Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Thirty-Seven – Finding Ways

(Encontrando um jeito)

Arthur e Molly Weasley estavam deitados na cama. Já era tarde e os dois estavam acordados, sem conversar muito, mas ouvindo sua filha andar pela casa. James Potter e Sirius Black os visitaram durante o dia e tentaram explicar o que acontecera. Molly não sabia se acreditava neles, mas Arthur sabia que não mentiriam. Ele perguntara a Ginny quando ela se acalmou um pouco. A garota confirmou a história, pediu desculpas por ter gritado com a mãe e ainda implorou para ver Harry novamente.

Arthur estava perdido. Não sabia como poderiam continuar assim. Algo tinha que mudar e ele tentara de tudo; tudo que funcionara no passado, quando Ginny estava zangada. Mas sua filha estava sofrendo e ele também estava sofrendo. Não suportava vê-la assim.

"Mollywobbles," disse ele baixinho, procurando sua mão no escuro. Ela segurou a mão dele e, por um momento, eles desfrutaram do carinho antes de ouvirem Ginny subindo as escadas para o banheiro. Ele suspirou profundamente. "Nós temos que fazer alguma coisa."

Molly afastou a mão. "Eu sei," sussurrou ela no escuro.

"Talvez devêssemos organizar um encontro entre eles," sugeriu Arthur cuidadosamente. Ele não precisava explicar do que estava falando. Só pensavam naquilo agora.

"Eu não quero ele perto dela," disse sua esposa decidida.

"Eu também não, mas você conhece Ginny, ela encontrará um jeito."

"Ela não encontrou ainda e nós pensamos em tudo," retrucou Molly.

"Mas ela vai pensar em outra coisa. Você sabe disso." Molly não disse nada, mas Arthur sabia que ela pensava o mesmo. "E não é melhor estarmos de olho em tudo, em vez de ela se esgueirar por conta própria?"

"Arthur..." começou Molly, mas ele a interrompeu.

"Deixe-me falar, Molly." Ele parou por um momento, organizando os pensamentos. "Ginny vai encontrar um jeito e vai vê-lo novamente, não importa o que queremos ou pensamos disso. Posso sentir que estamos começando a perdê-la. Eu entendo sua preocupação e compartilho dela, mas sabemos que não pode ser uma poção do amor."

Arthur não se orgulhava do que haviam feito, mas Molly insistira e sua preocupação também era imensa. Então, eles secretamente contataram Severus Snape. Ele agora devia a Snape, mas valeu a pena. É claro que gostariam de ter falado com Lily, mas não era possível, não naquelas circunstâncias. Perguntara a Snape sobre poções do amor e feitiços, e Snape o ajudou. Ele explicara que havia vários tipos diferentes e como poderiam ser tratados. E, assim, Molly misturara um antídoto no café de Ginny. Mas nada mudou. Tinham tentado diversos tipos, pois cada poção tinha seu próprio antídoto. Nenhum deles funcionou. Então, perguntou sobre feitiços duradouros. Snape conhecia um, mas que perderia o efeito se não fosse lançado novamente em uma semana ou duas no máximo. E assim eles esperaram e rezaram. Toda manhã, quando Ginny descia as escadas, eles a observavam, tentando ver a diferença, se finalmente estava curada. Nada mudara: seu humor piorava a cada dia. Então, ele falou com Snape novamente, quase implorando-lhe por uma solução. Snape tinha zombado, dizendo que só restava uma opção. E Arthur ficou esperançoso, mas Snape o chocou com sua resposta. É real, então, Weasley.

Por um longo momento, eles ficaram em silêncio, ouvindo Ginny voltar para a cama. Ou pelo menos voltar ao seu quarto. Arthur rezou para que ela realmente tentasse dormir. Agora tinha ideia do que se tratavam seus pesadelos, mas isso não ajudou muito. Ele achou que ajudaria saber, mas sua garotinha ter duelado com Comensais da Morte estava além de sua compreensão. Sempre tentou mantê-la fora disso e tão longe da guerra quanto possível. Mas a guerra tê-la encontrado o deixava doente.

"Talvez você esteja certo," disse Molly por fim. "Eu só... eu quero Ginny de volta."

"Nós a recuperamos, Mollywobbles," respondeu ele instintivamente. Mas sabia o que a esposa queria dizer. Eles queriam Ginny de volta, do jeito que ela era antes de ter posto os olhos em Harry Potter. Mas isso não podia ser mudado. Tinham que encontrar uma maneira de lidar com a situação como estava agora. Viver do passado não lhes trazia nada além de mais dor.

"Eu não quero que fiquem sozinhos," disse Molly.

"Vamos conversar com Ginny. Se a deixarmos vê-lo, talvez se disponha a seguir algumas regras."

Molly bufou e Arthur sabia o motivo. Ginny tinha tendência de não seguir as regras quando não concordava com elas. Todos os seus filhos eram assim. Era o que eles queriam, afinal de contas: crianças que não seguissem cegamente regras e leis. Regras e leis poderiam ser estabelecidas por qualquer pessoa e nem todas eram boas. Mas isso veio com um preço, um preço que estavam pagando agora.

"Poderíamos convidar todos eles," sugeriu Molly. "Quero dizer, toda a família Potter. Ron gosta de estar com Damy, Lily e James são sempre muito gentis e talvez... talvez não seja tão ruim assim, certo?"

Arthur concordou. "Talvez no próximo domingo? Eu posso verificar no trabalho se James estará de plantão."

Molly endureceu. "Mas já?"

"Você sabe que tem que enfrentar, e quanto antes, melhor." Ele fez uma pausa. "E todos os garotos podem estar aqui no domingo."

Ambos sabiam, sem precisar falar, que isso significava que haveria mais olhos para vigiar Ginny.

