Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Thirty-Three – (Un)locking The Past

*(Des)trancando o passado

"Eu preciso pegar a Horcrux," disse ele mecanicamente.

"Mas… Harry!" gritou Ginny. Aquilo não podia ser verdade.

Ele sacudiu a cabeça e ela agarrou seu braço.

"Você já pegou. Você me disse, nós tínhamos...

Ele afastou o braço dela, virou-se e desaparatou.

Por um longo momento, eles apenas se entreolharam, sentindo-se absolutamente impotentes. Ginny finalmente abaixou o braço, que ainda estava suspenso da tentativa de impedi-lo.

Foi Hermione quem quebrou o silêncio.

"O que vamos fazer agora?"

Ginny abriu e fechou a boca várias vezes.

"Eu... ele... ele foi ao Ministério, não foi?"

"Provavelmente," disse Ron baixinho.

"Eu…" Damien respirou fundo. "Eu… eu vou procurar meu pai."

"Quê?" Ginny se virou para encará-lo.

"Ele foi ao Ministério!" gritou o menino. "E se ele for pego? Eles vão pegá-lo! Ele não tem um plano e papai... ele vai entrar… com Remus e Sirius e eles vão encontrá-lo e ajudá-lo e..."

"Damien, ele vai te odiar! Você mesmo disse: seu pai não pode descobrir jamais!" disse Ron, chocado.

"E o que isso importa, Ron? Eles vão pegá-lo e... o beijo do dementador..." Damien ficou ainda mais pálido e fez menção de se virar em direção à porta.

Ginny agarrou seu braço.

"Você não vai."

"Quê? Ginny! Temos que nos apressar, Harry já está lá. Temos que ajudá-lo. Nós... eu..."

"Não. Harry não ia querer isso."

Damien afastou a mão dela.

"Ginny, eu não dou a mínima para o que Harry quer nesse momento! Precisamos ajudá-lo. Ele não sabe o que está fazendo!"

"Você está em pânico." Ginny tentou dizer com calma. Sua própria mente estava correndo loucamente com ideias e planos, um mais louco que o outro. "O que seu pai vai fazer? Ir ao Ministério? Avisar a todos que Harry está lá? Isso não será nada suspeito, certo? E mesmo que ele encontre Harry… não pode ajudá-lo. Harry foi para... para pegá-la. Será que seu pai vai ajudá-lo a tirá-la de lá? Não vai. Ele é uma Comensal da Morte, Damy! E ele é um auror. Ele não vai ajudar Harry. Talvez o tire de lá, mas o que Harry fará depois? Ele vai te odiar. E seu pai vai... e Harry…" Ela respirou fundo. "Sei que acha que ele não tem a menor ideia, mas Damien... ele é... Harry é..." Ela fechou as mãos em punhos e respirou fundo novamente. "Ele é o Príncipe das Trevas, Damien. Acha mesmo que ele não pode sair de lá? Acha mesmo que ele não elaborará um plano em minutos?"

Damien, Ron e Hermione a encararam, completamente chocados.

"Todo o Departamento de Aurores…" começou Hermione, mas Ginny não deixou que terminasse.

"Eles não sabem que ele sabe. Não sabem que ele está indo. Vão comemorar. Pegaram Bellatrix Lestrange, pelo amor de Merlin! Vocês não veem? Harry não ia querer que fizéssemos nada! Nós só pioraríamos as coisas."

"Então, você acha que não devíamos fazer nada?" gritou Damien.

"Não, eu não disse isso. Eu só disse que não vamos correr para lá. Você não vai contar aos seus pais... nem a ninguém. Vocês irão para casa, fingindo não saber de nada."

"Mas se alguma coisa acontecer com Harry…" começou Damien de novo.

"Não vai acontecer."

"Ginny, você não pode ter certeza. Se alguma coisa acontecer..."

"CALA A BOCA, DAMIEN! Nada vai acontecer. Nada. Entendeu?" Ela aproximou-se dele, segurando-o pelos ombros e sacudindo o menino. "Nada vai acontecer. Nada."

Ron aproximou-se rapidamente da irmã, afastando-a do amigo.

"Você não vai arruinar isso! Você não pode," gritou ela repetidamente, lutando contra o aperto de Ron. "Ele vai ficar bem. Ele tem que ficar bem..."

Damien e Hermione olharam horrorizados para ela.

"Ginny!"

Lágrimas escorriam por seu rosto. Damien aproximou-se dela e puxou-a para um abraço apertado.

"Você está certa, Ginny. Nada vai acontecer. Nada."

Ela estava se acalmando, assentindo com a cabeça furiosamente.

"Nada vai acontecer," repetiu ela. "Nada."

Ron e Hermione trocaram olhares desesperados.

xxx

Ron, Hermione e Damien foram para casa depois que todos se acalmaram e Ginny esperou ter conseguido alertá-los e que não tentassem "ajudar" Harry.

Estava andando pelo quarto, esperando por ele de novo. Esperava muito, muito, que ele estivesse bem. Que voltasse sem um arranhão e que jamais saísse daquela forma novamente, deixando-a ali, esperando por ele. De vez em quando ela sentava em uma das cadeiras, olhando pela janela e enterrando o rosto nas mãos. Mas nunca conseguia suportar por muito tempo, então começava a andar de novo.

Finalmente ele bateu na porta e a abriu lentamente. Ela estava ao seu lado imediatamente. O rapaz fechou a porta e recostou-se nela, suspirando antes de esfregar os olhos.

"Você está bem?"

Ele assentiu lentamente e abriu os olhos de novo, encarando-a por um instante. Ginny afastou alguns fios de cabelo que caíram sobre seus olhos. Ele segurou a mão dela na sua e puxou-a para perto, dando-lhe um pequeno abraço. Ela o deixou, esperando que lhe dissesse o que acontecera.

Ele afastou-se dela, tirando a jaqueta. Ginny franziu o cenho. Ele não usava isso quando saiu. Talvez tivesse transfigurado. Ele atirou-a sobre uma cadeira e tirou os sapatos antes de afundar na cama, o rosto enterrado em um travesseiro.

"Harry?" Ginny aproximou-se dele, sentando-se ao seu lado.

"Hum?"

"Onde… o que… eu…" Ela suspirou e esfregou os olhos.

Harry rolou de lado e olhou para ela.

"Eu..." Ele fez uma pausa. "Eu não devia ter saído daquela forma."

"Sim." Ginny o encarou intensamente. "Não devia."

"Mas eu…" Ele parecia procurar as palavras certas. "Eu não podia deixar de ir... você... eles... você não entenderia."

"Eu já te disse antes: estou aqui por você. Pode conversar comigo. Eu vou escutar e tentar não julgar. Você sabe disso, certo?"

Harry não disse nada sobre isso.

"Eu fui ao Ministério. Bella… eu… eu tirei-a de lá."

Ginny assentiu lentamente, sem saber o que dizer sobre isso. Foi o que pensara, mas não sabia como se sentia quanto a isso. Óbvio que era importante para ele, mas, por outro lado: foi Bellatrix Lestrange que ele libertou, a mulher que ficou conhecida por assassinato e tortura. Mas o que sabia sobre Harry e ela? Quase nada. Decidiu ser sincera.

"Eu… eu não posso dizer nada sobre isso. Mas talvez..." Ela engoliu em seco. "Talvez você possa me contar alguma coisa sobre ela um dia" Ela mordeu o lábio nervosamente.

Harry parecia surpreso.

"Por quê?"

"Ela parece ser importante para você e eu só sei... quer dizer, eu só li sobre ela ou ouvi coisas sobre ela da minha família e, bem... quer dizer, ela falou comigo uma vez, mas, sabe..."

