Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.
Chapter Thirty-Eight – Temper, Temper!
(Calma, Calma!)
Ginny esfregou os olhos, mas as linhas ainda estavam borradas à sua frente. Suspirando, ela largou o livro de defesa avançada, olhando à volta de seu quarto. Estava ficando tarde, o sol já se pusera, mas sabia que estava muito inquieta para sequer pensar em ir para a cama dormir. Tinha se tornado sua rotina: ler o máximo que pudesse, fazendo apenas pequenos intervalos. Muito tempo livre levava a muitos pensamentos. Ela estava melhor agora que tinha visto Harry, mas não iria tão longe a ponto de dizer que estava bem. Passara a maior parte da noite anterior à espera de que Harry aparecesse na janela para passar a noite com ela, mas ele não apareceu. Sabia que ele tinha suas razões, mas era difícil mesmo assim. Provavelmnte foi melhor ele não ter vindo, pois seus pais estavam mais alertas do que nunca. Ginny achava que eles suspeitavam que Harry não colocara só um escudo de proteção. Eles haviam verificado várias vezes, o que a irritou.
A garota se levantou, colocando o livro em sua mesa de cabeceira. Uma xícara de chá quente não faria mal, era a coisa certa para mantê-la calma e aquecida. E também daria um descanso aos seus olhos. Ela cruzou o quarto, abrindo a porta e subiu as escadas de dois em dois degraus, facilmente evitando os que rangiam. Não só estava ficando ainda melhor em se esgueirar, mas em fazer barulho quando queria. Sabia que mantinha os pais acordados algumas noites... era apenas outra maneira de lhes mostrar o que faziam com ela. Parecia ter funcionado. Tinha visto Harry. Ela sorriu, pensando no beijo deles e na conversa que tiveram. Só poderia melhorar agora.
Alcançara o primeiro andar, quando parou no meio do caminho. Alguém ainda estava acordado e estava sussurrando. A garota deu mais alguns passos, descendo o máximo que podia sem ser vista e aguçando os ouvidos para ouvir.
"James me chamou de lado para conversar ontem," começou seu pai. "Haverá uma reunião da Ordem amanhã."
"Eu também queria te contar," disse Bill. "Você vai? Eu e Fleur estaremos lá."
"Você falou com seus irmãos? Eles também vão?" perguntou sua mãe.
"Sim," respondeu Bill. "Charlie quer ir, mas não pode ficar por muito tempo, ele disse que há algo que precisa fazer antes de ir embora." Ginny sabia que Charlie planejava partir depois de amanhã. Ela não sabia o que achava daquilo. Era estranho dizer adeus a ele, vê-lo voltar para a Romênia, mas sabia o quanto seu irmão amava os dragões... Charlie tinha sido um dos seus piores espiões. Ele a encurralou depois que os Potter foram embora. Tinha feito todas aquelas perguntas estúpidas sobre Harry, e Ginny não gostou do rumo que a coisa tomou. Ele tentou ser cuidadoso, ela sabia disso, sem lhe dizer que achava que estava errada, mas ela sabia o que ele pensava mesmo assim. Charlie não gostava nem um pouco de Harry e nada havia mudado quanto a isso durante o curto encontro que tiveram. Fred e George, por outro lado, pareciam estar simpatizando com ele. Ron sentia-se confortável com Harry também... Charlie partir não era tão ruim para ela. A garota se sentia péssima por não se sentir tão mal por ele ir embora.
Bill prosseguiu: "Eu sei que os gêmeos estavam falando sobre isso, eles parecem ter inventado algumas coisas enquanto Ginny estava..." Ele parou. "Parece que estão muito interessados em mostrar a Dumbledore."
Houve um assobio baixo, um sinal de que a água estava fervendo. Ginny podia ouvir sua mãe se movimentando pela cozinha, pegando as xícaras e o chá.
"Percy deveria estar lá também," concluiu Bill.
Foi seu pai quem falou em seguida: "Causaria uma boa impressão se também estivéssemos. Eu estava lutando com eles e queremos continuar ajudando e lutando. Foi errado parar, em primeiro lugar..."
"Não foi não," disse sua mãe, parecendo convicta. "Eu não podia olhar para Albus e sei que todo mundo entendeu. Nós estávamos de luto."
"Assim como os Potter, mas eles nunca pararam ou sequer consideraram..." o pai dela parou de falar.
"O que está feito está feito," disse Bill rapidamente. Ginny só podia imaginar que sua mãe parecia estar prestes a reclamar e que eles queriam evitar isso.
"Deveríamos ir também," repetiu seu pai.
Houve uma pausa; Ginny podia ouvir o chá sendo servido. "Deveríamos, mas..." a mãe dela parou de falar.
"Mas?" perguntou Bill baixinho.
"Eu não quero que Ron e Ginny fiquem aqui sozinhos. Não só possa ser que tenham ideias mirabolantes, mas tem também o escudo..." ela se calou novamente.
"Eu não tenho ideia de como não vimos," disse Bill. "Pensar que não saberíamos se ele não tivesse..."
Sua mãe o interrompeu: "Você checou?"
"É claro que demos uma olhada nas proteções antes de fortalecê-las e colocar mais algumas, mas fomos descuidados... ou um dos meus colegas de trabalho viu e não achou que fosse nada demais. Eu dei uma olhada nisso de manhã e não vi nada de especial. Realmente parece um escudo comum de duende."
"Não se preocupe com isso, filho. Tivemos sorte, Albus fez tudo que podia e eu confio nele," disse Arthur calmamente.
"Claro, eu também, mas saber que isso poderia não ser detectado..." Bill se calou.
Foi a mãe dela que falou em seguida: "E você não viu antes?"
"Do que você está falando, Molly?" perguntou seu pai.
"Só estou dizendo que parece suspeito você não ter visto antes..."
Ginny estreitou os olhos. Sua mãe estava realmente insinuando o que ela estava pensando? Estava suspeitando que Harry tinha algo a ver com isso? A garota se levantou, pronta para ir até lá, para dizer exatamente o que pensava sobre isso, mas Bill foi mais rápido.
"Acha que ele tem algo a ver com isso?" perguntou ele.
