Disclaimer: Nada é meu. Harry Potter (a família Weasley e assim por diante) pertence à JKR e àqueles que publicaram os livros dela. Damien pertence à Kurinoone e a história por trás de Harry meio que pertence a ela também. Eu estou fazendo isso por diversão (e para dormir em paz) e não estou ganhando dinheiro algum com essa história. Há partes da história que foram escritas por JKR e partes que foram escritas por Kurinoone.

Chapter Forty – Slow Steps

(Passos de Tartaruga)

Ginny prendeu o cabelo em um rabo de cavalo. Ela deu uma olhada no espelho, respirando fundo. O colar que protegia sua mente estava novamente descansando ao lado de seu coração. Foi estranho não o usar. Sabia que não precisava usar, não havia risco de ser capturada e ter suas memórias alteradas... provavelmente nunca houve, mas era um presente de Harry e mostrava o quanto se importava com ela, o quanto se importava mesmo naquela época. Ele queria evitar que alguém fizesse com ela o que tinham feito com ele.

Ela saiu do quarto e desceu as escadas. Até onde sabia, só sua mãe estava em casa. Ron estava visitando Hermione, ele insistira para que ela ficasse em casa. Ginny sorriu, ela o provocou por isso e continuaria fazendo isso. Já era hora de ele fazer algo sobre seus sentimentos tão óbvios pela garota. Isso deixava Hermione maluca, esperando daquela forma. Ginny tentou lhe dizer para tomar a iniciativa, mas Hermione discordou. Ginny podia entender o porquê, mas demoraria mais tempo assim... porém a escolha era deles.

Os gêmeos estavam na loja, Bill em casa com Fleur ou trabalhando, ela não sabia; Percy e seu pai estavam no trabalho... isso permitiu a oportunidade perfeita para que falasse com a mãe a sós. A garota estava nervosa. Não esperava que fosse tão difícil. Respirou fundo novamente antes de chegar à sala de estar. Sua mãe não estava lá. Ela deu uma olhada ao redor da cozinha e finalmente a avistou do lado de fora, sentada no banco onde Ginny estivera com Harry no dia anterior.

A garota teve o cuidado de fazer pouco barulho ao caminhar até ela. Não queria assustá-la. Sua mãe se virou. Ela sorriu, mas seu sorriso parecia cansado em vez de feliz.

"Ginny, venha, sente-se um pouco comigo."

A jovem tentou sorrir e se sentou ao lado dela. Ela brincou com a camisa por um momento antes de olhar para a mãe, que já olhava para ela.

"Obrigada por ontem," começou Ginny por fim. Sua mãe assentiu, mas não disse nada. "Significou muito para mim tê-lo aqui por tanto tempo." Ela respirou fundo. "Eu sei que não foi fácil para você e... obrigada por tentar."

Sua mãe assentiu novamente. "Eu tento."

"Eu sei, obrigada," Ginny fez uma pausa. "Me desculpe por ter adormecido daquele jeito."

Sua mãe balançou a cabeça. "Não há nada para se desculpar."

Ginny sorriu e encolheu os ombros. "Foi estranho acordar na minha cama e perceber que adormeci daquela forma."

Sua mãe a observou com cuidado. "Ele te levou lá para cima."

"Foi o que imaginei." Ginny sorriu.

"Ele sabia onde ficava seu quarto," disse sua mãe em um tom quase acusatório.

"Sabia?" perguntou Ginny, surpresa. Sua mãe assentiu. "Bem, nós tivemos muito tempo para conversar no passado... Quando estava com saudades de casa, eu às vezes a descrevia para ele. Não achava que ele se lembraria," explicou ela.

Sua mãe não disse nada e por um longo momento ficaram sentadas em silêncio. Molly observou o quintal por algum tempo e depois as nuvens acima, antes de sua cabeça se voltar para a filha novamente. Ginny a observava o tempo todo. Queria falar sobre o que Harry dissera no dia anterior, mas não sabia como começar. Deveria mesmo perguntar a ela? O que sua mãe diria? Que Harry tinha visto o que ela tentou esconder e que contara a ela? Ginny mordeu o lábio.

Parecia que Ginny não era a única pensando em como dizer algo, porque sua mãe começou a falar de repente. "Como..." ela fez uma pausa. "Quão sério é entre vocês?"

Ginny piscou para ela. "Quê?"

"Seu..." Ela parou e procurou outro jeito de dizer isso, mas parecia impotente.

"Eu e Harry?" perguntou Ginny, ajudando-a. Sua mãe assentiu depressa. "Bem... é..." O que ela queria com isso? Como chegou àquela pergunta? "Porque pergunta?"

Sua mãe franziu a testa. "Quando ele te levou lá para cima ontem e te colocou na cama," ela fez uma pausa, "eu estava lá e pensei que você estava acordada, e..." Sua carranca se aprofundou. "Você disse a ele que o amava."

Ela disse? "O que ele fez?"

"Nada," disse sua mãe. Havia algo quase como pena em seus olhos. "Eu não sei se ele te ouviu," adicionou por fim.

"Bem, eu o amo."

Sua mãe a encarou por um longo tempo. "Você tem certeza disso?"

Ginny assentiu. Sua mãe pareceu refletir sobre alguma coisa e abriu a boca algumas vezes, pronta para dizer algo, mas a cada vez a fechava de novo.

"O que você quer dizer?" perguntou Ginny. Sua mãe quase se encolheu; talvez tivesse sido um pouco dura demais, mas Ginny não se importava. Tinha ideia do que sua mãe queria dizer. "Que eu sou muito jovem? Que o conheço há pouco tempo? Que não tenho como saber que o amo? Que eu nem deveria ser capaz de amá-lo? Que não existe alguém que possa amá-lo? Quer dizer, com tudo que ele fez, é claro que ele é tão malvado que não pode..."

Sua mãe a interrompeu. "Sim, foi o que pensei, mas não queria dizer."

"Não precisava dizer, eu podia ver em seu rosto claramente!" Ginny cruzou os braços. "Mãe, eu vi o pior e o melhor dele, e eu o amo. Talvez eu seja muito jovem, mas você não era muito mais velha quando conheceu papai, e se casou tão rápido que tenho certeza que seus pais também não ficaram felizes com isso."

Sua mãe balançou a cabeça. "Eram tempos diferentes e era diferente. Seu pai é diferente... eu simplesmente sabia..."