Aquele desesperador e confuso primeiro dia no quartel-general veio à mente dela.

"Ela falou com você?" Ele se apoiou no cotovelo.

Ginny assentiu lentamente.

"O que ela disse?"

Os olhos dele brilharam de surpresa e divertimento suprimido.

Ginny sacudiu os ombros.

"Isso realmente importa?"

"Ah, vamos."

"Ela disse que podia ver o que você vê em mim."

O bom-humor dele desapareceu e o rapaz enrugou a testa.

"Ela disse o quê?"

"Eu também não sei o que ela queria dizer com isso."

Harry sacudiu a cabeça, aparentemente perdido em pensamentos.

"Então… tudo correu bem?" indagou Ginny.

Ele olhou confusa para ela.

"No Ministério," esclareceu ela.

Harry assentiu. Por um momento, eles ficaram em silêncio. Em seguida ele disse abruptamente:

"É melhor dormirmos um pouco."

Ginny não disse nada, mas assentiu. Entendia ele não querer mais falar sobre isso. Silenciosamente, vestiram algo para dormir e subiram na cama de novo. Harry deitou de bruços como de costume, mas com o rosto para o outro lado. Ela tentou não pensar muito naquilo, mas sentiu uma pontada na região do coração mesmo assim. Dissera a ele que podia conversar com ela, não podia fazer mais nada.

Foi uma noite agitada. Ela acordou várias vezes. Ele parecia estar sonhando, lutando com o cobertor, mas, embora tentasse, não conseguia acordá-lo. Quando ele finalmente acordou, foi com um sobressalto e sentou-se ereto em seguida, respirando rápido.

Os olhos dele percorreram o quarto, a cabeça girando em todas as direções.

"Harry? Foi só um sonho."

Ela agarrou o braço dele, e tentou puxá-lo de volta.

Mas ele afastou sua mão e levantou-se, uma pequena bola de luz surgindo sobre seu ombro. Ela o vira fazendo aquilo antes, mas geralmente a utilizava para ler. Dessa vez, ele correu para a cadeira onde colocara as roupas e vestiu-as depressa.

"Harry? O que está acontecendo?" Ela levantou da cama também.

"Eu tenho que me vestir? O que houve? Você está de saída?"

Ele a encarou e sacudiu a cabeça.

"Espere aqui."

Os olhos dele estavam escuros e pareciam queimar intensamente.

"Harry."

Mas ele não escutou e não se virou. Caminhou até a porta, abrindo-a depressa e fechando-a. E ela ficou sozinha de novo, sem saber o que estava acontecendo de novo. E andou pelo quarto de novo, e se vestiu também. Guardou as coisas deles. Talvez tivessem que partir quando ele voltasse. Tentou ligar para ele, mas ele não atendeu. O que tinha acontecido?

Não foi Harry que lhe deu a resposta, foi Damien. Sua ligação veio pela manhã, e Harry não retornara.

"Damien?" perguntou ela, a voz cheia de pânico. "Você sabe o que aconteceu? Harry, ele..." Ela parou de falar.

A voz do menino estava muito baixa e abafada.

"Sirius, Harry, eu..." Ele respirou fundo. "Você-Sabe-Quem puniu Lestrange. Ele... ele ministrou o beijo do dementador nela, Ginny. Harry a encontrou e Sirius... ele os encontrou e veio para cá com ela. Eu só a vi de relance. Mamãe... ela me mandou de volta para cama imediatamente. Eu… ele estava tão mole, Ginny. Não consigo imaginar o que Harry... eu tentei escutá-los, mas isso é tudo que consegui descobrir."

O coração dela parara. Beijo do dementador? Mas… não era possível. Harry dissera que tudo deu certo. E… como ele soube? Por que acordara e fora direto para ela? Foi isso que aconteceu?

Ela terminou a ligação com Damien, mal dizendo alguma coisa. Sua mente estava acelerada, não conseguia entender o que acontecera exatamente e onde Harry estava. Será que ele voltaria? É claro que voltaria, tentou se convencer. Mas, como? O que ele faria? O que diria? Falaria com ela? Quando voltaria? Ficaria de luto? Será que se vingaria? O coração de Ginny parou com o pensamento do que ele podia fazer em sua fúria.

Ele voltou. Ela não sabia que horas eram, mas esperara muito tempo. Ele sequer olhou para ela, mas foi direto para o banheiro. Não disse nada. Suas roupas estavam sujas de lama, o cabelo uma bagunça e o rápido relance que teve de seu rosto fez seu coração parar.

Foi até a porta, batendo levemente. Não houve resposta. Mas realmente esperava uma? Ela bateu de novo e de novo, chamando seu nome suavemente. Ele ligou a água, mas, ainda assim: nada. Ginny tentou engolir a raiva, tentou ficar calma, mas era demais. Ele não deixava que ela o ajudasse.

"HARRY!" Ela bateu os punhos contra a porta. "Abra essa bendita porta!"

Não houve resposta.

"Harry, por favor. Eu só quero ajudá-lo! Por favor, me deixe entrar!"

Ainda não houve resposta. Ela caiu de joelhos, descansando a cabeça contra a porta.

"Harry, por favor. Eu soube o que aconteceu. Você não precisa explicar. Não precisa dizer nada. Harry, por favor, abra a porta."

Mas ele não abriu. Ela bateu as mãos contra a porta novamente, tentou girar a maçaneta... nada. Apenas o som de água corrente. Talvez ele não a tivesse ouvido, tentou se convencer. Mas a quem estava enganando? Se não fossem os feitiços silenciadores, todo o andar a ouviria.

"Harry…" implorou ela, a voz falhando.

Queria ajudá-lo. Mas ele não deixava. Por que não deixaria? Ele precisa de alguém. Devia estar devastado. Lágrimas formigavam em seus olhos quando o imaginava no banheiro. Sozinho. Ele precisava de alguém. E ela queria ajudá-lo.

Ginny fechou as mãos em punhos. Ele não lhe deixou outra opção. A jovem levantou-se depressa e agarrou a varinha. Murmurou o feitiço baixinho, escancarando a porta.

Harry estava sentado no chuveiro. Estava completamente vestido, olhando para o nada, o cabelo e as roupas encharcadas. A cabeça de costas para ela. Ela aproximou-se dele depressa, sentando-se ao seu lado, para onde sua cabeça estava virada. Os olhos dele estavam avermelhados, estivera chorando. Ginny engoliu as próprias lágrimas e puxou-o para si, abraçando-o com força. Ele sequer lutou para se afastar, como ela esperara. Isso quase a assustou.

Ela o balançou levemente, suas próprias roupas ficando encharcadas. Não importava. Não soube por quanto tempo ficou sentada ali, abraçando-o até ele finalmente se mexer. Levou um tempo para perceber que ele tremia, e ainda mais tempo para distinguir os soluços.

Ginny fechou os olhos, tentando se lembrar de tudo que sua mãe já fizera para confortá-la e puxou-o ainda com mais força contra seu peito.

xxx

Os dias seguintes foram difíceis. Harry não falava com ela. Não dizia uma palavra, apenas se sentava em diversas janelas de diferentes quartos – eles mudavam de localização diariamente agora, às vezes até duas vezes por dia – e olhava para o espaço. Ele também mal comia. Ela forçava água e comida em sua garganta, e, no início, tentou fazê-lo falar, mas ele não falou, e então ela parou. Às vezes ele enterrava o rosto nos braços. Ela sabia que era quando ele estava chorando, mas ele jamais a deixou ver as lágrimas novamente. Após o incidente no banheiro, ele evitara qualquer contato físico. Até dormiu na cadeira, se é que dormiu. Os círculos pretos sob seus olhos cresciam a cada dia.