"Eu não duvidaria... depois de tudo que ele já fez."
"Eu acho que está errada, mãe, ele parecia muito preocupado... e eu não o vi fazendo nada antes de conjurar o escudo."
"Nem eu," acrescentou seu pai. "E eu o observei de perto o tempo todo."
Sua mãe suspirou. "Eu simplesmente não posso deixar de ver tudo de ruim nele. Pensar que Ginny... que ele... eu não o quero perto da minha filha, e por mais xícaras de chá que tomemos com os Potter, acho que isso nunca vai mudar."
"Talvez você o esteja julgando com rapidez e rigor demais," disse Bill calmamente. Alguém pousou a xícara na mesa com força. Provavelmente sua mãe. "Albus teria notado e dito algo se ele tivesse adulterado as proteções," continuou Bill depressa.
"Sim, teria," concordou seu pai.
Um silêncio denso se seguiu e Ginny se concentrou ainda mais, tentando descobrir o que estavam fazendo.
Uma mão repentina em seu ombro quase a fez ofegar. Ela girou, quase caindo. Era Ron. Ele parecia confuso. Ela apontou para baixo e fez um gesto de silêncio. Ele franziu a testa antes de assentir, sentando-se ao seu lado. Ela fez sinal para ele sair, mas o garoto balançou a cabeça, deslizando para mais perto, suas pernas se tocando agora.
Surpreendentemente, foi sua mãe quem falou primeiro: "Bem, eu quero ir, mas não quero deixar Ron e Ginny sozinhos, então talvez você possa ir sozinho?"
Seu pai suspirou. Ron parecia ainda mais confuso. Ginny se aproximou dele e sussurrou "reunião da Ordem" em seu ouvido. Sua confusão se dissipou e ele assentiu.
"Não acho que causará uma boa impressão. Eles têm todos os motivos para estarem zangados conosco e aparecer juntos pode acalmá-los. Ron e Ginny também podem ir, não é?" perguntou Bill.
"Eles não têm idade suficiente," respondeu sua mãe, irritada.
"Claro que eu não quis dizer que eles participariam da reunião. Eu só sugeri que poderiam ir e esperar por nós lá. Há espaço suficiente e não seria a primeira vez."
"Não é que eu não tenha pensado nisso..." começou sua mãe.
"Mas você acha que ele pode estar lá," concluiu seu pai.
"Exatamente," concordou sua mãe. "E eu acho que é cedo demais para outro encontro." Ginny revirou os olhos. Ela estava ficando sem ideias sobre o que poderia fazer para que eles caíssem na real. Só iam ver que Harry não era quem eles achavam se o conhecessem. E só poderiam fazer isso se passassem tempo com ele; se permitissem que ela passasse tempo com ele.
"Eu não acho que ele vá estar lá," opinou seu pai. "Provavelmente não tem as melhores lembranças daquele lugar e não há necessidade de ele e Damien estarem lá." Arthur parecia quase amargo quando disse: "Eles estão seguros em casa, afinal."
Ginny trocou um olhar com Ron. Os dois desviaram os olhos, contemplando as escadas. Era culpa dela que não estivessem seguros em casa? Teriam erguido aquele escudo por conta dela? Por ela ainda estar viva? Ou já esteva lá antes? Teriam erguido quando as cartas começaram? Quando perceberam o que estava acontecendo entre ela e Harry? Ou estava lá quando ela nem o conhecia? Tinham sido erguidos por causa do apoio de seus pais à Ordem? Pensar muito nisso a deixou enjoada. Mas seu pai estava certo, não é? Eles não estavam seguros ali, não de verdade. Harry também disse isso. Por que ainda estavam ali?
"E você não pode deixá-lo ditar nossas vidas para sempre. Ele já fez isso por bastante tempo, não é?" adicionou Bill suavemente.
Houve uma pausa, antes que sua mãe dissesse: "Sim, sim, você está certo. Ele não estará lá, não tem porque me preocupar tanto."
Houve outra pausa antes de Bill falar: "Vou pra cama, então." Ele bocejou alto. "Boa noite, mãe. Boa noite, pai."
Ron e Ginny se levantaram e subiram as escadas o mais rápido e silenciosamente que conseguiram. Ela resolveu mandar uma carta para Harry antes da reunião. Talvez pudesse convencê-lo a estar lá. Porque se os pais dela nem sequer lhe dariam uma chance, talvez precisasse aproveitar as oportunidades.
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Ginny assistiu um a um de sua família desaparecer em um redemoinho de chamas verdes. Bill levou Ron. Seu pai e ela seriam os últimos. Eles chegaram na cozinha, onde foram recebidos pelo Sr. Lupin. Ele estava fazendo chá e sua mãe já estava ao seu lado ajudando-o. A garota limpou as cinzas da roupa, cumprimentando-o.
"Vocês chegaram cedo," comentou o Sr. Lupin.
Seu pai assentiu. "Sim, queríamos estar aqui antes de começar."
"Já tem mais alguém aqui?" perguntou Bill.
O Sr. Lupin assentiu. "Os Potter estão no porão de treinamento com Sirius. Vou avisá-los que vocês estão aqui..." Mas isso não foi necessário porque naquele momento a porta se abriu e a Sra. Potter e Damien entraram, seguidos pelo Sr. Potter, Harry e Sirius. Damien corava furiosamente e a Sra. Potter parecia tentar consolá-lo, enquanto Sirius e o Sr. Potter riam abertamente dele. Harry também ria junto.
"Mãe, pare com isso," sibilou Damien antes de seus olhos se iluminarem. Ele os avistara primeiro. "Ótimo! Vocês estão aqui também." O menino aproximou-se de Ron, cumprimentando-o primeiro.
Seus outros irmãos e seus pais enrijeceram, enquanto Ginny sorria para Harry. O resto de sua família também trocou cumprimentos silenciosamente, mas Ginny podia sentir que não estavam muito felizes. Ela, por outro lado, estava muito contente. Não havia nada que seus pais e irmãos pudessem fazer quando a reunião começasse. Finalmente teria tempo para conversar com Harry sozinha.
