Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Thirty-Four – Missing

(Desaparecido)

James olhou em volta do escritório antes de seus olhos tornarem a se fixar em Albus. Era cedo da manhã, o sol nascente iluminava os estranhos objetos mágicos brilhando e chacoalhando suavemente ao fundo. O auror esfregou os olhos sob os óculos. No momento, o diretor assistia às memórias da noite anterior. Tinha sido uma noite longa, e James não dormira nada. Ver Harry duelando com Comensais da Morte e encontrar Damien no meio disso. Não havia outra explicação a não ser a de que eles estiveram em contato. James estava mais do que zangado naquele momento. Arrastar o próprio filho e seus amigos até o Ministério para serem interrogados sobre seu outro filho... era insuportável.

Dumbledore ressurgiu da Penseira, parecendo profundamente perdido em pensamentos. Por um longo momento, nenhum deles disse nada. James estava ficando inquieto, encarando o diretor, que fechara os olhos e enrugara a testa.

Finalmente, o bruxo mais velho abriu os olhos e olhou diretamente para o outro.

"Eu entendo sua raiva."

James engoliu em seco.

"Não posso acreditar que Damien mentiu para mim dessa forma. Quando eu disse a ele exatamente…"

"Eu entendo, James. Mas ele só tentou ajudar Harry."

"Eu sei! Eu sei disso, Albus. Mas…" Ele fez um gesto exagerado com as mãos.

"Você queria que Harry tivesse te procurado," disse o diretor, atingindo o alvo de imediato.

James assentiu e se virou, olhando pela janela por um segundo, tentando se recompor.

"Mas ele não procurou," disse baixinho.

"Você falou com Damien? Conseguiu descobrir mais alguma coisa?"

James sacudiu a cabeça.

"Não…" Ele respirou fundo. "Eu estava muito irritado para fazer algo além de mandá-lo para a cama. Lily tentou, mas... ele... Damien não disse nada... não contou nada a ela."

"E é claro que não contaram a verdade aos aurores," concluiu Albus.

James bufou.

"Que eles estavam na casa de Hermione e saíram para dar uma volta? Que foram sequestrados por Comensais da Morte, que os levaram para a floresta, onde foram salvos por Harry? É claro que não. Mas Sirius vai verificar com os Granger."

"Nós vamos descobrir o que realmente aconteceu, James. Não se preocupe," disse Albus calmamente.

"Sei que vamos. Mas saber que Damy mentiu para nós dessa forma. Depois de tudo... eu não quero nem saber há quanto tempo isso está acontecendo." O auror esfregou os olhos e suspirou profundamente. "Bem, é claro que eu quero, mas... e se isso tem acontecido esse tempo todo? Como posso encarar meu filho sabendo que ele esteve mentindo para mim? Que ele se sentou à mesa comigo e com Lily, tinha visto Harry, sabia onde ele estava, e não nos contou? Ele sabe o quanto queríamos ajudar Harry, apoiá-lo, o quanto o queríamos em casa." James sacudiu a cabeça e desviou o olhar, os olhos cheios de lágrimas. Mas ele as afastou. "Mas é claro que vamos descobrir o que aconteceu."

"Sei que é difícil para você, mas é importante descobrirmos e que Damien lhe conte o que aconteceu. Se for muito para você, talvez Lily possa... ou eu possa falar com ele também. Talvez ele fale comigo," sugeriu Albus.

"Eu acho que não vou conseguir manter a calma e Lily… não sei. Mas talvez seja melhor você falar com ele. Talvez ele te escute," disse James com o coração pesado.

O diretor assentiu e eles ficaram em silêncio mais uma vez.

"Mas tem outra coisa…" começou Albus.

James ergueu os olhos, confuso.

Distraído, Dumbledore encarou a Penseira.

"Você sabe alguma coisa sobre a garota que Harry agarrou antes de aparatar?"

"Que garota?" Ele não notara uma garota. Tinha estado tão focado em Damien, Harry e os Comensais da Morte para notar outra coisa.

Albus não disse nada, mas se levantou e caminhou até seus instrumentos, tocando alguns deles com a varinha.

"Curioso, muito curioso," murmurou.

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"Precisa de mais alguma coisa?" perguntou Harry.

