesmente não a esmagam? Deve servir," disse Harry sarcasticamente.
Hermione, Ron e Damien se viraram.
Os olhos do ruivo se estreitaram.
"O que estão fazendo aqui?"
Ginny cruzou os braços.
"Só pensamos em dar um passeio noturno na Galeria," respondeu Harry com rispidez.
"É, uma sessãozinha de amassos à meia noite," acrescentou Ginny, revirando os olhos. Ron fechou as mãos em punhos. "Você acha que viemos para quê?"
"A pergunta devia ser o que diabos vocês estão fazendo aqui?" perguntou Harry ao grupo, caminhando até eles.
Ginny o seguiu lentamente. Não esperara vê-los tão breve. Uma parte dela estava furiosa, a outra feliz por vê-los seguros.
"Devia ser bastante óbvio, nós descobrimos que a pena é uma Horcrux. Então, viemos destruí-la," disse Ron confiante.
"Ah, é mesmo? E como, exatamente, vão fazer isso?" perguntou Harry sarcasticamente.
"Chegamos até aqui. Vamos encontrar uma forma de destruí-la," acrescentou Hermione, baixando a varinha.
Harry bufou.
"Não é algo que vá encontrar em um dos seus livros."
Hermione parecia ofendida. Ginny deu um passo à frente, estendendo a mão para Harry e colocando-a em seu braço para acalmá-lo. Insultar Hermione não ajudaria em nada.
Harry respirou fundo.
"Vocês não fazem ideia de onde estão se metendo. A pena não vai ficar parada aqui, pronta para qualquer um pegá-la! Está protegida de formas que não podem imaginar, que dirá lidar com elas. Então, seria melhor se vocês saíssem agora, antes que se machuquem."
Ron arqueou uma sobrancelha.
"Se é tão inseguro, por que é que trouxe Ginny?"
As mãos de Harry se fecharam em punhos.
"Parem com isso vocês dois," retrucou Ginny. Levara muito tempo para convencer Harry e não deixaria seu irmão idiota arruinar isso. "Não é como se ele pudesse me dar ordens. Eu posso escolher por mim..."
Ron bufou.
"Podia ter me enganado."
Ginny franziu a testa. Ele queria mesmo brigar sobre isso de novo? Agora? Ela abriu a boca, pronta para responder, mas Damien foi mais rápido.
"Não podemos apenas fazer isso juntos?" perguntou o menino, baixinho.
Ginny fechou a boca e olhou para ele. Damien não parecia bem, mas só tinha olhos para o irmão e seus olhos suplicavam silenciosamente a ele.
"Isso não é um projeto escolar! Agora, saiam da minha frente antes que eu os obrigue." Harry ergueu a varinha.
Sua expressão e verdadeiros sentimentos estavam escondidos por trás de uma máscara fria. Não ia mesmo tirá-los do caminho, ia?
Mas antes que Ginny pudesse ponderar por mais tempo, Ron ergueu a varinha e gritou:
"Isso é bem típico seu! Se não pode ser do seu jeito, sai amaldiçoando por aí. Nós fizemos todo o trabalho pesado, e nós é que vamos destruir a Horcrux! Eu tenho todo o direito de fazer isso." Os olhos de Ron brilharam no cômodo mal iluminado. "Isso é por Bill!" O ruivo se virou e quebrou a botija de vidro com um grito "Reducto!"
"NÃO!" gritou Harry, correndo para frente, mas era tarde demais.
Ron já estendera a mão para a botija quebrada e tirara a Pena de Ouro. Ele a segurava triunfante.
"Olhe, não foi assim tão..."
Um som aterrorizante encheu o salão. Harry se virou, a varinha em punhos. Ginny engoliu em seco e se virou também. Um som estridente os cercou, o que a fez pular. Ele olhou para cima, e, de imediato, viu diversas figuras voando até eles. A primeira atingiu o chão e ela não pôde deixar de gritar. Harry se pôs à sua frente. Dentro de poucos segundos, o salão inteiro estava cheio dessas estranhas figuras. Estavam usando vestes negras de combate e tinham espadas nas mãos, ou no que pareciam mãos à primeira vista. Os quatro adolescentes viram, para seu horror, que as figuras tinham espadas reluzentes presas aos punhos. Elas não tinham mãos! Cada centímetro dos seus corpos estava coberto por vestes negras. Até seus rostos estavam escondidos por trás de capacetes negros. Pareciam humanos, mas pela forma que estavam andando até os quatro adolescentes aterrorizados e Harry, tornou claro que, de fato, não eram humanos. Tinham um andar estranhamente mecânico.