"Sim, bem, eu também sei."

Sua mãe parou abruptamente. Ela desviou o olhar e balançou a cabeça. "Ginny, eu não quero brigar com você."

A garota soltou um suspiro. "Fico irritada ao ouvir você falar sobre ele desse jeito."

"Eu mal disse alguma coisa."

Ginny suspirou novamente. "Bem, eu o amo e ele também me ama," disse ela confidencialmente.

Foi a vez de sua mãe suspirar profundamente. "Você tem certeza?"

"Ele me disse isso," respondeu Ginny desafiadora.

"Só porque ele disse, não significa..."

"Eu sei, mas posso ver, mãe! Posso ver em tudo que ele faz e diz!"

"Ginny, olhe, eu não quero te atacar ou te desafiar, mas estou tão assustada."

"Eu sei que você está com medo o tempo todo agora! Eu sei que quase o atacou ontem! Ele não fez nada!"

Sua mãe respirou fundo. "Bem, eu quero estar preparada, mas não é sobre isso."

"Bem, é sobre o que, então?" perguntou Ginny bruscamente. "Porque me parece que é exatamente sobre isso!"

"Tenho receio por você."

"Por mim? Não precisa ter receio por mim, mãe."

"Eu não quero que ele te machuque."

"Como eu já disse: ele nunca me machucaria."

Sua mãe balançou a cabeça. "Talvez ele não te machuque fisicamente, Ginny, mas há outras formas, formas piores. Eu não quero que seu coração seja partido, filha."

"Não será." Ela fez uma pausa. "E, bem, eu deveria saber melhor sobre isso. Sou eu quem o conhece. E, de qualquer maneira, eu que estou correndo o risco."

"Eu receio que você esteja sentindo mais por ele do que ele por você."

Ginny sacudiu a cabeça. "Não é assim, por que acha isso?"

"Basta olhar para você, Ginny! Você nem se parece mais com você mesma..."

"Está falando do meu cabelo?" perguntou ela, incrédula.

"Sim, estou! Ele pode gostar mais assim, Ginny, mas se não consegue nem aceitar isso... essa característica Weasley... seu cabelo ruivo era lindo, Ginny, e não deveria ter que trocar por ele..."

A garota a encarou enquanto sua mãe gesticulava amplamente. Ela parecia estar ficando ainda mais agitada. Ginny balançou a cabeça antes de sorrir. "Sério, mãe? Isso que te deixa tão preocupada? Meu cabelo?"

"É apenas o exemplo mais óbvio, Ginny; não deveria considerar isso tão banal!"

"Mãe, eu não fiz isso por Harry."

Sua mãe fez uma pausa. "Quê?"

"Como você mesma disse: é uma característica Weasley e nós estávamos fugindo; é óbvio demais! E ninguém deveria fazer a conexão." Ginny fez uma pausa. "Na verdade, Harry disse ontem que não gosta dele assim e que quer encontrar uma maneira de mudá-lo de volta!"

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Harry se sentou no laboratório de sua mãe com vários livros sobre poções ao seu redor. Ele suspirou e largou um deles, pegando outro e começando a ler. Leu as primeiras palavras antes de virar as páginas. Soltou o livro e franziu a testa. Sabia que havia uma maneira de contornar a poção.

Lembrava-se muito distantemente de ler sobre a poção pela primeira vez. Parecia uma bênção: mudar sua aparência para sempre. Aquele pensamento o acompanhara por dias e noites, e tinha sido em um momento em que daria tudo para não se parecer com James Potter. Voldemort não ficou satisfeito quando descobriu seus planos e o proibira de sequer pensar mais sobre isso. Harry não parou e em uma noite tranquila – na qual houve um ataque e ninguém estava em casa – preparou a poção. Se simplesmente a tomasse – afinal, era irreparável – não havia nada que pudessem fazer a respeito. Ele a tomara e ficou feliz quando funcionou. A poção só podia mudar uma coisa de cada vez, mas tinha sido um primeiro passo e ele pensara que talvez não fosse tão drástico, que poderia explicar, fazer seu pai entender... ele havia mudado o cabelo. Ainda era preto, parecia ainda mais escuro, mas não era mais bagunçado e estava diferente. Muito diferente, na verdade. Parecia mais com o cabelo de Voldemort do que o de James Potter. Harry ficou quase inebriado naquela noite. Voldemort não ficara. Harry achou que seus ouvidos ainda ecoariam pelo jeito que o bruxo gritara com ele. E ele encontrou um jeito. Levou uma semana e Harry não sabia quantos especialistas em poções, mas em certa manhã a poção estava ao lado de seu café da manhã e a tomara – Voldemort não falara com ele durante aquele tempo, e se havia algo mais importante para ele do que seu cabelo idiota era a aceitação do bruxo.

Em uma reflexão tardia, Harry estava quase confuso sobre o motivo de ainda se lembrar daquele evento. Não seria mais lógico apagá-lo, perguntou-se amargamente. Mas só mostrara o quanto odiava seu pai biológico e o quanto queria ser como seu "pai."

Mas havia um jeito... e Harry estaria perdido se não pudesse encontrá-lo também. Pegou os livros e os colocou de volta na prateleira. Não encontraria as respostas ali; era algo que tinha que tentar. E para isso precisava da poção primeiro.

Ele começou a colocar tudo no lugar. Felizmente, tinha a poção memorizada, não achava que a encontraria ali entre os livros de sua mãe. Provavelmente não era legalizada.

Ele pegou tudo que precisava – não eram os ingredientes que eram ilegais, mas o efeito da poção – e começou seu trabalho. Sabia que várias horas deveriam ter passado quando sua mãe entrou na sala. Seus olhos passaram por tudo antes de pousarem nele. O garoto mexia a poção e estava quase terminando.

"Desculpe, vou limpar tudo," disse ele, acenando para ela.

Ela fechou a porta atrás de si. "Não se preocupe, querido."

Harry fez uma careta interior, mas não disse nada. Ainda parecia estranho ouvi-la chamá-lo assim.

"Eu estava procurando por você, na verdade." Harry levantou uma sobrancelha. Ela continuou: "Sobre o seu aniversário..."

Ele gemeu. Ela já o perturbara com isso várias vezes.

"Só faltam duas semanas, Harry! E é seu grande dia! Você se tornará maior de idade, eu gostaria muito de celebrar isso."