Ginny ligou para Ron, Hermione e Damien e pediu ajuda e eles tentaram. Deram-lhe conselhos e ela tentou tudo que disseram, mas nada funcionava. Ele ficou do jeito que estava, e sempre que ela tentava acalmá-lo, acariciando seu cabelo por exemplo, ele se afastava. Estava perdida e piorava a cada dia. Parecia que cada pequeno passo de progresso que fizeram foi perdido. Não havia nada que pudesse fazer, e aquilo a deixava maluca. Não conseguia dormir, beber ou comer também. Passava os dias o observando, tentando pensar em algo que ainda não tentara.

Isso mudou com uma coruja que chegou. Ele ficou muito ansioso com a chegada, e verificou a carta com diversos feitiços antes de eles depressa mudarem de localização novamente. Só então ele a abriu. Pela primeira vez seus olhos pareciam um pouco vivos de novo. Ela perguntou se podia ler, sobre o que era, quem enviara. Mas ele ficou em silêncio e não soltou a carta. Ela sequer ousou tomar dele quando o garoto adormecera.

E então, no dia seguinte ele tomou banho e se vestiu sem que ela dissesse nada. Ginny achou que fossem se mudar novamente, mas quando ele atravessou o quarto até a porta sem pegar as coisas deles, sabia que não era o caso.

"Posso ir?"

Harry nem sequer olhou para ela e abriu a porta. Ela estava ao seu lado logo em seguida, bloqueando a saída.

"Aonde você vai?"

Ele não respondeu, mas empurrou-a de lado. Ela agarrou seu braço. Ele se encolheu, mas ela não o soltou.

"Eu vou."

Harry a encarou com os olhos vazios e puxou o braço.

Ela o segurou novamente.

"Aonde quer que esteja indo, eu vou," disse ela novamente. A garota puxou-o para as coisas deles, empacotando e encolhendo-as. Ele deixou que agisse. "Apenas para ter certeza," explicou ela.

Ele não disse nada. Quando ela terminou, agarrou a mão dele. Ele tentou se soltar, mas ela não deixou. Lançou-lhe um olhar suplicante e ele parou. Eles deixaram o quarto juntos, ainda de mãos dadas. Ele a conduzi ao andar de baixo pelas escadas, levando-a por ruas pequenas e largas. Ela não sabia por quanto tempo continuaram ou qual era o destino. Não ousou perguntar, temendo que ele mudasse de ideia sobre ela vir junto.

Finalmente chegaram a um pequeno café. Harry arrastou-a para dentro e colocou-a sentada numa cadeira em uma mesa.

"Aconteça o que acontecer, fique aí," disse ele. Sua voz soou áspera. Ela assentiu, muito surpresa para dizer alguma coisa.

Harry se sentou a algumas mesas de distância e pediu alguma coisa. Alguns minutos depois, uma garçonete pôs uma xicara diante dele e um café diante dela.

"Do rapaz," explicou ela sorrindo e gesticulando na direção dele.

A garota sorriu e agradeceu-lhe. Tomou um gole do café e esperou, observando-o. Ele estava olhando as pessoas entrando no café. Evidentemente esperava alguém.

Ginny quase cuspiu o café quando viu quem entrou. Não era ninguém menos que Draco Malfoy. Ele olhou à volta, avistou Harry e caminhou até ele. Sentou-se perto do moreno. Eles apertaram a mão breve e rigidamente e se olharam. Malfoy também não parecia bem, ela notou. Seus olhos estavam mais escuros, o rosto ainda mais pálido que o normal. Eles disseram alguma coisa, mas não estava sentada próxima o bastante para ouvi-los. Pensou em mudar de mesa, mas eles provavelmente perceberiam. Tentou pensar em um feitiço que tornasse possível escutá-los. Havia alguma coisa...?

A garota sacudiu o pulso sob a mesa, olhando em volta com muito cuidado. Sussurrou o feitiço com a mão na boca. Esperou, prendendo a respiração. De início achou que não funcionou, mas então:

"Acho que eu devia saber que aconteceria. Eles estavam muito irritados um com o outro ultimamente. Brigavam constantemente, mas ainda assim foi um choque. Nunca achei que ela fosse deixá-lo, mas aí está. Minha mãe finalmente se separou do meu pai."

Ginny conseguiu abafar um suspirou e tomou um gole do café novamente, tentando parecer que não fazia a menor ideia do que eles estavam conversando. Estava sentada na linha de visão deles, e não queria que Harry soubesse que ela podia ouvi-los conversar. Mas... os pais de Malfoy estavam se separando? Ela não imaginava que fosse possível. E por que estava contando a Harry? O moreno tomou um gole de chá, ficando em silêncio de início.

"Você vai partir junto com a sua mãe?" perguntou Harry, fitando sua caneca. Sua voz ainda soava áspera. Ele limpou a garganta.

"Não, eu ainda tenho que resolver algumas coisas. Mamãe vai levar tia Bella com ela. Acho que tio Marcus está vindo para levá-las para casa. Ele sempre disse à minha mãe para deixar meu pai e ir morar com ele na Espanha, mas ela estava convencida que o casamento daria certo algum dia. Mas com o que aconteceu à tia Bella, acho que foi a gota d'água para ela. Ela simplesmente não conseguia acreditar que meu pai não tentou ajudá-la."

Havia uma nota de tristeza na voz de Malfoy. Era algo que Ginny jamais pensou ser possível a Draco Malfoy. Pela forma que o rapaz costumava falar sobre o pai e a mãe, todos tinham a impressão que Malfoy tinha uma família feliz e sem problemas.

Harry também parecia pouco à vontade. Ele se mexeu na cadeira e desviou os olhos de Malfoy antes de falar.

"Há... há alguma chance de que Bella possa... sabe, ser curada? Não foi um dementador de verdade, então talvez haja alguma coisa que possa ser feita?"

Ginny prendeu a respiração. Era a primeira vez que ouvira Harry falar sobre isso. Houve uma pontada em seu coração. Ela tentou ignorar. Não importava que ele não estivesse falando com ela, tentou dizer a si mesma. Pelo menos ele estava falando de novo.

Malfoy sacudiu a cabeça.

"Eu acho que não, cara. O dementador pode não ter sido de verdade, mas os efeitos ainda foram reais. Ela se foi."

Harry fechou a boca e apenas assentiu com a cabeça, sem jeito. Ela pôde sentir a tensão entre os dois amigos. Por fim, o loiro falou.

"Não foi culpa sua. Ninguém tem culpa, Harry. Pare de fazer isso com você mesmo."

O moreno desviou o olhar do amigo, e parecia estar tendo dificuldade para falar.

"Você não sabe." Ele quase sussurrou. O coração de Ginny partiu. Ele estava se sentindo culpado, e ela não foi capaz de ajudá-lo.

"Harry! Você está agindo como um babaca! Você não fez nada com ela. Não foi você que a amaldiçoou," vociferou Malfoy, irritado com ele.

Ginny ficou chocada com a forma que o loiro estava falando com o amigo. Não achava que o rapaz teria coragem de falar com Harry assim. Mas se aquilo fosse ajudar...

"Eu posso muito bem ter culpa," disse ele baixinho.

"Quê?" indagou Malfoy.

"Eu peguei o anel. Eu sabia que ela seria punida por perdê-lo, mas nunca achei que receberia tal punição. Sou responsável por ela receber o beijo."

Harry desviou o olhar e encontrou os olhos de Ginny rapidamente. Ela sorriu para ele, bebericando o café novamente. A garota reprimiu a vontade de se aproximar e dizer-lhe poucas e boas.

