Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Thirty-Six – Storms Of Fury And Guilt

(Tempestades de Fúria e Culpa)

Ginny caminhava dentro do quarto, fumando de raiva em silêncio. Não tinham deixado que fosse ver Harry. E ele estava com raiva dela. Precisava colocar um pouco de juízo na cabeça daquele garoto tolo. Mas como podia fazer isso quando não tinha permissão para se aproximar dele? Tinha que encontrar uma forma de contornar isso. E encontraria. Já saíra escondido antes, e sairia de novo.

Alguém bateu na porta, deixando claro que não era um dos gêmeos ou Ron. Eles jamais tinham batido antes, e provavelmente não começariam a bater nem agora nem nunca.

Ela abriu a porta para Percy.

"O que foi?" perguntou ela, tentando conter a raiva.

"Alguém quer te ver," disse ele, ajustando os óculos no nariz. Estavam remendados e as unhas dele estavam cortadas.

Ginny franziu o cenho, mas não disse mais nada. Ela agradeceu-lhe depressa e passou correndo por ele, descendo as escadas. Talvez fosse Hermione ou Damien tentando ver como ela estava. Talvez pudesse convencê-los a levar um bilhete para Harry. Não eram eles. Em vez disso, um aglomerado de cabelos negros rebeldes a saudou. Ele estava de costas para ela, falando baixinho com sua mãe. O alívio tomou conta dela.

"Harry!" gritou ela e estava prestes a se lançar sobre o rapaz quando ele se virou. Era o pai dele. "Ah."

Ela parou no meio do caminho, sentindo-se sem jeito, mas agradecendo a Merlin por não tê-lo alcançado e abraçado antes que se virasse.

"Olá, Sr. Potter."

Um sorriso apareceu no rosto dele antes de eclodir com força total. Seus olhos brilhavam por trás dos óculos. Podia-se ver que ele estava perfeitamente feliz.

"Olá, Ginny, é bom te ver." Ele fez uma pausa. "Na verdade, eu queria falar com você."

"Posso oferecê-lo uma xícara de chá? Ou café?" perguntou sua mãe, torcendo o avental.

"Uma xícara de chá seria ótimo, obrigado," disse o Sr. Potter.

A mãe dela pegou uma xícara.

"Por que não se sentam?" perguntou ela, apontando para a mesa.

O Sr. Potter assentiu e sentou-se. Para Ginny, era evidente que ela queria que conversassem ali, na cozinha, e não em outro lugar. Queria ouvir o que diziam. A garota lançou um olhar zangado antes de servir-se de uma xícara de café. Ela pegou outra para o Sr. Potter também, e colocou-a sobre a mesa diante dele, enquanto sentava-se à sua frente.

A jovem tomou um gole de café, antes de perguntar:

"Como está Harry?"

O Sr. Potter mexeu seu chá.

"Ele está bem, eu acho. Ainda chocado, mas muito grato pelo que aconteceu."

Ginny arqueou uma sobrancelha. Aquilo não parecia muito com ele. Sua mãe sentou-se ao lado deles, observando-a. A garota podia ver em seu rosto que ela diria alguma coisa caso ela perguntasse mais sobre o rapaz. Ginny abriu a boca, pronta para fazer exatamente aquilo, mas o Sr. Potter foi mais rápido.

"E eu também estou grato. Nós todos estamos, e é por isso que estou aqui. Eu quero agradecê-la, Ginny. Sem você, não teria sido possível. Falei com Albus muito rapidamente, e ele me disse que foi você que contou a ele sobre Frank e Alice. Portanto, foi você que possibilitou que ele o defendesse. Eu jamais poderei agradecê-la o bastante por isso. Você é a razão de meu filho estar de volta em casa. Obrigado."

Ginny tentou sorrir. Seria tão mais fácil se Harry estivesse vendo as coisas da mesma forma. Ela apertou a mandíbula. Mas ele veria. Tinha que ver.

"Harry…" Sua mãe limpou a garganta. A jovem continuou mesmo assim. "Harry disse alguma coisa a você?"

O Sr. Potter parecia confuso.

"Sobre o quê?"

"Bem, ele não parecia tão grato por eu ter contado a todos sobre o Sr. e a Sra. Longbottom, e sobre mim." Ela mordeu o lábio, antes de tomar outro gole de café.

O Sr. Potter franziu a testa.

"Não, ele não disse nada sobre isso, mas será que você não confundiu alguma coisa?"

O coração dela apertou dolorosamente. Então, não foi Harry quem quis que o pai viesse. Ele não traria nenhum pedido de desculpas. A jovem tentou sorrir.

"É, talvez sim."

Não adiantaria nada discutir sobre isso com o Sr. Potter. Não era ele que ela queria convencer, afinal.

"Eu tenho certeza que ele está tão grato quanto eu. O que você fez foi muito corajoso." O Sr. Potter sorriu para ela e tomou um gole de chá.