"Bem, eu não." Havia apenas lembranças de Voldemort nisso. Ele falara sobre o aniversário de dezessete anos de Harry por anos. O rapaz estremeceu.

"Pelo menos um jantar bacana? Com a família? E alguns amigos?" perguntou ela esperançosa.

Harry suspirou. "Sério, eu não quero fazer nada."

Ela suspirou também. "Bem, pense nisso, está bem?" Ele não disse nada. Ela deu outra olhada ao redor. "O que você fazendo?"

Por um momento, Harry quis explodir, mas respirou fundo e a sensação passou. "Preparando uma poção," disse por fim. Os cantos da boca dela baixaram ligeiramente. "Estou tentando preparar uma poção de reversão para esta." Ele acenou com a cabeça para a poção que ele estava mexendo.

Os cantos da boca dela voltaram se erguer e ela se aproximou. "Qual é a ocasião?" Ela o observou mexer mais um pouco antes de parar, reduzindo a chama lentamente antes de desligá-la por completo. Ele pegou o caldeirão e colocou-o na mesa com cuidado. "Para que serve? Não estou reconhecendo."

Seu primeiro instinto foi mentir. Ele cerrou os dentes. "É uma poção para mudar a aparência... permanentemente."

Seus olhos se arregalaram. "O que quer mudar?"

"Nada, mãe, não se preocupe." Seus olhos brilhavam intensamente. Eles sempre o faziam quando ele a chamava assim.

"Você quer encontrar uma maneira de reverter? Por quê? Tomou essa poção?" Ela o encarou.

"Não." Não havia necessidade de ela saber sobre o incidente de tantos anos atrás. Isso só a machucaria. Ela olhou interrogativamente para ele. Ele suspirou baixinho. "É para Ginny."

"Por que... ah... é para o cabelo dela?" Ela começou a sorrir.

Harry assentiu e mesmo que realmente preferisse fazer isso sozinho, seguiu o impulso repentino. "Quer ajudar?"

Seu sorriso se alargou e ele sabia que era a pergunta certa a fazer para ela. "Claro! Você tem as instruções?"

"Não," Harry fez uma pausa, "eu sei que pode ser feita, mas ainda não descobri como funciona."

Sua mãe assentiu e deu outra olhada ao redor. "Você a preparou para neutralizá-la passo a passo?"

"Esse é o plano."

"Já pensou em dar a ela de novo, mas com os ingredientes certos para mudá-los, para que volte a ser como antes?"

Harry revirou os olhos. "Claro, mas não funciona assim." Ele fez uma pausa. "É por isso que deve ser permanente. Não pode mudar quantas vezes quiser."

Ela assentiu. "Então, o que você fez?" Ela acenou com a cabeça para a poção acabada.

Ele explicou o que fizera. Ela assentiu várias vezes e pegou um papel – Harry imaginou que ela não ligava muito para pergaminho – e fez algumas anotações enquanto ele falava. Ele viu que ela já tinha algumas ideias já que rabiscou pequenos comentários ao lado das instruções que ele estava lhe dando.

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Ginny olhou para o frasco que Harry segurava por mais um momento antes de encontrar os olhos de sua mãe. Ela parecia muito preocupada e torcia as mãos. Ron os observava com interesse, assim como Hermione.

"Vai fazer ele voltar a ser como era?" perguntou ela novamente.

Harry assentiu e ela pegou o frasco com cuidado.

"Tem certeza de que vai funcionar?" perguntou Hermione, olhando a poção com desconfiança.

Seus olhos se voltaram para ela. "Minha mãe me ajudou."

Ginny o observou e ele sorriu e deu-lhe um aceno encorajador. Parte da tensão nos ombros de sua mãe se dissipou e a suspeita de Hermione mudou para um completo interesse. Ela abriu o frasco e bebeu tudo. O gosto era nojento. Por um segundo, sua visão perdeu o foco antes que de sua cabeça começar a coçar.

Ron engasgou, assim como Hermione e sua mãe. "Ah, meu Deus, está horrível, está verde!" gritou Ron.

Os olhos de Ginny se abriram, encontrando os de Harry. Ele revirou os olhos para Ron, que se dobrava de rir.

Sua mãe sorriu para ela, assim como Hermione. Ela pegou alguns fios de cabelo, verificando-os, e, de fato, seu cabelo ruivo estava de volta. A garota sorriu. "Eu vou olhar no espelho." Ela passou correndo por Harry e subiu as escadas até o banheiro para se olhar. Seu sorriso cresceu. Parecia um pouco estranho já que não se via assim há algum momento, mas, por outro lado, parecia certo. Como se uma última parte sua tivesse voltado para casa.

Ela saiu do banheiro e desceu as escadas correndo. Harry estava de costas para ela, provavelmente mantendo um olho em sua mãe. Ela foi até ele e o abraçou por trás. Ele virou na direção dela e ela deslizou sob seu braço. "Obrigada," disse ela, sorrindo.

Ele assentiu para ela. "Por nada."

"Diga à sua mãe que nós agradecemos também," disse Molly, observando-os.

Harry a encarou e assentiu. "Eu direi."

"Está um dia lindo," acrescentou ela, ainda os observando. "Provavelmente está muito legal no lago," disse ela, lançando um olhar significativo para Ginny.

"Ótima ideia," concordou Ron.

"Vocês dois não queriam estudar um pouco de Transfiguração?" perguntou Molly a Ron e Hermione. Os olhos de Ginny se arregalaram, entendendo de repente. Sua mãe sugeriu que ela e Harry fossem ao lago sozinhos. E ela não podia vê-los d'A Toca. Ela deu permissão para ficarem sozinhos. Juntos. Ginny sorriu para a mãe, indo até ela e dando-lhe um abraço rápido. "Obrigada!"

Quando a garota recuou, sua mãe também sorria. "Eu escrevi para Lily," começou ela cuidadosamente, "e ela disse que você é bem-vinda a passar algum tempo na Mansão Potter também."

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Molly deu outra olhada no relógio que indicava a hora. Ginny estava atrasada. Outra olhada no relógio da família lhe disse que ela não estava nem viajando. Podia esperar e torcer para que tudo estivesse bem, ou podia aparatar para ver o que a impediu de voltar. Molly nunca foi de esperar pacientemente, então murmurou uma rápida explicação para Arthur antes de sair, atravessando os escudos.