Malfoy olhava para o amigo, aparentemente sem fala diante da revelação. Após alguns minutos, o loiro limpou a garganta para falar.

"Isso ainda não te torna responsável. Você não podia devolver o anel a ela. Eu sei disso. Você nunca pensou que ele fosse ordenar o beijo, ninguém pensou isso."

O amigo tentou confortá-lo, mas estava claro pela expressão do moreno que ele não acreditava no outro.

Malfoy parecia pouco à vontade. Parecia procurar pelas palavras certas. Ginny nunca o vira daquela maneira. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes.

"De qualquer forma, só achei que você devia saber que minha mãe vai partir assim que as negociações finais com a Mansão e outras coisas acabarem. Pensei que se você quiser ver Bella de novo, sabe, pela última vez, pode vir amanhã."

Harry não disse nada e apenas sacudiu a cabeça antes de tomar outro gole de chá.

"Não é perigoso você ficar aqui sozinho? Devia ir embora com sua mãe," disse o moreno. Era óbvio que estava tentando mudar de assunto.

Malfoy riu com tristeza e balançou a cabeça.

"Sabe como são as coisas com meu pai. Ele nunca teve papas na língua comigo. Não acho que haja mais nada que possa fazer ou dizer para me machucar. Nunca levantará a varinha para mim, pelo menos eu acho que não." Malfoy parou de falar, encarando o amigo. "Sabe, desde que você o deixou, eu tenho evitado ele. Nós dois sabemos o quanto ele gostava de mim. Não acho que dar de cara com ele seria inteligente da minha parte. Foi quando eu pensei. Eu só queria ser do círculo interno dele se você estivesse lá. Acho que me acostumei com você me livrando dele o tempo todo. Sem você lá, sei que eu seria morto na primeira oportunidade. Meu pai sabia disso também. Ele me mandou ficar longe dele."

De início Ginny ficou confusa, mas então ficou claro de quem o rapaz estava falando. Ele estava falando de Lorde Voldemort. Chocou-lhe saber que Malfoy não queria ser um Comensal da Morte se Harry não estivesse lá. Parecia algo tão infantil. Se seu melhor amigo não está fazendo alguma coisa, você não quer fazer também. Mas ela deduziu pelo que o loiro disse que Lorde Voldemort não gostava muito dele. Parecia que o garoto só era tolerado por conta de Harry. Com Harry longe, Voldemort tentaria machucá-lo, já que não podia quando o filho estava por perto.

Mas ela podia ver que aquele assunto não estava deixando Harry mais confortável do que o último e Malfoy podia ver também. Ele olhou ao redor, talvez à procura de outro assunto. Seus olhos se encontraram e o loiro franziu o cenho.

"Estamos sendo vigiados?" perguntou o loiro ao amigo.

Harry seguiu sua linha de visão e os olhos dele e de Ginny se encontraram. Ela olhou para baixo, e mexeu o café antes de brincar com um biscoitinho que viera junto com a bebida.

"Sim," disse o moreno por fim. "Ela não consegue tirar os olhos de você desde que entramos."

Uma pitada de diversão ressoou em sua voz. Ginny quase derrubou o biscoito.

"Cale a boca," sibilou Malfoy. "Ela é uma trouxa... certo?"

"É claro."

Por um instante eles ficaram em silêncio e Ginny não pôde resistir de examiná-los. Ambos viraram as cabeças quando ela ergueu o olhar.

"Preciso ir embora. Escute, Harry, pense no que eu disse. Você devia considerar seriamente," disse Malfoy ao se levantar. Ginny franziu o cenho.

Harry apenas encarou o amigo antes de levantar-se também.

"Preciso terminar isso. Eu não posso..." Ele parou e olhou para ela. "Eu não posso aceitar sua oferta."

Malfoy olhou para ele.

"Pense nisso." Ele parou. "Vai embora comigo?"

Harry sacudiu a cabeça.

"Eu vou ficar mais um pouco."

Malfoy assentiu. Eles se abraçaram rapidamente.

"Tome cuidado. E… verifique a garota novamente. Há algo nela..."

Harry assentiu e Malfoy partiu. Ele sentou-se novamente, bebericando o chá de novo antes de puxar algumas notas de dinheiro trouxa do bolso. Colocou-as sobre a mesa e se levantou. Ginny cancelou o feitiço depressa e esvaziou a xícara também. Ele caminhou até ela e ficou diante da garota, olhando para baixo.

"Malfoy… sério? Sobre o que conversaram?" perguntou ela, tentando parecer inocente.

"Para de fingir. Eu sei que nos escutou."

Ginny abriu a boca, pronta para reclamar, mas decidiu não fazê-lo.

"Você só me disse para ficar aqui, não disse nada sobre não escutar."

Algo quase como um sorriso surgiu na boca dele.

"Você é curiosa demais para seu próprio bem."

Ginny sorriu.

"Sou uma grifinória," disse com orgulho.

Harry revirou os olhos e puxou-a para ficar de pé, entrelaçando suas mãos.

"O que você acha de um café da manhã?"

xxx

No dia seguinte, Harry mandou uma mensagem para Damien, dizendo-lhe a localização deles. Não falaram sobre Lestrange e Ginny notou que ele evitava o assunto a todo custo. O rapaz disse a Damien, Ron e Hermione para não falarem sobre isso e que tinham que se concentrar na próxima e última Horcrux. Era só sobre isso que ele falava e pensava agora, afinal.

Às vezes Ginny tentava mencioná-la, tentava perguntar detalhes sobre ela, fazê-lo falar. Não sobre o que acontecera a ela. A maioria das vezes ele apenas ficava calado e não dizia nada por um tempo, até ela mudar de assunto, mas às vezes – tarde da noite quando não conseguiam dormir – ele lhe falava sobre Lestrange ou Bella, como ela tentava chamá-la. Pôde vê-la sob outra perspectiva. Ele nunca falava de coisas importantes, apenas sobre coisas que ela gostava ou seus hábitos, mas significava muito para Ginny. Ele estava se abrindo com ela. Estava deixando-a fazer parte de seu passado.

E eles fizeram progresso quanto à última Horcrux também. Conseguiram descobrir que era um diário, o diário de Voldemort. Ginny achou o pensamento estranhamente assustador. Mas eles não sabiam onde poderia estar escondido. Harry teve a ideia de que poderia estar em uma caverna que o bruxo descobrira na juventude. Ela não queria pensar no que acontecera lá se ele a considerava especial o bastante.

Ron, Damien e Hermione pediram para acompanhá-los. Harry, é claro, foi totalmente contra, mas Ginny podia entendê-los. Eles não queriam ser deixados de fora, não novamente, não após tudo que acontecera e ela os defendeu. Achou que se eles fossem autorizados a ir, ela também seria e, finalmente, Harry cedeu. Os outros conseguiram elaborar um plano para fugir sem serem notados e concordaram em pegar um trem para um pequeno vale de onde caminharam para onde Harry achava que a caverna ficaria.

Ginny podia sentir os olhos dos três sobre eles o tempo inteiro. Eles nunca passaram tanto tempo assim juntos, não desde Hogwarts, e agora tudo era diferente. Harry caminhava muito perto dela, até mais quando chegaram a um ponto de colinas íngremes ao seu redor e quando ela tropeçou, ele estava lá imediatamente, segurando-a e firmando-a. Ela podia sentir os olhos de Ron penetrarem no braço e nas mãos de Harry, ainda mais quando elas se demoraram em sua cintura. Por fim, ela afastou as mãos dele. Aquilo fez o moreno sorrir satisfeito e seu irmão rosnar. Eles estavam se dando bem agora, mas não tanto quanto a ela.