Ginny sacudiu a cabeça e deu-lhe um sorriso antes de voltar à leitura. Desde a batalha na floresta, ela se tornara mais ambiciosa do que nunca. Lia o tempo todo e implorava para que ele lhe mostrasse feitiços, maldições e escudos. Queria aprender o máximo que podia, o mais rápido possível. Ele sabia seus motivos e tentara falar com ela sobre o que acontecera, mas ela apenas tentava esquecer, e já que era tão teimosa quanto ele, era bastante complicado fazê-la falar sobre isso. A garota não conseguia lidar com o fato de que, por um instante, fora inútil. Que tinha entrado em pânico. Ele tentara lhe dizer que era normal depois do que tinha acontecido, mas ela não lhe deu ouvidos. A jovem queria melhorar. Não queria que aquilo jamais tornasse a acontecer. Ele conseguia entender isso, e então a ajudou. Provavelmente não era a melhor ideia não falarem sobre isso, ela não dormir muito e não pensar em mais nada... mas o rapaz não estava acostumado com esse tipo de determinação e força de vontade em ninguém além dele mesmo, e achou a situação muito excitante para falar muito sobre isso ou até mesmo impedir.

Ele pegou uma chave e um pouco de dinheiro e saiu do quarto. Enfiou as mãos nos bolsos e saiu em pleno sol do meio-dia para comprar um pouco de comida em algum lugar.

Também não estava tão fácil para ele no momento, e ensiná-la afastava sua mente das outras coisas. Destruíra todas as Horcruxes agora. Era uma sensação estranha. Tinha se vingado e sabia que Voldemort sabia disso, pois sua cicatriz doera tanto naquela noite, que tinha desmaiado. Mas agora se sentia vazio. Não sentia que tinha realmente terminado. Faltava alguma coisa. Era pior, pois não sabia o que fazer agora. Deveria deixar o país? Não havia mais nada para ele ali, a não ser Ginny. Não podia deixá-la. E levá-la de volta para casa irritaria Voldemort ainda mais. Ele a faria pagar… e se Harry não estivesse lá, quem poderia protegê-la do bruxo? Ou podia levá-la... mas e Draco? Narcissa? Não podia confiar isso a eles, podia?

Estava tão envolvo em seus pensamentos, que não ouviu os passos o seguindo. Quando virou a esquina para desaparecer em um beco escuro, sentiu algo atingi-lo na nuca. Levou as mãos à cabeça e caiu de joelhos. Sua visão embaçou e quase desmaiou. O que quer que tenha lhe atingido, quase rachara seu crânio!

Harry sentiu alguém agarrar seu braço, e estendeu a mão depressa para a varinha. Estava prestes a usá-la quando sentiu um puxão bem debaixo do umbigo. Enquanto era puxado para o turbilhão de uma Chave do Portal, ele desmaiou.

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Ginny virou outra página, os olhos correndo por ela. Alcançou o final do capítulo e seu estômago roncou. Estava ficando ainda mais faminta. Antes de passar para o próximo capítulo, lançou um rápido olhar ao relógio sobre a mesa de cabeceira. Harry estava demorando. Demorando muito. Ele se fora há mais de três horas. Ela nem percebeu que se passara tanto tempo. Pondo o livro de lado, deu uma olhada lá fora. Da janela podia ver a rua apinhada, mas não conseguia distingui-lo. Franzindo o cenho, deu uma olhada no banheiro, verificando se ele retornara sem ela notar. Ele não estava lá. A preocupação surgiu dentro dela. Depressa, agarrou o celular e discou o número dele. Ele não atendeu. Ela tentou de novo e de novo, mas nada. Sua preocupação estava se transformando em pânico. Com o coração loucamente acelerado, discou o número de Damien. De início, ele também não atendeu, mas ela tentou de novo e de novo e ele finalmente atendeu.

"Harry? É você?" perguntou o menino, parecendo sem fôlego.

"Não, é Ginny." Ela fez uma pausa, tentando se acalmar. "Você teve alguma notícia dele?"

Por um segundo, só houve silêncio do outro lado.

"Ah, Merlin, eu..." Suspiros rápidos, alguns sussurros silenciosos. "Por que está perguntando?"

"Ele não voltou e eu…"

"Ah, Merlin," interrompeu Damien.

Ela conseguiu ouvir Ron sussurrar:

"É verdade, então?"

Sua mente começou a acelerar. Aquilo não parecia bom. De forma alguma.

"O que houve? O que é verdade? Damien! Damien, me responde!"

Mas não foi Damien quem respondeu, foi Ron.

"Ginny, por favor, você precisa manter a calma agora."

"Ron? O que está acontecendo? Onde está Harry? O que você sabe?"