Ginny agarrou a varinha com mais força, mas não vinha nenhum feitiço em sua mente que pudesse ajudar.
"O que... o que são essas coisas?" perguntou Ron, sua voz tremendo ao se aproximar do moreno também, procurando instintivamente por proteção.
"Se chamam Korakilees," explicou Harry, quase com calma. "Estão aqui sob ordens de Voldemort para proteger sua Horcrux, e é sua maldita culpa eles estarem aqui."
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"Você está mesmo bem?" perguntou Harry pela sétima vez, as mãos percorrendo o braço dela, verificando seu pulôver rasgado.
Ginny assentiu e revirou os olhos, puxando o braço novamente.
"Foi só a roupa, eles não me atingiram"
Ron, Hermione e Damien os observaram, mas ficaram em silêncio. Ginny sabia que não queriam chamar a atenção de Harry para si. Agora que a pena estava destruída e eles estavam seguros, era só uma questão de tempo até o rapaz começar a ralhar com os três.
Ele assentiu e se virou para os outros adolescentes, encarando-os.
"Vocês também estão bem?"
Eles assentiram rapidamente. Harry cruzou os braços, os olhos fixos neles.
"Acabou tudo muito bem," disse com sarcasmo.
Ron fez uma careta.
"Tudo acabou…"
Harry fechou a cara para ele, cortando-o.
"Quase não acabou, e você arruinou um dos meus planos, aliás."
Eles trocaram olhares confusos e até Ginny franziu o cenho. Tinham pegado a pena e esse era o plano, não era?
"Eu não queria que Voldemort soubesse o que estou fazendo. Se uma coisa ficou clara depois disso, é que ele vai saber e é culpa sua." Ele lançou um olhar penetrante para Ron.
"Eu pensei…"
"É, bem, isso sempre parece acabar muito bem. Talvez fosse melhor apenas parar de pensar!"
Ron estreitou os olhos.
"Quer dizer o que com isso?! Não é como se aquilo não pudesse ter acontecido com você!"
Harry estalou a língua.
"Eu não teria feito aquilo! Você é um incompetente! Como eu disse antes: não é algo para meros alunos. Não é um projeto escolar idiota..."
"Ótimo!" vociferou Ron. "Vamos embora, então. Mas vamos levar Ginny. Ela é uma mera estudante também, afinal!"
Ginny se afastou do irmão, indo na direção de Harry, cruzando os braços também.
"Não comece com isso, de novo!"
"Posso começar com isso de novo, e de novo, até você vir comigo!"
"Eu não vou, Ron, não vou! Quanto tempo vai levar para enfiar isso na sua cabeça dura?" argumentou.
O ruivo cruzou os braços.
"Você vem comigo!"
"Você não entende! É muito perigoso," disse Ginny.
"Estamos todos em perigo de qualquer forma," rebateu Ron.
Harry riu secamente.
"O que há de engraçado nisso? Nós estamos em perigo! A família inteira está!" disse Ron furioso.
"Você não sabe o que é perigo até Voldemort te perseguir pessoalmente, Weasley!" vociferou Harry.
"Eu só quero Ginny em casa…"
"E o que acha que vai acontecer depois? Ele verá que ela ainda está viva. Ele vai persegui-la e levar todos vocês com ela."
Ron franziu o cenho.
"E por que ele faria isso? É você que ele quer!"
"Exatamente," disse Harry calmamente.
Ron e Damien pareciam confusos. Hermione olhou de Harry para Ginny, e então seus olhos brilharam e ela sorriu para a amiga.
"Não que eu queria isso nem nada, mas o que isso tem a ver com você?" indagou Damien.
"Descubram," retrucou Harry. Ele se virou para a ruiva. "Vamos?"
Ela lançou aos três um olhar saudoso, mas assentiu mesmo assim, estendendo a mão para pegar a dele.
"Esperem!" gritou Damien em pânico. "Não podem simplesmente ir embora! Como podemos contatá-los de novo?"
"Não podem. Essa é a vantagem," disse Harry, revirando os olhos.
"Mas, mas…" Damien engoliu em seco.
Ginny podia ver que o amigo estava prestes a chorar. Harry pegou sua mão, seu aperto mais forte do que deveria. Ela franziu a testa.