Continuaram caminhando e Ginny estava ficando cansada. Damien, Hermione e Ron não estavam melhor, apenas Harry não parecia se importar. Ron estava pior, mas seguiu em frente de forma obstinada, acompanhando Harry na dianteira. Garotos, ela pensou, sempre competindo.

Finalmente estava escurecendo e eles armaram a tenda – a tenda mágica do pai deles, felizmente. Harry andava em volta, conjurando feitiços protetores. Ron e Hermione olhavam-no muito curiosos. Era óbvio para Ginny que eles estavam morrendo de vontade de fazer-lhe perguntas.

Por fim, foi Ron quem o fez primeiro:

"Ei, Harry, quero te perguntar uma coisa." O moreno se virou para encará-lo. "Hum, bem, lembra-se de quando participou do Clube de Duelos? Você levantou aquele escudo incrível! Eu estava pensando... é… é mesmo muito difícil fazer aquilo?"

Harry demorou a responder.

"Não, não é difícil. Qualquer um pode fazer, se conseguir controlar a magia a esse nível."

Os olhos do ruivo brilharam e Damien e Hermione ficaram interessados também.

"Acha que pode nos mostrar?" Vendo o rosto dele, Ron continuou depressa: "Quer dizer, se você fosse atacado, pelo menos podemos nos proteger um pouco melhor."

Os olhos de Harry passaram de Ron para Hermione, para Damien, e, finalmente, pousaram sobre ela. Ginny sorriu e assentiu.

"É, não pode machucar, pode?" perguntou ela e acrescentou de forma divertida: "Mas, Ron, você não faz ideia no que está se metendo!"

E parece que funcionou.

"Sim, está bem."

Harry terminou depressa os feitiços de proteção antes de voltar para onde eles estavam. Todos ficaram mais eretos assim que ele se aproximou. Ginny sorriu para ele. Sabia que ele gostava de ensinar, pelo menos quando todos aprendiam depressa. Hermione não daria trabalho algum, e se Damien estivesse motivado, ele aprenderia rápido também... mas Ron...

O moreno pontilhou rápido o bastante. Ele simplesmente não podia perder uma oportunidade de irritar Ron.

"O.k., a primeira coisa que têm de fazer é reunir o máximo de energia possível de seu núcleo," disse ele, virando-se para o ruivo.

"Hum, meu núcleo?" perguntou Ron, parecendo nunca ter ouvido a palavra. Ginny riu.

"É, sabe, seu núcleo mágico. Aquele que contém suas reservas mágicas."

Ron se virou para encarar Hermione e então respondeu:

"Eu sei o que é um núcleo mágico. Eu só não sei o que quer dizer com reunir energia dele."

Harry passou a mão pelo cabelo e suspirou.

"Tudo bem! Vamos começar do começo, então. Vocês sabem onde fica o núcleo mágico?"

Ron, porém, parecia um pouco confuso. O ruivo olhou hesitantemente para Hermione, e então para Damien e Ginny, que sorriu. Ele ergueu a mão sem jeito e colocou-a sobre o coração.

"Aqui?" perguntou incerto.

A expressão no rosto de Harry foi impagável. Ele parecia estar mordendo a língua para não dizer nada. Em vez disso, aproximou-se de Ron e afastou sua mão do peito e colocou-a em sua testa.

Damien e Ginny se dobraram em ataques silenciosos de riso e Hermione também tentava não rir do olhar no rosto de Ron. O rubor no rosto do ruivo estava tão vívido quanto seu cabelo. Ele baixou lentamente a mão e olhou para Harry.

O moreno se afastou alguns passos e olhou para eles.

"Vocês têm que aprender a reunir seu núcleo. É o que deviam ter aprendido desde o início. Todo mundo tem um núcleo diferente, assim como as varinhas que usam. É por isso que certas varinhas funcionam melhor que outras. Vocês não podem usar minha varinha, assim como não posso usar as suas, porque elas se ligam ao nosso núcleo e usam a energia dele para realizar magia. Se um trouxa erguesse uma varinha, não faria nada, já que não possui núcleo mágico. Trouxas usam um tipo diferente de magia. Eles chamam de 'domínio da mente.' Eles forçam a mente a pensar de certa maneira." Harry parou para que suas palavras fossem digeridas. "Então, para conjurar um escudo de corpo inteiro, têm que aprender a manipular seus núcleos. Têm que deixar sua magia trabalhar mais como um instinto que qualquer outra coisa. A força do escudo depende de quão forte é seu núcleo. Não podem fortalecer seus núcleos, é algo que nasce com vocês."

Ron parecia um pouco desapontado com aquela notícia.

"Então, se meu escudo não for forte, vai fracassar em repelir as maldições?"

"Não pode bloquear-se de todas as maldições, mas se conseguir conjurar um escudo de corpo inteiro pode se proteger de maldições desagradáveis. Se todos vocês ficarem juntos e conjurarem seus escudos ao mesmo tempo, eles se fundiriam, tornando-se impenetráveis," explicou Harry.

Com isso, os quatro adolescentes se iluminaram.

"Está bem, então, como reunimos nossa energia?" perguntou Damien, sacando a varinha.

"Pode guardar isso. Não podem usar as varinhas! Esqueceram-se do rastreador? Vou tentar ensiná-los sem usar as varinhas. Se aprenderem o método, poderão tentar na prática quando estiveram em casa ou caso necessitem aqui," disse Harry calmamente.

Ginny sorriu, tirando a varinha e acenando-a para cima e para baixo. Harry suspirou primeiro, antes de um toque de malícia perpassar seu rosto. Ele assentiu e explicou-lhes a teoria. Os outros fecharam os olhos e tentaram fazer como ele lhes disse.

Ela era a única que podia tentar conjurar o escudo imediatamente. Não conseguiu e estava ficando frustrada.

"Aqui, deixe eu te ajudar," disse Harry um pouco alto demais, chegando atrás dela.

Ele segurou sua cintura e ela podia ver os olhos do irmão se estreitando. Harry trocou de pé e agarrou a mão dela que segurava a varinha. Ele se inclinou e sussurrou as instruções em seu ouvido novamente. Ela reprimiu um arrepio. Sua varinha tremia. Ele sorriu e se inclinou ainda mais perto.

Ron estalou a língua e abriu e fechou a boca várias vezes, tentando elaborar algo para ameaçá-lo. Ginny sussurrou para Harry:

"Você está apreciando isso em demasia."

Ele lançou-lhe um sorriso inocente em resposta.

"Não foi ideia minha, foi dele."

xxx

Levou três dias até finalmente acharem a caverna. Eles – ou, mais precisamente, Harry – descobriram como fazê-la se abrir – língua de cobra – e eles venceram os muitos feitiços e ilusões até o diário. Quando Harry finalmente apanhou o objeto e nada aconteceu, soube que algo devia estar errado. Não podia imaginar que fosse tão fácil. E estava certo.

Logo que saíram da caverna para a luz do dia, viram-se cercados por um pequeno exército de Comensais da Morte. Devia ter cerca de quarenta, talvez cinquenta Comensais os cercando. Harry sentiu o pânico brotando dentro dele. Teria sido quase impossível enfrentar todos esses homens sozinhos, mas com a complicação adicional dos quatro adolescentes consigo, não sabia como ia sobreviver àquilo e ajudar os outros a sobreviverem também. Segurou a varinha com força, os olhos correndo pelos Comensais e pelos amigos, que se amontoaram perto dele, as varinhas em punho também.