"O que te deixou com tanto bom humor?" perguntou o Sr. Lupin, sorrindo para as artimanhas de Sirius, que, no momento, girava e pulava antes de fingir tropeçar.
Foi o Sr. Potter que respondeu: "Ele está imitando a tentativa de Damy de desviar de um feitiço de cócegas. Foi completamente ridículo."
"Ah, sério, já chega, Sirius," repreendeu a Sra. Potter. "Ele só estava praticando, não precisa tirar tanto sarro assim."
Sirius parou, mas ainda sorria para o garoto envergonhado, que tentava de tudo para ignorá-los.
"Os outros devem chegar em breve, não é?" perguntou o pai dela.
"Sim, devem." A Sra. Potter assentiu. "Tonks está pegando Hermione agora. Pensamos que seria bom as crianças se encontrarem novamente. Enquanto Tonks chega, os outros também devem estar a caminho." Ela fez uma pausa. "Que tal as crianças subirem? Preparamos chá e sanduíches para vocês na biblioteca. Poderíamos discutir alguns assuntos antes."
Damien protestou, assim como Ron, mas Ginny observou Harry, que apontou para a porta. Ela assentiu e rapidamente foi até as escadas antes que alguém de sua família pudesse dizer algo sobre isso. Harry a seguiu logo depois.
"Tem gente ansiosa para ficar a sós," gritou Sirius para eles. Ela ouviu ele e o Sr. Potter rirem e só podia imaginar a cara de seus familiares. Mas não queria pensar nisso, então acelerou o passo. Ela estendeu a mão para trás, agarrando a dele. Ele entrelaçou seus dedos e Ginny não pôde deixar de sorrir. Ela o puxou para junto. Será que deveriam ir à biblioteca como a Sra. Potter dissera? Ou deveria simplesmente puxá-lo para o quarto onde ela e Hermione costumavam ficar? Mas mandariam alguém procurar por eles... porém Ron e Damien guardariam segredo, não é? Ela suspirou e decidiu pela biblioteca. Não precisava de outro sermão dos pais. Seu objetivo era levá-los a aceitar Harry e não os afastar ainda mais. Pensariam que tinha sido ideia dele, não importava o que ela dissesse
Ela empurrou a porta e entrou na sala que fora limpa há muito tempo. Eles tinham passado bastante tempo na biblioteca em frente à lareira jogando xadrez e snap explosivo enquanto esperavam pelos pais. Ginny sabia que a Ordem havia retirado os livros perigosos há muito tempo. Só era possível encontrar alguns livros básicos, mas eles ainda enchiam muitas prateleiras. Harry soltou a mão dela e fechou a porta.
Ele estava diante dela um segundo depois, puxando-a para mais perto.
"Ei," sussurrou ela suavemente e ele sorriu. O primeiro sorriso verdadeiro dele que ela vira em semanas. Ele se inclinou e beijou-a suavemente. Ela sorriu contra o beijo e segurou sua cabeça, puxando-a para mais perto e brincando com o cabelo na base de seu pescoço. Ele suspirou e puxou-a ainda mais, agarrando sua cintura. Harry deu alguns passos para frente, empurrando-a. Ela ficou confusa por um momento antes de sentir a mesa em suas costas. Ele a segurou e colocou-a sobre a mesa. Ginny sorriu em meio ao beijo. Ele abriu a boca e sua língua roçou em seus lábios. Ela abriu ligeiramente a boca, deixando-o entrar. Suas mãos brincavam com a bainha da camisa dela. Ela suspirou quando seus dedos roçaram sua pele nua e envolveu as pernas ao redor dele, puxando-o para si.
A porta se abriu. "Sério?" perguntou Hermione, enquanto Ron e Damien faziam som de engasgo ao fundo.
Harry se afastou, descansando a testa contra a dela. "Quer que eu os expulse?" murmurou ele enquanto tentava com as mãos diminuir os amassados na camisa dela.
Ginny assentiu e sorriu, mas se afastou e pulou da mesa. "Oi, Hermione," cumprimentou ela, caminhando até a outra e a abraçando. "É bom te ver." Ginny fez uma pausa e sorriu. "Mas alguns minutos mais tarde teria sido melhor."
Hermione revirou os olhos, mas sorriu e retribuiu o abraço.
"Eu preferia depois também," resmungou Ron e Damien assentiu.
"Nós poderíamos tê-los encontrado em situação pior," apontou Hermione. Ginny sentiu o calor subir em seu rosto, mas tentou agir com indiferença e se afastou deles. Harry encostou-se na mesa em que ela estava sentada pouco antes, seus olhos brilhando ao observá-la. Seu cabelo estava um pouco mais bagunçado do que o normal, mas ela tinha visto pior. Ginny sorriu. Poder ver que o cabelo dele estava mais bagunçado... a garota balançou a cabeça. Obviamente, passara muito tempo deixando-o bagunçado e checando como estava. Mas, por outro lado: não era possível passar muito tempo fazendo isso.
Ela caminhou até os sofás em frente à lareira e sentou-se. Ron e Hermione se sentaram no outro sofá enquanto Damien escolheu uma das poltronas. Ginny olhou para Harry. Ainda havia espaço ao lado dela ou na outra poltrona. Ele escolheu ficar ao seu lado. Ela sorriu e encostou-se nele, pegando sua mão. Quando ergueu os olhos novamente, Hermione os observava com carinho, enquanto Damien e Ron olhavam para todos os lugares, menos para eles.
"Então, como você está, Hermione? Já faz um tempo," começou Ginny.
Hermione assentiu. "Eu estou bem, acabei de concluir uma dissertação enorme e complicada que vou enviar para a Professora McGonagall..."
"Por favor, não comece com isso de novo," gemeu Ron. "Eu ouvi sobre isso tantas vezes que vou vomitar se tiver que ouvir o título novamente." Ele se recostou no sofá, seus olhos pousando nas mãos entrelaçadas de Harry e Ginny. "E, pessoal, por favor, se contentem," ele gesticulou para os dois, "com o mínimo ou vou vomitar."
Ginny o encarou, mas ele apenas sustentou seu olhar e encolheu os ombros.
"Vomite o quanto quiser, Ron, mas eu não vejo Ginny há um tempo..." começou Hermione.