"Você pode fazer um dos seus deliciosos bolos e nós vamos apenas convidá-los para um chá da tarde. Vamos colocar tudo do lado de fora e dizer a Ginny para ficar à vista. As chances de ela nos ouvir são maiores se mostrarmos que estamos prontos para ser receptivos," concluiu Arthur em voz baixa.

Molly ponderou por um longo momento. "Vamos tentar desse jeito. Talvez funcione e precisamos tentar por Ginny."

Arthur assentiu e juntos eles escutaram a filha sair do quarto mais uma vez.

xxx

Bill e Charlie estavam arrumando as mesas do lado de fora. Era um dia quente de verão, o sol brilhava e os pássaros cantavam. Percy colocava os pratos, enquanto os gêmeos tentavam encantar os talheres. Arthur olhou sério para eles, sacudindo a cabeça. Eles deram de ombros antes de sorrir maliciosamente, mas pararam e deixaram a cozinha. Arthur os observou por um momento, certificando-se de que realmente tinham parado. Ele verificaria tudo antes que os Potter chegassem para ter certeza absoluta. Não queria copos saltitantes e garfos modificados. Não sabia como Harry – o bruxo suspirou silenciosamente e esfregou a ponte do nariz – reagiria a isso. E não queria descobrir.

Observou a filha e a esposa conversando em voz baixa. Sabia que Molly estava estabelecendo as regras e Ginny não parecia satisfeita. Mas ela não gritou, apenas assentiu algumas vezes. Elas tinham acabado de se afastar quando Ron trovejou escada abaixo, com seu novíssimo livro de quadribol em mãos. Ele provavelmente queria mostrar a Damien. Ron empurrou a irmã um pouco ao passar e ela correu atrás dele, empurrando-o de volta. Arthur notara que eles haviam se aproximado ainda mais.

Ele acenou para Molly, que o observava atentamente. Ela tentou sorrir e se virou, tirando os cinco bolos que havia assado. Ginny a ajudara a prepará-los, cheia de vida, de risos e alegria quando lhe disseram que haviam convidado os Potter. Arthur pegou dois dos bolos e juntou-se aos filhos do lado de fora. Era mesmo um lindo dia.

Molly correu atrás dele, mas tornou a entrar, trazendo o último bolo e o chá. Bill e Charlie voltaram com o café, leite e açúcar. Molly inspecionou a mesa e ajustou os copos e pratos. Arthur sabia que ela queria que fosse perfeito. Ele checou a mesa em busca de feitiços e azarações e rezou para que não houvesse nada nos bolos. Não encontrou nada, mas sabia que isso não significava nada. Ele se virou para procurar os gêmeos, certificando-se de que não encantassem nada agora que inspecionara. Mas eles estavam conversando com Ginny, que parecia repreendê-los. Ela provavelmente também não queria que eles aprontassem. Arthur sorriu. Sabia que não tentariam nada agora. Não queriam atrair a fúria da irmã.

Arthur agarrou a mão de Molly para impedi-la de reajustar tudo novamente, pressionando-a levemente. Ele lhe deu um beijo rápido e murmurou algumas palavras de encorajamento. Administrariam tudo juntos.

Houve um estalo suave. Todos se viraram de uma só vez. James e Lily haviam chegado. James desapareceu novamente. Lily acenou e sorriu para eles, aproximando-se. Arthur notou que se vestira com muito cuidado. Ela já era normalmente muito bonita, mas escolhera um vestido tropical e seu cabelo parecia ainda mais arrumado do que o habitual. Arthur imaginou que ela também queria que tudo fosse perfeito. O bruxo estava um pouco confuso, mas aliviado por Ginny não ter se arrumado tanto. Esperava que ela estivesse tão bem vestida quanto Lily, mas estava de bermuda e camiseta.

Molly e Lily se abraçaram e trocaram algumas palavras rápidas. Em seguida, Lily entregou-lhe uma lembrancinha. Molly recebeu e elas compartilharam outro sorriso. Molly parecia tensa e um pouco forçada, mas Arthur sabia que não tinha nada a ver com Lily e tudo a ver com seu filho.

James aparatou com Damien, e Ron estava ao seu lado logo em seguida, falando depressa. James desapareceu mais uma vez. Devido ao Feitiço Fidelius, só James sabia a senha e era o único que podia levá-los. Arthur ficou muito feliz com isso. Desta forma, Harry não podia visitá-los quando bem entendesse.

Arthur manteve os olhos em Ginny. Ela mexia na bainha da camisa, dando alguns passos em direção ao ponto de aparatação, onde James aparataria com Harry. Eles apareceram e ao vê-lo, o rosto da garota se abriu em um sorriso brilhante. Ela correu e se lançou contra ele. Harry vestia roupas trouxas e o coração de Arthur saltou no peito. Esta cena parecia muito familiar e ele lutou contra o desejo de correr até lá, para evitar que ele ativasse uma chave do portal e levasse sua filhinha mais uma vez.

Mas James sorriu para eles. Os olhos de Arthur encontraram os dele e James deu um passo à frente, apertando sua mão. James virou-se para Molly, mas Arthur só tinha olhos para a filha. Ela ainda o abraçava, mas eles não se beijaram e por isso Arthur sentiu-se grato. Ela se afastou dele e falou algumas palavras rápidas. Harry respondeu alguma coisa, mas Arthur não conseguiu ouvi-los. Ginny balançou a cabeça antes de pegar a mão dele. Harry entrelaçou seus dedos e a garota sorriu para ele. Arthur não a via assim feliz há muito tempo. Ela parecia que tinha acabado de ganhar um jogo muito difícil de quadribol contra todos os seus irmãos de uma só vez... só que ainda mais feliz. Ginny puxou Harry e levou um segundo para perceber que os dois se aproximavam dele.