Ela apareceu não muito longe da Mansão Potter, do lado de fora dos escudos. A bruxa os atravessou, indo em direção à porta da frente. Lançou alguns olhares para o campo de quadribol e ao redor dele, mas não havia sinal de Ginny.

Molly tocou a campainha – demorou algum tempo para se acostumar com isso, mas não era a primeira vez que visitava os Potter, mesmo que só tivesse ido à Mansão Potter uma vez – e pouco depois Lily abriu a porta. A outra mulher lançou-lhe um sorriso brilhante. Quaisquer que fossem os problemas que Molly tivesse com seu filho, tinha muito carinho por Lily.

"Molly! Que surpresa! Não há nenhum problema, não é?" Lily podia ver a preocupação aumentando em seu rosto.

"Não, não! Acho que não. Estou um pouco preocupada com Ginny, na verdade."

"Entre, então." Ela abriu a porta um pouco mais, deixando Molly entrar.

"Ginny combinou de voltar para casa às sete e, bem... ela não voltou."

"Ah, me desculpe! Eu não sabia disso ou a teria acordado," disse Lily.

"Ela está dormindo?" perguntou Molly, confusa.

Um sorriso lento se espalhou no rosto de Lily. "Vamos, mas..." ela levou um dedo aos lábios, "faça silêncio. Eles estão tão fofos."

Confusa, Molly a seguiu até o que sabia ser a sala de estar. Lily seguiu pela sala, até a porta que dava para o lado de fora. Elas caminharam pelo pátio. Lily parou e, sob o olhar ainda confuso de Molly, apontou para a frente.

Molly prendeu a respiração. Eles estavam deitados na grama, não tão longe da casa. Podia ser fofo – se fosse um garoto diferente... e talvez não sua filhinha. Ginny estava realmente dormindo, assim como Harry – ela quase sempre conseguia chamá-lo assim agora. Ginny estava deitada de bruços. Ele estava deitado de lado, abraçando-a por trás. Um de seus braços estava em volta dela, o outro sendo usado como travesseiro não apenas para ele, mas para ela também. Suas cabeças estavam se tocando, o topo da cabeça dela descansando em seu queixo. Ginny dormia sorrindo e o rosto de Harry estava relaxado.

"Eles são fofos, não são? Eu não pude deixar de tirar uma foto."

Molly assentiu em silêncio, observando sua filha suspirar suavemente e se aconchegar ainda mais perto dele. Lily fez sinal para ela segui-la e as duas voltaram para dentro, Lily fechando a porta silenciosamente ao passar.

"Eu não consegui acordá-los, não com Harry dormindo tão mal à noite."

Molly encontrou seu olhar. "Ginny também não está dormindo bem."

"Pesadelos?"

"Sim, ela acordou gritando algumas vezes. É horrível."

"Eu acredito que Harry tenha alguns também, não que ele fale sobre isso ou que grite. Eu o ouço levantar quando pensa que estamos dormindo, mas não tenho ideia da frequência com que isso acontece."

Molly não disse nada, enquanto Lily a levava para a cozinha, onde lhe ofereceu um lugar à mesa. "Quer um pouco de chá?" Molly assentiu e Lily pegou uma xícara, enchendo-a de chá. Outra xícara já estava na mesa. Lily a pegou e voltou a enchê-la. Ela colocou as duas sobre a mesa, empurrando uma para Molly. Ela aceitou com gratidão, agradecendo à outra.

"Ginny fala com você sobre os pesadelos?" perguntou Lily, sentando-se também.

"Não. Ela insinuou algumas coisas, mas nada em particular." Molly suspirou. "Ela costumava falar sobre tudo comigo."

Lily sorriu tristemente. "Eles crescem muito rápido."

"Não acho que seja isso." Molly tomou um gole do chá. "Ela mudou muito."

Lily não disse nada por um tempo, encarando as mãos. "Você provavelmente está certa. Quero dizer, quem não ficaria diferente? Eles estavam em fuga e só tinham um ao outro na maior parte do tempo. Deve ser mais difícil para você." Lily engoliu em seco. "Eu não o conhecia direito antes. Não sei como isso tudo o mudou."

Molly encarou os olhos tristes de Lily. "Mas está começando a conhecê-lo agora, não é?"

Lily sorriu e assentiu. "Não há um dia em que eu não agradeça por isso." Ela fez uma pausa. "Mas é difícil vê-lo desse jeito, sem saber o que fazer. Ele fica tão calado a maior parte do tempo quando Damien não está aqui." Ela suspirou. "Eu acho que Ginny é uma boa influência para ele. Ele fica muito mais relaxado quando ela está por perto."

Molly apertou a xícara. Seu primeiro impulso foi dizer que ele não era uma boa influência para Ginny, mas se conteve. "Arthur diz que Ginny fica mais feliz quando ele está por perto e eu tenho que concordar: quando voltou, ela estava..." Molly fez uma pausa. "Difícil, mas tem melhorado desde que eles..." Ela parou de falar.

"Desde que eles passaram a se ver?" perguntou Lily com cuidado.

Molly assentiu e elas ficaram em silêncio.

"Onde estão James e Damien?" perguntou Molly, tentando levar a conversa para um assunto mais seguro.

"James está no trabalho: em missão novamente; Damien disse que estava fazendo lição de casa, mas eu não acredito nisso: como se aquele menino fizesse alguma coisa da escola de bom grado." Ela balançou a cabeça.

Molly riu. "Não me faça começar com Fred e George... ou com Ron... ou Charlie." Ela balançou a cabeça. "Felizmente parece dar certo no final."

"Entendo, não tenho como te contradizer," riu Lily.

Molly sorriu. "Melhora quando eles têm um objetivo em mente. Foi assim com Charlie, pelo menos. Com Bill nunca tive esse problema, graças a Merlin; teria sido mais difícil. Ron e Ginny ainda eram tão pequenos naquela época; teria sido um pesadelo me preocupar com isso também. Percy levava a escola a sério antes mesmo de começar; eu não tenho ideia de onde isso veio. Os gêmeos eram um desastre, claro, mas deu certo." Ela fez uma pausa, sorrindo e tomando o chá novamente. "Ron recebe muita ajuda de Hermione..."