"Nós, nós…" gaguejou Damien. De repente, sua postura mudou. "Nós vamos descobrir a próxima Horcrux."
"Apenas tiveram sorte dessa vez."
"Isso não é verdade! Hermione já tem ideia sobre a próxima." Os olhos de Harry dispararam do irmão para a garota. "Mas não vamos dizer nada a vocês. Vamos descobrir e vamos lá. Novamente. Sozinhos. Sem vocês. E talvez a gente chegue primeiro."
"Vocês são ainda mais idiotas do que pensei!" retrucou Harry. "Quase foram mortos hoje, e querem ir sozinhos?"
"Bem, se não vão manter contato a gente…" Damien parou de falar.
Os olhos de Harry endureceram e ele soltou a mão de Ginny.
"Não pode me chantagear."
"Não estou fazendo isso," afirmou Damien.
"Está e sabe disso."
"Bem, não é como se eu tivesse outra escolha. Você não vai me escutar. Nós só queremos ajudar," disse o menino.
"Não podem me ajudar em nada."
"Não é verdade," disse Hermione suavemente. "Como Damien disse, eu tenho uma ideia e..." Sua voz ficou mais forte. "Conseguimos obter a informação da Ordem e descobrimos a pena, e você precisa de um contato no mundo mágico, que possa lhe contar se algo drástico acontecer..."
"Não precisamos de vocês para isso," retrucou Harry.
"Precisam. Em breve será arriscado demais," afirmou Hermione.
"Por quê?" perguntou ele.
"Pensei que estivesse informado?" perguntou a garota docemente.
Os olhos de Harry se estreitaram. Hermione sorriu. Ron os encarou boquiaberto. Damien deu um passo para trás e Ginny olhava nervosa, pronta para entrar em cena.
"Ótimo," disse Ginny. Harry se virou para ela, mas a garota o ignorou. "Mas só se Ron parar com o estúpido 'vou te levar para casa comigo.'"
Ela encarou o irmão e ele encarou de volta.
"Você é minha irmã. Só quero que fique segura."
"Estou tão segura quanto poderia estar, Ron."
"Eu duvido disso." Ele olhou feio para Harry.
"O que é que você tem contra ele, Ron?" indagou Ginny.
"Ele está te usando!"
"Não está não!" retrucou Ginny.
"Mas ele usou." Ron respirou fundo e se aproximou dela. "Eu te vi da última vez que 'acabou.' Não quero te ver daquele jeito nunca mais."
Ginny o encarou.
"Foi diferente."
Ron sacudiu a cabeça.
"Não foi não."
"Você não sabe nada sobre isso."
"E como eu poderia? Você não me diz nada! Só conta à maldita Ordem e a Hermione e a Damien e seja lá quem mais! Mas eu não faço a mínima ideia! Eu sou seu irmão, Ginny!"
Ela engoliu em seco, nervosa. Ele tinha razão, não tinha?
"Eu... talvez..." Ela parou de falar. Ron a encarou, e ela se virou para Harry. "Podemos conversar por um segundo?"
O rapaz olhou demoradamente para ela antes de assentir, apontando alguns metros à frente. Ginny andou até lá.
"Mas não vão embora!" disse Damien a eles.
Quando estavam longe o bastante para não serem ouvidos, pararam e Harry olhou para ela.
"O que foi?"
"Talvez fosse melhor mantermos contato com eles," sugeriu gentilmente.
Harry suspirou e esfregou a ponte do nariz.
"Eles quase arruinaram tudo."
"Exatamente. Se mantivermos contato, não farão coisas idiotas por conta própria. Podemos impedi-los."
Ele suspirou.
"Seja sincera, Ginny, você quer tê-los por perto."
Ela sacudiu os ombros.
"E o que há de errado nisso? Você quer Damien por perto também."
"Ele arruinou tudo! Quase fomos pegos…" disse ele, abanando as mãos.
"Ele ainda é seu irmão, Harry. Está autorizado a perdoá-lo."
Ele a encarou e ficou em silêncio. Ginny deu-lhe um sorriso e afastou alguns fios de cabelo que tinham caído em seus olhos.
"Não há problema em perdoar erros perdoáveis."
Harry fechou os olhos.
"Esse é um?
"Ele é jovem. É claro que é."
"Mas..."
"Ele não queria que fôssemos pegos. Você olhou para ele? Ele está péssimo."
Harry assentiu e engoliu em seco.
"Sim, eu notei."