"Não foi nada," disse Ginny.

"Não, foi o que fez a diferença. Se houver alguma coisa... qualquer coisa que eu possa fazer por você, me avise."

Ginny engoliu em seco.

"Será que eu… talvez… será que eu posso visitar Harry algum dia?"

O Sr. Potter sorriu.

"É claro, Ginny, você sempre será bem-vinda em nossa casa. Isso não mudou. Se quiser, eu poderia levá-la agora..."

"Não," disse a mãe dela abruptamente. O Sr. Potter virou-se para ela. "Ainda há muito que colocar em dia. Ela acabou de voltar para casa, não vamos deixá-la ir tão cedo," disse ela, sorrindo para a filha. A garota lançou-lhe um olhar raivoso. Não se tratava disso, e as duas sabiam.

"Claro, claro." O Sr. Potter sorriu. "Essa é minha deixa. Tenho muito que colocar em dia também." Ele levantou-se. "Obrigado pelo chá, Molly." Em seguida, virou-se para Ginny. "Obrigado novamente, Ginny. Como eu disse, é bem-vinda para nos visitar. Só nos avisar e pode ir!" Ele sorriu para elas antes de sair.

Sua mãe observou-o ir embora pela janela e só quando ele desaparecera virou-se para ela de novo.

"Ginny!" repreendeu ela. "Pensei que estivesse claro que você não iria vê-lo de novo tão cedo! Agindo nas nossas costas, tentando ir com o Sr. Potter..." A mulher sacudiu a cabeça. Seu rosto lentamente foi ficando vermelho e ela apertou as mãos. "Se dependesse de mim, você jamais veria aquele..." ela lutou com as palavras, "garoto de novo."

"Bem, mas não depende de você, mãe. Depende de mim," disse ela com teimosia.

"Eu sou sua mãe e você é menor de idade. Seu pai e eu podemos decidir com quem você se acompanha e nós te proibimos de se acompanhar com ele."

"Por quê? Vocês estavam no julgamento, sabem o que aconteceu, sabem que ele é inocente! Ele foi liberado de todas as acusações!"

A mãe dela bufou.

"Inocente? Ele pode não ter matado você ou os Longbottom, mas há outras pessoas! Pessoas que tinham vidas e filhos, e ele as matou. Ginny, ele é um assassino, e não quero que se relacione com isso."

Ginny ficou boquiaberta.

"Mãe! Eram Comensais da Morte! Você nunca se importou com Comensais antes. E ele salvou minha vida! Inúmeras vezes. Você não o conhece como eu conheço, eu…"

"Você também não o conhece, Ginny. Ele provavelmente fez você ver o que ele queria que visse, mas..."

"Como sabe disso? Como pode julgá-lo assim sem falar com ele uma única vez?" A garota cruzou os braços. "Ele está livre, mãe! Livre! Para o Ministério da Magia, ele não é um criminoso!"

"Bem," disse sua mãe, "em minha opinião, ele é."

Ginny cerrou os dentes.

"Mas, ele não é! Ele é tudo, menos isso!"

Sua mãe sacudiu a cabeça, apertando a xícara na mão.

"Não pode mudar minha opinião quanto a isso, Ginny."

"Como pode dizer isso sem dar uma chance a ele? Isso é terrível da sua parte!" A jovem ficou de pé.

Ao ver o rosto furioso da filha, a mãe tentou acalmá-la.

"Eu poderia dar uma chance a ele, mas não agora."

"Por que não agora? Eu quero vê-lo agora," pediu ela.

"Não vai ver, agora não," disse a mãe, levantando-se também. Ela pegou as xícaras e levou-as para a pia.

"Será que não vou poder vê-lo nunca mais?" questionou.

Sua mãe se virou para encará-la.

"Não sei por que precisa vê-lo, afinal. Tudo acabou. Você está em casa, pode voltar a ser como era antes."

"Jamais voltará a ser da mesma forma. Eu… eu… mãe, eu preciso vê-lo porque…" Ela respirou fundo, sabendo que não era o momento certo, mas o momento certo para essa confissão provavelmente nunca viria. "Mãe, nós... Eu e Harry... estamos juntos."

Sua mãe deixou cair a toalha que estava segurando.

"Quê?" Ela quase guinchou.

"Ele é meu namorado, mãe. E eu quero vê-lo. E isso nunca irá mudar!"

"Não." Sua mãe sacudiu a cabeça. "Não, não pode ser. Ele te forçou a tomar alguma coisa? Talvez tenha dado uma dose de poção do amor a você..."

"Mãe, ele não fez isso! Deixe-me vê-lo! Não pode me manter aqui para sempre."

Os olhos de sua mãe se arregalaram.

"Você está de castigo."

Ginny boquiabriu-se.