Lily assentiu. "Agradeço a Merlin por aquela garota ou Damien nunca teria feito lição de casa na vida!" Elas compartilharam um sorriso. Afinal, foi através dos três que começaram a se tornar amigas. Tinham se conhecido na Ordem, claro, e conversado algumas vezes, mas nunca surgiu uma amizade entre elas até os meninos começarem a se tornar amigos.

"Ginny..." Molly ficou séria. "Ela sempre teve boas notas, mas há uma nova sede nela: nunca a vi lendo tanto antes." Ela fez uma pausa. "Mas quase tudo é sobre defesa."

Lily assentiu. "Provavelmente é culpa de Harry." Ela fez uma pausa. "Mas é bom, não é? Que ela esteja disposta a aprender a se defender?"

Molly olhou para o chá, mas assentiu. "É só que sempre esperei que ela nunca tivesse que fazer isso," disse ela baixinho.

Lily estendeu a mão, segurando a da outra. "Eu sinto muito."

Molly sacudiu a cabeça e ergueu os olhos. "Não é sua culpa." Elas se encararam. O 'é do seu filho' não dito ecoou no ambiente.

Lily finalmente desviou o olhar e puxou a mão, pegando sua xícara. "Sinto muito," disse ela novamente. Molly não disse nada dessa vez.

"Está ficando tarde," disse Molly por fim, ficando sem jeito. "É melhor eu acordar Ginny para irmos para casa. Ainda preciso terminar o jantar."

Lily assentiu a princípio, mas depois fez uma pausa. "Não sei se você vai concordar com a minha ideia," começou ela cuidadosamente. "Mas... ela poderia passar a noite."

Molly olhou para ela, chocada.

Lily rapidamente acrescentou: "É claro que ela dormiria no quarto de hóspedes! Mas, sabe, ela ficaria para jantar e quando acordar, poderia voltar para casa depois do café da manhã." Lily fez uma pausa. "É só uma ideia. Percebi que você não está tão interessada que eles passem tempo juntos, mas acho que isso os ajuda. Eu até diria que precisam disso."

Molly se sentiu envergonhada por Lily ter notado o que estava fazendo. "Eu... eu não tenho tanta certeza disso."

"Eu e James ficaremos de olho neles, eu prometo. Só pensei que seria legal para eles."

"Talvez... talvez esteja certa." Ela fez uma pausa. "Eu só fico muito preocupada em deixá-la sair da minha vista."

"Eu entendo. Fico preocupada com Harry o tempo todo também... com Voldemort e tudo o mais."

Molly se encolheu com o nome, mas assentiu de qualquer maneira, mesmo que seus pensamentos tivessem seguido uma direção diferente. Seria muito grosseiro dizer à amiga que estava preocupada com o fato de seu filho ficar com Ginny, não é? Ela suspirou. "E você ficaria de olho neles?"

Lily assentiu e estendeu a mão sobre a mesa novamente, segurando a mão dela. "Ninguém vai tirá-la de você nunca mais." Lily fez uma pausa. "Eu sei que tem medo, mas Harry nunca faria algo assim novamente. Posso ver o quanto ele gosta dela, se isso te tranquiliza."

Elas se encararam e Molly não viu nada além de honestidade nos olhos da amiga. Finalmente, ela assentiu. Confiava em Lily e James. Eles ficariam de olho nas coisas e talvez ajudasse Molly a superar seu medo, mesmo que só um pouquinho. Ginny também ficaria muito grata e feliz. Imaginar o sorriso feliz da filha tornou sua decisão muito mais fácil. "Se não for demais para você," disse ela. Lily sacudiu a cabeça. Molly continuou: "Convidamos os Longbottom para amanhã. Não sei se James está trabalhando, mas... se vocês quiserem vir também..."

Lily sorriu para ela. "Seria ótimo, Molly."

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Ginny seguiu Harry pelas escadas. Ele abriu a porta do quarto, acenando para ela entrar. Ela entrou, dando uma olhada em volta. Eles não tinham subido ainda; passaram a maior parte do tempo do lado de fora, voando um pouco ou sentados na grama, conversando ou deitados, um perto do outro, onde haviam adormecido. A pele dela ainda formigava do sol. Se não tivesse sorte, estaria queimada mais tarde.

"É legal," disse ela por fim, virando-se para encará-lo. Ele estava encostado na porta.

"Também acho."

Um silêncio quase constrangedor se estabeleceu entre eles. Ginny sorriu nervosa, deixando seus olhos vagarem pelo cômodo mais uma vez.

"Por que não se senta?" perguntou Harry. Ginny encontrou seus olhos. Ele fez um gesto em direção à cama no canto. Ela assentiu, atravessou o quarto e sentou-se de frente para ele.

Harry adentrou completamente o quarto e fechou a porta silenciosamente ao passar.

"Eu ainda não posso acreditar que mamãe me deixou passar a noite aqui," disse ela. Harry concordou com a cabeça, enfiando as mãos no bolso de seu jeans. "Então, posso pegar algo seu para dormir?"

"Não acho que precise de nada para dormir," disse ele sorrindo.

"Depois do jeito que sua mãe acabou de olhar pra gente?" Ela quase corou de novo, lembrando-se do modo como a Sra. Potter olhara para eles quando contou que sua mãe estivera lá e dera permissão para que ela passasse a noite no quarto de hóspedes. "Acho que preciso de três camadas pelo menos!"

Harry riu. "Que isso, não foi tão ruim assim."

Ginny resmungou. "Imagine se fosse minha mãe!" Harry encolheu os ombros. "Você não estaria dizendo isso agora."

"Eu não disse nada," brincou ele.

Ginny revirou os olhos. "Vamos, apenas me dê uma de suas camisas."

Ele sorriu e caminhou até o guarda-roupa, abrindo-o. Ele ficou um momento diante do armário antes de se virar novamente. "Alguma cor específica?"

Ginny sorriu. "Não sou muito fã de rosa."

"Sério?" Harry lançou-lhe um olhar afrontado. "Não tem camisa rosa aqui. Nada nessa cor neste quarto."

O sorriso de Ginny se alargou. "Tem certeza?"

O sorriso de Harry desapareceu de repente. "Não," respondeu ele, tenso de repente. "Não tive tempo nem interesse de olhar com atenção as roupas ou o quarto." Ele fez uma pausa. "Mamãe comprou para mim." Ginny estava prestes a dizer alguma coisa, mas ele se virou, claramente sem querer falar sobre isso. A garota sabia que ele às vezes ainda tinha dificuldade em ver a Mansão Potter como sua casa.