"Ele vai ficar melhor. Todos eles. E, quem sabe, talvez possam ajudar. Hermione terá uma de suas ideias brilhantes..."
O rapaz bufou.
"Você não a conhece como eu, Harry. Ela tem ideias muito brilhantes. Ela não é a bruxa mais inteligente de sua idade por nada. Tem que dar uma chance a ela."
"Se eles forem seguidos de novo…"
"Ensine alguns truques a eles e não serão. Hermione pelo menos aprende mais rápido do que qualquer um que eu conheço."
Harry suspirou e correu a mão pelo cabelo.
"Não posso ganhar essa, não é?"
Ginny sorriu.
"Como pode ganhar se não é o que você quer, afinal?"
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Hermione, de fato, tinha uma ideia. Ela obtivera um livro sobre artefatos antigos. Era um volume grande, e ela mal conseguia carregá-lo. Ficaram horas e horas folheando-o, procurando por coisas que deveriam estar perdidas ou destruídas.
Ginny viu que Harry achou ser uma boa ideia, mesmo que raramente demonstrasse. Mas, ainda assim, ele não parecia focado. Não era como se não tivesse motivação o suficiente... ele passava mais horas debruçado sobre o livro e as anotações de Riley do que qualquer um deles. Mas havia algo errado. Ele não conseguia dormir e estava sofrendo.
Ela percebeu pelo modo que ele sempre esfregava a cabeça. Quando o perguntou sobre isso, ele disse que estava tudo bem, e que ela não precisava se preocupar. A garota mandou Ron trazer algumas poções analgésicas. Não disse que eram para Harry.
Ele e seu irmão não estavam mais brigando toda vez que se viam, mas Ginny achava que Harry não queria que ele soubesse. Ela as deixou sobre a mesa de cabeceira, mas ele não as tocou. Apenas ignorava as garrafinhas, fingindo não sentir dor.
Foi na segunda-feira que ela finalmente explodiu e o forçou a tomar uma. Ele se queixou infinitamente, mas, por algumas horas, o rapaz tornou a ser mais ele mesmo. Foi nessas horas que eles decidiram que a próxima Horcrux tinha que ser algo de outro fundador de Hogwarts.
Mas, no geral, não melhorou com as poções. Piorou, pois Harry começou a mostrar os primeiros efeitos colaterais e parou de tomá-las, ficando mais irritado a cada dia. Isso estava tirando a paciência de Ginny, e às vezes eles apenas gritavam um com o outro, o que não tornava mais fácil Ron entender a irmã. Ela tentou falar com Ron, tentou contar o que estava acontecendo entre ela e Harry, mas não era fácil. Ele era seu irmão, e havia coisas que ela não podia lhe contar. Mas a garota acreditava firmemente que ele estava começando a entender.
Damien estava melhorando também. Ele passava o máximo de tempo com Harry, mas o rapaz ficava cada vez mais distante, o que era uma nova dificuldade para o menino, que quase se acostumara com o irmão sendo um pouco mais aberto com ele.
Hermione estava em seu elemento, falando sem parar sobre outros livros que lera e que podiam ajudá-los também. Ela tentava teoria após teoria, tentando descobrir a próxima Horcrux. Ginny sabia que a garota tentava impressionar Harry. A relação deles era difícil de entender. Às vezes quase pareciam estar se tornando amigos, mas então ele fazia um comentário grosseiro e a garota ficara à beira das lágrimas...
Tudo parecia ser sobre Harry nos últimos dias, e Ginny sentia que tudo podia melhorar um pouco se ele começasse a se sentir melhor de novo.
Foi um dia terrível novamente, no qual ela observou o rapaz encarar o jornal. Há minutos que ele não se mexia, obviamente perdido em pensamentos e memórias. Os círculos escuros sob seus olhos não estavam melhorando. Era evidente que não estava dormindo bem. Só piorava. Ela suspirou silenciosamente e caminhou até ele, tirando o jornal de sua mão lentamente.
Ele piscou e ergueu os olhos para ela. A garota dobrou o jornal e sentou ao seu lado. Ela olhou para ele, trilhando as sombras profundas sob os olhos dele com os seus. Suspirou suavemente. O rapaz a encarou confuso.
"O que houve?" perguntou ele por fim.
"Tem alguma ideia de como eu posso te ajudar?" indagou ela em voz baixa.
Harry suspirou e esfregou os olhos.
"Ginny." Ele fez uma pausa, procurando por algo nos olhos dela. "Você não precisa me ajudar."