Eles ficaram diante de Arthur. "Pai, este é Harry," Ginny os apresentou. "Harry, esse é meu pai." Claro que eles já se conheciam... mas sob circunstâncias muito diferentes. Arthur se lembrava de duelar com ele; sabia como era sentir vontade de estrangular o garoto à sua frente com as próprias mãos. Ele respirou fundo. Sabia que a filha contava com ele e prometera tentar ficar calmo. Tinha que tentar por ela. E, então, estendeu a mão para Harry.

Por um segundo, Harry olhou para ele antes de apertá-la. "Sr. Weasley," disse ele. Arthur não sabia o que se passava na cabeça de Harry. O aperto de mão foi bastante firme e demorou mais tempo do que normalmente, mas Ginny parecia muito aliviada.

Ela puxou Harry e só então Arthur percebeu que a garota estava segurando a outra mão do garoto o tempo todo. Ginny repetiu o gesto com a mãe, mas dessa vez Arthur observou as mãos entrelaçadas. Ginny apertou sua mão quando Molly não estendeu a mão primeiro e então Harry o fez, e quando eles apertaram as mãos, Ginny apertou a dele ainda mais forte. Ela só parou quando o aperto de mão cessou. Harry lançou um olhar rápido à garota, mas não comentou nada.

Em seguida, Ginny apresentou seus irmãos e Fleur. Os meninos – com exceção dos gêmeos e Ron – foram muito formais. Arthur raramente os via assim. Ele quase podia sentir Fleur lançando em Harry uma explosão de sua magia de Veela. Ginny e Bill estreitaram os olhos, mas Harry apenas levantou uma sobrancelha e se afastou dela, dirigindo-se a Ginny, que o puxou, mas não sem antes lançar a Fleur um olhar muito sombrio. A loira não pareceu se importar, mas mostrou-se muito mais amigável com Harry do que o restante depois disso.

Fred e George brincaram com Harry, mas ele não aderiu às piadas, apenas os observou. Ginny o puxou até Ron, que foi a maior surpresa para Arthur. Ron sorriu para Harry, apertando sua mão brevemente antes de lhe mostrar o livro de quadribol que mostrara a Damien mais cedo. Harry revirou os olhos para ele, mas Ron não pareceu se importar. Ele disse algo que fez Ginny rir e um sorriso se formou no rosto de Harry. Damien respondeu alguma coisa. Harry sorriu antes de revirar os olhos novamente.

Só quando Molly chamou todos para se sentarem, Arthur notou que não era o único que observara Harry e Ginny. Molly e seus filhos, bem como Lily e James também. Eles sorriram para ele enquanto se sentavam.

Arthur podia ver a raiva no semblante de Ginny quando seus irmãos se sentaram à mesa, tornando impossível que se sentassem um ao lado do outro. O que surpreendeu Arthur foi Ron ter se afastado de Damien para que Harry se sentasse entre eles. Desta forma, Harry se sentou em frente a Ginny. Arthur achou ter visto Harry agradecer em silêncio, mas não tinha certeza.

Na hora do chá tudo ficou mais quieto, estranhamente quieto. É claro que os gêmeos continuaram fazendo piada e James se juntou a eles. Lily conversava com Molly, Bill e Charlie conversavam sobre trabalho. Ron conversava com Damien sobre quadribol enquanto admiravam Fleur, que só tinha olhos para Bill. Mas ela perguntou uma coisa ou outra a Harry. Suas respostas eram monossilábicas ou um mero aceno ou sacudir de cabeça, sem perguntar nada de volta. Arthur achou aquilo extremamente rude, mas Fleur não parecia se importar. Percy se juntou à conversa de Bill e Charlie e perguntou algumas coisas a James quando ele não estava ocupado com os gêmeos.

Mas era tudo mais formal do que o normal, parecia endurecido para Arthur e suas respostas eram curtas também. Normalmente teria conversado muito com Lily, perguntando-lhe tudo sobre os trouxas, mas aquilo não o interessava nem um pouco no momento. Em vez disso, observou a filha, que estava tão estranhamente quieta que ele sentiu uma pontada no peito. Normalmente ela era participativa, falando em voz alta, participando das gracinhas dos gêmeos, rindo das ideias de Ron sobre quadribol e brincando com Bill e Charlie enquanto ficava de olho em Fleur para fazer uma piada sobre ela sempre que possível. Mas agora estava apenas sentada ali, comendo bolo, observando Harry, que a observava. O que incomodava Arthur era o fato de que eles pareciam se comunicar silenciosamente. Ginny sorria, Harry arqueava uma sobrancelha, um gesto rápido, outro sorriso, uma risada baixinha... eles pareciam muito íntimos. Íntimos demais para o gosto de Arthur.

"Então, Ginny, a fim de jogar quadribol mais tarde?" perguntou Charlie. Ele parecia ter notado o silêncio dela também.

Ginny desviou os olhos de Harry, olhando brevemente para o irmão. "Não, obrigada." Ela tornou a olhar para Harry, que inclinou a cabeça para ela. Ela sorriu para ele.

Arthur franziu a testa. Ginny nunca se recusava a jogar. Não contra seus irmãos. Não quando um deles a chamava para jogar. Ela ainda implorava para que a deixassem jogar, mas agora era mais como uma piada. Eles gostavam muito de jogar juntos, mas raramente o faziam. Não tinham tempo... e para Ginny não aproveitar uma oportunidade, Arthur sacudiu a cabeça e lançou um olhar sombrio a Harry. O garoto mudara sua filha. Para Arthur, parecia que ela estava escapando deles ainda mais. Ele pensou que isso mudaria assim que ela o visse novamente. Que a raiva dela diminuiria e ela voltaria ao normal. Mas não era o que estava acontecendo.

xxx

O coração de Ginny se agitou e suas mãos estavam suando enquanto comia rapidamente seu último pedaço de bolo. Ela só tinha olhos para Harry. Não ficava assim nervosa perto dele há tempos. Mas fazia muito tempo que o vira e era estranho vê-lo sentado ali, à mesa deles, comendo o bolo de sua mãe. Harry também não estava se sentindo bem; ela podia ver no modo como se segurava: estava cauteloso, pronto para ser atacado, pronto para se defender. Ela franziu a testa. Mas o que esperava? A garota suspirou fundo.