"Talvez fosse melhor você se sentar ou algo assim…" disse o ruivo depressa.

"Ron, o que está havendo?" Ela gritou no telefone.

"Ginny… eles… acho que… há notícias..." Ron respirou fundo novamente. "Eles capturaram Harry."

E por um instante só houve silêncio e ela não conseguia entender. Eles tinham capturado Harry? Os sentimentos vieram todos de uma só vez. Choque. Descrença. Preocupação. Pânico.

"Quê?" perguntou baixinho.

"Eles capturaram Harry, Ginny," respondeu Ron calmamente.

"Quê? Não, isso não é possível. Não podem... quero dizer... quem?"

"O Ministério. Eles… aurores… eles o pegaram. A gente não acreditou, mas... se você diz que ele está desaparecido e... eles não podem realmente mentir sobre algo assim, não é?"

Ginny tentou dizer alguma coisa, mas nada saiu de sua boca. Não podia ser verdade.

"Onde você está?"

"Em casa, n'A Toca. Fred e George chegaram com a notícia agora e..."

E, por um segundo, tudo estava claro como cristal. Ela sabia o que tinha que fazer. Se ele realmente foi capturado...

"Estou indo."

"Quê? Ginny, você não pode…"

Mas ela não ouviu. A garota desligou e tornou a discar o número de Harry. De novo e de novo. Ele não atendeu. Mas não havia tempo para imaginar todas as coisas que poderiam acontecer agora, o que estavam fazendo com ele. Como tinham conseguido capturá-lo? Ron tentou ligar para ela de novo, mas a garota não atendeu. Sabia o que tinha que fazer. Tinham conversado sobre isso. Se alguma coisa acontecesse, ela tinha que voltar para casa. Esse era o plano. Mas, e depois? Pensaria nisso mais tarde.

O mais rápido que pôde, juntou as coisas deles e jogou-as dentro das sacolas. Procurou os galeões e uma capa para vestir. Pegaria o Nôitibus Andante. Esperava que não a conhecessem. Mas e o cabelo loiro? O fato de que deveria estar morta? Não a reconheceriam. Não podiam. E mesmo se reconhecessem… Harry tinha sido capturado.

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"A próxima parada é Ottery St. Catchpole," disse Stan Shunpike, inclinando-se para ela.

"Obrigada," murmurou e apertou mais a capa em torno de si, certificando-se de que as duas sacolas encolhidas ainda estavam seguras em seus bolsos.

O Nôitibus parou subitamente, metade dos passageiros caindo para frente. Depressa, Ginny se levantou e caminhou para a porta, que se abriu para ela. Saiu depressa do ônibus. A porta se fechou atrás dela imediatamente, e lá se foram eles de novo.

Ela olhou em volta. Tinham parado bem no limite do pequeno vilarejo. Reunindo coragem e respirando fundo, partiu na direção d'A Toca. Só quando estava se aproximando dela foi que percebeu o que aquilo significava. Ia ver sua família de novo. Algo com o que sonhara por tanto tempo finalmente se concretizaria. Mas não parecia certo. Jamais pensara sobre o que tinha que acontecer para que os visse novamente...

Quem estaria em casa? Sua mãe e seu pai? Os gêmeos? Charlie? Bill? Percy? Ron estava lá, é claro, assim como Hermione e Damien… mas será que ainda estavam lá? Estavam todos lá? Ou estavam no Ministério, tentando dar uma olhada em Harry? No cara que a assassinara? A jovem engoliu em seco. Será que acreditariam nela? Ficariam em choque? Em pânico? Será que ao menos conseguiriam reagir? E o que ela faria, então? Como conseguiria dizer a eles que precisava ajudar Harry? Será que daria tudo certo? Será que algum dia a perdoariam? Será que a perdoariam de imediato? Será que seria muito diferente? Não fazia muito tempo que vira a casa pelo lado de fora e parecera normal... tinha a sensação de lar e ela desejara dar uma olhada durante o casamento, mas o ataque acontecera e... será que o quarto dela ainda estava lá? Nunca pensara em perguntar a Ron. Mas ele teria contado, não é? Porém seu irmão mal falava sobre a família. É claro que a mantinha informada, mas era sempre apenas o mínimo. Ele suportava falar deles, e tentava encobrir o quanto estavam mal, mas ela os vira no casamento... será que aquilo desaparecia agora? Apenas ao vê-la?