Ela suspirou, frustrada.
"Mas você não está se sentindo bem. Posso ver!"
"Você não pode me ajudar, Ginny, aceite isso."
Ele estendeu a mão para o jornal novamente, era evidente que a conversa acabara para ele. Ela pegou a mão dele, apertando-a com firmeza.
"Mas está acabando comigo!" disse ela, encarando-o.
Ele ergueu os olhos e engoliu em seco.
"Não deveria estar. "
Ele fez menção de se levantar, mas ela foi mais rápida, dando um passo na direção dele e empurrando-o na cadeira novamente. Ele deixou acontecer.
"Ginny..."
"Não. Nada de 'Ginny.' Harry, temos que encontrar uma forma de fazer você se sentir melhor..."
"Não há como."
Ele parecia decidido. Decidido demais. Ginny segurou seu rosto com as mãos. Ele recostou-se, afastando-se dela.
"Harry..." disse ela, irritada.
Ele sacudiu a cabeça e desviou o olhar.
"Harry…" suplicou ela.
Ele afastou o rosto ainda mais e olhou pela janela. Ela o encarou, mordendo o lábio, sentindo-se perdida, confusa e, pior de tudo, impotente. O que podia fazer? Sabia que ele estava sentindo dor, sempre esfregando a testa e fechando os olhos de dor. Ele nunca reclamava sobre isso. Ela o perguntara a respeito, mas ele a afastou, dizendo que não era nada. E ele não estava dormindo muito. Às vezes ela acordava no meio da noite e via que ele não estava lá.
Às vezes ele sentava na janela, olhando para as ruas que sempre mudavam – eles trocavam de quartos e cidades todos os dias – às vezes ele não estava sequer no quarto. Tentara esperar por ele, mas sempre adormecia, pois o jovem ficava fora por muito tempo. Quando lhe perguntava sobre isso, ele dizia que precisava de um pouco de ar fresco, dizendo-lhe que tinha saído por apenas alguns minutos. Estava mentindo e ela se sentia perdida. Tentara de tudo, não é? Ele não queria conversar sobre isso, e aquela era a única forma de ajudá-lo, certo?
Ginny estendeu as mãos, passando-as pelos cabelos dele. Ele não se virou para ela, mas não se afastou também. Talvez houvesse outra forma...
Ela respirou fundo e sentou-se no colo dele, puxando sua cabeça para beijá-lo e fechando os olhos. Ele respondeu ao beijo por um momento, antes de fazer menção de recuar. Ela não deixou, aprofundando o beijo, tentando colocar tudo que sentia por ele ali. As mãos dele subiram ao cabelo dela, como sempre faziam. Ela fechou os olhos com mais força ainda, pensando em todas as razões pelas quais o amava. Pegou uma das mãos dele e a guiou à bainha do seu pulôver, empurrando-a para cima. Ele parou o beijo e recostou-se, mas ela continuou de olhos fechados. A mão dele parou na borda do seu sutiã. Ela tentou puxá-la mais para cima, mas ele não deixou. Ela franziu a testa.
"Ginny…" disse ele baixinho, com a voz áspera.
"Por favor," sussurrou ela.
"Ginny, olhe para mim."
Ela sacudiu a cabeça e ele puxou a mão de volta. Por um momento, eles ficaram em silêncio, antes de ela abrir os olhos e encará-lo profundamente.
"Você tem certeza?" perguntou ele por fim.
A garota assentiu e ele lhe beijou brevemente. Sem quebrar o contato visual, Harry lentamente puxou o pulôver dela por sua cabeça. Seus olhos cintilaram ao baixá-los, antes de erguê-los novamente. Ele abriu a boca, mas o que queria dizer Ginny nunca descobriu, pois ela colidiu seus lábios com os dele.
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Ginny abriu os olhos lentamente, piscando cansadamente contra a luz brilhante que entrava pela janela. Reprimiu um bocejo e espreguiçou-se. Podia sentir Harry se mexendo ao seu lado, e um sorriso surgiu em seu rosto. Os cabelos dele faziam cócegas em seu rosto e ele se inclinou para beijar-lhe o pescoço. Sonolenta, ela abriu os olhos. Seu olhar encontrou o dele, e, por um longo momento, eles apenas se encararam. Ele parecia mais feliz e relaxado. Os círculos escuros sob seus olhos diminuíram. Ela reprimiu um suspiro de alívio, e, em vez disso, sorriu para ele.