"Quê? Pelo quê? Por falar o que penso? Isso não vai mudar nada! Eu vou encontrar um jeito!" Ela quase gritou na cara da mãe.

"Bom, você não vai sair da minha vista, então," disse a mãe, apanhando a toalha. "Não se preocupe, Ginny, tudo vai voltar a ser como antes. Só vai levar algum tempo, você vai ver. Vai..." Ela sacudiu a cabeça e parou de falar.

"Não vai! E não pode me trancar aqui para sempre!" Ginny virou-se e disparou pelas escadas. Sua mãe lhe chamou, mas a jovem ignorou, batendo a porta assim que entrou no quarto. Ela chutou a cama e cruzou os braços. Sentiu vontade de gritar, socar e atacar. Mas isso não mudaria nada. Quando sua mãe decidia uma coisa, não mudava de ideia. Mas Ginny também não.

xxx

Ginny ficava mais irritada a cada dia e deixou aquilo claro para cada membro de sua família. Tentara escrever uma carta para Harry, que levara horas para terminar. Simplesmente não conseguia encontrar as palavras certas, mas quando ficou um pouco satisfeita, pensara em como entregaria a ele. Tentara enviar por Errol, mas ele estava estranhamente desaparecido sempre que tentava encontrá-lo. Então, pedira Hermes a Percy, mas ele recusou, sem dizer abertamente que não podia usá-lo, mas que a coruja estava ocupada fazendo coisas importantes. Entregara a carta a Ron, ameaçando-o para que não lesse, mas para passar adiante. Ele estava disposto a ajudá-la, e tinha dado a Damien, mas o menino devolvera a Ron, dizendo que Harry não queria ler. Ela ficara ainda mais desapontada e magoada, mas não estava disposta a desistir. Tinha tentado entrar em contato com Harry pela lareira, mas nunca estava sozinha na lareira. Eles sabiam que ela não podia aparatar, então a forma mais fácil era viajar com Pó de Flu, e sabiam muito bem disso. Também nunca estava sozinha no jardim para sair de fininho, ou teria tentado pegar o Nôitibus. Sentia-se mais presa do que nunca.

Também não dormia direito, e quando finalmente conseguia dormir, tinha pesadelos. Sempre que acordava, tateava à procura de Harry, mas claro que ele não estava lá, e apenas alcançava a mesa de cabeceira. Então, passava muitas noites vagando pela casa. De início, alguém estava acordado poucos instantes depois de ela deixar o quarto e a garota suspeitava que tinham colocado um alarme em sua porta, ou algo assim. Perguntara a Hermione sobre isso, mas a amiga não conhecia nenhum feitiço assim. Parou depois de um tempo, e ela ficara feliz com o sossego e tentara fugir, mas assim que abriu a porta da frente, alguém apareceu lá embaixo. Então, tentara as janelas. Mas eles também tinham pensado nisso, então, só lhe restou vagar pela casa. Tinha bebido litros de café e chá, e escrevera infinitas cartas para Harry, mas ele não aceitou nenhuma delas, e depois de um tempo Damien e Ron se cansaram de tentar entregar. Uma vez, conseguira pegar Hermes, mas ele tinha voltado com uma carta lacrada. Estava ficando louca com como eles pareciam adivinhar cada passo que ela tentaria dar, e a garota sabia que não apenas seus pais estavam por trás disso. Eles nunca teriam pensando em tudo. Mas seus irmãos pensaram. Ron jurara não ter nada a ver com isso, e tinha tentado ajudá-la, mas os outros perceberam e nunca deixavam Ron a vigiando sozinho.

E então, deixou que eles soubessem quão zangada ela estava. Parara de ajudar a mãe, ficando mais grosseira a cada dia. Tinha insultado e gritado o pai. Seus irmãos eram espertos o bastante para fazê-la falar sobre isso. Esfregara a goles na cara deles quando tentara jogar quadribol com ela, e os gnomos no jardim foram jogados com tanta força por cima da cerca, que até Charlie se escondera dela quando marchara até ele, pronta para uma briga. Todos pisavam em ovos ao redor dela ultimamente, o que tornava tudo pior. Mas a garota esperava que vissem sua raiva, e que tentassem encontrar formas de acalmá-la, que tentassem diversas maneiras e finalmente entendessem que ela só precisava ver Harry e se acalmaria.

Quase duas semanas tinham se passado desde o julgamento, e Ginny só conseguiu ter notícias sobre Harry através de Ron e do jornal. Os Potter tinham se mudado e houvera uma festa de inauguração para qual eles foram convidados. Seus pais tinham recusado, mas Ron estivera rapidamente por lá. Agora ele não calava a boca sobre o campo de quadribol dos Potter. Mais tarde, ela descobrira que Neville e Harry tinham brigado. Podia imaginar o motivo da briga.