Passou o campo no qual costumavam jogar quadribol. Será que ainda faziam isso? Ou não era mais seguro? Sua mãe reclamara tanto antes de Ginny... desaparecer. Era provável que ela estivesse pior agora. Será que algum dia tiraria os olhos dela novamente? Algum deles tiraria? Ginny engoliu em seco e tentou bloquear aqueles pensamentos, mas não estava funcionando. Todas as coisas nas quais nunca tinha sequer pensado vieram correndo ao seu encontro. Mas havia algo mais importante do que tudo isso. Harry. Ela era a única pessoa que sabia toda a verdade. Só ela poderia salvá-lo... porque ele não iria se salvar. Ou iria? Rezava para que ele dissesse alguma coisa. Ainda não era tarde demais. Mas… será que alguém ia ouvi-lo? Apressou o passo, quase saltando o morro e passou pelos campos. E então estava no ponto no qual conseguiria ver A Toca pela primeira vez. Fechou os olhos e deu o último passo. Abriu-os, pronta para vê-la de novo, para saber que finamente voltaria para casa. Só que ela não estava lá.

Deu mais passos à frente, a pulsação acelerando. Tinha que ser ali. Não podia ter esquecido de como chegar. Virou-se, certificando-se de que estava certa. Lembrava-se das árvores, do pequeno caminho... se o seguisse, chegaria ao pequeno lago no qual aprendera a nadar. Mas o caminho... devia ter flores e algumas árvores isoladas, que escalara quando criancinha. E tinha que ter o quintal deles, onde as galinhas corriam ao redor, e praticamente conseguia ver a porta, a janela da cozinha e sua mãe olhando para vigiá-los. Mas não. A casa desaparecera. Sumira. Ela se abraçou, sentindo lágrimas em seus olhos. A Toca desapareceu. Sua casa sumiu. Sua casa se fora.

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Stan Shunpike olhava com curiosidade para ela de vez em quando. Provavelmente não era frequente alguém chamar o Nôitibus logo depois de sair dele. Ginny olhava pela janela, para a paisagem que sempre mudava, tentando não desabar. A Toca se fora... não conseguia realmente explicar aquilo, e o choque em não a ver de novo ainda se protelava dentro dela. Mas precisava seguir em frente agora. Tinha um novo destino em mente. Um que tinha certeza que poderia alcançar. Provavelmente foi melhor, afinal.

"Próxima parada: Hogsmeade."

O ônibus tornou a saltar e parou na familiar periferia do vilarejo. Ela desembarcou e olhou em volta. Tudo parecia estar como se lembrava, embora muito mais silencioso e ela não conseguisse ver nenhum estudante ou mesmo moradores. Mas Hogwarts estava perto. Virou-se e lá estava o castelo altivamente à distância. Seu coração deu uma guinada. Pelo menos a escola estava onde esperava. Depressa, caminhou em direção à trilha que levava ao castelo. Apressou-se, pensando em Harry. Não seria tarde demais, seria?

Finalmente, alcançou o portão de entrada e o problema seguinte. Não conseguiria simplesmente entrar, não é? Naturalmente, estava trancado e brilhando estranhamente. Os escudos de proteção estavam ativos. Caminhou até ele mesmo assim. Quanto tempo levaria para alguém perceber que ela estava ali? Devia arriscar tocar no portão? Devia tocá-lo com a varinha? Ficou na ponta dos pés e tentou dar uma espiada para dentro. Tinha alguém ali? Alguém por quem pudesse chamar? Não viu ninguém, e cada segundo fazia diferença. Respirou fundo e estendeu a mão para o portão. Por um segundo, o brilho parou antes de voltar com mais intensidade ainda. Mas provavelmente ativara um alarme... e alguém viria, certo?

Estava certa. Só precisou esperar um instante antes de um auror aparecer. O homem caminhou até o portão, olhando-a de cima a baixo. Ele franzia a testa, mas parou do outro lado do portão mesmo assim.

"Boa tarde, Senhorita. Hogwarts está fechada. Por favor, volte para casa. Em caso de emergência, procure o Ministério da Magia ou o Hospital St. Mungo's para Doenças e Acidentes Mágicos, eles poderão ajudá-la," disse ele, e parecia um texto que aprendera de cor.

"Não, não posso. Preciso ver o Professor Dumbledore." Depressa, ela acrescentou: "É muito importante, por favor."

"Você não está autorizada e suponho que não tenha um encontro também?"

Ginny sacudiu a cabeça.