"O que não é minha culpa, mas dela," apontou Ron.
Ginny revirou os olhos. "E não é minha culpa que mamãe e papai estejam exagerando tanto." Harry se mexeu ao lado dela. "Quer dizer, prisão domiciliar? Sério?" A garota sacudiu a cabeça e suspirou.
"Você quebrou aquele prato," apontou Ron. A irmã o encarou. Ela não queria que Harry ouvisse o que fizera para vê-lo. "E gritou muito. Como sempre. E xingou mamãe... na cara dela. E também brigou com todos." Ele ergueu o ombro. "Acho que meu braço nunca mais será o mesmo. E eu nem fiz nada. Não quero nem saber como Charlie deve ter se sentido ou Bill."
Ginny soltou a mão de Harry, com cuidado e sem olhar para ele, e cruzou os braços. "Eu sei que aqueles feitiços estúpidos na minha janela não foram ideia deles. Você é o único que sabe que eu costumava fugir por lá com a minha vassoura."
"Sim, bem." Ron se mexeu desconfortavelmente. "Teria parecido suspeito se eu não tivesse dito nada."
"Há feitiços na sua janela?" perguntou Harry, interessado.
Ginny assentiu e se virou para ele. "Se planeja ir me ver, pode usar a janela de Ron, e se já estiver no quarto dele, também poderia fazer o favor de estrangulá-lo enquanto dorme por mim?" sugeriu ela, sorrindo.
"Ei, não jogue ele contra mim!" disse Ron, indignado. "Fiz tudo que pude sem revelar que eu sabia há algum tempo... e se você tivesse ficado mais calma, talvez..."
"Sim, bem, você pode mesmo me repreender sobre temperamento..."
"Sério, pessoal?" perguntou Damien, gemendo. "Precisam fazer isso agora?"
Ginny respirou fundo e suspirou, descruzando os braços. "Desculpe," murmurou ela e Ron assentiu, desculpando-se também. Ela estendeu a mão para Harry novamente, mas ele não a segurou. Ela franziu a testa e olhou para ele, mas ele não olhou para ela. Em vez disso, ele estava estranhamente concentrado em Damien, que no momento estava tirando algumas cartas.
"Alguém quer jogar uma rodada?" perguntou Damien. Ron e Hermione assentiram, mas Harry balançou a cabeça.
Ginny franziu o cenho para Harry, mas ele ainda assim não olhou para ela. Fizera algo de errado? A garota tentou repensar o que havia dito. Brigara com Ron. Será que ele ficou horrorizado com o que ela tinha feito? Brigar com a família, quebrar as coisas? Não era como se ele nunca tivesse feito aquilo... mas talvez ele estivesse zangado por ela não conseguir mais se controlar. Ele estava tão frequentemente no controle. Talvez fosse isso. Ou sentiu-se culpado por ela estar brigando por eles. Porque se ele... se ela... se eles não estivessem juntos, não seria tão ruim assim. Mas ele poderia realmente pensar assim?
"Se eu conversasse com Harry sozinha por um momento, você diria?" perguntou Ginny lentamente, olhando de Harry para Ron.
Ron olhou para cima e franziu a testa. "Essa é a palavra chave para se beijarem porque não gostam de jogar com a gente?" perguntou ele, parecendo que mordera algo muito azedo.
Ginny sacudiu a cabeça. "Não, não vamos. Eu só... eu acho..." Ela parou de falar e gesticulou para ela e Harry e olhou para Ron, que finalmente assentiu.
"Sim, claro, vão em frente, mas não demorem, certo?"
Ginny olhou para Harry. Ele finalmente encontrou os olhos dela e se levantou, caminhando em direção à porta.
Ginny se virou para Ron. "Obrigada, isso significa muito pra mim."
Ron assentiu. "Eu sei," ele fez uma pausa, "sabe que não contei a eles sobre a janela para te irritar, certo? Eu diria a eles que eu estive com você, se isso ajudar."
Ginny olhou para ele atentamente. "Talvez devêssemos falar sobre isso depois? Em casa? Sozinhos?" Ela olhou depressa para Hermione e Damien. "Nada contra vocês, é claro, mas..." A garota gesticulou para Harry.
"Vá," disse Ron por fim, fazendo sinal para ela sair. Ela sorriu para ele e correu atrás de Harry, que saíra da sala. Ele estava de pé do lado de fora, olhando em volta.
"Desculpe, vamos encontrar um quarto para conversar."
Harry a observou atentamente, por um momento sem dizer nada, antes de concordar. "Vá na frente."
Ginny assentiu e se afastou dele, dirigindo-se às escadas. Eles subiram dois andares. Harry parou ao lado de um quarto e, a princípio, Ginny ficou confusa, mas quando o alcançou, ela o puxou depressa. Era o quarto em que ele ficara na primeira vez que estivera ali. Não pensara nisso quando lhe pedira para ficar lá por ela. Ela balançou a cabeça por não ter pensado nisso. Até seu pai pensara. Ginny mordeu o lábio e rapidamente deu os últimos passos em direção ao quarto onde ficava com Hermione quando seus pais passavam a noite. Às vezes, em algumas horas muito solitárias, costumava pensar no tempo que passou ali com a amiga. Lição de casa, quadribol e seu irmão idiota, que acabou não sendo tão idiota, afinal, era tudo que tinha em mente à época. E sua família, claro, e o que era decidido no andar de baixo. Temera por eles assim que soube o que estava acontecendo e do que faziam parte. Mas agora... agora estava no meio daquilo tudo e o medo não diminuíra. Ela estremeceu, os últimos pesadelos vindo à sua mente. Mas não era hora para isso.
Ela esperou Harry entrar no quarto antes de fechar a porta, encostando-se nela.
"O que aconteceu?" perguntou por fim, quando ficou claro que Harry não diria nada.
Ele sacudiu a cabeça, antes de suspirar. O rapaz cruzou os braços e deu uma olhada em volta. Não havia nada especial ali. Apenas duas camas, um pequeno armário e uma pequena mesa com duas cadeiras e um espelho acima.
"Eu sei que algo aconteceu porque num instante você estava contente, feliz em me ver, e em seguida se afastou."