O momento de paz e tranquilidade não durou muito tempo. Houve algumas batidas apressadas na porta. Era o sinal, então, tinham que ser Ron, Hermione e Damien. Eles franziram a testa e trocaram olhares confusos. Não tinham marcado encontro naquele dia.
Ginny vestiu depressa algumas roupas e estava prestes a caminhar até a porta, mas Harry a impediu.
"Quê?" sussurrou ela.
Harry a empurrou para o banheiro.
"Tome um banho."
"Quê? Por quê?"
"Você está com cara de quem se divertiu em demasiado ontem à noite," murmurou ele de volta, sorrindo. "Assim como o quarto. Me dê um segundo, e ele vai parecer normal, mas eles podem suspeitar de alguma coisa se estivermos simplesmente sentados aqui."
Ginny sentiu-se corar, mas ignorou e ficou na ponta dos pés, dando-lhe um rápido beijo no rosto antes de desaparecer no banheiro.
"Vamos, gente! Sabemos que estão aí," disse Damien, batendo de novo.
"Eles podem ter saído," considerou Hermione. "Talvez até tenham se mudado mais cedo."
Ginny se olhou no espelho. Só então percebeu quão brilhante estava seu sorriso. Ouviu Harry andando pelo quarto antes de abrir a porta.
"Finalmente!" disse Ron em voz alta. Ela os ouviu entrar e, rapidamente, tirou a roupa e entrou no chuveiro. "Onde está Ginny?"
Ela ligou a água, tentando ouvir a conversa, mas não conseguia distinguir muito. Banhou-se e secou-se rapidamente. Por um segundo, considerou sair do banheiro apenas de toalha para chocar Ron, mas decidiu não fazê-lo. Talvez fosse importante... provavelmente era, ou eles não estariam ali, não é?
Vestiu-se mais depressa e saiu do banheiro. Ron e Damien estavam sentados na cama, conversando animadamente, enquanto Hermione e Harry estavam ao lado da mesa, debruçados sobre o livro.
"Olá, Ginny," disse Damien, que a avistou primeiro.
Ele se levantou, dando-lhe um rápido abraço. Ron o seguiu. Hermione lhe lançou um rápido sorriso.
"Por que estão aqui?" indagou ela, tentando se impedir de sorrir tanto.
"Eles descobriram a próxima Horcrux," disse Harry, fazendo gesto para que ela se aproximasse.
"Então, você acredita que é essa?" perguntou Hermione excitada enquanto Ginny se aproximava deles.
Harry assentiu. Ele apontou para o livro, e, quando ela se curvou mais para olhar, passou a mão pelas costas dela. Ela lhe lançou um olhar de advertência, mas o rapaz lhe deu um rápido sorriso. Mordendo o lábio, ela finalmente olhou para o artefato.
"Quê? A Espada de Gryffindor? Está brincando?"
"Se encaixa perfeitamente!" disse Hermione. "É magnífica, é um objeto com poderes inconfundíveis e história mágica, e pertenceu a um dos fundadores de Hogwarts!"
"Mas, Gryffindor?" Ginny olhou para Harry, que sacudiu os ombros.
"Pode ser a casa mais ridícula..." Os três protestaram. "Mas é uma parte de Hogwarts. Acho que ela tem razão."
Hermione sorriu para ele. Todos podiam ver quão orgulhosa estava.
"Bem, alguma ideia de onde essa belezura está?" Harry finalmente perguntou, seus dedos traçando as palavras "perdida, últimas pistas há um século" sob a foto da magnífica espada.
O sorriso de Hermione sumiu e ela engoliu em seco.
"Eu, hum... sim, na verdade. Está em Hogwarts."
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Ele cheirava a fogo e fumaça quando voltou. Ginny saltou de pé, correndo até ele. Ela fizera birra quando ele disse que ia sozinho, mas nada o convencera dessa vez.
Ele apenas sacudiu as mãos no ar para ela.
"Está destruída."
Ginny assentiu, mas não estava escutando. Em alguns lugares, a roupa dele parecia queimada.
"O que houve? Você está bem?"
"Sim."
Ele não a encarou.
"Harry?"
O rapaz sacudiu a cabeça.
"Eu vou tomar um banho e..." Ele parou de falar e caminhou depressa para o banheiro, fechando a porta na cara dela.