"Não, mas, por favor, eu preciso vê-lo."

"Não é possível. Ele nem tem tempo para visitantes, nem deseja vê-los."

"Por favor, eu imploro, sei que ele não está me esperando, mas se soubesse que estou aqui, se soubesse quem eu sou e do que se trata, ia querer me ver. Por favor, é uma emergência."

Ela tornou a implorar. Daria errado por conta de um auror estúpido não deixá-la entrar?

"E quem é você? O que você quer com ele?" perguntou, parecendo entediado. Ele girava a varinha nas mãos.

Ginny engoliu em seco.

"Não posso lhe contar, é confidencial, mas muito importante..."

O auror riu.

"Escute aqui, mocinha, temos gente aqui regularmente, inventando que precisam ver alguém. Sabe o que eles acabam se mostrando ser?"

Ginny sacudiu a cabeça.

"É claro, é claro. Você não faz ideia," disse o homem com sarcasmo. "Comensais da Morte, são todos Comensais da Morte, e eu aposto que se eu baixar os escudos e te deixar entrar, terá um enxame completo deles me rendendo. Não, não vou cair nessa. Isso não vai acontecer. Não no meu turno."

Ginny fechou os punhos, a raiva borbulhando dentro dela.

"Eu não sou um Comensal da Morte."

"Quer adivinhar o que os Comensais da Morte geralmente dizem?"

Ele sacudiu a cabeça e se virou, afastando-se do portão.

"Não! Por favor!" Ginny chamou por ele. "Diga ao Professor Dumbledore que eu tenho algo sobre o Príncipe das Trevas."

O auror parou imediatamente e se virou.

"E o que uma garotinha como você poderia saber sobre isso?"

"Ele foi capturado hoje, não foi? Eu tenho algo que o Professor Dumbledore precisa saber sobre ele! Por favor!"

"E o que seria? Uma ameaça de que se o desgraçado não for solto algo de ruim acontecerá? Adivinha só? Ele vai receber o beijo hoje! Não há nada que você possa fazer, nada que nos interesse agora. Nós o capturamos: ele será punido!" Havia um brilho maníaco em seus olhos.

"Não!" gritou Ginny. "Por favor! É importante! Você quer mesmo sentir a raiva de Dumbledore quando vier à tona que foi você quem impediu que a informação chegasse a ele?" Ela puxou o portão e tornou a disparar o alarme.

"Pare com isso!" sibilou o auror. "Ou eu vou ter que prendê-la. Uma noite numa cela e descobriremos o que você realmente quer!"

"Por favor! Um minuto! Chame o Professor Dumbledore aqui! Ele vai me deixar entrar! Por favor, não será uma perda de tempo, é uma emergência!"

O auror sacudiu a cabeça.

"Você não vai conseguir alcançá-lo através dos escudos, de qualquer forma. Por que quer vê-lo aqui?"

"Como eu disse, não sou uma Comensal da Morte, é uma informação!" A voz dela estava ficando histérica. "Por favor! Só um minuto! Por favor, só chame ele e, como você disse, nada pode acontecer com ele ou com você. É melhor prevenir do que remediar, certo?"

O auror lançou-lhe outro olhar demorado antes de se virar, agitando a varinha e murmurando um feitiço. Uma névoa prata irrompeu dela, formando um Patrono, que desapareceu ao longe.

Ginny soltou um suspiro de alívio.

"Obrigada, Senhor! Muito obrigada!"

"Dumbledore não vai querer vê-la, eu lhe digo. E eu vou te prender, então é a última chance de escapar."

"Ele vai querer me ver. E você não pode me prender. Eu não fiz nada."

"Bem…" O auror sorriu debochado. "Melhor prevenir do que remediar, certo?"

Ginny engoliu em seco. Mas Dumbledore entenderia. Ele falaria com ela. A jovem endireitou os ombros, tentando ficar mais altiva. O auror idiota não ia assustá-la. A cada minuto que passava, o sorriso do homem se alargava, até uma figura solitária finalmente aparecer à distância. A capa colorida e a longa barba prateada eram fáceis de distinguir. Dumbledore chegava cada vez mais perto, apressando-se ao longo do caminho, até finalmente alcançá-los.

Seus olhos pousaram sobre ela por um segundo, e a garota estava prestes a começar a implorar por uma conversa em particular quando o bruxo se virou para o auror.

"Agradeço por me chamar, auror Dawlish. Isso é tudo. Pode retornar à sua patrulha agora," disse o Professor Dumbledore, sorrindo para ele.