Harry engoliu em seco. Só sabia do que Ginny era capaz, não sabia nada sobre os outros. E sabia como acabara para Ginny da última vez. Seus olhos pousaram mais demoradamente sobre ela. Os olhos da garota corriam freneticamente à volta, os nós dos dedos ficando brancos da forma que agarrava a varinha. Quando olhou para ele, o rapaz deu-lhe um leve aceno de cabeça.

Ele tornou a se focar nos Comensais da Morte, e no que mais se destacava. O cabelo loiro o denunciou como de costume. Harry sentiu o coração saltar de raiva quando viu Lucius Malfoy aproximar-se deles.

"Parece que sua sorte finalmente se esgotou, Harry."

O rapaz segurou a varinha com mais força ainda, sua mente correndo. Tinha que haver uma saída. Pelo menos tinham treinado os escudos, pensou e rezou que os adolescentes se lembrassem deles e conseguissem conjurá-los numa situação de estresse. Era sempre outra coisa tentá-los numa situação real.

"Isso não tem nada a ver com sorte. Só sou melhor que vocês," caçoou Harry. Sabia que Comensais da Morte enfurecidos eram Comensais da Morte desajeitados. Bastava um comentário desagradável e a maioria deles perderia a compostura.

Malfoy gesticulou para o restante, e, imediatamente, o círculo em torno de Harry começou a diminuir. Os Comensais da Morte estavam se fechando. As varinhas apontadas para os cinco adolescentes e quanto mais se aproximassem, mais difícil seria escapar.

Harry alinhou-se em sua posição de batalha e se concentrou. Podia sentir sua magia girando em torno dele, pronta para atacar, pronta para proteger. Também podia sentir os escudos anti-aparatação no lugar. Impediu-se de xingar. Em vez disso, concentrou-se no Comensal mais próximo e lançou um feitiço ácido nele. O homem largou a varinha de imediato, agarrou o rosto e começou a uivar de dor. O rapaz levantou o escudo, colocando cada centímetro de força que possuía para mantê-lo erguido, enquanto uma chuva de maldições caía sobre ele e os outros. Já que os cinco estavam amontoados, a bolha brilhante protegeu todos eles. Os cinquenta homens atingiam o escudo de novo e de novo, tentando rompê-lo. Harry sentiu seu escudo tremer sob a tensão. Nunca fora usado para enfrentar tantas maldições. Sabia que o escudo poderia aguentar muito mais.

Gritou instruções, sobrepondo-se às trovoadas de maldições.

"O escudo vai se romper! Quando acontecer, comecem a disparar feitiços neles. Não importam quais! Mirem na cabeça deles, se puderem! Fiquem juntos e convoquem suas energias! Precisamos dos escudos agora, mais do que nunca."

A bolha azul-cintilante começou a rachar e se romper.

Assim que o escudo de Harry se rompeu, os quatro adolescentes entraram em ação. Ron e Hermione já tinham começado a convocar a energia para erguer seus escudos, enquanto Damien e Ginny lançavam os mais fortes "Estupefaça" que conseguiam. A bolha amarela e a rosa surgiram juntas, protegendo os quatro adolescentes. Harry já se afastara para começar a duelar. Todos eles se moviam numa velocidade incrível para se abrigar na floresta escura. Os escudos de Ron e Hermione se romperam. Harry não perdeu tempo e lançava os feitiços mais sombrios que podia nos homens. A primeira maldição da morte deixou sua varinha, atingindo um homem. A luz verde brilhou atrás deles e Ginny cambaleou. Harry praguejou e puxou-a consigo, disparando outra maldição da morte por trás deles. Era difícil mirar e puxá-la ao mesmo tempo, mas que escolha ele tinha?

Os outros três estavam encarando melhor. Corriam à frente, desviando-se de maldições da morte disparadas em sua direção. Parecia que os Comensais da Morte queriam matar os adolescentes, mas receberam instruções de não matar Harry, pois nenhuma das maldições vinha em sua direção. A adrenalina corria em suas veias.

Uma ideia repentina veio à sua mente e ele a utilizou de imediato. Em vez que disparar feitiços nos Comensais da Morte, disparou fortes maldições nas árvores, fazendo-as cair, enterrando os Comensais da Morte. Houve muitos e muitos gritos atrás deles, mas conseguiram obter uma vantagem e os gritos ficaram mais silenciosos.

Aproveitou o momento para erguer Ginny até ele, segurando seus dois braços, e forçando-a a encará-lo.

"Ginny!" mandou ele. "Controle-se!"

Ela assentiu com a cabeça, as lágrimas brilhando em seus olhos.

"Eu sei, estou tentando... mas os flashbacks..."

O coração de Harry afundou. Foi o que pensara.

"Pense nos outros. Eu preciso muito de você agora. Tente pensar nisso, está bem? E em nada mais. Não há tempo para isso agora!"

Ginny assentiu e ele pôde ver a obstinação retornando aos seus olhos. Harry agarrou sua mão e eles correram, alcançando os outros. Os gritos atrás dele estavam ficando mais altos novamente, e os feitiços se aproximaram. Ele empurrou Ginny à frente, em direção aos outros e disparou feitiços de volta nos Comensais da Morte, tentando mantê-los longe dos demais. Se eles pudessem apenas correr mais rápido; aqueles malditos escudos tinham que acabar em algum lugar! Se pudessem alcançá-los, estariam seguros em segundos. Harry rezou que pelo menos Hermione notasse quando pudesse aparatar novamente e levar os outros para longe dali.

Disparou outra maldição para trás e houve várias em retorno. Um dos feitiços passou zunindo e explodiu à sua frente, o fogo irrompendo à sua volta, cercando-o, de modo que ficou isolado do restante. Os quatro adolescentes pararam abruptamente com o som e fizeram menção e vir em sua direção, as varinhas erguidas para apagar o fogo.

"NÃO! CORRAM!" gritou Harry para eles.

Os quatro pareciam aterrorizados por deixar Harry sozinho. Eles recuaram e olharam em volta, impotentes, à procura de uma forma de ajudá-lo. O rapaz mandou que fossem embora novamente e viu Ron e Hermione puxando as formas relutantes de Damien e Ginny para longe das chamas e para mais longe dele.

Harry virou-se e viu que estava preso. Havia ao menos vinte e cinco Comensais da Morte à sua frente, enquanto o fogo o bloqueava por trás. Ficou parado, pronto para matar qualquer um que se aproximasse dele. Os homens ficaram parados, ninguém se mexeu para pegá-lo. Observou com o coração palpitante um Comensal loiro colocar-se diante dos outros e ficar à sua frente. Ele estendeu a mão e removeu a máscara. Já sabia que era Lucius Malfoy. Seus olhos cinza queimavam de raiva quando se ergueu, a varinha apontada para ele.

"Nunca achei que chegaria a esse ponto," ele quase sussurrou.

Com um sobressalto, Harry percebeu que havia outra emoção escondida no fundo dos olhos de Malfoy. Era arrependimento. Sabia que o homem fora afetado por ele ter abandonado Voldemort. Sem dúvidas recebeu punições, primeiro por ser indiretamente responsável por levar Harry a Wormtail. E então falhara em capturá-lo por muito tempo. Entendia a raiva que Malfoy devia sentir dele. O que não estava preparado para aceitar era que Malfoy alguma vez sentiu compaixão dele. Pelo que sabia, tudo que saía da boca dele ou de Voldemort era mentira. Eram meros truques para enganá-lo e usá-lo como uma arma nessa guerra. Harry agarrou a varinha com mais força e sentiu a fúria familiar queimar dentro de si.