"É sobre isso que queria falar comigo?" perguntou Harry.
"Sim, bem, você parecia estranho, e como eu não sei quando vou te ver de novo, pensei em falar sobre isso agora, em vez de em dois meses, quando meus pais me deram oportunidade de te ver novamente... "
"Como já disse, eu me incluí nos escudos da sua casa, Ginny, não demorará muito para nos vermos de novo."
"Sendo sincera, no momento, não sei se você viria." Ela fez uma pausa. "O que eu fiz? Foi algo que eu disse? Algo que Ron disse? Porque... eu... quer dizer... eu fiz algumas coisas idiotas nas últimas semanas, mas eles não me deixavam te ver e não queriam me ouvir. Mas... quer dizer, você não acha que é sua culpa, não é?"
Harry suspirou e esfregou o pescoço. "Ginny, olhe, claro que eu sei que seria muito mais fácil para você se nós não estivéssemos..." Ele se calou. "Mas deixe-me dizer que estou muito contente que tenhamos isso..." ele gesticulou para eles, "do que pensar em acabar com tudo." Houve silêncio. "Você não quer, não é?"
Ginny balançou a cabeça com vigor. "Claro que não! Eu confessei que não quero viver sem você naquele dia, iria me contradizer dizendo uma besteira como essa agora, não é?"
Harry deu de ombros. "Apenas me certificando."
"Bem, se não é isso, não sei o que aconteceu. Tudo estava bem há alguns minutos... estava, não é?" Ela não tinha apressado nada, tinha?
"Não, sim, está tudo bem. Eu..." Harry deu alguns passos na direção dela antes de parar. "Não sei, talvez devêssemos nos sentar?"
Ginny franziu a testa, mas gesticulou para a cama e Harry sentou-se, dando tapinhas no lugar ao lado dele. Ela se sentou.
"Olha, eu sei que você provavelmente não pensou muito sobre isso, mas o que disse a Ron..."
Ginny franziu a testa. O que ela disse a Ron?
"Sobre me mandar atrás dele...?"
Ginny ofegou. "Foi uma brincadeira, Harry, sabe disso, não é? Quer dizer, eu nunca faria algo assim... eu... Harry... eu..."
Harry suspirou. "Ginny, eu sei que foi só uma brincadeira, mas na maioria das vezes há verdade em uma piada."
Ginny tornou a balançar a cabeça. "Não, apenas não, Harry." Ela mordeu o lábio. "Eu estava brincando e Ron sabe disso. Nós não esperamos que você invada a casa e mate alguém, eu sei que você não faria isso..."
"Mas eu fiz," disse ele, interrompendo-a. "Eu fiz isso." Ele fez uma pausa e sacudiu a cabeça. "Quer dizer, nunca estrangulei ninguém, mas invadi casas e matei pessoas." Ele esfregou os olhos. "Merlin, isso é..."
Ginny engoliu em seco. Harry raramente falava sobre isso com ela. Na maioria das vezes, ele evitava assuntos como Voldemort e seu passado a todo custo. Houve momentos em que ele se abriu, mas isso era... outra coisa. Ele só falava sobre isso se fosse totalmente necessário ou se estivesse de bom humor, mas aquilo parecia diferente.
"Quer dizer, você sabe que Voldemort me mandava atrás das pessoas que o traíam?"
Ginny assentiu. "Eu sei disso, foi uma piada horrível, me desculpe. Eu só... não estou pensando direito no momento. Não estou me dando bem com minha família, não consigo dormir, eu..."
"Você está tendo pesadelos?" perguntou ele calmamente.
Ginny assentiu.
"Sobre o quê?"
"Não estamos falando disso... mas sobre você," respondeu ela, olhando para baixo. Não queria falar sobre seus medos.
"Ginny, no começo eu não queria falar com você sobre isso, queria deixar pra lá, mas... veja, eu percebi uma coisa." Ela ergueu os olhos, mas ele não continuou no início. Em vez disso, bagunçou o cabelo e esfregou o pescoço novamente. "Eu quero fazer isso funcionar, Ginny. E não me refiro apenas a hoje e amanhã. Eu quero fazer realmente funcionar... como no próximo mês e no próximo ano e..." Ele se calou, seus lábios formando uma palavra que Ginny não sabia se estava pronta para ouvir ainda.
Mas ela assentiu. "Eu também quero, não o... quer dizer, eu quero o amanhã também. E no próximo mês e ano que vem, se tivermos sorte, mas, quer dizer, eu... isto não está indo onde... quer dizer, onde você quer chegar com isso?"
Harry suspirou novamente. "Bem, eu estou realmente feliz por você querer, porque, como eu disse, eu também quero e... Ginny, acho que precisamos achar outra forma... "
"Eu... o quê?" perguntou ela, confusa. "Você não está... eu acho... o que quer dizer?"
"Eu quero você na minha vida e acho que minha família quer muito isso também..." Ele revirou os olhos. "Eles gostam de você, e eles te aceitam, e eu... eu..." Ele gesticulou com as mãos, parecendo perdido. Ginny não o viu assim muitas vezes.
"Você quer que meus pais pensem assim também?"
Harry assentiu. "Sim, eu não quero que você brigue com eles por minha causa."
"Bem, eu também não quero isso, mas se eles são desse jeito... quer dizer, eles me proíbem de te ver, como vamos seguir em frente com isso? Tudo o que eu fiz ou disse até agora, nada funcionou com eles."
"Bem, talvez Ron estivesse certo," disse ele com cuidado.
Ginny ficou boquiaberta. "Quê?"
"Quer dizer, eu sei que você tem um temperamento forte..."
Ginny sacudiu a cabeça. "Você também tem."
Harry sorriu. "Eu também tenho, eu sei, mas... quer dizer, queremos que isso dê certo, não é?"
"Sim, queremos. Mas não vou começar a ser a filhinha perfeita aceitando tudo como uma boa menina só pra que eles consigam o que querem... eu..."
"Eu nunca disse nada disso, mas, Ginny, tenta ficar calma, o.k.? Fazer piadas assim com sua família não vai ajudar com o nosso caso, vai?" Ele olhou intensamente para ela.