O rosto do homem mostrava um completo choque. Ele se virou e saiu correndo sem olhar para Ginny uma vez sequer.

Assim que ele ficou fora do campo de audição, ela disse depressa:

"Eu sou Ginny Weasley e sei que eu devia estar morta, sei que é difícil de acreditar, mas se tiver uma forma de provar que sou realmente eu, provarei." Ela respirou fundo, encarando Dumbledore através do portão.

Mas ele apenas sorriu e disse o que ela menos esperava que dissesse:

"Eu sei, e esperava que me procurasse."

Ginny o encarou, abrindo e fechando a boca algumas vezes.

"Você... você sabe, Senhor?"

O diretor assentiu com a cabeça. Ele sacou a varinha e tocou suavemente o portão, que abriu de imediato.

"Entre, Senhorita Weasley, estou certo de que teremos uma conversa muito interessante pela frente."

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"Posso lhe oferecer uma Gota de Limão?" perguntou o bruxo, sorrindo ligeiramente.

Ginny franziu o cenho, perguntando-se por que estava tão animado. Ele devia saber que Harry foi capturado, certo?

"Não, obrigada, Senhor." Sem esperar que ele desse início à conversa, ela iniciou: "Eu... Harry foi capturado e..."

Professor Dumbledore ergueu a mão, interrompendo-a no meio da frase.

"Eu sei, Senhorita Weasley, e eu já estive no Ministério. Na verdade, retornei pouco antes do Patrono de Dawlish irromper em meu escritório. Consegui convencer o ministro a conceder um julgamento a Harry. Ele não receberá o beijo hoje."

Ginny recostou-se na cadeira, uma tonelada de preocupações a abandonando. Ainda havia uma chance. Ele ainda não perdera a alma.

"O senhor o viu? Ele está bem?"

O diretor balançou a cabeça.

"Eu ainda não o vi, mas imagino que sim. Vou enviar alguém até ele em breve, não precisa se preocupar."

Ginny sorriu, cansada, para o bruxo. Se ele estava no comando, se conseguira convencer o ministro... não podia ser tão ruim assim. Mas ainda havia algo queimando dentro dela.

"Como sabia que eu estava... viva, Senhor?"

Ele sorriu.

"Na verdade, eu vi uma das memórias de James. Era uma da floresta. Harry aparatou vocês dois de lá. Ninguém pareceu prestar atenção em você, mas não pude deixar de notá-la. E você tinha uma forte semelhança com..." Ele fez uma pausa, o sorriso crescendo. "Com você mesma. Então, eu chequei alguns fatos... e então você apareceu. Mas estou mais curioso com o que lhe aconteceu."

Ginny respirou fundo, imaginando o que devia contar, por onde devia começar. Decidiu que o momento no qual foi capturada provavelmente era o melhor. Respirou novamente, tentando se concentrar nos fatos importantes antes de se lançar na história.

"Depois do sequestro, fui levada para o quartel-general do Lorde das Trevas. Eu... eles... podia ter sido pior. Harry meio que me ajudou lá e... eu não sabia por que estava lá, e mesmo agora eu ainda não faço muita ideia, mas... após alguns dias Harry veio até mim, e disse que eu precisava morrer... ou que tinha que parecer que eu tinha morrido. Não sei exatamente o que ele fez, ou como aconteceu, mas ele gravou minha voz com algum objeto estranho, tirou um pouco do meu sangue, alguns fios do meu cabelo e as roupas que eu estava usando quando ele... me sequestrou, e algum tempo depois ele veio e me levou embora. Para uma trouxa chamada Amy."

"Amy Jackson?"

Ginny confirmou.

"Sim, essa mesma. Eu fiquei com ela por alguns dias e me acostumei com o mundo trouxa. Mais tarde ele me disse que planejava destruir as Horcruxes de Voldemort, e eu tentei ajudá-lo a decifrá-las. Nós conseguimos."

"Sim, ele tornou a ser mortal, eu ouvi falar," disse Dumbledore. "Achei mais curioso Harry compartilhar isso com você, e vocês passarem por tudo isso juntos sem ninguém descobrir."

"Mas você descobriu, Senhor."

O Professor Dumbledore riu.

"Ah, bem, há pouco tempo, não é? Vocês estão na clandestinidade há meses."

Ginny assentiu depressa.