Harry tirou algumas camisas, selecionando-as. "Verde? Preto? Branco? Vermelho?" Com o desgosto claramente visível em seu rosto, ele tirou o vermelho da pilha. "Pode usar essa."

"Que legal da sua parte!" provocou ela, tentando tirar um pouco da tensão de seus ombros. "Eu posso dormir com a camisa que você não gosta."

"Pode até ficar com ela," disse Harry, jogando-a para a ruiva, que a pegou e desdobrou.

"É legal... mas... hum..." Ginny mordeu o lábio, olhando para a camisa.

"Você odeia roupas vermelhas?" perguntou Harry, sentando-se ao lado dela na cama. "Não combina com o seu cabelo?" brincou ele.

"Babaca," disse ela, socando-o. "Não, não é isso." Ela fez uma pausa, sentindo-se insegura. "É só que... posso... posso vestir uma camiseta que você já usou?" Ginny encontrou seus olhos. O rosto dele suavizou e perdeu o tom de brincadeira.

Ele deu uma olhada rápida ao redor do quarto. "Eu não usei muitas delas ainda." Ele se levantou novamente, mas de repente parou.

"Não é tão importante assim, Harry. Posso usar essa aqui."

Harry balançou a cabeça, virando-se para encará-la novamente, seus olhos brilhando intensamente. Ele começou a sorrir e, com um movimento rápido, puxou a camisa sobre a cabeça e jogou para ela.

Ginny a pegou e colocou ao lado dela, seu olhar se demorando em seu peito nu. "O que...?"

Mas ele se aproximara dela e subira na cama, empurrando-a para baixo.

"Ah, não," disse ela, empurrando-o enquanto ele pairava sobre ela. "Sua mãe pode entrar a qualquer momento, eu não..." Mas ele a silenciou com um beijo. Ela agarrou a camisa dele e empurrou-o para trás, colocando-a rapidamente por sua cabeça. Ela sorriu quando percebeu que era avermelha. Harry suspirou e olhou para baixo, quase fazendo beicinho.

"Vermelho não é minha cor," reclamou ele.

"Não seja bobo. Você parece um verdadeiro grifinório de vermelho."

"Essa é a questão, Ginny," disse ele, mas não fez menção de retirá-la. Ela arregaçou as mangas, tentando fazer com que ele passasse os braços, mas ele não o fez. Em vez disso, suas mãos foram até os quadris dela, fazendo cócegas. Ela quase gritou de rir.

A ruiva tentou afastar as mãos dele, sem fôlego, ofegante: "Harry, pare com isso." Ele obedeceu, mas não parou de sorrir para ela. "Coloque sua camisa idiota," resmungou ela para ele provocativamente, tornando a arregaçar as mangas. "Eu visto a verde?" Ela meneou a cabeça para a camisa ainda sobre a cama ao lado deles.

Ele pareceu pensativo por um momento. "Talvez eu possa abrir uma exceção hoje," disse ele, sorrindo. Ginny assentiu, sorrindo também. Sem tirar os olhos dela, ele empurrou o primeiro braço pela manga. Ela ensacou a barra da camisa.

A porta foi aberta. "Ah, Merlin, não quero ver isso! Vocês dois não conseguem ficar com as mãos longe um do outro por um segundo?" indagou Damien. Ginny sentiu o calor correr por suas bochechas. Ela afastou as mãos de Harry. Ele terminou de vestir a camisa e se virou para encarar o irmão.

Uma força súbita e invisível o empurrou para fora do quarto, enquanto Ginny empurrava Harry para que saísse de cima dela. "Mamãe disse para deixar a porta aberta o tempo todo," gritou Damy, sorrindo.

"Eu não estava tirando a roupa dele," disse Ginny, ainda corando, percebendo o que deveria ter parecido. Damien riu. Harry fechou a porta com um aceno de mão.

Ele tornou a se virar para ela. "Onde paramos?" perguntou ele provocativamente.

Ginny sacudiu a cabeça. "De jeito nenhum, me solte." Ela tornou a empurrá-lo e ele finalmente rolou para o lado. Ela se levantou e pegou a outra camisa. "Boa noite," disse ela, apontando o dedo para ele em sinal de advertência. Ele se levantou mesmo assim, puxando-a para perto e lhe dando alguns beijos rápidos e recatados. Ela se afastou. "Você é horrível!" disse ela levemente, mas sorrindo.

Ele sorriu. "Bons sonhos."

Ginny atravessou o quarto depressa, mostrando a língua para ele. Ela abriu a porta, soltou um beijo e saiu, fechando a porta. Damien estava de pé no corredor, sorrindo para ela. "Nenhuma palavra!" ela o ameaçou.

Ele ergueu as mãos, mas não parou de sorrir. Ele acenou para o quarto ao final do corredor. "Aquele é o quarto de hóspedes, o banheiro fica ao lado."

"Obrigada," disse ela e foi depressa até o quarto de hóspedes antes que ele mudasse de ideia e dissesse alguma coisa. Era um quarto simples, mas agradável. Ela se preparou para dormir, rastejando sob as cobertas. A cama e o quarto pareciam estranhos e a garota suspirou, ouvindo os sons ao seu redor. Os Potter estavam se preparando para dormir. Não demorou muito e tudo ficou quieto. Ela não sabia quanto tempo levou, mas finalmente seus olhos ficaram pesados e ela caiu em um sono leve.

Sonhou com o lampejo de luz verde e acordou de repente, sentando na cama. A garota respirou pesadamente, inspecionando o quarto, tentando se acalmar. Uma olhada no despertador na mesa de cabeceira lhe disse que estava no meio da noite. Ela suspirou e deitou, mas a luz verde brilhava diante de seus olhos sempre que tentava fechá-los.

A ruiva encarou o teto e mordeu o lábio. Harry estava no final do corredor... não precisava ficar com ele. Só verificaria se ele estava acordado. Se não estivesse, ela iria embora; se estivesse, só buscaria algum conforto e voltaria para sua cama. Ninguém saberia.

Ela saiu da cama e do quarto. Silenciosamente, atravessou o corredor, parando para ouvir de vez em quando. Não havia nada indicando que alguém pudesse ouvi-la. Finalmente, chegou à porta de Harry, abrindo uma fresta.