Em seguida, o jornal trouxe o ataque a Hogsmeade. Seu pai e seus irmãos – menos Ron – estiveram lá, ajudando no combate, mas não diziam muito sobre isso, só que não tinha sido tão grande, que não tiveram muitas baixas, e que tinham saído ilesos, mas que o próprio Voldemort estivera lá. E então Ginny tinha visto a foto com o grande túmulo para Harry. Brigara com os pais como nunca antes, tentando fazê-lo deixá-la ver Harry. Tinha tentado argumentar com muita calma, depois disso tinha gritado e quebrado pratos. Nada mudara a opinião deles, e a jovem ficou ainda mais irritada e seu humor ainda pior.

Naquele instante, ela estava sentada na cozinha, lendo um livro de Defesa. Ron, Fred e George estavam lá fora jogando quadribol. Bill e Charlie estavam em casa se preparando para algo enquanto sua mãe estava na cozinha, já preparando o jantar. Percy e seu pai estavam no trabalho. Charlie foi o primeiro a aparecer, seguido por Bill.

"Estamos indo, mãe," disse Bill, beijando o rosto da mãe depressa.

A mãe assentiu.

"Sabem quando vão voltar?"

"Antes que a senhora sirva o jantar, claro," disse Charlie, espiando as panelas.

"Onde estão indo?" perguntou Ginny, que parara de folhear as páginas do livro.

"Está calminha de novo, tempestade?" perguntou Charlie, sorrindo.

Era o novo apelido deles para ela. E Ginny não se importava muito com isso. Quando a mãe não estava olhando, ela mostrou-lhe o dedo.

"Mas já que está perguntando tão gentilmente: nós vamos treinar," explicou Bill. Ao ver seu olhar ainda confuso, ele prosseguiu: "Sirius terminou algumas reformas nas masmorras do Largo Grimmauld. É algum tipo de área de treinamento para a Ordem e nós queremos experimentar."

"Posso ir?" perguntou Ginny depressa.

Isso parecia algo que Harry inspirara. E talvez ele estivesse lá.

"Você ainda está de castigo," disse a mãe bruscamente.

Ginny ponderou depressa.

"Bem, em primeiro lugar, seria bom eu treinar de verdade, sabe, para a escola." Ela ergueu o livro. "E acho que seria bom se eu visse algo além d'A Toca. E talvez eu possa trabalhar um pouco da minha raiva?" E depressa acrescentou: "E Bill e Charlie estarão lá, claro, eles vão ficar de olho em mim." Ela bateu as pestanas inocentemente e deu seu sorriso mais feminino. "Por favor, mãe."

A mãe a estudou por um tempo.

"Se Bill e Charlie estiverem dispostos a levá-la..." disse ela, virando-se para os filhos mais velhos. Eles trocaram um olhar rápido antes de assentirem. Ginny riu. Harry ficaria orgulhoso.

"Vamos pela lareira?" perguntou ela, levantando-se e fechando o livro.

Bill assentiu e fez sinal para que se aproximasse. Ele jogou um pouco de Pó de Flu e juntos eles entraram na lareira. Bill gritou a localização e eles desapareceram no rodopiar.

Os dois desembarcaram na cozinha familiar. O Sr. Black já estava lá, ao seu lado o Sr. Lupin. Charlie chegou depressa depois deles. Após os cumprimentos, Charlie explicou a presença da irmã.

"Nós trouxemos a pequena." Ele colocou um braço em torno dos ombros dela e puxou-a para um meio abraço.

"Então..." disse Ginny, olhando de Charlie para Bill. "O que posso fazer para vocês me deixarem ir embora?"

"Nada." Charlie sorriu. "Juramos que não deixaríamos, então vai ter que ficar, desculpa."

"Ela está de castigo," explicou Bill aos outros. "E nos implorou para vir. Contamos a ela sobre a nova área de treinamento, e ela quer experimentar também."

"Se eu tiver permissão," acrescentou ela depressa.

"É claro, quanto mais, melhor." O Sr. Black sorriu para ela. "O que você fez para já estar de castigo?"

O rosto dela ficou sombrio. Bill rapidamente entrou em cena.

"Ela pragueja pior do que alguns duendes com quem trabalho."

Charlie acrescentou:

"Ela quebrou alguns pratos, quase quebrou o nariz de Fred e se envolveu numa briga comigo outro dia."

O Sr. Black riu.

"A qual você perdeu," apontou Ginny.

O Sr. Lupin sorriu.

"Perdi não. Estava indo tudo bem até você trapacear," Charlie justificou-se.

"Eu não trapaceei!" Ginny sorriu de lado. "Só porque você é uma garotinha que não consegue sequer defender um chute no estômago..."

Charlie corou.

"É, bem, eu nunca vi essa coisa de girar e chutar que você fez antes. Definitivamente trapaça!"

O Sr. Black sorriu.

"Bem, isso soa estranhamente familiar. Me pergunto com quem você aprendeu." Ele balançou as sobrancelhas.