"A gente ficou no mundo trouxa, e quase fomos descobertos algumas vezes. Foi... pura sorte, ou talvez tenha sido o talento de Harry que nos manteve escondidos."

"Ah, estou certo de que foi um pouco dos dois, mas estou mais do que extasiado em descobrir que você realmente está viva, e isso é uma grande fonte de esperança, mas não posso mentir para você, minha querida. Não sei como Harry vai sair dessa. Deduzo que estejam muito próximos agora, pelo que já me contou."

Ginny assentiu.

"Sim, eu o amo. Amo com todo meu coração. É por isso que estou aqui, é por isso que estou prestes a compartilhar tudo com você, Senhor. Porque eu sei que Harry vai pensar em si mesmo por último. E eu preciso dele."

O Professor Dumbledore mal piscou os olhos, mas seu sorriso tornou-se triste.

"Minha querida, não sei se posso ajudá-la. Estou realmente contente por ver que se importa tanto com ele, mas..."

"Eu ainda não lhe contei tudo. Tem algo mais... talvez a coisa mais importante até agora."

Ele se sentou ereto na cadeira, ajustando os óculos no nariz.

"Por favor, continue, está me deixando mais curioso."

"É sobre Frank e Alice Longbottom."

Ginny podia ouvir o velho diretor de Hogwarts inspirando. Uma sombra escura perpassou o rosto do bruxo.

"Senhorita Weasley, todos nós sabemos o que houve naquela noite. Um trágico acontecimento para todos nós."

"Não, o senhor não sabe o que aconteceu, Professor. Eu... eu não posso provar, mas acredito com cada fibra do meu coração, porque estou aqui, respirando e viva, e..." Ela fez uma pausa. "Assim como Alice e Frank Longbottom estão."

Os retratos gritavam uns com os outros enquanto o diretor a encarava, completamente chocado. Todos os retratos se calaram quando ele tornou a falar.

"Mas houve testemunhas oculares..."

"Professor, houve testemunhas oculares da minha morte também, não houve?"

Ele assentiu.

"Por favor, Senhorita Weasley, me conte tudo que sabe sobre isso."

"Foi a primeira missão importante de Harry, ou ao menos foi o que ele pensou que fosse. Comensais da Morte torturaram o Sr. e a Sra. Longbottom do lado de dentro, ele teve que esperar do lado de fora. Quando entrou, os Comensais tiveram que sair da casa. Voldemort queria que eles vissem Harry. Tinham que reconhecê-lo. E Harry… ele queria matar a Sra. Longbottom, mas… ela estava grávida, e ele não consegue machucar uma criança inocente, mesmo que ainda esteja por nascer, e entrou em pânico quando Malfoy quis entrar, então abriu algum tipo de portal e os enviou através dele... e... em seguida colocou fogo na casa e criou uma ilusão de gritos, e... eles jamais foram encontrados lá dentro, foram, Professor?"

Dumbledore sacudiu a cabeça lentamente, a descrença estampada em seu rosto.

"E Harry… ele modificou as memórias deles. Eles não se lembram de Neville. Não lembram de seus nomes verdadeiros. Só lembram da vida como trouxas. Sequer sabem que existe magia. Agora são John e Fiona, e se lembram de Harry apenas como Alex. E têm outro garotinho. O nome dele é Nigel."

O rosto do diretor mudou de completo choque para satisfação em segundos. Ele sacudiu a cabeça repetidas vezes.

"Eu não sei onde eles estão agora, mas talvez..."

"Eu vou encontrá-los. Feitiços de memória podem ser quebrados e... Senhorita Weasley... obrigado."

Ginny sacudiu a cabeça.

"Não me agradeça. Por favor, faça o melhor que puder por Harry. Não posso suportar a ideia de alguma coisa acontecer a ele. O senhor precisa impedi-los. Eles não podem... não podem ministrar o beijo. Por favor, me prometa que vai conseguir tirá-lo de lá. Eu só quero que ele fique livre."

Professor Dumbledore olhou para ela, e a jovem tentou afastar as lágrimas que se formavam em seus olhos.

"Minha querida, é claro que farei meu melhor, e com tudo que me contou, acho que há uma grande possibilidade de que tudo dê certo. Mas preciso lhe perguntar: vai repetir tudo que me contou no tribunal?"

Ginny não pensou sequer por um segundo.

"É claro."

"Eu agradeço. Você não tem ideia do que fez," disse o diretor calmamente.

"Com o devido respeito, senhor, mas eu acho que tenho."

Ele riu baixinho.