Ele estava encostado na cabeceira da cama, ainda completamente vestido, lendo um livro. Ela não conseguia distinguir o título. Havia uma pequena bola de luz flutuando ao seu lado, como ele sempre fazia quando estava lendo. Ela entrou no quarto, fechando a porta o mais silenciosamente possível. Ele olhou para ela, antes de seus olhos baixarem. Por um momento, ela desejou puxar a camisa para baixo o máximo possível. Ele sorriu.

"Minha camisa ficou muito melhor em você."

Ela sorriu de volta. "Claro que sim."

Harry deu um tapinha ao lado dele, seus olhos retornando ao livro. Ela se aproximou, rastejando na cama entre ele e a parede. A ruiva deitou, aconchegando-se ao seu lado imediatamente.

"Não consegue dormir?" perguntou ele baixinho após um tempo.

Ela assentiu, mas ficou em silêncio.

"Pesadelo?"

Ela assentiu, silenciosamente desenhando pequenos círculos no peito dele, os olhos focados no livro em suas mãos. "Você também?"

"Não, não dormi ainda." Eles ficaram em silêncio. "Quer falar sobre isso?" perguntou ele. Ela balançou a cabeça. Harry virou uma página e depois outras duas.

"O que está lendo?" perguntou ela. Ele virou a capa para ela, sem tirar os olhos da página. Ela apertou os olhos, mal distinguindo as palavras 'Magia Negra Avançada.' Ela fez uma careta. "Por favor, me diga que é apenas a capa e que, na realidade, está lendo um romance."

Harry bufou. "É apenas a capa e, na realidade, estou lendo um romance." Sua voz estava, claro, cheia de sarcasmo.

"Como pode ler algo assim para dormir?"

Ele sorriu. "Nem todos nós somos garotinhas com medo de tudo."

Ela parou de desenhar círculos e bateu no peito dele. Ele nem piscou, mas virou mais algumas páginas. "Sabe que provavelmente ajudaria se lesse todas as páginas," provocou ela.

"Eu já li por vezes o suficiente para conhecer o conteúdo," disse ele distraído.

Ginny franziu a testa. "Por que está lendo, então?"

"Não consigo dormir."

"Você não está nem tentando." Ela puxou um pouco sua camisa e seu jeans, provando seu ponto.

"Eu também estou tentando me distrair."

Sua carranca se aprofundou. "De quê?"

"Ah, não sei. Apenas acontece de ter essa garota na minha cama que não consegue parar de me tocar, vestindo nada mais do que uma das minhas camisas, com meus pais no final do corredor."

Ginny sorriu. "E calcinha."

Seus olhos finalmente deixaram a página e ele a encarou, seus olhos mais escuros do que o normal, levantando uma sobrancelha.

"Eu não estou vestindo só sua camisa."

Harry gemeu. "Não está ajudando, Ginny, não está ajudando." Ela sorriu maliciosamente, arrastando os dedos até a bainha de sua camisa. "Também não está ajudando," disse ele, segurando o livro com mais força.

"E se eu não quiser ajudar...?" perguntou ela inocentemente.

"O que foi aquilo sobre a minha mãe mais cedo?" perguntou ele provocativamente.

"Bem, ela está dormindo, assim como seu pai e seu irmão." Seus dedos deslizaram por baixo da camisa dele. "E nós nem nos beijamos direito em sema..." Ele jogou o livro por cima do ombro e beijou-lhe com fervor.

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"Bom dia, Potters," disse Sirius alegremente, entrando na cozinha. James se virou de onde estava, com uma caneca de café na mão, enquanto Lily olhava para ele por cima do ombro.

"Bom dia, Sirius," murmurou James antes de tomar um gole de café.

"O que está fazendo aqui?" perguntou Lily, desconfiada.

"Vim tomar café," respondeu Sirius, sentando em uma cadeira.

"Você não foi convidado, Sirius Black."

Ele fez beicinho. "Desde quando família precisa de convite?" perguntou ele. Ela o encarou. Sirius levantou as mãos, rendendo-se. "Desculpe, Lily, o que posso fazer?" Ele sorriu para ela encantadoramente.

Ela se virou, tirando a panela do fogo. "Você pode acordar os meninos."

Sirius fez uma careta. "Eu não quero acordar Damy. É um saco acordá-lo, ainda pior do que Prongs aqui..." Ele parou, percebendo algo de repente. "Acordar os meninos? Harry ainda está dormindo?" Ele deu uma olhada no relógio. "Uau, essa deve ser a primeira vez que ele ainda não está acordado já treinando." Sirius sorriu, planos e cenários enchendo sua cabeça. O que poderia fazer com ele enquanto ainda estava dormindo... "Não vai demorar muito!" Ele saiu da cozinha e subiu as escadas correndo, dando dois ou três passos de uma só vez, os avisos de Lily para que não fizesse nada com Harry ecoando atrás dele.

Ele desacelerou quando estava lá em cima, rastejando ao longo da parede em direção à porta de Harry. Ele a abriu o mais silenciosamente possível. Harry provavelmente acordaria fácil e não queria perder a chance de brincar com ele...

Sirius olhou para a cena à sua frente, antes de sorrir largamente. Isso era ainda melhor. "Ah, agora eu sei porque ainda não acordou, tendo corrido três quilômetros," disse ele em voz alta. Ele observou Harry afastar o braço de Ginny, virando-se para encará-lo.

"Por que não vai incomodar Damien, Sirius?" perguntou o garoto, parecendo muito acordado para ter acabado de acordar.

"E deixar passar essa oportunidade mais do que perfeita para..." Ginny gemeu antes de se aconchegar mais em Harry.

O rapaz o encarou. "Se você a acordou..."

Ginny gemeu novamente, murmurando algo antes de piscar, cansada. Harry passou a mão pelo cabelo dela e disse baixinho: "Volte a dormir."

"Tarde demais," murmurou ela, esfregando os olhos e piscando novamente. A garota, então, sorriu cansada para Harry. "Oi."

"Bom dia, Ginny," disse Sirius da soleira da porta, sorrindo brilhantemente. Sua cabeça se virou, seus olhos se arregalaram e ela corou, antes de enterrar a cabeça no travesseiro. Harry o encarou com mais intensidade.

Sirius riu. "Eu vou deixar os dois pombinhos a sós."