Os outros terminaram de comer o bolo também, mas continuaram sentados e conversando. Foi Ron quem se levantou primeiro, Damien o seguindo. Eles queriam experimentar algumas manobras do novo livro do ruivo. Ginny fez sinal para que Harry deixasse a mesa também. Ele assentiu e ela se levantou. Isso chamou a atenção de sua mãe imediatamente. Harry levantou-se também e ela fez sinal para que a seguisse.

"Ginny..." começou sua mãe.

"Sim, eu sei," disse Ginny depressa, olhando-a com raiva. Ela foi até umas árvores que ficavam mais distante da mesa, assim só conseguiriam ouvi-los se usassem magia. A menina esperava que não o fizessem. Sua mãe lhe disse para ficar à vista. Podiam vê-los da mesa e ela não dissera que precisavam ouvir o que falavam. Harry ficou ao seu lado, e eles ficaram de costas para os outros.

"Estou feliz por você estar aqui," disse ela, repetindo o que já lhe dissera mais cedo. Ela respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas. Queria que ele soubesse que parte de sua raiva ainda persistia, que uma carta não poderia fazer isso ir embora, mesmo uma carta legal. Mas não queria que ele ficasse bravo também. Queria que soubesse que estava feliz por ele finalmente estar ali de novo, ao seu lado, ouvindo-a.

"Eu..." Harry passou a mão pelos cabelos. "Sinto muito por ter reagido daquela maneira."

É claro que Ginny sabia do que ele estava falando, mas ficou calada e apenas o observou. Queria que ele dissesse. Queria ter certeza de que ele sabia que ela não queria que isso acontecesse novamente.

"Eu estava tão furioso. Você fez uma promessa e a quebrou," disse o rapaz, observando-a também, procurando algo em seu rosto.

Ela cruzou os braços. "Eu faria tudo de novo."

Harry cerrou os dentes. "É o que eu temia." Ele fez uma pausa. "Você não só quebrou a promessa, você perdeu minha confiança."

Ginny bufou. "Você pode enfiar sua confiança onde quiser, então." Harry ergueu as sobrancelhas. Ela podia ver que por essa ele não esperava. "Eu não vou ficar parada vendo você bancar o herói e se sacrificar."

Harry cruzou os braços também. "Eu não banquei o herói."

"Bancou sim, Potter."

Seus olhos se estreitaram com o uso do sobrenome, mas Ginny o encarou de volta. Não recuaria. Não dessa vez. "Voldemort vai te caçar. Não valeu..."

Ginny se adiantou e tentou empurrá-lo. "Pare com isso. Eu não quero que receba o beijo por minha causa."

Harry não se mexeu, mas segurou suas mãos nas dele. "Ginny," disse ele franzindo o cenho, "eu não suporto a ideia de você se machucar por minha causa."

"E você acha que eu não vou ficar machucada se você for beijado por um dementador, seu babaca?"

Harry a encarou e ela encarou de volta. Por fim, ele suspirou. "Bem..."

"Você nem pensou nisso?" perguntou Ginny, chocada. Quando ele não disse nada, ela bateu em seu braço. "Idiota!" Ela bateu nele novamente. "Você quer perder a alma para impedir que eu me machuque e nem sequer pensa no fato de que você não estar mais aqui me machucaria muito mais do que qualquer outra coisa?" Lágrimas se formaram em seus olhos, mas ela furiosamente as afastou. Será que isso significava que ele não sentia o mesmo por ela?

Harry parecia confuso. Ele provavelmente não conseguia entender por que ela estava prestes a chorar. "Eu só quero você viva."

"E eu estou viva! Mas não quero viver sem você," ela confessou baixinho. "Você não pensa assim também? Você acharia melhor viver sem mim a estar morto?"

"Claro que não! Por que acha que eu queria receber o beijo? Eu teria feito isso para ter certeza de que você está segura."

"Então, por que não aceita que penso da mesma forma?"

Harry abriu e fechou a boca. Ele parecia sem palavras.

"Então, você finalmente entende por que eu contei a todo mundo e por que faria isso de novo? Eu não quero que morra só para me proteger. Realmente acha que os Longbottom teriam ficado escondidos? Eles teriam lutado de qualquer maneira, e eu também! Então, é muito melhor que você esteja vivo porque seu maldito sacrifício não teria importância! Voldemort teria descoberto mais cedo ou mais tarde de qualquer maneira!"

Harry a observou intensamente e ela pensou ter visto algo em seus olhos mudar. Será que finalmente entendeu onde errou? Ele segurou seu rosto e limpou as poucas lágrimas que tinham caído de seus olhos contra sua vontade. "Sinto muito, Ginny." Ele fez uma pausa. "Eu não..." Ele buscou as palavras certas.

"Você não tinha pensado sob esse ângulo, não é?"

Harry sacudiu a cabeça.

"Bem, estou feliz por finalmente ter te feito entender! Demorou." Ela sorriu.

Mas Harry ainda parecia pouco confortável. "Eu... eu sinto muito por não ter lido suas cartas."

O sorriso de Ginny desapareceu do rosto. "Sim, isso foi golpe baixo." Ao ver seu rosto conturbado, ela acrescentou: "Só não faça isso de novo."

"Não farei." Harry parecia aliviado. Ele acariciou seu rosto suavemente. "Senti sua falta," confessou bem baixinho. Ginny teve a impressão de que ele queria compensá-la, pois sabia que ele não iria simplesmente admitir isso. Mas seu coração batia furiosamente no peito. Desejava se aproximar dele, puxá-lo com força para si e beijá-lo. Queria passar as mãos por seus cabelos. Queria estar perto dele novamente.