Ginny fez uma pausa, mordendo o lábio.

"Tem mais uma coisa... minha família..."

O Professor Dumbledore assentiu.

"Claro, claro. Imagino que queira vê-los de novo? E, ah, poxa, eles ficarão felizes em vê-la viva e bem."

Ginny permitiu-se um sorriso.

"O senhor... o senhor acha?"

"É claro! E se quiser, eu os chamo imediatamente e vamos visitá-los. Acho que vão precisar de um aviso com antecedência. Se estiverem completamente despreparados para vê-la de novo... provavelmente vão entrar em choque. E isso é a última coisa que precisamos agora, não é?"

Ginny concordou.

"Na verdade, eu estive lá antes de vir…" começou ela lentamente.

"N'A Toca?" perguntou o Professor Dumbledore. "E não conseguiu vê-la, não é?"

Ela sacudiu a cabeça, soluçando.

"Não se preocupe, não se preocupe. Eles colocaram um Feitiço Fidelius na casa após o casamento. Sabe como funciona?" Ginny assentiu. "Seu irmão mais velho é o guardião do segredo, tenho certeza que vão lhe dizer a localização exata assim que puderem. Mas antes disso, vamos viajar juntos até lá pela lareira. Vai conseguir entrar sem problema. Felizmente, depois de tudo, eles ainda confiaram o bastante em mim para me dizer a localização, ou pelo menos seu irmão William confiou." A cor de seus olhos escureceu por um instante, antes de voltar ao azul brilhante.

Ela suspirou, sentindo-se aliviada. Pelo menos havia uma explicação para aquilo. Por um instante, ponderou se podia pedir outra coisa, mas finalmente decidiu ir em frente.

"Há mais uma coisa. Um último pedido."

"Sim, o que é, minha querida?"

"Eu… será que eu posso ver Harry antes do julgamento? Quero ver se ele não está machucado... e... quero contar a ele que lhe contei tudo."

O diretor olhou para ela por cima das bordas dos óculos.

"Eu me esforçarei."

Ginny lançou-lhe seu sorriso mais brilhante.

"Obrigada, senhor, por tudo."

"Se há alguém que tem de estar agradecido, sou eu."

O Professor Dumbledore se levantou e arrodeou a mesa. Ginny ficou de pé e pensou que ele estava prestes a usar a lareira, mas, em vez disso, o bruxo ficou ao seu lado e em um rápido movimento acolheu-a em seus braços e a abraçou forte.

"Não faz ideia de quão grato e contente eu estou por estar certo, e que você está de fato viva, Ginny." Murmurou em seu cabelo. A jovem não sabia o que dizer ou fazer, então apenas ficou lá até ele recuar.

O diretor virou-se para a lareira e acendeu-a com a varinha. Pegou uma mão de Pó de Flu e jogou. Ajoelhou-se e enfiou a cabeça nas chamas. Por um longo momento, ele se foi, antes de puxar a cabeça para trás. O bruxo acenou para ela.

"Estão surpresos, mas nos esperam."

"Quem…" Ginny limpou a garganta. "Quem está lá?"

"Estão todos em casa, e vão nos encontrar na sala de estar." Ele fez uma pausa. "Mas pode me fazer um pequeno favor?"

Ginny assentiu.

"Qualquer coisa, senhor."

"Por favor, coloque o capuz da sua capa, e fique escondida até que eu diga o contrário. Eu vou falar e prepará-los."

Ela concordou e puxou o capuz, respirando fundo para se acalmar enquanto o bruxo pegava outro punhado de Pó de Flu, o fogo ficando verde mais uma vez. Quando entrou na lareira com ele, só havia um pensamento em sua mente. Tornaria a ver sua família.

N/T: Sim, eu ainda estou traduzindo _ Me perdoem a ausência, porém esse início de ano além das provas eu estou casando, mil e uma coisas a fazer e pouco tempo disponível. Vou adiantar para enviar o próximo à beta nos próximos dias! Obrigada aos que acompanham e espero que ainda estejam aí rsrs Beijos!

Liliam Ginevra: Que bom! Acho que pensou que eu não ia mais voltar de novo né? Rsrs X) Não desisti e não desistirei, viu? Demoro, mas não vou abandonar. Espero que ainda se interesse em acompanhar... Beijos!

Yasmin Potter: Oi, Yasmin! Já me desculpei e justifiquei na ausência, mas, novamente, desculpa! Rsrs Beijos! ^^