A expressão de Charlie ficou séria.

"Ele... você..."

Ginny deu de ombros.

"Então, o traseiro de qual dos meus irmãos tenho permissão para chutar primeiro, Sr. Black?"

"Por favor, me chame de Sirius e não é exatamente assim que funciona." Ele piscou o olho. "Bem, sigam-me, então!"

Ele abriu a porta e levou-os para outro conjunto de escadas. Ginny jamais estivera lá embaixo antes, mas obviamente Sirius mudara algumas coisas. Tudo parecia novo e limpo. Havia uma pequena sala com alguns sofás, uma mesa pequena e um púlpito diante de uma grande parede de vidro. Ou talvez fossem apenas janelas grandes. Através da parede, podia-se ver outra sala maior, que parecia vazia.

"Pode não parecer muito, mas, acreditem em mim, é muito divertido!" disse Sirius, subindo no púlpito. "Aqui são botões. Pressionando-os é possível escolher uma variedade de manequins para duelar. Eles podem variar em velocidade e potência. Quem quer experimentar primeiro?"

Ginny ofereceu-se imediatamente.

"Bem, então, senhores, sentem-se." Sirius virou-se para ela. "Você precisa de sua varinha, é óbvio..."

"Mamãe e papai já te devolveram sua varinha?" perguntou Bill de repente.

Ginny sacudiu a cabeça.

"Mas não significa que eu não tenha uma." Ela sacudiu o punho e a varinha apareceu.

Charlie franziu o cenho.

"Mas essa não é a sua, e você não estava com uma da última vez que verifiquei." Ele fez sinal para o coldre.

Ginny deu de ombros.

"Ganhei de Harry."

Bill e Charlie franziram a testa. O Sr. Lupin sorriu, enquanto Sirius ergueu as sobrancelhas. Foi o último que perguntou:

"É registrada?"

Ginny balançou a cabeça, e ao ver a cara dos irmãos, acrescentou depressa:

"Só é ilegal comprá-las e vendê-las, não usá-las!"

"E da última vez que verifiquei você também não sabia disso," disse Bill secamente. "Mamãe e papai sabem sobre a varinha?

Ginny revirou os olhos.

"É claro que não, e planejo deixar como está. E se a questão alguma vez surgir e puderem fazer algo sobre isso: eu gostaria de ter minha varinha de verdade de volta, de qualquer forma."

Bill franziu o cenho.

"Sabe que vamos contar a eles…"

Ginny o interrompeu.

"Bem, se vocês realmente quiserem que eles sabiam sobre aquela vez que trouxeram uns amigos... mais precisamente umas amigas, enquanto eles estavam fora, e era para vocês estarem tomando conta de mim, e..."

"Tá, tá, entendi, não precisa ficar toda rabugenta, tempestade," rendeu-se Charlie.

Ginny sorriu.

"Posso começar, então?"

Sirius assentiu, ainda sorrindo. Ele acenou com a varinha. Uma das janelas de vidro baixou.

"Basta passar por ela. Quando estiver dentro, não pode sair até que eu permita. Mas, não se preocupe, eu tenho tudo sob controle. Se não conseguir mais, vou parar a coisa toda. Se quiser parar, só me dizer, nós conseguimos te ouvir."

Ela assentiu e entrou na outra sala. A janela reapareceu em seu antigo lugar.

"Pronta?" perguntou Sirius. Ela podia ouvi-lo muito bem. A garota assentiu e segurou a varinha com força, ficando na posição de batalha que Harry a mostrara. "3, 2, 1: vai!"

A princípio, não havia nada antes de o primeiro manequim aparecer. Sua varinha levantou-se e ele gritou um Expelliarmus. Ela esquivou-se e lançou um Estupore nele. Ele foi atingido e desapareceu. Um novo manequim apareceu, e tudo se repetiu, mas mais rápido. Com o tempo, eles foram ficando mais rápidos e os feitiços e azarações variavam e pioravam. Ela se abaixava e repelia feitiços, até erguendo o escudo que Harry uma vez lhe ensinara. Depois de um tempo, estava sem fôlego, mas não ia parar. Isso era bom para ela, e podia ouvi-los bater palmas e encorajá-la. A adrenalina bombeava em suas veias e outro manequim apareceu. Ela tentou trabalhar sua raiva e estresse, e concentrar-se no feitiço, em seus pais, e em toda a situação o máximo possível e gritou um Expelliarmus. O feitiço voou de sua varinha e atingiu o manequim bem no peito. Ele foi jogado para trás violentamente, batendo contra a parede de vidro e deslizando. E ela estava de volta ao beco escuro.