"Eu também," disse ela. Ele sorriu para ela e ela sorriu de volta. O rapaz abaixou a cabeça e ela fechou os olhos, mas o beijo nunca aconteceu. Ela abriu os olhos e encontrou os dele. Ele se afastou.

Ela franziu a testa. "Eu quero te beijar," disse Ginny, sentindo-se tola.

Ele passou a mão pelo cabelo e Ginny ansiava por fazer o mesmo. "Estamos sendo vigiados," disse ele baixinho. Ela cerrou os dentes, xingando seus pais e suas regras estúpidas. Mas por que isso o impediu? Eles nunca se beijaram na frente de outra pessoa. Ele provavelmente não estava muito interessado em fazer isso, mas não se viam há semanas.

"Não pode criar uma ilusão ou algo assim?" perguntou ela, mordendo o lábio. Harry a observou intensamente e seus olhos escureceram. Vendo sua reação, ela mordeu o lábio novamente.

Por um segundo, ela pensou que ele estava prestes a beijá-la de qualquer maneira, mas ele balançou a cabeça como se quisesse clarear a mente. "Seu pai já quer me matar, não há necessidade de provocá-lo a tirar minha varinha."

"Que tal magia sem varinha?" Ela mordeu o lábio novamente antes de sorrir para ele.

"Gosto do seu jeito de pensar, Weasley." Ele sorriu. "E eu poderia fazer uma simples ilusão, mas não algo tão complexo quanto o que você tem em mente e o que é necessário aqui."

Ginny franziu a testa, sentindo-se desapontada.

"Podemos sair de fininho," sugeriu ele, olhando por cima do ombro.

"Minha mãe me mataria." Ela cruzou os braços e imitou a voz de sua mãe: "E fique sempre à vista. Eu quero estar de olho em você toda hora." Ela fez uma pausa e suspirou. "Eles acham que você vai me machucar ou algo assim. Estivemos sozinhos por meses, se você quisesse fazer isso, já teria feito."

"Eles acham que já fiz," disse Harry e diante da expressão confusa dela, ele acrescentou: "Posso ver na maneira como olham para mim." Harry suspirou. "Mas eu te disse."

Ginny estava ainda mais confusa. "O que você me disse?"

"Eu te disse que eles te perdoariam, não a mim. Eles me culpam por te levar embora."

"Você não me levou embora..."

Harry a interrompeu: "Bem, eu meio que levei."

Ginny se lembrou de como ele ativou a chave do portal. "Sim, bem, mas você não me levou para sempre."

"Eu posso não ter te matado, mas eu te levei embora e é minha culpa você ter ficado longe de casa por tanto tempo. Se dependesse só de você, já teria voltado há tempos. E eles terem descoberto sobre o incidente com o Comensal da Morte... isso também não os agradou."

"Bem, isso definitivamente não foi culpa sua, mas escolha minha," disse ela com teimosia. Não foi assim que imaginou o primeiro encontro deles. Só imaginara uma rápida conversa sobre o que aconteceu antes de se beijarem... muitos e muitos beijos para compensar o tempo que haviam perdido.

"É minha culpa. Se eu tivesse sido mais rápido..."

Ela o interrompeu. "Não, não se culpe por isso." Ela o encarou, desejando que ele visse do seu jeito. "Eu vi o que aconteceu, cheguei a uma conclusão e agi sem pensar."

Harry não disse nada a princípio, antes de abrir a boca, mas fechou de novo, obviamente mudando de ideia. Por fim, ele sorriu e disse: "Você é uma grifinória."

Ginny mostrou a língua. "Pare de usar a maior das casas como um insulto."

Harry bufou, mas não disse nada. Eles ficaram calados e Ginny apenas o observou. Ele parecia estranhamente interessado em um grupo de árvores mais adiante. Ele as localizou com os olhos antes que seu olhar vagasse mais para cima, observando o céu.

Havia algo sobre o que Ginny realmente queria falar, mas não sabia se era sensato mencionar. Não queria lembrá-lo... mas ele provavelmente pensou sobre aquilo de qualquer maneira. "Eu vi o jornal sobre você e..." Ela parou de falar.

Harry concentrou-se nela novamente. "Qual deles? Eles estão bastante interessados em mim." Ele fez uma careta.

"Aquele sobre o ataque de Hogsmeade," disse ela calmamente. "Aquele sobre o túmulo. Você quer falar sobre isso?" perguntou suavemente.

"Não," respondeu Harry depressa. "Não muda nada."

Ginny estendeu a mão para ele, tocando suavemente seu braço.

"Tudo bem," disse Harry.

"Você deve estar se sentindo muito mal com isso," disse ela com cuidado.

Harry suspirou. "Pelo menos ele está mostrando seus verdadeiros sentimentos agora."

Ginny podia ver que não era tão fácil como ele fazia parecer. Rapidamente, ela se aproximou, abraçando-o. Ele retribuiu o abraço, mas não como de costume. Estava se segurando, como fizera no abraço de boas-vindas também. A garota sentiu raiva dos pais. Por que não podiam confiar nela? Não era mais uma criança. Não precisavam vigiá-la a cada segundo. Podia cuidar de si mesma e eles não tinham nada a temer quanto a Harry.

O rapaz se afastou e ela o soltou. "Sabe," admitiu ela baixinho, "às vezes eu só queria voltar no tempo e fazer com que isso tudo não acontecesse."

Harry assentiu. "Eu entendo," disse ele num tom sério, "seria muito mais fácil para você se eu não tivesse te levado..."

"Não!" interrompeu ela. "Não foi isso que eu quis dizer. Não se atreva a pensar assim. Por mais estúpido que possa parecer: estou feliz por isso." Ela fez uma pausa. "Eu quis dizer voltar a fugir. Sinto falta de ficar a sós com você. Tudo é tão complicado agora." Ela suspirou profundamente.