"Não há para onde ir agora. Se resistir, só vai dificultar as coisas para vocês mesmo." Malfoy continuou a dizer, ao dar um passo hesitante na direção dele. O rapaz deu um passo para trás, e sentiu o calor das chamas intensificar às suas costas. "Não me faça machucá-lo, Harry," disse Malfoy numa voz baixa, que perturbou o rapaz.

"Você não pode me machucar mais do que já machucou," sussurrou Harry de volta, ouvindo o som de seu próprio sangue pulsar em suas orelhas.

Malfoy parecia surpreso com a declaração. Ele pareceu pouco à vontade por um momento, antes de tornar a face inexpressiva.

"Como queira," disse ele e sinalizou para os outros homens.

Cada um deles jogou uma maldição nele. Harry ergueu o escudo que as repeliu. Mas a força de vinte e cinco maldições o atingiu, fazendo-o tropeçar e cair no chão. Seu escudo vacilou quando atingiu o chão e duas Azarações Ferreteantes abriram caminho e o atingiram, uma no peito e outra em sua mão. Ele arquejou de dor, mas ficou de pé imediatamente. Lançou outra maldição ácida, mas errou os Comensais. Tropeçou quando seu escudo foi atingido por outra explosão de maldições. Novamente, perdeu o controle e o escudo vacilou, deixando que outras maldições o atingissem. Sentiu uma dor lancinante tomar conta dele quando alguém lançou uma maldição quebra-osso, obviamente mirando a mão que segurava a varinha, mas atingindo as costelas em vez disso. Com uma mão sobre as costelas quebradas, tentou erguer o escudo ao ouvir feitiços estuporantes serem lançados em sua direção. O escudo não subiu rápido o bastante, e ele se jogou no chão. Mas não fora necessário. Uma bolha roxa cercava ele e parte do fogo. O rapaz engasgou quando ergueu os olhos e viu Ginny do outro lado do fogo, a varinha levantada, concentrando-se no escudo. Ele levantou-se depressa e conjurou o seu. Os escudos roxo e azul se misturaram, brilhando na floresta sombria.

Harry podia sentir os olhos de Malfoy sobre ele e Ginny. Outra onda de maldições colidiu com os escudos.

O loiro mandou os Comensais da Morte pararem, os olhos sobre a garota.

"Você ensinou a uma imunda..." Ele parou de falar, ódio e nojo claramente visíveis em seus olhos e em sua voz.

Harry sentiu suas entranhas queimarem de raiva e ódio. Ele ousou chamar Ginny de...? O sangue bombeava em suas veias. Olhou furioso para o homem que um dia pensou que faria tudo por ele e estendeu a mão para suas vestes, tirando um diário preto.

"Foda-se," sibilou o rapaz para o loiro, antes de voltar o olhar para o diário. Tudo que tinha que fazer era lembrar-se de Bella e de seu olhar vazio enquanto Sirius a segurava, e a fúria ardente tomou conta dele. O diário negro irrompeu em uma bola de chamas e virou pó em poucos segundos.

Parecia que tinha sido Malfoy quem perdera uma parte de sua alma ao invés de Voldemort. Seus olhos acinzentados se arregalaram com medo e choque. Ele soltou um grito de raiva enquanto lançava uma maldição em Harry.

Harry empurrou toda energia que tinha para reforçar o escudo. Queria chamar por Ginny, para mandá-la se afastar, mas não podia. E se descobrissem quem ela era? Seus escudos estavam evitando as maldições... não conseguiria sozinho. Ia rachar sob os feitiços.

Quando estava considerando mandá-la embora de qualquer forma, houve um estrondo e uma das maiores árvores em volta caiu. Os Comensais da Morte tentaram impedir, mas não foram rápidos o bastante. Fez uma ponte sobre o fogo. Do outro lado estava Ginny, ainda se concentrando no escudo. Ao seu lado estava Hermione, a varinha apontada para os Comensais. Ela lançou feitiço neles e Harry não perdeu tempo. Lançou outro feitiço de jato ácido atrás dele, para que ninguém conseguisse segui-lo pela ponte feita da árvore caída. Correu o mais rápido que podia para o outro lado. Não parou nem por um segundo. Os quatro adolescentes se juntaram a ele e correram para longe dos Comensais. Podiam sentir feitiços passar zunindo, mas continuaram correndo. Harry sabia que estavam adentrando cada vez mais na floresta e esperava que para mais próximo do limiar dos escudos. Derrubou mais árvores sobre os Comensais, mas parou após um tempo. Não conseguiam mais ouvi-los e estava agradecido. Mal conseguia respirar, apertando a mão nas costelas.

Avistaram uma grande pedra, atrás da qual se esconderam. Tinham que recuperar o fôlego. Ginny estava ao seu lado um instante depois, puxando suas mãos para si. A Azaração Ferreteante deixara um corte profundo.

"Hermione, consegue tratar?" ofegou Ginny.

A garota deu uma olhada.

"Acho que sim."

Ela murmurou um feitiço e o corte se fechou.

"Obrigada," murmurou Ginny por ele.

"Vocês todos estão bem?" sussurrou Damien, os olhos focados no irmão, que acenou com a cabeça e fez gesto para que ficasse calado.

Harry gemeu mentalmente quando ouviu a voz de Malfoy gritar instruções aos outros.

"Harry! Eu sei que está aqui, já que colocamos escudos anti-aparatação antes de vir. Não pode fugir! Facilite as coisas e venha calmamente!" As palavras de Malfoy ecoaram pela floresta e o rapaz sentiu o coração bater mais forte no peito. "Se vier calmamente, prometemos dar aos seus seguidores uma chance para escapar. Rendam-se!" A voz do loiro ecoou bem alto em volta da floresta.

Harry espiou pela pedra e viu que havia vinte e cinco deles. Achou que podia lidar com eles, se pelo menos tirasse os adolescentes dali.

"Está bem, vocês ficam aqui. Eu vou acabar com isso."

"De jeito nenhum!" sibilou Ginny, enquanto Damien dizia com determinação: "Eu vou com você!"

"De jeito nenhum."

"Seu escudo não pode te ajudar contra todos eles. Você já provou isso. A Layhoo Jisteen protege a mim e aos que estão ao meu lado. Posso ser seu escudo," disse o menino de imediato.

"Damy, se você acha que eu vou usar meu irmão mais novo como escudo humano, então é mais burro do que eu pensei!" sibilou Harry para ele. "Você vai ficar aqui!"

"Harry, não vamos deixá-lo fazer isso sozinho. Viemos aqui dispostos a ajudá-lo a lutar. Todos nós vamos com você," disse Ron, enquanto também segurava a varinha mais perto de si.

"Estaremos ao seu lado, Harry. Mesmo que seja a última coisa que façamos!" acrescentou Hermione, afastando as lágrimas de emoção.

Harry olhou para todos eles, sentindo o coração apertar dolorosamente com a lealdade dos amigos.

"Tudo que precisam fazer é levantar seus escudos e mantê-los em pé. Está bem?"

Os quatro assentiram com a cabeça. Ron e Hermione se olharam e deram as mãos em silêncio. Ginny e Damien arrastaram-se para perto deles, focando-se mais do que nunca em erguer o escudo de corpo inteiro. Harry estava no meio, próximo a Hermione e Ginny.

"Agora," disse ele, e os cinco adolescentes dispararam de trás da pedra.

Harry começou a disparar maldições nos Comensais da Morte e sentiu uma onda mágica ao seu redor quando quatro escudos de corpo inteiro foram erguidos imediatamente. As cintilantes bolhas amarelo e rosa fundiram-se à roxa e à laranja, de Ginny e Damien. A bolha que foi criada era forte o bastante para suportar o ataque dos Comensais. Já que Harry não tinha que conjurar um escudo, estava livre para lançar o maior número de feitiços e maldições que pudesse nos inimigos. Começou a dispará-los, mirando os mais próximos a eles.