Ginny franziu o cenho e sentou-se na cama, esperando-o voltar. Ele não voltou. O rapaz nunca tomara um banho tão longo antes. Preocupada, mordeu o lábio, chamando o nome dele, mas ele não respondeu.
Ela se aproximou da porta.
"Harry? Você está bem?"
"Eu estou bem," veio a resposta abafada em meio à água corrente.
Ele desligou a torneira e ela teve que esperar mais alguns minutos, até ele aparecer de boxers. Ela o observou se vestir.
"O que houve?" indagou ela gentilmente. "Está ferido?"
"Eu peguei a espada, encontrei os aurores, duelei com eles, toquei fogo no Hall de Entrada e fugi."
Ginny piscou algumas vezes, tentando digerir as informações.
"Está bem..." Ela fez uma pausa, procurando as palavras certas. "Aconteceu mais alguma coisa, certo?"
Ele não respondeu, mas pegou a jaqueta e a vestiu.
"Harry? Pode me contar."
"Eu vou dar uma caminhada." Ele dirigiu-se à porta.
Ela caminhou até a porta e o impediu de passar.
"O que houve?"
Seus olhos perfuraram os dela. Havia algo neles que ela não conseguia decifrar.
"Eu não quero falar sobre isso agora, Ginny."
"Mas…"
"Ginny, não!" Ele segurou os ombros dela. "Eu só quero ficar sozinho."
"Mas não deveria, se isso está te afetando tanto."
Ele ignorou o que ela tinha dito.
"Eu vou voltar. Não posso dizer quando. Você devia ligar para os outros, diga que eu voltei e que deu tudo certo."
"Harry, você mal me explicou o que aconteceu, como eu posso…?"
"Você sabe o bastante, é o suficiente por enquanto," interrompeu ele.
"Mas, Harry…" disse ela de modo exigente.
"Ginny, agora não," rebateu ele, ríspido, empurrando-a para longe da porta.
O rapaz desapareceu por ela, e a deixou sozinha. Por um momento, ela teve vontade de segui-lo, mas o desejo foi embora tão rápido quanto surgiu. Ele parecia mesmo querer ficar sozinho.
Ginny suspirou e pegou o celular. Devia mesmo ligar para eles, e talvez até soubessem de mais alguma coisa.
Eles não sabiam. A ligação terminou rápido demais. Afinal, não havia muito a falar. Depois disso, ela esperou, e esperou. Tentou ler, andou pelo quarto... mas o tempo não passava e Harry não voltou. Tentou ligar para ele, mas ele não atendeu. Não esperava que atendesse, mas ainda havia alguma esperança.
Estava escurecendo quando Damien ligou.
"Acho que sei o que houve. Ele encontrou Sirius e algum auror idiota o enganou, fazendo-o acreditar que Sirius estava trabalhando com eles para capturá-lo."
Damien não sabia de mais nada, mas ao menos ela tinha alguma ideia agora.
Harry voltou bem depois da meia-noite. Ele parecia exausto e com frio. Ela o deixou rastejar na cama até ficar ao lado dela, observando-o em silêncio por um tempo. Ginny só falou quando ele ficou um pouco confortável.
"Damien ligou. Ele me contou sobre Sirius. Harry, eles te enganaram para que acreditasse…"
Ele a interrompeu.
"Eu percebi."
"Está se sentindo melhor? Quer conversar sobre isso?"
Harry suspirou.
"Não."
Ela o observou por um momento, antes de suspirar a assentir. Ele colocou o braço em volta dela e ela se aninhou a ele, que enterrou o rosto no cabelo dela, e, por um bom tempo, eles ficaram juntos, apenas ouvindo o outro respirar.
Passou um longo tempo antes de Harry sussurrar:
"Há dias que dói saber o que se perdeu, não é?"
Ginny não disse nada, mas pegou a mão dele, segurando-a com força.
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Alguém bateu apressadamente na porta. Ginny ergueu os olhos, intrigada. Não estavam esperando ninguém hoje. Não havia nenhuma Horcrux para Hermione descobrir. Ainda não tinham ido muito longe com o diário. Harry estava no banheiro, tomando um banho rápido.
Eles bateram de novo. Era o sinal, só podiam ser eles. Mesmo assim, ela pegou a varinha e abriu a porta lentamente. Eram mesmo Ron, Hermione e Damien. Mas estavam pálidos e pareciam abalados.
"O que houve?" perguntou ela, temendo o pior.
"Harry está aqui? Precisamos falar com ele!"