"Eles sabem o que você fez, Harry."
Harry suspirou. "Estou bem ciente disso. Estou bem ciente de que todos acham que sabem o que eu fiz. Eles não sabem nem da metade." Ele fechou as mãos em punhos, respirando fundo, antes de tentar relaxar novamente. "Eu só... quer dizer, Ginny, não me entenda mal. Você pode continuar gritando com eles e brigando sobre tudo, e eu vou aparecer para vê-la..."
"Sim, eu gosto dessa parte; podemos começar com isso o mais rápido possível? Tipo hoje à noite? Seria bom ter você lá..."
Harry olhou para ela por um longo momento. "Vamos conversar sobre seus pesadelos em um minuto. Mas deixe eu entender isso aqui, o.k.?"
Ginny assentiu.
"O.k., bem, então... veja: talvez estejamos enfrentando isso da maneira errada." Ele fez uma pausa. "Você deveria tentar se acalmar, tentar argumentar com eles em vez de gritar."
Ginny abriu e fechou a boca. "Eu tentei isso, Harry, eu tentei tudo..."
"Sim, acredito em você. Eu teria dado tudo para ver você jogando pratos e brigando com seus irmãos." Ele sorriu. "Acredite, eu amo muito, muito, muito, esse seu temperamento, mas... você entende aonde quero chegar, certo?"
Ginny olhou para ele e piscou. "Você... hum... ama meu temperamento?"
Harry a encarou. "Sim, acredite, nada me excita mais, mas como eu estava dizendo..."
Ginny sorriu. "Bem, Potter, se eu soubesse disso antes..." Ela se inclinou para frente, agarrando o colarinho dele. Ele pegou as mãos dela e as empurrou para baixo.
"Meu ponto é, se pudermos mostrar a eles que levamos isso a sério, que os levamos a sério, podemos convencê-los e facilitar para você..."
"Isso é muito adorável, Harry, mas eles são meus pais."
"Eu só quero te ajudar."
"Eu sei, estou vendo. E eu vou tentar de novo. Vou tentar parar de gritar com eles, vou tentar convencê-los de que sou uma boa menina, e que você é um cara legal que não vai invadir meu quarto à noite..."
"O que não farei."
"O quê? Mas...! Harry..." Ela quase choramingou. Mas apenas quase.
"Não que eu não queira, acredite, eu fiquei me convencendo a não fazer isso a noite inteira ontem, mas, sabe... nós começamos da forma errada. Não apenas temos que convencê-los de que esse é o caminho, mas temos que mostrar que é a verdade."
Ginny ofegou. "Você está realmente me dizendo que quer se comportar só para os meus pais te aceitarem?"
Harry respirou fundo. "Sim, eu quero isso. Porque eu levo você a sério, Ginny."
Ginny piscou. "Harry?"
"Sim?"
Seus olhos se encontraram e Ginny não pôde deixar de se inclinar para a frente, perto o suficiente para quase beijá-lo. "Eu também te amo." Ela pressionou os lábios contra os dele, muito depressa. Ele olhou para ela. "Era isso que você queria dizer, não era?" perguntou ela, sentindo-se repentinamente nervosa.
Harry engoliu algumas vezes e esfregou a ponte do nariz. Seus olhos percorreram o cômodo antes de se concentrarem nela novamente. Ele assentiu lentamente, quase hesitante. "Sim, eu te amo." Ele segurou as mãos dela e eles entrelaçaram os dedos por um momento, apenas se encarando. O coração de Ginny batia loucamente. Uma coisa era pensar sobre isso, até admitir para Dumbledore e mostrar para todos, inclusive Harry, ou insinuar com as coisas que fazia e dizia, mas isso... dizer para ele e ouvir de volta... Ela sorriu para ele e ele sorriu de volta. Eles se beijaram novamente e ele repetiu as palavras, sussurrando-as contra seus lábios. Ela sussurrou de volta, beijando-o entre elas.
Eles pararam e apenas se encararam. Depois de um tempo, Harry começou a acariciar sua mão, antes de segurar seu rosto. "Sobre seus pesadelos..."
Ginny assentiu. "Faz um tempo que estou tendo; acho que não há como mudar isso."
Harry suspirou. "Quer falar sobre eles? É a única coisa que vai ajudar, sabe." Ele soltou seu rosto.
"Você provavelmente tem razão." Ela suspirou. "Mas eu... eu acho que não consigo."
"São sobre o ataque do Comensal da Morte? O modo como você lançou aquele feitiço e o jogou para trás?"
"Entre outros." Ela assentiu e olhou para baixo. "Eu só... eu sonho com isso o tempo todo. É como se eu estivesse presa em algum loop do qual não posso escapar."
"E é por isso que está tão determinada a continuar praticando," concluiu Harry.
Ginny olhou para cima e assentiu, mordendo o lábio. "Sim, é. Eu me lembro da caverna, do jeito que os outros Comensais da Morte nos atacaram e eu só... eu vi a luz verde e... eu não conseguia continuar, sabe. Eu não quero que isso aconteça novamente."
Harry suspirou. "Você ainda está sofrendo com isso e eu temo te dizer, mas pode treinar o quanto quiser, provavelmente não vai ajudar quando for de verdade."
Ginny fechou as mãos em punhos. "Eu não quero ser tão inútil assim de novo!"
"Você não é inútil e não foi inútil naquelas ocasiões, Ginny. Eu sei porque pode pensar assim, mas isso não vai ajudar em nada. Você tem que encarar o que aconteceu naquela noite, eu sei que ainda se sente culpada, e a maneira como teve aquele flashback lá embaixo só realça isso."
Ginny franziu a testa. "Mas o que eu posso fazer? Não posso continuar sem jamais lançar um Expelliarmus novamente para evitar essa situação e, obviamente, não é só isso..."
"Ginny, você precisa falar sobre isso. Se não consegue falar comigo, deveria falar com outra pessoa..."
"Com quem? Hermione? Ela vai me repreender para sempre. Minha família? Eles não vão entender e vão usar isso contra mim na próxima briga; vão culpar você e me trancar para sempre."
"Bem, ainda tem eu."