Podia sentir o cheiro de lixo daquela noite; podia ouvir o vidro quebrando e a sirene disparando. Agarrou a varinha com mais força do que agarrara naquela noite, e viu-se adiantando-se até aquele homem, aquele Comensal da Morte. Podia ver o rastro de sangue e o alcançou, ajoelhando-se. Suas mãos tentando tirar a máscara de seu rosto, mas não conseguia alcançá-lo por mais que tentasse. Sabia que o matara. Ele estava morto porque atacara Harry, e ela reagira sem saber a real situação e tudo era culpa sua. Não ouviu a varinha cair no chão, Sirius cancelar o programa, Bill e Charlie em pé ao seu lado, tentando fazê-la responder. Sentiu alguém a agarrando, mas achou que era Harry de volta naquele beco. E ela foi levada e colocada em um sofá, e de repente sua mãe estava à sua frente, segurando sua cabeça contra o peito, e Ginny piscou lentamente algumas vezes, antes de perceber onde estava. Tinham-na levado da sala de treinamento para os sofás, e ela estava chorando terrivelmente na capa da mãe, mas a luz verde brilhou em sua cabeça e ela chorou mais, soluçando agora. A garota se afastou da mãe, que tentava acalmá-la. Bill entregou-lhe um lenço, e ela assoou o nariz. Sirius e o Sr. Lupin estavam em pé na parte de trás, olhando para ela, cheios de preocupação, conversando entre si baixinho. Sua mãe estava sentada ao seu lado no sofá, perguntando o que estava acontecendo. Charlie estava à sua frente, franzindo o cenho, quando Bill sentou-se do seu outro lado.

"Ginny? O que houve?" Sua mãe tornou a perguntar.

Ela sacudiu a cabeça e assoou o nariz de novo.

"Nada, eu estou bem. Posso tentar de novo?" Ela ergueu os olhos para Sirius, mas ele balançou a cabeça.

"Pareceu um flashback, Ginny," disse o Sr. Lupin calmamente. "Houve alguma... aconteceu alguma coisa que poderia ter gerado um trauma para você? O que você viu quando apagou?"

Mas ela ficou calada, torcendo as mãos e olhando para longe.

Sua mãe tentou puxá-la para seus braços de novo, mas a filha não deixou.

"Há algo que possamos fazer, Ginny?" perguntou Molly, parecendo desesperada.

A garota olhou para ela.

"Eu quero ver Harry."

A mãe franziu o cenho e sacudiu a cabeça.

"Eu já te disse..."

"Você me perguntou o que podia fazer. EU quero ver Harry. Mãe, por favor."

Ela tentou implorar mais uma vez. Mas sua mãe sacudiu a cabeça ainda mais furiosamente, antes de virar-se para o Sr. Lupin.

"Um trauma, você diz?"

Ele assentiu.

"Não sou nenhum expert, mas parecia que algo desencadeou uma memória, e ela voltou ao passado, revivendo-a."

Sua mãe mordeu o lábio e afastou um pouco do cabelo da filha, que se recostou, saindo de seu alcance.

"O que podemos fazer..."

Ginny a interrompeu.

"Apenas me deixe vê-lo."

"Depois do que aconteceu agora? Nunca mais, Ginny. É óbvio que alguma coisa aconteceu na fuga, e aposto que ele é a razão. Não, Ginny, depois disso..." Sua mãe sacudiu a cabeça.

A garota sentiu vontade de chorar de novo.

"Ele não fez nada! Ele só me ajudou, ele, ele..."

"Harry ensinou alguns feitiços de defesa a ela," acrescentou Sirius. "O que ela fez foi realmente impressionante, e ela só tem quinze anos!"

Sua mãe suspirou e olhou para a filha.

"Ele... ele te ensinou. O que foi que ele te ensinou? O que ele fez com você, Ginny?"

"O que você acha que aconteceu, mãe?" perguntou a menina, cruzando os braços.

"Eu não quero que você aprenda Artes das Trevas! Não vai mais aprender feitiços das trevas e... e..." Ela respirou fundo. "Você não sabe como matar, sabe, Ginny? É claro que não..." Ela sacudiu a cabeça. "Você nunca mais vai vê-lo novamente, quem sabe o que ele está te mandando fazer..."

A jovem ficou de pé, jogando o lenço de lado.

"Bem, é tarde demais para isso, mãe."

Sua mãe empalideceu, assim como seus irmãos.

"O que quer dizer?"

"Eu já matei." Ela cuspiu as palavras no rosto da mãe. "Sou uma assassina agora? Sou uma homicida agora? Será que mereço apodrecer em Azkaban também? O que vai fazer? Não vai mais falar comigo? Vai me proibir de me ver? Vai me trancar para sempre agora?" Sua mãe engasgou, abrindo e fechando a boca. "E, quer saber, mãe?" perguntou ela, quase gritando com Molly. "Eu faria tudo de novo todos os dias!"

xxx

"Que surpresa boa, Sirius!" James o cumprimentou, sorrindo largamente.