Ginny assentiu e estava prestes a chamá-lo, mas não foi preciso. Ele abriu a porta naquele instante, por sorte completamente vestido, secando o cabelo com uma toalha. Parou quando viu os rostos deles.
"O que aconteceu?"
Os três trocaram olhares nervosos.
"Nós não queríamos que você lesse no jornal..."
"O que houve?"
Harry jogou a toalha de lado, e caminhou depressa até eles. Ron engoliu em seco. Todos pareciam temer que o rapaz lhes arrancasse a cabeça.
Foi Damien quem finalmente falou.
"Estávamos espionando a reunião da Ordem. Conseguimos deslizar as orelhas extensíveis por debaixo da porta dessa vez. Moody não estava lá, então não tinha perigo de alguém nos pegar. A reunião foi de improviso, então ninguém teve oportunidade de colocar todos os feitiços na porta. Podíamos ver que havia muito entusiasmo. Acontece que a Ordem pegou alguém do círculo interno de Voldemort." Ele fez uma pausa. "Harry, por favor, não se desespere..."
O irmão o interrompeu.
"Damy, por favor… me diga, quem eles pegaram?"
O menino lhe lançou um olhar preocupado antes de falar:
"Bellatrix Lestrange."
Ginny olhou boquiaberta para Damien, enquanto Harry ficou lá, imóvel. Ela podia ver que havia milhões de pensamentos correndo em sua cabeça.
"Eles a capturaram há duas horas. Está sendo mantida no Ministério. Dumbledore acha que ela tem uma Horcrux..."
Harry abriu e fechou a boca várias vezes.
"Quando é que eles vão enviá-la a Azkaban?"
Novamente, os três se entreolharam e ninguém respondeu. Era evidente que essa era a informação que não queriam contar a ele.
"Quê?" indagou Harry, irritado com a maneira que eles estavam agindo.
"Bem, veja, essa é a questão. Eles não vão levá-la a Azkaban. Não querem correr o risco de ela fugir. Eles vão... eles vão levar dementadores ao Ministério. Vão ministrar o beijo hoje à noite," disse Ron, com o cuidado de não o encarar.
"Eu preciso pegar a Horcrux," disse ele mecanicamente.
"Mas… Harry!" gritou Ginny. Aquilo não podia ser verdade.
Ele sacudiu a cabeça e ela agarrou seu braço.
"Você já pegou. Você me disse, nós tínhamos..."
Ele afastou o braço dela, virou-se e desaparatou.
Impotente, Ginny olhou para os outros. Eles a encaravam horrorizados. Ele tivera a Horcrux, ela tocara nela. Foi destruída. Ele tinha se certificado disso. Lestrange tinha apenas uma cópia. O que mais ele queria?
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N/A: Sobre a cena (vocês sabem de qual estou falando...): Sei que alguns não vão gostar, mas eu não entrei em detalhes para deixá-los decidirem, sozinhos, quão longe eles foram. Eu acho que funciona nos dois sentidos, então... o.k.
N/T: Gostaria de lhes lembrar de que algumas Horcruxes não coincidem com as do livro devido ao fato de a fic na qual esta é baseada (The Darkness Within) ter sido escrita antes do 7º livro ser lançado :) Espero que curtam o capítulo! Beijos e aguardo reviews ^^
Srta. Wheezy: Sim, Ginny mostrou seu lado Molly Weasley com o Ron super ciumento, embora ele tenha as razões dele também rs O Harry "mau" deixa tudo mais atraente, concordo :) Demorei no capítulo, mas espero que ainda esteja acompanhando. UCPR também me marcou, como eu disse, há cenas que lembro ainda hoje da emoção de escrevê-las. Se um dia vier alguma ideia bombástica para adaptá-la, eu escrevo sim, pode deixar. Beijão!
Liliam Ginevra: Obrigada pela review! Quando não estamos loggadas acontece mesmo de mandar sem nome rs :)
Guest: Oi, me perdoe se fui dura também, não foi minha intenção, rs. Demorei anos para esse e estou constrangida, mas espero que ainda esteja disposta a ler a fic e que curta o capítulo! Beijão
Mi: Então, eu tive uma fase de ler muitas fics em inglês, então traduzi algumas das que gostei muito. Todas as que li estão aqui no ff . net mesmo, não houve um critério para isso, a não ser os casais: HG e JL, pois só leio esses ^^ Beijos
Guest: Fã de ser envolvida mesmo, não. Eu gosto muito de SdA :)