Harry parecia pouco confortável. "Bem," disse ele, "você também sentia falta da sua família e agora está com eles." Ele fez uma pausa. "E nós vamos encontrar um jeito também."

Ginny sorriu para ele e ele sorriu de volta. Ele estava certo. Podia levar tempo, mas encontrariam um jeito. E, ela se lembrou, ele tinha a família de volta e ela sabia o quanto isso significava para ele. Harry virou a cabeça para cima e tornou a observar o céu. Ginny aproveitou a oportunidade e olhou para sua família.

Seu pai e Bill se aproximavam. Ela franziu a testa e estava prestes a fazer sinal para que eles se afastassem, mas o Sr. Potter se juntou a eles e ela não queria ser rude com ele.

Ao alcançá-los, o Sr. Potter apertou o ombro de Harry. "No que está prestando atenção, filho?"

"Eu estou verificando quanto tempo vai levar para Voldemort romper os escudos," respondeu Harry, olhando de relance para o pai pouco antes de virar a cabeça para o céu. Ginny franziu a testa.

Bill e Arthur também os alcançaram e, obviamente, estavam ouvindo, porque seus olhos se arregalaram e eles ofegaram.

"Não liguem para ele," disse o Sr. Potter depressa, pois notara a reação deles. "Ele fez isso na Mansão Potter também. E deviam tê-lo visto na casa de Frank e Alice." O Sr. Potter parecia prestes a tentar mudar o assunto da conversa.

Mas essa não era a intensão de Bill. "Você pode vê-los?"

Harry virou-se para ele. Ele o observou por um longo momento antes de assentir.

"O que nós colocamos, então?" perguntou Bill, parecendo interessado.

Harry franziu a testa. "Você não sabe?"

"Eu sei, mas quero ver se você consegue decifrá-los," disse Bill em voz baixa, observando-o intensamente. Ginny fora informada de que muitos deles tinham sido trabalho de Bill com alguns de seus amigos. Eles colocaram os melhores escudos possíveis.

Os olhos de Harry brilharam. Ginny podia ver que ele não gostava de ser testado assim. "O Fidelius é o mais visível," começou ele. "Quem é o guardião secreto?"

Bill ofegou. Era óbvio para Ginny que ele não queria contar. A garota franziu a testa. Sabia que eles não confiavam em Harry, mas ela confiava e sabia que também podiam confiar. Ela estava prestes a responder, mas seus olhos dispararam à volta antes de se concentrarem em Bill novamente. "Suponho que seja você?"

Bill não disse nada, mas Harry assentiu. Seu pai estava prestes a dizer alguma coisa, mas o Sr. Potter o observava atentamente. Ele parecia pronto para defender Harry, se necessário. Ginny cruzou os braços, olhando para Bill e para o pai, exigindo que ficassem quietos.

"Foi Greyback?" perguntou Harry baixinho. Ginny sabia que Harry se referia às cicatrizes no rosto de seu irmão. Bill cruzou os braços, franzindo a testa, o que fez seu rosto parecer ainda pior. Finalmente, ele assentiu. "Dumbledore," Harry quase cuspiu o nome, "aconselhou-o a ser o guardião?" perguntou, voltando-se para Arthur. O pai dela franziu a testa.

Foi o Sr. Potter quem perguntou: "Por que você acha isso?"

"Não é muito sábio," disse Harry cuidadosamente, "fazer de alguém que vive no local escondido o guardião do segredo. Não é impossível, mas coloca uma grande pressão sobre o guardião."

"Você teria que ser extremamente paranoico e poderoso para fazer isso." Harry sorriu sem graça. "Bill se mudou e ele provou ser corajoso. E eu acho que eles confiam nele completamente." Harry fez uma pausa. "E Greyback imploraria para terminar o trabalho, se eles estivessem interessados em atacar A Toca. Greyback odeia fogo," disse Harry como se isso explicasse tudo.

Quando ficou claro que Harry não prosseguiria e os outros não perguntariam nada, Ginny falou: "O que isso tem a ver?"

Harry se virou para ela. "Ele é casado com Fleur, não é?" Ginny assentiu, confusa. "Ela pode se transformar?" perguntou ele, voltando-se para Bill.

Bill franziu a testa. "Não, até onde eu sei, não."

"Ela pode se algo muito drástico acontecer, mas não importa. Veelas sempre têm uma afinidade com o fogo. É mais fácil para elas convocarem e controlarem. E, como eu disse, Greyback odeia fogo. A maioria dos lobisomens odeia, na verdade; é o lado animal deles que não consegue compreender o conceito."

"Como sabe tudo isso?" perguntou Ginny, impressionada. Ela sempre ficava quando ele mostrava o quanto sabia.

"Eu os estudei há um tempo atrás. É sempre melhor conhecer o que você pode enfrentar," disse Harry, parecendo perdido em pensamentos.

"O.k., então conjure fogo se for atacado por lobisomens. Anotado, Professor Potter." Ginny sorriu.

Harry fez uma careta. O Sr. Potter sorriu para eles. Seu pai e Bill franziram o cenho.

"Mas," contestou Bill, "se for o caso, por que mandariam Greyback contra nós? Certamente sua fraqueza por fogo não é um segredo."

"Bem, Greyback nunca enxergaria dessa maneira. Ele acha que controla seu lado lobo quando na verdade é o contrário."

"Você o conheceu?" perguntou o Sr. Potter e Ginny podia entender o porquê. Na verdade, pelo jeito que falava era o que parecia. A garota se lembrou do ataque a Luna. Greyback estava lá, então é claro que eles se conheciam. Era um pensamento aterrorizante: Harry conhecer o monstro que fez isso com Bill. Mas Harry conhecia todos eles, não é? Ginny engoliu em seco e mordeu o lábio. Ela sempre esquecia disso depressa quando estava perto dele.