Sirius tinha esperado Molly e os filhos chegarem em casa para aparatar até a Mansão Potter.

"Estou aqui para falar com Harry, na verdade," disse ele, enquanto abraçava rapidamente o amigo.

"Ele está na sala de estar com Damien. Está tudo bem?"

Sirius assentiu, caminhando até os meninos, James no seu encalço. Os garotos estavam no sofá, um de frente para o outro, conversando baixinho. Damien sorriu para ele. Sirius se aproximou e desarrumou seu cabelo antes de cumprimentar Harry.

"O que você quer conversar com Harry?" perguntou James. Lily veio da cozinha para se juntar a eles, cumprimentando-o com carinho.

Sirius a cumprimentou também, antes de virar para Harry.

"Eu quero conversar sobre Ginny."

Harry congelou e o sorriso desapareceu de seu rosto.

"O que tem ela?"

Damien franziu a testa, olhando do tio para o irmão. Sirius olhou rapidamente para os outros Potter presentes antes de decidir que podiam ouvir também. Provavelmente saberiam mais tarde, de qualquer forma.

"Ela esteve no Largo Grimmauld com os irmãos Bill e Charlie."

"Os dois mais velhos," disse Damien depressa. Harry lançou-lhe um olhar, claramente dizendo que sabia quem eram.

"Ela está de castigo e eles acharam que seria bom fazer algo diferente, então a levaram para experimentar a área de treinamento. No início ela estava indo muito bem, realmente impressionante, na verdade, até que..." Ele respirou fundo e Harry franziu a testa. "Ela mandou um Expelliarmus poderoso, um manequim foi jogado para trás, e de repente ela estava em choque." O rosto de Harry escureceu. "Ela não nos respondia e só chorava. Ela... ela pediu para te ver, na verdade."

Harry suspirou profundamente e esfregou o rosto. Damien franziu a testa. Ele não parecia ter ideia do que se tratava. Lily e James não pareciam melhor.

"Ela disse do que se tratava?" perguntou Lily em voz baixa.

"Ela ainda está no Largo Grimmauld?" perguntou Harry de repente. Sirius negou com a cabeça.

"Ela está em casa. Molly foi lá e tentou acalmá-la. Mas não acho que conseguiu. Ela ficou socando e… e…" Sirius franziu a testa, fazendo um gesto amplo. "Ela disse que tinha matado alguém." Sirius engoliu nervosamente, tentando adivinhar através do rosto de Harry o que tinha acontecido.

Harry xingou antes de se levantar. "Eu preciso vê-la."

James e Lily engasgaram.

"O que… o que foi que ela disse?" perguntou Lily em voz baixa.

"Não pode ir, Harry," disse Damien, também parecendo chocado. "Eles estão sob o Feitiço Fidelius."

"Mas vocês poderiam me levar, certo? Ou quem de vocês souber onde eles…"

Sirius o interrompeu.

"Acredite, Harry, não é uma boa ideia. Eu vi o rosto de Molly e…"

"Bem, eu não dou a mínima para a mãe dela."

Lily lhe lançou um olhar de desaprovação.

"Molly Weasley é uma mulher muito…"

"Como eu disse, não dou a mínima," Harry a interrompeu. "Eu preciso ver Ginny."

"Eles não te deixarão vê-la, Harry. Molly foi muito clara quanto a isso. Ela sabe que você a ensinou e… a verdadeira razão de eu ter vindo, o que eu queria perguntar é se é verdade. Ela realmente matou alguém? O que aconteceu?"

Harry começou a andar, balançando a cabeça.

"Eu não sei. Eu acho que não." Ele fez uma pausa. "Fomos encurralados por Comensais da Morte e eu a mandei ficar para trás e se esconder, mas ela não me ouviu. Um deles tentou vir por trás e eu o deixei acreditar que eu não tinha notado enquanto me livrava do resto, ele tentou me atacar e Ginny viu e agiu. Ela lançou um Expelliarmus poderoso naquele dia também. O homem foi jogado contra uma vitrine de loja, que quebrou e ele colidiu contra a parede. Havia sangue e Ginny tentou descobrir se ele ainda tinha pulso. O impacto foi muito grande. Mas antes que ela verificasse, eu o matei de vez. Então, não, eu não sei, mas obviamente ela acha que matou."

Sirius suspirou.

"Então ela não matou ninguém?"

Ele parecia aliviado. Lily se sentou, sacudindo a cabeça, enquanto James parecia perdido nos pensamentos. Damien olhava para o irmão.

Harry ainda andava pelo cômodo, mas parou para encarar Sirius.

"Se você quer saber se ela realmente apontou a varinha para alguém com a intenção de matar, então, não. Foi um acidente. Ela estava com raiva e só reagiu. A culpa é minha, na verdade."

"Ginny fez parecer o contrário. Ela parecia muito chateada com a mãe. E Charlie mencionou que ela tem brigado muito com os irmãos."