Ginny assentiu e encarou as mãos deles, ainda entrelaçadas. Ela inclinou-se para frente, descansando no ombro de Harry, virando a cabeça ligeiramente e falando contra seu peito. Parecia mais fácil assim. "Eu sei, mas... é tão difícil, sabe. Eu sonho com todas as coisas que aconteceram e é como se eu estivesse lá novamente, como se tudo estivesse acontecendo de novo. Não só aquela noite, mas todas as outras ocasiões também, e às vezes elas são diferentes do que realmente aconteceu. Eu sonho perdendo meus pais e meus irmãos... você. Tenho tanto medo de tudo que pode acontecer... e é uma possibilidade. Não é como se eu acordasse e tivesse sido apenas um sonho ruim, como se eu não tivesse nada para me preocupar, estou segura e tudo está bem. É a realidade, é uma possibilidade, é sempre uma opção alguém não voltar do próximo combate e eu não sei como lidar com isso. Eu só..." Ela franziu a testa e suspirou profundamente.
Harry acariciou suas costas e puxou-a para perto. "Olha, Ginny, eu sei que é assim e, acredite, eu gostaria de tirar todo esse peso de você, mas... não sei, eu quero te ajudar, mas..."
"Eu sei que disse que não quer invadir minha casa, que quer ser honesto com meus pais e eu realmente aprecio isso, e eles provavelmente também o fariam, se pudessem abrir a mente, mas..." Ela respirou fundo. "Harry, eu preciso de você. Posso dormir muito melhor se você estiver lá." Ela se afastou e olhou suplicante para ele.
Harry suspirou "Ginny..."
"Eu sei, eu sei. Eu vou dar um jeito."
"Devia me escrever sobre seus sonhos. Quando acordar e não tiver ninguém lá, me escreva sobre eles e eu vou... não sei, mas isso pode te ajudar."
"Eu vou tentar isso." Eles ficaram em silêncio por um longo tempo antes de Ginny falar novamente. "Você tem pesadelos também?"
Harry tirou a mão da dela, sentindo-se desconfortável. Por fim, ele assentiu. "Eu também tenho pesadelos, mas posso lidar com eles. Estou acostumado."
Ela o encarou. "Eu quero que você me escreva sobre eles também."
"Não quero te sobrecarregar. Você já tem o bastante para lidar sem meus pesadelos."
Ela o bateu no ombro. "Idiota, eu vou compartilhar os meus com você, mas quer fazer isso sozinho? Devíamos fazer isso juntos, sabe. Vai nos ajudar."
Harry suspirou e esfregou os olhos. "Você tem razão... eu só... não estou acostumado com isso."
"Bem, é hora de começar, então, porque você tem pessoas em sua vida agora que se preocupam com você o suficiente para que queiram ouvir e conhecer todas essas coisas."
Harry olhou para ela por um longo tempo antes de concordar.
Eles compartilharam outro beijo, apoiando-se um no outro, aproveitando o que não tinham conseguido fazer nas últimas semanas.
"Mas eu quero que peça permissão aos seus pais para me escrever," disse Harry.
"Quê?" perguntou ela. "Por quê?"
"Queremos fazer isso com sinceridade, então eles devem dar permissão."
Ginny suspirou. "Vou perguntar, mas vou te escrever de qualquer maneira. Não vou abrir mão disso. Quer dizer, não podemos parar de nos corresponder só para satisfazê-los. Eles terão que aceitar que você faz parte da minha vida agora, tanto quanto eles... e, bem, vai demorar um pouco, mas eles vão enxergar isso."
Harry assentiu. Eles ficaram em silêncio mais uma vez. Depois de um tempo, ele acenou com a mão e os números familiares apareceram no ar. Ginny nem percebera por quanto tempo tinham conversado.
"É melhor voltarmos," disse ela e Harry assentiu. "Estou surpresa que eles não vieram atrás de nós."
"Eles não queriam nos encontrar de novo," disse Harry sorrindo.
Ginny revirou os olhos. "Vão ter que aceitar esse fato também."
Os dois se levantaram e desceram para a biblioteca. Os outros ainda estavam jogando snap explosivo e o casal se sentou com eles. Eles não disseram nada sobre ficarem fora tanto tempo, pelo que Ginny ficou muito agradecida.
Não demorou muito para que a Sra. Potter viesse buscá-los. A reunião acabara e estavam prontos para partir. Eles terminaram a rodada, Damien guardou as cartas e eles desceram. Harry e Ginny ficaram para trás, deixando os outros saírem antes deles, compartilhando um beijo de despedida. A garota realmente esperava que conseguisse fazer os pais entenderem. Pretendia conversar com eles assim que chegassem em casa.
Quando chegaram à cozinha, os Potter ainda estavam lá, assim como seus pais, Sirius e Moody. O resto da Ordem já havia partido, assim como Ron, Hermione e Damien. Seus irmãos mais velhos provavelmente os levaram enquanto Harry e Ginny se despediam. Quando ela entrou, seguida por Harry, Moody foi o primeiro que os avistou.
Ele deu um passo à frente. "Tenho algumas perguntas para você, Srta. Weasley."
Ginny franziu a testa. O que ele poderia querer dela?
"Nós conversamos sobre sua pequena façanha com o Comensal da Morte na reunião," explicou ele, olhando-a com cuidado. A carranca de Ginny se aprofundou e ela engoliu nervosamente, seus olhos buscando seus pais. Eles não pareciam felizes com isso e sua mãe parecia prestes a protestar. Seu pai olhava para baixo. O Sr. e a Sra. Potter também pareciam desconfortáveis. Mas foi Harry quem deu um passo à frente.
"O que quer saber sobre isso? Está feito," vociferou ele para o auror. Ginny sabia que eles não se davam bem, mesmo depois do que o auror fez por Harry antes do julgamento.
"O que eu quero saber sobre isso? Tudo! Ele tem que ser declarado morto, sua família informada e ela tem que enfrentar as consequências do que fez," retrucou Moody.
"Alastor, não foi o que você nos disse que precisava saber!" disse a mãe dela, parecendo furiosa e dando um passo à frente também.