"Sim." Harry fez uma careta.

"Foi ele que mordeu Remus," disse o Sr. Potter, muito sério.

Harry assentiu, observando seu pai. "Eu sei."

"Mas que importância tem o que Greyback pensa? Por que você-sabe-quem o mandaria?" perguntou Bill novamente, ainda franzindo a testa. Ginny franziu a testa também. Era estranho ouvir seu irmão chamá-lo assim. Para Ginny era Voldemort, e ela o chamava assim. Ver o irmão mais velho não fazê-lo era muito estranho.

"Que importância tem um lobisomem para ele? Greyback logo não terá muita utilidade. É difícil controlá-lo." Harry sacudiu a cabeça.

Seu pai parecia muito desconfortável, assim como Bill, mas ele assentiu, compreendendo.

"Então," disse o Sr. Potter, obviamente também vendo a aflição deles, "que outros escudos eles têm?"

Harry se afastou deles, olhando para o lugar onde Ginny sabia que as proteções terminavam. "O outro mais proeminente é um escudo comum de duendes usado para proteção..."

"Quê?" perguntou Bill, confuso. "Não, não há um desses." Ele parecia quase feliz por Harry ter errado. Ginny estreitou os olhos.

Harry se virou depressa. "Tem certeza?"

"Sim," respondeu o pai dela. "Não há escudos de duendes em volta desta casa." Ele parecia realmente envergonhado e, com um sobressalto, Ginny percebeu que eles provavelmente não poderiam pagar por eles.

"Nem mesmo um antigo? Deixado em outra...?"

"Não," interrompeu Bill. Seu pai balançou a cabeça também, concordando com o filho.

"Bem, merda," disse Harry. Os olhos de seu pai se arregalaram. Ginny sabia que ele não gostava de palavrões. "Aqueles bastardos." Harry fez uma careta, parecendo ter mordido um limão azedo. "Deviam chamar Dumbledore."

"Eu... o quê? Por quê?" perguntou Bill, confuso. Ginny também estava confusa.

"Os Comensais da Morte provavelmente colocaram um escudo em volta da casa."

Seu pai respirou fundo, parecendo absolutamente chocado. O Sr. Potter franziu a testa, mas foi Bill quem falou: "Bem, escute, talvez você esteja enganado!"

Harry se virou para ele, levantando uma sobrancelha. "Quer arriscar?"

Isso o calou e ele balançou a cabeça. O Sr. Potter conjurou um Patrono rápido e o enviou. Não demorou muito tempo para Dumbledore chegar. E quando chegou, todos se reuniram à sua volta, conversando em voz baixa, parecendo realmente perplexos e chocados.

"Boa tarde," cumprimentou-os Dumbledore suavemente, aproximando-se deles. "James disse que Harry acha que alguém mexeu nos escudos?"

O Sr. Potter assentiu e Dumbledore se virou para Harry antes que seus olhos traçassem as proteções também. "De qual você suspeita?"

"O escudo dos duendes," disse Harry azedamente. "Eles disseram que não o colocaram."

O bruxo ajeitou os óculos e olhou com atenção. "Parece normal."

"Sim, essa é a ideia. Eu sei que eles já tentaram mexer nos escudos, mas nunca em outras casas. Lucius tem alguns em torno da Mansão Malfoy," disse Harry, parecendo pouco satisfeito em compartilhar essa informação.

"Ah, ele tem?" indagou Dumbledore. "O que ele esconde com eles?"

"Barreiras de sangue, escondendo magia negra."

"Altamente ilegal na Grã-Bretanha," acrescentou o Sr. Potter, franzindo a testa. "Você tem ideia de como provar isso?"

Harry revirou os olhos. "Não tem como, essa é a questão. Eles parecem escudos normais, mas na realidade estão escondendo algo muito mais perigoso."

Bill franziu a testa. "Eu nunca ouvi falar disso."

"Bem, quem se importa?" disse Charlie com raiva. "Tem como destruí-los?"

"Receio que não." Dumbledore franziu a testa. "Suponho que estão ancorados com algo difícil de encontrar?"

Harry bufou. "Lucius ancorou o dele com sangue Malfoy."

"Podem ser alterados, então?" perguntou Bill. "Ou você tem alguma ideia de quem os lançou? E com o que estão ancorados? O que poderiam esconder?"

"Eles provavelmente estão ancorados com sangue também, então não há como mudar nada sem isso." Harry fez uma pausa. "Lucius provavelmente os conjurou, ele tem experiência com isso, afinal."

"Então, precisamos de um pouco de sangue Malfoy?" perguntou Bill.

"Possivelmente, mas depende do que o escudo realmente é." Harry franziu a testa. "E poderia ser qualquer coisa."

Dumbledore assentiu gravemente. "Deveriam considerar se mudar."

Sua mãe balançou a cabeça furiosamente. "Não vamos sair de casa!"

Harry bufou. "Você tem alguma ideia do que..."

Mas a mãe dele lhe lançou um olhar sombrio e Dumbledore o interrompeu. "Imaginei que diria isso, Molly. Então, vou reforçar os outros escudos da melhor forma possível. Talvez," ele se virou para Harry, "o senhor tenha algumas sugestões também?" Dumbledore sorriu para ele. Harry olhou de volta.

O diretor pegou a varinha e silenciosamente murmurou algumas frases longas. Os escudos ao redor da casa ficaram visíveis por um segundo, brilhando ao sol, antes de desaparecerem. Harry os observou por um segundo antes de se afastar do bruxo. Ele pareceu refletir, seus olhos pousando em Ginny. Ela sorriu para ele e quando Dumbledore abaixou a varinha, Harry falou: "Eu vou conjurar um também."

O Professor virou-se para ele. "O que você tem em mente, meu garoto?"