Damien lançou um olhar incisivo para Harry.

"E você nem sequer queria ler as cartas dela!"

Harry o encarou, mas Damien deu de ombros.

"Ela perguntou por você quando fui vê-la após seu julgamento," acrescentou James.

Harry virou-se para o pai.

"Você a encontrou?"

"Sim, eu queria agradecer pelo que ela enfrentou no julgamento por você, e por ter procurado Albus e contado o que sabia. Sabe, você não estaria aqui se não fosse por ela," explicou James.

Lily suspirou antes de um sorriso surgir lentamente em seu rosto.

"Espere um instante." Ela fez uma pausa. "Ginny é a garota que você me falou quando esteve doente por causa da transfusão mágica, não é?"

Harry enfiou as mãos nos bolsos, revirando os olhos.

"Que diferença isso faz agora?"

"Que garota?" perguntou Sirius, confuso.

"Harry me disse que a namorada cuidou dele e que eu não devia me preocupar com ele. A sua namorada é Ginny Weasley!"

"Eu não disse isso," apontou Harry.

"Então, ela não é sua namorada?" perguntou Lily, meio decepcionada.

Harry gemeu.

"Bem, ela meio que é."

"Por que vocês ainda não se viram, então?" perguntou James, confuso.

"Estamos brigados," disse Harry laconicamente.

Damien bufou.

"Está com raiva porque ela quebrou a promessa e contou a todos sobre o Sr. e a Sra. Longbottom, e você está relutando em falar com ela de qualquer maneira." Ante a sobrancelha erguida do irmão, ele acrescentou depressa: "Ron falou com Ginny e me contou."

"Harry!" guinchou Lily. "Ginny fez isso por você! Do contrário, você teria recebido o beijo do dementador."

Harry olhou carrancudo para todos eles.

"Bem, eu preferia ter recebido."

Lily engasgou. James correu para o lado dele, segurando seus ombros.

"Não se atreva a dizer algo assim, Harry!"

Harry se afastou do pai.

"Bem, eu já disse, não é?" Ele cruzou os braços. "E quando, exatamente, isso se tornou uma conversa sobre o meu relacionamento? Estávamos falando sobre Ginny."

"Parece que são assuntos interligados," apontou Sirius.

"E depois do que você acaba de revelar, ficou bastante claro que não só tem que falar com ela, mas se desculpar também. Ela não fez nada de errado e obviamente está realmente sofrendo!" acrescentou Lily. "É uma menina tão doce, não merece isso!" Ela repreendeu o filho.

Harry cerrou os dentes.

"Bem, fui eu que quis ir vê-la agora mesmo, não foi?" apontou Harry com sarcasmo.

"E, como eu disse, não parece uma boa ideia. Molly parecia culpar você por tudo, e parecia disposta a estrangulá-lo," Sirius tornou a repetir sua preocupação.

Harry levantou a sobrancelha.

"Eu posso lidar com ela, já enfrentei coisa pior."

"Mas você não vai lidar com ela," disse James com severidade. "Vou visitá-los e tentar explicar o que realmente aconteceu."

"Mas Ginny quer me ver, e não ver você," disse Harry.

"Vou tentar arranjar alguma coisa quanto a isso, mas, primeiramente, é importante que os pais dela não pensem que meu filho ensinou a filha deles a matar." Ele lançou um olhar aguçado para Harry. "Há mais alguma coisa que eu precise saber?"

Harry negou com a cabeça.

"Eu não ensinei nada disso a ela, apenas coisas básicas de defesa."

"Aquele escudo dela não parecia básico," comentou Sirius.

Harry lançou-lhe um olhar sombrio.

"Eu só ensinei feitiços leves, nada de magia negra. Eu não faria isso e ela não ia querer aprender, de qualquer maneira."

"Bem, bom, estou indo, então," disse James.

"Vou também, talvez eu possa ajudar," interferiu Sirius.

"Eu não posso ao menos ir junto?" indagou Harry, irritado.

Lily sorriu.

"Querido, eu tenho certeza que você vai vê-la novamente em breve."

"Se escrever uma carta para ela, entrego a Ron para que dê a ela. Ele está querendo vir aqui mais tarde," sugeriu Damien.

Harry gemeu, mas virou-se, subindo três degraus da escada por vez e entrando em seu quarto. Apressadamente, puxou um pergaminho, uma pena e tinta. Ainda não tinha se acostumado ao novo quarto, mas ao menos sabia onde a maioria das coisas estavam agora. Levou várias tentativas e muito tempo até que finalmente tivesse algo razoável para dizer a ela. Ele era uma porcaria nessas coisas, mas se ela realmente estava sofrendo tanto e essa era a única maneira de contato, aproveitaria a chance. Afinal, talvez pudesse esquecer que ela quebrara a promessa. Ao menos uma vez, ao menos por ela.