"Alastor, vamos, isso já a está atormentando o suficiente," disse seu pai e Ginny viu Sirius assentir. A garota sentiu-se mal e um súbito pânico surgiu dentro dela. O que ele queria fazer? Queria que ela se apresentasse no Ministério? Que testemunhasse o que fez? Confessasse? Confessasse o crime? Ela engoliu em seco. O que fariam com ela? Foi um acidente; ela não queria fazer aquilo.
Ela encontrou os olhos preocupados de Harry. Ele balançou a cabeça para ela e se virou para Moody novamente. "Ela não pode dizer muito sobre isso, afinal. Você deveria falar comigo."
"Foi ela quem o matou; é ela quem responderá minhas perguntas!" bradou Moody. "Eu sei que você não é muito adepto à justiça, mas isso tem que ser feito. É o mesmo para todos, não importa como ficamos sabendo sobre um crime."
"Bem, primeiramente," começou Harry e Ginny podia ver que ele estava se irritando. "Ela não o matou, eu matei."
"Não foi isso que ouvi, e seja lá o que for que acha que conseguirá com isso..." começou Moody.
"Estávamos em um duelo. Eles nos atacaram e ele tentou me atacar por trás. Ginny só queria ajudar. Ela lançou um simples Expelliarmus..."
"Que não mata ninguém..."
"Ela o potencializou..."
Moody bufou. "Sim, claro."
"Sério, Alastor, pode acontecer. Dê um tempo, ela ainda está se recuperando disso," argumentou Sirius.
"Bem, eu sei que todos vocês gostariam de ignorar o que aconteceu no passado, gostariam de varrer para debaixo do tapete, esquecer tudo isso, mas isso sequer será levado em conta. Se realmente aconteceu dessa forma, ela não tem nada a temer, mas deve ser esclarecido."
"Quer esclarecer isso? Agora?" argumentou a Sra. Potter. "Você sabe o que aconteceu, em que tempos vivemos..."
Moody sacudiu a cabeça. "É como o sistema funciona. Vocês, como aurores..." Ele acenou para o pai dela, o Sr. Potter e Sirius, "sabem do que estou falando. É nosso dever denunciar crimes..."
"Não é nosso dever esquecer nossa humanidade, Moody. Não vamos denunciá-la, isso não fará bem algum, afinal," disse o Sr. Potter. "Ela não fez nada de errado e Harry já enfrentou um julgamento."
"Bem, eu continuo defendendo minha posição, e se tiver que fazer isso sozinho..." Moody aproximou-se de Ginny, estendendo a mão para ela. Harry entrou em seu caminho, impedindo-o de alcançá-la e empurrando sua mão.
"Escute aqui, auror Moody..." Soava mais como um insulto do que qualquer outra coisa, "ela potencializou o feitiço e ele voou pela vitrine, ele ainda estava vivo. Ele estava vestido como um Comensal da Morte; ela não sabe quem ele era. Eu o matei para manter Voldemort e o Ministério longe da gente. Alguém teria descoberto o que aconteceu, se eu não tivesse feito isso."
Ginny franziu a testa. Harry não podia simplesmente levar a culpa pelo que aconteceu. Ela precisava se defender sozinha. "Não, quer dizer, foi o que aconteceu." Ela deu um passo para o lado, encarando Moody sozinha. "Mas talvez ele estivesse morto quando Harry usou a Maldição da Morte. Eu não sei, nós não checamos, talvez eu o tenha matado."
Harry enviou-lhe um olhar rápido. Ela sabia que ele queria que ficasse calada, mas não faria isso.
"Ainda assim foi legítima defesa da parte dela, independentemente de ele estar morto ou não," disse Harry.
Moody sacudiu a cabeça. "Você disse que ele estava atacando você, não ela..."
"Eu pensei que Harry não tinha visto ele, e eu queria impedi-lo de ser atingido pelas costas," argumentou Ginny.
Moody franziu a testa. "Quem era ele, então? E não me venha com essa porcaria sobre ele estar usando máscara; eu sei que você reconhece a maioria deles..."
"Eu não reconheço todos só de olhar para eles. Ele não era muito bom de qualquer maneira, um do baixo escalão..." Sob o olhar impaciente de Moody, ele acrescentou: "Eu sei quem ele era, mas vou lhe dizer a sós. Ela não precisa saber."
"Ela pode ter matado aquele sujeito, não precisa esconder isso dela," estalou Moody.
"Ela já está se sentindo culpada o bastante," retrucou Harry. "Eu vou cooperar com você, se deixar ela em paz. Isso é sobre o que eu sei e o que eu fiz, não sobre ela. Ela só estava lá e reagiu. Não é culpa dela. Foi um acidente da parte dela, nada mais."
Moody o encarou antes de virar para Ginny. "Tudo bem, Potter, mas se eu descobrir que você mentiu para mim..."
"Não vou mentir."
"Harry..." começou a Sra. Potter.
"Mãe, sério, tudo bem, está tudo sob controle," disse Harry, lançando-lhe um olhar rápido.
"Eu vou participar dessa conversa," disse o Sr. Potter e Sirius assentiu. Molly olhou para Ginny, mas a garota não parou de franzir a testa. Estava pronta para protestar. Talvez precisasse saber disso, talvez lhe trouxesse a paz de que precisava.
Mas Harry viu seu olhar e balançou a cabeça. "Ginny, você não quer saber, acredite," disse ele baixinho, virando-se para ela, que, por fim, assentiu.
Arthur deu um passo à frente. "Se terminou de interrogar minha filha, sem perguntar a mim e a Molly primeiro," sua voz soou muito aguda. Ginny raramente a ouvia dessa maneira. "Nós vamos embora." Mas, sem esperar por mais uma palavra de Moody, ele se adiantou para Ginny. "Venha." Ginny assentiu, lançando um último olhar demorado a Harry. Ele assentiu de novo de forma encorajadora e ela sorriu e se juntou ao seu pai junto à lareira. Seu pai acenou com a cabeça, despedindo-se dos Potter e de Sirius antes de pegar a mão da filha e jogar um pouco de pó nas chamas. Juntos, eles entraram na lareira. Ele gritou o destino e eles desapareceram.