Harry o fuzilou com os olhos. "O que eu te disse sobre me chamar... "

"Bem, vamos ver então!" interrompeu o Sr. Potter, lançando ao filho um olhar de advertência. Harry cerrou os dentes. Os olhos de Ginny se voltaram para seus pais, que trocavam olhares desesperados. Para ela, ficou claro que não queriam que Harry fizesse nada com suas proteções.

"O que isso faz? Como funciona?" perguntou Damien animado, olhando para o irmão com os olhos cheios de admiração.

"É um escudo de proteção," explicou Harry.

Bill franziu a testa. "Já temos proteções. Por que você quer adicionar outra?"

"Eu vou ancorar com meu sangue." Harry cruzou os braços. "Porque, acredite, se eles atacarem com força total os escudos já existentes, eles não aguentarão e nós sequer sabemos o que o escudo dos Comensais da Morte faz."

Dumbledore assentiu. "Vá em frente, então."

Ginny notou que seus pais pareciam mais calmos, agora que Dumbledore sabia o que Harry estava prestes a fazer e concordava com isso. Harry sacou a varinha. Seus pais e irmãos, exceto Ron, ficaram tensos, mas o rapaz não parecia se importar. A ponta de sua varinha ficou afiada e ele cortou sua mão com ela. Ele caminhou até o limiar dos escudos e derramou um pouco de seu sangue no chão antes de murmurar alguma coisa. Demorou um pouco até o escudo brilhar em um vermelho vivo antes de desaparecer de novo. Harry curou a mão e retornou até eles.

Ele parecia cansado, mas tinha um ar de diversão.

"O que você fez?" perguntou a mãe dele. "Você se parece com James quando faz uma brincadeira," ela parecia altamente desconfiada.

"Acredito que acabei de disparar dezenas de alarmes no escritório de Voldemort, e acredite quando digo que eles não são apenas absolutamente irritantes, mas também difíceis de parar." Harry sorriu e revirou os olhos.

Ron e Damien riram e o Sr. Potter se juntou a eles. Ginny sorriu também e observou algo no comportamento dos gêmeos mudar. Eles pareciam mais calmos ao observarem Harry, e sorriram também. Ginny sabia que brincadeiras sempre lhes agradava.

"Bem, agora que está tudo esclarecido, eu realmente preciso voltar a Hogwarts," disse Dumbledore. Ele despediu-se de todos e dirigiu-se ao ponto de aparatação, de onde desapareceu.

"Esta é nossa deixa também. Está ficando tarde," disse Lily, sorrindo. "Muito obrigada pelo convite. Foi uma tarde adorável."

O coração de Ginny saltou. Ela se virou para Harry, que a observava.

Damien e Ron não pareciam satisfeitos também. "Mas nem tentamos todas as manobras de quadribol ainda," disse Damien e Ron assentiu.

O Sr. Potter riu. "Se dependesse disso, você ficaria aqui até semana que vem." Ele se virou para o pai dela. "Obrigado pelo convite."

Todos se despediram e Ginny rapidamente se aproximou de Harry, abraçando-o. Quando o veria novamente? Seus pais não falaram nada sobre outro encontro. Permitiriam que o encontrasse novamente, não é? Ele os ajudou com os escudos, podiam ver que ele não era tão mau agora, certo? E se não vissem? O que aconteceria, então? Não tivera muito tempo com ele. Mal falaram sobre tudo que tinha acontecido. Harry tentou se afastar, mas ela o impediu.

"Não... não vá." Ela agarrou a camisa dele com uma mão, puxando-o para mais perto com a outra, que estava em suas costas. Ginny enterrou o rosto ainda mais em seu peito, escondendo-se de todos ao seu redor. Contra sua vontade, lágrimas se formavam em seus olhos. Ela tentou afastá-las. Harry dissera que encontrariam um jeito. Mas não queria esperar semanas para ter notícias. Algumas lágrimas caíram de seus olhos, molhando sua camisa. Ela sentiu e ouviu-o suspirar.

"Por favor, não chore," sussurrou ele contra seu cabelo.

"Eu não estou chorando," murmurou ela de volta, sem sair da posição em que estava. Ele passou os braços em volta dela novamente, abraçando-a mais uma vez.

"O que está fazendo, então? Babando?"

Ginny bufou, mas não pôde deixar de sorrir. "Em seus sonhos, Potter."

Ele se afastou e Ginny piscou contra a luz repentina e brilhante. Ela mordeu o lábio e ele a observou. "Você vai me escrever?" perguntou ela baixinho.

Ele assentiu. "Claro." Ele olhou à volta e Ginny seguiu seu olhar. Todos estavam conversando, mas para Ginny parecia que tentavam dar a eles alguma privacidade. Os olhos de Harry encontraram os dela novamente. "Você vai me ver de novo, o.k.?"

Ginny tornou a morder o lábio. "Tem certeza disso?" indagou ela baixinho, e piscou furiosamente contra as novas lágrimas que se formavam. "Meus pais ainda parecem bastante decididos a te manter longe," sussurrou ela e outro olhar rápido lhe disse que, de fato, sua mãe os observava de perto.

Ele limpou suas lágrimas antes de tornar a olhar em volta rapidamente. Ela o observou até que seus olhos se voltaram para ela de novo. Ele se inclinou e seus rostos se aproximaram. Ele estava mesmo prestes a beijá-la? Ela sorriu para ele. Sua mãe tossiu. Ginny suspirou, desapontada, acreditando que aquela tinha sido a chance de um beijo, mas Harry ignorou sua mãe, pressionando os lábios contra os dela. Foi um beijo muito rápido e doce, mas deixou os lábios dela formigando.

"Não se preocupe," sussurrou ele em seu ouvido. "Eu me incluí nos escudos." Ele se afastou, piscando para ela. Ela sorriu para ele. Ele tinha razão. Eles definitivamente encontrariam um jeito agora.