Os Comensais da Morte tentaram romper o forte escudo, mas não conseguiram enfraquecê-lo. Harry conseguira matar outros dez, restando agora apenas quinze deles. Mas agora esses homens estavam loucamente furiosos. Os cinco adolescentes se abaixaram quando um jato de luz verde veio voando em sua direção. Harry percebeu que eles não mais se preocupavam sobre pôr sua vida em risco. O exército de quinze Comensais da Morte liderado por Lucius Malfoy fora terrivelmente frustrado por um grupo de adolescentes inexperientes, exceto por Harry, é claro.

Dispararam mais maldições da morte, já que sabiam que o escudo de corpo inteiro não podia proteger todos eles do Avada Kedavra. Os adolescentes desistiram do escudo e sacaram as varinhas, duelando ferozmente contra os Comensais da Morte, saltando para fora do caminho quando as maldições da morte corriam em sua direção. Harry tentou mirar suas próprias maldições da morte no maior número deles possível.

De repente, outro som distraiu os adolescentes. Gritos eram ouvidos e o inconfundível som de vestes chicoteando no ar. 'Ah, não! Eles pediram reforço!' pensou Harry, entrando em pânico com o pensamento de outros cinquenta Comensais da Morte aparecendo.

Mas não foram Comensais da Morte que surgiram por trás das árvores. Eram aurores... e seu pai os liderava.

"Damien?" gritou James, da mesma forma que alguém gritou o nome de Ron.

Harry podia ver Arthur Weasley correndo logo atrás de seu pai. Ele praguejou e lançou uma maldição em outro Comensal da Morte antes de seus olhos procurarem por Ginny, que duelava ferozmente com um Comensal. Um auror veio por trás dela, assumindo o duelo. O rapaz conseguiu ver o exato segundo no qual ela viu o pai. Seus olhos se arregalaram e ela quase derrubou a varinha. Mas o homem só tinha olhos para Ron e Hermione. Ele os afastou da luta, tal qual James afastava Damien. Harry sentiu os escudos anti-aparatação derreterem. O primeiro Comensal aparatou. Aproveitou a oportunidade e aparatou também, bem ao lado de Ginny. Um auror gritava de medo ao puxá-la para longe dele. O rapaz xingou e apontou a varinha, tentando azarar o auror, mas Ginny estava no caminho.

Tinham que sair dali. Não podia deixá-la. Suas costelas pareciam estar em chamas, e ele se esforçava para segurar a varinha com a mão latejando horrivelmente.

Tentou pensar em uma forma de chegar até ela, mas ela foi mais rápida. Bateu com o cotovelo no rosto do auror, que gritou de dor e a soltou. Harry estava ao seu lado no segundo seguinte, e agarrou sua mão, preparando-se para aparatar.

Seus olhos encontraram os do seu pai quase sem esforço em meio à multidão. Conseguiu cruzar seus olhos com os dele. James gritou para ele parar, mas Harry não perdeu um segundo. Aparatou-os dali, rezando que ninguém tivesse reconhecido Ginny.

xxx

Lorde Voldemort rompeu a ligação de Legilimência entre eles. Lucius baixou os olhos em respeito. Pela forma que seu mestre atravessou o cômodo, podia ver que estava zangado, até furioso. Outra Horcrux destruída. Outra chance de capturar Harry fracassara. Mas não havia nada que Lucius pudesse fazer, nada que pudesse dizer. Seu mestre mandou todos os outros Comensais embora. Normalmente, seria ele e Bella agora. Mas Bella...

Ao invés do discurso furioso que o loiro esperara, o bruxo perguntou:

"Quem é a garota loira?"

Lucius se perguntara sobre ela também, e ele dera uma olhada, tentando descobrir quem ela era. Estava feliz por isso agora. Não ser capaz de responder uma pergunta nunca acabava bem.

"Ela nunca chegou ao Ministério como as outras crianças. É tudo que consegui descobrir," respondeu lenta e respeitosamente, a cabeça ainda curvada. Nunca se sabe.

"É a segunda vez que eu a vejo e você não sabe quem é ela?"

Lucius franziu o cenho. Nunca a vira antes, pelo que sabia.

"Ela parecia estranhamente preocupada com…" Lorde Voldemort parou de falar. Lucius sabia por quê. Ele não dizia o nome de Harry com muita frequência nos últimos dias. "E ele parecia estranhamente protetivo quanto a ela."

Harry era protetivo com todas as crianças, pensou Lucius, mas ficou em silêncio.

"Você já perguntou ao seu filho? É mais provável que ela seja uma aluna de Hogwarts e que tenham se conhecido lá."

Uma frase não dita sobre a garota Weasley pairou no ar, mas nenhum deles a verbalizou.

"Não, Milorde, isso não é possível."

Lucius fechou os olhos e cerrou os dentes. Não esperara aquela conversa tão cedo.

"E por que isso, Lucius?"

"Narcissa e Draco deixaram o país."

Lorde Voldemort estava ao seu lado num segundo, erguendo-se sobre ele. Um aceno de sua mão, e Lucius estava de joelhos.

"Está me dizendo que eles fugiram? Está me dizendo que os enviou à segurança?" Ele quase sibilou as palavras. "Um Malfoy sem sua família?" Ele fez uma pausa. "Você não crê na vitória, Lucius?"

O Cruciatus o atingiu bem no peito. Lucius engasgou, mas reprimiu todo o resto. O bruxo suspendeu a maldição.

"Isso não é..." começou o Comensal.

"Não minta para mim, Lucius. Eu sou seu Senhor, seu Mestre."

"É claro que eu não mentiria, Milorde. Eu jamais ousaria. Minha lealdade é sua. Eternamente."

Seu Lorde sustentou o olhar antes de assentir com a cabeça.

"Narcissa me deixou." Ainda doía falar em voz alta. "Ela quer um divórcio. E levou Draco consigo." Rapidamente, ele acrescentou: "Eu vou trazê-la de volta. Se não obtiver sucesso, ela terá o divórcio... e Draco; ele será deserdado. E ele não vai deixar que isso aconteça. Ele voltará. Ele sabe como o nome Malfoy é importante."

N/T: Gente, só agora me dei conta do quanto demorei! Me perdoem, pois em TL eu bati o recorde da demora, acho que com as 4 traduções ao mesmo tempo, não consigo administrar meu tempo, que já é muito escasso, para dividir entre todas. Resolvi que vou priorizar a primeira parte da trilogia, mas TL virá em seguida, por já está terminada. Enfim, espero que não estejam zangados (rsrs) e deixem comentários! Beijos!

Srta. Wheezy: Olá! Obrigada por sempre estar presente nas reviews! Rsrs Espero que goste desse de agora também, que veio com muita ação! Pobre Ginny, né? Mas as coisas vão piorar para a coitada hahaha :P Bjs!

Liliam Ginevra: Que bom! O Harry tem mil dramas em sua vida, e o terrível destino de Bella piorou tudo, coitado. Desculpa te fazer esperar tanto, mas esse capítulo é muito bom, com muitas emoções! Rsrs Beijos e obrigada!

Mi: Oi! Eu expliquei ali acima, mas houve um certo lapso de minha parte sobre organização nas traduções, pois acabei deixando TL por último! Sorry! Depois de TDW eu darei especial atenção a ela. Já deixo explícito que até novembro tenho mil provas, mas vou tentar ajustar meu horário para caber as fics. Beijos!