Ele fechou a porta e desceu novamente, entrando na cozinha, ainda sorrindo loucamente. "Três palpites para quem acabei de pegar na cama juntos e os dois primeiros não contam."

James engasgou-se com o café, enquanto Lily quase derrubou os pratos. Ambos os encararam com os olhos arregalados. "Isso não é brincadeira, Black," disse Lily por fim.

"O melhor é que nem preciso brincar sobre isso." Ele tornou a rir, lembrando do rosto corado de Ginny, enquanto se sentava à mesa.

Houve passos na escada, antes de Harry aparecer no batente da porta, vestindo apenas cuecas boxer e uma camiseta vermelha. "Aquilo era mesmo necessário?" perguntou ele, fuzilando Sirius com os olhos.

"Ele estava falando a verdade?" perguntou Lily, estridente, colocando os pratos sobre a mesa com força. "Eu prometi a Molly que ficaria de olho em vocês dois e você foi e..." Ela corou e virou-se para James. "Fale com ele!"

"Quê?" perguntou James com os olhos arregalados. "Eu não..." ele parou, olhando de Harry para Lily.

"Nós não transamos se é com isso que está preocupada," disse Harry secamente.

Sirius riu alto da cara que Lily e James fizeram.

"Olhe, Ginny teve um pesadelo e eu a consolei." Ele passou a mão pelo cabelo. "Vocês não podem simplesmente... sei lá: esquecer isso? Ela está muito envergonhada." Ele olhou feio para Sirius, que levantou as mãos, parecendo tão inocente quanto possível.

Houve mais passos nas escadas antes de Damien aparecer ao lado do irmão. "O que está acontecendo aqui?" perguntou, cansado. "E por que parece que Ginny está chorando?" Ele se virou para Harry. "O que você fez dessa vez?"

Harry xingou, virou-se e subiu as escadas correndo.

"Harry, eu não queria fazer isso!" gritou Sirius atrás dele.

Damien olhou confuso de um para o outro. "Alguém vai me contar?" perguntou o menino, sentando-se à mesa também.

"Eu peguei Harry e Ginny dormindo juntos na cama dele," explicou Sirius.

Damien corou. "Ah..." Ele, então, franziu a testa. "E por que Ginny está chorando?"

Sirius deu de ombros. "Eu não achei que ela reagiria assim!" disse Sirius depressa, a culpa se instalando em seu estômago. "Quer dizer, pensei que ela aguentaria uma brincadeirinha... ela não parece o tipo que chora com algo assim."

"Ela não é assim," defendeu-a Damien. "Ela aguenta muita coisa. Eu não entendo por que está chorando." Ele olhou para a mãe, assim como Sirius.

"Só porque sou mulher não significa que posso dizer o que alguém está sentindo e pensando o tempo todo," disse Lily, a preocupação claramente visível em seu rosto. "Acho que vou olhar se está tudo bem... Ver se eu posso ajudar de alguma forma..."

Mas isso não pareceu necessário, pois Harry reapareceu na cozinha.

"Harry, me desculpe. Não achei que isso a incomodaria tanto," disse Sirius imediatamente.

"Você deveria se desculpar com ela, não comigo," disse ele, dando um passo para o lado e revelando Ginny, que encarava o chão, mordendo o lábio.

"Ginny, me desculpe. Eu não queria..."

Ela olhou para cima, encontrando seus olhos. "Está tudo bem. Eu só... eu só..." ela parecia procurar as palavras, mordendo o lábio novamente.

Harry estendeu a mão para ela. "Devo...?"

Ela balançou a cabeça e respirou fundo. "É só que minha família, especialmente meus pais... estão sendo difíceis – estão sendo difíceis conosco." Ela apontou para Harry. "Quer dizer, eles estão melhorando, mas..." Ela parou. "Tenho medo que vocês também fiquem assim."

"Ah, Ginny!" disse Lily, aproximando-se dos dois. "Se você quiser, eu falo com Molly. Quer dizer, eu já falei antes, mas talvez eu possa ajudá-los... "

"Sim," disse James. "Eu poderia falar com Arthur."

Ginny olhou surpresa de um para o outro, obviamente sem saber o que dizer. Ela olhou espantada para Harry.

"Não é necessário. Eu já conversei com seu pai," disse Harry. Todos olharam espantados para ele, mas Ginny parecia ainda mais surpresa.

Ela olhou boquiaberta para ele. "Falou? Quando? E por que não me contou?"

Harry encolheu os ombros. "Ele pediu para falar comigo depois que você adormeceu."

Os olhos de Ginny se estreitaram. "O que ele disse?"

"Ele só está preocupado."

"Ele não precisa se preocupar! E te encurralar depois que eu adormeci..." Ela cruzou os braços, parecendo zangada. "Eu vou dizer a ele exatamente o que penso sobre isso." Ela se virou e saiu do cômodo.

"Você deveria se vestir primeiro," gritou Harry para ela, revirando os olhos, mas ele sorria.

"Sim, e nós deveríamos tomar café da manhã primeiro," disse Lily, apontando para a mesa. "Pegue os copos, Damien."

Ele gemeu. "Por que eu tenho que..." Lily olhou séria para ele e ele se levantou.

"Mãe? Pai?" Os dois olharam para Harry. "Obrigado."

"Ah, querido, não há de quê," disse Lily, batendo em seu peito. James sorriu para ele por cima da caneca. "Sem problemas, filho."

Harry assentiu para eles. "Eu também vou me vestir."

Sirius sorriu maliciosamente. "Tem certeza que não vai ajudá-la a se vestir?"

"Sirius!" repreendeu Lily. "Isso que nos trouxe aqui em primeiro lugar."

"Que foi?" perguntou ele inocentemente. "Tudo deu certo, não foi?"

Ela colocou as mãos na cintura, amarrando a cara para ele.

"Isso seria ridículo," interferiu Harry. "Eu só a ajudo a tirar a roupa."

"Harry!" gritou Lily, virando-se para ele. O rapaz deixou a cozinha, rindo.

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Eles estavam sentados à mesa da cozinha, rindo e conversando, quando Harry de repente ficou de pé, com o rosto branco e os olhos arregalados de choque.

"Harry?" perguntou James, confuso.

Harry olhou primeiro para Ginny antes de se virar para o pai. "Eu coloquei um alarme no escudo que conjurei ao redor d'A Toca e ele acabou de ser acionado."

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